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História Asylum - Frerard - Capítulo 2


Escrita por: e ieropotter


Capítulo 2 - Capítulo 1



Podia-se dizer que desde a infância, Michael considerava Gerard o seu melhor amigo e o seu confidente, eram uma dupla infalível. Mas as coisas começaram a mudar quando a situação do irmão mais novo tomou um rumo mais preocupante, e Michael notava isso com o passar do tempo. 


Depois dos seus pais levarem Gee ao novo psiquiatra por um ou dois meses, eles então receberam um diagnóstico bastante inesperado e assustador, tanto para família quanto para Gerard. Ele tinha esquizofrenia, além do antigo diagnóstico de transtorno afetivo bipolar, e tudo se tornava ainda mais difícil quando os sintomas psicóticos da crise mania se juntavam ao da esquizofrenia. Ele começou a se preocupar com as janelas abertas, com passos alheios, e a pressentir que estava sendo vigiado por um grupo de pessoas, quem sabe até uma seita secreta.


Em fato, a situação na casa dos Way piorava mais e mais a cada dia que se passava, principalmente para Donald, que tentava a todo custo entender o porquê daquela paranóia do seu filho. Ele pensava ter cometido algum erro ou talvez aquela era alguma punição da vida. Quando Michael se propôs a ajudar o irmão a se esconder ‘deles’, Gerard aceitou e sentiu uma ponta de felicidade por seu irmão acreditar nele e ainda o ajudar. 


E antes que o mais novo percebesse, o sol se escondia no horizonte e Michael estacionava o carro em frente ao hospital psiquiátrico, pegando as malas cheias com roupas amarrotadas e indo em direção a porta do carona, onde o seu irmão ainda estava sentado com as mãos apertando as próprias coxas.


“Vamos entrar?” A voz gentil de Michael acalmava Gerard, como ninguém mais conseguia, e eles seguiram para dentro do hospital. No balcão, uma garota de cabelos tingidos fingia ler alguns papéis para ignorar ao máximo os gritos vindo da ala ao lado “Boa noite, liguei no caminho falando que traria o meu irmão”.


“Way? Gerard Way?” Michael assentiu, mantendo um sorriso gentil enquanto alguns caras vestindo branco pegavam as malas nas suas mãos, levando-as para longe “Talvez Gerard queira conhecer a nossa psicóloga enquanto o senhor trata da papelada, Senhor Way”.


Os olhos do mais novo se arregalaram assim que as palavras deixaram a boca da garota e as suas mãos agarravam o pulso do irmão. Deixar o seu irmão mais novo num lugar desconhecido, nas circunstâncias atuais, definitivamente era uma das coisas mais difíceis que Michael teria que fazer na sua vida.


“Gee, vai ficar tudo bem” Os olhos marejados do mais velho contrastavam com a sua voz calma “Eles vão cuidar de você” Um dos caras vestindo branco, com um sorriso no rosto mais sincero e calmo que parecia possível, apoiava a mão no ombro de Gerard “Eles vão te proteger”


Gerard não mostrava nenhuma reação a tudo que acontecia ao seu redor, ele parecia estar em estado de transe, até o momento em que o tal cara segurou no seu braço e tentou direcioná-lo para longe do seu irmão. E então ele gritou. 


“Eu prometo” Mikey gritou, não conseguindo mais segurar as lágrimas quando o irmão passou pela porta, finalmente indo até à psicóloga, contra a sua vontade.


As mãos fortes, que antes estavam firmes ao redor do pulso e no ombro de Gerard, gradualmente foram se afrouxando. A respiração se acalmando pouco a pouco enquanto o enfermeiro cantarolava uma canção qualquer, acariciando onde apertava minutos antes.


O barulho do salto agulha da psicóloga, mais alto a cada passo em direção aos dois, fazia Gerard suar frio, ainda que estivesse com os olhos fechados desde que perdeu o seu irmão de vista, só conseguindo se manter parado pelas mãos que ainda o segurava.


“Pode nos deixar a sós agora, Iero” A voz firme da mulher indicava um ar de superioridade e Gerard se viu obrigado a abrir os olhos quando as mãos que o mantinha calmo não estavam mais lá “Obrigada” 


Um olhar perdido e nervoso era tudo que Gerard conseguia oferecer naquele momento e de alguma forma, a terapeuta parecia gostar da sua insegurança e não se importava em esconder isso.


“Sente-se” O sorriso de dentes perfeitamente alinhados e brancos, estava longe de ser verdadeiro. Na verdade, a mulher assustava Gerard “Vou te fazer algumas perguntas e depois você pode ir” Enquanto ela rabiscava na sua prancheta com as pernas cruzadas, Gerard passava a hiperventilar “Frank vai te mostrar todo o lugar depois da entrevista”.


A mulher, que se apresentou como Doutora Ballato, deixava Gerard desconfortável e, mesmo que ela prometesse ser perguntas simples, ele não queria responder nenhuma delas. Na cabeça de Gerard, aquilo era desnecessário já que tudo que ela precisaria saber, o seu irmão havia falado pelo celular, agora ela só precisava protegê-lo ‘deles’.


Não demorou muito para que a mulher desistisse de fazer Gerard falar e apenas escrevesse na ficha o que ela já sabia antes mesmo de se encontrar com ele pessoalmente. E então ela o deixou na companhia do enfermeiro que o levou até a sala, momentos antes, o qual ele ainda nem havia reparado o rosto.


Os dois caminhavam pelos longos corredores de paredes claras em completo silêncio até pararem em frente a uma porta. O enfermeiro sorriu para o mais novo paciente antes de abrir, revelando o quarto onde Gerard dormiria, as suas coisas agora se encontravam em cima da pequena cama encostada na parede.


Os seus olhos permaneceram tranquilos ao que examinava o lugar por inteiro, mas por fim concluiu que a tonalidade das paredes e a falta de móveis ou cores não seriam uma coisa tão ruim. Gerard se sentia mais confortável naquele quarto do que no que tinha na casa dos pais. Isso até uma sirene tocar e assustar o garoto, que correu para se esconder debaixo da cama, ‘eles’ estavam o procurando.


“Hey, está tudo bem” O outro procurava pelo garoto embaixo da cama com um sorriso no rosto “Esse sinal significa que está na hora de tomar os remédios da noite” 


“Vou tomar também?” Para o enfermeiro, lidar com Gerard era como lidar com uma criança assustada e isso deixava as coisas um pouco mais simples “Você não me parece um deles”.


Ao aceitar trabalhar naquele hospital, Frank teve de prometer nunca questionar os pacientes, mesmo que eles estivessem em pleno surto. Mas de certa forma, Gerard parecia um paciente tranquilo e era difícil para o enfermeiro imaginar aquele garoto encolhido num canto, tão indefeso, ‘atacando’ a própria família.


Frank o ajudou a se levantar e consertar as suas roupas, mas algo ainda parecia incomodar o garoto e por mais que quisesse saber o que era, não era permitido que ele perguntasse alguma coisa.


“Eu vou te levar até onde todos os pacientes tomam os seus remédios, todos os dias nos mesmos horários, e depois eu te acompanho de volta para o seu quarto” 


O caminho pelos corredores não era mais tão tranquilo, pessoas gritavam de todos os lados e algumas corriam chorando pelo caminho inverso ao que eles estavam a fazer. Frank não estranhou nada daquilo, cenas como estas eram vistas todos os dias ali, mas para Gerard aquilo não parecia muito comum.


Em uma sala, muito parecida como uma grande sala de estar, uma fila de pacientes se formava. Gerard observava rosto por rosto, se assustando quando alguém o olhava de volta. Eles passavam por todos até que Frank parou diante de uma cabine, que mais parecia um guichê, e pediu para que Gerard o esperasse do lado de fora, apenas observando os movimentos do enfermeiro.


Pílulas. Cápsulas. Comprimidos.


Cada uma das pessoas que Gerard observou na fila recebeu alguma coisa diferente e Frank fazia questão de verificar se todos realmente engoliram os remédios. Só quando todos já pareciam estar de volta nos seus respectivos quartos, Frank saiu da cabine e entregou a Gerard os seus remédios.


“Todos acordam às oito em ponto” Frank comentava enquanto eles voltavam pela rota contrária até o quarto de Gerard “Posso te mostrar o restante do hospital amanhã quando acordar?”


Todas às vezes em que Gerard precisava responder a alguma pergunta que Frank fazia, ele apenas acenava. Não por estar se sentindo desconfortável no exato momento, e sim por estar se sentindo estranhamente mais confortável. Ele se sentia seguro, estava finalmente longe daqueles que tanto o perseguiam.



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