História Até que minhas máscaras caíam e eu quebre por inteiro - Capítulo 1


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Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Christophe Giacometti, Minako, Phichit Chulanont, Victor Nikiforov, Yakov Feltsman, Yuri Katsuki, Yuri Plisetsky
Tags Angst, Baseado Em Música, Drama, Slow Burn, Universo Alternativo, Victuuri, Viktuuri
Visualizações 54
Palavras 1.491
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


- confesso que eu sou muito putinha do headcanon de que o viktor é frio e distante com todo mundo e o yuuri e algumas pessoas próximas são exceção
- sem beta e sem revisar porque eu sou preguiçosa
- tamo junto
- não sei mais o que dizer aqui

Capítulo 1 - Bom Homem



EU QUERO SER UM BOM HOMEM
SÓ PARA VOCÊ

Yuuri abriu os olhos ao sentir a sol em seu rosto. O quarto de hotel era pequeno, a cama posicionada paralela a janela de modo que sempre chegasse nele se não fechasse as cortinas. Gostava de acordar cedo, por isso não tinha costume de fecha-las. O celular na cômoda ao lado da cama estava apitando e ele grunhiu, irritado. Minako tinha o costume de não se importar com regras sociais, assim, a qualquer momento a agente surgia para lhe notificar algo. Às vezes, algo que nem precisava saber, mas que ela insistia em ser importante.

Minako: Já está acordado, Yuuri?

Minako: Lembra que hoje é o seu dia de sorte? Vai encontrar seu amado!

Ao ler as mensagens, Yuuri sentiu o coração acelerar. Hoje era o dia em que encontraria Viktor Nikiforov, anos depois da convenção em que se viram pela primeira vez, e agora se olhariam de igual para igual. Yuuri não mais seria apenas um fã de Viktor, e sim alguém que também estava alcançando fama internacional, pronto para alcança-lo e supera-lo. Só esperava, porém, que a fachada que estava construindo por todos esses anos não desmoronasse em frente a quem mais queria mostra-la. Queria que Viktor visse exatamente o homem confiante no qual havia se tornado, e quão grande havia sido a influência dele.

(x)

Após assinados os contratos, o primeiro encontro deles seria feito no saguão do hotel em que Yuuri estava, apenas os dois para que pudessem se conhecer segundo Minako, visto que Viktor não estava presente durante o acordo por conta de sua agenda lotada. Teriam café da manhã juntos, conversariam um pouco e deixariam que os rumores começassem a se espalhar. Nada muito lotado, nem ao olho público, para que não levantassem suspeitas.

Mesmo que soubesse que Viktor estaria ali, sentado e esperando-o, Yuuri sentia as mãos suarem de nervosismo. Todos os anos de tentativa e erro estavam sendo construídos para esse dia, o dia que o reencontraria. Não podia deixar sua ansiedade abatê-lo justo no momento em que menos precisava. Neste momento era Yuuri, ator que conquistara vários prêmios e reconhecimento por puro esforço e dedicação; não Yuuri, o fã que debulhava em lágrimas na frente de seu ídolo.

A descida de elevador até o saguão era rápida. Rápida demais para que Yuuri preparasse seus pensamentos. Mesmo assim, quando as portas se abriram, ele endireitou sua postura e arrumou os cabelos, jogando-os para trás. Era costume fazê-lo, quase um ritual para entrar na persona que criara. Assim que retirava os óculos, era um outro alguém. Encontrou Viktor de longe, acostumado a procurar seu cabelo prateado na multidão. Ele estava sentado sozinho com uma xícara na mão enquanto mexia em seu celular, sem ter notado que Yuuri o encarava.

Aproximou-se a passos incertos, sentindo as pernas tremerem. Assim que chegou perto da mesa, porém, Viktor acenou e apontou para a cadeira a sua frente. Ele vestia uma camisa preta de gola alta e calça jeans. Quase casual, mas não ao ponto de parecer confortável demais. Não carregava seu sorriso em forma de coração característico, porém Yuuri suspeitava que isso era algo que ele fazia apenas para os fãs. Sua expressão, na verdade, parecia extremamente distante, embora olhasse fixamente dentro do olhos de Yuuri.

― Bom dia, Yuuri.

― Olá, Viktor ― respondeu. Quase podia sentir os olhos das pessoas começando a se voltar para eles, curiosos, e a sua nuca parecia queimar. Controle-se. Era exatamente isso que queriam desde o começo, público. Publicidade. Gente de olho neles. ― Bom dia.

― Como vai? Eu não pedi nada para você, já que não sabia bem o que gostava. Se quiser, posso te pedir um café também ― Viktor disse, apontando para o menu jogado na mesa entre eles. Ele não olhava diretamente para Yuuri enquanto falava, prestando mais atenção, embora discretamente, nos seus arredores.

― Pode deixar que eu peço. Não gosto muito de café. No Japão, temos o costume de tomar chá.

― Hummmm ― o russo adicionou. Ele encostou o queixo em uma das mãos erguidas e encarou sua xícara de café. Parecia completamente desinteressado. Sendo sincero, parecia entediado. Entediado por estar na presença de Yuuri.

Por um momento, Yuuri achou que ele ia complementar o pequeno sussurro, mas Viktor não disse nada. Caíram em um silêncio desconfortável, e Yuuri conseguia sentir o suor escorrendo pelas costas embora o saguão não estivesse quente. O encontro estava acontecendo totalmente ao contrário do que esperava. Viktor era totalmente o contrário do que se lembrava ― não havia mais nada do homem animado e sorridente que o atendera há anos atrás ― e Yuuri não sabia bem como lidar com isso. Havia sido fachada o tempo todo, e esse era o Viktor de verdade? Yuuri construíra toda a sua personalidade em busca da dar orgulho a alguém que sequer existia?

Sentindo toda a sua confiança desmoronar, respirou fundo.

Por sorte, antes que o silêncio constrangedor se alastrasse ainda mais, um garçom apareceu na mesa deles, sorrindo, e atendeu a Yuuri. Ele parecia extremamente curioso com o que estava acontecendo ali e seus olhos demoraram em Viktor mais que o normal. Yuuri não o culpava, sabia que estava fazendo o mesmo: encarando seu ídolo abertamente como um idiota sem saber o que fazer, como se não tivesse se preparado tanto tempo para não fazer exatamente o que estava fazendo no momento.

― É sempre assim? ― Yuuri perguntou. Assim que as palavras saíram da sua boca, porém, sentiu-se um idiota. É claro que era sempre assim, Viktor era famoso pra caralho.

― O quê?

― As pessoas, te encarando, tentando ter um tempo contigo.

Inesperadamente, Viktor sorriu.

― Ah, Yuuri ― ele disse, e em seu tom a pena quase transparecia por completo. ― Você não sabe como é. Mas pode se acostumar, já que é isso que quer. Fama e sucesso, não é mesmo?

Encarou-o. A garganta estava seca, e torcia para que o garçom voltasse logo. Naquele momento, Viktor Nikiforov parecia muito diferente daquilo que as pessoas mostravam, e exatamente aquilo que alguns rumores afirmavam. Distante, desprovido de sentimentos. Quase uma casca sem nada. Yuuri queria sentir raiva por estar sendo tratado assim, mas sabia que era o único que tinha se iludido com alguém que nem conhecido direito. Se esse era o verdadeiro Nikiforov, teria que lidar com ele, já que ambos precisavam que esse relacionamento falso vendesse. Ambos precisavam um do outro ― e ambos estavam se usando diretamente.

Respirando fundo, Yuuri piscou algumas vezes para espantar as lágrimas. Depois, averiguou o homem a sua frente, que agora parecia levemente irritado com a demora em receber uma resposta. Os dois podiam jogar esse jogo. Yuuri não era idiota. Não ia estragar tudo por conta de esperança destruídas. Sabia que não seria fácil, que ele provavelmente nem se lembraria de quem era. Se Viktor queria bancar o sem coração, jogaria seu jogo. Não seria fácil de quebrar. E não gostava de perder. Nunca.

― Bom... ― permitiu-se sorrir, uma expressão forçada, um sorriso que tinha gosto amargo em sua boca. ― Espero que conquistado o que eu quero, não precise passar por isso de novo. Já que, você sabe, Viktor, ressurgir como o mocinho depois de ser tachado de vilão é algo infinitamente mais complicado.

O olhar de raiva foi o suficiente para Yuuri. Quase que automaticamente, o sorriso sumiu do rosto de Viktor e sobrancelhas franzidas tomaram conta. Ele não se moveu mais do que isso, mas o nó que se formou nas costas foi visível para alguém como Yuuri, que estava acostumado a ler as pessoas. Dói, não é mesmo?

Depois disso, o garçom voltou e eles não conversaram muito. Apenas tomaram seus cafés da manhã em silêncio, vira e mexe comentando algo a contragosto, mais para as aparências para aqueles que estavam assistindo do que por vontade própria. Por fim, Viktor recebeu uma ligação de seu agente e saiu às pressas, a expressão quase aliviada enquanto andava para longe.

Yuuri sentia o mesmo.

Assim que retornou ao seu quarto, porém, ele se permitiu desabar. Jogou-se na cama, fechou os olhos e esperou as lágrimas rolarem pelo seu rosto. A pessoa que o salvara há anos atrás não era nada além de uma mentira. Por consequência, tudo que havia construído tinha sido formado sobre uma ilusão. Sobre um alguém que definitivamente não se importava com ninguém além de si mesmo, e que parecia não sentir nada.

Um boneco.

Ao mesmo tempo que chorava por si mesmo, chorava por Viktor. Não sabia bem porquê, mas algo dentro de si lhe dizia que ele não era feliz. Que algo tinha feito com que ele ficasse desse jeito, algo que o tivesse destruído de dentro para fora com a força de um furacão. Chorava e rezava para que de algum modo as coisas para ele mudassem, porque ainda o amava, mesmo que fosse tudo uma mentira.

 


Notas Finais


qualquer coisa @BABYTSHOUTO no twitter

https://www.youtube.com/watch?v=7C2z4GqqS5E
sintam-se a vontade para ouvir a música, visto que tem muito dela no plot


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