História Atração Magnética - Capítulo 18


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Categorias Naruto
Personagens Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Romance, Sasusaku
Visualizações 208
Palavras 3.788
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico)
Avisos: Drogas, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 18 - Parte 1 - Chapter Eighteen


Fanfic / Fanfiction Atração Magnética - Capítulo 18 - Parte 1 - Chapter Eighteen

NERVOSA, FIQUEI FOLHEANDO uma revista até que a recepcionista linda e loira de Enzo Matsumoto me deu o sinal de que eu podia entrar. Os escritórios Matsumoto & Abumi ficavam no oração do distrito financeiro de Boston, e a ampla sala em que eu tinha acabado de entrar não deixava dúvidas de que aquele homem era um dos executivos mais importantes da cena corporativa da cidade. Vestindo um terno de três peças imponente, ele espiou por cima da papelada em sua mesa, os óculos de leitura repousando na ponta de seu nariz. Ele não era mais o jovem despreocupado que eu tinha visto na foto.

— Sr. Matsumoto.

Minha voz vacilou com aquele simples cumprimento.

Ele olhou para mim, um espelho de meus próprios olhos verdes intensos. O cabelo dele estava começando a ficar grisalho e seu rosto tinha algumas rugas, mas ele ainda era muito bonito. A essência do homem da foto era reconhecível.

— Sou Sakura Haruno.

Estiquei a mão para apertar a dele.

Ele se levantou para cumprimentar-me e apontou para as cadeiras em frente à sua mesa, com um sorriso simpático.

— Sakura, por favor, sente-se.

Acomodei-me e inspirei o aroma rico do couro antigo.

— Vejamos. Você é do Harvard Review?

Ele arqueou a sobrancelha para mim.

— Bom, com relação a isso...

Ino tinha conseguido a entrevista para mim como se fosse para a famosa publicação, e se isso não desse certo, algum funcionário iria ser demitido por causa do favor que ela tinha pedido.

Ele ficou me olhando, cheio de expectativa.

Engoli seco e respirei fundo. Isso não vai dar certo.

— O nome “Mebuki Haruno” significa algo pra você? — perguntei finalmente, observando-o atentamente enquanto dizia isso.

Se a menção do nome dela significava alguma coisa para ele, ele não demonstrou; seu rosto permaneceu imóvel, desprovido de emoções. Os olhos verdes dele fitaram os meus, não revelando nada.

Ele olhou casualmente para o relógio.

— Acho que não. O que isso tem a ver com a entrevista, mocinha?

A voz dele era estável e incrivelmente calma.

Engoli seco, lutando contra a vontade súbita de vomitar. Será que eu era louca por estar fazendo isso? E se eu estivesse errada? E se Tsunade estivesse mal informada?

Afastei a dúvida da minha cabeça e foquei-me no presente. Olhei para minhas mãos, que estavam entrelaçadas ansiosamente em meu colo.

— Sou filha de Mebuki Haruno. Estava querendo falar com você sobre isso.

Um silêncio longo se abateu sobre nós e, com ele, a verdade me assolou. Meu corpo parecia amortecido com a compreensão.

Levantando-se abruptamente, ele atravessou o escritório com uma elegância fluida, fechou a porta e afundou-se de novo na cadeira. Ele limpou os óculos e os jogou na mesa, revelando uma expressão severa.

— Onde você está querendo chegar com isso?

Meu Deus. Minhas dúvidas deram lugar à verdade indiscutível de que aquele homem realmente era meu pai. Eu podia sentir. Agarrei o braço da cadeira, minhas mãos suavam abundantemente. Fiz uma prece silenciosa de que ele não me enxotasse do escritório depois que eu dissesse o que estava prestes a dizer.

— Eu...

Tentei me imaginar dizendo as palavras, mas elas ficaram presas em minha garganta. Elas pareciam malucas e presunçosas. Mas eram verdade. Eu sabia. E se ele não acreditasse em mim? Fechei os olhos apertado e soltei tudo antes que perdesse a confiança.

— Sr. Matsumoto, acho que sou sua filha.

Ele se recostou na cadeira, o maxilar apertado, os olhos penetrando os meus. Ficamos assim pelo que pareceu uma eternidade. Meu coração palpitava em meu peito, a expectativa do que ele poderia dizer ou fazer pairou no ar entre nós.

Ele expirou lentamente e debruçou-se na mesa.

— Então, vamos ao que interessa. É dinheiro que você quer? Se for, é só me dizer de quanto estamos falando.

Tive dificuldades para falar, mas as palavras dele tinham me atingido. Ele achava que eu estava extorquindo dinheiro dele? Não, não, não. Merda. Sacudi a cabeça freneticamente e massageei entre as sobrancelhas. Isso estava dando completamente errado.

— Não é isso. Eu só queria conhecer você. Só isso.

Eu não precisava de nada dele. Ao menos nada daquele tipo.

Ele hesitou por um momento, antes de debruçar-se na mesa de novo, beliscando a ponta do nariz com um suspiro.

— Não posso dizer que estava esperando por isso.

— Nem eu, pra ser sincera. Nunca achei que fosse conhecer você.

— Eu também não. Ouça, Sakura. — Ele limpou a garganta e reorganizou alguns papéis na mesa. — Receio que esta não seja a hora e nem o local para nos aprofundarmos nisso.

Concordei com a cabeça.

— Eu sei. Me desculpe...

— Estou no meio dessa campanha. Eles marcam reuniões de 15 em 15 minutos para mim, então, tenho outra daqui a pouco.

Congelei quando entendi o que ele queria dizer. Se eu não era uma ameaça, ele não tinha tempo para mim. Minha garganta fechou-se e meus olhos queimaram com lágrimas não derramadas. Que perda de tempo. A parte de mim que tinha tantas esperanças com relação a este encontro agora estava inundada de um arrependimento doloroso. Eu devia saber. Isso foi estúpido, bobo. Ah, se Tsunade não tivesse me mostrado aquela porcaria daquela foto…

— Entendo. — Peguei minha bolsa, torcendo para não parecer tão magoada quanto me sentia. — Foi um prazer conhecê-lo, de qualquer forma. Boa sorte com a campanha.

Levantei-me para apertar a mão dele e olhei para baixo, evitando contato visual. Eu não iria dar a ele a satisfação de ver que eu estava magoada. Ele pegou minha mão e a segurou por mais um instante.

— Diga à Mebuki que eu disse “oi”, está bem?

— Ela morreu.

Minha voz era seca, sem emoção. É claro que ele presumiria que ela ainda estava viva. Ela tinha sido tirada de mim cedo demais.

Ele expirou rapidamente, largando minha mão. Percebi uma sombra de emoção passar por seus olhos. Ele esfregou o peito, retraindo-se ao fazê-lo.

— Eu não fazia ideia.

Assenti com a cabeça.

— Ela faleceu quando eu tinha 12 anos. Câncer no pâncreas. Mas ela não sofreu por muito tempo.

Minha voz estava baixa quando disse aquelas palavras, estável e objetiva. Como se eu estivesse falando sobre alguém que eu mal conhecia, dissociei-me das emoções assim que elas ameaçaram aparecer. Hoje não era o dia para revisitar meu luto. Eu já estava no meu limite emocional.

— Lamento muito.

— Obrigada. Você não tinha como saber.

Certo?

Virei-me para ir embora e ele me interrompeu, colocando uma mão decidida em meu ombro para me parar.

— Sakura, espere.

Minhas sobrancelhas ergueram-se e meu coração disparou com a montanha-russa de emoções que tinha se espalhado por mim nos últimos minutos.

— Minha família e eu vamos para Cape Cod neste fim de semana. Talvez possamos... pôr o papo em dia? Conversar um pouco mais sobre isso.

— Claro — respondi rapidamente.

Respirei fundo, sentindo um peso sair do meu corpo com a oferta. Ele estava falando sério?

— Excelente.

O sorriso dele veio de encontro ao sorrisinho pequeno que se formou nos meus lábios.

— Sr. Matsumoto...

— Por favor, me chame de Enzo... Eu acho.

Ele ergueu os ombros nervosamente. Ele parecia mais humano, menos temível agora do que antes.

Relaxei e uma semente de esperança começou a crescer dentro de mim.

— Enzo, me desculpe por ter chegado assim. Acho que nunca existe uma boa hora para fazer isso.

— Provavelmente não.

Ele voltou para a mesa, anotou um endereço em um bloco de notas e entregou-me uma folha de papel.

— Aqui está o endereço da casa. Vamos marcar um jantar na sexta à noite, então. Você pode ficar o tempo que quiser.

— Vou aguardar ansiosa.

Ele me levou até a porta.

— Eu também.

Dei um aceno constrangedor para ele. Não estávamos nem perto de nos sentir confortáveis para um abraço.

De volta ao apartamento, uma taça de vinho em mãos, tomei um longo banho na banheira vitoriana que ficava no meio do meu banheiro. Tudo bem, era meio-dia, mas hoje não era um dia qualquer. Hoje tinha sido possivelmente o dia mais emocionalmente intenso da minha vida adulta, e com certeza poderia ter sido pior.

O celular tocou ao meu lado, atrapalhando meu momento de paz.

— Alô?

— Sakura, é o Dan.

— Ah, oi.

Ergui-me na banheira e dei uma olhada em volta, procurando por qualquer coisa em que eu pudesse escrever, se precisasse.

— Esta é uma boa hora?

— Claro — menti, envergonhada por estar prestes a ter uma conversa de negócios na banheira.

— Então, boas notícias. O contrato está pronto. Estou revisando para fazer emendas finais agora e devemos estar prontos pra assinar amanhã.

— Perfeito! Posso ir aí pela manhã, se você puder.

Se marcássemos para mais tarde, eu teria morrido de nervosismo.

— Ótimo. Estou realmente ansioso para começar a trabalhar com você, Sakura.

— Não tenho como agradecê-lo o suficiente.

— Tem, sim. Me agradeça dando retorno ao meu investimento.

Uma pequena pontada de medo atravessou-me.

— Farei meu melhor — prometi.

— Ah, e um jantar hoje à noite. Eu gostaria de comemorar com minha nova sócia.

Sorri, mas minha animação abafada pela lembrança bastante recente de meu último jantar de negócios ter dado horrivelmente errado. Quais eram as chances de eu me meter em outra dessas sem Sasuke ter que fazer ameaças de morte e estrangular os outros?

— Na verdade, tenho planos para hoje à noite, mas que tal um almoço de comemoração por minha conta?

— Me aparece ótimo. Vejo você amanhã.

Desligamos e afundei-me novamente na água quente da banheira, reavivada pela percepção repentina de que, com esse investimento, toda minha existência estava prestes a mudar. Eu estava na minha nas últimas semanas, esperando por essa grande chance. Agora, em uma questão de horas, teríamos um investimento e poderíamos começar a operar em uma escala muito maior. Eu teria empregados, folha de pagamento, papelada e problemas que eu provavelmente não conseguia antever agora.

O futuro era incerto e assustador pra caramba, mas um pequeno alvoroço de excitação cresceu dentro de mim. Eu nunca tinha me sentido tão preparada para o desafio. Fiz uma pequena prece para o universo, para que eu não ferrasse com tudo.

Eu estava bem relaxada e um pouco tonta quando Sasuke entrou.

— Dia duro no escritório?

Ele se sentou na beirada da banheira, onde meus pés escapavam das bolhas.

— Preciso de um dia de descanso antes que minha vida entre na correria.

— Depois de amanhã, tenho certeza de que vai entrar.

— Como assim? — perguntei, torcendo, já sem esperanças, para que ele não soubesse sobre um contrato que estava sendo feito em sua própria empresa.

— Sim, eu sei que você vai fechar o contrato com Dan amanhã — disse ele. — Podemos conversar sobre alternativas?

— Não, não podemos, Sasuke, porque nós já discutimos isso e a resposta é não.

Falei tão decidida quanto consegui.

— Você sequer conhece o Dan e está disposta a passar a posse da sua empresa para ele — continuou ele.

Eu sabia que ele estava procurando vencer essa. Puta merda.

— Eu estaria fazendo a mesma coisa com você. Qual a diferença?

— Nunca disse que queria a posse. Você poderia me vender ações comuns ou podíamos dizer que é um empréstimo. Não importa muito pra mim.

— Exatamente.

Ele revirou os olhos.

— Não foi isso que eu quis dizer, Sakura.

Levantei-me na banheira, molhada e coberta de bolhas.

— Pode me alcançar a toalha?

— Não até a gente conversar sobre isso.

Ele não se mexeu.

Sasuke ficou olhando para mim, os braços cruzados decididamente sobre o peito, aparentemente muito pouco distraído pela minha nudez.

Felizmente, eu podia sobreviver sem a toalha.

— Você precisa parar com isso — disse, rispidamente.

— Você precisa confiar em mim — disse ele em voz baixa.

Alguma coisa na maneira como ele disse aquilo me fez parar. Por que isso era repentinamente tão importante para ele? O que tinha mudado entre nós nas últimas semanas que tornou a possibilidade da parceria com Dan tão insuportável para ele? Eu poderia perguntar, se achasse que ele me daria uma resposta sincera. De qualquer forma, nada que ele dissesse poderia me fazer mudar de ideia. Eu tinha tomado minha decisão. Ele saberia, de uma vez por todas, que eu não era propriedade dele e ele não podia me controlar.

Saí da banheira, quase escorregando na água ensaboada que trouxe comigo. Ele se aproximou para me ajudar, mas me afastei do toque dele.

— Esta conversa acabou — falei. — Você tem sérios problemas de controle e eu recomendo que você procure terapia pra trabalhar isso, porque eu claramente não posso ajudar você.

— Certo, eu tenho problemas de controle, e você tem sérios problemas de confiança, Sakura. Nós dois provavelmente nos beneficiaríamos com a terapia.

Fiquei olhando para ele. Ao menos meus problemas de confiança estavam enraizados em experiências legítimas. Os problemas de controle de Sasuke com certeza vinham de seu sucesso, que, até onde eu sabia, pouco tinha de traumático. Além disso, eu sempre odiei terapia. A insinuação dele de que eu precisava de terapia, jogando minhas palavras na minha própria cara, fez eu com que eu me sentisse diminuída. Imperfeita.

Cerrei os dentes e enrolei-me na toalha.

— Vá pro inferno.

— Sakura, este sou eu. Sou “programado” assim. E se estou tentando controlar a situação, por favor, entenda que é porque tenho motivos reais para isso.

Respirei fundo, determinada a não transformar isso em um grande desastre.

— É simples, Sasuke. Preciso de freios e contrapesos na minha vida. Não vou apostar tudo, corpo, alma e negócio, em você e ter você me ordenando pra lá e pra cá como seu bonequinho submisso. Isso acabaria comigo. Isso acabaria com a gente.

— Você já tomou sua decisão, então?

A voz calma dele enviou um calafrio inesperado de medo por meu corpo.

— É minha decisão final. Aceite.

Fui para o quarto para procurar minha confortável calça de moletom.

Sasuke ficou estranhamente quieto.

Quando saí do closet, ele tinha ido embora. Suspirei de alívio, até que uma onda de tristeza me abateu, me deixando fraca até o osso. Ele tinha ido embora. Desabei na cama. O limite entre minha saudade e minha raiva esmagadora se dissipou enquanto eu fitava o teto. Era apenas uma briga. Casais brigavam o tempo todo. Íamos superar aquilo.

Mas o que isso significava para o nosso relacionamento? E se acabasse ali? O fim? Como é que eu iria seguir em frente sem ele? Uma pequena parte de mim queria que ele fosse embora, ou ao menos deixasse o assunto do investimento de lado. Agora, que ele tinha ido, eu não conseguia explicar o vazio estranho que eu sentia.

Fechei os olhos e tentei me convencer de que assim que tudo fosse dito e feito amanhã, poderíamos encontrar uma maneira de superar isso. Eu torcia para que conseguíssemos.

Debati-me a noite toda. Acordei suando frio, desorientada quando percebi que Sasuke não estava comigo. Eu ansiava por ele, e que toda essa chateação ficasse para trás.

Fantasiei entrar de fininho no apartamento dele com a chave que ele tinha me dado para seduzi-lo. Admitir que o amava. Tudo fazia sentido quando ele estava dentro de mim, fazendo amor comigo, nos levando a um lugar onde nada mais importava. Agora, nada fazia sentido. Deslizei as mãos pela minha pele úmida, querendo que fossem as mãos dele em mim. Se eu pudesse apenas senti-lo comigo, talvez soubesse que não tinha acabado. Que ele ainda me amava tanto quanto eu o amava, apesar daquele comportamento enlouquecedor dele.

Lutei contra a vontade de ir até ele, enquanto a noite se transformava em dia. Uma onda de raiva atravessou-me, por ele conseguir fazer isso comigo. Ele me possuía como ninguém jamais tinha possuído. Exausta e derrotada, agora eu estava doente de desejo, literalmente perdendo o sono por que não podia — ou iria — dar a ele o que ele queria.

Eu queria dar a ele o que ele queria, mas a que custo?

Na manhã seguinte, entrei de fininho no quarto de Naruto, onde ele dormia ruidosamente. Não me dei o trabalho de sussurrar, sabendo que ele acordava com facilidade.

— Naruto, preciso de um favor.

Ele se virou e grunhiu.

— O quê?

— Me encontrei com meu pai ontem e ele me convidou para ir à casa dele em Cape Cod este fim de semana. Ainda não sei se vou passar a noite lá, mas estava pensando se podia emprestar o seu carro para ir até lá.

Ele se levantou, ainda totalmente vestido do dia anterior.

— Aqui — disse ele, entregando-me as chaves de cima da mesa. — Você ainda não o conhece muito bem. Tem certeza de que essa é uma boa ideia?

— Ele está concorrendo a um cargo público. Tenho bastante certeza de que ele não é um assassino com um machado, Nato. Mas obrigada pela preocupação.

Ele meneou a cabeça e desabou de volta no futon, desaparecendo debaixo do cobertor.

Joguei uma malinha de pernoite no Audi prata e ajustei o banco para acomodar meu corpo bem menor. Naruto tinha uma vida frugal, mas ele não economizava com veículos. 

Saí cuidadosamente da vaga em paralelo onde Naruto tinha estacionado. Se qualquer amassado ou risco surgisse por eu ter pego emprestado o carro, ele iria ficar de luto por semanas.

Encontrei uma vaga perto do escritório de Dan. Dei uma checada em mim mesma no espelho. Fechar o contrato não dependia mais da minha aparência, mas eu queria estar linda para a ocasião, então, pus um vestido branco justo, complementado com um cinto fino e scarpins nude.

Entrei na recepção da Amaterasu, parecendo e sentindo-me como a CEO com o bolso cheio que eu estava prestes a me tornar. A recepcionista me acompanhou até a sala de reuniões onde eu tinha feito minha apresentação pela primeira vez.

Vi-me sozinha naquela sala de novo, lembrando-me de como Sasuke tinha me deixado louca desde aquele primeiro dia. Fiquei tensa com o pensamento de que o que acontecesse hoje poderia mudar as coisas entre nós para sempre.

Dan entrou na sala e seu sorriso branco e largo empurraram minhas dúvidas para longe.

— Hoje é o grande dia! — exclamou ele.

Deixei escapar um riso tonto. O entusiasmo de Dan era facilmente contagiante. Fui até ele para dar um abraço delicado e ele me deu um beijo no rosto outra vez, mas eu estava me sentindo tão bem-disposta que não liguei.

— Então, por onde começamos?

Juntei as mãos em uma palma, ansiosa para assinar alguma coisa, até que vi a montanha de papéis que ele largou na mesa, que equivaliam a um exemplar da Vogue italiana. Dezenas de etiquetas multicoloridas saíam da pilha, indicando os locais a serem assinados. Uma onda de ansiedade nasceu em mim.

— Tudo isso? — perguntei.

— Infelizmente, sim. É por isso que essas coisas levam todo aquele tempo chato pra preparar.

— Não estou cedendo meu primogênito, né?

Acomodei-me em uma cadeira de frente para ele, preocupada, agora, de que não teria o tempo de que precisava para revisar nada daquilo. E se eu encontrasse algo que pudesse impedir a parceria? E se eu não tivesse a menor ideia de que diabos eu estava assinando?

— Eu não descartaria essa hipótese — disse uma voz atrás de mim.

Virei-me na cadeira, enquanto Sasuke entrava na sala. Usando jeans e uma camiseta de gola V azul-marinho, ele parecia implacável, apesar de seu traje casual.

— O que posso fazer por você, Uchiha?

A voz de Dan era polida e seus lábios apertaram-se em uma linha fina.

— Pode me dar um momento com a srta. Haruno?

— Certamente. Estaremos prontos daqui a pouco.

— Agora.

— Algum problema? — perguntou Dan entre dentes cerrados.

— Você é o problema.

Com isso, Dan se levantou. A cadeira dele rolou para trás e acertou a janela de vidro, fazendo barulho.

— Leve o tempo que precisar, Sakura.

Ele olhou para Sasuke e, então, nos deixou e fechou a porta.

Meu coração batia ferozmente, uma combinação de mero alívio por ver Sasuke, combinada com um medo voraz de que o contrato com Dan agora corria perigo. Se Sasuke ia causar tantos problemas com meus negócios, por que é que Dan sequer iria querer se envolver comigo agora? Ele estaria contratando meses de chateação.

— Que diabos você está fazendo aqui? — disse, rispidamente.

— Eu não queria fazer isso, mas você não me deixou muita escolha.

— Eu disse a você, tomei minha decisão. Está basicamente acertado.

— Nem perto disso. Você ainda não assinou nada.

— Tenho toda intenção de assinar, então, sugiro que você pegue suas tendências compulsivas e nos deixe em paz.

— É tarde demais pra isso.

Oh, não. Hesitei. Um temor ansioso tomou conta de mim.

— Tarde demais pra quê?

— Transferi o dobro do investimento de que você precisa para sua conta empresarial.

Tentei formular palavras, perguntas que precisavam ser feitas, mas, em vez disso, fiquei parada ali, de boca aberta e incrédula com a audácia dele, que, verdade seja dita, nunca parava de surpreender-me.

— Não perca tempo tentando encontrar maneiras de devolver porque eu vou impedir que você consiga investidores em qualquer outro lugar da cidade — continuou ele. — Você sabe que eu posso fazer isso.

— E se Dan ainda quiser investir?

— Ele não vai querer — disse ele com afinco. — Nenhum contrato sai daqui sem minha autorização, e ele não vai ganhá-la.

— Por que você está fazendo isso?

Minha voz tremia.

Ele tinha efetivamente me colocado em uma sinuca de bico. Eu podia pensar em outras saídas, mas sabia que ele já as tinha fechado.

— Eu me preocupo com você mais do que Dan jamais irá se preocupar, apesar de Deus saber que ele vai tentar convencer você do contrário.

— Isso não tem nada a ver com essa porcaria de rivalidade de pseudo irmãos que você tem com Dan. É com a minha vida que você está brincando. Isto é tudo pelo que eu trabalhei e você está arruinando tudo!

Bati com os punhos na mesa antes de levantar-me, encarando-o.

— Isso não é nem perto do que você vai conquistar. O fato de que você acha que eu vou foder com tudo só mostra o quanto você é completamente ingênua.

Dei um tapa forte nele, o barulho se espalhando pela sala da mesma maneira que as palavras dele tinham me atravessado. Minha mão ardeu com o contato e fiquei sem ar. O choque passou pelo rosto dele, mas ele hesitou apenas um segundo antes de colocar a mão na minha nuca e me beijar, unindo os lábios dele aos meus. Fechei as mãos ao lado do corpo. Não. Ele não ia me vencer pelo cansaço. Não desta vez. Eu não ia deixar.

Guerreei comigo mesma, lutando contra a maneira que eu me sentia enquanto os lábios dele esmagavam os meus, possuindo-me com cada beijo intenso. Você é minha. Ouvi a voz dele na minha cabeça. Um gemido escapou de mim e percebi que o estava beijando de volta, meu corpo respondendo ao amor e ao ódio que eu sentia por aquele homem. Eu me odiava por isso. Por querê-lo como eu queria.

Ele tinha me derrotado.

Ele tinha vencido.


Notas Finais


Gostaram?... O próximo sai em breve!! 😍


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