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História Até o Amanhecer - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Cinzas e Sangue.


Fanfic / Fanfiction Até o Amanhecer - Capítulo 2 - Cinzas e Sangue.

O jovem adentrou a loja em passos confiantes, um tanto arrogantes. Suas vestimentas não condizem com sua época, mas o senhor que limpava o balcão com álcool em gel já estava acostumado com ele. Assim que seus óculos fundo de garrafa avistaram o jovem, ele se prontificou em pegar a caixa embaixo do balcão, a colocando com delicadeza a frente do jovem.

— Ele chegou ontem, eu iria lhe avisar, mas–

— Como sempre, um inútil,Henri.– o garoto cuspiu as palavras,pegando a caixa e virando as costas para o mais velho, ele parou na entrada, olhando pelos ombros para o senhor. — O clã ficará em dívida com você,Henri. E sabe como não gostamos de serviços mal feitos.

Assim que ele abriu a porta, dois homens encapuzados entraram, o jovem continuou a andar sem se importar com os gritos que soavam atrás de si.

Ele adentrou a velha igreja, as ruínas eram tão magníficas por fora quanto eram por dentro. O círculo negro já se concentrava no centro da igreja, o que outra hora fora um grande vitral cheio de cores e formas, agora se reduzia a cacos e pontas perigosas grudadas a grandes pedaços de mármore. A líder saiu do círculo e retirou bruscamente a caixa da mão do jovem.

— Atrasado,Evan.

— D-desculpe, eu–

— Sem desculpas essa noite,apenas fique quieto em seu lugar.– ela cochichou e o jovem abaixou a cabeça e se juntou ao círculo.

A líder se ajoelhou e abriu a caixa devagar, assim que seus dedos tocaram o cordão de prata, ela sentiu, sentiu a energia poderosa e pesada a puxando para baixo.

Admirada, ela colocou o colar, e se virou para o círculo.

— Hoje,– ela pegou a voz.— Nós enfim adoraremos nosso rei em sua pura glória, está noite, nós invocaremos o próprio Demônio!

O círculo explodiu em gritos de alegria e aclamação. A mulher se pôs no meio deles, onde um pentagrama se encontrava. Ela tirou uma adaga de sua cintura e cortou os próprios braços, os esfregando contra o desenho no chão. Assim que terminou, tirou o cordão e o colocou no centro, se afastando e proferindo um feitiço em latim.

Quando disse a última sílaba, seu corpo entrou em combustão, assim como o sangue no chão. O colar explodiu em sangue,banhando todos os presentes.

Uma figura alta, de cabelos negros e olhos vermelhos surgiu dentro do círculo. Ele avalia as pessoas ao seu redor com desdém, quem eras os estúpidos mortais que ousavam invocar sua presença?

— Senhor?– o jovem que trouxe a caixa de aproxima, o olhar do homem se vira com nojo em sua direção.

— Quem é você? Como ousa me tirar de meu descanso eterno?

— Meu nome é Evan e você...quer dizer, o senhor está em Nova York. E eu sou seu humilde servo.– o jovem se ajoelha, o homem ri com desdém.

— Humano idiota! Eu sou Vlad Tepes Drácula, seu insolente! As coisas ainda estão podres desde meu último surgimento?

— Er... Estão?

— A igreja ainda mata inocentes?

— Isso importa?– e no mesmo segundo, ele caiu no chão, tossindo secamente, sangue saindo de seus olhos e nariz, formando uma poça escarlarte aos pés do vampiro.

— Esse mundo é tão nojento e podre quanto eu me lembro, humanos são porcos esperando para o abate, imundos, merecem a extinção. Começando por vocês.

E todos gritaram, seus corpos explodindo em enormes chuvas de seu líquido viscoso, o vampiro gargalhava, e quando tudo acabou, ele olhou para a frente.

Diretamente pra mim.

— Seu tempo está acabando, sua bastarda mestiça imunda.

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Estou molhada.

E não no bom sentido.

Meu corpo está molhado de suor, resultado de um pesadelo repetido e roupas pesadas.

Não me lembro de não ter trocado de roupa, na verdade, não me lembro de ter ido pra cama, principalmente de uma que não era a minha.

Me sento na ponta, minha jaqueta está cuidadosamente colocada numa cadeira ao lado da cama, o quarto cheirava a colônia masculina, alguma a qual minha mente se lembrava, mas não associava à alguém. Meus dedos passaram pelo lençol de algodão, minha mente voltando a funcionar lentamente, a sensação de medo ainda pulsando forte em minha pele. Uma barulho de risadas vindo de fora do quarto chamou minha atenção, me levanto e pego minha jaqueta, mesmo sem intenção de vesti-lá com o calor que estava sentindo.

— Vocês ficaram presos no cemitério? Como isso ocorreu?– O médico loiro questiona, rindo. Ele está sentado de costas pra mim, Tavi está encostado na coluna da parede que leva a um corredor pra sala, oposto ao corredor de onde eu saía. Ele se estava a uma distância segura do loiro, como sempre fazia com os estranhos, mas suas feições eram descontraídas. E pelo jeito,estava contando a história de como ele perdeu as calças pulando o portão do cemitério.

— O portão estava aberto, ele pulou à toa.– acresento, os dois se viram pra mim, Tavi continua a sorrir, mas o loiro murcha seu sorriso, seus olhos dourados me analisando.— Posso saber porque me trouxe aqui?

Minha pergunta é direcionada ao loiro, que se levanta calmamente, Tavi encolhe os ombros, ele odeia discussões, e pelo tom que eu usei,sabe exatamente onde isso acaba.

— Eu vou esperar na sala.– ele anuncia.

— Não pense que vai fugir do seu interrogatório,Octavius Hektos Haing Li. – falo sem olhar pra ele, que suspira antes de sumir no corredor. O mais alto se apoia na mesa, seu olhar abaixa, ele não me encara.

— Eu te trouxe aqui porque...

— Você não deveria ligar para a minha mãe? Eu tive um desmaio! Com que autoridade vo–

— Sua mãe sabe que você é bruxa?– ele me corta, eu abro a boca pra falar, mas me calo novamente. — Você desmaiou porque suas proteções foram muito abaladas, ao tentar me afastar do Octavius. Devo dizer que eles eram até fracos, então como você se forçou, começou a sangrar pelo nariz. Te trouxe pra cá pra te tratar, com as minhas ervas e–

— Sei muito bem que tipo de erva você tá falando, e eu tô fora. Não sei se da onde você vêm a maconha é legalizada mas–

— Eu estou falando sério, por favor.– ele fecha os olhos por um instante, antes de os levantar em minha direção. — Como está a cabeça?

— Turbulenta.– estreito os olhos. Ele suspira, ajeitando as mangas da blusa social branca. — Eu já vou indo, Tavi, estamos indo embora.– ergo minha voz na última frase.

O coreano pula do sofá e larga uma pintura de um campo florido.

— Tchau,Doutor Tepes.– Tavi acena sorrindo. O tal do Tepes me segue, a poucos passos atrás de mim.

Abro a porta, e dou espaço para Tavi sair.

— Meu nome é Adrian...– o loiro grita.

— Ninguém perguntou nada.– bato a porta com força.

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— Por que você foi tão grossa com ele? Ele só queria ajudar.– Tavi faz um bico de choro, já estávamos a uma boa distância do apartamento daquele cara estranho.

— Você é um amor, Tavi. Mas você não devia aceitar ajuda de estranhos, principalmente quando eles sugerem te levar pra casa deles com sua amiga desmaiada. – ele dá um suspiro frustado, Tavi sempre foi uma pessoa positiva e que confiava demais nos outros, motivo pelo qual sofreu muito quando foi traído, e o que meu causou uma cicatriz pequena na bochecha ao brigar com sua ex.

— Ele só...Ele começou a dizer coisas de aura e de energia, e que o pai dele mexia com magia e a mãe com medicina, então ele sabia do que tava falando, daí eu pensei que...

Paro de andar e sorrio para o moreno, seus olhos negros me encarando com amor. Ergo os pés e ele se abaixa para que eu beije seus pés. Odeio ter 1.50.

— Você teve as melhores intenções, mas eu não confio nele. Aquele cara esconde muitas coisas.

— Mas eu confio, e vi o jeito que você olhou pra ele. Você achou ele gato, vai admite.– ele me empurrou com o ombro de leve.

— Hey, isso pode ser verdade, mas não significa que–

Eu paro bruscamente, havia algo sangrento e estranho no chão, parecia um feto...

— Gina...– Tavi chamou, ele apontou para cima.

Um bando de morcegos enormes voavam em nossa direção.



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