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História Até o Inferno - Capítulo 5


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Notas do Autor


Hi babys!
O cap de hj eu escrevi escutando Lofi's, a maioria são ótimos, é só colocar um pra rodar e ler! Vou deixar o link do que eu escutei: https://www.youtube.com/watch?v=pTlRfkAablo

desculpem os erros e boa leitura! <3

Capítulo 5 - Parabéns para o Monstro!


Fanfic / Fanfiction Até o Inferno - Capítulo 5 - Parabéns para o Monstro!

O adulto de cabelos castanhos e bagunçados matutava em frente a porta dos Johnsons, ainda estava sentado na bicicleta e encarava o portal amadeirado se sentindo um completo idiota.

“Eu sou esquisito por ter vindo até aqui?” era o tipo de pergunta que rodeava os pensamentos dele, “É muito estranho?”.

Pensar demais o deixava louco porque nunca conseguia tomar uma decisão, mesmo que por ironia as pessoas costumavam pedir conselhos a ele. E num minuto encheu-se de coragem e levantou da bicicleta, caminhando até a porta e a batucando rapidamente cinco vezes. No outro instante sua coragem já havia esvaído-se e a idéia de que aquilo seria constrangedor começou a desnortea-lo, mas para sua sorte, nada além do silêncio o retrucou.

Aquela seria sua deixa perfeita para ir embora, mas agindo de forma impulsiva bateu na porta mais uma vez. Se martirizava ainda mais por ser um completo idiota, seria muito mais simples ter ido embora, mas não foi. 

Quando pela segunda vez ninguém atendeu, conformou-se e não bateu na mesma pela terceira vez, apenas virou-se e trilhou o caminho de sua bicicleta.

— Eles estão na missa — uma voz familiar fez o homem parar o seu caminhar. 

— Margot?

Era estranho lembrar de seu nome? Avoado que só, definitivamente não era de seu feitio se apagar a nomes de pessoas passageiras.

— Perdão… Quem está aí? 

Parado no primeiro degrau da pequena escada ele voltou a encarar a porta.

— É Johnny Depp, filho do padre Hall — dizia enquanto caminhava para onde estava antes. 

— Oh… — sua voz estava um pouco mais grave do que se lembrava e aquilo era nítido. — Leonard e Mamãe não estão em casa.

— Eu sei — disse ainda pensando na voz da menina. 

Talvez o pai da garota estivesse falando a verdade, talvez a indisposição se dispunha a uma dor de garganta, aquilo explicaria a voz grave.

— Eu posso ajudar em alguma coisa Sr. Depp? 

Chacoalhou a cabeça rapidamente quando Margot o perguntou, ficara pensando a respeito de sua voz diferente que esqueceu de terminar sua frase.

— Oh, não é que…— tossiu algumas vezes com a intenção de reformular a frase. — Eu vim me desculpar pela maneira como agi no nosso último encontro. Eu fui intrusivo e mal educado.

A resposta tardou um pouco, mas Margot finalmente disse algo.

— Tudo bem. 

Johnny franziu o cenho com a resposta, a letargia em suas palavras fazia com que as desconfianças do homem voltassem. Não era um desânimo causado por alguma enfermidade, era tristeza, e Johnny reconhecia esse sentimento melhor do que ninguém. 

Trinta e sete anos nunca pesaram tanto quando se passa cada aniversário procurando por seus pais biológicos. Ser abandonado em uma igreja por alguém que deveria te amar é algo difícil de lidar, mas pensar no que motivou seus pais a fazerem aquilo era ainda mais difícil, aquilo sim doía. Mas tendo o padre que o criou como um pai fazia tê-lo motivação, saber que alguém nesse mundo o amava era reconfortante, mesmo que todas as noites se questionava se aquele sentimento de Hall não passava de pena.

— Está tudo bem com você? — aventurou-se a perguntar, mesmo que da última vez ela não fora receptiva com essa pergunta.

Ela ficou em silêncio e o único som que Johnny pudera ouvir através da porta era a respiração lenta e exausta da garota.

— Vá embora — mandou, mas Johnny não obedeceu. 

— Se quiser conversar eu estou aqui, abra a porta para conversarmos, huh? — falou gentilmente.

— Você veio se desculpar por ter sido intrusivo e mesmo assim continua sendo — rira em desdém. — Sr. Depp, vá embora. 

Ele suspirou e se rendeu, mas tinha em mente que aquela garota não estava bem. No caminho de volta resolveu que não iria assistir o resto da missa, não tinha cabeça para nada daquilo, ao invés disso pedalou até o hotel onde estava hospedado e ficou por ali o resto da manhã. Pegou uma tela em banco e ali ficou, pintando e pintando, mas ainda tinha seus pensamentos focados em Margot.

O resto da tarde teve de sair para procurar casas a venda, não podia viver em um hotel para sempre, por isso teve esse longo dia olhando rua por rua até encontrar algo que lhe agradasse, mas nada tinha chamado sua atenção. 

Aquela cidade era um lugar onde havia agradado tanto a ele quanto a seu pai, portanto decidiram mudar-se para cá. Hall viria para cá de qualquer jeito por causa da igreja então foi sorte a sintonia de ambos a respeito do gosto pelo local.

Finalmente aceitando que não havia achado nenhuma casa que lhe agradasse ele foi de encontro a igreja para falar com o Padre.

— E então? — o mais velho o questionava.

— Nada… Ou as casas são chiques demais ou feias demais — reclamava sentado escorando seu cotovelo na mesinha. — Nada do meu gosto.

— Nenhum lar é feio — repreendeu.

— Eu sei… Mas certas cores não me agradam, tipo amarelo e verde, duas péssimas combinações.

O mais velho riu da exigência do homem e sentou-se na cadeira ao lado do mesmo.

— Vai encontrar algo logo, sei que vai.

— Espero — sorriu. — Preciso encontrar uma casa rápido, a diária naquele hotel é um absurdo mesmo sendo a mais barata.

— Pode ficar aqui na igreja por um tempo se quiser — sugestionou o pai.

— Não, só tem um quarto aqui e o senhor precisa.

— Sua bondade é comovente, mas você é meu filho e sabe que não precisa agir dessa maneira. Se as coisas apertarem você será sempre bem vindo à casa de Deus.

Johnny sorrira pela fala, a casa de Deus havia sido seu teto desde sempre e sentia que agora era hora de encontrar um lar onde pudesse construir sua vida. Não tinha a ver com religião seu ato, apenas queria conquistar sua independência longe dos sinos da catedral. 

— Eu irei na casa dos Johnsons mais uma vez — começou o assunto enquanto ajeitava sua clérgima.

E rapidamente voltou a pensar na garota que havia irritado mais de uma vez.

— Nossa, de novo? — estranhou.

— Pois é, Leonard me convidou. Disse que na próxima sexta seria seu aniversário e que contava com minha presença.

Ao terminar de falar Johnny não pode não desconfiar ainda mais, aquilo não fazia muito sentido.

— Ele te conhece há uma semana, não acha um pouco… — Depp pausou tentando encontrar uma palavra adequada mas que não fosse tão desrespeitosa. 

— Um pouco…? — Hall o encarou com uma das sobrancelhas arqueadas. 

— Bom pai, eu não convidaria alguém que mal conheço para o meu aniversário — disse finalmente.

O padre logo parou o que estava fazendo para o observá-lo.

— Está querendo insinuar algo?

— Não! Mas é que é realmente muito cedo — defendeu-se.

— Ora Johnny, Leonard é um homem da igreja e virtuoso na palavra. Não consigo achar estranho que um cristão queira a companhia de outros membros da igreja na celebração de seu nascimento.

E por vez decidiu ficar quieto, talvez estivesse pensando demais e acabou por ter uma impressão diferente do que Leo realmente tem. 

— Tem razão, não há nada de estranho nisso… — respondeu, ainda assim pensando sobre isso.

— Leonard também o convidou. 

— Oh, não! — disse apressado. — Não vou poder ir.

— Por que não? — indagou.

Pensou em mentir, sempre fazia isso para se livrar de algo em que não queria se meter. Mas aquele era seu pai e não gostava de contar mentiras a ele. 

— Não estou interessado. 

— E por quê? O último jantar foi divertido.

Talvez para ele, mas Johnny não havia se divertido nem um pouco após o incidente no quarto de Margot.

— Eu só não estou muito interessado, pai. 

Parte do problema era Margot e a outra metade era o fato de ser uma festa. Odiava estar rodeado de pessoas que estavam se divertindo porque sempre era o único que nunca estava em sintonia com os demais. Nas únicas quatro festas que foi ficara num canto encarando as pessoas dançar na pista. O que sempre colocava um enorme ponto de interrogação na cabeça de todos já que as mulheres estão sempre a encará-lo com segundas intenções e é considerado um homem charmoso e sedutor. Mas esses atributos não valem nada quando a pessoa que os herdou simplesmente não liga para eles, e Johnny era assim. Por isso festas nunca foram o seu forte, lá todos estão sempre a paquerar e raramente buscam apenas uma noite de dança e diversão, e paquera está em uma das últimas coisas da lista do homem.

Mesmo que fosse apenas um simples e chato aniversário, Johnny não tinha o mínimo  de vontade para ir.

— Tudo bem. Mas se mudar de idéia, a festa começa às seis horas. 

— Ok — respondeu com um suspiro.

 

A semana do acastanhado passara numa lentidão amarga. Pedalou muito atrás de uma casa, conversou com vários proprietários e em todo local que visitava havia algo que lhe impedia de comprar tal casa. Estruturas prejudicadas, infiltração, ratos, entulhos ao fim do quintal era alguma das coisas que ele teve que presenciar enquanto estava a procura de um lar. Chegou a pensar que aquelas pessoas prejudicavam as casa de propósito porque colocar a venda em um estado tão frágil era nojento. 

Mas enfim, o fim de semana havia chego. Um pouco descontente por ter outro dia sem sucessos em sua procura por casas, ele reclamava enquanto pedalava pelas ruas. Estava a procura de um parque, um local onde pudesse relaxar sua mente, mas o máximo que encontrou fora uma pequena praça vazia que se localizava um pouco após a entrada na floresta. O local ainda era visível para quem passasse pela rua, mas não era nem um pouco atrativa para a grande maioria, por isso decidiu que era ali que passaria o tempo. 

Caminhava sempre com sua bolsa mensageiro e nela trouxera um livro pelo qual havia comprado há pouco tempo mas que não tinha gostado, sentou-se em um dos bancos, deixando sua bolsa ocupando o outro lado do assento, e começou a folhear a ficção.

 

Hahaha ele é um ótimo marido mesmo! — Christina falava em comoção, por sua voz se destacar entre tantas outras Margot associou que estava alcoolizada. 

O alarido de vozes a fazia afundar sua cabeça cada vez mais fundo no travesseiro, aquela semana não parava de atormentar-la.

Passara os dias dentro de seu quarto, sofrendo pela deformação que marcava seu rosto. Na manhã de quarta feira os ferimentos haviam piorado, seu rosto estava mais inchado e os roxos mais escuros, chorou tanto que teve que cobrir o espelho com sua coberta para não ter que olhar para seu rosto. Na quinta feira acordou com uma forte dor no estômago, por conta disso teve que sair do cubículo para comer e beber alguma coisa e, posteriormente ir ao banheiro. 

Sua mãe havia tentado falar com ela, pelo menos, umas quatro vezes, mas todas sem sucesso. Sempre quando Christina entrava em seu quarto a menor se virava na cama e dava as costas para outra, estava tão magoada com ela que não conseguia nem olhar para a matriarca em seus olhos. Leonard foi quem a agrediu e o odiava por isso, mas Chris era sua mãe, e mesmo assim a mais velha não a defendeu, Christina era tão pior quando Leo. 

— Vamos Leonard — uma das vozes gritou. — É hora do parabéns!

Hoje era sexta-feira, sete de agosto, o dia em que Leonard fora concebido. Hoje era aniversário do homem e este estava comemorando ao seu clássico estilo: esbanjando tudo o que tinha aos outros, era tão óbvio. O homem era de uma prepotência e arrogância sem limites, mas ninguém parecia enxergar isso. Convidou grande parte da cidade para sua festança e como a cidade era pequena pode-se dizer que quase todos vieram. Margot não havia saído do quarto nenhum minuto naquele dia, não queria ver como estava a decoração e muito menos provar a comida, por mais que bolo de morango fosse o seu favorito. Não queria celebrar aquele dia, não queria celebrar a Leonard. 

— Não estou muito velho para cantarem parabéns? — o homem falou entre risos.

— Não queremos saber! Vamos pessoal, todos comecem!

Parabéns para você! — o estrépito de vozes começaram a cantar em harmonia.

Margot friccionou sua cabeça ainda mais forte contra o travesseiro, mas as vozes não se abafaram. Começou a sentir a raiva bombeando dentro de si e teve vontade de incendiar todos que ali cantavam. 

Ele é um monstro! — a jovem deu um pulo da cama e gritou para a porta o mais alto que pode, mas ninguém a ouviu. 

Caiu no choro quando notou que mesmo com a multidão a sua volta, ninguém a notava, ninguém a ouvia. Ainda com raiva, resolveu que não faria parte daquela festa, não ficaria para escutar o fim da canção. Então carregando apenas a raiva que sentia, passou as pernas pela janela e em seguida todos o seu corpo. Segurou na enorme cerca em que algumas trepadeiras haviam tomado conta e foi descendo rapidamente. Chegando próximo ao chão resolveu pular, acabara caindo em cima de todas aquelas margaridas, pisara tão forte que todas haviam se machucado. Agora todas aquelas flores entendiam como Margot se sentia. 

Deu uma olhada e não viu ninguém por perto, uma parte das pessoas estava dentro de sua casa e outra parte ocupavam o jardim principal. Estando de noite, ninguém a notou correr da lateral da casa em direção a floresta que se estendia ao lado da residência. Não fazia idéia para onde estava indo, mas sabia que era longe daquela casa.


Notas Finais


by babys!


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