História Até eu te encontrar - Capítulo 7


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amor, Comedia, Drama, Jovem, Poesia, Romance
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Palavras 2.289
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Literatura Feminina, Mistério, Misticismo

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Adivinhe quem veio para o almoço


Fanfic / Fanfiction Até eu te encontrar - Capítulo 7 - Adivinhe quem veio para o almoço

Eu já estava a mais de 40 minutos dentro daquele carro de aluguel, por Deus, eu só queria chegar em casa.

A estrada estava molhada, e o lamaçal impedia que o automóvel fosse mais rápido.

Em certo ponto daquela triste estrada de lama vermelha, o veículo acabou atolado.

- Senhorita eu lamento, mas parece que daqui o carro não passa! - Avisou o motorista simpático.

Apesar de estar estressada com aquela situação, eu sabia que não era culpa dele.

Ninguém tem controle sobre a chuva.

- Está tudo bem, minha casa não está tão distante! Tenha um bom dia. - Falei, enquanto saia do carro.

Quando pus o pés no chão eu sorri, satisfeita por ter escolhido botas para usar.

Enquanto tentava dar meus passos lentos, afim de não escorregar, meus pés se afundavam cada vez mais, até que em determinado momento fui incapaz de me mover.

A lama estava até meus joelhos.

Fiquei imóvel, pensando em alguma maneira de sair dali sem parecer mais idiota do que já parecia.

Tentei tirar os pés de dentro da bota, mas ao que parece, a lama tinha invadido meus calçados.

Suspirei e tentei arrastar meus pés sobre a lama, mas também não funcionou.

Olhei para os lados, tentando achar alguém, qualquer pessoa, que pudesse me ajudar.

Se passou pelo menos 10 minutos desde minha última tentativa até eu entrar em pânico e começar a berrar por ajuda.

- Alguém me ajuda! - Gritei. - Socorro!!! Eu tô atolada! Alguém!!

Enquanto tomava fôlego para mais uma seção de gritos, uma sombra pairou sobre mim.

Olhei para cima e vi um cavalo marrom, daqueles comuns, e um rapaz.

O rapaz.

Pedro me encarou e notei que tinha uma expressão brincalhona em seus olhos.

- Parece que você está precisando de ajuda. - Ele disse, me olhando de cima e por alguma razão eu me senti muito humilhada.

- Eu estou atolada! - Falei seria.

Ele sorriu.

- Levanta seus braços. - Fiz o que ele pediu e muito rapidamente ele me tirou da lama, porém as botas ficaram.

- Obrigado. - Falei, um tanto sem jeito.

Ele levantou a sobrancelha esquerda, aquela que tinha uma falha.

- Você não está pensando em ir andando pra casa né? Vai acabar morta nesse mar de lama, vem comigo, o Blue e eu te damos uma carona.

Fiquei tensa em aceitar sua ajuda, afinal, devíamos ficar longe, para que eu e ele pudéssemos cicatrizar nossas feridas, então, decidir ficar ou não tão perto dele era uma decisão difícil.

Indo contra todas as minhas certezas, eu acabei assentindo e Pedro me levantou do chão e colocou-me diante de si, sobre o cavalo.

Eu estremeci diante de seu toque, tê-lo tão próximo não era saudável.

Ele passou um de seus braços ao redor de mim e com o outro guiou o cavalo que caminhou devagar, e acabou tomando um atalho pelas fazendas, em vez de ir pela estrada principal.

Coisas que somente Pedro sabia.

- Está confortável? - Ele perguntou.

Algo em seu tom de voz me dizia que ele estava me testando.

- Não! Na verdade gostaria que você se afastasse um pouco de mim.

Pude ouvi-lo rir.

- Mas minha proximidade nunca te incomodou antes. - Ele sussurrou em meus ouvidos, será que ele queria me deixar maluca?

Eu podia sentir seu hálito quente em meu pescoço, seus braços fortes e principalmente seu corpo tocando o meu, tão junto que podia jurar que éramos um só.

Respirei fundo, e forcei minha mente a ser racional.

- As coisas são diferentes agora! - Falei secamente.

Ele ficou calado e afastou seu corpo.

Uma onda de alívio percorreu meu corpo, e fiquei ainda mais aliviada ao ver minha casa a menos de 1 km.

- Então, já soube do seu affair com Hastings. - Quando Pedro falou, senti o amargo de suas palavras.

- Do que você está falando? - Perguntei ríspidamente.

Ele pigarreou.

- Não se faça de idiota, isso você nunca foi! A foto de vocês está estampando o jornal de hoje.

ISSO

NÃO

PODIA

ESTAR

ACONTECENDO

- O QUE? - Minha voz falhou.

Ele gargalhou.

Sim, ele gargalhou.

E meu coração se partiu em um milhão de pedacinhos minúsculos e incolaveis.

- Você achou que ia me enganar pra sempre? - A voz de Pedro estava muito alta. - Agora a verdade veio a tona e todos sabem a grande vagabunda que você é.

Quando ouvi aquilo não tive outra reação a não ser me jogar de cima do cavalo.

Por sorte ele apenas trotava e quando eu atingi o chão, senti apenas uma dor forte no corpo, mas pela velocidade com que fui capaz de levantar, deduzi que não tinha quebrado nada.

Olhei para a frente e lá estava Pedro, me encarando com aquele olhar de desprezo, e eu confesso que me senti um lixo naquele momento.

- Você é um babaca! Um tremendo e estúpido idiota de merda que não merece o meu amor, entendeu? Você não me merece, e tudo que você vai ter nessa sua vida de merda é o seu orgulho! Só isso. - Eu o encarei uma última vez, como fui capaz de ser tão idiota?

Lágrimas caiam e meu rosto estava queimando, andei rapidamente, afim de sair de perto daquele canalha.

Como pude amar alguém tão desumano?

Alguém que não pensa nos sentimentos alheios? Como Pedro pode ser tão egoísta a ponto de só querer me atingir e tripudiar da minha pessoa?

Algumas pessoas estavam em frente à suas casas e me olhavam com curiosidade enquanto eu caminhava para a tranquilidade do meu lar.

Dona Lurdes, minha vizinha da esquerda fez uma cara de nojo ao me ver passar perto de seu jardim, quando cheguei à porta de casa, não fiz questão de bater, girei a maçaneta, que estava sempre destrancada, e entrei.

De repente, me deparei com uma sala cheia de pessoas.

Sim.

Parece que esse dia só vai piorar.

Arthur Libero, Miranda, minha mãe, uma mulher loira, e William Hastings estavam na sala da minha casa, encarando a louca garota que estava suja de lama, perto da porta.

E o que eu fiz?

Fiquei parada.

Eles me olharam por segundos à fio, até que Rosalina apareceu e quase caiu dura ao ver-me daquele jeito.

- Menina Lily! O que aconteceu contigo? - Quando vi seus olhos castanhos e familiares, as lágrimas rolaram de meus olhos.

Rosalina correu até mim e me abraçou.

- Vai ficar tudo bem, querida! - Ela disse enquanto me levava para a cozinha, lugar mais perto para se esconder.

Rosalina sentou-me em um banquinho, e se agachou, para ficar de minha altura.

- Meu amorzinho, o que está acontecendo contigo? Todos os dias tu tem estado abatida, tem chorado...

Solucei por entre as lágrimas.

- Eu... eu só faço besteira Rosa!

Ela me abraçou novamente e dessa vez se demorou.

- Não diga isso, olhe para mim! - Eu a encarei. - Você é muito especial.

Eu senti que uma lágrima solitária escorria por meu olho esquerdo.

Eu balancei a cabeça e Rosalina sorriu.

Baixei os olhos para encarar minhas mãos, no entanto o que vi foi um vestido rasgado e pés sujos.

Eu só queria sumir e nunca mais voltar.

Foi essa a hora escolhida por minha mãe para entrar na cozinha feito um furacão.

- Lily, o que aconteceu com você? - Seu olhar estava horrorizado.

Imediatamente, eu fiquei seria e fiz uma força enorme para não chorar na frente dela.

- Eu caí. - Falei.

- Isso eu percebi, mas tu não veio de carro de aluguel?

Suspirei.

- O carro atolou.

Mamãe ficou em silêncio e eu abaixei a cabeça.

- Bando de imbecis esses motoristas! Deviam ter vindo pela avenida beira mar, foi o que Arthur fez e chegamos muito rapidamente...

Minha mãe parecia achar que eu me interessava no que ela dizia.

- ... Você está horrível, Lily! Trate de ficar apresentável para as visitas. - Mamãe falou por fim e saiu.

Sem nem perguntar se eu estava bem.

Eu não chorei mais, pelo menos não por enquanto.

Perguntei a Rosalina se poderia usar o banheiro de seu quarto e ela, depois de muito resmungar e dizer que eu era uma dama para usar um banheiro daqueles, consentiu.

Não iria voltar aquela sala, cheia de gente do jeito que estava.

Pedi a ela que buscasse um de meus vestidos, de preferência um que eu não usasse todos os dias, um sapato e depois agradeci.

Entrei no pequeno quarto, muito menor do que eu lembrava e segui para um cômodo separado, onde uma banheira de madeira me esperava.

Foi um banho rápido, mas libertador.

Toda a lama fétida saiu de meu corpo, quando sai da banheira, vi que um belo vestido verde claro, de mangas curtas estava sobre a cama de Rosalina, junto com ele, estavam sapatos da cor da minha pele, minhas roupas íntimas e a minha água de rosas.

Depois de vestida, apenas amarrei meus cabelos em um coque e sai do quarto de Rosa.

Eu a encontrei carregando uma bandeja com louças sujas.

- Obrigado. - Disse para ela e a abracei.

Suspirei.

- Coragem menina! - Rosalina disse por fim, e aquele foi o empurrão que eu precisava para encarar todas aquelas pessoas.

Quando dei o primeiro passo para entrar na sala de estar, ninguém me viu.

Quando dei o segundo, os olhos da mulher loira se voltaram para mim.

E antes que eu pudesse sequer dar o terceiro, todos já estavam me olhando.

- Olá! - Cumprimentei a todos.

- Querida, você está bem? - Arthur perguntou.

Eu apenas balancei a cabeça e sentei-me.

- Lily acabou caindo no meio desde atoleiro todo, acreditam que o motorista do carro de aluguel foi burro o suficiente para vir por esta estrada?

Uma conversa inútil sobre a má qualidade das estradas se iniciou e minha mente vagou para longe.

Mas o olhar de minha mãe tirou-me do transe, então eu percebi que estavam falando comigo.

- Desculpem, o que disse? - Perguntei para ninguém em especial.

- Fernanda elogiou-te. - Minha mãe falou.

Eu encarei a mulher loira, que agora tinha nome, Fernanda.

- Tu és encantadora, Lily! Jamais vi uma beleza como a tua, realmente exótica. - Fernanda parecia sincera e eu realmente fiz força para sorrir.

- Obrigada.

- Por isso William ficou tão encantado com a moça. - Comentou Arthur, me fazendo olhar para William.

Ele sorriu para mim.

- De fato, porém Lily é muito mais do que um rosto bonito. - Hastings falou enquanto olhava para mim. 

Aquela faísca, uma sensação que eu não sabia como denominar, tomou conta de mim.

Foquei minha atenção às outras pessoas, e mesmo depois de vários assuntos jogados fora, eu ainda não tinham entendido porque aquelas pessoas estavam ali, na minha casa.

Mas aos poucos o mistério foi sendo revelado.

Ao que parece, Fernanda era a mãe de Miranda e irmã de Arthur, e havia acabado de chegar para ajudar nos preparativos do casamento.

Fernanda era mesmo muito bonita e tinha o mesmo cabelo loiro e o rosto forte da filha, mas seu gênio era diferente, mais amável e bem mais sincero.

Mamãe havia convidado a todos para almoçar conosco.

Exceto William, que foi apenas me ver e acabou no centro do furacão.

Will e eu constantemente tentávamos nos comunicar pelo olhar, mas era complicado ser discreto.

Foi somente quando o almoço foi servido que Will avisou que não poderia ficar, ele se despediu de todos, até mesmo de Miranda, que nos fuzilava com o olhar, mas quando chegou perto de mim falou:

- Será que podemos conversar?

Eu assenti e me dirigi para mamãe.

- Com licença, mãe! Será que posso ir até o jardim? - Fiz a minha voz mais gentil.

Mamãe apenas balançou a cabeça e voltou a falar sobre flores, e vestidos.

Miranda me encarava com raiva nos olhos e aquilo me deu medo.

Hastings me esperava perto da escada, e eu aproveitei o momento em que todos estavam na sala de jantar para puxa-lo para o andar de cima.

Ele parecia extremamente surpreso quando eu corri escada acima, enquanto puxava seu braço.

Quando chegamos na frente da porta do meu quarto ele estancou.

- O que estamos fazendo aqui? - Ele perguntou com os olhos arregalados.

- Silêncio. - Falei olhando para os dois lados.

Abri a porta e eu entrei, seguida por ele.

Um momento constrangedor se seguiu, não parei para pensar que trazer um homem ao meu quarto não era bom para mim.

Tranquei a porta.

Will permaneceu parado.

O rosto quase como se tivesse visto um fantasma.

- Ei, fica calmo! Só viemos conversar. - Falei seria.

Quem ele pensa que eu sou?

Seus ombros relaxaram.

- Você já viu os jornais? - Ele perguntou.

- Não! Mas eu já sei que estamos nele.

Ele assentiu e eu me sentei na cama.

- Eu já mandei recolher todos os exemplares da cidade, se depender de mim ninguém vai usar isso contra você.

- Tarde demais. - Falei sem pensar.

Ele me observou atentamente, com uma aflição estranha nos olhos.

- O que aconteceu? - Ele se aproximou de mim, mas não tocou na cama.

- O mundo, as pessoas... Ambos me deram uma rasteira.

Ele se agachou, fazendo com que seu rosto ficasse da altura do meu.

- Ei, eu estou aqui! E enquanto eu puder, eu não vou deixar ninguém te machucar.

Eu ri.

- Você não pode me proteger das pessoas.

Ele suspirou.

- Eu sei, mas eu posso tentar, não posso?

Olhei para ele, aqueles olhos sinceros me encararam de volta.

- Pode. - Falei por fim.

Ele se levantou e retomou a postura de antes.

- Eu só queria te dizer para não se preocupar, que eu vou resolver isso.

- Eu acredito em você.

Ele sorriu.

- Então eu vou indo... - Ele falou, sem jeito.

Eu levantei da cama e me aproximei dele.

- Será que podemos nos encontrar amanhã? Eu... eu acho que devemos conversar sobre algumas coisas. - Disse.

Ele pegou minhas duas mãos.

- Claro! Então acho que amanhã teremos uma aventura!

Ambos sorrimos e foi tão espontâneo.

- Então, te vejo amanhã. - Ele disse e beijou minhas mãos.

- Até amanhã. - Falei enquanto abria a porta do quarto e dava o sinal para ele descer as escadas em segurança.

Fui até a varanda, a tempo de ver Will entrando no carro.

E quando ele ligou o motor, e eu vi seu carro tomando o caminho da Avenida Beira Rio, meu coração se apertou.



Notas Finais


E aí, o que tá achando?
Tá gostando desse romance novo?
Então, o próximo capítulo vai dar o ponto de vista do Will, então fica ligado, e não deixe de ler.
Bjs.


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