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História Até o Passado - Capítulo 10


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Notas do Autor


Capítulo novo acabando de sair do forno para vocês

Capítulo 10 - Um pouco é suficiente?


Entro em casa largando a mochila no caminho e ligando a tv. Eu ainda estou chateada mesmo sabendo que isso não irá mudar nada. Sinto tanta falta de tudo que as vezes acho que vou me asfixiar com a saudade.  É quase começo de outono, o que significa que faz quase um mês desde que deixei Columbine, 1998 e todos os meus amigos. Bem, o que eu tenho para falar então? Me arrependo amargamente de não ter quebrado aquela maldita tv assim que chegamos no Colorado.

__ Jade, nós temos visita. - minha mãe diz simpaticamente da cozinha -

Levanto do sofá e me arrasto até a cozinha, onde estão meus pais e um homem desconhecido. Meu pai aponta para uma cadeira e eu me sento nela. O homem olha para mim estendendo a mão com um sorriso extremamente grande e estranho no rosto. Aceito o cumprimento sem dizer nada. Seu sorriso ainda me assusta.

__ Você não deve me conhecer, eu sou o Markus. - o desconhecido diz - __ Fui eu quem criei a máquina do tempo.

Um sorriso tão grande quando ele se forma em meu rosto sem meu consentimento. Consigo até sentir a esperança borbulhando e enchendo meu coração como um leite fervendo.

__ Eu sou a Jade. Fui eu quem testei sua máquina. - ele ri - __ Que funciona muito bem pelo visto.

__ Jade, o Markus veio levar a máquina embora. - meu pai diz como um aviso, eu apenas o ignoro -

__ Sabe, Markus. - continuo - __ Eu estava prestes a impedir um atentado, sabe? 

__ É mesmo? - ele pergunta, tão animado quanto eu -

__ Jade... - papai interrompe -

__ Ora, deixe ela contar, Eduardo. 

__ Eu estava me tornando amiga deles, convencendo eles do que era realmente certo, e diferente de algumas pessoas... - olho de relance para meus pais -  __ Eu mostrei que me importava com eles.

__ Nossa. - ele diz admirado - __ Nossa! Que incrível. E por que você não continuou?

__ Pergunte aos meus pais. - suspiro me recostando na cadeira -

__ Creio que não seja necessário. Enfim, já que eu estou aqui, vou pegar a máquina e ir embora logo.

__ Não! - exclamo apavorada, essa pode ser minha última chance - __ Você... não nos contou toda a história.

__ Ah, claro. Que falta de educação a minha. - ele se ajeita na cadeira - __ Depois que eu criei a máquina tive de escondê-la por um tempo para que não parasse em mãos erradas, então, eu dei-a á seu pai porque é um homem de confiança.

__ Hum... sim, você que pensa. - digo semicerrando os olhos para meu pai - 

__ Agora, eu trabalho numa agência que quer usar a máquina para evitar tragédias. - ele completa -

Meus olhos brilham.

__ Eu posso ajudar. - digo de súbito -

__ Jade. - minha mãe me alerta -

__ Não, Rose. Quero ouvir a proposta dela. - Markus diz sorrindo para mim - __ O que você tem?

__ Eu posso voltar pra lá e impedir de vez e vai ser como um estágio, talvez possa ser o começo de uma carreira nessa agência.

__ CT, minha cara, Central do Tempo.

__ De jeito nenhum eu vou voltar naquele lugar denovo e deixar minha filha correr perigo denovo.

__ Bem, se é com isso que você se preocupa, a Lillie, tia da Jade e sua irmã, Rose. Ela trabalha na agência comigo, ela pode cuidar da Jade para você. E creio que sua filha não corre perigo. Os garotos não são Serial Killers. E eles são amigos da Jade não fazer mau á ela.

Meus pais se olham e consigo ver a dúvida com uma leve pontada de esperança em seus olhos. Cruzo os meus dedos esperando o melhor acontecer.

__ Sem chance. - minha mãe diz -

Markus se levanta e põe a mão em meu ombro.

__ Sinto muito, fiz o que pude. Adeus Jade.

Eles saem da cozinha minha decepção pairar no ar. Sinto as lágrimas encherem meus olhos. Porque eu criei expectativa? Meus pais nunca mudam de ideia. Nunca. E agora eu tenho esse vazio em mim.

Procuro em minha mente algo que possa os fazer mudar de ideia, algo que os faça confiar em mim novamente e com certeza ficar zangada não vai ajudar.

Eles me disseram uma vez que eu era a pessoa mais persistente que eles conheciam. O suficiente para conseguir fazer isso? Eu acho que sim.

Seco as poucas lágrimas que ousaram cair em meu rosto e, com a pouca força que me resta, pego uma folha e uma caneta tratando de colocar logo a mão na massa.

***

Certifico-me de que o carro de mamãe possa ser visto na rua e corro para o sofá ligando a tv, alguns segundos depois ela entra com suas mãos cheias de sacola e encara a tela confusa. Estamos começando bem...

__ Mamãe! - exclamo com uma voz amável e corro até ela - __ Deixe que eu te ajude.

__ O que você está assistindo Jade? - ela ainda encara a tv -

__ Nada demais. Um documentário sobre Columbine, sabe a Francis?

__ Aquela loirinha adorável que nos visitou com uma torta? - ela caminha até a cozinha -

__ Sim. Ela se matou em 2001.

A caixa de leite que mamãe  segurava cai no chão, explodindo e sujando em volta. Ela me olha assustada.

__ Deus.

__ Acho que você deveria assistir. Tem a participação da Sue Klebold e ela fala como foi saber que o filho dela causou a dor de tantas pessoas. Como você é mãe deve entender. - finjo indiferença -

Levo-a até o sofá e aumento o volume da tv.

__ Papai. - grito parada na porta e o vejo aparecer com seus óculos de leitura - __ Você também tem que ver.

Meus pais parados em frente a tela de 50 polegadas de tristeza e culpa. 

Alguns minutos depois meu pai se vira, seu rosto fechado, inespressivel. Ele me encara por um tempo como se me lesse, seus óculos na ponta do nariz e seu olhar sob a lente.

__ Sei o que você quer Jade. Você não vai ter. Aceite e pronto.

Meus ombros murcham. Mamãe me olha com carinho, sua voz sai como uma pluma. Eu nunca havia visto ela tão calma.

__ Ele tem razão Jayde.

 Então a voz de Sue ecoa dos alto-falantes melancolicamente e não só meus pais sentem a dor daquilo, mas eu também.

__ "Quando eu penso no que ele fez, nas vidas que ele tirou, no trauma que ele causou... não há como mensurar isso. Eu sei que é terrivelmente difícil para os que sobreviveram me ouvir falar do amor que eu sentia pelo Dylan. Mas ele era meu filho e conhecê-lo enriqueceu minha vida. Eu o amei. Ele me trouxe muitas alegrias. O que eu mais queria era ter segurado o Dylan naquela manhã e ter dito a ele: ‘Senta aqui. Você não vai a lugar nenhum. Vamos conversar'.

O silêncio toma conta do lugar, meu coração bate mais rápido, minhas pernas doem. Eu simplesmente não pude conter as lágrimas quando mamãe se aproximou de mim e abraçou forte, dizendo:

__ Você vai salvar eles, minha lindinha.


Notas Finais


Essa gente ta chorando demais haha e eu nem sei direito o que significa esse título.
Espero que tenham gostado.❤


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