História Até eu te encontrar - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amor, Comedia, Drama, Jovem, Poesia, Romance
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Palavras 2.685
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Literatura Feminina, Mistério, Misticismo

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Qualquer sugestão ou crítica construtiva será bem vinda, aproveitem a leitura, bjs 💙

Capítulo 1 - Feliz aniversário!


Fanfic / Fanfiction Até eu te encontrar - Capítulo 1 - Feliz aniversário!

1910, Início do verão 

Realmente estava sem acreditar para onde estava indo.

Minha linda e rigorosa mãe finalmente está me levando ao famoso hotel em que ela trabalhou por anos.

Não que eu tivesse alguma paixão por estabelecimentos deste tipo, no entanto, algo naquele me fazia sonhar.

Quando mamãe me deu a notícia de que haveria um baile eu simplesmente flutuei e fiquei ainda mais entusiasmada quando ela permitiu que Emma e Pedro, meus grandes amigos, fossem conosco.

Claro que eu sabia que aquele ato generoso se devia a ocasião, era meu aniversário.

O carro de aluguel que nos levaria até o Hotel, chegou enquanto eu caminhava até o carro, Pedro e Emma debatiam sobre quem iria sentar na janela, minha mãe parecia incomodada com tamanha demonstração de infantilidade, porém eu não conseguir conter um sorriso diante daquilo.

- Apenas façam o favor de se contralarem na festa, principalmente você Pedro, sei que não está acostumado a frequentar lugares tão sofisticados. - Minha falou de modo enfático e só de ouvir seu tom de voz eu congelei.

Por fim, Pedro ficou entre mim e Emma, o clima não estava muito agradável, só me restava rezar para que tudo corresse bem.

Eu sabia o porque de minha mãe ter dito aquilo, ela sabia o que Pedro e eu sentíamos um pelo outro e não aprovava o que tínhamos.

A questão toda é que eu não me importava com nada disso, com opiniões, rótulos, dinheiro, nada disso fazia sentido quando comparado aos meus sentimentos.

Observei a paisagem enquanto o carro se movimentava, montanhas e pastos se extendiam até onde a vista alcançava, enormes fazendas e pequenas casinhas coloridas dividiam o espaço daquela parte rural do condado, foi quando percebi que alguém me observava.

Pedro parecia tenso e inseguro, e quando tocou meus dedos secretamente eu pude sentir seu receio.

Não posso dizer que estava tranquila, a semanas que nosso relacionamento secreto parecia afetado, mas optamos por continuar tentando.

Ele apertou minha mão com força, e foi nesse momento que Emma voltou seu olhar para mim.

Soltei rapidamente a mão de Pedro.

- Espero que haja muito pretendentes esperando por nós! - Emma parecia mais entusiasmada que o normal e não percebeu o quanto aquele comentário afetou Pedro.

- Acredito que eles estarão mais interessados em você do que em mim! - Falei dando de ombros e era verdade.

Emma era maravilhosa, tinha os olhos mais cintilantes que eu já vi na vida, com aquele tom de verde que só se encontra em jóias, seus cabelos eram da cor do fogo e seu rosto era angelical e ousado ao mesmo tempo, além de ter uma personalidade incrivelmente divertida, muitos pretendentes a cortejavam, mas ela preferia a diversão do flerte a um compromisso.

- Não diga bobagens, Lily! Você não foi abençoada com a sua beleza por nada, tenho certeza de que irá atrair muitos olhares. - Minha mãe silvou.

Fiquei em silêncio, estática.

Me sentía humilhada e infelizmente eu não podia fazer nada.

A viajem seguiu sem que ninguém fizesse mais nenhum comentário e antes mesmo de chegar ao local eu já me sentia exausta, fazia meses que eu estava cansada de esconder o que sentia, e algo me dizia que hoje isso iria ter um fim, afinal eu iria completar meus 18 anos e ser apresentada a sociedade.

Esse baile era uma oportunidade para debutar sem precisar gastar muito, e ainda me divertir.

O automóvel parou diante dos lindos portões da construção de estilo barroco, descemos do carro e adentramos no jardim, canteiros muito bem cuidados rodeavam o local, com vários tipos de flores perfumando o ar, caminhamos devagar, observando cada pedaço daquele sonho.

Minha mãe caminhava à  nossa frente e ela esbanjava um poder que chegava a me assustar, talvez fosse sua postura ereta ou seu nariz empinado, quem sabe até seus cabelos negros e bem penteados, e quando ela alcançou o louge do hotel se fez valer deste poder.

- Olá, John! - Ela sorriu para o rapaz atrás do balcão.

Apesar dos lindos detalhes da construção e da minha enorme vontade de prestar atenção neles, eu não pude deixar de notar a forma como minha mãe estava sendo tratada, com muito mais respeito e atenção do que é dada aos ex empregados.

- Olá senhora Phillips, o Doutor Libero a espera nos jardins.

Minha mãe assentiu e agradeceu.

- Tia Sílvia parece ter bastante prestígio aqui! - Emma observou.

- É isso o que estou vendo.

Minha mãe fez sinal para que a acompanhassemos e nos fomos atrás, Emma estava ocupada observando suas possíveis conquistas e Pedro não parecia confortável em estar ali.

Eu estava preocupada, havia algo que eu não sabia e aquilo me incomodava.

Depois de alguns minutos caminhando pelo hotel, finalmente alcançamos os jardins e lá eu fui surpreendida por uma tenda gigantesca, do teto pendiam pequenos cristais, mesas brancas estavam dispostas ao redor do lugar e havia uma mesa com muita comida.

Música clássica embalava o fim de tarde, uma orquestra animava os convidados.

Não notei o quão entretida eu estava até que ouvi meu nome, foi quando percebi que havia parado no meio do caminho.

Olhei ao redor e vi Pedro e Emma sentados em uma mesa a poucos metros.

- Lily! - Minha mãe continuava me chamando.

Demorou apenas um segundo para que eu me desse conta de que deveria ir até onde ela estava.

Alcancei rapidamente a mesa onde minha mãe se encontrava, a primeira coisa que percebi foi a presença de um homem desconhecido, ele usava um terno de linho branco, bem cortado e perfeito para o tempo quente do condado, além de parecer bem caro.

O homem era muito bonito, apesar da idade, daquele tipo que atrai moças mais novas, tinha cabelos dourados, com alguns fios brancos e um sorriso marcante.

- Então esta é a bela Lily, muito prazer, eu sou Arthur Libero! - Ele me estendeu sua mão mas eu estava muito tensa para fazer o mesmo.

Ele era o dono daquilo tudo, dono daquele hotel.

- Lily, cumprimente o Arthur! - Minha mãe parecia prestes a explodir.

Eu a encarei, pedindo respostas com o olhar, e por fim acabei cumprimentando Arthur.

- Sente-se conosco querida! Temos muito o que falar.

Imagino que sim, e a minha primeira pergunta é: porque uma ex camareira chama o patrão pelo primeiro nome e principalmente, porque senta na mesma mesa e conversa com tanta intimidade?

Isso só podia ser uma piada e de muito mal gosto.

- Então, sua mãe me contou que hoje é seu aniversário. - O senhor Libero parecia se esforçar para ser gentil e eu gostei um pouco dele por isso.

Mamãe lançou-me aquele olhar: "Responda, senão eu te mato".

- Sim. - Falei baixo.

Ele sorriu para minha mãe e ela retribuiu.

Estranho.

- Bom, então espero que você goste da surpresa que planejamos a você. - Ele disse, ainda olhando para minha mãe.

- Ela vai adorar.

Arthur Libero assentiu.

Um momento de silêncio se seguiu e eu parecia prestes a sufocar.

Precisava de ar, precisava me afastar dali.

- Será que poderiam me dar licença? - Perguntei de forma mais grosseira do que gostaria.

- Claro, querida! O hotel é seu, divirta se. - Arthur disse.

- Só não demore muito, os convidados estão chegando. - Minha mãe falou e não entendi o porque de tanta preocupação com outros convidados além de nós.

Mas no momento haviam muitas coisas que eu não entendia.

Me afastei antes que pudesse fazer algo estúpido, eu não sabia aonde estava indo, apenas precisava ficar só.

Antes de sair do campo de visão de todos, percebi que Pedro me olhava com preocupação, entretanto eu balancei a cabeça, em negação, para deixar claro que precisava ficar sozinha.

Caminhei pelo jardim, até alcançar um caminho de rosas, minha mente voou.

Eu estava confusa, minha mãe não parecia simplesmente uma ex empregada, não parecia sequer amiga de Arthur, parecia que ambos eram muito mais do que isso e eu me sentia péssima por não ter sido informada dessa relação.

Principalmente porque eu sabia que eles seriam julgados pela sociedade, e tudo o que eu menos queria era ver minha mãe sendo ridicularizada por pessoas que não a conhecem de verdade.

Respirei fundo e só então percebi que estava chorando.

Aquilo era tão injusto, a verdade é que a maioria das pessoas que nos julgam não se importam de verdade com a nossa felicidade, então porque deveríamos nos importar com a opinião delas?

- Malditos! - Gritei com todas as forças.

Eu sabia que a relação de minha mãe e de Arthur não era algo muito comum, uma ex camareira de namoricos com o patrão é o prato cheio para rumores e suposições.

- Aaaaaaaaaaaaaaaah! - Gritei com mais força ainda.

Não havia ninguém por perto e a maioria nao se importa com garotas classe média gritando por aí.

Depois de andar em círculos e de me livrar dos meus gritos presos à garganta, eu finalmente encontrei um lugar agradável para me acalmar.

No meio do jardim lateral, havia uma fonte magnífica, com um anjo cuspindo água.

Sentei na beirada e remexi na fonte, observei meu reflexo, meus olhos estavam inchados e eu parecia sem vida.

Mais algumas lágrimas caíram dentro da fonte e eu me perguntei se poderia fazer um pedido.

Eu concerteza pediria por minha mãe, eu não concordava com aquele possível relacionamento, mas também não queria que ninguém a maltratasse por aquele motivo.

De repente ouvi algumas risadas e corri para trás de um arbusto, afim de me esconder, não queria que ninguém me visse daquele jeito.

Um grupo de garotas, bonitas e bem vestidas passavam pelo jardim, pareciam falar sobre algo, ou alguém.

- Dizem que a mãe dela é a diversão de meu tio. - Disse a garota loira que andava a frente do grupo.

Por alguma razão eu sabia que falavam de mim, de minha mãe.

- Ah, e tem mais, a garota tem 18 anos e nenhum pretendente! Acreditam nisso? Ela deve ser uma aberração.

Nunca fui o tipo de garota que se importa com o que os outros dizem sobre a minha aparência, mas aquilo doeu, doeu mesmo.

- Vamos meninas, o show da aberração está prestes a começar, não quero perder nenhum instante disso...

E sem dizer mais nada, elas saíram de perto, deixando-me sozinha com meus fantasmas.

Fiquei mais algum tempo atrás dos arbustos, de algum modo eu me sentia exposta, e ao mesmo tempo invisível, porque ninguém parecia querer ver quem eu realmente era além das aparências.

De repente, senti picadas nas costas, e em segundos percebi que estava sendo atacada por formigas, não demorou muito para que eu saísse do meu esconderijo desesperada.

As pequenas formigas me mordiam o corpo inteiro, eu passava as mãos em mim tentando me livrar delas, mas não funcionava e enquanto eu tentava tira-las, não percebi onde estava indo e sem perceber acabei tropeçando e caindo de cara dentro da fonte.

Ótimo.

Agora eu sou uma aberração molhada e cheia de marcas de formiga.

Aproveitei para tentar tirar as formigas do corpo com a água e eu quase achei graça daquela situação, se não fosse pela dificuldade que eu estava tendo para sair da fonte com o mínimo de dignidade.

De repente, senti que havia mais alguém ali além de mim.

- Por Deus! O que houve com você,moça? - Olhei na direção da voz e então eu vi um rapaz.

Ele estava vestido meticulosamente, mas não foi isso que me chamou a atenção e sim o fato dele ser lindo.

Por um instante eu esqueci onde estava e como estava, eu só consegui olhar para ele.

Ele não fez mais nenhuma pergunta, não me olhou como se eu fosse doida e nem riu às minhas custas, simplesmente veio até onde eu estava e entrou na fonte junto comigo.

- Você está louco? - perguntei.

Ele não respondeu, claramente a louca naquela situação era eu, o rapaz rapidamente segurou-me pela cintura com uma mão e com a outra agarrou meu pés.

Ele me tirou da fonte muito rápido e sem nenhuma dificuldade.

Encarei seu rosto, diferente de todos que eu já tinha visto, os olhos num tom de azul escuro e enigmático, os cabelos negros e bem cortados.

Sem que eu percebesse ele também me encarava, e nos segundos que nossos olhos se encontraram eu senti um nó se formando em meu peito.

- Lily, o que aconteceu com você? - A voz de minha mãe me tirou do transe, e eu a vi, horrorizada ao me ver nos braços de um rapaz desconhecido e toda molhada.

O desconhecido me colocou no chão.

Minha mãe se aproximou.

- Minha filha, o que houve? - Ela perguntou novamente.

Eu estava em pânico, não sabia ao certo porque mas as palavras não saiam de mim.

- Senhora, a moça se desequilibrou e acabou caindo dentro da fonte, por acaso eu estava passando pelos jardins laterais e a vi, percebendo que ela estava em apuros a ajudei a sair de lá.

Minha mãe não parecia disposta a acreditar no rapaz, apesar de ser a mais pura verdade.

- Pois se foi isso que aconteceu, a quem devo agradecer? Qual seu nome rapaz?

- Sou William Hastings, mas pode me chamar de Will.

Os olhos de mamãe brilharam ao ouvir o sobrenome do rapaz, todos naquela redondeza sabiam o que significava ser um Hastings, significava poder e muito dinheiro.

- Muito obrigado William, você foi maravilhoso ajudando minha Lily. - Mamãe sorria.

- Foi um prazer ajuda-la. - Ele fitou-me e sorriu, e que sorriso!

- Vamos Lily, precisamos dar um jeito em você.

Eu encarei o tal Hastings por uma última vez antes de ir aonde quer que mamãe estivesse me levando.

- Meu bem, parece que você fisgou um belo de um peixe. - Mamãe começou a falar, antes mesmo que tivéssemos saído de perto do rapaz.

- Não é nada disso, ele só me ajudou, além do mas...

- Não tem mas, você já tem 18 anos, está mais do que na hora de se enamorar por algum bom rapaz, e Hastings seria um...

- Não quero falar sobre isso. - Falei mais alto do que pretendia.

Mamãe me encarou.

- É você quem está perdendo, agora vamos! Vou te arranjar algo para vestir.

Mamãe falou com um dos funcionários do hotel e eu fui levada para uma das suítes, lá dentro uma criada me esperava e sobre a cama havia um dos mais lindos vestidos que já havia visto em toda a minha vida.

Era amarelo claro, quase bege, de mangas curtas e cintura bem marcada, com a saia bem rodada e cristais bordados.

- Madame Sílvia pediu que eu a ajudasse a se vestir, espero que o vestido escolhido seja de seu agrado.

Madame Sílvia? Desde quando minha mãe era Madame?

- Eu agradeço, mas será que pode me deixar sozinha?

A moça, não muito mais velha que eu, assentiu e se retirou.

Me sequei e coloquei o vestido.

Por sorte meu cabelo não estava muito molhado, por isso pude prendê-lo em um coque.

Não era à minha intenção chamar atenção e aquele vestido já era bastante chamativo para uma garota como eu.

Não sou o tipo que gosta de ficar à mostra.

Sai da suíte e encontrei minha mãe perto das escadas.

- O vestido ficou lindo em você! - Ela parecia satisfeita com minha aparência e aquilo me incomodou.

- Parece que a senhora tem bastante influência neste hotel, não sabia que ex funcionarias tinham tanto poder.

Minha mãe ficou paralisada.

- O que você disse? - os olhos delas estavam arregalados.

- Não sei porque está tão surpresa, achou que eu tão burra a ponto de não perceber o que está acontecendo? - A encarei e vendo em seus olhos que não obteria nenhuma explicação, desci as escadas sem olhar para trás.

Pude ouvir seus passos vindo atrás de mim, mas eu não parei para espera-la, então subitamente ela segurou-me pelo braço e me fez parar.

- Escuta aqui garota - seus olhos faíscavam de raiva - Você não vai estragar as coisas entendeu? Você vai voltar aos jardins, vai sorrir quando as pessoas te cumprimentarem, vai dançar quando for convidada, e fingir que é a melhor coisa que já aconteceu nessa sua vida, e então quando a festa terminar, você vai sorrir e agradecer ao Arthur, entendeu bem?

Puxei meu braço com força e me desvencilhei dela.

Não tinha sentido as lágrimas em meus olhos até perceber que elas estavam molhando meu rosto, minha mãe não êxitou em me encarar e sem dizer mais nenhuma palavra ela saiu de perto de mim, deixando-me para trás com inúmeras dúvidas e nenhuma certeza.



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