História Assassin's Creed: Other Side - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Assassin's Creed
Personagens Haytham Kenway, Ratonhnhaké:ton "Connor", Shay Patrick Cormac
Tags Ação, Assassins's Creed, Aventura, Comedia, Connor Kenway, Drama, Haytham Kenway, Shay Cormac, Tragedia, Violencia
Visualizações 15
Palavras 3.448
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 12 - Meu Antigo Aprendiz


Fanfic / Fanfiction Assassin's Creed: Other Side - Capítulo 12 - Meu Antigo Aprendiz

 

Achilles surpreendeu-se cada vez mais, perdendo-se em suas próprias divagações enquanto ouvia tudo do jovem amarrado em sua frente. Tenebroso, ele pensou. As circunstâncias eram, acima de tudo, tenebrosas. Isso, claro, para não mencionar a coincidência do dilema vivido pelo tal Remy Delacroix. E o que o assustou, no fim de tudo, foi sentir decepção ao se dar conta de que aquele rapaz parecia nada menos do que, aos seus olhos, um verdadeiro e trágico reflexo de Shay Patrick Cormac.

Apenas que dessa vez, em uma situação inversa.

Perdido. Ferido. Enraivecido. Confuso em suas próprias crenças. E agora prestes a apertar a mão do próprio demônio após se render a um ímpeto insaciável de vingança. Sua voz mencionava nomes já conhecidos por Achilles . E se antes ele os via como aliados, agora não havia nada menos do que puro nojo, repudio em sua voz. Havia no entanto, um certo quê de egoísmo em seus relatos. Como se aquela proposta fosse nada mais do que seu meio para algum fim. Como se as suspeitas de Achilles se provassem verdadeiras e, em seu amâgo, concordasse, ao menos nisso, com Connor. Quando atingisse seus objetivos, não haviam certezas de que a palavra de Remy iria se manter verdadeira. 

Ainda assim, Achilles já não sabia se considerava tão remota a ideia de uma aliança.

- Suponho, então, que já não deseja confraternizar com Charles Lee e seu circulo? – questionou Achilles, em deboche.

- Me poupe. – Remy bufou, já solto das amarras, para resignação de um esbaforido Connor. O mohawk parecia desconfiado como sempre, balançando e brincando com sua machadinha do outro lado da sala.

- Por que a súbita mudança de pensamento, Templário? – inquiriu Connor.

- O que foi? Por que continua a me chamar assim, indiozinho? – provocou Remy, percebendo a crescente irritação no outro. Não que tivesse algo contra Connor, mas ele estava pedindo aquilo cada vez que balançava seu machado em ameaça. - Para sua informação, não vou com sua cara também. E não me relacione mais nenhuma vez àqueles homens se não quiser ter seu pescoço--

- Silencio, os dois! – apartou Achilles , batendo no chão com sua inseparável bengala, trazendo silencio a sala. Então, sinalizou para Remy – Continue, rapaz. E Connor, por favor, sem mais interrupções.  ­

Remy deu de ombros, por fim.

- Não chamaria isso de “mudança súbita”. Mesmo antes de ganhar meu lugar entre eles, Lee já me olhava torto. Creio que todos eles já nutriam desgosto por mim, e isso eu percebi desde cedo. Não sei ao certo porque. Talvez me vissem como um intruso em seu meio. Acho que passar tanto tempo com Haytham Kenway o deixava enfurecido, bajulador como Lee era.

Meu pai?, balbuciou Connor, inaudível o suficiente para qualquer um ouvir. O semblante surpreso de Connor foi logo notado por Achilles, contudo, que prontamente tratou de contornar a situação.

- Enfim, Remy... – ele relevava, caminhando pelo cômodo. – Pensei um pouco em seus relatos. E penso que, se suas palavras não fossem capazes de convencer a mim, então seus olhos foram, por si só, mais que suficientes. Ao menos nisso temos algo em comum. O repudio por aqueles trastes Templários.

- Então, devolva-me minhas armas – pediu, estendendo a mão.

- E arriscar meu pescoço? – o velho sorriu, com um sinal negativo. – Achei que fosse mais esperto que isso. Sou velho, não tolo.

Remy cruzou os braços, claramente ofendido. Por que aqueles imbecis não confiavam nele? Talvez fora esse o verdadeiro motivo da extinção da Irmandade Colonial. Burrice coletiva. E a clara falta de apego às oportunidades que lhes surgiam em suas mãos. Idiotas. Se ele não estivesse diante de uma enorme situação cuja oportunidade beirava à de uma verdadeira barganha, a primeira coisa que faria seria prover aqueles dois uma morte rápida. Mas por enquanto não. 

Eles ainda lhe seriam úteis, ele constatou.

- Ainda com essa conversinha, velhote? Pensava que tivéssemos deixado claro que estava do seu lado.

- Ah, mas confiança não se constrói através de palavras, mas sim por ações, rapaz. Por isso, não posso apenas confiar em tuas promessas de ajuda. Terá de comprar teu lugar ao nosso lado.

- Ótimo... – ele respondeu, coçando as pálpebras. Aquilo estava o tirando do serio.

E Achilles parecia se divertir com aquilo. Irrita-lo parecia ter um gosto doce para o velho Assassino. Doce até demais.

– O que terei de fazer então, ó Mestre aleijado? – provocou, curvando-se lentamente.

- A começar? Pare com essas suas provocações desnecessárias. Ou pedirei a Connor que livre-se de sua querida lamina oculta.

- E o quê? Acha que me deixará em desvantagem se retirar minha lâmina? Pois se quer saber, sou melhor com espadas. Muito melhor. Perigosamente melhor – ele retrucou, ameaçadoramente aproximando-se de Achilles  – Se quiser, posso providenciar que descubra isso em primeira mão.

O velho o olhou destemido por baixo do chapéu, fazendo sinal para Connor baixar a já preparada machadinha. Seus nervos estavam a flor da pele, e Achilles podia entender por quê. De fato, o velho Assassino jamais pensou, mesmo na mais assustadora das suas hipóteses, que manteria um Templário sob seu próprio teto.

 – Mas?

Remy sorriu – Mas, não faz parte do nosso trato. Então, terei de acatar seu pedido. Posso ser muitas coisas, mas não sou homem que falta com a própria palavra. Farei o que precisa, e então, tu me ensinarás tudo que sabe. Como ensinaria um Assassino. Tudo. – reforçou -  Então, temos um acordo?

Um segundo se passou, e Achilles olhava a mão estendida do rapaz. Ao fundo, Connor pouco pôde segurar seu semblante irritado ao perceber suas suspeitas nada agradáveis se concretizarem quando Achilles retribuiu o aperto. Ah, eles se arrependeriam disso, ele pensou. Ele só desejava com todas as forças que suas conjecturas estivessem erradas.

- Não precisa fazer nada, rapaz. – Achilles assentiu – Precisava testar suas reais intenções, e até onde estaria disposto à formar esta aliança. Quando posto frente à algum preço, muitos preferem dar as costas. Mas... – seus olhos sondaram Remy friamente. Um misto de nojo e interesse aliados a um leve sorriso - Vejo que os Templários não corromperam, ao menos, seu senso de honra. E honra, meu jovem, é uma das maiores virtudes que um homem pode possuir.

- Sim - Achilles assentiu - Temos um acordo.  

 

..............°..............

 

 

Visto ao longe, a paisagem solitária da Davenport Homestead pouco parecia mais do que uma mera sombra do que um dia já fora. Sim, aqueles eram outros tempos. Já houveram aqueles dias em que não apenas aquelas terras esbanjaram prosperidade e vida, mas também fora o lugar onde ele acolhera aqueles a quem podia chamar de sua familia. Liam, Kessegowase, Hope... E Shay. Todos seus alunos, todos seus companheiros e irmãos de Credo. Até que seus próprios erros o fizeram perder tudo, quando, no fim, poderia ter evitado aquelas toda perda e mortes se tivesse dado ouvidos à um de seus irmãos.

Seus erros de julgamento o levaram a dor que agora preenchia o vazio de seu coração, e Achilles lembrava-se de tal fato todos os dias. Como uma marca inapagável. O vazio daqueles quartos eram a prova disso. Agora, um de seus maiores inimigos, ao menos no que tangia à ideais, se encontrava no lar que a Ordem ajudara a tornar vazia. Quão irônico era o destino, Achilles percebeu.

Entretido em suas leituras, seus olhos voltaram-se a janela quando ouviu o som de madeira sendo perfurada do lado de fora.

Connor esticou o arco mais uma vez. E soltou. Ainda com um olho fechado, sentiu-se satisfeito quando a flecha atravessou de modo certeiro o boneco improvisado de treinamento. Mesmo em meio ao frio cortante, o nativo mal parecia abalar-se, acostumado com aquele clima. Por falta de atividade  melhor, decidira afiar sua pontaria naquela tarde, o que se provava mais do que agradável desde que se mantivesse longe daquele Templário com cara de poucos amigos. Ainda resmungava consigo mesmo com a nada ortodoxa decisão que ele presenciara de um Mentor Assassino. 

Claro, ele estava longe de ser um Assassino  realizado e, acima de tudo, um membro oficial da Ordem, mas seus sentidos eram afiados o bastante para lhe denunciarem quando uma péssima decisão estava diante de seus olhos. E deixar Remy em plena liberdade debaixo do teto da própria "fortaleza" Assassina era, definitivamente, uma delas. Quando retirou uma flecha do boneco surrado, uma presença silenciosa, ainda que em idade avançada, se fez presente.

- Vejo que continua treinando, Connor. Sei que não sou o mais estudado dos homens, mas nesse tempo, tudo que ira ganhar é um belo resfriado. Por que não entra e guarda essa fibra para outro dia? Não vais ser capaz de eliminar os Templários dentro de um caixão.  

- Sei disso. – ele mirava, prendendo a respiração. Ele não deixou de observar ao redor, certificando-se de que não estivesse sendo vigiado. Achilles entendia bem o motivo de tal comportamento. Ele mesmo ainda tinha lá suas dúvidas quanto a confiar as costas inteiramente à Remy.

 – Não é comigo que tens que se preocupar, Achilles. Eu estou dizendo, não confio nele. E acho que você também não devias.

- Oh, Deus sabe que eu já deveria estar morto faz muito tempo. Então, morrendo ou não, não faria muita diferença no trabalho daquele jovenzinho. E falando do nosso convidado inesperado, onde ele está? Não o encontrei lá dentro.

Connor olhou em volta, sem muito interesse, limitando-se a dar de ombros. De fato, ele pouco se importava onde aquele Templário sorrateiro se encontrava, embora bem deduzia onde ele estava. Em poucas horas, o jovem Kenway notou a desconfiança que crescia nos olhos do francês. Como ele o observava atento, como se o conhecesse de algum lugar.

Assim como frieza, a aura reservada do ex-Templário parecia o alertar ao fato de que preferisse ficar sozinho. Se embrenhou na floresta enquanto Connor treinava com seu arco e flecha, ele lembrou. Tudo que Connor apenas desejava era que um urso ou qualquer matilha de lobos famintos o trouxessem em  pedaços, para tornar tudo mais divertido e prazeroso de se presenciar. Se fosse fuga o motivo da demora, que seja. Seria um favor para ambos. Connor já estava mais do que decidido em seguir o caminho dos Assassinos. Portanto, um obstáculo era tudo que ele menos desejava naquele momento, sobtetudo quando tal empecilho provinha do lado inimigo daquela batalha.

- Não faço ideia. Ele adentrou a floresta mais cedo. Sinceramente, já deve esta longe daqui faz muito tempo. Talvez caçando ou algo assim... - ele guardou o arco, pondo-o em suas costas - Devo ir trás dele?

- Ah, não se preocupe – Achilles meneou, despreocupado. Connor rolou os olhos. Será que ele só entenderia quanto acordasse com o pescoço cortado no outro dia? Engasgado em seu próprio sangue? – E me surpreenderei no dia que confiar em alguém, rapaz. E não, não precisa ir atrás  dele. Ele voltará, acredite. Poucas razões ele tem para fugir após tanta motivação em me faze-lo confiar nele. Deixe-o a sós. Decerto, deves apenas querer ficar sozinho. Absorver sua raiva. E isso é outra coisa que temos de melhorar, Connor: seu discernimento e habilidades de julgamento. Saber quando agir e quando não agir. Um Assassino deve ter esse tipo de talento em suas mãos. - Achilles assinalou.

- Mas estou dizendo... – ele pedia, em suplica.

- Não. – o velho ergueu a mão, rispidamente - Ouça-me, Connor, há certas coisas que tu não sabes, e... Creio que devo informa-lo melhor o mais cedo possível. Será essencial que enxergue esta situação pelos meus olhos, e entender o porque de ter relevado a presença do rapaz Remy entre nós. – Achilles finalizou, apertando o ombro do jovem. Seus olhos pareceram vagar a outros tempos, tomando Connor de perguntas.

 Com um suspiro, fez sinal para que o seguisse de volta para dentro da velha mansão. O calor da lareira os acolheu outra vez,  e Achilles puxou uma cadeira em um suspiro aliviado, e com a bengala de lado, ele tomou um copo de vinho em mãos. Parecia que o velho iria contar uma historia daquelas, Connor deduziu. Quando ele juntava uma conversa e vinho na outra mão, nunca acabava tão rápido. O velho deu um belo gole, esquentando a garganta. Connor limitou-se a recostar na parede, braços cruzados. 

- Veja estas paredes, Connor. Caindo aos pedaços de velhas. Os quartos vazios. O silêncio desconcertante. Sabes como essa Irmandade fora extinta, Connor? Já te contei como ela era antes de você chegar aqui? Esta casa – ele olhou ao redor, observando cada detalhe. A sombra soturna da noite já transformava aquele dia em noite, o sol a se pôr no horizonte.

– Já lhe contei como tudo mudou?

Connor deu de ombros. – Não.

- Então acho, meu rapaz – ele suspirou, dando mais um gole. – Que é a hora de você saber como tudo acabou para mim. Como eu comecei esta Irmandade e... Como eu vi seu fim com meus próprios olhos.

Connor sentiu-se aturdido. Achilles sempre fora bastante reticente nas origens do Credo naquelas terras. “A Guerra dos Sete Anos foram tempos difíceis” era o que ele limitava-se a dizer sempre, para curiosidade do jovem nativo. E se tal razão não fora o suficiente naqueles tempos, então Connor aprendeu a satisfazer-se com aquelas poucas palavras. Se ele pensava que algo deveria ser fonte de preocupações para o velho Mentor, então esse algo era o futuro, e não o passado. 

Ainda assim, tal mantra jamais lhe convencera, pois vez ou outra, ele encontrava Davenport a embebedar-se em seu quarto, sempre de olhos marejados. Sempre a murmurar para si mesmo palavras inaudíveis. Nomes que ele sequer havia escutado, mas que Connor bem tinha suas suspeitas de quem eram aquelas pessoas.

Por fim, a voz rouca de Achilles o tirou de suas divagações.

- Antes de tudo, antes de você bater na minha porta... Havia um membro da Irmandade. Um homem muito talentoso, enérgico e dedicado. Impaciente, para completar. Não muito diferente de voce, Connor – ele sorriu, tomando-se de nostalgia. Para surpresa de Connor, o que parecia felicidade tomou-se de amargura, e Achilles deu mais um gole, aparentando cansaço. – Ele tinha muito potencial. Sim, sim... Hope também dizia muito isso... E creio que ele provou tal suspeita logo após eu falhar com a Ordem.

- Falhar? O que você fez?

Paciência, foi o que Connor repetiu a si mesmo quando Achilles lhe interrompeu com um gesto. Inquieto, o velho prosseguiu. 

- Esse homem, Connor, se chamava Shay Cormac. Um Assassino, um irmão de nossa causa. Em pouco tempo, eu percebi que ele era tão fervoroso em nossas crenças quanto qualquer um de nós. Sua ânsia em ajudar os inocentes era algo, de fato, louvável. Eu amava todos. Eram meus irmãos, minha família. – ele balbuciou, lacrimejando, e virando o rosto para longe da luz. Decerto, não desejando tornar sua fraqueza visível à Connor – Todos. Naquela época, eu... perdi minha esposa e filho. E isso me deixou transtornado. Eu... Cometi erros, fiz péssimos julgamentos, e isso interferiu com meus afazeres na Irmandade. Por fim, quandl tudo ruiu, apenas um deu ouvidos à própria razão. Apenas um me fez provar de meus próprios pecados. 

- Shay... – Connor completou, entendendo .

- Sim. Shay podia ser muitas coisas, mas ele jamais abandonou suas convicções. Em meio aos Templarios, ele encontrou uma forma de pagar por seus próprios erros e - Achilles parecia relevar - De certa forma, fazer o mundo esquecer os meus. 

- Mas ele foi um traidor. – Connor assinalou. – Traiu a Ordem.

Achilles recostou o copo vazio na mesa. A garrafa estava seca, para sua infelicidade. Então, contentou-se em engolir em seco.

- Defini-lo como traidor é muito simplório, meu jovem – suspirou profundamente. Um silencio seguiu-se, apenas o som estridente da lareira queimando no recinto. O clima soturno foi logo quebrado pela voz rouca de Achilles – Ele fez o que achou correto. O que era justo. E, por isso, teve de passar por cima da Ordem.

- Mas ele apagou a Ordem completamente! - negava Connor, erguendo a voz - Não merece sua compreensão, ainda que ele achasse estar fazendo o certo, Achilles!

- Ah, mas "não é de nosso direito punir alguém por pensar de uma forma, não importando o quanto nós discordemos". – retrucou Achilles, fazendo Connor adivinhar quem bem ele parafraseava – Um grande Assassino disse isso em seu tempo, Connor. E se Altair, em sua vida, uma vez errou, nada impede um homem como Shay de seguir o mesmo rumo. No fim, não fora Altair Ibn-La’ Ahad quem tornou-se o maior símbolo para nossa Ordem?

- Mas pelo que me ensinara, o grande Assassino Altair levou novos rumos para a Ordem, Mentor. Ele mudou. E assim como ele, sua forma de agir tornou-se exemplo para a Irmandade.

- Ah, exatamente. – Achilles assentia, os olhos perdidos pelo fogo, como uma mariposa atraída pela luz. - E o que, Connor, impede Shay de ter feito o mesmo?  Homens como ele não medem esforços para tomar a dianteira e proteger seus próprios ideais. Homens como ele.. – e gesticulou para a janela, hesitando um pouco antes de continuar – Homens como Remy. Dê-lhes uma ameaça, o mero pensamento de passar por cima de suas próprias crenças e jogar tudo ao vento. Homens como eles abandonam tudo para fazer o que bem acham correto.

Com um suspiro cansado, Achilles ergueu-a, afagando o ombro do jovem mohawk. Atrás de Connor, ele deixava o cômodo e um Connor confuso para trás, os passos pacientes ruindo o chão. No meio da escada, ele virou-se, a voz do nativo lhe chamando atenção.

- “Jamais comprometa a Irmandade.” – foi o que Connor repetiu, lembrando-se bem do indiscutível dogma que lhe fora ensinado não muito tempo atrás. O Credo o qual deveria, acima de tudo, seguir com convicção. -  Esse Shay Cormac é um traidor, Mentor. Ele não merece a sua compreensão. Muito menos, sua piedade. E ainda assim, voce choras por  homem como aquele?

 - “Afastar a lâmina da carne inocente” – Achilles retrucou, cenho entristecido. Suas mãos comprimiram a bengala em mãos, como se todos seus pecados fossem postos a sua frente de uma única vez. – Esse, Connor, foi meu pecado. Shay nos traiu para impedir que eu continuasse a errar. Sim, Shay pode ter sido um traídor. Mas, acima de tudo, ele foi...- seus olhos lacrimejaram. Seus lábios se contorceram, e ele se viu deixando a voz fraquejar - Acima de tudo, ele foi meu aluno. E um irmão.

- Por que me contou isso? Digo, quer que entenda o lado daquele homem? - ele olhou com desgosto para a porta, como se visualizasse o proprio Remy a passar por ali - Que eu entenda como ele, aquele Templário, se sente? Você o ouviu, Achilles! Ele trabalhava com meu pai! Assim como esse tal Shay Cormac, Remy deve morrer!

- Não, não deve, Connor. - Achilles negou, pesadamente, encerrando aquela discussão, dando meia volta.

 Ele entenderá, murmurou a si mesmo. Antes de deixar-se explodir em suas próprias emoções, então Connor deveria buscar aperfeiçoar sua própria racionalidade. Pensar antes de realizar ações precipitadas. Talvez... Talvez trabalhando ao lado daquele rapaz, o jovem Kenway teria algo a aprender. Aprender, Achilles percebeu, como ele próprio deveria ter aprendido com Shay Cormac.

- A questão, Connor, não é de piedade, tampouco tolerância, meu rapaz. Se trata de perceber que aquele jovem nada mais é do que um reflexo do que Shay já foi um dia. Um homem traído em seu próprio meio. E agora, buscando uma forma de lutar ao lado do que ele já viu como seus inimigos. E se não por ele próprio, então vejo que aquele garoto luta por seus ideais tão fervorosamente quanto qualquer Assassino que já conheci. Exatamente como Shay fazia. E, é por isso que tê-lo ao nosso lado será o que faremos. Ao menos assim, eu posso fazer o certo dessa vez. 

Connor pemaneceu parado frente à porta, tentando absorver aquelas palavras. O peso da rispidez talvez havia colocado algum pouco juízo na cabeça dele, pensou Achilles. Claro, seus instintos Assassinos diziam o completo oposto do que ele planejava. Era só o que tilintava em sua mente. Mate-o, era o primeiro pensamento de Connor. Ele soltou uma careta ao ter de pensar em que aquele Templário lutaria ao seu lado. Dormiria sob o mesmo teto. E o pior, usaria das mesmas lâminas os quais pertenciam aos Assassinos. Era desgostoso ter de olhar para ele apenas mais uma vez. 

Antes de fechar a porta, Achilles o lançou um ultimo olhar. Seu leve sorriso sumindo atrás da fresta do quarto.

- Ah, e lembre-se de acordar o nosso caro convidado amanhã cedo, Connor.  Vocês terão um longo dia de treinamento, e não quero  atrasos quanto a isso. Veremos o que o Sr. Delacroix tem a nos mostrar.

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Próximo capitulo: o treinamento de um Assassino! E sei não, algo me diz que não será tão facil pro Remy não ... Pelo menos, não será exatamente como foi da outra vez com Haytham XD.


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