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História Até que Charlie nos separe - Capítulo 6


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Notas do Autor


Olá, olá, cerejinhas!!
Como vão nesta bela tarde de sexta-feira?
Espero que esse capítulo mudem a visão de Pontos de Ônibus para vocês.

Boa leitura ⏳

Capítulo 6 - Jogada certa


Fanfic / Fanfiction Até que Charlie nos separe - Capítulo 6 - Jogada certa

  Marina avaliou a bunda de Leon enquanto ele andava em direção à saída. Suspirou amarga quando o viu desaparecer na penumbra do jardim, virando-se para encarar ao pai.

— Qual é o seu problema? Não pode falar com Leon assim.

  O homem se levantou, acenando para dentro da casa. A mulher também se levanta para segui-lo.

— O que você está fazendo é errado Marina. Desista logo, vai acabar machucando o garoto.

— Você me conhece, estou disposta a ir até o fim — seu tom determinado chegava a ser assustador. — Então, quando meu lindo noivo dizer "eu aceito" você vai me promover a diretora e ir pra Portugal, para sua aposentadoria tranquila junto com a mamãe. Ou ser preso.

— Ainda com essa história?

— Não sou de desistir fácil — deu de ombros.

  A casa estava escura, fazendo com que Marina tropeçasse três vezes enquanto falava, tentando achar à saída.

— O garoto está apaixonado Marina, quer mesmo fazer isso com ele? — Charlie insistiu, começando a ficar sem argumentos.

— Não estou obrigando Leon a nada — engoliu em seco, essa informação era nova. — O senhor não quer acreditar? Tudo bem. Mas nada que diga vai me impedir, eu amo o Leon e vamos até o fim.

  Charlie bufou quando viu a filha ir em direção ao portão. Ele sabia que o casamento era uma fraude, e ela sabia que ele sabia, e ele sabia que ela sabia que ele sabia. Ele parecia ser o único disposto a falar sobre o elefante na sala.

  Pelo menos, depois que tudo isso acabasse, poderia juntar sua filha com alguém direito e deixar seu legado em mãos capacitadas.

  Voltar para dentro de casa não era uma opção, mas Marina pensa nisso quando não vê Leon por perto. Incapaz de imaginar uma coisinha tão bonitinha quanto Leon andando por uma estrada escura sozinho, ela cogita pedir ajuda. Sabendo que seu pai era um possível psicopata, ele opta por começar a procurá-lo sozinha, presumindo que ele ainda deveria estará perto.

  Poucos metros a frente ela consegue enxergar os all star pretos de Leon, sorrindo levemente pela forma como seus pés se mexiam de um lado para o outro.

— Você está bem, amigo? — falou alertando sua presença.

  O homem se assusta um pouco quando sua voz corta o silêncio.

— Acho que sim.

  Leon está sentado em um banco do ponto de ônibus. Marina se senta ao seu lado, o estreito banco do ponto gelado, fazendo com que seu frio aumente.

— Desculpa pelo meu pai — sorriu meio sem graça.

— Está tudo bem, eu conheço o senhor Charlie.

— Não, ele não tinha o direito de falar com você assim — inclusive pelo fato de você realmente estar apaixonado por mim e o que ele disse possivelmente ter esmagado todas as suas esperanças. É óbvio que Marina não disse essa última parte.

  Leon suspira, as mãos indo em direção ao cabelos, cachinhos saltando para o lado com o movimento. Tão fofo!

— Acho que ele faz um bom papel de sogro indignado — soltou uma risada  fraca. — Marina, se ele sabe que tudo é mentira, por que ainda está insistindo nisso?

— Ele não sabe que é mentira querido, ele apenas sabe que não é verdade.

— Não é a mesma coisa?

— Sim — deu de ombros. — A questão é, vamos insistir! Uma hora ele vai ter que reconhecer que estamos apaixonados, o que é totalmente possível.

— Sério? — Leon tentou não deixar suas expectativas aparentes. — Você não parece o tipo que se apaixona por carinhas como eu.

— Está brincando? Você é totalmente o protagonista de um clichê adolescente, obviamente vou me apaixonar — Marina empurrou Leon com o ombro enquanto ria da sua expressão assustada. — Você ainda quer fazer isso? Digo, o casamento.

  Marina não era burra, ela sabia que Leon gostava dela. Ok, ela só descobriu porquê esse era um dos principais argumentos do seu pai. Do contrário, ela apenas pensaria que Leon era um homem reservado.

  De qualquer forma, o acordo já estava oficializado antes que ela soubesse. Suas intenções nunca foram magoar Leon e ela tinha noção do quão terrível um casamento de fachada poderia ser para ele, mas a palavra final foi dele, então deveria estar tudo bem. Certo?

— A resposta ainda é a mesma.

  Leon sentiu vontade de passar o braço pelos ombros de Marina, mas se contentou em devolver o sorriso alegre da mulher.

— Leão, por que Willian falou de você pro meu pai? Vocês não são amigos?

— Somos mais como rivais, Willian também quer a promoção. Só percebi isso quando falou que ele era uma opção.

  Marina murmurou alguma coisa, os olhos grudados na estrada, enquanto os carros passavam velozes entre intervalos regulares. A única luz proveniente vinha dos postes, e ela achou que Leon ficava bonito embaixo da coloração amarelada.

— Willian está dificultando a sua vida?

— Hum... Não? — ele estranhou a pergunta. — Sempre brigamos, a diferença é que, agora senhor Charlie parece disposto a escutar suas reclamações.

— Então ele é como aqueles pedaços de abacaxi que vem no iogurte?

— Que tipo de analogia é essa? — fez uma careta.

— Eu comprei um iogurte e ele tem esses pedaços irritantes de abacaxi dentro. E essa coisa não serve pra nada, o abacaxi é mole e, particularmente, eu prefiro não comer pedacinhos de frutas que estão dentro de um pote há meses.

— Oh! Willian é um abacaxi.

— Sim — Marina bateu palmas satisfeita por ter sido entendida. — Você sabe o que fazemos com o abacaxi, Leão? — e então ela ficou mais séria. — Nós jogamos ele fora.

  Leon não respondeu, saltando apenas uma risada fraca quando Marina disse que estava brincando.

— Certo, já que ainda vamos casar e é meu pai quem vai pagar, precisamos sair um dia para criarmos a pior e mais cara cerimônia de todos os tempos — Marina desviou do assunto, descascando a tinta do banco enquanto falava. — Estava pensando em algo excêntrico.

— Como se Lady GaGa e Joelma se casassem, o Faustão fosse o mestre de cerimônia e os convidados todos umpa-lumpas?

— Exatamente! Com a decoração do Homem-Aranha, comida vegana e luzes neon.

— Podemos ter um carrossel? Sempre quis andar em um.

— Com toda certeza meu querido.

  Por um momento Marina tomou consciência de onde estavam sentados. Os carros pararam de passar por um minuto, deixando a estrada completamente escura.

— É melhor saímos daqui, é noite de lua cheia — comentou despreocupada, já se levantando do banco.

— Claro, Rainbow — droga Leon, de novo o apelido. Rápido! Fala alguma coisa antes que ela pergunte. — Pontos de ônibus são meu canto da derrota.

— Não é melhor ir a um bar?

— Não gosto de beber — ele seguiu Marina em direção a casa de Charlie. — Tem algo de deprimente em pontos de ônibus, então sempre que estou chateado vou para o ponto mais próximo.

— Parece uma características única de algum personagem que ninguém se importa quando ele diz, mas que vai ser essencial para o desfecho da trama.

— Talvez — Leon não tinha certeza se deveria concordar. — Quando vamos sair de novo?

— Domingo que vêm parece legal, podemos ir pra minha casa e planejar nossa cerimônia.

  Não demora para que ele e Marina estejam de volta à estrada, ainda em silêncio, dessa vez porque Leon está com muitos pensamentos na cabeça para continuar a conversa.

  Essa foi a primeira vez que ele conseguiu conversar com Marina como um ser humano normal, seu coração não pode deixar de elogiar sua performance.

— Isso aí garanhão! Agora ela sabe como é a sua voz.

— Já falei que isso vai dar errado — o estraga prazer, vulgo cérebro, retrucou.

— Não seja assim, tivemos uma evolução aqui.

— Marina só quer usar nosso corpinho sedutor para enganar o senhor Charlie — pela primeira vez seu estômago se pronúncia, ele pareceu concordar com o cérebro.

— Ela super quer a gente na cama dela, só aguardem — ah o coração, sempre tão positivo.

— Espero que não tenhamos que fazer muito para isso, seria horrível se envolver em alguma situação perigosa que provavelmente levará a morte apenas para ter o amor de Marina — o cérebro definitivamente não sabia do que estava falando.

•••

  Se foi o vinho ou excesso de adrenalina ele não sabe, mas se isso fez ele conseguir falar com Marina ele estava disposto a continuar investindo.

— Não! Essa ideia é horrível — Tag gritou quando ouviu. — Não pode se entregar ao álcool por causa de uma mulher.

— Calma aí maninha, foi só uma sugestão — bagunçou seus cabelos, correndo em direção à cozinha. — Mas realmente preciso pensar em um jeito de falar com Marina, como ela vai me amar se eu nem consigo abrir a boca?

  A vasilha de salada foi colocada em cima do balcão, em meio a bagunça de outros ingredientes. Domingo era o dia de folga de Leon, o que significava que o almoço era por sua conta.

  Tag surgiu na porta, assoviando distraída quando contemplou a bagunça feita pelo irmão.

— Céus, como você pode ser um editor e tão bagunceiro ao mesmo tempo?

— O que as duas coisas tem em comum?

— Editores não organizam as palavras ou algo assim? Você deveria ser organizado.

  Tag fez uma careta quando cutucoi um mancha na parede, parecia ser mostarda, o que não fazia sentido, considerando que não tinham o molho em casa.

— Não entendo a dificuldade em falar com a Senhorita Arco-íris.

— Eu não encontro assunto, minha voz se perde e fica baixa, e Marina fica me encarando com aqueles olhos, e nosso, aqueles olhos — suspirou. — São "uau" entende?

— Espero nunca entender.

— Vai entender um dia — Leon a ameaçou com uma espátula. — E quando você começar a falar desse garoto eu vou revirar os olhos e fazer comentários sarcásticos igual a você.

— Acho que você não tem essa capacidade — defendeu-se, soando um pouco mais áspera do que deveria.

  O cheiro incômodo do feijão queimando tirou de Leon a vontade de acertar alguns amendoins na cara de Tag, tendo que correr para desligar à panela. A garota aproveitou para beliscar um pedaço do frango, escorando-se no balcão, interessada em observar o desastre iminente que era seu irmão.

— Pelo que me contou, Marina já deve saber que você gosta dela.

— É claro que não — bateu a cabeça no armário. — Eu surtaria se ela soubesse.

— O nome disso, meu caro, é negação.

— Por que você não vai ver seus programas de moda e conversamos depois?

— Porque é divertido te ver girar igual barata tonta na cozinha enquanto tenta cozinhar.

  Leon não responde, ocupado demais tirando a casca da cebola do meio do arroz. Leon, Leon, que tipo de pessoa esquece de descascar uma cebola?

— Seguinte, vou te dar a dica de ouro quando se trata de flerte, toda vez que você não souber o que dizer, manda uma cantada.

— Não sei nenhuma cantada Tag, só aquelas de pedreiro.

— Por favor, não, a menos que você queira levar um soco. Marina parece o tipo de pessoa que te socaria.

— Ela com certeza faria — o fogo do feijão ainda está ligado Leon!

— Bom, se você não sabe nenhuma cantada, diz uma curiosidade aleatória — ela bebericou um copo de água que encontrou. — Se está sem assunto, curiosidades inúteis é uma ótima forma de começar.

— Tem certeza? As curiosidades que conheço podem ser um pouco chocantes.

— Claro maninho, confia em mim — Tag sorriu sapeca, imaginando diversas situações com Leon passando vergonha. — Só tenta não falar nada muito obscuro.

  Mas Leon não ouviu, ocupado demais tentando controlar o caos que estava sua cozinha. E, ei, o feijão ainda está queimando!

•••

  Na segunda-feira de manhã, Marina e Willian são uns dos primeiros a chegarem ao escritório. Segunda é dia de reunião, e Marina, como jornalista, recebe as informações que precisa escrever, lugares para ir e pessoas para entrevistar. Nada muito interessante.

  Estava um pouco cedo, o suficiente para ninguém causar um tumulto quando ela caminhou na direção de Willian, escorando-se na mesa e mexendo com um porta-canetas que ficava no canto.

— Senhorita Amaral, posso ajudar?

  Willian pareceu divertido quando a cumprimentou, qualquer um pode notar que o homem era tendencioso em suas falas, tendo um senso de humor ácido e sabendo se aproveitar das situações para alcançar seus objetivos.

— Willian! O homem que procurava — exclamou alegre. — Ultimamente tenho ouvido muito sobre você — ela retirou uma das canetas, a girando entre os dedos, sua voz soando doce, quase aveludada. — Quanto tempo trabalha como editor? Dois anos?

— Dois anos e meio na verdade — sorriu com orgulho.

— Bom. Isso é muito bom Willian.

  A caneta vai em direção aos lábios, avaliando a tensão que cobre o corpo do homem, enquanto ele a olha sem entender.

— Eu posso ajudar em algo?

— Fico feliz que tenha perguntado — ela sorriu um pouco, inclinando-se para frente de forma provocadora. — Fica longe do Leon.

  O sorriso malicioso de Willian some quando ele pronuncia um fraco: O quê?

— Você sabe, eu sei de tudo que acontece aqui e tenho ouvido algumas coisas realmente desagradáveis. Não quero saber de você fazendo a caveira do meu noivo pro meu pai — e de repente sua voz não pareceu mais tão encantadora, apesar de José, o pauteiro sentado na mesa ao lado, ainda julgar como sexy pra caramba. — Não seria divertido se você fosse demitido quando eu for a chefe.

— Está me ameaçando, senhorita?

— Estou — ela cutucou o peito de Willian com a caneta. — Eu e Leon vamos casar e em breve eu serei sua chefe, então é melhor escolher seu lado pequeno Willian, você pode ficar comigo, contra mim ou apenas calar a boca e fazer o seu trabalho, como um bom editor imparcial.

— Todo mundo sabe que esse casamento é de fachada.

— Fachada ou não, o resultado é o mesmo — Marina levantou-se da mesa, juntando os cabelos e amarrando os fios com a caneta que roubou. — Então, seja bonzinho com Leon e eu vou ser boa com você.

  Marina terminou de arrumar o cabelo, indo em direção ao elevador deixando José e Willian chocado.

— O que o Leon fez pra conseguir isso? — ele se ajeita na cadeira, desconfortável. — Bastardo sortudo.

  Nessa tarde, quando Leon retornou a sua mesa após a reunião, ele tem um bolinho deixado por Marina e o dia livre das queixas do sr. Charlie.


Notas Finais


Eiiuuuu!! Acabouuu!
Espero que tenham gostado. Acho que não tenho nada para comentar aqui hoje.
Beijinhos caramelados ⌛


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