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História ATLÂNTIDA - Jikook - Capítulo 14


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Notas do Autor


Sinta-se a vontade pra votar e comentar a história ❤️🌈
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Capítulo 14 - Hangover


Jungkook nunca desejou tanto ir embora de um lugar. Nunca desejou tanto sumir de repente ou não ter um coração.

— Senhor, tudo bem? – Perguntou o barman de antes. Jungkook negou lentamente com a cabeça, sem olhá-lo, parecendo que quebraria em mil pedacinhos a qualquer instante.

— Me traga a sua bebida mais forte... – Pediu, num fio de voz, os lábios tremendo.

Sentado, virou os dois copos que, surpreendentemente, ainda tinha nas mãos.

Seus olhos estavam focados na bancada, sem a ver, sem saber sequer para onde estava olhando, porque sua mente estava ocupada demais reproduzindo repetidamente centenas de vezes a mesma imagem: Jimin beijando Taemin.

Jungkook sorriu, triste, sentindo seus olhos marejarem levemente. Ver aquilo havia sido para si como a freada de um carro em velocidade proibida.

— Vou acompanhar o jovem em sua escolha. – Disse um homem, sentando-se ao seu lado em seguida.
O barman assentiu, logo começando a fazer os drinks.

— Parece... Mal. O que aconteceu? – Encarou-o por alguns segundos.
Jungkook estava sem expressão, e ao ouvir a pergunta limpou uma lágrima fina que escapou do rio concentrado que havia em seus olhos, enquanto tentava unicamente não permitir que ele descesse de uma vez.

— N-nada. – Forçou a voz a sair, fungando ao percebê-la vacilar. — Nada. Eu só... vi algo que não queria ver.

— Eu não sou muito bom com conselhos e eu nem sei o que houve... mas eu acho que é melhor ver e encarar do que ser enganado. – Tentou ajudar.

— É – Dessa vez não conseguiu conter seu tom de voz quebradiço, - como estava seu coração - seus olhos tremiam e por isso as lágrimas cederam à gravidade, descendo por suas bochechas. – Mas não deixa de ser difícil. – Tentou sorrir de forma simpática. – Né?

O barman trouxe os drinks, deixando-os em cima da bancada.
Jungkook tratou de virar o seu, fazendo uma careta amarga depois.

Ardia o líquido descendo pela garganta e queimando seu estômago, mas naquele momento, simplesmente não importava.

E quando ele pensava estar sendo dramático demais se sentindo tão péssimo, a imagem daquela cena vinha novamente em sua cabeça.

Jungkook sequer tinha coragem de olhar para trás; onde o príncipe provavelmente estaria.

— Eu só queria que Yoongi hyung estivesse aqui pra me dar uns tapas na cara e me levar arrastado pra casa dizendo que homem não chora. – Disse, rindo após passar os dedos embaixo dos olhos. Só de pensar no irmão as coisas pareciam ser mais simples e engraçadas, como ele sempre fazia ser.

— Vá lavar o rosto e volte, talvez se sinta melhor. – Sugeriu, com a voz cuidadosa.

— Você está certo... – Concordou, olhando o homem pela primeira vez desde que se sentou ali, já começando a se levantar.

Jungkook então levantou da banqueta, ficando sob os próprios pés.

— O que está fazendo? – Perguntou quando viu o homem mais velho começar a se levantar também.

— Estou indo garantir que não tente quebrar um espelho com a cabeça.
Jungkook não contestou, se dirigindo ao toalete próximo à escada.

Chegando lá lavou o próprio rosto, enquanto via o outro distraído pelo reflexo no espelho.

Este estava vestido de um terno risca de giz azul escuro, com um relógio de ouro no pulso e uma bengala do mesmo material em cima. Seu cabelo era preto, com fios levemente grisalhos, e estava arrumado de forma clássica e elegante.

Parecia ser alguém importante.

Voltaram para o bar em silêncio, quando Jungkook, depois de pedir mais bebidas, indagou:

— Qual é o seu nome? – Jungkook perguntou, olhou-o curioso enquanto dedilhava a boca do copo.

— Meu nome é Robert, sou pai de Lisa e Taemin. – Prontamente respondeu, virando um copo de vodca, o mesmo de Jungkook, e fazendo uma careta depois. – São amigos do Jimin, você deve conhecer.

Se juntasse as peças, perceberia que Robert, pai de dois príncipes, só poderia ser um rei, mas estava tão absorto divagando que talvez nem tenha ouvido o restante da resposta.
Jimin sequer veio o procurar, o esqueceu tão rápido.

Impressionante.


— Uma rodada de tequila e limão para nós dois... por favor.





— Enlouqueceu, foi, porra? – Seokijn grunhiu, dando um leve empurrão em um dos ombros do príncipe loiro.
Taemin já havia ido, sorridente como o inferno, prometendo voltar em breve para levar Jimin para sair.


— Eu não quero falar sobre isso agora. – Virou, começando a andar em direção à escadaria.


— Vem aqui! – O puxou quase gritando. –  Por que você fez aquilo, Jimin? Eu nem preciso te dizer tudo o que o Taemin já fez e além disso pensei que gostava era do Jungkook!


— Você não entende, Jin. Isso é contra a lei. Nós somos contra a lei.


— Faça-me o favor! Eu te conheço, Jimin, melhor do que ninguém. E eu sei que está se escondendo atrás disso pra não admitir que tem medo de se envolver de novo com alguém.


— E se for isso? Me diz, e esse for? Aquele maldito protocolo anula o que eu quero. – Jogou os cabelos para trás, suspirando ao apoiar as mãos na cintura.


— O protocolo não anula noites de sexo ou relacionamentos escondidos, Jimin, apenas casamentos. – Ditou, como se fosse simples. – Você pode ter o garoto, pare de complicar as coisas. – Negou com a cabeça, indignado.


— Jin, entenda! Uma hora terei de me casar e como acha que Jungkook ficaria se fosse meu "amante"? Ou como eu ficaria se tivesse que me casar com alguém que não amo e precisar o esconder? Eu não vou escondê-lo do mundo e eu não vou pedir que ele se esconda por mim. Eu não o quero dessa forma... não assim. – Explicou. Seokjin ficou sem saber o que falar, mas continuou com a expressão irritada, parado e olhando para o nada. — Taemin pediu para voltar. – Soltou depois de um tempo.


— O quê? – Olhou-o, surpreso.
— E eu aceitei. – Completou, desviando o olhar e abaixando a cabeça.


— Você... argh! – Passou a mão pelo rosto, gesticulando irritado em seguida. – Escute bem o que eu estou te dizendo, – Apontou para o loiro mais novo, as sobrancelhas juntas pela impaciência e o tom de voz sendo contido com dificuldade. – você vai se arrepender do que está fazendo. Se não pode ter o garoto, por que voltar com Taemin? Não percebe que vai machucar a si mesmo e machucar o Jungkook? Quer saber eu vou dormir, tô me segurando pra não sair no soco com você... – Levantou as duas mãos, virando de costas e começando a subir a escadaria.
Jimin respirou fundo, olhando em volta.


— Jin! – Subiu as escadaria apressadamente, seguindo o primo.


— Fala... – Revirou os olhos, parando no último degrau, tendo Jimin no penúltimo.


— Vamos supor que goste muito de uma roupa, mas usá-la é um crime. Você usaria a roupa, mesmo sabendo que vai se apegar tanto a ela que não vai mais conseguir tirar, por mais que precise, ou nunca a usaria pra não correr o risco?


— Fácil. Eu usaria. – Deu de ombros, fazendo pouco caso.


— Sim, eu também. Mas nesse caso não é uma roupa, e sim uma pessoa com sentimentos. O que você faria, então? Agiria com racionalidade ou agiria com o coração?


— Eu... não sei. – Desfez sua expressão soltando o ar, desestabilizado e sem graça, parecendo ter entendido.


Jimin olhou para baixo, vendo Jungkook no bar bebendo e conversando com o rei Robert.


— Pra ser franco, eu realmente tenho medo de vestir essa roupa, mas ela me deixa tão bem e tão bonito que quando visto ela, eu me esqueço completamente disso. E se eu não a precisasse tirar... – Jungkook olhou em volta, acidentalmente encontrando com o olhar de Jimin no topo da escada. – é, eu não pensaria duas vezes em usar ela pra sempre... Então a questão aqui não é o meu medo, é algo maior do que ele.
Jungkook desviou o olhar, sem muitas expressões, e Jimin voltou a olhar para o primo.


— Vendo por esse lado é realmente complicado. – Pressionou os lábios, pensativo. – Mas eu não vou pedir desculpas e nem me arrependo do que falei. Beijão. – Virou rápido, continuando a fazer o caminho antes interrompido.


Jimin riu do mais velho. Seokjin era tão orgulhoso...


Quando seu sorriso se fechou, deu mais uma olhada lá para baixo e seguiu para seu dormitório.


Cabisbaixo, mas acreditando que havia feito a coisa certa.





— Pensei que bombas explodissem... – Robert levantou a cabeça, a desencostando dos seus braços jogados na bancada; a voz e as expressões não tão diferentes das de Jungkook.


— E elas explodem...mas nessa altura do campeonato nada mais faz sentido. – Disse, rindo bobamente da própria fala em seguida.


— Você é engraçado... – Riu fraco, com os olhos quase fechados.


Ambos haviam parado de beber já fazia algum tempo, então estavam apenas sentindo os efeitos passando e uma ressaca chegando com força.


— Não foi o suficiente pra ele, sabe, Robert? – Brincou com a própria desgraça, ficando dramaticamente sério, olhando para o nada, rindo em seguida e arrancando risadas do outro.


O que poderia fazer além de zombar de si mesmo e suas ilusões?


— Então você gosta de garotos? Sendo assim talvez goste de conhecer o meu filho. Ele é meio rebelde às vezes, mas sempre... – Soluçou, falando arrastado. – sempre bom.


Jeon apoiou o rosto em sua mão, com o braço dobrado sob a bancada, os olhos curiosos e a boca levemente aberta.


— Era aquele do cabelo branco. – Sorriu, com a voz baixa e lenta.


— Não acredito, eu conheço esse idiota! – Espalmou a bancada com a surpresa, arregalando os olhos.


— Idiota? – Ergueu singelamente as sobrancelhas, abrindo os olhos de forma estreita.


— Céus, você está quase dormindo aí... – Comentou, olhando depois para o barman cansado que estava sentado numa cadeira ao fundo, pois enquanto houvessem clientes ele teria de ficar ali.


– Jungkook...? – Robert chamou depois de algumas segundos, fazendo o moreno o olhar no mesmo instante.


— Sim? – Descansou a mão no ombro do seu mais novo amigo, o encorajando a falar.


Você se parece com ela... – Falou, baixo, quase sorridente, enquanto seus olhos estavam pesados, com a cabeça ainda deitada sobre os próprios braços na bancada. – Muito.


— Com quem? – Franziu o cenho, confuso.


— Meus remédios.


O moreno ficou ali ainda um tempo tentando entender o que o outro queria dizer.


— Meus remédios... Bolso da calça...


— Ele tá falando pra você pegar os remédios que estão no bolso dele. – Esclareceu o barman ao ver a expressão confusa e lenta de Jungkook, se levantando em seguida. – Vou pegar água.


— Ei! – Jeon chacoalhou o homem, duas vezes. – Ei, acorda!


— O que foi? – Se pôs sentado reto dessa vez, em seguida aceitando o copo que o barman ofereceu e os remédios que Jungkook tirou de seu bolso.


Enquanto o rei os tomava, Jungkook olhou em volta, percebendo que o salão estava totalmente vazio, varrido completamente, restando apenas os três homens ali.


Porém as músicas ainda tocavam, motivo pelo qual não perceberam estarem só.


Sentia sua cabeça doendo, seu corpo cansado e estava morrendo de sono.


— A minha sorte é que amanhã é domingo, porque trabalhar numa ressaca dessas... – Comentou, fechando os olhos ao colocar a mão na testa. – Acho que vou me deitar. – Se levantou, colocando as mãos nas costas para esticar os músculos.


— Eu também, vamos juntos. Estou em um quarto de hóspedes que o príncipe e o rei de Átlas reservaram para mim.


— Hm, então você deve ser alguém importante, uh? – Esbarrou em seu ombro, o que os fez sorrir. – Moço, obrigado por ter nos aguentado. – Agradeceu ao barman, sem graça, vendo-o dar um sorriso fraco e um menear de cabeça pelo cansaço.
Depois de subir a escadaria, andaram silenciosos pelos corredores.


— Jungkook... espero que possamos ser bons amigos depois de hoje. – O mais velho quebrou o silêncio quando pararam em frente à porta branca do príncipe. – Gostaria de ter a sua amizade.


— Uma pessoa que me ajuda depois de algo ruim acontecer, bebe comigo e me faz rir mesmo sem nem me conhecer... definitivamente tem a minha amizade. — Sorriu grande, recebendo um sorriso também.


Ambos se aproximaram para um abraço amigável e até carinhoso da parte de Robert, pois sendo ou não quem esperava que o garoto fosse, já havia desenvolvido afeto por ele.


— Já que vai passar o fim de semana aqui, podemos passar um tempo de novo juntos, não? – Perguntou Jungkook, com os olhos brilhando em animação.


Não tinha tantos amigos, apenas algumas amizades de escola que não via há muito tempo.


— Se conseguir acompanhar o ritmo de um homem velho, não vejo porque não.


Jungkook riu brevemente, negando com a cabeça.


— Meu tio Min Jae sempre me diz a mesma coisa.


— Min Jae? — Estreitou os olhos, pensativo, fincando mais a bengala no chão.


— Sim. – Assentiu. – Conhece ele? – Fez um biquinho curioso.


Robert negou com a cabeça, rindo de leve em seguida.


— Eu acho que não. Bom, eu já vou indo. Foi um prazer te conhecer, Jungkook, até amanhã. – Antes de começar a andar, colocou a mão em seu ombro em forma de despedida.


— Até. – Sorriu grande, acompanhando com os olhos o homem sumir no corredor.


Seu novo amigo.


Jeon encarou a porta branca fechada. Os lábios pressionados, o olhar perdido e o corpo cansado da longa noite que teve.


O que fazer? Suspirou


Jimin estaria dormindo? Acordado? O idiota do cabelo branco estaria junto com ele? Jungkook não queria atrapalhar, mas não tinha outra opção, então com cuidado girou a maçaneta e entrou no cômodo.


As paredes eram todas azul escuras, olhou para a esquerda e viu uma mesa de madeira de sândalo negra, uma cadeira e atrás delas uma estante do mesmo material e cor, cheia de livros. Bem ao lado o começo de um corredor, e mais ao lado um sofá com uma mesa de centro de vidro redonda. Já do lado direito mais ao fundo podia ver a cama bagunçada de Jimin vazia, as cortinas azul claras do dossel da cama voando, esta com a cabeceira encostada na parede da direita, e uma sombra humana em pé sendo projetada no chão pela luz vinda da varanda de portas abertas.


No centro do quarto, um enorme tapete redondo azul escuro cobria o chão, da mesma cor da parede, com desenhos dourados, sendo contrastado com o chão de madeira escura e levemente alaranjado, - mesma madeira de todos os itens de madeira do quarto, que não eram poucos, o que só fazia com que ele ganhasse um ar rústico e elegante.


Jungkook já havia entrado naquele lugar, mas se impressionou novamente com o tamanho, agora percebendo que talvez fosse pelo príncipe ter optado por um quarto “simples”. Haviam sim alguns detalhes de ouro aqui e ali, mas por enquanto nada fora do esperado.


O lugar estava levemente escuro, com apenas a luz da lua encarregada de trazer luz ao ambiente, entrando pela varanda aberta.


Não viu as suas caixas, por alguns segundos pensou ter errado o lugar, mas não, aquele era sim o quarto de Jimin, ele só precisava encontrar suas coisas para saber onde seria o seu.


Andou silenciosamente e se dirigiu ao corredor no lado esquerdo do quarto, localizado entre o espaço de trabalho do príncipe e o sofá branco, então...


— Jungkook? – O moreno se virou, vendo no chão que a sombra não havia saído de lugar, apenas se movido minimamente.


— E-eu só estou procurando o meu quarto... – Fez uma careta, praguejando-se por ter sido percebido.


— Claro... É a primeira porta à direita, a da esquerda é minha. – Respondeu, o tom calmo e distante, distraído.


Jeon pensou em agradecer, mas o silêncio que ficou pareceu responder bem um ao outro aquela noite.


Jungkook chorou, se sentiu triste, ficou de ressaca sentimental e física, mas por fim entendeu o recado: Jimin não o queria. E a única coisa que ele poderia fazer seria ser um bom criado, uma boa companhia, um bom amigo.


Talvez os sentimentos não passassem de uma semana para outra, mas ele aprenderia a conviver com eles, acompanharia lentamente o processo de sentir as borboletas morrendo em seu estômago até que elas sumissem por completo.


E foi com esse pensamento que o moreno se deitou aquela noite.





— O que está fazendo? Vamos, levante! Eu estava te procurando. – Hoseok chacoalhou Jungkook, enquanto o mesmo mal conseguia abrir os olhos.


Grr.... É domingo. – Virou para o outro lado, resmungando.


— Jungkook! Acorde! Céus, e ainda está com a roupa de ontem e cheirando a bebida... – Negou com a cabeça, observando a situação precária de Jungkook.


— Hoje eu não trabalho, nem você... – Relembrou, escondendo o rosto com o cobertor.


— É, mas eu fiquei de te orientar, esqueceu? – Puxou o tecido, se dirigindo a janela e abrindo as cortinas com tudo. – O dia está lindo. Tome um banho e me encontre na biblioteca do palácio, leve um caderno e uma caneta. Acredite, você vai precisar. – Levantou as sobrancelhas.


— Certo... – Os braços desleixadamente a cima dos olhos, os escondendo da luminosidade.


— Vai logo! – Gritou, assustando Jungkook, que abriu os olhos e se moveu para sentar na cama, todo lento e atrapalhado.


— Que horas são, hein, hyung?


— Isso não importa.


— Claro que... – Quando deu por si, o alaranjado já havia saído do cômodo. – Ótimo.


Tomou um banho rápido no banheiro dentro de seu quarto, o mesmo que não havia percebido existir na noite anterior. Desfez uma de suas caixas para pegar algumas roupas e deixou as restantes para depois.


Abriu a porta devagar, temeroso. Quando andou o suficiente para a frente ver a cama do príncipe, viu uma silhueta feminina.


— Jimin? – Uma voz surgiu em um tom duvidoso, logo assumindo um impaciente. – Oras, quem é você, garoto?


— Eu... sou o Jungkook. – Respondeu nervosamente.


— Bom, de qualquer jeito eu não me importo. Onde está a sua alteza?


— Eu não sei, achei que estivesse aqui... – Abaixou a cabeça e o tom de voz, envergonhado.


— Criado imprestável. – Fez uma careta ao cuspir as palavras, esbarrando propositalmente no moreno em seguida. – Vamos, saia da minha frente!


— Esses não são modos de tratar alguém, tia. – Jimin os surpreendeu, aparecendo ao sair do corredor. – Peça desculpas, por gentileza.


Eu? pedir desculpas a um criado? – Gargalhou, como se tivesse ouvido uma piada, se divertindo com o que fora dito.


— Bom, então eu mesmo peço. – Ditou, simples, se dirigindo ao outro homem no cômodo, que nesse momento se encontrava completamente sem graça. – Por favor, nos perdoe por isso, Jungkook.


— Eu que peço, hyung... Não queria causar problemas. – Respondeu, baixinho, olhando para os próprios pés.


— Não se rebaixe dessa forma, Jimin, achei que fosse mais que isso. — Negou com a cabeça, desaprovado o ato ao apertar os olhos.


— Por que veio me procurar, tia? – Ficou em sua frente, sendo objetivo.


— Vim por Marena. Ela pediu para avisar que à noite virá passar um tempo com você, aqui.


— Por qual motivo? Ela raramente se incomoda de me visitar, mesmo que moremos na mesma casa.


Esse é o motivo.


Jimin respirou fundo, querendo logo colocar um fim a essa conversa.


— Claro, mas peça a ela que venha depois das oito horas. – Antes que esperasse alguma confirmação da mais velha, foi rápido em começar a andar até a porta. – Inclusive, estou quase de saída, e já que a senhora me deu o aviso como veio fazer, acredito que perderá tempo continuando aqui. – Seu tom fora leve, com a ironia quase imperceptível pela expressão suave.


Os olhos da familiar e a expressão sempre julgadora e avaliativa, foram de Jungkook ao príncipe em questão de segundos, sendo propositalmente lenta ao se dirigir à porta.


Vidiena gostava de colocar medo nas pessoas, intimidá-las, mas, hoje, com Jimin, precisaria se esforçar muito mais para que isso acontecesse e isso a irritava profundamente.


— Jungkook? — Virou, com a pose intacta.


— Alteza. – Fez uma breve e nervosa referência. – Eu estou indo à biblioteca encontrar Hoseok, ele vai me ensinar sobre o cargo que eu vou ocupar agora...


E boom, era como se tivessem chegado a estaca zero.


Ficaram se encarando, talvez pensando na mesma coisa, mas com visões diferentes e sentimentos igualmente distintos. Perguntas diversas pairando pelas mentes alheias sobre a mesma coisa.


Mas, como na madrugada do dia em questão, o silêncio pareceu os abraçar novamente, com frieza.


No fundo, ficava aquela sensação de assunto não resolvido, mas para começar era um assunto que nem deveria existir. “Eles” era uma palavra perigosa demais para se usar no sentido desejado.


— E o que está esperando? – Sorriu fraco, observando o moreno o olhar de uma forma quase pesarosa, tão diferente de como sempre o olhou, tão diferente de como Jimin sempre olha para si mesmo que não perceba. – É o seu dia de folga, não precisa da minha permissão.


Jungkook concordou com a cabeça e deu alguns passos inseguros, parando ao sentir a mão do príncipe envolver o seu pulso, como quem pede para ficar.


O moreno fechou os olhos brevemente com o toque e com as lembranças da noite anterior tomando sua mente, o fazendo sentir um frio na barriga e lacrimejar, negando-se a olhar para Jimin.


— O que foi? – Tentou transparecer firmeza na voz, pouco antes de finalmente olhar para o outro, permitindo assim que Jimin visse que ele estava prestes a chorar. Isso lhe estraçalhou imediatamente.


— Jungkook... sobre ontem eu... Aquele hora com o Taemin. Eu não deveria– Se atrapalhou.


— Jimin. – Interrompeu-o subitamente, em alto e bom som. – Você não me deve satisfações sobre nada, não entendo o porquê dessa conversa, mas quanto a isso fique tranquilo porque eu entendi o meu lugar e eu não vou me esquecer dele mais. – Como era forte, visivelmente magoado, mas dizendo aquelas palavras como se estivesse lendo a introdução de um livro desconhecido, o olhando como se o príncipe não estivesse o vendo enxugar seus fluídos prestes a escorrer.


Jimin foi soltando o pulso de Jungkook aos poucos, abandonando o contato.


— Eu gosto muito de você, hyung, e é por gostar de você que eu vou ficar feliz de te ver feliz com ele. – Foi sincero, dando o seu melhor ao esboçar um sorriso, o que só pareceu desesperar mais ainda o Park. – Não precisa explicar nada... Mesmo, mesmo.


— Jungkook...


A porta foi aberta sem aviso, revelando um outro homem conhecido, que rapidamente se somou ao ambiente, passando por Jungkook e indo em direção ao loiro, o depositando um selinho espontâneo.


— Como está? Eu trouxe bebida. – Levantou uma garrafa de Tequila no ar e duas taças, o sorriso brilhante e alegre estampado no rosto bonito e másculo. – A sua preferida... bom, pelo menos era quando nos conhecemos. – Riu, galanteador, colocando as coisas em cima da mesa negra de Jimin, cruzando os braços e apoiando o corpo na mesa, sentando nela. – Não sei se tem algum compromisso, mas eu resolvi vir mesmo assim. – Só então vendo Jungkook. – E aí?


O moreno deu um riso suave pelos últimos segundos inesperados, depois de assentir o cumprimento com educação.


— Hoseok está me esperando, alteza. Se precisar de mim pra qualquer coisa, mesmo sendo o meu dia de folga, é só me ligar.


Como estavam perto da porta, não demorou muito para que o moreno alcançasse a maçaneta dourada.


— Jungkook? – Jimin chamou novamente, receoso.


— Sim? – Interrompendo os próprios passos, mas não se virou.


— Por favor, cancele e remarque todos os meus compromissos de hoje para amanhã. – Pediu, com relutância na voz.


— ... como quiser. – Girou a maçaneta, e saiu do cômodo.





— Bem vindo. – Um homem simpático de óculos em uma escada a frente de uma prateleira de livros disse, amigavelmente.


— Bom dia. – Fez uma reverência respeitosa, passando pelas prateleiras e encontrando o dono de uma cabeleireira laranja sentado em uma das cinco mesas existentes ali, com apenas uma delas sendo ocupada por uma garota muito bonita, de cabelos negros e ondulados, que estava mergulhada em uma leitura de terror.


— Até que enfim, eu já ia embora. – Repreendeu, com tédio ao invés de uma compreensível impaciência. – Não sei se lembra, mas eu também tenho o meu trabalho, o príncipe mais novo precisa de mim.


— Hoje também não é o seu dia de folga? – Fez uma careta confusa. Os olhos curiosos, como quase sempre e os lábios formando um bico involuntário, que nunca percebia estar ali por já ser automático.


— Vai ficar aí fazendo perguntas ou vai anotar o que eu digo? – Colocou as mãos na mesa e um caderno, o abrindo um seguida.


— Falando nisso eu esqueci o caderno, hyung, me perdoe por isso. – Juntou as mãos no colo, olhando para elas.


Aish, fica com esse então. – Arrancou uma folha com o roteiro das coisas que falaria e entregou o restante do caderno e uma caneta a Jungkook. – Mas só porque às vezes você é tão fofo que eu não consigo me estressar com você.


Ficaram na biblioteca por cerca de uma hora, no final de tudo Jungkook já sabia que seria ele a organizar e controlar toda a agenda real do primogênito; seus horários, eventos, reuniões, pessoas a encontrar, lugares a ir, recados, telefonemas e mensagens, lembretes e etc, tudo por caderno e pelo auxilio do notebook que descobriu estar em seu quarto e do seu próprio celular. Seria ele também a organizar os aposentos do príncipe, - organizar, apenas, pois a questão da limpeza não era de sua obrigação.


E, como disse Hoseok... cuidar, pois segundo ele era um trabalho que exigia muita empatia e sensibilidade da parte do criado, principalmente quando o senhor estiver triste, precisar conversar ou até mesmo ficar doente. – o que é raro, mas acontece.


— Boa sorte, o príncipe Jimin é mais difícil de lidar do que o príncipe Taehyung, mas eu vejo esse trabalho como uma aventura. Tem os dias estressantes, mas também os divertidos. Espero que você possa ver assim também, Jungkook – Sorriu gentilmente, já em pé, dando um aperto de mãos com o moreno.


— Muito obrigada, Hoseok, você me ajudou demais. – Devolveu o sorriso, grato.


— Hobi. Pode me chamar de Hobi. – Chegou mais perto, como se fosse contar algum segredo. – É pros mais íntimos...


Jungkook riu, concordando com a cabeça.


— Então acabo de ganhar um novo amigo.





Notas Finais


Capítulo de comemoração a 1k eeeeeee ❤️🎉🎂🌻

Capa nova, presente da jenyssjs 💕 ficou lindo demais, tô apaixonadíssima.

A fanfic está passando por uma fase tensa entre os protagonistas, como vocês perceberam, mas tudo que acontece aqui colabora para a história e faz parte dela, por isso tenham paciência. (Also: vontade de já pular pro final e pros momentos fofos kkkkkk)

Obrigada pra quem lê, vota, comenta, tô sempre de olho em vocês :)


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