História Atemporal: Viagem através dos tempos - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Almas, Casamento Arranjado, Magia, Troca De Corpos, Volta Ao Passado
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Palavras 4.025
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, Literatura Feminina, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Ah, espero que gostem. Bom capítulo.

Capítulo 3 - A nova Constancy


Fanfic / Fanfiction Atemporal: Viagem através dos tempos - Capítulo 3 - A nova Constancy

Quando Iker entrou na sala de jantar de sua residência, muito bem iluminada por três lustres, enfeitada com pinturas renascentistas nas paredes, com a bela mesa gigante cor de mogno ocupando boa parte do espaço e aquecida pela bela lareira, havia algo diferente nele. Seus sorrisos constantes eram empolgantes. 

Nem ver seu irmão junto da mulher que amava juntos na hora da refeição foi o sufiente para tirar seu bom humor e apetite como era o comum já que a maioria das vezes ceiava em seu aposento sozinho para evitar o casal. O gosto da vitória suprimia o da amargura agora. E por ter descontado seu estresse no ato sexual, podia-se dizer que estava mais tolerante e isso era mais que perceptível a todos, sejam estes empregados ou parentes.

Trajado com uma camisa branca que seu sogro lhe emprestara para voltar para casa depois que este implorou por desculpas pelo comportamento “insano” da filha, não conseguia tirar a jovem Constancy da cabeça. O cheiro dela, o corpo e aquele brilho feroz nos olhos. Não era amor, nem nunca seria. Mas estava seriamente atraído pela nova mulher que havia visto substituindo aquela entediante garota pela qual só sentia indiferente repulsa.

Caminhou pelo belo local, vendo os olhares de todos os presentes sobre ele e apenas tomou seu lugar a mesa enquanto a comida era servida em bandejas depositadas no centro da mesa. Pratos da mais fina louça e os talheres de prata reluziam sob a luz e estava distribuido ao alcance dos quatro ocupadores das cadeiras. Vinho do melhor foi servido na taça dele cuja borda era de ouro.

 Os empregados andando de um lado para o outro, colocando, mais e mais comidas sobre a mesa. Até que o banquete enfim estivesse servido.

—Então, meu querido. Como foi com sua noiva?

Se você soubesse o quão bem foi, mãe.... se assustaria.

A mãe dele, uma dama muito distinta e elegante, questionou esperançosa que houvesse alguma mudança na rejeição da segunda Bulstrode aquele matrimonio.

Ela sentava-se sempre na cadeira magistral, com encosto gigante que lembrava levemente um trono, que ficava na cabeceira de mesa. Usava um belo vestido verde escuro que evidenciava a palidez e joias singelas, mas carissímas, no pescoço, mãos e pulsos.  Iker era seu caçula e o filho com quem mais se preocupava por ser o mais “ frágil”.

—Agradável. —Respondeu simplório lançando de esguelha um olhar provocativo a Dante, que trajava apenas uma camisa social simples e uma calça bege, o cabelo dourado molhado indicando que havia acabado de banhar-se depois de chegar do trabalho.

Todos pararam de servirem-se, um tanto boquiabertos.

Uma expressão surpresa tomou o rosto da matriarca e dos outros presentes pelo sorriso nos lábios de Iker enquanto o rapaz saboreava o vinho servido em sua taça que tinha um gosto extremamente doce aquele dia em particular.

—Ela gostou dos chocolates? Os aceitou? Ou jogou-os fora como da outra vez?

—Aceitou-os, senhora minha mãe. Ficou contente até. —Informou convencido sentindo o cheiro de pernil invadir suas narinas e aumentar seu apetite o que era muito raro de acontecer. — Hoje nós ficamos bem um com outro. Ela parecia mais receptiva. Qual seria a palavra? — Fingiu não saber. —Talvez, dócil? —  A palavra foi dita com um olhar cheio de malícia.

—Não deveria ter ido lá.  —Dante praticamente rosnou alterado. —Ela ainda está indisposta e cansada. Possivelmente te recebeu bem para que fosse embora logo... Você não sabe a hora de parar e deve ter a deixado esgotada...

Realmente a deixei esgotada, caro irmão.

—Não acho que seja isso. Ela está incrivelmente mudada depois do acidente irmão e pareceu realmente apreciar minha companhia. Quer até que eu volte amanhã.  —Foi cínico. Dando um sorriso obscuro à medida que começava a encher seu prato com purê, um pedaço do pernil e logo uma espiga de milho cozido.

—Ah, mas isso é ótimo, meu filho. Estão se entendendo e isso é crucial para um bom casamento.  

—É. —Iker concordou, nunca tirando o olhar de Dante. —Acho que minha futura esposa percebeu que se lamentar não adianta nada e se conformou com o fato de eu ser seu noivo. Trocamos até um beijo. E, pode parecer estranho, mas ela tinha gosto de morango.

Dante fechou a mão em punho e se olhar matasse Iker sentiu que já estaria a sete palmos abaixo do chão naquele instante.

—Que progresso! —Elogiou-o a mais velha.  —  Quer dizer que ela não é tão indiferente a você quanto pensavámos. Logo teremos crianças correndo por toda esta casa vazia se continuarem assim...

—Ela é só uma criança, mãe. —Protestou Dante, furioso. 

Dante levantou-se da mesa de imediato e os olhares das duas mulheres foram para ele e Iker apenas sorria satisfatoriamente olhando para o próprio prato. Um silêncio tenso se formou. Iker concentrava-se na comida a sua frente segurando-se para não jogar na cara do irmão as outras coisas que tinha feito com a garota que ele chamava de criança.

Observou Dante se retirar da sala, pisando duro.

É por isso que não transou com ela, irmão? Queria mantê-la casta para saciar sua fantasia devassa? Vou adorar sua expressão quando for a examinar e a ver toda marcada por mim.  Acrescentou mentalmente e refreou sua boca antes que aquelas palavras saissem, dando uma garfada na comida e degustando-a com prazer. Moveu o garfo no ar, como se conduzisse uma orquestra, ainda sorrindo.

—Isso aqui está ótimo, mãe. —Iker elogiou enquanto mastigava.

A loira angelical levantou-se da cadeira para seguir o marido. Aquele dia usava um vestido dourado que combinava com sua pele ligeiramente bronzeada e bela.

—Alegro-me por vocês. —A voz amável de Lisandra o tirou de seu momento de satisfação. O lembrando de que nunca a teria. Um vazio nefasto o preencheu.  Não era Constancy que ansiava com toda sua alma e coração. Era aquela menina de fios dourados angelical e lindos olhos verdes que se assemelhavam a esmeraldas.  — Que sejam felizes, cunhado.

E logo ela saiu seguindo o outro.

 De repente, Iker perdeu a fome e a emoção do dia esvaiu-se tão rápido quanto havia começado.  Afastou o prato para o lado e limpou a boca com o guardanapo. Empurrou com as costas o encosto da cadeira para trás e se erguendo.

—Se me der licença, mãe. Vou me retirar.

—Claro, meu querido. —A mulher falou insondável. — Tenha uma boa noite.

Iker se levantou rapidamente, tomando a mão idosa em seus lábios e depositando um beijo ali em respeito se afastando com seu ar gélido tomando suas feições novamente.

Quando passou pelo corredor que levava aos quartos, escutou os gemidos vindo do quarto do irmão dele, não era a primeira vez, mas de alguma forma pareceu ser a resposta de Dante a investida dele.

 Quando Iker chegou a seu aposento derrubou tudo o que estava sobre a mesa em um reflexo movido pelo desespero que sentia. Passou as mãos pelos fios do cabelo preto trêmulo pela raiva que o invadia.  Seu peito inflamava pelo ódio.  Maldito. Maldito.  Desabotoou a camisa, furioso, e a jogou no chão.  Estava descontrolado, morrendo aos poucos agonizando e queimando na mais pura essência nefasta do ciúme.

Respirou fundo e fitou seu reflexo no espelho. Os sons do gemido doces daquela mulher não paravam. Deixando-o insano e ansioso como uma melodia que crescia mais e mais.

Deveria ser eu com você! Deveria ser eu a amá-la e...

 Distraiu-se ao ver o estrago no corpo dele, levou as mãos as marcas de Constancy, a menina que seu irmão queria para si talvez pela inocência que queria tomar. Como se procurasse algo no que descontar sua inquietação, começou a brigar mentalmente com ela.

Você não fez isso, garota. Você ousou me tratar como um objeto também?

 Recordou-se de como a tomou e da maneira nada cristã que se portaram no quarto e, de repente, todo o resto sumiu. Todos os sentimentos angustiantes em relação ao outro casal se amando.  Sabia que Lisandra e Dante, não faziam aquilo daquela forma porque não era o convencional. Ele era gentil com ela. Iker nunca havia visto arroxeados como os que deixou em Constancy na pele imaculada e leitosa da esposa do irmão. Mais uma coisa em que seu irmão era bom... ser gentil na cama.

 Mas Constancy, era exatamente o que Iker precisava para aplacar sua fúria.  Odiavam-se tanto que aquele ato foi tudo menos fazer amor.  Por isso foi possessivo, por isso marcaram um ao outro, querendo exercer seu domínio. Entendeu algo com aquilo, eles dois eram complexados e inseguros por isso marcavam território.

—Maldita possessiva. —Bufou, passando os dedos pelas marcas vermelhas que ela deixou nele sentindo a pele abrasar.

As imagens dela contra a parede gemendo roucamente o invadiram, não eram gemidos como os de Lisandra, finos e agudos, eram crus, raros e fatais. Fechou os olhos e respirou fundo afetado negando com a cabeça. Sentiu um calafrio e todos os seus pelos se arrepiaram ao ver as marcas de mordidas em seus mamilos.

Iinconsequente. Irresponsável.  Pirralha mimada. Prostituta maldita.

Bateu na parede, puto de raiva.

Quem você pensa que é? Eu nunca serei seu. Não tinha o direito de fazer isso comigo.

Não conseguia respirar direito, seu corpo estava quente ao imaginar que ela o marcou porque o via como uma posse também. Continuou recordando-se dela nua. Sua língua passou entre o lábio inferior inchado que ela havia mordido e um sorriso surgiu em seus lábios.

Cadela maldosa e arisca. Pelo visto eu não sou o único insano da nossa conturbada relação.

Ficou duro e se odiou por estar pensando nela quando aconteceu. Manteve a testa apoiada contra a parede, sua respiração entrecortada e seu membro pedindo por alívio. Tocou-se lembrando da sensação de estar com Constancy. De fodê-la apoiada na parede. E de repente os sons do outro quarto já não estavam mais em sua cabeça o deixando paranoico e sim as imagens de sua noiva nua na cama como se o convidasse a deitar-se  com ela novamente. .

 

Manteve um rítmo frenético buscando seu alívio e quando alcançou se acalmou novamente sentindo a mesma epifania que sentira com ela.

Deitou-se na cama satisfeito.

...

Na manhã seguinte, as janelas da casa estavam abertas, fazendo o clarão do dia ser a luz natural que nutria a casa. O cheiro de café  recém feito invadia a mansão incrivelmente bela. E Iker aproximou-se da mesa de mogno, vendo as peças de porcelana chinesa a enchendo. Havia bolos, pães, geleia, queijo e manteiga. Bules com chá e café. Jarras com suco de laranja. Dante estava na mesa sozinho apreciando seu café.

—Dormiu bem ontem à noite irmão? — Questionou provocativo quando Iker sentou-se na mesa e começou a preparar seu dejejum.

O garoto deu um sorriso entendendo o jogo.

—Sim. Preciso estar bem disposto hoje.  Vou passar o dia com Constancy. Levá-la para fazer compras e mimá-la um pouco.   

—Como médico dela, eu não recomendo que...

—Como noivo dela, se ela está indisposta, devo estar por perto e tentar agradá-la como mamãe sugeriu. —Revidou calmo e frio. —Vou levar alguns livros meus para ela também. Pelo que eu soube ela gosta de ler.

—Sim, ela gosta. —Confirmou a contragosto.

—Então, irmão. Essa é minha deixa. Eu já vou indo. O cocheiro me aguarda.

Deu um sorriso provocativo ao loiro.

 

 

 

...

 

Quando Iker apareceu era cedo.  Foi recebido pela senhora da casa que o encarava com interesse.  Encarou-a repreensivo.

Que mulherzinha mais sem escrúpulos viu.

—Minha noiva está? — Foi conciso por estar incomodado.

—Sim, ainda está dormindo. Isso nos permite um tempo para prozearmos, não acha?

—Se ela está dormindo a acorde e diga que o noivo dela está aqui. —Sugeriu sarcástico e sem paciência para os flertes daquela atrevida.

A loira arqueou a sobrancelha pela rejeição cruel.

—Não será preciso. Minha senhorita, já está descendo, meu senhor. —A moça ruiva informou, interrompendo-os.  Ela desceu as escadas e encarou-o como uma nobre dama faria e parou um pouco distante deles.

—Devo servir algo enquanto espera por ela?

—Não será preciso. Obrigado. —Recusou educado.

Iker viu o olhar severo que a dona da casa dirigiu a dama de companhia de Constancy por atrapalhar o que ela julgava estar sendo algo bem sucedido. A ruiva nem sequer piscou. O rapaz estava realmente agredecido pelo timing perfeito daquela serviçal. Ela era incrivelmente bela também e tinha mais classe do que a nova esposa de Bulstrode. Simpatizava com ela por sua discrição e eficiência. Ela o havia ajudado com seu álibi noite passada ao confirmir que Constancy o havia atacado.

Constancy desceu as escadas desastradamente pelo maldito vestido e salto e Iker conteve um sorriso. Ela estava bonita, o vestido era claro e a dava um ar inocente.  Parou quando viu o olhar de raiva que ela o dirigiu como se o desafiasse a continuar rindo dos tropeços. Caminhou até ela, sério, subindo até metade dos degraus e estendeu a mão. Alex o fez perguntas com o olhar, completamente confusa.

—Não tenha ideias erradas. Demorará uma eternidade se descer sozinha. Pelo visto, a queda afetou sua cordenação motora também, querida. —Provocou-a perversamente.

 Ela riu e revirou os olhos. Aceitou a ajuda. A mão enluvada dela encontrou a dele e Iker depositou um beijo no dorso, a viu corar e o mesmo olhar da noite passada ressoar nos olhos dela, um tipo de intensidade misturado agora a uma leve timidez. Ignorou o frio na barriga que sentiu e a guiou até o fim da escadaria calmamente e mesmo tendo chegado ao objetivo continuaram de mãos dadas.

—Vamos dar um passeio pelas lojas hoje? —Sugeriu ansioso. —Quero te dar alguns mimos e...

—Sim. —Concordou Alex sem deixá-lo terminar, estava animada e pulando.

O que diabos é você? Uma criança? Iker revirou os olhos pela atitude fofinha.

—Espera. Ao que parece estou de castigo e...

—Vá logo. —A voz sem emoção da madrasta ecoou pela sala de visitas. —Seu pai disse que se fosse com ele, eu poderia permitir que saisse. —Explicou a loira a contragosto.  

—Você deseja que eu vá com você, senhorita? Está quente hoje e sua pele é sensível. É preciso que alguém segure seu guarda-sol enquanto caminha. —A voz doce e amável à fez se virar para a ruiva.

 —Oh, eu... Não acho que será preciso, mas obrigada. —Foi educada. Todos a encararam sem entender,  Constancy não agia nunca daquele jeito com a criadagem e nunca saia sem alguém segurando seu guarda sol. Já Alexia não sabia como reagir a tanta gentileza e aquela moça sempre era boa e parecia a tratar com tanto carinho e não parecia ser só porque era sua serva. —Que tal isso, tire o dia de folga.

—Dia de folga? —Estranhou Madeline.

—Sim, deve ter algo que você queira fazer quando não estou por perto. Hoje está liberada de suas atividades habituais.

—Se é que deseja minha senhorita, sua vontade será feita. Agradeço-a por sua bondade.  Desejo a ambos um bom dia e bom passeio. 

—Obrigada. —Falou Alex eufórica. Olhou então para Iker,  ansiosa. Puxando a barra da manga do terno dele.  Havia se preparado para recebê-lo, descoberto o nome dele inteiro e tudo o que poderia graças a sua dama de companhia. E tinha algum dinheiro consigo em uma bolsinha, moedas que Madeline ensinara como usá-la apesar de estranhar o comportamento atípico.   — Vamos, Iker?

—Sim. Estou sentindo que se não formos agora, você vai enlouquecer

...

Encararam-se dentro da carruagem. Ele ainda ria dos tropeços que ela deu mais cedo. Constancy sentou no estofado de frente ao dele, emburrada, o que a fez parecer bonitinha.  E a carruagem começou a se mover.  

Iker não a reconhecia mais. Havia empolgação nos olhos dela enquanto observava a velha Londres fedorenta pela janelinha da carruagem. O jovem se viu perdido enquanto a observava. Quem era ela? Parecia uma desconhecida contemplando novas terras.

—Ei. —Chamou a atenção dele o fazendo sair de seus devaneios. —Ontem, o doce que me deu. Onde o conseguiu? —Quis saber curiosa. Havia tanta vida nos olhos dela. Constancy definitivamente não era mais a mesma.

—Você apreciou? —Um  inconsciente e belo sorriso estampou-se no rosto dele e ela assentiu com a cabeça. —É uma loja pequena de chocolates. Se desejar mais posso conseguir para você. Tudo o que quiser posso dar a você. —Flertou sem perceber. O olhar desceu pelo vestido e pelo discreto decote. Ela parecia tão pura sob aquela ótica. A pele dela pareceu macia demais. Não se lembrava da sensação de  tocá-la porque havia sido algo muito mecânico e...

Que merda está acontecendo comigo? Eu a odeio. Odeio. Estou a usando apenas.

—Eram deliciosos, os doces.  Comi metade, mas como eram muitos dei a Madeline também. —Foi educada e tímida. Então, corou fortemente. —Mas dessa vez, eu gostaria de comprá-los para você. Como agradecimento por me tirar de casa hoje. Um dia trancada e você aprende a apreciar a liberdade. As coisas aqui são tão diferentes....  

Iker ofegou incerto a fitando. O coração dele bateu rápido. Era diferente do ódio que fazia o sangue pulsar de desejo. Queria tocá-la e beijá-la mesmo que fosse algo mais contido e inocente como via Lisandra e Dante fazerem.

—Você não precisa comprar nada para mim... —Expressou-se meio cruel, apesar de estar tocado pelo gesto dela.

—Eu quero. —Afirmou ela teimosa, dando o assunto por encerrado.

Quando chegaram ao seu destino que era as ruas e os cafés de Londres,  Iker pagou o cocheiro e  a ajudou a descer com as mãos na cintura dela, quando pisaram na terra lamacenta, entrelaçou o braço com o de sua noiva que o olhou ligeiramente sobressalteada.

—Você ainda está desastrada. Considere isso como eu não querendo que me faça passar vergonha. —Incitou-a de propósito e sentiu um leve soco em seu ombro. Sorriu sem que ela visse.

—Idiota. —Ofendeu-o, porém de um modo que indicava que era apenas uma brincadeira e algo íntimo.

Caminharam juntos. Lado a lado. Um silêncio confortável era a atmosfera que os envolvia.

—Há algo em especial que queira, Constancy?

Nada nas vitrines de vestidos e joias parecia captar a atenção dela e ele se sentiu ansioso já que não conhecia bem o gosto da moça como Dante. Andaram por horas, Iker já estava inquieto  quando a viu parar de andar. O coração de Alexia parou ao escutar a melodia da canção de ninar que Irene cantarolava para ela dormir quando tinha medo.  Ela ficou melancolica de repente e começou a apontar para a loja de  caixas de música que era de onde vinha o som nostálgico. Aquele gesto infantil e desesperado o surpreendeu.

—Ali. Eu quero aquilo. —Decidiu-se. Sorriu para ele lindamente.

 O rapaz perdeu-se no brilho que aquelas íris azuis tinham enquanto miravam o presente que escolhera. Ouviu dizer que o irmão dele a enchia de presentes caros. Deveria superá-lo e aquele era algo simplório se comparado ao que ela já havia ganhado de Dante...

—Só aquilo? Não há nada mais? Eu te darei o que quiser... —Tentou. Ela parecia determinada, no entanto.

—Não. Só quero aquilo. —Insistiu meiga. Mesmo contrariado, selou os lábios nos dela rapidamente e puxou-a levemente a guiando até a loja.

—Tudo bem. Se é o que quer, irei te dar. —Foi um tanto bruto.

...

Enquanto caminhavam até a loja de doces, a viu dando corda na caixinha pequenina e preta, de novo e de novo e sorrindo bobamente feito uma garotinha.

—Você gostou mesmo disso? —Procurou saber e em resposta a viu apenas fitar o presente com devoção e então olhá-lo com gratidão. O coração de Iker o traiu em uma batida, nunca vira aquele olhar direcionado a ele antes além do de sua mãe, era admiração com doçura e bondade.

—Sim, muito. —Falou emotiva e sorriu. —Essa música é uma canção de ninar que minha mãe cantarolava para mim. É por isso que é especial. É como se eu estivesse carregando um pedacinho dela comigo, mesmo que tudo esteja tão confuso agora.  Obrigada. Agora me sinto um pouco em paz.

 

Por impulso, Alexia foi para frente dele, ficou na ponta dos pés e o beijou o pegando de surpresa. Não foi como antes. Era meigo, um selinho de namorados tímido e dengoso. Levou a mão ao rosto dela e cessou o beijo com um carinho. Roçou o nariz dele  no nariz da moça vendo algumas lágrimas nos olhos da jovem.  As enxugou, comovido.

—Eu fico realmente feliz que meu presente a comoveu tanto, meu doce anjo.

As palavras simplesmente escaparam dos lábios dele. Palavras que ele usava somente para se referir a irmã dela.  A abraçou ternamente e a manteve firme contra seu peito buscando consolá-la. Ela era tão ridiculamente baixa.

Contemplou-a vendo a inocência naqueles olhos lacrimejantes, fazendo-o esquecer da sordidez da noite passada e o coração dele não caber dentro do peito. Era algo tão inexplicável e tão genuíno e puro que o assustou. Não conseguia parar de olhar para ela. Não conseguia não sentir pelo menos certo carinho.

—Eu devo estar parecendo uma boba chorando assim, não é?

  —Não, querida. —Garantiu suave e novamente palavras doces, notou ele zangado consigo mesmo.  Um suspiro exasperado saiu dele,  vendo o nariz ligeiramente vermelho e as bochechas rosadas. —Só lamento não ter um lenço para confortá-la.

—Você é o suficiente para me confortar, Iker. Eu só preciso que me abrace assim, quando eu parecer perdida.

Ele a soltou petrificado e a afastou. Quem era aquela garota?

Fitaram-se no meio da rua. Carruagens passavam, pessoas andavam e cavalos trotavam, mas por um momento só houve eles dois e aquela aura sincera. Ela havia se exposto a ele. Notou. Um tipo de exposição dolorosa que era difícil de se deixar evidente por ela ser orgulhosa demais.

—Eu quero comer doces agora se não se importa. —Decidiu ele, estava um tanto atordoado por não saber como reagir. A viu enxugar as lágrimas e assentir com a cabeça novamente, ainda contente pelo passeio que davam. —Estamos perto agora, Constancy. Vamos indo.

Voltaram a caminhar lado a lado, de braços entrelaçados e em passos lentos, já que ele percebera que ela parecia meio indisposta talvez.  Quando chegaram a chocolateria o cheiro do doce aqueceu ainda mais o coração de Alexia.  Sentiu-se em casa por um momento quando entraram, e a boca dela salivou, foi quando viu o médico que cuidou dela quando acordou e sentiu Iker apertar a mão dela  com certa força.

Por que o coração dela disparava quando via aquele homem loiro¿ Por que se sentia toda boba, sendo que ele não era seu noivo¿ Não gostou nada daquilo. Daquela traição descarada do corpo dela com o rapaz que estava ao seu lado.

—Olá, Constancy. Como está? —Se aproximou deles com um sorriso falso que ela reconheceu de imediato. Aquele cara dava nos nervos. Sinceramente.

A garota viu a aliança no dedo dele e segurou ainda mais forte a mão de Iker que ficou surpreso pela demonstração de afeto dela. Esperava sinceramente que ela o afastasse e  ela levou o presente que ganhou dele ao peito orgulhosa.

—Eu e meu noivo, vamos bem. Estou acompanhada caso não tenha percebido. O que eu acho que é impossível não se notar, considerando que ele é seu irmão. —Foi sarcástica, cortante, indiferente, fria e cruel. 

Posso ser uma vadia no meu mundo, cara. Mas nunca me envolveria com um homem casado. Não importa o quão apaixonada ele faça eu me sentir. Desencana.

Iker a examinou abismado. Um sorriso orgulhoso formou-se nos lábios dele.

—Essa caixinha de música é nova... A que eu te dei era mais bonita e cara, não? Acha mesmo que é uma troca justa?—Dante incitou a discórdia no casal.

Por um momento Alexia não soube o  que dizer e se amaldiçoou mentalmente quando Iker soltou a mão dela. Contudo, ela a arrebatou de novo e quando o mirou, viu fúria nos olhos dele.

Eu não tinha como saber que ele tinha dado uma caixinha a outra. Desculpe.

— Essa tem um significado mais especial do que qualquer dinheiro que possa ter gastado na outra. Deveria comprar presentes para sua esposa e não para mim. Eu já tenho quem me dê o que eu quero considerando meus sentimentos e não a vontade de me comprar para me levar para cama. Passar bem, idiota.


Notas Finais


O que vai acontecer quando a verdadeira dona do corpo voltar a possuí-lo? Será que vai causar problemas para o que Alexia já conseguiu e para o novo romance que a moça está cultivando?! Fiquem ligados.


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