História Até eu te encontrar - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amor, Comedia, Drama, Jovem, Poesia, Romance
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Palavras 2.859
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Literatura Feminina, Mistério, Misticismo

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Dançando em cacos de vidro


Fanfic / Fanfiction Até eu te encontrar - Capítulo 2 - Dançando em cacos de vidro

Demorei mais do que o necessário para voltar à festa, eu precisava me refazer depois daquele embate, eu sabia que não era nada inteligente desafiar minha mãe ali, na frente de todos, por isso, acabei optando pela "obediência".

Entre o hotel e os jardins dos fundos, havia uma passarela que fazia a ligação entre ambos, a mesma estava toda decorada com flores e se não fosse por tudo que aconteceu hoje eu poderia jurar que estava sonhando.

A festa estava à pleno vapor, casais sorriam e dançavam, algumas pessoas apenas conversavam, crianças corriam para lá e para cá e eu demorei um pouco para achar meus amigos no meio daquela multidão.

É claro que o relacionamento de mamãe com Arthur ainda perseguia meus pensamentos, mas decidi fazer um esforço para que aquele fato não estragasse todo o meu dia.

Pedro e Emma ainda estavam na mesma mesa, minha amiga parecia encantada com um certo rapaz e não fazia a menor questão de esconder isso, Pedro, porém, parecia estar em um enterro.

Quando cheguei perto deles, ambos me encararam.

- Nossa, Cherrie! Você está lindíssima. - Minha amiga praticamente gritou.

Eu sorri, e agradeci mentalmente ao universo por tê-la em minha vida. Esperei que Pedro fizesse um mínimo elogio, mas isso não aconteceu, ele apenas me observou e depois virou o rosto.

Eu realmente não sabia o que fazer, será que ele simplesmente não podia se esforçar um pouco?

Suspirei e disse a mim mesma que isso não importava, que era só um vestido e que Pedro não precisava me elogiar para que eu soubesse que ele me amava.

- Será que posso sentar aqui? - perguntei usando meu tom mais doce e Emma gargalhou.

- Claro Mademoisselle! - Ela disse por fim.

Sentei-me e esperei que Pedro me olhasse, porque ele estava agindo daquela forma? Me ignorando e me tratando como se eu fosse um pedaço de estrume?

- Emma, parece que você arranjou uma bela de uma distração não é mesmo? - Falei entre risos.

Minha amiga balançou os cabelos de modo enfático.

- Ah Cherrie, você sabe que meus olhos vão até onde são chamados e aqueles músculos estão definitivamente os chamando.

Eu sorri e Pedro resmungou algo indecifrável.

Emma o encarou.

- Pare de ser estraga prazeres! Ninguém tem culpa se o Hastings parece caidinho pela Lily.

Olhei para Pedro, então esse era o motivo para tamanha estranheza.

Ciumes.

Pedro levantou da mesa e saiu sem dizer nenhuma palavra sequer.

Tudo que eu queria era ir atrás dele e dizer que Hastings não tinha a menor chance diante do amor que eu sentia por ele, mas eu não podia colocar tudo que tínhamos a perder.

Precisava ser discreta.

- Dê um tempo para ele. - Emma disse enquanto sorria - Mas me conte, o que houve contigo? Boatos já estão rondando a festa.

Dei de ombros.

- Nada de mais, na verdade, eu sofri um ataque de formigas acabei caindo na fonte e o tal rapaz ajudou-me a sair de lá. - Falei entre risos.

Emma parecia assustada e me olhou com preocupação.

- E como isso aconteceu?

- Ah minha amiga, essa é uma história que só posso te contar quando chegarmos em casa. Será que és capaz de esperar?

Emma sorriu e tocou minha mão por cima da mesa.

- Claro! Quando estiver pronta pra contar eu estarei pronta para te ouvir.

- Obrigada.

- Não me agradeça! Mas ouça só, parece que o Senhor Hastings pediu permissão à sua mãe para ter contigo sua primeira dança, e ela concedeu. - Minha amiga estava radiante ao me dizer aquilo.

- O que? - Isso só pode ser uma brincadeira de muito mal gosto.

- Isso mesmo que você ouviu! Ah, não faça essa cara de nojo, ele é o rapaz mais bonito da sociedade e tem muito a te oferecer, se gostou de ti, qual problema tem nisto?

Fechei meus olhos com força, tentando afastar a irritação que estava surgindo.

- Você sabe que isso não me interessa! Ele é bonito, mas eu não o amo.

- Mas tu nem o conheces, o único rapaz que tu convives é o Pedro e...

- Por favor, não diga isso.

Emma se inclinou na minha direção e eu a encarei.

- Pedro não pode te oferecer nada além de uma vida medíocre, tu sabes disso.

Fiquei em silêncio.

Eu odiava quando a realidade me atingia com tamanha força.

Mas é claro que eu sabia de tudo aquilo, tinha total ciência de que meu futuro com Pedro seria difícil.

No entanto, sou eu quem deve fazer minhas próprias escolhas, independente de qualquer coisa.

- Lily, desculpe! Eu não devia...

Eu tentei sorrir, sabia que Emma só queria o melhor para mim.

- Está tudo bem, mas diga-me, quem é o cavalheiro que você está interessada?

Uma leve e descontraída conversa se iniciou e eu me deixei levar pelas risadas e piadas de minha amiga, estava tão absorta no assunto que não percebi a presença de mamãe.

- Lily, está na hora! - Virei em sua direção e a vi com seu ar arrogante de sempre.

Demorei alguns segundos para perceber que deveria segui-la.

Mamãe se dirigiu para perto dos músicos e eu fiz o mesmo, Arthur a esperava lá, de repente, a música cessou, e a voz do Senhor Libero soou acima das nossas.

- Que todos sejam muito bem vindos ao baile de debutante de Lily Philips, esperamos que tudo esteja do vosso agrado! Logo logo Lily fará sua primeira dança como membro de nossa sociedade, mas antes deste memorável acontecimento, eu tenho algo a dizer para uma pessoa muito especial. - Ele se virou na direção em que minha mãe estava e se ajoelhou. - Sílvia, meu bem, você sabe de meus sentimentos, creio que palavras não dariam contar de demonstram o que sinto por ti e não quero passar mais nenhum dia sem tê-la por completo! - Ele tirou uma caixa do bolso e a abriu. - Case comigo?

Todo o ar do recinto parecia ter sido sugado, ninguém disse nada.

Eu não sabia dizer se estava mais surpresa pelo fato dele insinuar que aquele baile era para mim, ou por ele ter simplesmente pedido minha mãe em casamento.

- Sim! - a voz de minha mãe pareceu mais alta que o normal no meio da inexistência das vozes. - Mil vezes sim.

Ele a beijou timidamente e todos aplaudiram.

A estranheza daquele situação me causava náuseas.

- Música! Música para Lily e para Sílvia. - Gritou Arthur.

Revirei os olhos.

Meu plano era sair de fininho antes da música começar, mas antes que eu pudesse sequer pensar em dar o primeiro passo, mamãe me puxou bruscamente.

Em menos de um segundo William Hastings estava diante de mim.

- Como prometido, a primeira dança de Lily será tua. - Minha mãe entregou-me para o dito cujo e deixou-me sozinha com ele.

William Hastings tocou minha mão direita lentamente e a beijou.

Por algum motivo, um calafrio percorreu meu corpo.

- A senhorita me daria a honra de conduzi-la nesta dança? - O jeito que os lábios dele se moviam era no mínimo perturbador.

Eu assenti e ele me puxou para si delicadamente, com uma das mãos ele segurou minha cintura e com a outra tocou minha mão.

Seu toque parecia ter o poder de me energizar e aquilo não era nada saudável para ambos.

Uma melodia lenta nos embalou e quando ele encostou seu corpo no meu, foi quase como unir duas peças de um quebra cabeças.

A música tornou-se mais intensa e ele me girou e me guiou sem nenhum medo por cada canto do salão.

- A senhorita dança muitíssimo bem, jamais vi uma dama com tamanha desenvoltura para a dança! Estou impressionado.

Eu sorri, não queria ser mal agradecida, mas eu nunca me senti tão tensa em toda a minha vida.

- Eu espero não estar sendo inconveniente! Se não for do seu agrado permanecer nesta dança comigo não farei objeções à vossa vontade.

Ele me girou novamente e quando me puxou de volta para si, eu encarei seus olhos, como alguém podia ter olhos tão bonitos?

- O senhor está sendo muito agradável, eu só não estou no clima para festas hoje.

Ele olhou para meu rosto e percebi quando deteve-se em meus lábios por alguns segundos a mais que o normal.

- Entendo, as vezes acabamos fazendo certas coisas por obrigação.

Eu o observei por alguns instantes.

Como alguém tão diferente de mim sentia a mesma coisa que eu?

- É exatamente isso! - Falei sorrindo.

Ele retribuiu o sorriso.

- Fazer coisas por obrigação é a minha especialidade. - Ele riu. -  Desculpe! Eu não devia encher você com meus problemas. - Ele olhou para os próprios pés ao dizer isso.

- Todo mundo precisa desabafar as vezes. - Falei sem pensar.

Desviei o olhar, de alguma forma eu me sentia exposta diante dele.

- Eu agradeço por sua gentileza, senhorita! E se precisar desabafar, estou à disposição . 

Uma música melancólica e sutil começou a tocar, nossos passos se tornaram mais leves e lentos.

- O mesmo vale para o senhor! - Falei baixinho.

Não sabia ao certo porque estava dando abertura para ele, mas era só um simples diálogo, nada de mais aconteceria a partir daquilo.

Ele sorriu e fitou meus olhos, senti meu rosto esquentar.

- Me chame apenas de Will, não precisa dessas formalidades.

- Então, pode me chamar de Lily! Também não sou adepta a esses tratamentos muito formais. - Ambos rimos e depois um silêncio tomou conta de nós enquanto a música nos embalava, até que ela teve fim.

- Gostaria de dizer que foi uma honra dançar contigo. - Seus olhos brilharam e ele se deteve em meu rosto por alguns segundos. - E apesar de almejar mais uma dança, há muitos outros esperando por você. - Haviam rapazes de várias idades esperando para pisar em meus pés e eu não estava ansiosa para isso. - Agradeço pela sua companhia, e espero vê-la em breve.

William beijou minhas mãos e sorriu.

- Até logo, Lily.

- Até.

E quando ele me deixou eu senti que estava em apuros.

Uma sucessão de rapazes desajeitados e muitas vezes mal educados tiraram-me para dançar, meu pés acabaram criaram bolhas e fui obrigada a interromper a dança com o filho do boticário.

- Me desculpe, eu realmente preciso ir... - Falei sem jeito para o rapaz, que apenas assentiu

Sentei em uma mesa próxima e observei minha mãe dançando com Arthur, e Emma aos risos com o rapaz que antes observava.

Tirei meu sapatos discretamente e meus pés tocaram o chão frio, meus olhos procuraram por Pedro mas não o vi em lugar algum.

Estava ficando preocupada com aquele súbito sumiço, no entanto, minutos depois, enquanto eu beliscava uns doces, Pedro parou diante de mim.

Eu sorri.

- Ei! Onde você estava? Procurei por você, mas não te vi em lugar nenhum. - Falei enquanto me aproximava dele.

O rosto de Pedro estava duro, não demonstrava nenhuma emoção.

- É mesmo? Eu estava aqui, vendo você dançar com o tal Hastings.

- O que? Eu dancei com todos, ele não foi nada especial. - Eu queria toca-lo, mas ali não parecia o melhor lugar.

Pedro gargalhou, mas não parecia achar graça daquela situação.

- Engraçado, então porque será que você dançou quatro músicas com ele enquanto com os outros não dançou nem dois minutos?

- Claro que não! Foi uma dança rápida, menos de um minuto.

O desespero estava tomando conta de mim.

Tentei segurar as mãos dele, porém ele se esquivou.

- Não me faça de bobo, Lily! - Ele estava vermelho.

- O que você está dizendo? - Eu senti as lágrimas vindo até meus olhos.

- Não seja estúpida! Você sabe do que estou falando, sabe o que esse homem quer com você, e sabe o que ele pode te oferecer!

Algumas pessoas próximas a nós pararam a dança para ouvir a discussão.

- Por favor, vamos conversar longe daqui. - Implorei, olhando para todos os lados possíveis.

- Não Lily, estou cansado! Cansado de esconder o nosso amor, cansado de mentir, de fingir! Você tem que escolher o que quer pra sua vida. Você me quer? Quer o meu amor mesmo sabendo que não posso te oferecer tudo que você merece? Ou quer aquele endinheirado ? Que pode te dar o céu e a terra, os vestidos mais lindos e perfeitos e todo o conforto que você sempre quis... Decida-se, quando parar de mentir para si mesma, me procure.

Sem dizer mais nenhuma palavra ele se foi e me deixou ali, no meio da multidão, com lágrimas nos olhos e um coração partido em 1000 pedaços.

Nunca na minha vida nada doeu tanto quanto isso, quanto aquelas palavras, meu corpo parecia anestesiado pela dor de perde-lo.

Quando olhei ao redor, várias pessoas que me encaravam.

Eu não sabia como agir, me sentia humilhada e largada, por sorte Emma me tirou do meio daquele mar de gente e me levou até o jardim lateral, longe dali.

- O que houve, Lily? - Seu rosto estava triste, preocupado.

- O Pedro... Ele me deixou! - consegui dizer entre soluços.

- Como assim? - Minha amiga tentava limpar minhas lágrimas.

 - Ele não me quer.... Disse... O Hastings... Eu não vou aguentar isso Emma.

- Fica calma, primeiro você precisa se acalmar! Depois pensamos no Pedro, ele não pensou em você quando te magoou.

Emma me ajudou a sentar em um banquinho de granito, sentou ao meu lado e me abraçou.

- Nós vamos dar um jeito, minha amiga. - Ela prometeu.

Eu chorei durante o que pareceu ser uma eternidade, imagens de nós dois vieram até a minha mente, o nosso primeiro beijo, as juras de amor, os planos, tudo jogado fora por causa de ciumes.

Quanta idiotice.

Eu estava com raiva, e só queria sumir da face da terra, era pedir demais? Infelizmente, como num passe de mágicas minha mãe apareceu.

- Que diabos aconteceu? Não me diga que está chorando...

Fechei os olhos, não queria encarar ela.

- O que aconteceu, Emma? - O tom de minha mãe parecia preocupado.

- Acho melhor levar ela para casa! - Minha amiga aconselhou.

Ouvi minha mãe suspirar.

- Talvez você tenha razão! Boatos já estão sendo espalhados e isso não é bom para a reputação de Lily. Chamarei um carro de aluguel para levar vocês em casa, irei mais tarde. - E dito isso ela se retirou.

Eu achava incrível a capacidade de camaleõa de minha mãe, uma hora ela era a mãe preocupada e na outra era só uma oportunista preocupada com reputações.

Passaram poucos minutos até que um dos empregados do hotel veio nos avisar que a condução havia chego.

Entramos no carro, sentei perto da janela e durante todo o trajeto, Emma não largou a minha mão.

Era muito bom saber que eu podia contar com alguém no meio de toda essa confusão.

Eu acabei pegando no sono e acordei só quando o carro parou na frente de casa, Emma e eu descemos e pedi a ela que me fizesse companhia.

- Claro, já pedi que o garoto de recados levasse uma mensagem aos meus pais. - Eu sorri e ambas fomos para meu quarto, um cômodo pequeno, onde cabia uma cama, uma penteadeira e um armário de roupas.

Fomos até a varanda, que só cabia uma mesa de chá e duas cadeiras e nos sentamos.

- Então, agora que está mais calma, quer me contar o que aconteceu? - Minha amiga perguntou.

Suspirei.

- Você quer saber o que aconteceu? Vou tentar resumir os acontecimentos de hoje. - Contei a ela sobre minha mãe, minhas suspeitas e a minha dança com Hastings, e como ele foi gentil e atencioso e que o tempo passou muito rápido enquanto conversávamos.

Contei como Pedro me atingiu com suas palavras e como ele desdenhou e duvidou dos meus sentimentos.

- Você sabe, Emma, como é difícil para as mulheres fazerem e sentirem o que querem, não posso simplesmente impor minhas vontades a esta sociedade que não me respeita, e ainda tem a minha mãe, nunca imaginei que ela poderia me enganar daquela forma.

Suspirei.

- Hoje não deveria ser um daqueles dias ótimos? Mas invés disso parece que o universo está querendo me testar!

Emma segurou minha mão e me olhou profundamente.

- Sabe Lily, talvez tudo isso tenha acontecido por algum motivo maior! Sabe quando a gente acha que está fazendo a melhor escolha, mas não está? Talvez seja um sinal.

Eu a encarei.

- Sério? Você está realmente falando sério? Porque eu não vejo como minha vida pode melhorar através desses acontecimentos. Eu o amo, amo mesmo!

Emma desviou o olhar.

- Eu sei, ele sabe, sua mãe sabe! Mas a pergunta é: Ele te ama? Alguém que fala e faz o que ele te fez não pode dizer que ama, ele não te respeitou e justo no dia que você merecia estar feliz. Será que ele te merece? Você é linda, inteligente, e muito boa. Será que ele não pode lutar por você invés de te culpar e deixar todo esse peso sobre você?

Tantas perguntas.

Eu não tinha essas respostas.

Encarei a minha melhor amiga no mundo inteiro, não que eu tivesse muitas, Emma era incrível, bonita e rica, nossa amizade ia contra a sociedade e ainda assim ela resistiu, e isso só aconteceu porque ambas fizemos muito esforço.

Isso era o que faltava em Pedro, ele nunca queria se esforçar.

- Talvez... talvez você esteja certa.

Nenhuma de nos disse mais nada, as palavras de Emma foram suficientes para me fazer refletir.

E foi o que eu fiz, decidi refletir para agir.


Notas Finais


Se vocês estão gostando, por favor, me deixem saber!
A história vai continuar sendo postada, mas é importante saber a opinião de vocês, bjsss.


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