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História Atraído - Capítulo 22


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Capítulo 22 - Capítulo 22


Acho que você não sabia disso, mas muitos homens têm uma queda pela Ariel. A pequena sereia, lembra? Eu nunca tive uma queda por ela, mas consigo entender a atração: ela preenche bem aquele par de conchas, é ruiva e passa a maior parte do filme sem falar nada.

Considerando isso, não estou muito perturbado com a ereção que estou ostentando enquanto assisto A Bela e a Fera, como parte da lição de casa que Erin me passou. Gosto da Bela. Ela é sensual. Bem, tratando-se de um desenho, claro. Ela me lembra Luna. É talentosa. Esperta. Não atura qualquer merda da Fera ou daquele idiota com os braços absurdamente grandes.

Encaro a TV quando Bela se inclina para alimentar o passarinho. Então, me inclino para frente, tentando ver uma boa parte de seu seio…

Será que vou para o inferno?

Não consigo me controlar. Estou desesperado. Frustrado.

Com tesão.

Disse que ia falar sobre isso depois, lembra? Bom, agora é o depois. Sinto-me como uma lata de refrigerante que foi sacudida e está quase explodindo. Sei que meu maior recorde é de doze dias, mas isso é diferente.

Pior.

Já virei um peru congelado. Por completo. Não consegui nem me masturbar. Nem uma vez. Em nove malditos dias. Acho que o acúmulo de sêmen está começando a me fazer mal. Como açúcar para diabéticos.

Por que não usei a mão que Deus me deu, você está se perguntando?

É uma regra nova. A punição que eu mesmo me impus por causa da minha estupidez. Recuso-me a gozar até que Luna goze comigo. Ontem parecia uma boa ideia. Mas depois de vê-la hoje, estou quase certo de que a espera vai me matar.

Não revire os olhos.

Você não entende. A não ser que seja um cara, não pode entender. Você não tem ideia de como é importante uma gratificação sexual regular para nós. É crucial. Vital.

Vou explicar.

Em 2004, a Universidade da Califórnia fez um levantamento para determinar o quanto as mulheres valorizam o ato sexual com relação a outras atividades. Sabe o que encontraram? Oito entre dez delas – ou seja, oitenta por cento – disseram que se tivessem que escolher entre sexo ou dormir, elas escolheriam dormir.

Naquele mesmo ano, a Universidade de Nova York realizou seu próprio estudo. Com ratos. Eles implantaram eletrodos nos cérebros de ratos machos e colocaram dois botões em suas gaiolas. Quando os pequenos desgraçados pressionavam o botão azul, os eletrodos acionavam um orgasmo Quando apertavam o vermelho, recebiam comida.

Quer adivinhar o que aconteceu com todos os ratos?

Eles morreram.

Morreram de fome.

Eles nunca apertaram o botão vermelho.

Preciso dizer mais alguma coisa?

Enfim, aqui estou eu. Preso na minha própria gaiolinha sem a porra de um botão azul. Mas… Talvez possa ter a segunda melhor coisa que existe. Eu pauso o filme. Depois pego o telefone e ligo.

– Alô? – ela atende, com voz de sono. Rouca.

– Oi, Luna.

– Matteo? Como… como você conseguiu meu telefone de casa?

– Eu olhei no seu arquivo pessoal.

Sim, essas coisas deveriam ser confidenciais, mas pedi um favor. Eu jogo para ganhar. Nunca disse que jogo limpo.

Eu me deito no sofá, enquanto imagens de Luna na cama começam a dançar em minha cabeça.

– Então, o que está vestindo?

Clique.

Funcionou que é uma beleza.

Eu ligo outra vez.

– Alô.

– Você estava pensando em mim antes de eu te ligar, não estava?

Clique.

Eu sorrio. E ligo de novo.

O quê?

– Caso você esteja se perguntando, eu ainda tenho.

– Você ainda tem o quê?

– Sua calcinha. Aquela de renda preta. Está em minha gaveta. Às vezes durmo com ela embaixo do meu travesseiro.

Doentio? Talvez.

– Você guarda troféus de todas suas vítimas? Está parecendo um serial killer.

– Não, não de todas elas. Apenas o seu.

– Isso devia fazer eu me sentir lisonjeada? Acho que estou com náuseas, na verdade.

– Esperava que pudéssemos acrescentar outra na coleção.

Clique.

Agora isso está ficando ridículo.

Eu ligo outra vez.

– O. Que. Você. Quer?

Você.

E eu.

Presos em uma ilha deserta exuberante por uma semana.

– Não desligue. Vou continuar te ligando.

– Se fizer isso, eu tiro meu telefone do gancho.

O desafio em sua voz faz com que minha ereção venha com força total. Eu disse uma semana?

Na verdade, é um mês.

No mínimo.

– Terei que ir aí então. Vou ficar plantado na sua porta falando. Isso não vai deixar seus vizinhos muito felizes com você.

Por alguns segundos, ela não fala. Já passa da meia-noite. Provavelmente, ela está pensando se estou falando sério.

Eu estou.

Em seguida, bufa:

– Tudo bem, vou ficar no telefone. Você tem alguma razão pra me ligar ou só quer me encher o saco ainda mais?

Conto para ela a mera e honesta verdade.

– Só queria ouvir sua voz.

Há pouco tempo, entrava na sala de Luna quando queria. Podia falar com ela. Olhar para ela. Escutá-la.

Sinto falta disso. Muita falta.

– O que você está fazendo? – pergunto.

– Trabalhando.

– Eu também. Mais ou menos. No que está trabalhando?

– Em uma proposta para um cliente novo. Jeffrey Davies.

– O milionário? Ele não é… maluco?

– Ele é bem excêntrico, sim.

Ouvi dizer que ele é um pirado. Como um daqueles fanáticos por Jornada nas Estrelas, que sabem a língua Klingon de cor ou que operam as orelhas para ficarem parecidos com o Spock.

– No que ele está interessado?

– Tecnologia. Pesquisa científica para prolongar a vida, pra ser mais exata.

Sua voz soa confortável agora. Normal. Quase amigável.

– Conheço algumas pessoas que entendem de criogenia. Podia te apresentar. Devíamos conversar sobre isso no jantar de sábado.

– Está tentando me chantagear?

– Você prefere no café da manhã? Por mim pode ser no almoço também.

A essa altura, eu ficaria feliz até mesmo com um pequeno lanche da tarde.

Ela engasga. Não é uma risada, mas é quase isso.

– Esquece isso, Matteo.

Sorrio, apesar de ela não conseguir me ver.

– Não vai rolar. Posso continuar com isso pra sempre. Tenho uma resistência extraordinária, mas você já sabe disso.

– Vou ter que desligar de novo?

Eu lamento.

– Não. Vou ser bonzinho.

Troco de lado. Meu apartamento está escuro e quieto. Está… íntimo. Como uma daquelas conversas noturnas que você tinha quando estava no colegial e ficava por baixo do lençol, porque não devia estar no telefone ainda.

– Então, o que vai fazer no Natal?

Quando ela responde, consigo sentir um sorriso em sua voz.

– Minha mãe vai vir me visitar. A Nina também, então vamos sair juntas para ceiar no Natal. E depois, como meu contrato de aluguel acaba no mês que vem, estou planejando procurar alguns apartamentos, enquanto minha mãe ainda estiver aqui. Espero que Nova York a impressione. Talvez eu encontre algum lugar que a seduza e a faça ficar por aqui.

– E o Velásquez? Ele ainda está morando com Nina?

Não queremos nenhum golpe surpresa, certo?

Sua voz volta a ser ríspida ao me dizer:

– Não que seja da sua conta, mas Michel se mudou para Los Angeles há três dias.

Bem, isso não me faz querer levantar e fazer a dança da vitória em cima da minha mesa de jantar?

– Vocês ainda… conversam?

– Ele vai me mandar um e-mail assim que acabar de organizar tudo. Pra me contar como estão as coisas.

– Luna… o que aconteceu entre vocês dois, naquele dia, na sua sala?

Devia ter tido coragem de escutá-la aquele dia. E ter feito esta pergunta. Naquele momento, achei que seria mais fácil fingir que não me importava do que escutar ela dizer isso.

Eu estava errado.

Ela soa triste ao responder. E cansada.

– Nós conversamos, Matteo. Eu disse que o amava, que parte de mim sempre o amaria. Falei que sabia que ele me amava também. Mas que nós não estávamos mais… apaixonados. Não do modo que devíamos estar… há um bom tempo. Demorou um pouco, mas depois Michel acabou concordando comigo. E – ela solta um suspiro irritado – eu nem sei por que estou te contando isso.

Ficamos quietos por um momento. Acabo não conseguindo me controlar.

– Estou apaixonado por você, Luna.

Ela fica em silêncio. Não responde nada.

Meu peito se aperta porque sei a razão.

– Você não acredita em mim?

– Acho que você consegue ser um excelente mentiroso quando quer, Matteo.

Ai. Então é assim que se colhe o que foi plantado? É uma merda.

Mas minha voz continua firme. Determinada e nada oscilante.

– Não estou mentindo pra você agora, Luna. Mas tudo bem. Faça o que precisa fazer. Me xingue, bata em mim, coloque tudo pra fora. Eu aguento. Porque, quanto mais você me afasta, mais eu vou lutar para te provar que é verdade. Que não vou pra lugar algum e que o que sinto por você não vai mudar. E então, algum dia, vou dizer que você, Luna Valente, é o amor da minha vida, e aí não vai haver dúvida disso.

Após um minuto, Luna limpa a garganta.

– Tenho que desligar. Já é tarde. E ainda tenho muita coisa pra terminar.

– Sim. Está bem. Eu também.

– Boa noite, Matteo.

Dou uma risada forçada.

– Poderia ser. Mas você está do outro lado da cidade.

Ela, por fim, dá risada. É rápida e abafada, mas é verdadeira. Tenho certeza de que é o melhor som que já ouvi.

– Bons sonhos, Luna. Sabe, aqueles em que estamos neles. Pelados.

Clique.



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