História Até que a Morte nos Separe - Capítulo 6


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Categorias The 100
Personagens Anya, Clarke Griffin, Emori, Indra, Jasper Jordan, John Murphy, Lexa, Maya Vie, Octavia Blake, Personagens Originais, Raven Reyes, Roan
Tags Clexa
Visualizações 181
Palavras 2.653
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Mais um capítulo galerinha.

Capítulo 6 - Sra. Schulz


Assim que Lexa chegou à entrada do galpão, foi abordada por um soldado que a levou até Ontari.

- Ah, 130268. Preparada para perder essas lindas madeixas? – Ontari perguntou rindo e fez um gesto de quem pegaria nos cabelos de Lexa. Instintivamente esta recuou um pouco. Ontari então agarrou com força seus cabelos e puxou-os – Vai ficar sem eles, judia desgraçada!

Ela fez sinal para outro soldado e fez Lexa se sentar. Imediatamente o soldado começou a cortar os cabelos da morena de qualquer jeito, fazendo-os ficarem bem curtos, cheios de pontas. Lexa tentou se fazer de forte, mas algumas lágrimas escorreram por sua face. Pelo menos ela sabia que eles cresceriam novamente.

Ela se dirigiu para onde estava seu beliche. Somente neste caminho ela começou a reparar nas outras mulheres do local. Todas tinham cabelos bem curtos. Lembrou então que Octavia e Luna também tinham cabelos bem curtos. Algumas das mulheres tinham a cabeça quase raspada.

Ao chegar ao seu espaço, notou que sua mãe e amigas também haviam tido seus cabelos cortados.

- Filha... – Indra disse triste, passando a mão pelos poucos cabelos de Lexa – Você tinha os cabelos tão lindos...

- Ah, bem... eles vão crescer de novo. – Ela disse.

- E eles vão cortar de novo. – Disse Octavia – Eles fazem isso por causa dos piolhos.

- Piolhos? – Assustou-se Anya.

- Sim. Este lugar é infestado de piolhos e as pessoas correm riscos de doenças. Se a gente pegar uma doença dessas, que Deus nos ajude.

- Que tipo de doença? – Perguntou Lexa.

- Tifo, pro exemplo.

Lexa lembrou-se de um senhor na sua cidade que pegou tifo. Ele não durou nem uma semana. Os médicos não conseguiram curá-lo. Ficou imaginado isso acontecendo em um lugar como aquele, muito pior que Bolzano. A morte seria ainda mais rápida.

- Quando chegamos, eu vi alguns bichinhos subindo na madeira do beliche. – A morena disse.

- Se você ver, mate! – Disse Octavia – Como o banho é restrito aqui, as chances de termos piolho é maior.

- Uma  menina que trabalha comigo na lavanderia me disse que várias pessoas saíram para tomar banho ontem. – Disse Luna – Sabe o pior? Ela não lembra de ter visto nenhuma delas hoje.

- Valha-me Deus! – Exclamou Indra.

- A desculpa é tomar banho? Eu ficarei sem banho então. – Raven se manifestou.

- Você não tem escolha. Eles determinam quem vai tomar banho. A menina me disse que reparou que foram muitas crianças e idosas. – Disse Luna.

Todas a olharam horrorizadas.

- O que será que fizeram com elas?

Luna deu de ombros.

- A gente presume o que aconteceu, mas “como” é que não sabemos.

Lexa ficou imaginando o que acontecia nesse “banho”, se é que existia algum.

- Mãe, amanhã mesmo a senhora vai dizer que é costureira, ok? Não deixe de dizer isso.

- Filha...

- Só diga isso, mãe! – Lexa disse firme.

A morena respirou fundo. Pensou o que poderia acontecer com elas dali para frente. Ela parecia mais segura que as outras, trabalhando na casa do Coronel, mas talvez não segura do próprio Coronel. O que ele queria com ela? Ele tinha esposa, o que nada significava para ele, aparentemente. Se ela dissesse a ele que não gostava de homens, seu destino seria decidido em segundos. Ela tinha que dar um jeito de que Clarke sempre estivesse ao seu lado, na presença do Coronel, mas não podia contar a ela, apesar de querer muito. Aquele homem não merecia Clarke. O pouco tempo que estivera com ela, já dava para ver o quão diferente ela era de toda aquela corja que tomava conta daquele lugar. Lexa achava que nem Clarke estaria segura ali. Ela teria que ajudá-la também.

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Clarke voltou do banheiro, encontrando o marido sentado na cama, lendo alguns papéis.

- Finn, o que você disse à Lexa antes de ela sair daqui?

Ele levantou o olhar, franzindo a testa.

- Lexa? Quem é Lexa? – Ele perguntou.

- Como quem é? A professora do Rolf.

- Ah, a 130268. Você deveria chamá-la assim.

- Não a chamarei por um número, Finn. O que disse a ela?

- Não disse nada! Apenas ordenei que me servisse. – Clarke estreitou os olhos para ele – Por quê?

- Ela estava meio esquisita quando saiu, mas não quis me dizer o que aconteceu.

- Você está vendo coisas, Clarke. Não aconteceu nada! – Ele a encarou – Se acha ela esquisita, podemos buscar outra dessas e...

- Não! – Clarke apressou-se em dizer – Gostei dela e Rolf também. Ela é educada e me parece gostar de crianças.

- Ótimo!

Clarke mordeu o lábio inferior.

- Ah... Finn... eu pensei se você podia arrumar mais um uniforme para ela. Digo, ela tem que estar limpa para dar aulas ao nosso filho.

Fimn balançou a mão.

- Faça o que quiser! Fale com Ontari, que ela arrumará para você. – Ele voltou sua atenção aos papéis.

Clarke sorriu. Lexa ficará feliz.

- O que tanto lê aí?

- É uma carta do Reich. Terei que ir a Berlim, mas voltarei o quanto antes. Cage e Emerson darão conta na minha ausência.

Clarke apenas assentiu. Se Finn lhe dissesse isso no dia anterior, ela insistiria para que ele a levasse com ele, porém se viu ansiosa pelo dia seguinte e a certeza de que encontraria a italiana, que não saiu do seu pensamento desde que deixara a casa mais cedo. Ela queria ajudá-la. Se Clarke pudesse, ela livraria todas aquelas pessoas do destino cruel que estava sendo imposto a elas. Ela sabia que era um pensamento utópico, mas ela faria de tudo para livrar pelo menos uma: Lexa.

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Lexa acordou com barulho de pessoas saíndo de suas camas. Ontari ordenava e batia nas mulheres que demoravam um pouco mais. Lexa decidiu descer da cama também, acordando sua mãe.

- O que está havendo? – Lexa perguntou à Octavia.

- Não sei. – Ela respondeu franzindo a testa.

Ontari se afastou um pouco das mulheres, colocando-se de frente para o enorme grupo.

- Ok, imprestáveis. Tenho aqui uma lista de tarefas e preciso de algumas de vocês para fazê-las. – Ela berrou e foi andando entre as novatas que haviam chegado no trem de Lexa.

Ela se aproximou de uma moça que deveria ter a idade da morena.

- Você! Vai para lavanderia.

A mulher assentiu de cabeça baixa.

Ontari se dirigiu até onde estava Lexa. Esta franziu a testa, mas Ontari falou com Anya.

- Você vai para o setor de objetos. Vai ficar separando os pertences das pessoas.

Anya a olhou meio abobalhada, sem se mexer. Lexa olhou para ela.

- Vai logo! – Ela sussurrou para a amiga, que foi para onde Ontari havia apontado.

Raven suspirou.

- Ela se deu bem.

- Você! – Ontari apontou para Indra. Lexa passou o braço sobre o ombro da mãe. – Humm, são próximas, 130268?

- Ela é minha mãe.

- É bom saber. – Riu Ontari – Acho que a senhora está precisando se um banho.

- Não! – Lexa exclamou e imediatamente tomou com o ferro no ombro. Ela fuzilou Ontari com o olhar  – Desculpe, Tenente. – Disse entredentes – Minha mãe pode costurar. Ela costura muito bem.

- E daí? Eu só estou dizendo que ela precisa tomar banho. – E foi se afastando.

Lexa pensou rápido e rasgou um pedaço da manga de seu uniforme.

- Tenente! – Ela chamou e Ontari se virou. A atenção de todas estavam nelas  – Veja como está isso! – Ela mostrou seu próprio uniforme. De canto de olho ela pôde ver outras prisioneiras rasgando seus uniformes.

- O meu também não está bom. – Uma mostrou á Ontari.

- A manga do meu também está caindo. – Outra disse mais adiante.

-E o meu também. – Octavia mostrou a bainha do seu, que ela havia, discretamente, acabado de arrancar.

Lexa tinha lágrimas nos olhos pelo que as outras estavam fazendo pela sua mãe.

- Temos outras que podem fazer isso. Talvez, depois do banho, sua mãe possa fazer isso, 130268.

Ontari fez questão de frisar o número para irritar Lexa. As lágrimas escorriam livremente pelo rosto da morena agora.

- O banho será depois do almoço. Aliás, você não tem que ir para a casa do Coronel agora, judia? O que ainda faz aqui? – Ontari disse e saiu andando, recrutando outras presas.

- Lexa... – Indra começou.

- Não, mãe! – Ela disse enxugando suas lágrimas – Eu não vou me despedir da senhora, porque isso não vai acontecer, está entendendo? Nem que eu vá no seu lugar para este maldito banho.

- Talvez seja apenas um banho, realmente. – disse Indra.

Lexa viu Octava e Luna sacudirem a cabeça.

- Talvez, se eu pedir ao Coronel. – Lexa já estava pensando no que poderia oferecer a ele em troca e estremeceu só com o pensamento, mas se precisasse se entregar ao Coronel para proteger sua mãe, ela faria.

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- Eu já estou indo, Clarke.

A loira foi até a porta e deu um leve beijo em Finn, antes desse sair. Clarke foi até a janela e o viu arrancar com o carro. Da mesma janela ela pôde alguém se aproximando, um pouco encolhida pelo frio. Quando olhou bem, percebeu ser Lexa. Haviam cortado seus lindos cabelos. Clarke deixou uma lágrima descer pelo rosto e enxugou-a rapidamente, assim que ouviu a morena bater em sua porta. Assim que abriu-a, Lexa levantou seu olhar para ela e caiu em prantos.

- Lexa, o que... o que houve?

- M-Minha mãe. Eles vão l-levá-la, Clarke. – Foi a única coisa que Lexa conseguiu balbuciar, entre soluços.

Clarke ficou sem ação, momentaneamente, mas acabou falando:

- Calma, Lexa. Vem! Sente aqui!

Lexa a acompanhou até o sofá da sala.

- Eu preciso falar com o Coronel Schulz. Eu preciso, eu... eu quero pedir misericórdia a ele.

Clarke balançou a cabeça com lágrimas nos olhos.

- Finn foi a Berlim, Lexa. Só deve voltar em uma semana.

Lexa não se conteve e abaixou-se no colo de Clarke, pousando a cabeça em seu ventre, chorando que nem criança. Clarke titubeou apenas por poucos segundos, antes de fazer um carinho em sua cabeça, agora com cabelos bem curtinhos.

- Eles não vão, Lexa. Olhe para mim! Olhe! – Clarke disse e ergueu o rosto da morena para que a encarasse – Esta na hora de eu finalmente fazer uma visita a esses galpões.

Lexa balançou a cabeça.

- Isso vai ser ruim para você, Clarke.

- Apenas me diga o que sua mãe pode fazer. Diga e eu darei um jeito.

- Clarke...

A loira a encarava tão profundamente que Lexa se arrepiou.

- Minha m-mãe... ela c-costura.

Clarke assentiu e se levantou. Foi até o quarto do filho e este ainda dormia profundamente.

- Você fique aqui, Lexa, para o caso de meu filho acordar.- Ela disse, pegou um grosso casaco do armário e vestiu.

- O que você vai fazer?

Clarke a olhou.

- O que a minha consciência está mandando.

Lexa a olhou petrificada.

- O Coronel...

- Com meu marido, eu me entendo. Não se preocupe com ele. – Clarke a encarou – Em que galpão vocês ficam e qual é o nome de sua mãe?

- Galpão 3. O nome dela é Indra Piacelli.

Clarke assentiu e saiu porta à fora. Pela janela Lexa viu a loira dirigir-se ao Galpão 3.

Assim que entrou no galpão, Clarke percebeu que Ontari ainda estava por lá.

- Tenente Weiss! Como está?

Ontari se virou para a entrada e arregalou os olhos ao ver Clarke. Todas as cabeças viraram-se para elas.

- Sra. Schulz? Eu... ah... eu estou bem. – Ela franziu a testa – Não esperava a senhora por esses galpões.

- Ah, querida, nem eu, nem eu. – Disse com falsidade.

- O Coronel sabe que está andando por aqui? – Ela perguntou.

- O Finn foi a Berlim, por quê? Acha que ele me proibiria de vir aqui?  Será que eu também tenho que ficar trancafiada nessas instalações?

Alguns murmúrios foram ouvidos entre as presas.

- Calem a boca! – Gritou a Tenente - Desculpe, senhora. Não! Não foi isso que eu quis dizer.

- Ok, ok, querida. Não precisa se explicar – Clarke balançou as mãos – Mas quer saber por que vim aqui? Então, acontece que estou com problemas em algumas de minhas roupas e elas estão precisando de consertos, sabe como é, certo?

Ontari franziu a testa.

- Se a senhora quiser, eu posso...

- Não se preocupe, Tenente. Sabe, antes de vir pra cá, uma grande amiga minha, italiana, comentou comigo que ela tinha uma ótima costureira lá perto de onde ela morava. Ela não deixava ninguém botar as mãos nas roupas dela, a não ser essa senhora. Confiança é confiança, não é? – A loira sorriu para Ontari – Bem, como esta costureira era judia, calculei que ela estivesse por aqui... – Clarke olhou em volta – Indra Piacelli – Ela disse em voz alta.

Octavia e Raven sorriram.

- Eu sou Indra Piacelli. – Disse Indra, levantando-se.

- Ótimo! Que bom que a encontrei! – Clarke foi em sua direção.

Ela olhou de relance para Ontari, que apertava tanto seu bastão de ferro, que os nós de seus dedos estavam brancos. A cor contrastava com a vermelhidão de seu rosto. Seu maxilar estava travado.

- Sra. Schulz, acho que posso arrumar-lhe alguém mais competente. – Disse Ontari.

- Ah, não é necessário, Tenente. Como eu disse: confiança é confiança. – Ela sorriu e se virou para Indra – A senhora pode me acompanhar até minha casa?

Indra assentiu.

- Essa é a mãe da Alexandra, mas acho que a senhora sabe, não é? – Ontari disse faiscando.

- Alexandra? Quem é Alexandra? – Clarke se fez de besta.

- A moça que vai ser professora de seu filho.

- Ah..., desculpe, Tenente, acho que há um engano. A professora do meu filho é a 130268. Finn fez questão de me dizer isso. - Ontari trincou os dentes de ódio.

Clarke começou a caminhar com Indra para a saída do galpão.

- A senhora não precisava se preocupar em vir até aqui para estas coisas mais bobinhas. Pode me chamar, que eu me encarrego disso. Isso vai lhe evitar o incômodo.

Clarke estava quase saindo, quando se virou.

- Acredite Tenente, não foi incômodo algum. E nós temos definições bem diferentes do que é “bobinho”. O que vim fazer aqui está me dando uma imensa alegria. – Ela parou e continuou – Afinal, eu tenho que estar bem vestida para o meu marido, não é, Tenente?

Ontari deu um quase imperceptível balanço de cabeça, assentindo, mas fuzilando Clarke com o olhar. A loira não se preocupou em olhar mais para trás.

- Sra. Piacelli, acabei de arrumar uma inimiga. – Clarke disse, apontando o galpão com a cabeça, mas sorrindo.

Indra sorriu.

- A senhora pode ter arrumado uma inimiga, mas pode ter certeza que arrumou centenas de amigas também.

Clarke sorriu de orelha a orelha.

Assim que Clarke abriu a porta e entrou em casa com Indra, viu Lexa voar para os braços da mãe, chorando. As duas choravam.

- Clarke, o que você... o que fez?

- Ora, eu tenho dezenas de roupas precisando de bainha. Algumas com botões soltos. Outras precisando de um aperto aqui e outro ali.

Lexa a abraçou. Na hora ela não ligou que ela fosse uma judia, destinada a ser morta naquele lugar e a outra fosse uma alemã, esposa de um Coronel nazista.

- Obrigada. Obrigada. Meu Deus! Muito obrigada!

Clarke retribuiu o abraço com vontade, chegando a fechar os olhos. Quando os abriu deu de cara com Indra. Esta tinha um sorriso de canto de boca.

- Eu... ah... Lexa... – Ela se afastou um pouco – Não precisa me agradecer. O que acontece nesse lugar é contra tudo o que eu acredito e apoio. No que eu puder ajudar, eu farei.

Lexa sorriu enxugando as lágrimas. Indra ficou olhando a interação entre as duas mulheres e apenas sorriu. Ela estava vendo nascer algo que acreditava que nenhuma das duas estava percebendo ainda. Ela suspirou. Que Deus esteja com elas.


Notas Finais


Obrigada pelos comentários, pessoal. São eles que nos dão força para continuar escrevendo.


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