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História At the Princess's Command - Capítulo 3


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Notas do Autor


Então que eu estive tão absorta na ginhiji week que acabei esquecendo de atualizar. Confesso também que estava enrolando pra revisar, mesmo tendo relido o capítulo uma infinidade de vezes (e mesmo assim dei uma incrementada rs). Espero que gostem!

Capítulo 3 - Untold truths


Fanfic / Fanfiction At the Princess's Command - Capítulo 3 - Untold truths

Archer não deixou o quarto por um minuto sequer, nem mesmo quando as criadas do palácio passaram a trocar as vestes molhadas e imundas da princesa — ato que ele deu toda a privacidade de suas costas e nada mais. O médico chegou cerca de vinte minutos depois deles, trabalhando com toda habilidade, fazendo valer seu título de médico da corte. 

Rin foi aquecida com cobertores e toalhas quentes regularmente substituídas conforme a checagem médica. O cômodo estava abafado, as sombras de todos os presentes dançavam nas paredes ao embalo da lareira, que estalava periodicamente. Os presentes se mantinham num silêncio pesado, igualmente preocupados, afinal, a cota de perdas havia sido mais do que suficiente para um dia.

A presença de Emiya era como uma rocha sólida aos pés da cama. Os braços cruzados sobre o peito apenas enfatizavam sua estatura elevada e constituição de soldado. Em nenhum momento ele fez menção de sentar-se ou descansar o peso em uma das pernas. Uma figura inabalável, embora ninguém jamais soubesse o quanto aquilo o afetava profundamente.

A princesa era uma parte fundamental da vida dele agora. Mesmo que um soldado teoricamente fosse preparado para a morte, ninguém nunca realmente estava pronto. Era apenas uma lenda para fazê-los se sentirem melhor consigo mesmos.

Uma mão firme pousou no antebraço de Archer quando os primeiros raios de sol, tímidos, começaram a despontar dentre as nuvens. Poucas horas haviam se passado desde o resgate; horas extenuantes e solitárias, mesmo num cômodo lotado de pessoas com um mesmo objetivo.

— Tome um banho e descanse. Seu estado a esta altura não é muito melhor que o da princesa — afirmou o médico, seguindo o olhar do tenente que se prendia a figura desacordada de Rin.

— Estou bem.

— Não foi um conselho, tenente.

Archer desviou os olhos para o médico, que o encarava com olhos pacientes de um verde puro. Seu cabelo róseo, longo, estava preso em um rabo de cavalo. Fez menção de argumentar, mas o homem o calou com o simples elevar de sua palma.

— Você pode ser a autoridade maior dentre seus soldados, mas por hora é apenas meu paciente. Neste momento tenente, você é o que ela tem de mais próximo de uma família. Vai precisar estar em seu melhor quando a princesa acordar.

O tenente absorveu a fala do médico: “quando ela acordar”. 

Porque ela ia acordar, tinha que acordar. 

Apertando a mandíbula em conjunto com os punhos, Emiya caminhou para fora do cômodo sem uma palavra sequer.

— ⊰ ⚜️ ⊱ —

Emiya acordou sobressaltado, encontrando-se mergulhado até o queixo na banheira. A água resfriara há muito tempo, e seus dedos estavam enrugados devido ao longo período imerso, mas ao menos encontrava-se inegavelmente limpo. 

Levantou-se com um breve tremor, água encontrando água de maneira ruidosa enquanto esta escorria de seu corpo. Enrolando uma toalha na cintura, secou-se com outra pacientemente. A tensão ainda permanecia em seus ombros, mas agora por motivos completamente diferentes. O banho — antes de seu cochilo repetindo — o dera tempo para pensar. Em teoria seu posto na guarda automaticamente subira, sendo agora o capitão — se alguém não decidisse ao contrário, o que estaria tudo bem. Seria uma mentira afirmar que nunca objetivou ocupar aquele cargo, mas não tão cedo, e nunca daquela forma. Tudo parecia simplesmente errado, como se estivesse tirando vantagem de uma tragédia.

Deixou o quarto trajando seu uniforme da guarda; roupas negras, manto em tom claro, quase branco. O clima no castelo era mórbido, e não poderia ser diferente, entretanto, mesmo com a princesa em tal estado, haviam coisas a serem feitas, e ele as estava ignorando todas. Kirei poderia ser o que fosse, mas era competente em seu trabalho, e tinha certeza de que cuidaria de todos os detalhes, inclusive do funeral real. 

Passava um pouco das dez da manhã. Criados circulavam pelos corredores, havendo uma comoção maior nos arredores do quarto de Rin. Archer entrou sem ser anunciado, encontrando o médico a tocar a testa da princesa. A expressão dele estava relaxada, aprovando os resultados de seu rápido exame.

Conversou a meia voz com sua auxiliar, que passou a organizar tudo ao redor, enquanto o médico recolhia seus instrumentos de forma cuidadosa e ordenada. 

— Vejo que foi capaz de descansar ao menos um pouco — observou o médico, sem virar-se para o tenente.

— Sim.

— Fez seu desjejum apropriadamente?

— Estou… — ele parou, suspirando ao receber o olhar do homem que aparentava ser muito jovem para seu cargo. Sabia o que viria a seguir caso mentisse sobre isso, e não estava pronto para ser afugentado uma segunda vez. — Não, vim direto para cá.

O médico sorriu gentilmente embora um tom de perspicácia tingisse seus olhos, dirigindo-se então para uma das criadas:

— Por favor, traga um café da manhã completo para o tenente, e caso ele não realize suas refeições nos horários adequados, tenham certeza de enviar uma bandeja para este aposento.

Archer ofereceu um elevar de sobrancelhas, que foi propositalmente ignorado pelo homem que agora fechava sua bolsa, dirigindo-se a ele com o diagnóstico, o que o levou a fazer vista grossa em relação a forma infantil com a qual estava sendo tratado.

— Ela está bem. Sua temperatura corporal está normalizada, e o ferimento foi devidamente limpo. Não era tão ruim quanto parecia, apenas um arranhão mais profundo, que se cuidado devidamente não deixará nem cicatriz.

Um peso que Archer nem sabia que carregava deixou seus ombros junto com a sensação de alívio.

— A princesa deve acordar nas próximas horas, seu corpo agora só está exausto e em processo de recuperação. Tinha intenção de deixá-la sob os cuidados de uma de minhas assistentes, mas acredito que seja inútil duas pessoas velarem por seu sono, já que imagino que nem mesmo eu seja capaz de tirá-lo daqui desta vez — acrescentou, com certa ênfase no final.

Emiya deu de ombros, um sorriso petulante repuxando um lado de sua boca ao estender a mão para o médico.

— Gostaria de agradecê-lo pessoalmente pelo auxílio, principalmente pelos cuidados oferecidos a Rin… digo, à princesa, Doutor…?

O médico riu, aceitando a mão oferecida com um aperto firme.

— Archaman, Romani Archaman. Mas não é necessário, já recebi agradecimentos suficientes de Kotomine Kirei.

Por algum motivo desconhecido, Archer não gostou de saber disso.

— Kotomine veio vê-la?

— Hm, sim… — respondeu Romani, estudando a expressão do tenente. — Ele se mostrou pesaroso, e bastante preocupado em relação ao estado de saúde da princesa.

— Imagino que sim.

— Bem, estarei em meus aposentos caso precise de mim.

Emiya assentiu, observando-o deixar o quarto, e consequentemente ficou a sós com Rin. Os demais haviam saído primeiro.

Archer puxou uma cadeira para a lateral da cama, sentando-se curvado, com os cotovelos apoiados nos joelhos afastados e os dedos superficialmente enlaçados.

A tez de Rin aparentava melhora absoluta. A cor havia retornado para suas bochechas e lábios, não tão vívidos quanto costumavam ser, mas definitivamente melhor. Sua expressão era de calmaria em meio ao sono.

Archer estudou a estante repleta de livros e pergaminhos do outro lado dos aposentos. O silêncio que tantas vezes desejou agora lhe sendo incômodo. Aquele era um lugar até então repleto de vida. Rin era uma garota falante, que gostava de discutir desde aleatoriedades a assuntos mais sérios. Era versada em diversas áreas, o que muitas vezes ainda o surpreendia, principalmente quando parava para pensar que outras garotas na idade dela ainda brincavam de boneca ou sonhavam com seu príncipe encantado no cavalo branco.

Sua bandeja de café da manhã chegou cerca de quinze minutos depois, e apesar de não estar com o melhor dos humores para aproveitar da refeição, forçou-se a comer. Ele faria o possível para ser útil, e para isso precisava manter-se saudável.

A manhã virou tarde, e a tarde arrastou-se até ser engolida pelo céu escuro. O tempo havia melhorado, sem sinal de chuva durante o dia todo e muito provavelmente pelos que se seguiriam. 

Seu jantar tinha acabo de ser retirado. As criadas estavam seguindo as orientações de Romani ao pé da letra. Água fresca foi disposta na mesa de cabeceira para que tanto a princesa ou ele pudessem usufruir. 

Archer levantou-se, caminhando até a janela. As tochas começavam a ser acesas no pátio, os cavalos eram levados para a estrebaria para serem alimentados e escovados. Alguns soldados patrulhavam o perímetro, enquanto outros montavam guarda fixa em pontos estratégicos. Tudo funcionando na mais perfeita ordem, mesmo sem sua presença; ou do rei e da rainha.

O movimento de lençóis chamou sua atenção e Archer imediatamente se colocou ao lado da cama. Rin suspirou fundo, os olhos se abriram lentamente, piscando algumas vezes para se situar, encarando o teto, inexpressiva, então seu olhar recaiu sobre Emiya, que aguardava pacientemente, embora em expectativa.

— Archer…?

— Estou aqui… está tudo bem agora, Rin.

Ela o encarou longamente, piscando mais um par de vezes antes de sentar abruptamente. Rin gemeu baixinho, as mãos apertando os lençóis ante o espasmo de dor que percorreu suas costas de cima a baixo. Emiya estendeu as mãos em auxílio, sem realmente tocá-la:

— Rin, não seja descuidada…

— Meus pais — cortou-o enfática, em alerta —, onde estão meus pais?!!

Emiya recolheu as mãos devagar, os punhos se fechando ao sustentar seu olhar.

Aquilo bastou para que obtivesse sua resposta.


Notas Finais


Nos vemos logo. (‘ω `♡)


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