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História Até Onde o Meu Coração Me Guia (Hwang Hyunjin) - Capítulo 12


Escrita por: annebibbs

Notas do Autor


Desculpa a demora para atualizar!
Espero que vocês gostem dessw capítulo ❤️

Capítulo 12 - Doze


Hana


Jurar que eu não iria tentar me enturmar com outras pessoas além de iniciar algum tipo de amizade com Felix e tentar voltar a ter uma boa relação com Hwang Hyunjin estava totalmente fora do meu alcance. Aquela altura do campeonato eu já havia virado a capitã do time de futebol improvisado na aula de educação física. E era um time onde eu era a única garota, o que foi uma certa surpresa e todos me receberam super bem.

"Há uma diferença entre ser respeitado e ser temido..." As palavras de Bang Chan surgiram na minha mente em um estalo. De certa forma, elas tiveram poder sobre mim já que eu não sabia essa diferença. Eu não sabia se estavam realmente sendo legais comigo ou se estavam com medo de que eu lhes fizesse algum mal. Mas nada mais eu poderia fazer, pois já guiava o grupo de garotos confiantes pelo campo.

Que ideia estúpida, Hana! Minha mente gritou quando eu me deparei com o time adversário, liderado por Eric Son. Olhando de soslaio para os lados vagos com os bancos onde os alunos se sentavam, eu pude ver que estavam comentando enquanto apontavam para mim ou para Eric. Boatos. Era tudo o que eu precisava para começar a perder a calma.

No ano passado ele me encurralou em um dos corredores após termos uma discussão. E o motivo era antigo. Muito antigo. Tanto que eu prefiro deixar a sete palmos do chão e seguir com a minha vida. Haviam poucas pessoas no corredor que escutaram alguma coisa de nossa briga. E justo essas poucas pessoas foram necessárias para espalharem fofocas e boatos por toda a escola. Acredito que depois de hoje, tais boatos voltem a se espalhar e meus dias de paz vão sumir por um tempo.

— Hana — Eric abriu um sorriso amigável ao me ver, ou melhor dizendo, falso. — What are you doing here? (O que você está fazendo aqui?)

Sotaque americano nojento.

— I came here to win, Eric. (Eu vim aqui para ganhar, Eric.)

Sim, aquilo havia sido levado para o lado pessoal. Principalmente quando o jogo começou minutos mais tarde.

[...]

O som estridente do apito soou como o sinal da última batalha para mim. Enfim, o segundo tempo.

Estavam todos cansados e soados graças a toda correria dentro do campo extenso de nossa escola. O jogo também não estava sendo fácil, pois a turma B estava se saindo muito melhor do que o calculado por Hwang Hyunjin e eu.

Sim, eles eram mais rápidos, mais fortes e mais atléticos, mas em cada uma de suas jogadas eu havia notado o quão competitivos eram com os membros do próprio time. A falta do trabalho em equipe era a grande vantagem que tínhamos sobre eles, e também, éramos estrategistas.

— Você melhorou muito desde a última vez, Hana — Provocou Eric, com um sorriso nos lábios enquanto tentava roubar a maldita bola de mim.

— Sabem o que dizem, não é? O aluno sempre supera o professor.

— Ainda não me sinto superado — Ele roubou a bola, mas eu fui mais esperta e a trouxe de volta para mim antes que ele corresse.

— Se meu time ganhar esse jogo, é melhor se sentir! — Exclamei correndo para o gol.

Consegui um rápido espaço e chutei aquela bola, mas para a minha decepção, aquele goleiro idiota — que mais parecia um projeto de Alisson Becker¹ coreano — conseguiu defender o gol milagrosamente.

Que droga!

— Seria frustrante dizer agora que esse cara parece ter saído de um time de jogadores profissionais? — Felix apareceu ao meu lado de repente. Ele nem estava jogando, mas entrou no campo do nada.

O olhei com ódio, com puro ódio, mas eu não poderia perder a cabeça naquele momento, não logo quando justo faltavam vinte minutos para o fim do segundo tempo.

— O que eu faço?

Era burrice perguntar justo a um cara que também não sabia jogar futebol, uma possível estratégia para ganhar um jogo. Mas àquela altura eu já estava desesperada e não iria aceitar ver os meus colegas passarem por uma humilhação pública.

— Não tenha medo de errar.

Foi o que Felix respondeu e por fim saiu do campos antes do jogo voltar com força total.

O empate já parecia a opção mais agradável para mim quando eu notei que nos restavam apenas cinco minutos. 1x1 estava no celular do treinador Byun, o que me fez pensar realmente se ganharíamos aquela partida sendo que havia uma briga do outro lado do campo entre o time adversário e o nosso.

Meus jogadores estavam cercados já que a maior parte dos garotos da turma B correram para cima deles. O desespero era tão nítido que parecia que realmente perderíamos.

Mas a esperança nunca morreria enquanto haviam minutos restantes do jogo.

— É PRA DESVIAR, SUNWOO! CUIDADO! — Gritei vendo o time adversário roubar a maldita bola para eles... de novo. — HYUNJIN, DEFENDE!

— Não acha que foi uma péssima ideia colocar o Hyunjin como o goleiro? — Seungmin, que estava ao meu lado, perguntou vendo toda a confusão do outro lado do campo.

No momento em que o time adversário chutou a bola para o gol, o Hwang conseguiu pegar a bola em um pulo.

— Foi uma ótima ideia, Kim.

Hyunjin chutou a bola tão forte que fez com que ela viesse parar no outro lado do campo, no meu lado do campo. Finalmente uma chance! Seguida por ela, estava vindo os outros jogadores aglomerados. Incrível, eles realmente jogavam aquele esporte mal.

O suor frio escorreu por minha testa assim que a bola encostou na grama novamente e meus pés já a envolveram e a levaram até o gol mais próximo. Por algum milagre, eu consegui desviar de todos aqueles adolescentes incrivelmente altos e fortes e chutei a bola antes que a tirassem de mim.

Isso fez com que eu escorregasse na grama molhada e caísse sem ver se consegui marcar mais um ponto, ou não. Eu não queria nem olhar se havia marcado o ponto ou não, só sei que durante os cinco segundos que eu estava caída no chão, o apito soou de novo encerrando de vez aquele jogo.

Meu peito subia e descia conforme as batidas do meu coração ficavam cada vez mais descontroladas e eu procurei me acalmar, mas foi impossível assim que uma gritaria surgiu.

Me sentei já confusa com a situação e eu vi que a bola estava no gol.

A bola estava no gol!

Vencemos!

Nem pude me dar ao trabalho de adquirir tais informações ao meu raciocínio lento. Porque do nada, todos aqueles garotos que jogaram comigo estavam ao meu redor. Eles pegaram o meu corpo leve e frágil e me jogaram para cima em meio a gritos de felicidade.

Eu estava desesperada, por outro lado. Vai que eu caísse e quebrasse algo?!

Mas eu não podia reclamar. Nós ganhamos o jogo!

— HANA! HANA! HANA!

Gritavam os garotos que festejavam comigo.

Eu estava sem reação, mas comecei a sorir de felicidade junto com todos eles. Nós vencemos!

Meus sentidos pararam no momento em que mãos ágeis e fortes me seguraram pela cintura e me levaram ao chão. Um par de olhos encarou os meus e perante Deus, eu não fazia ideia do que eu senti dentro de mim, só sei que era um tipo de frio na barriga. Bem parecido como quando você pula de paraquedas, só que menos assustador.

Hyunjin abraçou o meu corpo pequeno, suado e frágil, sem se importar com a grama em meu cabelo ou a terra que estava nas minhas roupas.

Ele me abraçou mesmo sabendo que toda a cultura que nos cercava era contra abraços entre um homem e uma mulher diante de uma sociedade conservadora. Mas ele não se impertou com o que pensariam depois.

— Parabéns, Hana — Ele sorriu mostrando os dentes e as covinhas apareceram.

Um flashback bem rápido surgiu em minha mente daquele mesmo sorriso, só que a muito tempo atrás. E eu senti um aperto no coração, mas algo bom. Muito bom.

— Nós que conseguimos isso — Sorri de volta.

Os garotos ao nosso redor pulavam e faziam o maior barulho, como se aquilo fosse um tipo de Copa do Mundo. Era tanta alegria que não tinha como eu não pular junto com eles.

Eu ri, gritei e me diverti ali. Foi a melhor sensação que eu tive em anos.

[...]

— Você vai almoçar? — Perguntou Felix algumas horas mais tarde.

O sinal para o almoço já tinha soado e todos os alunos já tinham corrido para o refeitório. Felix e eu compartilhamos informações durante as aulas daquela manhã, viramos confidentes um do outro e ele não tinha medo de mim como as outras pessoas.

Pelo contrário, se aproximava o máximo que podia. E durante os intervalos entre as aulas ficávamos vendo vídeos no TikTok ou conversando sobre filmes e artistas.

Felix era muito divertido e sua personalidade era maravilhosa. Poderíamos ser bons amigos caso o tempo colaborasse para isso.

— Eu trouxe o meu almoço — respondi, mostrando-lhe a pequena bolsa térmica que eu sempre trazia.

— Eu também — Disse Felix com um sorriso divertido nos lábios enquanto pegava uma pequena bolsa térmica dentro da sua mochila.

— Então, eu espero que você não me ache uma esquisitona por isso, mas...

— O quê?

— Eu nunca almocei naquele refeitório.

Felix piscou algumas vezes, como se estivesse processando aquela informação que surgiu de repente.

— É sério? — perguntou surpreso.

— Sim.

— Ah, então se quiser eu posso ficar na sala e almoçar aqui com você...

Ele já estava se sentando, antes que eu o parasse.

— Você conhece as regras das escolas coreanas? Uma delas diz que é proibido comer nas salas e outra diz que é proibido ficar dentro das salas enquanto é horário do almoço. A mente das pessoas desse país é bem conservadora, se verem um garoto e uma garota juntos e sozinhos em uma sala, vão pensar outra coisa.

— Credo! — Ele fez uma cara de nojo.

— Exatamente.

— Sabe, eu vi uns banquinhos no pátio, eles vão nos proibir de almoçar lá?

— Provavelmente não.

— Então vamos! Você 'tá esperando o que?

Felix já se levantara de seu lugar e abria um sorriso contagiante para mim. O sorriso dele era muito fofo com aqueles dentes dentinhos caninos que surgiam conforme a largura do sorriso. As sardas também eram algo que me chamou a atenção, eu me perguntava se era possível contar os pequenos pontinhos escuros em seu rosto, poderia passar horas encarando até que descobrisse quantas estrelas a sua pequena constelação contia.

Eu não queria almoçar no pátio, mas era uma ideia muito melhor e menos arriscada do que ficar no terraço, e viver a adrenalina de talvez ser pega por alguém. E também eu iria almoçar com a companhia de alguém.

O pátio da escola era cercado por um enorme jardim com as mais diversas flores, era muito bonito e no centro havia uma fonte. Os alunos daquela escola costumavam a jogar moedas nela para tirarem notas boas nas provas, principalmente as finais que eram as mais difíceis e complicadas. Se bem que era notório que a maior parte daquele colégio acreditava naquela lenda boba criada por veteranos de anos atrás. A água cristalina da fonte refletia as várias moedas ali dentro, eu pensei até em voltar aqui anos mais tarde e colecionar tais objetos com o plano de relembrar de certas relíquias.

Os bancos do pátio eram enormes, então Felix e eu tínhamos bastante espaço para colocar as marmitas entre nós dois. Uma coisa em comum que eu notei rapidamente, foi o fato de Felix estar com garfo e faca nas mãos ao invés dos famosos Cheot-garat, mais conhecidos no ocidente como "hashis". E ficou mais claro para mim que ele preferia a comida ocidental assim como eu, quando revelou o que tinha em sua marmita.

— Lasanha?

Não pude disfarçar a minha cara de espanto vendo aquela típica comida italiana que seria o almoço do Lee.

— Sim, você quer um pouco? — perguntou Felix.

— Não, obrigada.

Era uma mentira descarada, eu amava lasanha com todo o meu ser. Só recusei para parecer educada.

Mas o "prato" que eu trouxe era tão italiano quanto o do Lee.

— Espaguete? — Felix também pareceu surpreso vendo a minha marmita. — Hana, não acha isso coincidência demais?

— Eu iria perguntar a mesma coisa... — O olhei desconfiada. - Você anda me espionando, Lee Felix?

— Eu? Nos conhecemos hoje!

— Mas eu lembrei do seu rosto e sei que você trabalha lá no Lee's Coffee.

Eu não sabia se ele trabalhava no Lee's Coffee, mas chutei porque eu juro que vi que um dos garçons de lá era a cara de Felix. O olhar do sardento a minha frente, entregou que eu estava cem por cento certa da acusação.

— Olha, sobre o Lee's, eu posso explicar — Felix levantou suas mãos em sinal de rendição.

— Então comece — Arqueei as sobrancelhas.

— Meu pai é o dono e me colocou para trabalhar em um dos cafés dele como um castigo. Você e aquele garoto da nossa sala apareceram por acaso, e por coincidência também eu os atendi — explicou, eu o analisei de cima abaixo como se realmente estivesse duvidando de tudo que ele dissera. — Agora sobre as comidas, foi o destino também. Acredita que eu amo espaguete?

— E eu também amo lasanha — Admiti.

— Amigos unidos pela comida italiana — Fizemos um high-five e em seguida rimos. — Olha, eu realmente estou disposto a te dar um pedaço da minha lasanha.

— Digo o mesmo.

No fim de tudo dividimos a comida em meio a risadas e conversas aleatórias. Claro que houveram pequenas brigas por conta de quantidade, nada demais, só uns arranhões e puxões de cabelo. O mais bizarro naquilo tudo foi o fato de que parecíamos ser amigos há anos e não há apenas poucas horas.

Foi uma loucura, porque em uma tarde, eu já parecia conhecer o Lee tão bem que só mais um pouquinho e eu enxergaria a alma dele. Felix era divertido, engraçado e um verdadeiro palhaço. Ele foi o único que conseguiu me fazer rir em muito tempo. E ainda era um bom fotógrafo, pois fez imagens incríveis enquanto eu estava em campo, inclusive gravou um vídeo perfeito do momento em que eu fiz aquele gol histórico.

Eu realmente me alegrava por saber que tinha alguém como ele por perto.

Com o fim das aulas, Johnny me buscou e me levou diretamente para o escritório do meu pai, onde ali, teríamos uma reunião a respeito do YS Project. Uma ONG que eu criei há alguns anos atrás voltado para crianças e adolescentes carentes, onde os mesmos teriam a oportunidade de conquistarem bolsas de estudos em escolas de artes financiadas pela própria YUHWA, a empresa da minha família.

A responsabilidade do projeto era inteiramente minha. E sim, quando eu o fundei, tinha apenas quatorze anos - na idade ocidental, claro. Lembro como se fosse ontem das madrugadas que passei em claro revisando e estudando tudo o que era necessário para as reuniões que se seguiriam até que o conselho da YUHWA finalmente aprovasse o meu sonho de anos. Até que o meu pai aprovasse o meu sonho de anos.

Aquele foi o primeiro passo para que eu conquistasse o mínimo da confiança do meu pai e mostrasse que todos os anos de ensino e dinheiro gasto não haviam sido em vão. Mas aquilo realmente havia sido o mínimo, os anos em diante foram difíceis e as cobranças ficaram cada vez mais pesadas. O que eu sofria para manter o meu projeto vivo e ativo, não era nada comparado à o que eu sofreria anos mais tarde. Nem sei quantas vezes já perguntei a Deus se eu realmente teria toda a força necessária para suportar o peso da YUHWA nas costas.

Mas eu era a Hana, Shin Hana. A herdeira de uma das maiores empresas da Ásia e uma das estudantes mais inteligentes do país com vários méritos e medalhas. Eu era respeitada e sabia que poderia ir muito longe com a minha carreira. Eu sabia que eu seria uma grande mulher um dia. Eu sabia que não podia me deixar abalar com coisas fúteis e pessoas que falavam por minhas costas.

Eu sabia que eu poderia ser forte e poderosa como um leão.

Então quando os meus pés tocaram aquele prédio, coloquei aquela máscara que fui ensinada a usar desde nova. O rosto frio e sem tantas expressões. A postura perfeitamente reta e um andar delicado. Agora sim eu era alguém totalmente diferente da garota do jogo de futebol mais cedo ou do almoço com o Lee. Infelizmente eu precisava ser assim. Principalmente se eu era a representante do meu pai e rosto da YUHWA.

— O presidente a espera no escritório do vigésimo nono andar.

Informou Taeil, o fiel secretário, enquanto me acompanhava até o escritório do meu pai, o lugar que eu apelidei carinhosamente de toca da cobra. E não, o motivo não era a decoração com plantas e coisas assim, era mais porque eu vi vários funcionários chorarem naquela mesma sala. Como se seus ossos estivessem sendo esmagados, assim como toda a sua carreira, caso eles fizessem alguma besteira que irritasse o presidente Shin.

Diferente do homem que eu encontrei chorando enquanto encarava o retrato da esposa no meio da madrugada, Shin Hee Joon também usava uma máscara para omitir as suas informações pessoais e seus problemas da vida. O homem sensível e delicado que poucas vezes eu vi, era sempre ocultado por um presidente forte, rígido e temido. Sim, Shin Hee Joon era temido.

Todos na indústria o conheciam, principalmente a sua fama de ser perfeito com tudo o que faz e fala.

Não sei o que diriam de mim se eu não desse o devido exemplo.

Após entrar na sala do meu pai, eu fiz uma reverência totalmente calculada e usando toda a educação que me foi ensinada. Era o máximo de respeito que eu poderia ter.

Shin Hee Joon estava de frente para as enormes vidraçarias do seu escritório, encarando Seul e seja lá mais o que ele estava fazendo, parecia admirar a cidade por completo.

— Finalmente você chegou.

Sua voz soou grave e autoritária.

— Vim o mais rápido que pude, senhor Shin.

Não pai ou appa ou abeoji. E sim senhor Shin. Era dessa forma que eu deveria me referir a ele naquele lugar. Esquecendo totalmente o fato de sermos uma espécie de família.

O homem virou-se para mim, encarando-me ali mesmo e deu passos curtos até a sua enorme mesa.

— Pode começar quando quiser — Ele se sentou em sua enorme poltrona.

Eu já sabia o que fazer, fazíamos isso a cada três meses. Era necessário que eu lhe passasse um relatório completo do desempenho do YS Project sem faltas ou atrasos.

Com palmas, as cortinas pesadas fecharam toda a vidraçaria deixando a sala escura em seguida. O slide já estava pronto, assim o projetor. Eu apenas me certifiquei de arrumar o arquivo o mais rápido o possível em meu MacBook.

Minutos mais tarde eu já iniciara a minha explicação sobre o relatório dos últimos três meses. Eu estava preocupada, os números não eram tão bons e eu já me preparava para uma bronca que poderia acontecer a qualquer momento, minuto ou segundo. O olhar do presidente Shin já dizia tudo o que eu estava pensando. Ali havia decepção, insatisfação, desgosto e um pouco de frustração. Também havia mais alguma coisa ali. Algo como... Mágoa? Não sei se poderia ser considerado mágoa. Era estranho.

— Como o senhor pode ver, as ações do YS Project tem caído cada vez mais — Disse o meu pai interrompendo a minha apresentação que não estava nem na metade.

— Mas eu tenho um plano para fazê-las voltarem a subir.

— E eu recebi mais de sessenta cartas dos acionistas de Londres dizendo que o seu projeto é uma piada para a empresa.

— Uma piada?

Eu não o olhava com confusão, mas já conseguia interpretar até onde aquela reunião iria e como ela iria acabar.

— Eu disse no inicio que não iria render muita coisa, Hana.

— E eu sempre deixei claro que isso era um fato, já que esse projeto é para ajudar pessoas e não para arrecadar dinheiro!

Eu estava me alterando e deixava que a emoção tomasse conta de mim. O número de adolescentes e crianças que teriam os seus sonhos barrados por causa de acionistas gananciosos era gigante. A decisão de acabar com um sonho de anos era do meu pai, era ele que tinha todo o poder para fazer o que bem entendesse. Ele que era o acionista controlador e tinha absolutamente toda a empresa nas mãos.

— E você acha que somos caridosos? Acha que essa é uma empresa de caridade? Eu não vou mais gastar o meu dinheiro com essas bobagens que você inventa.

— O senhor ao menos abria os vídeos que eu lhe enviava? Enxergava o rosto feliz de todas aquelas crianças por estarem realizando um sonho? — Dei passos em sua direção. — Todo o dinheiro que essa empresa investiu em bolsas de estudo mudou vidas nesses quatro anos e isso não fez nem cócegas no seu bolso. — Nem daqueles acionistas idiotas. Completei em pensamento.

— Que seja! Assim que o ano se encerrar, o projeto se encerra também.

— E o que isso vai lhe trazer? Mais uma decisão idiota para a lista? — Me exaltei.

— Está me insultando, Shin Hana? — Seu tom de voz aumentou e ele se levantou, olhando diretamente nos meus olhos.

— Estou tentando te mostrar que a minha mãe estaria totalmente decepcionada se ela ainda estivesse viva para ver o tipo de homem que você se tornou.

Aquele foi o ápice da nossa discussão.

Vi o meu pai ficar completamente vermelho, de raiva, mas o que realmente me chocou foi o que ele gritou em seguida:

— Eu quero que você saia desse escritório agora! — Seu rosto já estava completamente vermelho. — E saiba que esse seu projetinho de criança vai acabar, nem que seja a última coisa que eu faça!

Não disse mais nada, apenas dei passos pesados até a porta. Passei por ela e a fechei com toda a força o possível. As pessoas que estavam no corredor se assustaram com o barulho e olharam diretamente para mim. Eu pouco me importei. Saí andando rapidamente já que só queria ir para casa e cair na minha cama, onde eu poderia gritar de raiva entre as minhas almofadas e ursos de pelúcia.

Aquele dia tinha sido bom demais para ser verdade. Eu sabia bem no fundo que algo de ruim aconteceria, mas não sabia que seria no nível de acabar com a vida de milhares de pessoas importantes para mim.

Eu não conhecia aquelas crianças, não vi nem um quarto delas pessoalmente, mas o que eu conseguia enxergar nos vídeos e nas fotos, eram crianças com um brilho de esperança nos olhos. Eu sabia que terminar com aquele projeto destruiria sonhos. E não só daquelas crianças. O sonho de Na Yeon So iria durar menos que cinco anos e eu não poderia fazer nada para impedir. (nota da autora: YS Project = Yeon So Project).

E quando eu entrei naquele carro, me deparei com Joohyun que já abria os braços para que eu me derramasse em lágrimas no conforto do seu abraço. E assim eu fiz. Eu desabei em um choro alto e cheio de súplica. Com o peito apertado e o coração dolorido.

Quando chegamos em casa, Na Jaemin já descia as escadas para me confrontar, mas parou no momento em que viu o meu estado e não disse absolutamente nada. Apesar de eu odiar o meu primo, ele sabia respeitar o meu espaço e sabia quando eu não estava bem para absolutamente nada.

Só tirei o uniforme da escola e tomei um banho porque Joohyun me obrigou, ao contrário eu já teria caído na cama de qualquer jeito. No fim de tudo ela me deixou sozinha após cuidar de mim com tanto cuidado que eu pensei que por um lado fosse a minha irmã mais velha. Mas aquele era o trabalho de Bae Joohyun. Cuidar de mim. Cuidar da princesa indefesa e aprisionada em uma mansão assombrada.

Me encolhi na cama e chorei até pegar no sono.



Notas Finais


Alisson Becker¹: é um futebolista brasileiro que atua como goleiro. Atualmente joga pelo Liverpool.
(Fonte: Wikipédia)
Em caso de dúvidas, é aquele goleiro mó lindo que jogou com o Flamengo lá em 2019...

Meu povinho, se vocês estiverem gostando da fic, deixem o seu comentário aqui em baixo para eu saber e lembrem de favoritar ela 💞💞💞


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