História Atemporal: Viagem através dos tempos - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Almas, Casamento Arranjado, Magia, Troca De Corpos, Volta Ao Passado
Visualizações 7
Palavras 2.760
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, Literatura Feminina, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Espero que apreciem. Pode estar confuso, mas aos poucos explicarei. É isso.

Capítulo 1 - Prólogo


Impacientemente tamborilava os dedos sobre o volante em uma espécie de tique que trazia à tona seu estado de espírito nada amigável. O engarrafamento a sua frente tinha uns vinte carros e as buzinas ecoavam pela rua vindas da frente e de trás dela. Xingava mentalmente. E ainda tinha aquele calor infernal, fazendo suor escorrer por detrás do pescoço e da testa. Mexeu no pingente de rubi que pendia no pescoço que era a única coisa que tinha de sua família biológica.

 Encarou a mulher ao seu lado, deixando evidente sua expressão irritada que se resumia a um crispar de lábios e olhos levemente semicerrados, e ela lhe dirigiu um sorriso meigo colocando a mão levemente gorducha e morena sobre o ombro da moça incrivelmente branca fazendo um contraste.

—Calma, Alexia. Não adianta nada se estressar...  Só respire.

Depois de seu conselho “sábio” retirou a mão da adolescente. A moça encarou-a com leve descaso.

Não venha com essa porcaria zen para cima de mim, droga.

—Se nós atrasarmos perdemos a maldita consulta! Tivemos que esperar um mês para consegui-la. —Explicou estressada socando o volante em um surto e fazendo a buzina troar em meio as outras também furiosas. Logo se conteve e respirou fundo. —Então, não me diga para ficar calma. Essa coisa zen pode funcionar para você, mas não para mim.

—A que coisa zen se refere, meu anjo? —Questionou-a divertida.

—Argh—Rosnou. —Só deixa para lá. — Fez um gesto de “esquece” com a mão esquerda e voltou a segurar o volante apertando-o com força e fazendo os nódulos dos dedos ficarem brancos.

—Não, agora fale. —Insistiu a mais velha. —Temos tempo o suficiente ao que parece.

As duas olharam o trânsito parado.

A motorista de apenas dezesseis anos revirou os olhos e massageou as têmporas. Procurou um método de não soar tão bruta mentalmente e abriu e fechou os lábios procurando as palavras certas.

—Suas terapias alternativas, é a isso o que me refiro.  Elas te deixaram parecendo uma hipster e agora você faz ioga e meditação. Você precisa de quimioterapia e não dessas coisas...Até o Jonh concorda comigo e olha que ele não me vê como algo além de um empecilho a herança dele.

—Para. —A mulher repreendeu-a de imediato. Alex a fitou compreendendo que havia ido longe demais.

—Eu só...Desculpa, mãe. —Pediu arrependida. Colocando a cabeça no volante, mantendo a testa ali, virando um pouco o rosto e fitando a mulher cheinha dali.

—Nós já discutimos como eu passaria o tempo que me resta nessa Terra. Isso é o que me faz feliz e em paz comigo mesma agora. Sei que anda passando por coisas que nenhuma adolescente da sua idade deveria passar, mas ... É a vida. O mundo não é um lugar bonito, Deus não é um grande cachorrinho que faz todas as suas vontades e o sofrimento existe para que saibamos aproveitar os movimentos felizes, que apesar de raros fazem a vida valer a pena. Por isso, só não... Não ache que prolongar meu sofrimento vai fazer com que o tempo que passamos juntos seja melhor. Por isso, hoje, ao invés dessa maldita consulta, eu gostaria de ter um dia com você. Gostaria de vê-la com o vestido de baile, a beca de formando, com um vestido de noiva e com um bebê no colo.

Lágrimas desceram dos olhos de Alex quando entendeu a intensidade daquele pedido, a menina as limpou rapidamente. Não choraria. Não naquele momento. Como sua mãe adotiva aconselhou, ela respirou fundo e suprimiu o pranto.

—Tudo bem. Vamos lá. —Tomou a decisão pegando a mulher de surpresa. —Que se foda a consulta.  

—Está falando sério? —Questionou animada.

—Sim, não vou torturá-la por egoísmo. Você me verá ser uma adolescente indo para o baile, uma formanda que terminou o ensino médio, uma universitária, uma noiva e uma mãe. Tudo hoje. Então, você poderá partir em paz sabendo que em um dia consegui realizar tudo o que sonhou para mim.

O sorriso de Irene fez tudo valer a pena. Mesmo com o coração sendo massacrado ao imaginar a partida daquela que a amou mais do que ninguém, Alex ignorou isso e apenas sorriu de volta.

—Eu te amo, mãe. —Soltou com a voz embargada.

—Eu também, meu filhotinho.

...

Dois anos depois

2011

Caminhou entre as lápides, com as flores preferidas dela em suas mãos. O dia era nublado. Uma ventania fria de gelar os ossos tocava-a no rosto e nas vestes. Andou até chegar a daquela que a salvou de si mesma.  Irene Cook, amada mãe e esposa. Era isso o que estava gravado ali no mármore. Já havia um buquê de rosas brancas ali.   Depositou as flores ali também, melancólica e nostálgica.

 Viu o homem negro de terno um pouco mais distante e ele a cumprimentou com um aceno de cabeça quando a viu, e se aproximou.

—Como tem estado, Alex? —Inqueriu por educação quando estavam frente a frente.  As mãos dentro dos bolsos da calça, enquanto encarava a irmã adotiva.

Fitou ao homem imponente e deu de ombros.

—Bem, consegui um emprego, estou namorando, a universidade vai indo bem e minha colega de quarto é suportável. —Mentiu.

—Ainda não entendo porque não quis sua parte da herança. Não é como se esbanjasse dinheiro e... —Ele parou de falar lembrando-se do que dizia a ela. Era culpa dele? Antes daquele momento ele só a via como uma oportunista. Isso até a ver chorando desesperada no velório da mãe deles, foi preciso calmantes para acalmá-la. Era como se o mundo dela tivesse desmoronado. Foi aí que soube que o que aquela garota havia perdido tudo o que a importava. Ela estava péssima naquele instante. Viu as faixas nos pulsos dela.

—Ela não era minha mãe de verdade, Jonh. —Foi dura, dizendo as palavras que ele usava para lembrá-la disso. Uma punhalada de arrependimento o atingiu. — Eu não tinha direito a isso. Deixe para os parentes de verdade ou para a faculdade de Sarah.  

—Sarah não se formará tão cedo. —Riu ele. — Ainda é só um bebê recém-nascido. Obrigado pelo presente a próposito, serviu perfeitamente nela. Na verdade, foi a primeira roupa que ela usou —Afirmou lembrando-se da roupinha extremamente cara enviada por correio. — Não é como se nós precisássemos do dinheiro que a mãe separou para ti. Se quiser voltar atrás, eu guardei...

—Não quero nada seu! —Foi fria e severa. Amargura tomava os olhos daquela garota que ele lembrava sorrindo sempre. — A única coisa que eu quis era uma mãe. Eu tive isso e foi o suficiente para mim. —Afirmou estressada.

—Me disseram que largou a universidade. —Foi direto ao assunto. —Se está precisando de ajuda, me diga. Não seja assim.

—Eu não quero sua ajuda. —Soltou magoada. —Você me odeia. Para com isso. Eu quis ter um irmão, eu tentei de tudo para que me visse não como uma intrusa e sim como uma pessoa boa pelo menos. Mas você me afastava das piores formas. Então, não seja legal agora. —Gritou desesperada e as lágrimas desceram. —Eu não quero sua piedade. Cuide da sua própria vida. —Cuspiu rancorosa.

—Tudo bem, Alex. —Conformou-se ele.

Tirou da bolsa uma embalagem de presente e estendeu a ele. Alex estava tremendo e lágrimas silenciosas desciam de seu rosto oval e infantil. O sentimento dele piorou milhões de vezes.

—O que é isso? —Perguntou surpreso.

—É para a Sarah. —A voz estava embargada e ela nem o olhou nos olhos quando estendeu a ele. —Eu sabia que provavelmente te veria aqui.

—Você pode entregar pessoalmente para sua sobrinha. —Tentou ele esperançoso, sabendo que ela amava crianças e amava ainda mais aquela por ser a neta da mãe deles. Era tão perceptível que ela queria estar por perto. Que mesmo não conhecendo a filha dele, queria ser uma tia coruja.

—Não. —Negou-se. —Só pegue. Não quero que ela me veja desse modo.

Aceitou-o.

—Obrigado. Sei que com o bom gosto que tem, ela vai adorar.

 

Por que foi tão cruel com ela naquela época? Havia destruído, alguém que já era quebrado. Aquilo era horrível.

Jonh sentiu seus olhos lacrimejarem.

—Vamos comemorar o nascimento de Sarah final de semana. Se quiser vir e trazer seu namorado... —Convidou novamente.

—É melhor não. —Respirou fundo, angustiada e inquieta. —Eu não estou apta a ficar perto de crianças no estado de espírito que ando. Mas, eu desejo tudo de bom a ela. De todo o meu coração. —Foi sincera e as lágrimas desceram dos olhos dela junto a um sorriso. —Deve ser uma coisinha tão linda. Mamãe teria ficado tão feliz. Ela sempre quis uma neta. Ela teria ficado tão orgulhosa de você, Jonh. Apesar de você me odiar, eu te desejo o melhor. Felicidades para você e sua família. Sempre te considerei meu irmão.

As lágrimas que ele conteve vieram à tona.

—Desculpe por afastá-la. Eu só...

—Eu era só a criança problemática que sua mãe pegou de um orfanato. Com uma cor de pele que deixava evidente que eu não era filha dela. A culpa não é sua.

—Alex...

—Está tudo bem. —Falou calma e ergueu a cabeça e forçou um sorriso. —Eu vou indo. Tenho uma coisa para fazer agora.

—O que?

—Me encontrar com alguém.

—Quer que eu te leve?

—Esse tipo de encontro não seria adequado para você presenciar. Apenas vá para casa, e dê um beijo na Sarah, por mim, tá?

—Tudo bem, Alex.

—Obrigada.

...

—Sua irmã se jogou de um prédio. —A mulher largou o telefone estática, olhando para a filha deles que estava no carrinho de bebê e então para o marido.

Ele a encarou em choque. Jonh amaldiçoou-se por não ter percebido os sinais.

—Está no hospital. É um milagre que não tenha morrido. —Informou. —Vou pedir para mamãe olhar Sarah e nós vamos vê-la.

—Sim, meu amor. —Concordou ele, atordoado.

...

Encararam a moça entubada na cama do hospital.

—É a terceira vez que ela tenta suicídio e não consegue. Deve ter um anjo da guarda poderoso. Não há nenhum osso quebrado. Sinceramente, eu não sei como. Contudo, apesar de estar viva e provável que não acorde desse coma. O cérebro dela está danificado.

—Terceira vez?

—A primeira foi com comprimidos, a segunda cortando os pulsos e a terceira se jogando de um prédio.  

—Como alguém pode querer morrer a esse ponto? —Christine se manifestou horrorizada e terrivelmente triste. —O que a vida fez com ela, Jonh?

...

1891

Era inevitável que se sentisse extremamente magoada com os acontecimentos que acometiam-na.  Parecia ser injustiçada. Em todo caso, por mais que gritasse isso em alto e bom tom, ninguém parecia a ouvir. Era desesperador. Só sentia raiva, já que o choro parecia ser tão eficaz quanto nadar contra a correnteza.

O cabelo escuro e longo, como um véu negro, ricocheteava para trás devido a fúria do poderoso vento que anunciava uma tempestade.

Aquele dia, era o seu aniversário de dezoito anos. Mas não sentia nada além de uma enorme tormenta dilacerante e uma vontade sem fim de encerrá-la e dar um basta a tudo aquilo. Estava tão exausta de viver.

 Primeiro, assistiu a dolorosa morte de sua mãe pela doença desconhecida; Vendo-a lentamente sucumbir no leito de uma cama, ao pernicioso e traiçoeiro infortúnio que roubou toda sua beleza e alegria de viver. Encarou ao cordão que tinha no pescoço e que era passado de geração para geração para as mulheres da família. Passou os dedos pelo rubi vermelho e incrivelmente lindo sem uma forma exata além de uma pedra gigante. O peito dela ardeu em uma dilacerante facada destruidora ao lembrar-se da antiga dona dele.

Revele-lhe os desejos mais profundos de seu coração, meu amor. E ele os realizará.

As palavras de sua mãe ecoaram em sua cabeça.

Constancy olhou para o pingente.

Por favor, me leve para bem longe daqui. Um lugar onde eu possa ser livre como sempre sonhei.

Implorou se sentindo estúpida por aquele ato infantil de fé.

 Segundo, a nova “mãe” que lhe foi imposta poucos meses depois e a terceira mulher de seu pai. Uma meretriz trazida de um bordel que talvez tivesse a mesma idade que a dela. Seu progenitor era mesmo um velho devasso. Não esperou nenhum cadáver esquentar no túmulo e já substituirá o lugar que era insubstituível por uma garotinha que nunca chegaria aos pés da mulher que a mãe dela fora. A moça parou a carícia no pingente e seu olhar ficou severo demais para alguém de idade tão tênue. Sentia-se enojada ao pensar na situação.

 Terceiro, aquele maldito casamento como se fosse uma mercadoria a ser vendida a quem pagasse mais caro. Sobre este último, para ela, era horrível ter essa noção, esse conhecimento sobre as coisas e essa visão tão amplificada de mundo ao invés de ser só mais uma das moças tolas que ficavam felizes por não morrerem solteiras. Odiava Iker e ele a odiava.  Sua maldição era o discernimento claro que possuía graças a suas leituras e ensinamentos que iam além do que de qualquer outra moça de sua idade. Sabia financias.  Falava quatro idiomas fluentemente, francês, alemão, latim e italiano.  E havia o inglês, que era sua língua materna e basicamente o eixo do mundo. Tinha uma coleção literária invejável. Era uma pintora e pianista excelentíssima. Sabia também bordar, pintar e costurar, cozinhar como era requerido de uma moça prendada. Porém, o mais importante, sabia se defender, como segurar uma espada, um arco e flecha e uma pistola.  Todavia, este último acontecimento fora a gota d’água ao se dar conta de que não poderia ser feliz com o único homem que amou. Seu amigo de infância, Dante, que havia se casado com sua irmã mais velha, filha da primeira esposa de seu pai. Sua vida parecia uma das tragédias de Shakespeare.

O dia era nublado por isso extremamente frio e a brisa que tocava seu rosto oval parecia possuir pequenas pontas de facas acariciando suas bochechas, que estavam rosadas pela circulação de sangue que era mais forte para aquecer o corpo. Havia pouco movimento naquela área. Os empregados estavam ocupados encarregados de preparar o almoço de aniversário dela onde seria o anúncio de seu noivado.

Usava uma camisola rosa. A brancura de sua pele e a cor fraca da vestimenta de dormir, eram destaques naquela paisagem escura pelas nuvens cinzentas e pelo tom também cinza da mansão.

Observava a fonte do jardim coberta com uma leve camada de lodo, da sacada.  Ali, no local, que era o mais alto da gigantesca casa que lembrava um castelo por sua magnificência, estava a bela e melancólica Constancy Florea Bulstrode.

 Suspiros do que seria uma reclamação amarga saiam dela que não estava realmente atenção na bela, entretanto, sombria paisagem que talvez fosse o reflexo mais fiel dela do que o que via no espelho. Se pudesse apenas fugir para longe. Bem longe. Aquela manhã agourenta era o único momento que teria de paz antes que os empregados adentrassem o seu quarto e informassem que já era uma mulher, apesar de ainda não ter sangrado.

A única maneira de escapar daquela existência miserável era o suicídio. O ato final de um escorpião desesperado quando se vê encurralado.

 Olhou para o chão de pedrinhas que fazia caminhos entre o gramado do jardim, calculando a distância, que pareceu o suficiente. Vinte metros. Sim, era alto o suficiente, a queda a mataria se considerasse-se o peso, a gravidade e outros fatores. Então, o vazio final. A paz. Segundo Shakespeare “o desconhecido país de cujas raias nenhum viajante ainda voltou”. Sua ânsia por um fim que fosse a altura do que ela sentia foi o que a fez apoiar-se de joelhos no parapeito, então erguer-se em pé sobre a proteção, abrindo os braços como uma ave que alça voo para equilibrar-se. Olhou lá para baixo. Sentiu tanto medo. Suas pernas tremiam. Seus pés descalços posicionados na fria linha reta de concreto que formava aquela espécie de cerca. Com equilíbrio e cuidado redobrado, virou-se de costas para a queda. Fechou os olhos e deu o passo final para trás que faria a morte abraçá-la como uma velha amiga.

A medida que caia, o rubi em seu pescoço vibrou como se despertasse. Quando seu corpo chegou ao chão em um baque estrondoso, que alertou a todos da casa de algo e fez a correria e os gritos de horror e choque começarem, o sangue já escoava pelos ladrilhos brancos no chão e o olhar e a névoa sem vida, fora substituído, por um outro. O brilho do colar aumentou furiosamente em um rubro desnorteante que trouxe outra essência para o corpo, salvando-as.


Notas Finais


Obrigada a quem leu.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...