História Atemporal: Viagem através dos tempos - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Almas, Casamento Arranjado, Magia, Troca De Corpos, Volta Ao Passado
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Palavras 4.715
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, Literatura Feminina, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Bom capítulo.

Capítulo 2 - O noivo


Fanfic / Fanfiction Atemporal: Viagem através dos tempos - Capítulo 2 - O noivo

A última coisa que ela se recordava era de sua terceira tentativa de suicídio. Que ao que parecia, havia ido para o além. Proeza essa que eu ainda não alcancei apesar de ter tentado três vezes. Caçoou de si mesma irônica.  Quando abriu os olhos, fechou-os pela claridade, então, novamente, e com dificuldade, abriu as pálpebras. Uma onda de estremecimento passara por seu corpo ao se dar conta de que algo estava muito errado. Estaria nua, não fosse o tecido por cima de seu corpo que não era camisola de hospital.

 O quarto era desconhecido, estava cercada por pessoas que não fazia ideia de quem fossem e definitivamente ali não parecia um centro de saúde. O papel de parede era rosa e antiquado. Havia um belo lustre no teto. Um guarda roupa grande e antigo de madeira com detalhes entalhados. Uma penteadeira com espelho acompanhada de um banquinho estofado para sentar-se.  E perto da cama, de armação do mesmo conjunto dos outros móveis de madeira, o criado mudo que era o derradeiro item que completava a coleção. As pessoas trajadas naquelas roupas que pareciam de filmes do século XIX. Sem falar naquelas bonecas sinistras de porcelana na prateleira do lado oposto a encarando. Definitivamente, odiava bonecas.

—É um milagre a senhorita Bulstrode ter acordado depois de tal incidente e sem nenhuma sequela. —Soltou admirado e aliviado.

 A voz do jovem homem de terno que segurava uma maleta e a encarava surpreso a fez se perguntar o que inferno estava acontecendo. Ele estava sentado na beirada da cama e perto dela. Supôs que ele a estivesse examinando antes, pelo estetoscópio que pendia em seu pescoço. Mas havia algo mais nos olhos dele, uma preocupação quase excessiva que era demonstrada pela intensidade do olhar que tão descaradamente a lançava.  

Estudou-o com estranhamento. O corpo dela estava todo doído, era como se tivesse sido atropelado por um caminhão e sentia pontadas na cabeça conjuntas de tontura e ânsia de vômito. Por isso, por mais que quisesse se levantar, manteve-se prostrada na cama por necessidade. Eu me joguei de um prédio. Queria o que? Bisbilhotou o ambiente a sua volta novamente.

Que porra é essa? Estou sonhando com o passado?

Quis falar, mas sua garganta estava seca e sua voz saiu como um ruído. Inquietou-se. Queria se mover, mas não conseguiu. A agonia provinda de não conseguir fazer um movimento brusco sem se queixar de dor a alarmou para seu estado.

—Não se esforce, cunhada. —Recomendou-a o rapaz de forma solícita e amável.

 O coração dela bateu rapidamente por motivo que Alex não entendia. Arqueou a sobrancelha.

Por que diabos se sentia uma pirralha apaixonada perto dele, sendo que nem o conhecia?

Um silêncio incômodo se formara no quarto. Sentia os olhares matadores do senhor de terno que a encarava com uma cólera sinistra. Havia uma mulher jovem e loira ao lado do velho, que a encarava com os belos olhos verdes arregalados. E mais atrás, quase esquecida, uma moça ruiva e vestida com um vestido escuro, simples, severo e vitoriano, ela segurava uma bandeja com água e em seu rosto pairava uma expressão sombria.

—Ela ficará bem, Dante? —Inqueriu ansioso. — Acha que estará totalmente recuperada até o casamento com seu irmão? —Quis saber o velhote.

Uma expressão sombria pairou no rosto do médico que  a fitou por alguns minutos parecendo pensar.  Ela captou um brilho feroz nos olhos dele enquanto a observava.

—É certo que sim. —Garantiu preciso. Ele forçou um sorriso. Isso ela soube porquê era mestra em treinar sorrisos falsos no espelho. — Mas, por questão de ainda não ter florescido. Não é bom que ela e seu futuro marido consumam a união até que aconteça.

—Sim, sim... —Acrescentou o mais velho, fuzilando-a com o olhar.

Em uma idade dessas e ela... Garota inútil. Pensou o pai dela inconformado.

Consegui um pouco de tempo para você, Constancy. Sei que esse casamento não é algo que você deseja, meu anjo.  O rapaz raciocinou.

Por algum motivo, a jovem estremeceu assustada. Uma aura horrível de morte a consumia. Com sangramento, eles queriam dizer menstruação? Ela tinha doze anos quando menstruou pela primeira vez. E casamento? Como assim casamento?! O que em todo o céu, inferno, Olimpo, Submundo, Asgard e Hellheim estava acontecendo?

 Não surta, Alex. Deve ser só um sonho, logo você acorda. Só dance conforme a música enquanto isso. Não vai adiantar nada você enlouquecer na frente deles e dizer que não é quem eles pensam que é. Isso com certeza só te fará ser queimada como uma bruxa, nesse sonho pra lá de sinistro,

—Agora, devo partir. Há mais pacientes que necessitam de minha assistência. Se me der licença, senhor, senhora... —Foi frio. — Senhorita. —Despediu-se Dante, com um sorriso final a Constancy/Alex que era no mínimo desnorteador. Era como se ele a conhecesse.

O médico curvou-se respeitosamente a todos eles.

—Ah, sim. Agradeço por seu serviço tão imediato, meu genro. Melody o acompanhará até a porta e mais tarde acertarei com sua ajudante os seus honorários. Até mais ver.

—Sendo assim, até mais. Estimo melhoras a senhorita Bulstrode.

A moça ruiva depositou o copo de água sobre o criado mudo ao lado da cama, com um leve sorriso para a sua senhorita, que o correspondeu por educação. Alex definitivamente havia gostado da garota. Depois, junto ao médico, a serviçal se retirou do quarto agora com a bandeja de prata vazia.

Três pessoas agora se encaravam.

—Apenas sonhe em fazer algo assim novamente, que te levarei eu mesmo para o inferno, ingrata. —Gritou furioso.

O que? Quem ele pensa que é para falar assim comigo?

 O desconhecido passou a mão pelo pouco cabelo grisalho que tinha nas laterais da cabeça. Apontou o dedo para o rosto da garota que apenas arqueou a sobrancelha como resposta.

 —Você é igualzinha à sua mãe. Apenas um fardo maldito que tenho que suportar. E quando tenho a chance de me livrar de você...Você estraga tudo! Vai ficar aqui trancada e só vai sair quando eu ou Eliza deixarmos.

As mãos dele tremiam. Queria partir para cima dela. Mas a loira o segurou e negou com a cabeça.

— O senhor Alexander ainda não desistiu do casamento, meu marido. Apesar dos rumores que correm por toda a Londres dela ter tentado se matar porque não queria se casar com ele. —A menina o acalmou. — Por enquanto, deixe que as coisas sigam sem maiores interferências.

—Marido? —Repetiu Alex, debochada. Havia recuperado a voz, apesar de a garganta doer pelo esforço. —Achei que você fosse filha dele.  —Provocou-os e em troca recebeu um olhar de fogo puro. Pelas ventas daquele velho parecia sair fumaça como se fosse uma espécie de besta infernal. Alex realmente não se importou e começou a rir alto. —Me poupe dessa cena de pedofilia enojante.  Não ia me trancar aqui? Pois bem, sinta-se à vontade para fazê-lo.

Ambos encararam-na estáticos.

Uma coisa era o olhar de desprezo que Constancy os lançava sempre que o via juntos. Outra,  era aquele palavreado que ela nunca usara antes.

—Ela realmente enlouqueceu Eliza! —Exclamou desacreditado. Encarou a esposa que tinha o mesmo olhar. —Caso, Iker mude de ideia quanto a esse bendito casamento. Ela irá para o manicômio.

—Sim, meu senhor. —Concordou a loira.

Saíram, não sem antes trancarem a porta.

...

Encontrou-o no escritório da enorme propriedade que ficava localizada perto do porto. Observando a vista da janela, insondável como sempre, seu patrão continuava a desenhar a paisagem  que se resumia as posses de sua família.

 Os murmúrios a sua volta estressavam Iker, sendo assim, havia procurado aquele lugar afastado para ter um pouco de paz.

 Sua postura era enigmática. A franja do cabelo liso e escuro caia sob os olhos azuis pela leve curvatura do tronco para frente e para trás. Seus olhos variavam da tela para a janela, buscando captar os detalhes que compunham a paisagem da qual começara o esboço para depois pintar.  

O terno engomado evidenciava seu corpo esguio, escondendo os músculos, fazendo-o parecer um tanto fraco e os outros o subestimarem. Thomas sabia que não.

 Iker era incrivelmente belo, apesar de parecer afeminado, ingênuo e indefeso para os desavisados.  O mordomo se aproximou calmamente escutando o som do carvão deslizando pelo quadro em uma melodia única.

—O senhor Bulstrode notificou através de um bilhete a senhora sua mãe, que sua noiva acordou, jovem mestre. —Avisou-o cauteloso. —Minha senhora solicita que vá visitar sua futura esposa e sugere  que leve a ela algum mimo. —Exprimiu a ordem dada.

Um leve riso de canto estava brincando nos lábios do rapaz agora.  Este pode ser visto pelo mais antigo serviçal da casa enquanto o seu superior continuava entretido no que fazia.

—O primeiro mestre, já sabe que sua amantezinha acordou? —Inqueriu desinteressado, continuando o desenho.

 —Sim, meu senhor, de fato, devido a sua profissão, ele foi vê-la e examiná-la para avaliar os danos que a queda causou. —Reportou.

A atmosfera mudou drasticamente, mas não era algo dito em expressões. Era uma tênue nuance caracterizado pelo objeto na mão direita do homem ter parado de deslizar pelo vazio branco que possuía apenas alguns fracos traços.

Uma onde de ciúme esmagadora afligiu-o.

O carvão em forma de lápis se quebrou na mão de Iker e ele semicerrou os olhos para a tela, processando a informação. De súbito, Iker virou-se de frente para o confidente, desistindo do que fazia e jogando os pedaços de carvão para longe.  Pegou um pano depositado sobre as costas de uma cadeira e limpou as mãos. A expressão fria como sempre. Jogou o tecido ao mordomo que o aparou com notória habilidade.

 As mãos agora para trás das costas em uma postura incontestável e elegante. O jovem senhor deu um sorriso de canto debochado e irritado enquanto caminhava pelo lugar que escolhera para ter um pouco de sossego dos malditos cochichos ocasionados pela ação desprezível daquela pirralha irresponsável e dramática.

Maldita seja ela. Se ela pensa que isso vai ficar assim, está muito enganada.

—Muito bem então. —Observou categórico, arqueando uma sobrancelha negra e rindo para o nada em um pensamento sádico que guardou só para si. —O que pensa, Thomas? Devo ir ver minha noiva suicida? Ou será que ela já se tornou uma destruidora de lares se deitando com meu irmão?

—Senhor, eu não acho que deva se referir a ela de maneira tão ofensiva.  —Thomas repreendeu-o e respirou fundo ao notar o campo minado no qual estava pisando.

 Iker estava irritado. Muito por sinal. Apesar de sua expressão indiferente não demonstrar isso.

—Ela é uma vadia.  Até a irmã dela acha isso.

 —Ouvi à senhora sua mãe e a esposa de seu irmão discutindo. Há notícias de que sua futura esposa ainda não sangrou e isso as preocupa porque supõem que devido à idade tardia, ela não poderá conceber filhos.

—Isso impede o que de meu irmão esgueirar-se entre os lençóis de sua cama? —Quis saber realmente curioso e tinha um tom levemente sarcástico.

—Bem senhor, que ela ainda é uma criança ao que parece.

—No jantar de casamento de Lisandra, você viu o jeito que ela olhava para o meu irmão, Thomas? —Questionou nauseado e entredentes.  —Uma criança não olha daquele jeito para um homem. Não mesmo. Havia desejo nos olhos dela. O desejo de ser a irmã dela e ir para a cama com ele. —Soltou cruel e ofegante. —Ela é uma meretriz invejosa e oferecida que se esconde por detrás de uma fachada angelical e virginal.

 Tomou um dos jarros que havia ali e o quebrou na parede, surpreendendo ao serviçal, pelo notório descontrole.

—Sendo assim, meu senhor, por que insiste com esse casamento infeliz? —O senhor de idade, tinha intimidade o suficiente para tanto. 

—Simples, meu caro. Dante a quer como mais um dos vários brinquedos e amantes que coleciona, mas eu posso tê-la. —Explicou obsessivo e parando em frente a um dos quadros que havia feito da esposa do irmão. — Essa é a primeira coisa que posso tomar daquele maldito.

Acariciou o rosto da bela mulher na pintura, angustiado. Lisandra, era a única coisa que queria para si.   

—Deveria ir visitá-la então.

—Sim, eu deveria. —Concordou frívolo. —Compre os chocolates que meu irmão a leva sempre que vai visitá-la.

...

As luzes estavam acesas, já que a claridade do dia, evidente pela janela, havia ido embora, dando lugar à noite.  Estava inquieta. O que estava acontecendo? Por que estava ali? Havia morrido? Por que aquele corpo não era o dela? Tantas dúvidas.

Pelo menos tem energia elétrica.

Estava transtornada e surtando.

—Senhorita. —Chamou a voz doce, seguida de suaves batidas na porta. — Posso entrar?

Graças a Deus, alguém! Achei que ia morrer de tédio.

Constancy/Alex parou de olhar-se no espelho e surtar internamente, pulou sobre a cama novamente e cobriu-se com os lençóis para descansar, havia gasto quase toda sua energia e cérebro para tentar descobrir o que estava acontecendo. Estava tão exausta. Era só um sonho mesmo.  Para que quebrar cabeça?

—Entre.

A serviçal ruiva adentrou acompanhada do jovem de terno que tinha um olhar avaliativo e desgostoso. E que quando botou os olhos nela deixou evidente seu desprezo e nojo com Jonh fazia. Alex se sentiu péssima. Sentia o ódio dele por quilômetros de distância.  Engoliu em seco, transtornada.

 Pediu uma explicação com o olhar a mulher que pareceu sondar seu estado de espírito e entender sua confusão.

—Seu pai permitiu que o senhor Alexander, seu noivo, subisse e que ficassem a sós para que pudessem conversar.

—Oh sim. Meu noivo. —Exclamou Alex, incerta. —Você pode ir agora. —Sugeriu doce, e a moça ruiva apenas se retirou fechando a porta em um leve ranger.

 Os dois se encararam. Um silêncio incômodo surgiu. Ele jogou uma caixa de chocolate sobre a cama sem cuidado algum. Alex arrebatou ao embrulho surpresa. Sua boca salivou por aquele doce.

—Tentou mesmo se matar por que ia casar comigo? —Disparou imperturbável.

A moça colocou o suposto “presente” sobre o criado mudo. Fitando ao rapaz desconhecido.

Ele tinha um ar imponente como Jonh. Mas seus olhos eram ainda mais frios e cruéis. Era extremamente pálido, alto e tinha estirpe. Sim, era bonito.  Um calafrio de terror percorreu por toda a coluna dela ao reconhecer o tipo de homem nocivo que ele era. A postura dele era invejável e suas feições muito aristocráticas, todavia, isso não escondia o psicopata sádico em seus olhos obscuros.

—Não sei? Eu tentei? —Inquiriu-o, genuinamente confusa.

Iker bufou irritado a encarando com certo deboche. Ele deu um dos sorrisos que nunca chegava aos seus olhos e deu passos até ela, se aproximando levemente da cama e colocando um de seus joelhos sobre o colchão, invadindo o espaço pessoal da noiva, segurou o queixo dela cruelmente fazendo-a olhá-lo.

—Pare de joguinhos, Constancy. —Decretou maldoso. —Acha que vou desistir desse casamento só por esse truquezinho? Está muito enganada. Vamos casar. E nem que eu a force, você consumará esse casamento comigo.

Ela se soltou dele com esforço, já que ainda estava muito debilitada. Seu maxilar doía pelo aperto opressivo dele.

Você é doente, cara! Vai se tratar. E eu não sou essa tal de Constancy.

 —Vai me estuprar se eu não me deitar com você? Está louco?! Que tipo de homem desprezível e desesperado faz esse tipo de coisa?

Iker sentiu o ódio o possuir e gargalhou alto e sem emoção. Deveria tomá-la como sua posse o mais rápido que pudesse.

—Sim, estou louco. Completamente insano se quer saber. Não banque a puritana comigo.  Você já deve ter fodido com meu irmão de maneiras que nem as meretrizes nos bordeis devem ter conhecimento.

—É cada absurdo que sai da sua boca suja. ARGH! Que mulher em sã consciência iria querer casar com um louco complexado igual a você?  Deve ser por isso que essa garota prefere seu irmão.

Ela revirou os olhos, insolente. Alex queria muito levantar-se daquela cama e bater nele até que colocasse alguma razão naquela mente paranoica. Por um momento, toda a depressão dela havia sumido e dado lugar a preocupações que apesar de terciarias a distraiam.

Ela ficou em pé de forma vacilante e foi para cima dele começando a socá-lo.

—Você é um fodido de merda. Doido. E eu não tenho que aturar essa porra toda. Mas não mesmo. Então, volte para o inferno de onde saiu.

Iker respirou fundo, para recuperar a compostura enquanto tentava segurá-la e impedir os socos. Estava achando graça. Onde estava a idiota submissa que apenas o ouvia e permanecia imóvel enquanto a enchia de ofensas? Quem era aquela mulher com a boca suja e completamente insana que o dava murros que apesar de fracos por sua estatura baixa e franzina atingiam em cheio o orgulho dele?

 Jogou-a na cama irado e em um movimento rápido prendeu os braços dela acima da cabeça. Os dois estavam ofegantes pela luta anterior e pela troca de ofensas.  Um dos joelhos no meio das pernas dela para impedi-la de se mover e o outro apoiado no colchão. O corpo cobrindo o dela e a prendendo ali.

—Me solte, maldito. —Ordenou furiosa e inconsequente. Feroz e inquieta. Selvagem e forte. Poderosa e destruidora como uma força da natureza. Iker respirou fundo. Não podia ser a mesma garota frívola que era uma mera boneca em suas mãos e cujo a palavra que usava para definir ela era tédio.

Ficaram se contemplando com inimizade mortal e raiva. A tempestade nos olhos dela longe da indiferença habitual era de certa forma vibrante e fazia o coração dele bombear o sangue mais rapidamente. Que tormenta! Quando ela se tornou tão atraente, sedutora e fogosa?

—Eu vou gritar se não me soltar, maldito!

Alex tomou fôlego, determinada a realmente pedir ajuda.

E os lábios dele capturaram os dela cruelmente para calá-la, sufocando o grito nos confins das gargantas dos dois. Sentiu-a espernear novamente, mas não ligou. Não quando estava trôpego por ela e aquela vivacidade esquiva e lutadora que nunca vira antes dando lugar aquela conformidade irritante.

 E em algum momento, sem movimentos de lábios de ambos os lados, ela o mordeu maldosa, machucando-o lábio inferior dele e fazendo sangue escorrer em meio ao toque de ambos que abafava os xingamentos dela. Contudo, ele nem se moveu.

 Depois disso e de uma luta fervorosa que durou cerca de três minutos, Iker sentiu os lábios se movendo nos dele em algo sem amor e tão maldoso quanto seu amor platônico, nocivo e obsessivo por Lisandra. Uma corrente quente se arrastou por todo o corpo masculino.

Afrouxou o aperto nas mãos dela e soltou-a quando ela parou de lutar sentindo os dedos da mão pequena da moça se enroscarem nos fios de cabelo dele em um puxão opressivo, afundando-o contra o corpo macio embaixo do dele o arrebatando para si sedenta. A outra mão dela segurou-o pelo queixo, enfiando a língua na dele.

 Sentiu-se fraco e sem defesas inundando por aquela ingratidão e castigo cruel que ela ofertava como uma paz falsa. Estava em torpor puro e desnorteado por aquele beijo com ausência gritante de carinho.

Correspondeu-a de imediato, retomando o controle e superando o choque. E em algum momento subiu o tecido da camisola dela, apertando as coxas sadicamente e as levando aos seus quadris, fazendo as pernas dela abraçarem sua cintura e os pés se cruzarem atrás dele com as pélvis se encontrando. Ela estava sem roupas de baixo.

 Os seios dela se amassavam contra o peito dele sem proteção além do fino tecido.   Sentiu-a estremecer quando a puxou pelo cabelo e a reivindicou para si como gostaria de ter feito com a irmã dela. Em algum momento sentiu os botões de sua camisa serem puxados violentamente estourando e as unhas dela o marcando no peitoral cruelmente enquanto dava chupadas no pescoço alvo da moça que ecoavam como estalos. E os sons se tornaram de gemidos incertos e respirações entrecortadas.  Ela o estimulou nos mamilos  com a boca e mordidas deliciosas e Iker a admirou surpreso por saber daquele estímulo em um homem.

Separaram-se ofegantes, incoerentes e agoniados.

—Satisfeito agora, maldito? —Perguntou sem cuidado algum com as palavras. E os lábios se curvaram em um riso de canto cruel. —Eu não vou deixar que abuse de mim. Se fizermos algo eu vou me excitar o máximo possível para não deixar que ganhe.

Iker estava surpreso. O que inferno havia sido aquilo? Aquele ataque feroz  deles e dois animais querendo acasalar daquela forma.

O belo rapaz ainda sentia o lábio inchado pela mordida e passou a língua ali notando o leve gosto de sangue.  Sentiu os arranhões ardendo em sua pele. Estava todo cheio de riscos vermelhos.

Continuou sobre ela, e novamente subiu o tecido da camisola, dessa vez erguendo o maldito pano até a cintura. Perdeu a paciência e rasgou o tecido inteiro, arrancando os restos do corpo dela e atirando-os no chão, tendo-a nua de vez e agora os seios evidentes.

 —Faça o que quiser, se excite ou não. Não me importo mais. —Afirmou ele irritado e severo.

Mordeu os mamilos dela vendo-a se mover incomodada, então a pele, descontrolado. Abaixando o corpo dele a medida que a boca descia.  Marcou-a sem se importar com mais nada. Desceu os lábios pela barriga, umbigo e então abaixo deste chegando no ponto no meio das pernas dela e com as mãos em cada uma, abriu-as, beijando-a ali, naquele lugar íntimo.

 Alex sentiu o coração bater violentamente contra o peito. Nunca tinham feito um oral nela.

Quando a língua dele a invadiu quis fechar as pernas, não porque era ruim, mas sim pelo constrangimento. Iker continuou a tortura observando a noiva dele se contorcer e o seu ego inflou.  Ouvi-la gemer e assisti-la se agitar daquela forma indicava que já havia ganhado pelo menos um pouco de Dante. Ficou vários minutos a preparando. Ela estava molhada, inchada e tão quente e apertada. Parou a carícia ali e ela se ergueu o tronco do colchão rapidamente o ajudando a desabotoar a desafivelar o cinto e desabotoar a calça talvez tão ansiosa quanto ele.

Deitou-a na cama novamente segurando-a pelo pescoço.

Na cama dela, eles se entreolharam desafiadoramente e ele entrou dentro dela com certa facilidade pela lubrificação natural que havia estimulado antes, mas era tão difícil. Tão apertada. Sentiu-se rompendo sua virgindade e ofegou surpreso ao notar que sua suspeita dela ter deitado com Dante era infundada.  O que estava fazendo? Ela ainda nem havia florescido ainda. A culpa o abateu momentaneamente.

Porém, a expressão de deleite dela o arrebatou de imediato.

—Por que você parou, idiota? —Questionou chateada,  inquieta e movendo-se por ele.

 Puxou-o pelo cabelo o fazendo ir mais duro e forte dentro dela.

 A cama começou a ranger e ela o olhou assustada porque o barulho era alto.

—Na parede. —Sussurrou Alex divertida e isso arrancou um leve riso dele também.

 Ergueu-a do colchão, com ela em seu colo, sem quebrar aquele contato e a apoiou na parede, a mão direita foi para o concreto buscando apoio. Cmeçou fodendo-a cruamente  a puxando pelo cabelo com a mão esquerda. Suspiros de prazer saiam da boca dele, entregando que estava gostando.  Sentiu as mãos dela entrarem atrás de sua camisa e as unhas rasgarem suas costas, os beijos violentos e incertos que roubavam a sanidade de ambos, conteve-se para não gozar de imediato, apesar de estar sendo tão complicado segurar.

Quando a sentiu perto de alcançar seu ápice, pelos gemidos mais falhos e palavras devassas e incompreensíveis, acelerou as investidas e depois de vê-la se contorcer, ejaculou dentro dela exausto de tanto manter-se controlado. Rosnou algo que nem ele mesmo lembraria depois como “ minha” e Alex respirou fundo quando o sentiu sair de dentro do corpo que não era dela, mas ela pegou emprestado para sentir aquele prazer ao qual se privara por quase um ano.

Fazia tempo que não transava com alguém.

Doeu no início porque aquele corpo era virgem, mas devido a sua experiência soube contornar. Como era possível que a sensação de prazer fosse tão vívida? Aquela transa tinha sido uma das melhores e mais intensas de sua vida e drenado o resto de suas já escassas forças. O cara era um psicopata, contudo, fodia bem.

Sentiu os beijos dele em seu pescoço suavemente, as mãos dele em sua cintura apertando-a contra o corpo levemente musculoso e então as chupadas em sua pele. Gostou dos carinhos gentis depois do sexo animalesco.

Mordeu-o ansiosa e ele a encarou surpreso. Iker  definitavemente não gostava de ser marcado. Mas lá estava ele cheio de arranhões e mordidas feitos pela garota que mais odiava naquele mundo.

—Pode me morder também se quiser. —Ofertou ansiosa.  

Os dentes dele se cravaram no pescoço dela fortemente e a moça se arrepiou inteira o pegando de surpresa pela reação.

—Possessivo. —Provocou-o ela com a voz fraca.

—Só fique quieta. —Ordenou pensativo.

Colocou-a no chão gentilmente. O sexo o deixava fora de si, por isso ficava diferente do habitual crápula que era ou talvez fosse o fato dela ser virgem e ele ter sido o primeiro que o acalmara. Foi apenas por isso que depositou um beijo no rosto dela e então na testa.

—Durma agora. Deve estar exausta. —Recomendou manso.

—Você sendo cuidadoso assim... —Riu debochada. —Cuidado, posso até pensar que se importa.

Iker a estudou silenciosamente e a puxou pelo cabelo mordendo o lábio dela como ela fez com o dele.

—Você é melhor quando geme, garota. Palavras na sua boca são um desperdício. — Foi grosseiro.

Alex apenas gargalhou lindamente. E o garoto se rendeu aquele som, revirando os olhos.

Ajeitou a calça e se perguntou como sairia dali com a camisa em farrapos daquele jeito e naquele estado.  Ela ainda estava nua, agora deitada, só que sem cobrir-se.

 Iker a encarou furioso por ela o distrair.

—O que pretende que eu faça agora? Você destruiu minha camisa.

—Diga que eu o ataquei como uma loba selvagem. Do jeito que eles pensam que enlouqueci é bem capaz de me levaram para o hospício e te darem uma vacina para não ser contaminado. —Constatou divertida.

 Iker a analisou seriamente e suprimiu um sorriso que quis se formar em seus lábios.

 —O casamento deve ser adiantado. Eu te deflorei e se alguém descobrir pode haver danos a sua reputação...

—Eu queria que no meu tempo fosse assim. O cara mal olhou na minha cara depois que nós... —Parou de falar sobre o olhar repreensivo dele. —Deixa para lá. Você não entenderia mesmo.

—Você quer que aconteça em alguma data específica? —Quis saber, realmente interessado com a opinião dela.

—Eu nem sei se até lá já não vou ter acordado deste sonho. Então, tanto faz. —Deu de ombros. —Escolha você.

—Tudo bem. Acho que esse sábado será oportuno. Não precisa ser uma comemoração exorbitante. Casamos no papel. Depois fazemos a festa na igreja conforme lhe aprouver.

 Iker não pôde evitar de dirigir a ela outro olhar lascivo e esquecer sua linha de raciocínio, demorando-se no corpo pequeno depositado sobre a cama. O que inferno tinha acontecido com eles dois? Parou para cogitar direito... Primeiro se ofenderam, depois brigaram e depois foderam daquela forma.  

—Amanhã, se a senhorita quiser, posso vir visitá-la. —Afirmou formal e frio.

—Sim. —Exclamou animada e sentando-se na cama. — Hoje, eles me mantiveram trancada aqui. E só me deixaram sair para tomar banho e para as refeições. Sua companhia, mesmo que assustadora, me faria bem. 

—Posso te trazer um livro para que se distraia... —Sugeriu indeciso e desconcentrado.

Queria-a de novo, naquele instante. Por que estava sendo cavalheiresco com ela? Questionou a si mesmo confuso.  Será que estava agindo assim por que havia gostado de transar com ela?

—Sim, pode ser o seu preferido. —Concordou a sua noiva visivelmente contente.  

Constancy continuava despida sobre a cama o fazendo não querer ir embora.  

—Se vista. —Ordenou ele de repente, desviando o olhar.

—Que?

—Só ponha uma vestimenta logo. —Pediu atordoado. —Por mais que te despreze, ainda sou um homem.

Um sorriso misterioso brincou nos lábios dela enquanto caminhava pelo quarto nua em direção ao guarda roupa e o abria. Não tinha ideia do que vestir. Encontrou outra das camisolas que agora estava no chão e pegou-a colocando-a por cima do corpo.

—Eu preciso me lavar.

—Irei chamar a sua dama de companhia para cuidar disso para você.

Só conseguiu caminhar até ela e beijá-la necessitado, antes de sair porta afora.     


Notas Finais


Se gostaram, comentem. Até a próxima.


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