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História Atração Inexplicável - Delena - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Palavras fortes


Fanfic / Fanfiction Atração Inexplicável - Delena - Capítulo 5 - Palavras fortes

O sol estava particularmente forte. Ninguém na casa estava acordado quando eu levantei. Os pratos vazios continuavam em cima da bancada. Eu os recolhi e joguei no lixo o resto de comida da panela que tinha ficado a noite inteira fora da geladeira. Fiquei triste com tanto desperdício. A comida tinha um cheiro incrível quando eu cheguei em casa na noite anterior.

Em seguida joguei fora a garrafa vazia de vinho e encontrei as taças na varanda em cima da mesa, ao lado de onde tinha visto Damon transando com a desconhecida. Pus a louça na máquina, liguei e passei um pano na bancada e no fogão. Duvidava que Damon fosse notar, mas aquilo fazia eu me sentir melhor com o fato de estar dormindo de graça em sua casa.

Parei junto a um grupo de jogadores no 15° buraco. Era um pessoal mais jovem que eu já tinha visto quando estavam no terceiro buraco. Compravam bastante e davam boas gorjetas, então eu aturava as suas cantadas. Não era provável que algum deles quisesse mesmo sair com a menina do carrinho de bebidas do campo de golfe. Eu não era burra.

– Olhe ela aí – disse um dos caras quando parei ao seu lado e sorri. – Ah, minha garota preferida voltou. Está um calor infernal, moça. Preciso de uma gelada. Ou duas.

Estacionei o carrinho, desci e fui pegar as bebidas na parte de trás do veículo.

– Outra Miller? – perguntei a ele, orgulhosa por me lembrar do seu último pedido.

– Quero sim, gata.

Ele piscou para mim e chegou mais perto, o que me deixou um pouco constrangida.

– Ei, Jace, também quero uma. Deixe um pouco para a gente – disse outro e eu mantive o sorriso no rosto enquanto pegava a sua bebida. Em retribuição, ele me deu uma nota de 20 dólares. – Pode ficar com o troco.

– Obrigada – agradeci, enfiando o dinheiro no bolso. Ergui os olhos para os outros. – Quem é o próximo?

– Eu – respondeu um de cabelos louros curtos e encaracolados e belos olhos azuis, acenando com uma nota.

– Corona, certo? – perguntei, pondo a mão dentro do cooler para pegar a mesma bebida que ele pediu da última vez.

– Acho que estou apaixonado. Ela é linda e lembra a cerveja que eu bebo. E ainda abre a porcaria da garrafa para mim. – Pude ver que ele estava brincando quando pôs a nota na minha mão e pegou a cerveja. – O troco é seu, linda.

Quando pus a nota no bolso, reparei que era de 50. Aqueles caras não se importavam mesmo em jogar dinheiro fora. Que gorjeta mais ridícula! Tive vontade de lhe dizer para não me dar tanto assim, mas achei melhor não. Eles deviam dar gorjetas como essa o tempo todo.

– Qual é o seu nome? – perguntou um dos rapazes.

Quando me virei, vi o de cabelos escuros e pele morena esperando para me fazer seu pedido e ouvir a minha resposta.

– Elena – respondi, pondo a mão dentro do cooler para pegar a cerveja fina que ele tinha pedido. Abri a tampa e lhe entreguei a garrafa.

– Você tem namorado, Elena? – perguntou ele, pegando a cerveja e passando o dedo na lateral da minha mão em uma carícia.

– Hã... não – respondi, sem saber se teria sido melhor mentir nessa situação.

Ele deu um passo na minha direção e estendeu a mão com o pagamento e a gorjeta.

– Eu sou o Woods – falou.

– Hum... pra-prazer, Woods – gaguejei em resposta.

A expressão intensa dos seus olhos escuros me deixava nervosa. Ele poderia ser perigoso. Além disso, recendia a água de colônia cara. Um cara refinado. Ele fazia parte da elite e sabia disso. Por que estava me azarando?

– Assim não vale, Woods. Pega leve, cara. Você está dando tudo de si. Não é só porque o seu pai é dono deste clube que você pode escolher primeiro – brincou o louro cacheado.

Pelo menos eu acho que ele estava brincando. Woods ignorou o amigo e continuou a me encarar.

– A que horas você sai?

Xi... Se eu estava entendendo direito, o pai de Woods era o meu patrão. A última coisa que eu queria era sair com o filho do dono. Seria péssimo.

– Trabalho até a hora de fechar – expliquei, entregando a cerveja para o último dos quatro e pegando o dinheiro.

– Que tal eu vir buscar você e levá-la para jantar? – perguntou Woods, agora muito perto de mim.

Se eu me virasse, ele colaria em meu corpo.

– Está calor e eu estou exausta. Tudo o que vou querer depois do expediente é tomar uma ducha e dormir.

Um hálito morno fez cócegas na minha orelha e eu estremeci enquanto gotas de suor escorriam pelas minhas costas.

– Está com medo de mim? Não precisa ficar. Sou inofensivo.

Eu não sabia muito bem como agir em relação a ele. Nunca fui boa de azaração e tinha quase certeza de que era isso que estava acontecendo ali. Ninguém me paquerava havia anos. Depois que terminei com Matt, meus dias tinham sido consumidos pelo colégio e depois pela minha mãe. Eu não tinha tempo para mais nada. Os caras nem se davam ao trabalho.

– Não estou com medo de você. É que não estou acostumada com esse tipo de coisa – respondi, me desculpando.

Não sabia a forma certa de reagir.

– Que tipo de coisa? – indagou ele, curioso. Finalmente me virei para encará-lo.

– Homens. E azaração. Pelo menos acho que é isso que está acontecendo.

Eu parecia uma idiota. O sorriso que se abriu devagar no rosto de Woods me deu vontade de me esconder debaixo do carrinho de golfe. Aquela situação era mais do que eu conseguia lidar.

– Sim, com certeza é uma azaração. Mas como alguém tão inacreditavelmente gostosa não está acostumada com esse tipo de coisa?

As palavras dele me deixaram tensa. Balancei a cabeça. Precisava passar para o 16° buraco.

– É que eu passei esses últimos anos meio ocupada. E, hã, se vocês não quiserem mais nada, os jogadores do buraco 16 já devem estar bravos comigo.

Woods compreendeu e deu um passo para trás.

– Ainda vamos conversar. Com certeza. Mas por enquanto vou deixar você voltar ao trabalho.

Fui depressa até a lateral do carrinho e me sentei no banco do motorista. Um bando de aposentados jogava no buraco seguinte. Nunca em toda a minha vida fiquei tão feliz por ser alvo dos olhares cobiçosos de idosos. Ao menos, eles não partiam para o ataque.

Ao voltar para a minha picape, fiquei aliviada por não ver sinal de Woods. Deveria ter entendido que ele estava apenas provocando a funcionária. Eu tinha ganhado uns 200 dólares de gorjeta nesse dia e decidi que não tinha problema me dar ao luxo de uma refeição de verdade. Entrei no drive-thru do McDonald’s e pedi um cheesebúrguer com fritas, que comi feliz no trajeto de volta até a casa de Damon.

Não havia carro nenhum parado na frente da casa desta vez.

Eu hoje não iria surpreendê-lo transando. Mas, pensando bem, ele poderia ter levado alguém até lá de carro. Entrei e parei no hall. A TV não estava ligada. Não havia som algum, mas a porta estava destrancada. Não precisei usar a chave escondida sobre a qual ele havia me falado.

Eu estava muito suada. Precisava de uma ducha antes de ir dormir. Entrei na cozinha e chequei a varanda da frente para ter certeza de que nenhuma estripulia sexual estava acontecendo ali. Tomar uma ducha seria fácil.

Fui até o meu quarto e peguei a cueca samba-canção e a camiseta velha e sem mangas de Matt que eu usava para dormir. Matt tinha me dado essas roupas quando éramos jovens e bobos. Queria que eu dormisse vestida com alguma coisa dele e eu as usava desde então, embora agora estivessem muito mais justas do que na época. Eu tinha ganhado algumas curvas desde os 15 anos.

Saí da casa e inspirei profundamente a brisa do mar. Era a minha terceira noite ali e eu ainda não tinha dado um mergulho. Chegava em casa tão cansada que não tinha energia para isso. Desci os degraus e pus o meu pijama no banheiro antes de tirar o tênis.

A areia ainda estava quente com o calor do sol. Atravessei-a no escuro até a água avançar ao meu encontro. O frio me espantou e fiquei ofegante, mas deixei a água salgada cobrir os meus pés.

O sorriso da minha mãe ao me contar sobre a vez em que havia brincado no mar surgiu na minha lembrança. Eu ergui o rosto para o céu e sorri. Finalmente tinha chegado. Estava lá por nós duas.

Um barulho à esquerda interrompeu os meus pensamentos. Virei-me e olhei mais adiante na praia. Bem no instante em que a lua surgiu por detrás das nuvens, Damon apareceu na escuridão. Estava correndo.

Mais uma vez, não usava camisa. O short pendia baixo nos quadris estreitos. Fiquei hipnotizada com a aparência daquele corpo correndo na minha direção. Não tive certeza se deveria me mexer ou se ele tinha terminado. Ele desacelerou até parar ao meu lado. O suor no seu peito reluzia à luz suave. Por mais estranho que fosse, senti vontade de esticar a mão para tocá-lo. Nada que aquele corpo produzisse podia ser nojento. Era impossível.

– Você voltou – disse ele, respirando fundo algumas vezes.

– Acabei de sair do trabalho – falei, tentando olhar para os olhos dele e não para o seu peito.

– Quer dizer que arrumou um emprego?

– É. Ontem.

– Onde?

Não sabia ao certo o que sentia revelando essas coisas. Ele não era um amigo. E era evidente que eu jamais o consideraria da família. Nossos pais podiam até ser casados, mas ele não parecia querer envolvimento algum nem com o meu pai nem comigo.

– No country club de Kerrington – respondi.

Damon levantou as sobrancelhas e deu um passo mais para perto de mim. Segurou o meu queixo com uma das mãos e virou o meu rosto para cima.

– Você está de rímel – falou, examinando o meu rosto.

– Estou.

Tirei o meu queixo da mão dele. Ainda que ele estivesse me deixando dormir na sua casa, não gostava que me tocasse. Ou talvez gostasse e fosse justamente esse o problema. Não queria gostar que ele me tocasse.

– Deixa você mais com cara da sua idade. – Ele recuou e fez uma lenta avaliação das minhas roupas. – Você é a garota do carrinho de bebidas no campo de golfe – disse, tornando a erguer os olhos.

– Como você adivinhou?

Ele acenou para mim com uma das mãos.

– Pela roupa. Shortinho branco justo e camisa polo. É o uniforme.

Fiquei grata pela escuridão. Tive certeza de que estava vermelha de vergonha.

– Você está fazendo um estrago, não está? – perguntou ele em tom de quem acha graça.

Em dois dias, eu tinha ganhado mais de 500 dólares em gorjetas. Para ele isso não era um estrago, mas para mim, sim. Dei de ombros.

– Fique aliviado em saber que vou sair daqui em menos de um mês.

Ele não reagiu na hora. Eu provavelmente deveria entrar e tomar a minha ducha. Comecei a dizer alguma coisa, mas ele então se aproximou.

– Eu provavelmente deveria ficar.  Aliviado, quero dizer. Aliviado para cacete. Só que não estou, Elena. – Ele fez uma pausa e se inclinou para sussurrar no meu ouvido. – Por que será?

Minha vontade foi estender as mãos e segurar os braços dele para não desmoronar, mas me contive.

– Fique longe de mim, Elena. Você não vai querer chegar muito perto. Ontem à noite... – Ele engoliu em seco. – Não paro de pensar em ontem à noite. Saber que você estava vendo me deixa louco. Então fique longe. Estou me esforçando ao máximo para ficar longe de você.

Ele se virou e começou a correr de volta para casa enquanto eu ficava ali parada, tentando não desabar na areia.

O que ele quis dizer com aquilo? Como sabia que eu os tinha visto? Quando vi a porta da casa se fechar atrás dele, voltei andando para lá e fui tomar um banho.

Suas palavras me manteriam acordada por boa parte da noite.



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