História Até eu te encontrar - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amor, Comedia, Drama, Jovem, Poesia, Romance
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Palavras 2.187
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Literatura Feminina, Mistério, Misticismo

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Algo sobre almas e destino


Fanfic / Fanfiction Até eu te encontrar - Capítulo 5 - Algo sobre almas e destino

Ele esta diante de mim, talvez sejam as luzes ou simplesmente o fato de estar sorrindo, mas seus olhos nunca brilharam tanto quanto neste momento.

- Que sorte lhe encontrar aqui. - A voz de Hastings parece quase um sussurro.

Meus lábios me traem e sorriem.

- sorte? - Disse.

Ele me encarou, seu cenho estava franzido.

- Por acaso a senhorita não acredita em destino? - Ele parecia estar me desafiando.

- Destino, sorte, tudo isso é o que é! E para mim nenhum dos dois faz o menor sentido.

Ele pareceu interessado no assunto.

- Vejo que tem uma opinião forte a respeito desta temática, será que posso lhe pagar um sorvete para debatermos melhor?

Foquei em seu rosto, algo nele, na verdade tudo, me desafiava.

- Eu acho melhor não, na verdade a minha amiga está me esperando e eu não devo deixa-la sozinha.

- Sua amiga não seria aquela que está na barraca de flores? - Ele apontou para uma das barraquinhas, Emma sorria enquanto Robert lhe entregava um buquê de rosas.

- Parece que ela não está sozinha.

Ok.

Precisava pensar em alguma outra desculpa.

E rápido.

- Eu...

Ele baixou os olhos, depois fitou os meus e uma corrente elétrica atravessou meu corpo.

- Bom, vejo que minha companhia não lhe é agradável, mas foi muito bom revê-la Senhorita Philips. - Ele deu um leve aceno e me deu as costas.

- Lily! - Eu gritei sem pensar.

Ele olhou para trás e parou de andar.

- O que disse? - Ele parecia confuso.

- Me chame de Lily!

Ele sorriu.

- E eu aceito o sorvete. - Por algum motivo que eu desconhecia eu não parava de sorrir.

- Então Lily - Ele começou a se aproximar até que ficou bem perto de mim. - Você prefere morango ou chocolate?

Iniciamos uma conversa inspiradora sobre os sabores de sorvete e sobre como seria ótimo se houvesse uma variedade maior.

Caminhamos por entre as barracas, até que chegamos a barraca das flores.

- Então, Conte-me sobre suas aventuras, Lily! - Ele observava os lírios, tocava delicadamente suas pétalas.

- Minhas aventuras? - Perguntei enquanto lambia o sorvete.

Ele voltou sua atenção para mim.

- Sim, você parece ser uma dessas garotas aventureiras.

Eu o observei, curiosa para saber como ele havia chego a esta conclusão.

- Eu? Uma garota aventureira? O senhor deve estar me confundindo com alguma de suas conquistas.

Assim que terminei a frase me arrependi.

- Me desculpe... eu não quis insinuar...

Então, do nada, ele começou a rir.

A rir não, gargalhar.

Eu fiquei imóvel.

- Desculpe. - Ele disse depois de se recuperar do ataque de riso. - Acho que é a senhorita que está me confundindo, não sou de ter conquistas.

E dito isso ele me encarou profundamente.

Novamente, aquela sensação de dejaví tomou conta de mim.

- Não é o que se comenta na sociedade.

Na verdade nunca ouvi nenhum boato sobre Hastings, a não ser que ele era muito rico e bonito, e que todas as moças solteiras o queriam, mas de fato, nunca soube que correspondeu a nenhuma delas.

Ele levantou uma das sobrancelhas.

- E o que se comenta?

Eu estava ficando constrangida.

- Nada de mais. - Falei enquanto observava um vaso com girassois.

Ele passou os dedos pela bancada onde as flores estavam expostas.

- Eu não me importo com os boatos - Ele falou por fim e algo naquela frase parecia estar sendo dirigida especificamente para mim.

Eu não olhei para ele, em vez disso fui em direção à barraca de doces.

- Porque você é sempre tão escorregadia?

Dessa vez eu me virei e acabei muito, muito, muito perto dele.

Centímetros nos afastavam.

Eu sentia sua respiração, quente, forte. Por algum motivo eu fitei sua boca, parecia tão convidativa, tão vermelha, tão...

- Will! - Uma voz feminina e melosa me tirou do transe. - Que surpresa vê-lo aqui e com ela...

Me afastei de Hastings e a vi.

A mesma garota que estava nos jardins no dia anterior, a mesma que fazia chacotas sobre mim e minha mãe.

- Miranda está é Lily! - Hastings nos apresentou e eu me detive em um leve aceno.

- Olá, senhorita Philips! Não tive o prazer de cumprimenta-la ontem, mas devo dizer que a senhorita está muito mais bem arrumada hoje. - Seu tom era cortante.

- Lily está tão linda quanto ontem! - Por algum motivo Hastings fez questão de dizer isto.

Miranda pareceu surpresa com a declaração dele.

Eu não fazia a menor questão de discutir com aquela garota, eles que se matassem.

- Então, será que posso fazer companhia para vocês? - Miranda pergunta com a cara mais deslavada do mundo.

Eu dei de ombros.

- Eu não sei...

- Ah, por favor! Eu fiquei de encontrar algumas amigas, mas acabei sozinha.

A garota era uma atriz de primeira, daqui eu enxergava o bando dela, várias delas juntas.

- Na verdade, eu estava indo deixar Lily em casa! E eu dei minha palavra a mãe dela.

Eu encarei William e quase ri do desespero dele em tentar se livrar de Miranda.

- Vamos, Lily! Sua mãe já deve estar preocupada.

Hastings não sabia disfarçar e me deu uma piscada nada discreta para que eu o seguisse.

Eu tinha duas opções:

1 - Dizer que ele estava mentindo e deixa-lo com aquela garota doida; ou 2 - Fazer de conta de que tudo que ele havia dito era verdade e sair de fininho.

Eu realmente fiquei com pena dele quando a garota começou a encara-lo.

- Vamos! - Disse por fim. - Foi um prazer, Miranda! - Meu sorriso falso nunca pareceu tão verdadeiro.

- Até logo, Miranda.

Ela não disse nada e não esborçou nenhuma reação, apenas nos observou indo "embora".

- Ela ainda está olhando? - Hastings perguntou.

Olhei para trás sem nenhum medo e vi uma garota bonita com a cara péssima.

- Está. - Disse rindo.

- Então vamos andar mais rápido.

Saímos da visão de Miranda e paramos perto do carrossel.

- Ela gosta de você! - Falei enquanto sentava no banco de pedra, debaixo de uma macieira.

Ele me encarou, praticamente incrédulo pelo que eu havia dito.

- Não!

- Gosta sim! - Falei entre risos.

Ele me olhou sério.

- Mas eu não gosto dela.

Seu olhar parecia me atravessar, como uma flecha em chamas.

- Se você diz!

Ele sentou do meu lado, e para evitar seu olhar, foquei no céu. As estrelas brilhavam de uma forma única e jamais vista por mim.

Quando baixei o olhar ele me fitava , e eu não pude deixar de notar que observava cada parte do meu rosto e meus cabelos também.

Eu foquei em seus olhos.

Se eu pudesse gostaria de mergulhar neles, eram tão bonitos e sinceros.

- Lily...

Eu olhei para seu rosto como um todo.

- Sim.

- Você é tão linda! - Ele tocou minhas bochechas com seu polegar e meus olhos se fecharam com esse toque.

Eu não sabia o que está a acontecendo comigo.

- O seu cabelo... Nunca vi nada tão incrível, parece os de uma ninfa, daquelas que só se vê nos livros antigos...

Eu sentia sua respiração, agora mais cadenciada.

- Eu não posso...

Seu nariz encostou no meu, e aquela coisa, aquela que eu não sei explicar o que é, tomou conta de mim.

- Lily... Eu...

- Hastings...

Então ele encostou, bem de leve, seus lábios nos meus, e foi como ser beijada por um anjo, delicado, simples e inesquecível.

- Eu gosto de você, Lily...

Abri os olhos, e o vi de olhos fechados, nunca tinha reparado nos cílios dele, tão espessos...

- Você nem me conhece direito!

Uma força estranha tomou conta de mim e eu toquei seu rosto, desenhei com os dedos cada traço dele, indo mais devagar quando cheguei as lábios.

- Será? Porque eu sinto que te conheço a anos.

Ele abriu os olhos.

Como eu podia resistir a essas palavras? Porque de alguma forma eu também sentia essa conexão, uma coisa de almas.

- Lily, nunca encontrei ninguém como você... - Ele se afastou de mim e as minhas mãos, que antes estavam em seu rosto, agora estavam soltas no ar. - Estive nos quatro cantos do mundo e nenhuma garota mexeu comigo como você mexeu! Eu sou adulto, sei que não posso exigir que corresponda, mas quero que tu saibas! E se tu quiseres ser só minha amiga, eu te respeito, e também adoraria... Mas saiba que pra mim, tu és muito mais que isso.

Nós nos olhamos pelo que pareceu ser uma eternidade e vendo que ele esperava por um sinal, eu simplesmente encarei novamente as estrelas.

- Voce parece gostar das estrelas - Eu assenti e ele continuou - conhece a histórias das plêiades?

- Não! - Falei.

- Bom, tudo começou com um romance entre o titã Atlas e a ninfa Plêione, eles tiveram sete filhas, as Plêiades, elas eram ninfas belíssimas, assim como você - Quando ele disse isso eu senti minhas bochechas queimarem de vergonha - e acabaram sendo cobiçadas por Orion, que as caçou sem parar, Zeus com pena as transformou em estrelas, sete estrelas no total, porém só seis estrelas brilham no céu.

Eu o olhava, admirada com sua inteligência.

- E porque só seis brilham? O que aconteceu com a sétima?

Ele sorriu.

- Há várias explicações, a mais famosa delas conta que seis das irmãs foram amantes de Deuses, e no entanto a irmã mais nova, Mérope, foi amada por um simples mortal e por isso seu brilho não é tão forte quanto os das outras.

- Mas ela não tem culpa, o amor não tem lógica!

Ele me olhava com tanto carinho.

- Eu concordo! Mas acho que ela foi a mais feliz entre todas, enquanto as outras eram apenas amantes, ela foi de fato amada.

Eu sorri quando ele disse isso, porém não pude deixar de pensar na minha situação e no quanto ela se parecia com a de Mérope.

Ambas fomos julgadas por amar alguém que não era para nós.

Será que assim como ela eu serei castigada?

- Lily - a voz de Hastings trouxe-me de volta à realidade.

- Diga.

Ele tocou minhas mãos e sorriu, no entanto, quando estava prestes a dizer algo, uma forte luz explodiu sobre nós.

Quando abri os olhos vi um homem, tirando fotos nossas.

- Que diabos você pensa que está fazendo? - Hastings perguntou.

Mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, o homem das fotos havia corrido.

- Que droga! - William passava as mãos na testa, claramente preocupado com algo que não dividia comigo.

- Fica calmo, é só uma foto! - Disse, tentando me aproximar.

- Você não entende, essa cidade, esse condado... eles fazem de tudo para ter sobre o que falar, essas fotos vão virar notícia, tenho certeza! Isso não podia acontecer.

Algo dentro de mim murchou, ele estava preocupado com a reputação dele, em ser visto com uma garota como eu, sem atrativos e sem dinheiro.

- Eu... - Quis dizer algo, mas infelizmente eu não sabia o que.

Então ele me encarou.

- Me desculpe, isso é tudo culpa minha! Se você não estivesse comigo, provavelmente sua reputação ainda estaria intacta.

Ele estava preocupado comigo?

eu quase ri.

- Você está preocupado comigo?

Ele me olhou, surpreso.

- Claro! Nunca foi a minha intenção te fazer passar por isso, na verdade acho melhor te levar para casa.

Eu me aproximei.

- Fica calmo! Eu estou acostumada a esse tipo de coisa. Só acho que não vai cair bem pra você sair no jornal comigo, eu nem sou fotogênica.

Ambos rimos e ele pareceu um pouco mais calmo.

- Eu vou resolver isso! Não vou deixar ninguém falar de você. - Ele prometeu e eu acreditei.

- Eu preciso ir agora! - Falei depois de ver o horário.

Ele assentiu.

- Eu posso te levar.

- O motorista de Emma vem nos buscar, só preciso achar ela.

Ele sorriu.

- Eu te ajudo a procurar.

Caminhamos pela feira, William acabou comprando alguns doces para que pudéssemos comer enquanto procurávamos Emma.

Eu já estava prestes a chamar a polícia quando a vi, no carrossel, com Robert.

Minha amiga estava linda, seus cabelos ruivos voavam enquanto o carrossel girava, ela sorria e parecia muito feliz.

- Ela gosta dele, não é? - Hastings indagou.

- Sim, mas como sabe? - Perguntei.

- Dá pra ver, como ela olha pra ele.

Eu observei novamente os dois, e ele estava certo.

Emma olhava para Robert como se ele fosse o único homem da face da terra.

Os dois saíram do brinquedo aos risos e Emma se surpreendeu ao me ver, ao lado de Hastings, esperando por ela.

- Vamos? Está na hora! - Falei.

Emma assentiu e voltou sua atenção para Robert.

Fomos escoltadas até onde o carro estava estacionado, Emma e Robert pararam atrás de uma das barraquinhas, enquanto William me acompanhou até a porta do carro.

- Então... Será que eu posso te ver?

Eu ri.

- Você já está me vendo.

- Eu quis dizer, amanhã, e todos os dias depois de amanhã.

Eu sorri, sorri de verdade.

- Tá falando sério?

Ele assentiu.

- Pode. - Falei.

Então um momento de tensão se criou entre nós.

Eu olhei para o lado e vi Emma vindo de mãos dadas com o tal Robert.

Sim, de mãos dadas.

o motorista parecia entretido com o seu cigarro e foi nesse momento que Hastings me beijou.

Na testa.

- Então, boa noite linda ninfa! - Ele disse baixinho, só pra mim.

- Boa noite! - Falei.

Eu entrei no automóvel e Emma fez o mesmo segundos depois.

Antes que o motor fosse ligado, olhei pela janela e vi William sorrindo.

Essa foi a última imagem dele antes do carro dar partida.



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