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História Atlanta - La Casa de Papel - Capítulo 14


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Notas do Autor


Hey, olha quem voltou e com capítulo novinho! Ei obrigado pelos comentários, pessoal. Tem sido tempos difíceis com tudo que vem acontecendo no mundo, mas essa fic é meu xodó então não se preocupem. Não pretendo abandona-la só que as vezes o bloqueio criativo é pesado, então eu preciso ficar um tempo quietinha até ele passar. Ok, agora sim, boa leitura 🥰👉👈

Capítulo 14 - Capítulo 14: Roleta russa


Fanfic / Fanfiction Atlanta - La Casa de Papel - Capítulo 14 - Capítulo 14: Roleta russa

Segunda-feira 18:00

80 horas de assalto 

As coisas tinham voltando a estar tranquilas, bom ao menos, minimamente. Nosso dinheiro continuava sendo impresso com perfeição, entretanto agora estávamos com um problema maior.

O professor       

Nós e o cérebro da nossa operação tínhamos estabelecido um sistema de chamadas, tudo isso enquanto estávamos em Toledo. Deveríamos esperar notícias do Professor a cada 6 horas, até que o ciclo de 24 horas fosse completado. Se o ciclo terminasse e continuássemos sem notícias, seria porque o Professor foi descoberto e estaria sendo interrogado.

Eu achava que isso era impossível de acontecer, mas conforme cresci eu aprendi que existem milhões de possibilidades para qualquer situação. Enfim, nesse momento eu estava caminhando até o nosso escritório para me encontrar com os outros. Íamos ligar para o professor pela terceira vez no dia.

Quando chego no escritório, Berlim está sentado na mesa, Nairobi está a sua esquerda e Moscou a sua direita. Tokio está de pé andando de um lado para o outro, Denver ao lado de seu pai, Helsi e Rio sendo os únicos que não estão ali já que estão vigiando os reféns.

Me sento silenciosamente no lugar vazio ao lado de Nairobi e vejo ela me oferecer um cigarro, balanço a cabeça negando e então Moscou olha para todos nós e depois para o telefone.

- Está na hora. - ele diz com nervosismo em seu tom. 

Berlim olha para seu relógio e sua própria voz se faz presente.

- Ainda falta um minuto para as seis. - ele nos informa enquanto Nairobi começa a fumar.

- Bem, dadas às circunstâncias, você sabe onde enfiar a sua pontualidade britânica. - Moscou responde enquanto pega o telefone e aperta o botão ligando para o Professor.

Todos nós o observamos com expectativa, em minha cabeça eu rezava para que o professor atendesse, talvez assim as coisas ficassem menos tensas. Não deu muito certo, já que depois de alguns segundos Moscou suspirou e desligou o telefone.

- Terceira chamada sem resposta, já são 18 horas sem notícias do Professor. Sabemos o que isso significa. - Moscou diz devagar.

Observo por um segundo cada um dos meus companheiros e percebo que Berlim é o menos preocupado de todos nós, ele está bebendo café em uma pequena xícara com toda a calma do mundo. A voz de Moscou me traz de volta para a realidade.

- Também não sabemos nada da polícia, algo deve estar acontecendo lá fora. O que fazemos? - ele pergunta e eu cruzo os braços.

- Bem, ainda falta uma ligação pra completar o ciclo. - Berlim começa a dizer colocando a xícara agora vazia sobre a mesa. - À meia-noite. 

- Que ciclo? O ciclo da maldita ratoeira? - Denver pergunta com raiva.

- Denver, se acalma. Nós não sabemos de nada que está acontecendo lá fora, não podemos tomar decisões precipitadas. - digo tentando evitar uma discussão e vejo o rapaz de olhos azuis bufar. 

- O professor deve estar resolvendo algum problema, não há nada com o que se preocupar ainda. - Berlim volta a dizer enquanto pega duas taças e uma garrafa de vinho de um armário. - Por ora, vamos continuar vigiando os reféns e imprimindo dinheiro. Atlanta, quer ir descansar?

Olho para Berlim com surpresa, eu não esperava isso. O homem ergue uma sobrancelha em minha direção como uma pergunta silenciosa, mas antes que eu possa pensar em responder ouvimos a voz de Tokio.

- Isso é uma piada? Estamos com problemas e vocês vão ir fuder? - ela pergunta caminhando até estar na frente de Berlim.

- Vocês dois? - Denver pergunta surpreso alternando seu olhar entre Berlim e eu.

- Tokio, por favor. Não há necessidade de ser tão vulgar, não faça isso, não combina com você. O que eu e Atlanta fazemos em nosso tempo livre não importa a você, além disso, não somos os primeiros e nem os últimos a quebrar as regras do Professor. Qual é o problema? - Berlim pergunta com ironia. 

- O problema é que o plano está desmoronando, então você pode dar esse sorrisinho pra qualquer um, menos pra mim. Talvez você não ligue porque já está desenganado, mas esse não é o meu caso. - Tokio responde com raiva em seu tom.

- Já chega, por favor, precisamos parar de discutir desse jeito. Isso não vai nos levar a lugar algum. - digo alto me levantando do meu lugar.

- Eu estou indo. - o homem avisa me dando uma última olhada antes de começar a se virar apenas para ser interrompido. 

- Filho de uma grande puta. É sério que com tudo que está acontecendo você vai ir transar? Com quem? Porque a Atlanta levou um tiro, ela não dorme a dias, está exausta. Vai fuder com uma refém? Porque não tem nada mais assustador do que isso. - Nairobi diz e eu balanço a cabeça incrédula.

- Ok, agora pegou pesado. - digo começando a caminhar em direção aos dois até que ouço Denver suspirar. 

- Vamos lá, não é tão ruim quebrar as regras. Nunca fizeram sentido, também não pode ser tão ruim estar com uma refém, quer dizer, se há amor qual é o problema? Não tem o que fazer. - o rapaz diz me dando um rápido olhar e eu encolho os hombros sem saber como ajudá-lo.  

Olho para Nairobi e Berlim, ambos pararam de discutir e estão observando Denver assim como todos na sala. Nairobi parece nervosa, enquanto Berlim parece estar se divertindo com a situação.

- Denver, não... - Nairobi diz em um sussurro e vejo o rapaz de olhos azuis cruzar os braços. 

- Bem, sim, eu também tenho uma relação. Com Monica Gaztambide. - ele diz sob os olhares surpresos de todos na sala menos eu.

- O que você está dizendo, filho? - Moscou pergunta confuso. 

- Merda. Eu salvei a vida dela, aí ela me abraçou e me beijou, eu não a obriguei a nada, havia amor. - o rapaz tenta se explicar apressadamente enquanto Nairobi o observa com o cenho franzido.

- Mas que amor, monte de merda? Você não sabe o que é a síndrome de Estocolmo? - ela pergunta estressada.

- Não, desculpe. Olha Nairobi, eu não sei que síndrome é essa. Mas se ela tiver uma síndrome ou uma doença vamos superar isso juntos. - ele responde com determinação e eu dou um sorriso orgulhosa. 

- Não, vocês não vão superar juntos, porque é você que está causando isso. A síndrome de Estocolmo é quando uma refém acaba tendo sentimentos pelo sequestrador, essa garota deve estar com medo e você é um analfabeto pensando que é amor. Qual é o seu problema? - Nairobi diz com raiva e eu vejo Denver olhar para o chão.

Troco um olhar com Moscou, nós dois parecemos ser os únicos sabendo que discutir não vai resolver nada. Ele cruza as mãos e então olha pra cada um de nós enquanto começa a falar.

- Chega! - ele diz fazendo todos ficarem em silêncio. - Aqui ninguém tem um prêmio Nobel, se Tokio quer estar com o Rio ou Atlanta com o Berlim, isso é entre eles. Tá na hora de pararmos de jogar merda uns contra os outros. Estamos em uma situação crítica.

- Não. - Berlim interrompe. - Estaremos em uma situação crítica se o professor não ligar nas próximas seis horas, nesse caso iniciaremos o plano Chernobyl.

No momento em que essas palavras ecoam pelo escritório, todos nós olhamos para Berlim. Esse é o motivo de ele ainda estar tão calmo, isso é o que ele sabe e o resto de nós não. O plano Chernobyl. 

- O professor não disse nada sobre isso. Qual é o plano Chernobyl? - Moscou pergunta enquanto Tokio começa a caminhar até Berlim.

- Se tudo der certo, vocês nunca vão saber. Então, por favor, vamos ter um pouco de paciência. Agora me desculpem, mas vou ir descansar. - Berlim diz rapidamente antes de sair levando consigo a garrafa de vinho e as duas taças. 

Após Berlim sair, Denver se levanta e sai também. Penso em segui-lo mas Moscou é mais rápido, então decido deixar pai e filho conversarem. Os outros vão saindo aos poucos, até que apenas eu fico ali.

Pego uma das garrafas de água na mesa e me sento novamente, tomo uma quantidade considerável e respiro fundo. Fecho a garrafa e me levanto decidida a ir falar com Berlim, até que um barulho embaixo da mesa me faz parar.

Me agacho na frente da mesa e para minha surpresa encontro um par de olhos castanhos assustados, Georgie. Ele estava com as mãos nas orelhas, provavelmente tentando não ouvir a discussão que eu e os outros estávamos tendo momentos atrás. 

- Meu amor, o que faz aí? - pergunto confusa e vejo ele encolher os ombros.

- Eu pensei que se me escondesse, as coisas ruins iam parar de nos alcançar. Só que não achei um esconderijo alto, mamãe. - ele explica com calma e eu balanço a cabeça em silêncio. 

Sorrio para a inocência do meu garotinho e pego ele no colo, o tirando com cuidado debaixo da mesa. Nesse momento, noto como ele segura seu ursinho com força enquanto suas mãozinhas tremem.

Caminho até o sofá e me sento devagar, sinto o pequeno encostar a cabeça no meu peito e então faço carinho nos cabelos dele.

- Oh, meu anjo. Se fosse tão fácil assim, mas as vezes precisamos de coisas ruins na nossa vida. Quando coisas ruins acontecem na vida, elas nos ajudam a crescer mais e nos ensinam lições importantes. - digo e então ouço o pequeno soltar um longo suspiro.

- Mamãe, por que todo mundo estava discutindo de novo? - ele pergunta e então eu pego em suas mãozinhas fazendo carinho até que sinto elas pararem de tremer.

- Georgie, as pessoas nem sempre fazem sentido. - digo olhando para o chão e vejo o pequeno inclinar a cabeça para me olhar. 

- Por quê? - ele pergunta confuso e eu o puxo para mais perto.

- Porque coisas ruins acontecem com todo mundo, e é sempre difícil seguir sendo o mesmo depois disso. - digo e então o pequeno olha pra seu ursinho tristemente.

- Mamãe, nós nunca vamos fazer o meu desenho virar uma foto real não é? - ele pergunta e eu beijo o topo de sua cabeça.

Eu queria dizer que sim, queria dizer que Oslo ia magicamente melhorar e íamos fazer tudo ficar bem. Queria dizer que o professor ia ligar e as discussões iam parar, queria dizer que íamos fazer aquele desenho virar uma foto mas estaria mentindo pra ele. Não quero dar falsas esperanças ao meu garotinho, ele não merece isso.

- Não acho que faria sentindo fazermos a foto sem o Oslo, e ele não está em condições de melhorar. Então, acho que não vai dar anjo. Desculpe. - respondo olhando para baixo.

Meu garotinho respira fundo e então afrouxa um pouco o aperto em seu ursinho, o abraço e suspiro.

- Estou com medo, mamãe. - o pequeno diz com a voz trêmula e eu concordo em silêncio.

- Eu também, mas vou te contar um segredo. Até as pessoas mais corajosas tem medo as vezes, não há nada de errado nisso. - digo dando um sorriso e então Georgie sorri lentamente de volta. 

Coloco Georgie no sofá devagar e me levanto, vejo o pequeno me olhar confuso então sorrio e faço carinho no rosto dele com calma.

- Eu preciso ir falar com o Berlim, mas não vou demorar. Você vai ficar bem aqui, meu amor? - pergunto com hesitação e vejo ele olhar para o ursinho antes de balançar a cabeça.

- Acho que sim, eu vou me esconder de novo caso algo aconteça. Mamãe? Apenas, não demore. Não quero ficar sozinho por muito tempo. - ele diz com receio e eu dou outro beijo em sua testa antes de sair do escritório.

Caminho até o escritório que agora é de Berlim em passos rápidos, assim que chego entro e então vejo o homem se virar e encontrar meus olhos. Logo depois, ele sorri.

- Você demorou, pensei que não viria mais. - ele diz enquanto eu fecho a porta atrás de mim. 

Me aproximo do homem com passos lentos e encolho os ombros, antes de falar.  

- Eu estava com o Georgie, meu pobre garotinho, ele está apavorado com tudo que está acontecendo. - respondo esfregando minha testa enquanto Berlim franze o cenho.

 - Ele não precisa ficar com medo, tudo vai ficar bem. O professor vai ligar e tudo vai voltar ao normal. - o homem diz com confiança e eu suspiro. 

- Berlim, não se trata só do Professor. Você sabe disso, né? Deus, às discussões aqui dentro ficam cada dia piores, Oslo está vegetando e não melhora. Então, não. Nada vai voltar ao normal. - digo enquanto cruzo os braços. 

Berlim junta nossas testas e esfrega os meus braços com calma, enquanto começa a falar devagar e com cautela.

- Atlanta, querida. Olha pra mim. Você confia em mim, certo? - ele pergunta e eu olho nos olhos dele sentindo minha preocupação se dissipar.

- Sim, confio em você Andrés. - respondo com um pequeno sorriso.

De repente, Berlim ergue as sobrancelhas surpreso e eu o observo sem entender até que ele balança a cabeça e volta a falar.

- Está bem, então acredite no que eu vou te dizer. O professor vai ligar e tudo vai ficar bem. - ele diz novamente e eu o observo em silêncio por alguns minutos antes de concordar.

- Espero que você tenha razão. - digo enquanto observo o homem caminhar até sua mesa com calma.

- Ora, meu amor. Vamos beber um pouco, nós merecemos isso. - ele diz voltando pra perto de mim com a garrafa de vinho e as duas taças em suas mãos.

Pego uma das taças enquanto Berlim fica com a outra, então ele enche cada uma e volta até a mesa pra colocar a garrafa no lugar. Observo o vinho dentro da taça enquanto meus pensamentos voam, e então viro a taça de uma vez em minha boca.

Sinto a bebida descer queimando pela minha garganta e ouço os passos de Berlim enquanto ele volta pra perto de mim. De repente, sinto seus braços em minha cintura e ele aproxima nossos corpos com um sorriso.

- Sabe de uma coisa? Você finalmente me chamou pelo meu nome, senhorita Atlanta. - ele diz em um tom brincalhão e eu ergo minhas sobrancelhas surpresa.

- Eu chamei? Não percebi. - digo pensando e ouço ele concordar antes de continuar falando.

- Isso é injusto. Você sabe o meu nome, mas eu não sei o seu. - ele diz e eu balanço minha cabeça rindo.

- Talvez eu te diga meu nome um dia, mas não hoje. - digo com calma e o homem me olha pensativamente.

- Eu vou me lembrar disso. - ele diz antes de encostar seus lábios nos meus.

Os beijos de Berlim pareciam sempre conseguir me anestesiar, enquanto eles aconteciam parecia que só nós dois existiamos no mundo. Com tudo, isso ainda era um assalto e ambos tínhamos que voltar para a realidade.

Coloco minhas mãos no peito de Berlim e afasto nossos lábios, o homem dá um grunhido e me olha com impaciência. Eu rio de sua expressão e dou um selinho em seus lábios, antes de começar a falar.

- Berlim, qual é o... - antes que eu possa terminar minha pergunta a porta é aberta com um barulho alto.

Ambos olhamos para a porta e vemos Tokio, a garota de cabelos curtos olha para Berlim e eu com dúvida e então rapidamente sua voz ecoa no escritório. 

- Berlim, Atlanta, venham! Vocês tem que ver isso. Algo aconteceu, algo grave. - ela diz com nervosismo e nós dois trocamos um olhar antes de segui-la.

Em um segundo, estamos novamente no nosso escritório e eu consigo ver todos incluindo Oslo, reunidos em volta de uma televisão, com olhares de preocupação. Na televisão? Está ninguém mais que o professor, o homem está na frente da casa em Toledo e completamente rodeado de polícias.

- Prenderam o professor. - Tokio diz encarando Berlim. 

- Porra, estão interrogando ele na porta da casa de Toledo. - Rio diz apontando para a tv em nossa frente e de repente o sinal dela cai. - Merda. Cortaram o sinal terrestre.

Caminho até o sofá e me sento ao lado de Georgie, o pequeno rapidamente deita a cabeça no meu colo e eu olho para o espaço vazio em minha frente tentando achar sentido pra tudo aquilo. 

- Não querem que a gente saiba. Não querem que a gente saiba porque vão entrar. - Tokio começa a dizer. - Podemos ficar de braços cruzados mais cinco horas ou começar o plano Chernobyl, que pra mim soa cada vez melhor.

- O plano Chernobyl é para situações desesperadas. Francamente eu não sei se essa é a pior situação que podemos suportar, é? Um aviso, com esse plano perdemos todo o dinheiro. Pessoalmente, eu não tenho intenção de desistir. E você? Vai desistir de tudo pelo que lutou tanto, Tokio? - Berlim diz com uma expressão séria.

- Pessoal, pegaram o professor. - Tokio diz olhando para o resto de nós ao ver que não convenceu Berlim. - Não vai ter nenhum túnel até o hangar, porque a polícia vai estar lá nos esperando! Estamos em uma ratoeira. 

- Daqui a cinco horas o Professor vai ligar, eu ainda acredito nele. Não sou fã de democracia, mas estou com vontade de votar. Quem mais acredita no Professor? - Berlim pergunta erguendo sua mão e então olhando pra nós de um a um. - Helsinki?

- Eu acredito no Professor. - Helsinki diz com firmeza e então Berlim olha para Rio. 

- Rio? - ele pergunta com seu olhar grudado no garoto.

- Eu acredito no que vejo, o que eu vejo é que já não podemos contar com o Professor, então, estou com a Tokio. - ele diz enquanto olha para a garota de cabelos curtos.

- Moscou? - Berlim pergunta soltando um suspiro.

- Eu entrei aceitando as regras, essas regras ainda não mudaram. Ainda tem cinco horas, continuo confiando no Professor. - ele diz com uma expressão triste.

- Denver? - Berlim pergunta agora olhando para o rapaz de olhos azuis. 

- Eu voto pra sair daqui agora, essa coisa toda de ser multimilionário já está ficando grande demais. - Denver responde com raiva e eu reviro os olhos ao perceber que isso deve ser por conta de Monica.

- Perfeito Denver, três a três. - Berlim diz com um sorriso ironico. - Nairobi? 

- Tenho uma ótima razão para estar com o Professor, e se não tiver um bom motivo, eu acredito nele até o fim. Por isso, estou com o Berlim. - ouço Nairobi dizer e então sinto todos os olhos em mim.

- Atlanta, você decide. Hora do desempate. - Berlim diz com a sobrancelha erguida e eu mordo meus lábios nervosa. 

Georgie afasta a cabeça do meu colo e eu me levanto com cuidado, me sentia cercada por leões famintos. Respiro fundo e começo a falar.

- O professor é uma das pessoas mais inteligentes que eu já conheci, eu não acho que ele deixaria pegarem ele tão fácil. Então, a menos que eu veja a polícia entrando aqui pra pegar a gente, eu vou continuar confiando nele. - digo de uma vez e vejo Tokio me olhar com o cenho franzido.

O grupo se dispersa então eu pego Georgie no colo e saio daquele escritório com rapidez, a tensão ali era notável e estava se tornando insuportável. Eu precisava colocar minha cabeça em ordem, precisava pensar e tentar dormir alguns minutos.

Com isso em mente, caminho até o escritório de Arturo e quando entro, fecho a porta, caminho até a poltrona e me sento com meu garotinho no colo. Nenhum de nós diz nada, Georgie encosta a cabeça em meu peito e o vejo fechar os olhos. 

Dou um beijo no topo de sua cabeça e então encosto meu queixo ali, fecho meus olhos e me acalmo. Logo ambos adormecemos.

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Quando acordo, parece que o mundo está virado de cabeça pra baixo. Olho para Georgie e percebo como ele ainda dorme tranquilamente, me levanto e caminho até o sofá que tem ali e o deito com calma.

De repente, ouço passos no corredor, então beijo a testa do meu menininho, caminho até a porta e saio do escritório. Começo a andar pelo corredor até que vejo Nairobi, assim que seus olhos pousam em mim, ela caminha em minha direção com rapidez parecendo nervosa. 

- Atlanta, finalmente te achei, onde está o Berlim? - ela me pergunta roendo as unhas e eu a observo com confusão.

- Eu não sei. O que houve, Nairobi? - pergunto e vejo ela bufar enquanto olha para os lados.

- Eu não encontrei o Rio, nem o Denver, nem a Tokio e agora, o Berlim também não. - ela explica e eu franzo o cenho.

Começo a andar e ouço os passos de Nairobi enquanto ela me segue, Tokio e Berlim sumirem ao mesmo tempo é no mínimo preocupante. Ambos não se gostam, Tokio é uma garota impulsiva e não acho que descobrir a existência de um plano que ela não conhece e ainda ver Berlim se negar a conta-lo a deixaria feliz com ele.

Nairobi e eu começamos a abrir todas as portas pelas quais passávamos, começo a andar mais rápido e em uns segundos ambas paramos em frente a porta de um dos banheiros. Aproximo meu ouvido da porta e começo a ouvir as vozes que vinham do interior, Nairobi para ao meu lado e copia minha ação. Tento abrir a porta, porém algo parece estar mantendo-a fechada.  

- Que merda vocês estão fazendo? - Nairobi grita batendo na porta.

- Estamos brincando de roleta russa, Nairobi! - ambas ouvimos Berlim gritar de dentro do banheiro. - Volta mais tarde.

- Que porra é essa? Abram a porta. - digo alto batendo na porta.

- Merda, Tokio! - a morena ao meu lado começa a dizer. - Tokio, você está ficando louca? Que porra você está fazendo? Quer que todo mundo se ferre por sua culpa? Você está fodendo o plano!

- Eu estou fodendo o plano? - Tokio pergunta de dentro do banheiro com indignação em seu tom. 

Começo a sentir raiva invadir meus sentidos, então pego minha arma e recarreguo-a.

- Você não consegue, não é? - Nairobi continua falando. - Não consegue parar e pensar um segundo na porra da sua vida. Você é uma louca de merda!

- Eu sou louca, e o plano de buscar o seu filho é uma merda! - Tokio grita de volta. 

- Que? - Nairobi pergunta com a voz rouca. - Que porra está dizendo, Tokio?

- Quando ele te viu pela última vez, ele tinha o quê? Três anos? - Tokio pergunta do outro lado. - Ele nem se lembra! Ele não vai te reconhecer, porque ele já tem uma mãe e um pai que...

- Cala a boca, porra! - Nairobi grita com a voz quebrando e lágrimas descendo por suas bochechas.

Balanço minha cabeça e então aponto minha arma para a maçaneta, coloco meu dedo no gatilho e então disparo exatamente no lugar onde quero. Tudo fica em silêncio, e então sinto a mão de Nairobi em meu braço.

- Cuidado, os pontos no seu braço vão abrir desse jeito. - ela diz com preocupação enquanto as lágrimas continuam caindo em seu rosto. 

Isso é algo que eu gosto em Nairobi, ela sempre se preocupa com outras pessoas. Talvez ela tenha razão, entretanto no momento os pontos do meu ombro são o que menos importa pra mim.

Respiro fundo e dou um chute na porta, dou outro com mais força, mais um e então ela cai no chão abrindo no processo. Na minha frente, aparece Tokio apontando sua arma pra mim, atrás dela é possível ver Denver e Rio ambos assustados, e amarrado em uma cadeira Berlim. 

Caminho até Tokio apontando minha arma pra ela, Nairobi fica atrás de mim e aponta sua arma para Denver e Rio mantendo eles parados. A garota de cabelos curtos me olha com atenção, aproveito isso e dou um chute em seu estômago e ela cai tentando recuperar o fôlego. Pego sua arma e entrego para a morena que me olha com surpresa, ao mesmo tempo em que Moscou chega perguntando o que está acontecendo. 

- Porra, filha da... - ela começa a dizer então volto a apontar minha arma pra ela a silenciando.

- Já chega de brincar com armas reais e jogar merda uns contra os outros, agora cada um aqui vai voltar para suas tarefas e calar a boca. Já perdemos o Oslo, e eu não vou perder mais ninguém. Então, tente Tokio, tente matar mais qualquer um aqui e eu acabo com você. Você pode até se esconder, mas quando eu te achar, te mato. - digo friamente e vejo lágrimas nos olhos dela.

Rio ajuda a garota a ficar de pé e então sai dali, levando ela consigo. Moscou se aproxima e então coloca uma mão nas minhas costas, respiro fundo e guardo minha arma me acalmando.

- Está bem, menina? - o homem pergunta com preocupação e eu balanço a cabeça em silêncio. 

- Eu vou ficar. - respondo baixo e vejo ele concordar antes de empurrar Denver para fora junto com ele.

Nairobi é a última a sair do banheiro. Observo com preocupação como ela sai andando em passos lentos, antes de sumir no corredor. Então volto minha atenção para Berlim e ando até ele, começando a desamarra-lo.

Quando o homem fica finalmente livre, ele se levanta e eu o abraço com força. Berlim acaricia minhas costas, enquanto eu aspiro seu cheiro. 

- Tokio enlouqueceu, você podia estar morto agora. - digo e ouço ele suspirar.

- Provavelmente, mas vocês chegaram na hora certa. - ele diz então me afasto e olho para o chão.

Noto vários vidros no chão, que, eu só posso supor que em algum momento foram os remédios de Berlim. Levanto a minha cabeça e olho para ele com preocupação.

- Você vai ficar bem? - pergunto com hesitação.

- Não se preocupe, querida. Eu acho que ainda tenho mais, e, se não, eu dou um jeito. - ele diz encolhendo os ombros e eu balanço minha cabeça em resposta.

Berlim sorri de repente e me puxa pra perto novamente, ele coloca as mãos na minha cintura e então volta a falar.

- Você não imagina como foi sexy te ver abrir a porta a chutes! Eu pensei; eu sou um filho da puta sortudo, tenho ao meu lado uma mulher linda, inteligente, e que, por algum motivo, sabe acertar pessoas e fazê-las cair no chão. - ele diz com uma sobrancelha erguida e eu dou uma risada.

- Você é um idiota. - digo encostando minhas mãos no peito dele.

- Talvez um pouco. - ele responde antes de colocar uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.

- Você vai castigar a Tokio? - pergunto voltando a minha expressão séria. 

- Claro, o que ela fez foi errado. Ela merece uma punição. - ele diz com o cenho franzido e eu solto um suspiro.

- Podemos, por favor, esperar a ligação do Professor? Eu sei que você está nervoso, ela passou dos limites, mas puni-la vai apenas piorar a situação. Não podemos continuar fodendo o plano, então estou te pedindo, não faça uma estupidez. - digo com rapidez enquanto o homem me olha pensativamente.

- Vai ficar com raiva se eu fizer algo? - ele pergunta com incerteza antes de continuar. - Atlanta, ela quase..

- Eu sei o que ela quase fez, mas essas discussões, armas sendo usadas como brinquedos, tudo isso tem que parar. Só temos uns aos outros aqui dentro, gostando disso ou não. Temos que trabalhar em equipe. - digo con determinação e vejo ele bufar derrotado.

- Está bem, não vou fazer nada. - ele diz entredentes e eu balanço a cabeça antes de pegar em seu rosto. 

- É melhor assim. Além disso, eu não quero ficar brava com você. Não me faça ficar. - digo antes de dar um beijo em seus lábios. - Agora, temos que ir.

- Não, vamos ficar aqui mais alguns minutos. - ele pede me dando beijinhos no rosto enquanto eu sorrio.

- Aquilo que eu disse pra Tokio, vale para o resto de nós também. Temos que voltar ao trabalho, sem mais confusões. - digo me soltando de seus braços e o vejo balançar a cabeça.

Berlim respira fundo antes de assentir concordando, então sorrio novamente e saio do banheiro com passos firmes. Começo a andar pela fábrica sem um destino real, apenas tentando esfriar a cabeça e então chego na zona de carga.

Ouço alguns barulhos, como se alguém estivesse chorando e então começo a procurar o lugar de origem deles. Logo consigo vislumbrar a figura de Helsinki, ele está ajoelhado ao lado de Oslo, que está deitado no chão. Assim que me ouve, ele ergue sua cabeça e então me olha com lágrimas nos olhos. 

Caminho até o sérvio lentamente e noto várias velas acesas acima da cabeça de Oslo, me ajoelho ao lado de Helsi e coloco minha mão no ombro dele.

- Ele se foi? - pergunto após um minuto de silêncio e ele assente. 

Puxo o homem para perto e acaricio suas costas, enquanto ele chora com a cabeça encostada no meu ombro.

- Não chore Helsi, Oslo está em um lugar melhor, ele vai descansar agora. - me afasto dele e então acaricio suas bochechas. - Estou aqui com você, todos nós estamos.

Volto a abraçar o sérvio enquanto ele continua chorando, Helsi fez a coisa certa pelo seu primo. Ele foi corajoso, eu diria, até mais corajoso do que eu quando perdi Benny. Eu entendia o que ele estava passando, é terrível perder alguém que você se importa, e de uma maneira tão brutal. 

Com tudo, eu sabia o quanto dizer pra alguém que tudo vai ficar bem e que você está ali por essa pessoa, fazia a diferença em situações assim. Queria ter tido alguém para me abraçar e prometer que tudo ia melhorar, quando perdi Matteo e os nossos pais. Saio dos meus pensamentos e abraço Helsi mais forte, ele chora por mais algum tempo e começa a fungar baixinho.

- Ei, ursinho. - digo me afastando ligeiramente para olhar nos olhos do sérvio. - Vou deixar vocês a sós para que você possa se despedir dele, ok? 

Helsi encosta a cabeça no meu ombro uma última vez e então permite que eu me levante, ele sorri forçadamente para mim e eu dou um último toque em suas costas antes de sair dali. Em minha cabeça, rezava para que Oslo pudesse encontrar paz.

Volto a andar pela fábrica e então decido ir falar com Nairobi, sinto meu ombro começar a doer mas não dou importância. Caminho até a área onde nosso dinheiro está sendo impresso, assim que chego ali o barulho das máquinas entra em meus ouvidos.

Em alguns segundos, meus olhos pousam em Nairobi observando os reféns trabalharem, com o mega-fone em suas mãos. Me aproximo dela em passos rápidos e então paro calmamente ao seu lado, observo seu rosto e vejo como suas bochechas ainda estão manchadas pelas lágrimas de minutos antes. 

- Você está bem Nai? - pergunto silenciosamente e vejo a morena encolher os ombros.

- Eu não sei. - ela responde com um sussurro. - O professor ligou? Algo aconteceu? 

Balanço minha cabeça e tudo fica em silêncio novamente. Nairobi respira fundo tentando manter a postura, eu sabia o que ela estava tentando fazer, ela estava tentando parecer forte. De repente, ela me olha com às lágrimas voltando aos seus olhos e um sorriso amargo no rosto.

- Sabe qual é a pior parte sobre o que a Tokio disse? É que ela tem razão. - ela diz tristemente.

- Sinto muito. - digo em sussurro abraçando ela. - Sinto muito pelo que ela disse, Nairobi. Nem imagino como você deve se sentir. A Tokio estava nervosa, não é verdade. 

- Não fique mal, Atlanta. - ela diz rindo enquanto me abraça. - Acha que eu fiquei triste por conta disso? Doeu, mas eu já sabia.

- Olha, não tem que prestar atenção no que ela disse. Você ainda pode ir atrás do Axel quando sairmos daqui, daí quando você encontra-lo pode contar a ele que é a mãe dele e tudo que você fez para tê-lo de volta. Eu garanto, ele vai se orgulhar e amar você. - digo gentilmente acariciando os cabelos de Nairobi e ouço ela suspirar. 

- Você acha? - ela pergunta se afastando ligeiramente para me olhar então balanço a cabeça assentindo e ela sorri. - Obrigado.

Voltamos a nos abraçar, até que sinto um puxão na manga do meu macacão. Ambas nos afastamos e então vejo meu garotinho, ele olha para nós com confusão, então me agacho em sua frente.

- Ei, você acordou amor. - digo sorrindo e vejo ele fazer um bico. 

- Mamãe, você me deixou sozinho. - o pequeno se queixa então eu beijo sua testa.

- Sinto muito, precisei resolver algo anjo. Você adormeceu, então te deixei descansando. Está tudo bem? - pergunto e meu garotinho suspira.

- Apenas, não quero ficar sozinho. - ele diz erguendo os braços, então eu o pego no colo e faço carinho em seu cabelo.

Nairobi nos observa com um sorriso amoroso, ela então limpa as lágrimas que estão em seu rosto e começa a falar com Georgie.

- Querido, você quer ajudar sua mãe e eu aqui? Temos muito trabalho pela frente. - ela diz e então Georgie a observa com curiosidade. 

- Só se eu puder usar o mega-fone, tia Nairobi. - ele responde com sua voz suave.

- Está bem, mas só se você nunca parar de me chamar de tia Nairobi. - ela diz de volta e meu menininho sorri. 

Coloco meu anjinho no chão devagar e Nairobi entrega o mega-fone para ele, ambos começam a andar na minha frente, tento segui-los porém minha visão começa a ficar embaçada. Encosto uma mão em meu rosto e então sinto a dor em meu ombro ficar pior, tento dizer algo para Nairobi ou meu pequeno porém é como se estivéssemos a milhões de quilômetros de distância.

Olho para meu ombro e vejo sangue pingando da ferida, antes que eu possa sequer pensar nisso, caio no chão com um baque alto. Georgie e Nairobi gritam meu nome e ouço seus passos, e então tudo fica escuro.

E ali, enquanto Nairobi tentava me acordar com meu garotinho em pânico ao lado dela, mal podíamos imaginar que do outro lado da fábrica, Tokio estava sendo jogada para o lado de fora por Berlim.

Esse era o começo do fim para todos nós, apenas não sabíamos disso ainda.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, talvez demore um pouco pra eu postar o próximo mas eu vou. Nos vemos no próximo capítulo, fiquem em casa se puderem e passem álcool em gel 🥺💕


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