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História Até Depois do Fim - Capítulo 2


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Notas do Autor


eba ngm pediu mas eu voltei

capítulo chatinho mas necessário

Capítulo 2 - A Farmácia


Fanfic / Fanfiction Até Depois do Fim - Capítulo 2 - A Farmácia

— Eve... Acho que você vai ter que tirar a venda agora. — Sussurrou e viu a mulher respirar fundo. 

Eve tirou a venda dos olhos e a primeira coisa que viu foi o rosto de seu namorado com uma expressão de medo. Eles estavam na sala, encostados na parede do lado da porta para não serem vistos. Pelo som ela já sabia que os errantes estavam no corredor e que estavam se aproximando cada vez mais. 

Como isso é possível? Os soldados tinham matado todos, ela se perguntou. 

Gustav estava tão confuso quanto ela, mas de qualquer forma, a merda já estava feita e eles precisavam sobreviver. O loiro pegou a faca e já se preparou para se defender. Se algum dos errantes notassem os dois ali, eles estariam ferrados. 

Eve avistou uma foto em cima da mesa de centro. Era a foto que eles tinham tirado no natal. Ela não podia sair dali sem levar pelo menos uma lembrança do filho, mas a mesa ficava de frente pra porta. A morena entrou em um conflito interno. A memória de August morto com certeza nunca mais sairia de sua cabeça e não era assim que ela queria se lembrar dele. O medo de ser vista pelos mortos era grande, mas o de esquecer o rosto de seu filho vivo era maior. 

Decidiu então que, de fato, precisava daquela foto e deu o primeiro passo em direção à mesa. Gustav imediatamente percebeu o que ela queria fazer e a segurou pelo braço, como se pedisse para que ela não saísse de perto dele. Eve entendeu o que ele estava pedindo, mas apenas negou com a cabeça, tirou a mão dele de seu braço e seguiu andando lentamente até a mesa. Gustav sentiu seu coração acelerar mais a cada passo que ela dava. 

Eve chegou até a mesa e pegou a foto sem fazer barulho, mas quando se virou para voltar, acabou esbarrando na ponta do sofá. Ela e Gustav pararam e trocaram olhares assustados. O barulho não foi alto, mas com certeza foi o suficiente para que pelo menos um dos mortos ouvisse. E foi o que aconteceu. 

O casal ouviu passos arrastados se aproximando da porta e Gustav gesticulou para que Eve se escondesse atrás do sofá. A morena pulou o sofá em silêncio e se abaixou. Gustav se moveu com passos silenciosos para longe da porta e se escondeu atrás de uma estante de livros, encostado na parede. Eles ouviram os grunhidos do errante, já na porta. 

O morto parou e olhou em volta. Começou a entrar no apartamento e, por sorte, não notou Gustav atrás da estante. Eve viu o errante se aproximar do sofá e foi indo para o lado contrário dele silenciosamente. 

Os dois respiraram aliviados quando ele passou reto e seguiu andando até o corredor. Eve se levantou e foi até Gustav, que segurou sua mão e começou a ir até a porta, para que finalmente eles pudessem sair dali. 

— Ajuda! Por favor, alguém me ajuda! — Eles ouviram a voz de uma mulher gritar. 

Os dois sabiam quem era. Os gritos vinham do apartamento no final do corredor. Aquela era a voz de Lisa, uma mulher de aproximadamente 40 anos que vivia sozinha. Quando se mudaram para o prédio, ela levou biscoitos de boas-vindas para eles. 

Eve tentou sair pelo corredor, com a intenção de ir até o apartamento e ajudar a senhora, mas Gustav a segurou. Os errantes notaram os gritos e começaram a ir até o apartamento. Eram muitos, se eles fossem ajudar, acabariam sendo devorados. Ela sabia disso, mas se sentiu um monstro por não ajudar. 

Gustav aproveitou que todos os mortos estavam indo na mesma direção e puxou sua namorada para que chegassem na saída de emergência, que por sorte era ali perto. Os dois seguiram andando até a porta e, finalmente conseguiram sair. 

A luz do sol estava forte e eles tiveram que cobrir os olhos por alguns segundos até se acostumarem. Quando Eve olhou para o estacionamento lá embaixo, viu alguns cadáveres espalhados e sentiu seu estômago embrulhar. O loiro fechou a porta e se virou para ela. 

— Não tinha o que fazer, você sabe disso. — Se referiu aos gritos que eles ouviram. 

— Eu sei. Mas isso não muda o fato de que a gente deixou uma mulher para morrer sozinha. — Ela foi firme na resposta e secou as lágrimas. 

Ele assentiu. Por mais que ele já tivesse parado de chorar, o nó na garganta ainda estava lá e a culpa só aumentava. Tentando não pensar nisso, ele segurou novamente a mão de sua namorada e eles começaram a descer as escadas o mais rápido possível. Eram três andares e eles estavam exaustos, mas não tinha outro jeito. 

Quando finalmente pisaram os pés no chão da rua e olharam em volta, notaram que nenhum dos errantes estava por perto. Mesmo assim, eles preferiram não chegar perto dos cadáveres no chão para não arriscar. 

Andaram pelas ruas sem saber exatamente pra onde ir. Gustav pensou primeiro em pegar o carro deles e sair dali, mas as ruas estavam bloqueadas. O melhor a se fazer seria ir andando até acharem uma rua livre. Foi isso que eles fizeram, continuaram andando. 

Eve estava andando um pouco atrás, deixando que Gustav guiasse o caminho. Passaram por um carro que tinha batido em um poste e a morena viu uma menina lá dentro. Os cabelos loiros cobriam o rosto da garota, que parecia ser jovem. Antes que Eve pudesse desviar o olhar, ela notou o braço da garota se mexer. 

— Gustav, olha. — Chamou a atenção do loiro e apontou para a garota. 

— Talvez seja um deles. — Disse depois de observar a menina. 

— Talvez seja uma de nós. Já basta a gente ter deixado a nossa vizinha pra morrer, agora vamos deixar uma garotinha também? — Eve contrariou. 

Gustav respirou fundo. Não podia carregar mais culpa do que já estava carregando. Pensando nisso, assentiu e se aproximou do carro. Enquanto o homem se aproximava da menina, Eve olhou para os lados. O medo de estar na rua com aqueles mortos a solta era assustador. 

— Precisamos fazer isso rápido, provavelmente tem mais deles por perto. — Eve sussurrou alto o suficiente para seu namorado ouvir, ainda olhando para os lados. 

Gustav não teve tempo nem de pensar. Assim que se aproximou da janela do carro em que a menina estava, a mesma abriu os olhos e agarrou seus braços. Os olhos cinzas vazios e a boca aberta, pronta para arrancar um pedaço da carne do loiro. O homem soltou um palavrão enquanto tentava se livrar dos braços da menina.  

Eve viu e tentou correr para ajudar, mas parou ao ouvir um grunhido se aproximar pelas suas costas. O errante se jogou em cima de Eve, que cambaleou para trás. A mulher sentiu suas costas baterem no capô de um carro e soltou um grito que chamou a atenção de Gustav. 

O loiro, ainda tentando se desvencilhar da menina, se apavorou mais ainda ao ouvir o grito de sua namorada. Ao perceber que sua namorada estava em perigo, sentiu uma força absurda tomar conta de seu corpo e empurrou a menina para trás, conseguindo soltar um dos seus braços. Pegou a faca que tinha deixado no cós de sua calça e fincou no crânio da mesma. 

Assim que notou o que tinha feito, ficou paralisado. Só conseguia olhar para a menina e a faca cravada em sua testa, se sentindo um monstro. 

Viu uma outra garota sair de dentro de uma loja. Essa definitivamente estava viva. A garota correu até os dois, segurando um taco de beisebol e passou por Gustav, que ainda estava em choque. Ela foi até Eve e bateu com o taco na cabeça do errante, o fazendo cair no chão. O morto ainda estava se mexendo, então a ruiva pegou a mão de Eve, que também estava sem entender nada e foi até Gustav. 

— É melhor vocês virem comigo, idiotas. — A ruiva disse apressada. 

Gustav e Eve seguiram a garota. No meio do caminho, o loiro olhou para trás e viu mortos por todos os lados, saindo dos carros e das lojas. O homem voltou a olhar para frente, ainda seguindo a garota ruiva, que os levou para dentro da mesma loja que tinha saído. 

Quando entraram, a garota puxou a grade que protegia a porta de vidro e trancou a mesma, logo em seguida fazendo a mesma coisa com a porta de vidro. 

— Que merda vocês estavam fazendo? — A garota perguntou irritada. 

— Rebecca, se acalma. — Um velho disse, aparecendo por trás do casal. 

Só então que Eve e Gustav repararam nos dois. A garota ruiva tinha aproximadamente dezoito ou dezenove anos e o velho de cabelos cinzas parecia ter por volta de cinquenta anos. Em seguida, olharam em volta, notando que estavam dentro de uma farmácia. 

— Me acalmar? Esses idiotas estavam andando no meio da rua como se estivessem em um passeio e eu tenho que me acalmar? — Rebecca reclamou. 

— Olha, a gente não sabia que... — Eve tentou se explicar, mas foi interrompida 

— Não importa, agora a rua tá cheia de mortos de novo e tudo que a gente pode fazer é rezar pra que eles não consigam quebrar a grade. — A ruiva continuou a dizer irritada. 

— Rebecca, eu já disse pra você se acalmar! — O velho levantou o tom de voz e em seguida olhou para Eve e Gustav. — Eu sou Richard e essa coisa raivosa aí é minha filha, Rebecca. — Apontou para a garota. 

— Eu sou Gustav. — Se apresentou e em seguida olhou para sua namorada. —Essa é Eve. 

— Ninguém liga. A gente vai morrer mesmo. — Rebecca largou o taco sujo de sangue do errante no chão e se encostou na parede. 

— Não vamos não. Não foram muitos deles que viram em que direção vocês vieram. É só a gente ficar longe da porta e falar baixo que daqui a pouco eles vão embora. — Richard disse calmo e se sentou no chão. 

As estantes da farmácia estavam quase vazias e no chão tinham espalhadas algumas mochilas e dois cobertores. Tudo estava revirado, como se várias pessoas tivessem passado ali. 

— Como vocês... — Eve começou a perguntar, mas não terminou a frase. 

— Como nós estamos vivos? — Richard completou a pergunta e logo em seguida respondeu. — Do mesmo jeito que vocês. Nós nos escondemos. Os soldados, por sorte, não tiveram nem tempo de entrar aqui. 

— Não tiveram tempo? — Gustav fez cara de confuso. 

— Vocês não viram? Os mortos acabaram com eles. Não sobrou nenhum. — Rebecca respondeu. 

Eve e Gustav se encararam assustados. Os mortos conseguiram acabar até mesmo com todos aqueles soldados e enquanto isso eles estavam vivos. Era inacreditável. 

— Fiquem à vontade, nós vamos passar um bom tempo aqui dentro. — A ruiva disse sarcástica e se deitou no chão usando uma das mochilas como travesseiro. 

— Não liguem, ela é assim com todo mundo. — O velho comentou e Rebecca revirou os olhos. 

— Tudo bem, de qualquer jeito, obrigado pela ajuda lá fora. — Gustav agradeceu e a garota deu de ombros. 

Gustav olhou para Eve, que se sentou no chão encolhida. Ela já estava exausta de tanto chorar e isso era visível. Ele também estava cansado por dentro, mas não demonstrava. A verdade é que ele não era bom em demonstrar sentimentos. Essa era a maior diferença entre eles. Ela demonstrava demais, era intensa em tudo e ele tinha muitas dificuldades com isso. 

— Você tá bem? — Ele perguntou se aproximando da morena e recebeu um olhar indignado dela. — Essa foi uma pergunta estúpida.  

Eve apenas ignorou, não queria falar com ele e isso o magoou um pouco. Mas por outro lado ele entendia, ela era uma mãe que tinha acabado de perder um filho. 

— Eu entendo como você está se sentindo. —Começou a dizer e Eve deu uma risada sarcástica. 

— Sabe? — Ela o encarou irritada, mas logo respirou fundo tentando se acalmar. 

— Eu estou tentando fazer as coisas certas, você sabe disso. — Gustav se sentou do lado dela. 

— Sei, mas eu estou tão irritada e com tanto medo. — Ela desabafou e escondeu o rosto com as mãos. 

— E eu também. Só não sei muito bem como... 

— Demonstrar. É, sei disso também. — Eve completou a frase ainda com o rosto escondido. 

Nenhum deles sabia exatamente o que dizer. Tudo tinha acontecido tão rápido, era surreal. Uma semana atrás, eles estavam com August sentados na sala enquanto assistiam um dos desenhos animados que ele gostava. 

O loiro ia dizer mais alguma coisa, mas se distraiu ao notar que Rebecca e Richard discutiam enquanto olhavam para o casal. Quando notaram que Gustav os encarava de volta, os dois ficaram quietos e Richard respirou fundo antes de começar a falar. 

— Nós queremos sair daqui. — Disse e Rebecca revirou os olhos mais uma vez. 

— Como? — Eve questionou, passando a encarar os dois também. 

— Bom, se vocês não tivessem aparecido, a gente teria conseguido. — A ruiva voltou a reclamar e Richard a repreendeu. 

— Os mortos, depois de um tempo, acabam se espalhando mais. Isso nos dá a chance de passar sem que nos vejam. O mais perigoso é quando eles estão juntos. — Richard explicou. — A rua do lado não está bloqueada pelos caminhões, a gente pretendia ir até lá, pegar algum carro e ir pra longe da cidade. 

— Não é melhor ficar aqui e esperar ajuda? — Gustav perguntou confuso. 

— Não vai vir ajuda. Você viu o que aqueles soldados fizeram? Aquela era pra ser a nossa ajuda. Ficar aqui esperando é a coisa mais idiota a se fazer, uma hora a comida e água vão acabar. — Rebecca respondeu. 

— Então a gente vai sair daqui sem nem saber pra onde ir? — O loiro deu uma risada fraca. 

— Tem alguma ideia melhor? — Richard disse. 

Eve e Gustav trocaram olhares. Richard e sua filha já pareciam determinados a ir embora, mesmo que fosse sem a ajuda deles.  

— Quando? — Eve voltou a olhar para os dois. 

— Amanhã de manhã. Eles provavelmente já vão ter ido embora. — O velho respondeu. 

X 

Os quatro não conversaram muito depois daquilo. Richard era mais quieto, Rebecca só abria a boca pra ser grossa, Eve estava afastada de todos por causa de tudo que tinha acontecido e Gustav estava se sentindo sozinho. 

Já era noite e eles estavam se arrumando para dormir. Os mortos já pareciam ter ido embora, o que os deixou aliviados. Eve resolveu dormir longe de seu namorado. Olhar pra ele a fazia se lembrar de tudo que tinha acontecido, mesmo que ela soubesse que não era culpa dele. A morena foi para um canto mais afastado e pegou um dos cobertores. 

— Posso deitar aqui? — Rebecca pergunta ao se aproximar de Eve, que levou um susto por não ver a garota se aproximar antes. 

— Pode, claro... — A mulher respondeu meio confusa. 

A ruiva jogou uma das bolsas no chão, ao lado de Eve, e em seguida se deitou, usando a bolsa como travesseiro. 

— Posso? — A garota apontou para o cobertor de Eve. — Eu podia pegar mais um, mas os dois machões ali são muito másculos pra dividir um cobertor. 

— Pode. — Eve assentiu e deixou que a ruiva puxasse um pouco do cobertor pra si. 

— Eu não pude deixar de notar que você e seu namorado não estão na melhor fase do relacionamento, o que eu entendo completamente, já que tem uma galera morta andando por aí. — Rebecca começou a falar rapidamente. 

— Aonde você quer chegar? — A mais velha franziu a testa. 

— Só quero me desculpar por ser tão grossa. Vocês parecem ter perdido alguém muito importante e eu sei que aguentar gente ignorante não é exatamente a coisa mais legal do mundo. — A garota disse, tentando se mostrar indiferente. 

— Seu pai mandou você me dizer isso? 

— Sério que você pensa assim? — Rebecca colocou a mão no peito, fazendo uma cara dramática. 

— Sim, é exatamente o que eu penso. — Eve afirmou. 

— Tá bom, foi ele que mandou. Mas não significa que eu não esteja um pouco arrependida. — Assumiu. 

— Então você vai parar? 

— Provavelmente não, mas o fato de eu ter vindo até aqui pra me desculpar já é grande o suficiente. — Ela respondeu sendo honesta. 

Eve apenas deu um sorriso meio triste e cansado. As grosserias da mais nova não tinham a irritado, na verdade tinham até a lembrado de como ela era mais nova. 

— Tudo bem. — Disse calmamente. 

Rebecca e Eve se encararam por alguns segundos antes de Rebecca se virar para o outro lado e murmurar um “boa noite”. Em seguida, Eve também fechou os olhos e rapidamente pegou no sono, sem notar que Gustav a observava um pouco afastado. 

— Boa noite, Eve... — O loiro sussurrou para si mesmo antes de pegar no sono também. 


Notas Finais


basicamente eh isso ai

tchau


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