História Assim no Inferno como no Céu - Mariela - Capítulo 15


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Lesbicas, Mariana, Mariela, Rafaela
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, FemmeSlash, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Orange, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 15 - Ressuscitou no terceiro dia


Fanfic / Fanfiction Assim no Inferno como no Céu - Mariela - Capítulo 15 - Ressuscitou no terceiro dia

POV MARIANA

Minhas mãos começaram a tremer e pela primeira vez na minha vida eu entendi como a Rafaela se sentia quando era tomada pelo ódio. Fechei minhas mãos em punhos e apertei bem para tentar me controlar. Ver aquelas pessoas tirando sarro da morte da minha namorada despertou algo desconhecido dentro de mim. Algo que eu nem ao menos sabia que existia.

- Solte-a. - eu falei pausadamente para Miguel - Solte-a agora.

 O Arcanjo me encarou por alguns segundos, mas por fim se agachou e depositou o corpo de Rafaela novamente em meus braços. Depois ele se afastou e levou todos os outros para dentro. Os outros malditos que tinham apunhalado a Rafa. Os assassinos... Como anjos poderiam permitir que crianças, idosos, pessoas de bem, apunhalassem uma jovem inocente só para seguir os planos deles?

 Me doeu pensar nisso, mas pelo menos tinha um lado bom e eu refleti sobre ele enquanto acariciava o corpo meio frio e sem vida de Rafaela. Pelo menos não conseguiram libertar Leukós como queriam. O Apocalipse foi interrompido.

 Afastei um pouco do cabelo de Rafaela do seu rosto. Pra mim seria melhor deixar mil Apocalipses acontecerem do que perde-la... Olhei para os machucados em seu corpo. Ainda saia um pouco de sangue deles, bem lentamente. Iria sair ate não restar mais nenhuma gota dele.

 As chicotadas e facadas haviam deixado Rafaela praticamente coberta apenas pela calcinha e pelo sutiã, então eu tinha uma visão privilegiada de seus ferimentos.

- O que foi que eu fiz? - perguntei para mim mesma com a voz pesada - Você veio aqui por minha causa... Eu deixei que fizessem isso com você.

-Você não poderia saber o que ia acontecer. - uma voz disse da escuridão - Os anjos são traiçoeiros.

 Me assustei e olhei em volta rapidamente. Apenas a alguns metros à minha direita estava um homem enorme. Alto e ruivo, aparentemente bem musculoso e com os olhos vermelhos que brilhavam nas sombras.

- Eu já te vi na favela. - falei cautelosamente - Você trabalhava na oficina.

-O homem cujo corpo agora eu habito pode ter trabalhado lá. - ele disse - Eu não. Eu sou Abaddon, o anjo do abismo.

 Estremeci ao reconhecer aquele nome. Eu o havia lido no Livro de Apocalipse. Olhei para trás, mas nenhuma manada de gafanhotos gigantes veio na minha direção.

-Não se preocupe. - Abaddon disse - Ainda não é chegada a hora.

-O que você está fazendo aqui? Pensei que tivesse se afastado com os outros quando...

 Minha voz travou. Eu não conseguia falar "Quando ela morreu".

- Nenhum de nós vai embora sem ela.

 Ele apontou para o corpo em meus braços. Eu a apertei mais e olhei pra ele de novo.

- Não vou deixar que a levem.

-Prefere deixa-la aqui com os anjos para que façam o que eles quiserem com o corpo?

 Refleti por um momento e vi que ele tinha razão. Pela reação que eu havia visto das pessoas e dos anjos, eles rasgariam o corpo da Rafaela ou o pendurariam em algum lugar para exibição. Eu não podia deixar que isso acontecesse.

- E o que vocês vão fazer com ela?

-Enterrar como ela merece. - Abaddon falou - Com as devidas honras e cuidados.

 Acabei concordando com um aceno de cabeça e me curvei para depositar um ultimo selinho nos lábios de Rafaela. Abaddon se agachou à minha frente a tomou em seus braços com delicadeza, como se ela fosse um bebê.

 Solucei e desabei no choro outra vez ao vê-la erguida tão facilmente por Abaddon.  

- Eu prometo que ela será bem cuidada. - ele disse com a voz baixa - Não chore mais.

-Como puderam fazer isso com ela?

-As coisas acontecem como deve ser. - ele ajeitou Rafaela em seus braços - Tenho que ir antes que os anjos me detectem.

 Vi a ponta de um fuzil aparecendo nas costas dele e novamente a raiva cresceu em mim.

- Me empresta a sua arma, por favor.

 Abaddon equilibrou Rafaela em um braço e tirou a alça do fuzil com a outra mão. Ele me entregou desconfiadamente e eu a peguei. Testei o peso da arma em minhas mãos e me levantei.

- O que você vai fazer com isso, criança?

-Vou garantir a minha passagem pro inferno.

Me lembrei de como os anjos caíram com os tiros e deduzi que deveria ter alguma coisa nova mas armas para que os atingissem agora. Engatilhei o fuzil e o ergui.

 

FLASHBACK ON:

 

-Uau, você é incrível! - eu disse maravilhada.

 Rafaela abaixou o fuzil com que havia acabado de atirar em uma latinha de cerveja. Ela sorriu pra mim e disse:

-Por que você não tenta?

-Eu? - eu ri - Não. Eu nunca conseguiria.

-Claro que consegue, vem aqui.

Eu fui ate ela e Rafaela posicionou a pesada arma em minhas mãos.

-Você só tem que segurar assim... -ela se posicionou atrás de mim e sussurrou no meu ouvido enquanto colava o quadril na minha bunda - Erguer um pouco mais os braços... -ela deu uma mordidinha na minha orelha - Apoiar essa parte aqui no ombro e...

-Sua intenção é me fazer gozar?

 Ela riu novamente e ajeitou minhas mãos.

-Agora é só atirar.

 

FLASHBACK OFF

 Dei uma última olhada para o corpo da minha namorada no colo daquele demônio e virei as costas antes que meus olhos se enchessem de lágrimas novamente. Caminhei em direção à rampa que levava ao Palácio do Planalto. A lua já estava no ponto mais alto do céu, iluminando o gramado meio sujo de sangue pelo qual o passava naquele exato momento. Incrível como até o sangue fica mais bonito sob a luz da lua.

 Atravessei a rampa tão calmamente que nem parecia que era realmente eu quem fazia aquilo. Até agora eu não consigo entender o que aconteceu comigo naquela maldita noite, mas com certeza não foi nada bom.

 Assim que me aproximei mais das portas de entrada, os dois anjos que estavam de guarda avistaram a arma na minha mão. Nem dei tempo para que eles falassem alguma coisa e atirei. Seus corpos caíram no chão como se não passassem de humanos normais e eu adentrei o Palácio.

 Não me importei com quem estava na minha frente, não me importei com a idade, com o sexo, com nada… Apenas pesei meu dedo no gatilho e metralhei. Metralhei um por um. Corpos iam caindo enquanto eu passava, pessoas e anjos caiam aos meus pés. Alguns conseguiram correr, outros não tiveram tanta sorte. Eu fiquei completamente cega, meus olhos ficaram embaçados novamente e eu percebi que estava chorando.

 Alguém tentou se aproximar para tomar a arma de mim, mas eu atirei bem em sua cabeça, sem nem olhar quem era. Senti uma mão pesada apertar meu ombro e me virei, já pronta para estourar a cabeça de quem quer que fosse.

 Parei no meio do ato quando dei de cara com Helena. Ela estava apertando meu ombro com força e não parecia assustada com o cano do fuzil que agora eu apontava para a sua cara. Só então eu percebi o quanto minha respiração estava ofegante. Não tirei o dedo do gatilho, mas também não consegui atirar nela.

- O que você pensa que está fazendo? - ela me perguntou chorando - Eles são inocentes!

- Eles mataram a Rafaela! - encostei o cano do fuzil no peito dela - Mataram a Rafaela, caralho!

- Você acha que eu não vi? - ela gritou de volta, mas os gritos das pessoas assustadas conseguiu sufocar suas palavras.

- Você sabia que isso ia acontecer, não sabia?

 Ela desviou o olhar e abaixou a cabeça.

- Você deixou isso acontecer! Isso é culpa sua!

- Eu falei que ela não devia entrar aqui! - ela gritou - Eu te avisei, não tenta colocar a culpa em mim! Ela só veio aqui por sua causa, então não fui eu que matei a Rafaela. Não foram eles que mataram a Rafaela, foi você!

 O peso daquelas palavras me deixaram em choque por um segundo. Então eu apertei o gatilho, mas só um estalo seco saiu do cano. Bela hora pra ficar sem munição. Dei um grito de raiva e bati com o fuzil na cabeça dela. Helena quase caiu com o baque e eu estava pronta para dar outro quando Gabriel surgiu do nada e me agarrou por trás.

 Fui arrastada pelo arcanjo pelos corredores do Palácio do Planalto. As pessoas corriam quando nos aproximávamos . Uma porta se abriu e eu fui atirada para dentro com força. Bati no chão e me levantei rapidamente, mas a porta já tinha se fechado atrás de mim. Corri e dei um chute forte nela.

- Eu vou matar vocês! - gritei - Vou matar todos vocês! Assassinos, vão para o inferno!

 Soquei a porta com força, gritando de raiva, buscando um meio para extravasar o ódio que eu estava sentindo. Senti os nós dos meus dedos arderem e logo a madeira da porta estava suja com o meu sangue. Só parei quando meu braço não tinha mais forças.

 Me encostei na porta e deslizei por ela. Não é possível, ela estava mentindo… Ela só queria me desconcentrar e me fazer parar. Ela estava mentindo. Não, eu não matei a Rafaela. Não fui eu que enfiei uma faca nela, não fui eu que deixei que isso acontecesse. Foram eles… Foi ela.

 Foi ela.



 

 POV LEUKÓS

 

 Deus.

 Uma única palavra e com significados tão amplos que a torna impossível de ser descrita. O que é Deus para você? Uma entidade? O Grande Criador? Jeová? Buda? Ou… o Diabo?

 Não há definição correta para Deus. Vocês podem chamá-lo como bem entenderem… Eu chamarei de Pai.

 Sim, Pai. Todos aprendem que no início Deus criou o mundo e que não havia nada antes disso. Não havia absolutamente nada… Lamento informar que vocês foram enganados durante toda a sua miserável existência. Existia algo antes de Deus criar o mundo. Eu.

 “No princípio criou Deus o céu e a terra.  A terra era sem forma e vazia, e havia trevas sobre a face do abismo” - GÊNESIS, CAPÍTULO 1, VERSÍCULO 1 E 2.

 Eu sou as trevas. Eu sou a escuridão. Eu sou o caos que existia antes do meu Pai decidir criar a humanidade. Eu fui sua primeira criação. A criação que ele logo aprisionou. No entanto, me prometeu que quando chegasse o Fim dos Tempos, eu seria finalmente libertado de novo. Eu iria novamente ser as trevas que cobrem o mundo… O próprio Apocalipse.

 Vocês podem chamar como bem entenderem, mas em todas as culturas e religiões eu estou presente. Apocalipse, Ragnarok, Julgamento, Juízo Final. Chamem como preferirem, mas eu sempre estive presente nas mentes das pessoas. Sempre as atormentei, as assustei, as deixei alertas para sinais de que eu estaria chegando… Mas agora eu finalmente cheguei.

 Escolhi minha hospedeira no instante que ela nasceu. Sim, no lindo momento em que aquele bebê partiu a mãe ao meio para sair do seu ventre, eu já a tinha escolhido. Eu a vi. Eu a vi sair. Eu a vi não chorar como todos os bebês. Eu a vi ser abandonada  e eu a vi ser adotada. Eu a vi fazendo pessoas chorarem, mas também a vi chorando. Eu a vi nascer e a vi morrer.

 Sempre estive de olho na Rafaela Ferrari, desde o momento de seu nascimento até a sua morte.

 Tudo teria sido tão simples se aquela menina tola me deixasse assumir o controle. Ela não precisava morrer, só tinha que me ceder o lugar. Podíamos partilhar daquele mesmo corpo. Eu nunca achei que ela se importaria com o destino da humanidade. Não uma assassina sangue frio, torturadora como ela. Eu nunca imaginaria que o seu amor por aquela garota fosse assim tão forte. Ela foi até o Palácio sabendo que corria grandes riscos de morrer, tudo por uma simples garota.

 Os anjos tentaram fazer com que ela cedesse. A torturaram até o limite do que um corpo humano pode aguentar e, no entanto, Rafaela Ferrari se manteve firme até o fim. Agora a sua alma não mais está nesse plano terrestre. Agora o seu belo corpo não passa de uma casca vazia.

 Quer dizer, não tão vazia assim.







 

 Finalmente eu abri meus olhos. Vi olhos me encarando de volta. Eu estava deitado em algum lugar qualquer… Parecia uma cama. Me sentei e olhei em volta. Minha legião de demônios estavam por perto. Todos me olhando, esperando, almejando que eu falasse alguma coisa. Havia um espelho velho diretamente à minha frente, pendurado na parede oposta.

 Mesmo àquela distância, eu conseguia ver nitidamente a cor dos meus olhos. Uma risada escapou dos meus lábios e eu me levantei. Caminhei lentamente até o espelho e passei a mão pelos traços do rosto que agora era só meu. Tudo estava normal, a garota estava intacta. Os machucados haviam sumido, era como se seu corpo nunca tivesse sofrido tudo aquilo que sofreu. A marca dos pregos haviam sumido das mãos. Sorri e encarei meus olhos pelo reflexo.

 Eles eram a única coisa que indicava que aquele corpo não pertencia mais à alma que costuma pertencer antes. Estavam vermelhos. Vermelhos como o dos outros demônios. Vermelhos como o sangue que eu derramaria sobre a terra.

- Senhores. - falei com a voz meio rouca - O Apocalipse finalmente começou.

 



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