História Atheiron - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Aventura, Drama, Fantasia, Magia, Mistério, Morte, Novela, Originais, Romance, Violencia
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Palavras 2.123
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência
Avisos: Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Sim, fiquei um tempo sem postar capítulos, MAS, é porque eu estava de recesso, férias, enfim, chamem como quiserem. Ainda assim peço desculpa porque voltei ainda segunda-feira, quase uma semana atrás, e só estou postando agora um capítulo que já tinha pronto, perdoem-me. De qualquer forma, esse capítulo terá um pouco de ação após alguns capítulos parados, então aproveitem. Talvez domingo que vem eu poste o próximo capítulo, depende de algumas coisinhas, mas assim que possível irei postar o próximo. Então, desfrutem deste capítulo!

Capítulo 4 - Aquele que não sorri


Já estava quase me acostumando a conturbada viagem de carroça. Faltava apenas seis horas para chegarmos em Cartzport, meu coração acelerava incessantemente. Maxwell dormia na parte de trás do veículo puxado por quatro cavalos, eu estava na frente, junto de Shikimatsu, que controlava a direção dos animais por meio de algumas cordas. Demetri e Jackie seguiam conversando sobre a academia sentados juntos de Maxell.

Logo chegaríamos na última vila do caminho até a capital, passaríamos lá para almoçar, porém antes que pudéssemos fazê-lo, os cavalos pararam subitamente e começaram a relinchar.

― Hei, hei! Calminha!

Shikimatsu tentava acalmar os animais.

― O que aconteceu para eles terem parado assim? ― perguntei ao rapaz de cabelos brancos ― Será que há algum animal selvagem na beira da estrada?

Ele respondeu buscando encontrar algo no meio da mata.

― Não faço a mínima ideia, mas seja lá o quer for, deve ser grande.

Começamos a observar atentamente. Era possível ouvir alguns galhos quebrando em meio as árvores. A floresta que ficava na beira da estrada era muito densa.

― O que está acontecendo?

Gritou Jackie.

― Ainda não sabemos ao certo!

Repliquei.

Ambos os rapazes que batiam um belo papo se levantaram, Maxwell milagrosamente continuava dormindo, pra começo de conversa nem sei como ele fez para conseguir dormir numa carroça em movimento, era uma façanha e tanto.

Os cavalos continuavam inquietos. Logo foi possível ouvir os barulhos de passos, o bicho certamente era grande.

“Roooaaar”.

Um rugido ecoou pela floresta. Vários pássaros saíram voando das copas das árvores.

― Pelo rugido não há dúvidas, é um ogro. Wonderhaa, quero que você e seus amigos o derrotem. Encare isso como um teste.

― Espera aí, quê? O que foi isso do nada? Você acha que conseguímos derrotar um ogro?

Realmente, a ordem de Shikimatsu foi muito repentina.

― Se vocês não puderem derrotar um simples ogro, sequer serão qualificados para entrar na academia.

Ele estava certo. Os ogros eram uma raça bem comum, encontrada facilmente no meio de florestas, mais precisamente em banhados. Levando em conta a ordem do rapaz de cabelo branco, apenas falei:

― Tudo bem. Demetri, jackie, vocês o ouviram.

― Sim.

Disse Demetri, um pouco apavorado com a situação.

Ambos descemos da carroça. Desembainhei minha espada que se encontrava em minhas costas. Demetri logo pegou suas duas adagas encontradas em ambos os lados de sua cintura. Jackie empunhou sua Katana, tirando-a lentamente da bainha.

― Estejam preparados para desviarem dos ataques. Os ogros são muito mais fortes que os humanos, então não queiram tentar se defender de forma alguma.

Shikimatsu ia nos instruindo de cima da carroça, estava de braços cruzados, apenas assistindo o que viria se tornar uma batalha feroz.

Ele estava certo, os ogros são muito mais fortes que os humanos, porém são desprovidos de inteligência, eram idiotas, o que nos ajudaria e muito.

O barulho dos passos foi ficando mais alto. Era possível ver a vegetação se movendo.

“Rooaaar”.

O feroz inimigo surgiu de dentro da mata ferozmente, dei uma bela olhada nele, dos pés a cabeça. Era a primeira vez que via um ogro de verdade. Devo admitir que meu corpo todo se estremeceu, meus pelos estavam arrepiados.

Engoli em seco. Tentei me concentrar. Era apenas um inimigo, de três metros de altura, pele esverdeada, e carregava uma enorme clava, mas era apenas um, nós eramos três.

― Muito bem, lembrem-se do nosso treinamento…

Disse Demetri, enquanto respirava fundo.

O enorme ser estava logo a nossa frente, sabíamos que ele atacaria primeiro, e como sua clava era basicamente uma tora de madeira enorme esculpida, demoraria para se recompor após dar um ataque.

Ele veio. Ergueu a enorme arma branca com ambas as mãos, apenas de vê-lo manuseando-a era possível perceber que se tratava de um objeto extremamente pesado, até mesmo para um monstro desses.

O golpe se dirigiu de cima pra baixo, visando acertar Jackie, esse que rolou para a direita. Eram apenas alguns segundos, mas tínhamos que aproveitar.

― Agora!

Gritei com todas as forças.

Fomos ambos para cima do monstro, que buscava forças para reerguer sua enorme arma. Deveríamos atacar em pontos estratégicos. Uma batalha de três humanos contra um ogro era simples e ensinada em qualquer campo de treinamento. Dois iam por trás do inimigo e atacavam ambas as juntas dos joelhos dele enquanto um ficava na frente, para quando ele caísse pudesse atacar seu pescoço, perfurando sua jugular e assim matando o animal. Essa tarefa seria designada a mim, já que era o único que possuía uma arma capaz de ser utilizada para perfurar.

Meus dois amigos se dirigiram rapidamente para a parte de trás do monstro, desferindo golpes secos e rápidos em suas juntas. Porém, apenas o golpe de Jackie surtiu algum efeito.

― Mas o q…

Antes que ele pudesse terminar sua frase, o ogro conseguiu reerguer sua clava e virou rapidamente em 180º, dando um estrondoso golpe da direita para a esquerda em meu amigo, que acabou sendo lançado para o meio do mato. Nem sequer um grito foi proferido de sua boca ao ser atingido.

― DEMETRI!

O grito veio do fundo de meus pulmões.

Não conseguia raciocinar direito em um momento desses. Lutar para sobreviver era algo constante para os guerreiros, o perigo era sempre eminente. Porém, uma batalha real é muito diferente dos treinamentos, ainda assim não conseguia entender o porquê do ataque de Demetri não ter o ferido e o de Jackie ter apenas feito um raso corte em sua junta direita.

Deixando esses pensamentos de lado, virei-me para meu amigo ainda de pé.

― Jackie! Sai daí, rápido!

Ter mais um desfalque na luta seria uma derrota certa, eu não poderia enfrentar o monstro sozinho.

― T-tá!

Jackie saiu de lá correndo, o ogro reerguia sua clava. Não podia compreender como um monstro desengonçado desses, com uma arma dessas, conseguiu virar-se tão rapidamente para atacar meus amigos. Enquanto Jackie corria eu fitei o garoto de cabelos brancos em cima da carroça.

― Hei! Shikimatsu! Qual é o sentido disso?

― Hm, pelo que parece, ele é um espécime raro.

― Como assim um espécime raro?

― Da mesma forma que há humanos mais fortes que os demais, com as outras raças não é diferente. E bem, esse daí parece estar bem acima do normal, digamos que é um monstro nível B.

Um monstro nível B. Da mesma forma que os rankings humanos, os monstros também eram divididos em níveis. Eu era um guerreiro C-, Jackie era um C+, mas ainda assim não chegávamos perto de um B. Em outras palavras, a presença de Demetri seria crucial nessa batalha.

Jackie veio correndo até mim, logo se posicionou ao meu lado. O enorme humanoide vinha caminhando lentamente até nós. Meu amigo, sem tirar a atenção de nosso oponente, disse.

― Creio que já deve ter percebido, mas uma estratégia convencional não será o suficiente para derrotá-lo. Na academia nada foi dito quanto a oque deveríamos fazer caso enfrentássemos uma anormalidade.

― Basicamente, está me dizendo que devemos formular nossa própria estratégia aqui?

― Exatamente.

Em minha concepção, Shikimatsu já sabia desde o início que esse ogro era diferente, pois ele não esboçou alguma reação de surpresa com o acontecido.

― De uma forma ou de outra, precisamos derrubá-lo, caso contrário nunca poderemos matá-lo assim. A perna que você conseguiu ferir foi a direita, certo?

― Sim…

― Então ela será nosso foco. Porém, apenas abrir um talho em sua junta não será o suficiente para que ele caia.

― O que você sugere fazermos nesse caso então?

― Você ataca por trás, e eu pela frente. Desferiremos os golpes ao mesmo tempo, você arrebenta os tendões da junta dele e eu rompo o ligamento do joelho. Ele não vai conseguir se manter de pé com apenas uma das pernas, não enquanto segurar uma arma pesada daquelas.

― Sabe Wonderhaa, você pode se achar inferior por não ter desencadeado seu potencial mágico, mas de todos nós, com certeza é aquele que tem a arma mais forte…

― Oque você quer dizer com isso?

― Nada, não, esquece. Agora precisamos nos focar.

No momento não havia entendido oque ele havia dito. Mais importante que isso, nosso oponente já estava muito próximo de nós. Fiquei em posição, mais um ataque arrasador dele estava vindo, dessa vez tentaria acertar nós dois, com um poderoso golpe horizontal, como aquele que acertou Demetri.

Eu me abaixei no instinto. Foi possível sentir a pressão do ataque com o vento que ele causou, algumas folhas que estavam na estrada foram jogadas longe. Olhei rapidamente para meu lado, Jackie também havia conseguido desviar. Logo apenas assenti com a cabeça, ele entendeu o recado e iniciamos nossa estratégia.

Rapidamente ele foi correndo para trás do ogro, esse que ainda buscava novamente seu equilíbrio após ter desferido um poderoso golpe, porém, ele não o recobraria mais. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, nosso ataque em conjunto o acertou. Tratei de colocar uma grande quantidade de força, já que o golpe de Demetri não havia o ferido.

― Hyaah!

Soltei um grito, não sei porquê, mas o soltei. Meu golpe horizontal o acertou em cheio. Ele rugiu, mais alto que as outras vezes, seu enorme corpo pendeu para sua direita e ele caiu. Funcionou, a nossa estratégia formulada no momento realmente funcionou.

Nosso inimigo estava caído, impotente no chão, tentando se levantar. Grande quantidade de sangue emanava de sua perna. Eu o fitei, ele fez o mesmo. Pude observar a dor em seus olhos verdes. Por algum motivo, essa era uma sensação boa, me sentia incrível. Há poucos segundos estava tremendo de medo, e agora eu o olhava por cima, era como se eu fosse superior.

Um sentimento estranho me dominou. Posicionei a ponta da espada direcionada em sua jugular.

― E aí, como você se sente sendo facilmente humilhado e derrotado por apenas dois humanos?

“Roooar…”

Era de se esperar que não responderia nada que eu pudesse entender, porém não sabia se ele havia me entendido, talvez sim, mas isso não vinha ao caso.

― Bem, eu realmente não tenho culpa de sua raça ser tão imbecil, é elementar que carregar uma arma mais pesada que o limite imposto pelo seu corpo pode tornar a possível força em uma fraqueza. Perdoe-me, mas essa é a lei dos mais fortes.

Após proferir tais palavras eu espetei minha espada em seu pescoço.

A sensação transmitida para minha mão era surpreendente, ela irradiava por todo o meu corpo. Sentir a pressão que os seus músculos causavam em minha espada era algo incrível. Ele rosnava, em um tom choroso. Eu estava sendo mal? Não, com certeza não. Em hipótese alguma esse ser pensaria duas vezes antes de me matar, se é que ele podia pensar em algo.

Retirei minha espada rapidamente de seu pescoço. Uma grande quantidade de sangue jorrou e acabou formando uma poça.

Antes de me dar conta, comecei a rir vendo essa cena, ria incessantemente. As palavras apenas saiam de minha boca, eu não sabia o motivo, mas isso me deixava agitado, era cômico e satisfatório ao mesmo tempo.

― Hahaha! Quão irônico isso pode ser meus amigos? Normalmente esses seres estariam no topo da cadeia alimentar, nos caçariam pelas matas, seriamos como ratos pelados e indefesos fugindo deles, porém quis o destino que fossemos superiores, não em força, mas sim nisso aqui.

Dei dois toques em minha cabeça com meu dedo indicador. Era isso, nada era páreo para os humanos, nem elfos, nem goblins, nem gigantes, nem dragões. Sentia que poderia fazer tudo. Era apenas a primeira vez que matava um ser vivo em combate, mas essa sensação de superioridade era incrível, ver o cadáver de meu inimigo no chão, e saber que eu mesmo o matei, era algo impagável. Eu queria mais, muito mais.

― Hei Shikimatsu, no torneio que participaremos é permitido matar não é?

Gritei para o rapaz de cabelo branco.

― Você sabe que sim, pra que a pergunta?

― Nada, apenas queria ouvir isso.

Por alguma razão, escutar algo assim me deixava eufórico. Mesmo já tendo em mente que era permitido, ouvir alguém dizendo isso, abertamente dessa forma, me fazia sentir-me bem.

Logo Jackie se aproximou mais de mim.

― Wonderhaa, você tá bem?

Perguntou meu amigo, colocando sua mão sobre meu ombro. Logo tratei de respondê-lo.

― Por que eu não estaria?

O rapaz de cabelo castanho escuro replicou:

― Não sei, isso não é normal. Você não é acostumado a rir, mas continua com esse sorriso de orelha a orelha no rosto…

Após ouvir isso eu voltei a mim. Meu tom sério e desleixado de sempre veio a tona novamente, e foi aí que me perguntei: Por que mesmo eu estava sorrindo?

 


Notas Finais


E ai? O que acharam? Devo admitir que daqui pra frente o desenrolar da história ficará cada vez melhor, então se possível sigam-na, para que não percam nenhum capítulo. É isto, espero que tenham curtido, até o próximo capítulo!


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