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História Atraídos - Capítulo 8


Escrita por: ButterflyTK95

Notas do Autor


Oi, amores! 😊

Voltei para o capítulo final de Atraídos.

Antes de mais nada gostaria de ter com vcs um papo sério. Informo que não autorizo nenhum leitor à salvar minhas obras em drives e compartilhar com outros leitores.

Embora as obras estejam em plataforma pública, ainda assim são de minha propriedade intelectual. Cada vez que um leitor realiza esse ato de compartilhar obras em drives, ele pode estar cooperando para que a obra seja plagiada.

E msm se um dia eu decidir retirar minhas obras de publicação, gostaria que meu desejo fosse respeitado e que elas não circulassem sem o meu consentimento. A plataforma não nos oferece dispositivos para proteger nossas obras, então vc que é meu leitor e apreciador do meu trabalho, não seja cúmplice de atitudes assim.

Não coopere com leitores que se acham no direito de compartilhar algo que não lhes pertencem. Não coopere com a possibilidade de um plágio. Plágio é crime.

Obrigada pela atenção! Voltamos à nossa programação.

Agradeço imensamente cada um que esteve comigo durante essa aventura.

Não deixem de prestigiar a fic com seus últimos comentários.

Confiram tb se deixaram favoritar a fic. Isso coopera comigo dentro da plataforma. Obrigada!

Preparem seus corações e vamos ao ato final.

Uma maravilhosa leitura pra vcs! Recheada de sentimentos e emoções.😘🦋❤

Capítulo 8 - Segredos revelados



O clima naquela sala ficou tenso.

Toda aquela atmosfera de cumplicidade e carinho que havia sido construída nos últimos 30 dias foi dispersa em questão de minutos. Como uma pirâmide de cartas desfeita por um sopro.

Jeongguk entendeu que nada que ele falasse iria fazer Tae cancelar a sua viagem. Tudo já havia sido arquitetado. A única certeza no plano de Taehyung era que Jeongguk definitivamente estava fora dele.

Então o Jeon simplesmente trocou de roupa e em seguida começou a organizar suas coisas para levar ao carro. Iria pra casa. Precisava se preparar para conversar com Jimin assim que o baixinho retornasse.

Independente de Tae, sua decisão estava tomada. Não continuaria aquele namoro. Precisava pôr um fim à toda aquela merda. Ser ao menos uma só vez sincero e correto com o Park. O único que não merecia sofrer.

Todo o sofrimento que afligia o peito de Jeongguk doía demais, porém ele não poderia reclamar. Não mesmo. Sabia que uma hora aquele choque de realidade iria acontecer e que a bomba iria explodir bem no seu colo. Os danos não haviam sido calculados, porém ele sabia que eles aconteceriam e que eram inevitáveis.

Enfim, a colisão do carro desgovernado acontecia.

Tae o seguia a cada vez que Guk entrava no apartamento pra levar mais um montante de coisas. Desesperado e incerto sobre como agir ou o que dizer ao Jeon. Hesitante em cada passo, em cada toque que reprimia ao levantar de sua mão para tocar Guk, mas que nunca o alcançava de fato.

Jeongguk nem tinha se dado conta que acabou fazendo uma mini mudança para o apê de Tae. Tinha mudas e mudas de roupas, um violão, um teclado e seu notebook. Alguns cadernos com suas partituras. Tênis, chinelo, cuecas.

Nunca o quarto de Jimin havia visto tantos pertences seus como os que tinha deixado ocupando espaço no quarto de Taehyung. O Kim até havia separado um espaço em seu guarda-roupa e em algumas gavetas. Suas cuecas dividiam espaço com as cuecas dele. A que ponto chegaram?

E não é como se Jeongguk fosse do tipo espaçoso não. Era o próprio Tae quem pedia pra ele trazer mais coisas para não terem que ir toda hora no apartamento de Guk ou quando estavam por lá ele abria o armário do Jeon e separava várias peças de roupas para eles levarem pro seu apê.

Nem o próprio Jeongguk tinha se dado conta de que juntos agiam quase como casados.

Tae até pediu algumas vezes para lavar a roupa do Jeon junto com as suas. O cheirinho do amaciante ficando impregnado nas suas roupas, o mesmo cheirinho que ele inalava nas roupas do Kim.

A cada item retirado ficava um espaço vago na mobília de Tae e aquilo fazia com que o Kim sentisse o seu coração quebrar, sofrer. Os olhos e nariz ardiam pelo iminente choro intenso, o qual certamente viria mais tarde.

Definitivamente não era só sexo. Não. Parecia o rompimento de um relacionamento de uma vida toda. Como se em 30 dias tivessem vivido anos de uma vida a dois. A dor era inevitável.

Afinal, todo rompimento é um tipo de luto.

E dificilmente alguém está preparado para perder alguém que ama.

- Eu te desejo sorte no seu projeto. Adeus, Taehyung. - Foram as últimas palavras que Jeongguk proferiu antes de desaparecer atrás daquela porta.

Foi a última vez que se viram.

E doeu demais ouvir aquele "Taehyung" partindo dele, nunca Tae se sentiu tão mal por escutar o seu próprio nome. Nunca ele soou tão estranho ao ser proferido pelos lábios de alguém.

Ele já havia se acostumado ao saranah* dito de boca cheia, numa doçura semelhante ao mel. (*meu amor)

Ou ao yaegiva*, que carregava tanto carinho ao ser proferido. (*bebê)

Só damos valor às pequenas coisas quando elas deixam de existir.

Tae amava morar com Jimin, mas viver sozinho nunca foi difícil para si. Adorava o silêncio da casa vazia, a calmaria que embalava a sua solitude.

Mas agora o silêncio feria. Fazia barulho mesmo com a ausência de som. Gritava ao seu ouvido a dor da solidão. Torturava-o trazendo à memória a imagem dos dois juntos em cada canto daquele apartamento.

Palavras tão parecidas, mas com sentidos tão divergentes.

A solitude converteu-se em solidão.

E mesmo com a volta de Jimin no dia seguinte, aquele silêncio não foi preenchido, pois aquele silêncio não era a ausência do som, era a ausência de alguém.

Um vazio que não poderia ser preenchido por mais ninguém que não fosse ele.

Fazia quase duas semanas desde a última vez que Guk havia visto Tae, quando o Kim revelou para o Jeon que estava indo embora. E uma semana desde que ele havia partido pro Japão.

Jeongguk demorou uns três dias para procurar Jimin na faculdade e enfim poder conversar com o baixinho.

O baque da cisão com Taehyung mexeu tanto com ele que precisava se recompor antes de dar sequência ao término. Ainda assim foram noites quase sem pregar os olhos. Repassando em sua memória todos os momentos que viveram juntos. Sendo fortemente golpeado pelo odor delicioso do amaciante dele no pijama em que usava para dormir.

Antes desses três dias, ele e Jimin só se falaram por mensagens, para combinar de se verem. Ainda não havia mencionado nada para o Park, mas mesmo à distância de uma mensagem as coisas entre eles pareciam bastante estranhas. Não sabia se Tae havia dito algo sobre eles para Jimin, mas acreditava que não, afinal ele suplicou para que Guk não dissesse nada.

No dia em que falou com Jimin estava nervoso e preocupado. Não queria ferir o baixinho. Nunca quis machucá-lo.

Mas se foi homem pra trair, seria também para se confessar.

E assim o fez. Contou tudo. Não com detalhes, é lógico, não tinha nenhuma intenção de fazer o Park se sentir humilhado. Deu um resumo geral de como foi aos poucos se envolvendo com outra pessoa. Foi sincero, verdadeiro. Não havia mais segredos.

Quer dizer, apenas um, quando percebeu que de fato Tae não havia contado nada. Omitiu a pessoa com quem se envolveu. Sentia que não tinha o direito de interferir na relação entre Tae e Jimin.

Ele assumiu a sua traição. Taehyung deveria assumir a sua também. Mas isso era outra história.

Uma história entre Taehyung e Jimin. A qual não tomaria parte.

O rompimento com Jimin só confirmou o que ele temeu muitas e muitas vezes, perdeu contato com a única fonte que o enchia de informações sobre o Kim. Não tinha mais notícias de Tae.

Sabia que Bogum ainda mantinha contato com ele. Ainda sentia muito ciúmes do Kim com o Park - mais ainda de Seungho, na atual situação. Mas sustentava um pouco do seu orgulho. Jamais buscaria em Park Bogum qualquer elucidação sobre o rapaz lindo de fios roxos que enfeitiçou seu coração.

Pensou que surpreenderia Jimin quando contasse a verdade sobre a sua traição. Por mais que o baixinho fosse centrado e tímido, esperou todas as reações possíveis. Xingamentos, palavras de revolta, indignação, um tapa na cara, talvez. Entretanto, o próprio Jeon foi quem saiu mais chocado daquele diálogo.

E sem Jimin encostar nenhum dedo em si, sentiu-se esbofeteado.

Mas não poderia reclamar. Ele mereceu. Sabia disso.

Os meses que se seguiram renderam a Jeongguk as composições mais maravilhosas e uma corrida louca de diversas produtoras pelas suas obras.

Yoongi ficava impressionado a cada novo trabalho realizado pelo Jeon. Ao mesmo tempo estranhou a mudança na dinâmica do grupo de amigos. E sobretudo o silêncio de Jeongguk, seu semblante esmaecido.

O Min se encantava com as músicas maravilhosas que Jeongguk produzia, mas também notava quanta tristeza e dor elas expressavam.

O Jeon havia se fechado como uma concha, mesmo para os amigos, mesmo para o seu melhor amigo.

E o Min teimou que precisava ouvir a história direto da fonte, não somente através das músicas, mas também das palavras que seriam proferidas pelo Jeon, das confissões que ele se negava a fazer, do segredo que ele insistia em guardar e que ficava cada dia mais pesado, o machucava, o oprimia, o esmagava.

Confessar é algo libertador. E Yoongi faria de tudo para que Jeongguk se confessasse. Faria de tudo para aliviar a carga do amigo, para ajudá-lo a carregar aquele peso.

Porque amigos são presentes da vida e nos ajudam nos momentos de maior dor, ainda que nenhuma palavra saia de sua boca, ainda que ele apenas ofereça seu ombro para chorar, ainda que ele chore consigo a sua dor.

Então 3 meses depois do rompimento com Tae e Jimin, enfim Jeongguk resolveu se abrir para Yoongi.

Saíram para beber e comer, apenas os dois. Tudo patrocinado pelo Min. Após algumas doses de soju, Jeongguk foi pouco a pouco se desnudando, desfazendo-se das máscaras que ocultavam seu semblante triste, das barreiras que escondiam seu coração ferido.

Yoongi foi a primeira e única pessoa a ouvir na íntegra a história de Jeongguk com riqueza de detalhes. Desde a atração lancinante no primeiro olhar até o adeus proferido.

E toda aquela história de amor chocou o Min, ainda que seu semblante não expressasse nenhuma surpresa.

Pobre Jeongguk!

Descobriu que tudo o que vai, um dia volta e que aquele erro viria à tona uma hora.

Sentiu na pele as agruras de ser humano. Com sentimentos, conflitos, acertos e erros. Muitos erros.

Mas nada mais havia para ser feito. Teria que dar tempo ao tempo. Permitir que o correr dos ponteiros do relógio pudesse fazer seu trabalho e de pouco em pouco amenizar aquela dor, quem sabe trazer uma nova esperança no futuro. Presenteá-lo com uma nova chance, trazer para ele um novo amor.

E o tempo correu....

Provavelmente, cumprindo seu trabalho com eficácia. Ao que tudo indicava. Pelo menos sob a ótica do Kim.

Após oito meses de sua viagem, Tae estava de volta ao campus da faculdade. Nem poderia acreditar. O projeto tinha sido um sucesso. Poderia apresentá-lo para eliminação de matérias e assim não teria um semestre todo perdido.

Assim que dava passos pelos arredores da faculdade, sentiu seu coração estremecer. O tempo não foi seu aliado, não o fez esquecer aquele rapaz de fios azuis e olhos escuros.

Muito pelo contrário, Jeongguk parecia enraizado dentro de si. Como se em cada um de seus toques ele tivesse se infiltrado através de sua epiderme. Uma lembrança viva de que havia acontecido na vida e no coração de Tae.

Taehyung sofreu naqueles longos oito meses. Toda a satisfação pela realização do projeto incrível não foi suficiente para ocultar a dor de tudo o que a separação entre ele e Guk causou. Não foi suficiente para fazer cessar a tristeza de saber o quanto fez o Jeon sofrer.

E também não fez a verdade em seu íntimo se desfazer. Amava Jeongguk, tanto ou mais do que no dia em que o deixou partir por aquela porta.

Dentro de seu peito um medo o assolava imensamente. Será que Jeongguk o havia superado? Era desesperador pensar nisso, pois ele sabia que não havia superado Jeongguk e temia que talvez nunca pudesse fazê-lo. O amor por Doyun nem sequer poderia ser comparado ao que sentia pelo Jeon.

Olhando ao redor via rostos conhecidos e outros desconhecidos. Mas aparentemente, a dinâmica do campus era a mesma. Nada novo debaixo do sol.

Seu peito se comprimia pela expectativa de se deparar com Guk a qualquer instante. Como ele o encararia? Como agiriam um com outro? Será que ele iria ignorá-lo? Tinha ódio de si? Rancor? Ou Tae havia se tornado apenas uma lembrança distante? Um amor esquecido no fundo do baú de suas memórias?

Não sabia dizer o que era pior. Talvez se Jeongguk ainda tivesse ao menos raiva de si fosse mais reconfortante do que saber que não nutria pelo Kim sentimento algum.

Provavelmente, a indiferença doeria mais.

De repente, parte de suas dúvidas pareciam ter sido sanadas.

Avistou-o de longe. Os fios de Jeongguk um pouco maiores, presos em um rabo de cavalo. Um rapaz com a cabeça no colo do Jeon. Ambos sentados debaixo de uma árvore. Ele acariciando os fios loiros e bonitos do rapaz desconhecido. Olhos brilhantes fitando Jeongguk. Pareciam encantados por Guk.

Mas como não se encantar por aquele homem lindo? Como?

Seu coração se comprimia ainda mais. A realidade trazendo mais dor do que quando tudo era apenas uma possibilidade em sua mente.

Foi tudo sua culpa. Mas também, pensou o que? Que ele ficaria lhe esperando a vida toda? Que seu amor pelo Kim jamais morreria?

Um grande engano.

Aparentemente, os sentimentos também se assemelhavam à vida.

Onde havia o nascimento, desenvolvimento (este que não teve as melhores condições para acontecer na relação dos dois) e morte.

É, pelo jeito, aquele amor não existia mais...

Precisava pôr em sua mente, aceitar que ele morreu, que havia sucumbido, que talvez para o Jeon, Tae havia morrido também.

Mas doía muito pensar sobre isso, quanto mais dizer em voz alta ao constatar com seus próprios olhos.

Era como se de fato tivesse morrido para Jeongguk, como se tivessem morrido um para o outro. Onde o amor entre os dois não existia mais e nem a presença de um na rotina alheia.

A intimidade dos dois corpos tão confortáveis na presença um do outro, envoltos nos lençóis, parecia um retrato desbotado no fundo de uma gaveta. Uma lembrança prestes a ser deletada da memória.

O pensamento persistia e ecoava em sua mente: o amor de Jeongguk por você morreu...

Morreu... Morreu... Morreu...

Morreu... Mas mesmo que a morte física os separasse para sempre, tudo o que viveram naqueles dias estaria guardado em seu coração, pois quando a saudade batesse, ele não hesitaria em visitar suas memórias e reviver cada um daqueles dias. Cada beijo, cada toque, cada carícia e em especial quando o ouviu proferir "eu te amo!"

Seu maior arrependimento, e que levaria consigo para sempre, era o de nunca ter retribuído aquela frase. De não tê-lo deixado saber que também o amava. De ver os olhos brilhantes suplicando-lhe reciprocidade e depois vê-los desbotados, entristecidos, apagados.

Ah, como aquilo doía! Como doeu saber que agora era tarde demais.

Um punhal fincado em seu coração doeria menos, com toda a certeza do mundo.

Não conseguia mais fitar aquela cena. Não conseguia ver Jeongguk com outro em seus braços.

Doía demais! O coração chegava a sangrar.

E olha que nem era nada demais, apenas o Jeon acariciando o fios de outro rapaz e com a cabeça dele em seu colo.

Parecia que nem mesmo vê-lo aos beijos com Jimin tinha doído tanto. Talvez porque no fundo sabia que enquanto estava com o baixinho, o coração do Jeon lhe pertencia. Todos os pensamentos e desejos de Guk eram seus.

Mas agora a realidade dava-lhe um tapa bem dado na cara e o fazia despertar aos chutes de qualquer devaneio que tivesse criado em sua mente de que talvez, quem sabe, um dia, se deus quiser... Jeongguk seria seu novamente.

Abaixou a cabeça e seguiu um outro caminho. Não conseguiria ver aquilo de tão perto.

Não notou quando, despretensiosamente, Jeongguk moveu a cabeça em sua direção e seus olhos se arregalaram ao fitarem a silhueta de Tae de costas. Sabia que era ele, conhecia aquele corpo do avesso. Aqueles cabelos longos que pareciam ter quase alcançado o bumbum redondinho e perfeito.

Sentiu uma escola de samba inteira desfilando dentro de seu peito. Não conseguia acreditar que Taehyung estava de volta.

Poucos dias passaram, mas foram suficientes para Jeongguk amadurecer a informação de que Tae tinha retornado ao campus.

Agradeceu demais pelo momento em que se abriu com o melhor amigo. Yoongi vinha sendo um excelente amigo e conselheiro. Fazendo-o ver sempre um outro ângulo de toda aquela história. Ajudando-o a amadurecer suas ideias, a se perdoar pelos erros. Jeongguk sentia-se mais pronto para enfrentar tudo, inclusive pronto pra rever e falar com Tae, ainda que tivesse tido uma reação surpresa à primeira vista.

Para o Kim aqueles primeiros dias que ficou sem ver Jeongguk também foram importantes, especialmente para ganhar coragem de procurá-lo para pelo menos pedir-lhe perdão e para também devolver-lhe alguns poucos itens dele que tinham ficado em seu apartamento.

Mas a coragem se esvaía cada vez que ele via Jeongguk ao longe quase sempre acompanhado daquele loiro misterioso de traços ocidentais. Cada vez mais o medo de Guk estar se envolvendo com o tal rapaz parecia tornar-se real. Na verdade, era quase uma certeza.

Jeongguk chegou a visualizar mais umas duas vezes Tae andando pelo campus com Bogum no seu encalço. O ciúme borbulhava dentro de si, não queria aceitar que aquela amizade colorida continuava. Não era possível que ele não tivesse representado nada na vida do Kim.

Ficaram nesse desencontro por mais de um mês após a chegada de Tae. Sendo que a maioria das vezes era o Kim quem fugia de um encontro com Guk. Desde quando havia se tornado um covarde de merda?

Taehyung sentia-se desolado por saber que ainda amava o Jeon. Amava-o demais! E a mínima possibilidade de tornar-se real a rejeição por parte de Jeongguk o fazia entrar em desespero. Pensar que ele talvez estivesse com aquele outro rapaz o fazia entrar em pânico. Precisava de tempo para digerir isso, ainda não sabia lidar com a proximidade física entre eles sem que estivessem nos braços um do outro. Sentia saudades do Jeon. Muitas, muitas saudades!

- Oie! - Falou Bogum, sentando-se ao lado do Kim que estava em uma das mesas da biblioteca em pleno intervalo. - Te procurei em todo lugar.

- Oi, Gum! Onde é o incêndio? - Tae perguntou num tom divertido. As mãos sobre um dos inúmeros livros que estavam abertos sobre a mesa.

- Temos festa no sábado e você, mocinho lindo, está convocado! - Bogum falou sorrindo e deu uma batidinha com a ponta do dedo indicador na pontinha do nariz de Taehyung.

- Ah, não! Não tô no clima, amigo! - Tae respondeu com a feição mais desanimadora possível. - Além disso, acho que eu trab...

- Nem vem, eu sei que você já acertou seu retorno na boate e sei também que você só vai voltar daqui a 15 dias. A negativa não é uma opção.

Tae suspirou desanimado e desabou se debruçando sobre a mesa, choramingando em derrota.

- Vamo lá, Taetae! Ânimo! Poxa! Tenho sentido você tão down. Tô começando a achar que esse projeto no Japão foi uma furada.

Taehyung apressou-se em se defender.

- Não! Foi ótimo! - Bogum olhou para Tae com uma feição de "fala sério!" - É verdade! Foi bom demais mesmo. Acho que deve ser porque eu tô com muitos trabalhos pra repor uma parte do conteúdo e assim não ter o semestre perdido. Não aguento mais ler e fazer anotações.

- Se você tá dizendo. - Bogum deu de ombros. - Vem, mais um motivo pra você parar aí e ir comigo pra cafeteira comer algo.

Pensar na simples possibilidade de se encontrar com Jeongguk e o loirinho juntos já dava-lhe calafrios.

- Vai indo na frente, daqui a pouco a gente se encontra. - Falou, mas sem convencer o Park que era verdade.

- Ah, não! O pessoal ficou surpreso quando soube que você voltou. Todos querem te ver. Já faz um mês, Tae!

Seu estômago gelou em pensar que Jeongguk já sabia que estava de volta. Tae sabia que era ridículo se sentir um tanto desapontado por descobrir que ele já tinha conhecimento do seu retorno e ainda assim não o procurou. Mas, afinal ele esperava o que? Que Jeongguk fosse correndo ao seu encontro com um buquê de rosas, se colocasse de joelhos e o pedisse em namoro? Estava sendo ridiculamente patético. Jeongguk provavelmente não queria vê-lo nem pintado de ouro.

- Outra hora, Gum.

Bogum notando que insistir com Tae era perda de tempo, resolveu ir embora sozinho mesmo. Deixou um beijo no topo da cabeça do Kim e o deixou em paz e sozinho na biblioteca.

Jeongguk sentiu uma certa frustração quando Bogum entrou na cafeteria sem a companhia de Tae. Já era rotineiro que o Park se juntasse ao pessoal na cafeteria. E em nenhuma das últimas vezes Tae o acompanhava. Sempre havia uma boa desculpa para que não fosse.

Depois de Bogum pegar seu lanche no balcão, cumprimentou todo mundo e acomodou-se na mesa junto dos demais. A língua de Jeongguk coçava para questionar sobre o Kim.

- E o Tae? - Namjoon perguntou e Jeongguk sentiu-se grato pelo amigo ter roubado as palavras de sua boca.

- Ele não pôde vir, tá com muito trabalho pra fazer.

- Poxa! A gente tá sentindo falta dele. - Falou Bakho. - Já não basta o Jimin ter nos abandonado. Até hoje acho que alguém fez alguma merda. - Olhou para Jeongguk que revirou os olhos. - Agora o Tae volta e abandona a gente também? - Yoongi manteve sigilo sobre o assunto e não comentou nem mesmo com o namorado tudo o que havia ouvido de Jeongguk.

- Nossa, esse Tae deve ser mesmo demais! - Disse John, o tal loirinho que era um intercambista australiano e que possuía raízes coreanas. - Sempre escuto vocês falando dele.

- Ele é. - Falou Bogum. - O garoto mais incrível, gente boa, lindo e gostoso desse campus. Conhecimento de causa. - Deu uma piscada e um sorrisinho sacana para o loirinho que sorriu de volta, revirou os olhos e soltou um "bobo" para Bogum.

Jeongguk queria esganar o Park. Um grande filho da puta! Ele parecia se gabar por ser o único que ainda estava próximo do Kim. Exibindo-se por ainda poder tocar naquele corpo gostoso e viciante.

Parece que estar distante fisicamente de Tae fazia com que tudo fosse mais suportável. Saber que ele estava de volta e não poder ficar perto, conversar, beijar, era tão torturante. Não sabia o que esperar do seu encontro com Tae. O medo de imaginar que eles não tinham sido nada era tão grande. Jeongguk sofria porque ainda amava o Kim. Sofreu em todos esses meses e sabia que estava colhendo toda a sacanagem que tinha feito com Jimin, porque não era possível tanta dor! A saudade o cortava. As lembranças o sufocavam. O cheirinho do Kim parecia nunca ter deixado seu olfato. Teve momentos que pensou estar ficando maluco.

Nos últimos dias, Yoongi vinha sendo quase um terapeuta, pois era o melhor ouvinte do mundo. O Min deveria receber um diploma por estar aguentado suas lamúrias. Parece que todas as palavras ditas anteriormente por Yoongi caíram no esquecimento assim que os dias passaram e sabia que a qualquer instante ele e Tae iriam se trombar pelos corredores da uni.

- Tudo bem? - John perguntou baixinho para Jeongguk e segurou em sua mão a apertando com carinho.

Os olhos azuis do australiano se encontraram com os negros do Jeon.

- Tá sim. - Guk respondeu e sorriu pequeno. Depois voltou a atenção para o seu lanche.

- Não sei porque você tá se gabando. Vocês nem tão ficando mais juntos. - Falou Minjae, alfinetando o Park que devolveu a fala com uma careta.

Aquela informação deixou Jeongguk alerta e curioso. Não conseguiu conter sua boquinha quando questionou o Park:

- Vocês não tão mais ficando? Tipo, não rola mais nadinha entre vocês? - Yoongi lhe deu um chute por baixo da mesa, pois o Jeon usou um tom muito empolgado pra quem queria manter a relação dos dois em segredo.

Jeongguk deu uma pigarreada, tentando disfarçar.

- Não! Desde que ele voltou o Tae parece ter entrado pra algum tipo de celibato. Até onde eu sei, ele não ficou com ninguém. Pelo menos ninguém que eu conheça. O Wonho tá louco atrás dele. E eu já investi mil vezes e nada. Tô começando a achar que ele tá apaixonado. - A atenção de Jeongguk estava todinha naquela informação. Será que Tae havia conhecido outra pessoa no Japão?

- Porra! Será que o tal Seungho venceu? - Perguntou Bakho.

- Acho que não. O Seungho ficou por lá à trabalho e não voltou mais. Se o Tae e ele estivessem juntos, eu tenho certeza de que ele não deixaria o Tae dando mole sozinho por aqui. Eu não deixaria. - Bogum respondeu e depois deu um gole no seu chá.

Eles não poderiam demorar por ali, pois logo mais uma aula iniciaria. Todos comeram e mudaram de assunto, mas tudo aquilo ficou guardado no coração de Jeongguk.

Tae desceu do Uber, olhou para a casa toda iluminada, vários jovens do lado de fora e a música alta ecoando. Não acreditava que tinha mesmo ido naquela festa. Talvez fosse a ameaça de Bogum que disse que se ele não fosse por livre e espontânea vontade iria arrastá-lo de pijamas, se fosse preciso, mas iria retirá-lo de casa a qualquer custo naquela noite.

Mal surgiu dentro da casa e Bogum já o achou, puxou-o para um abraço e disse em seu ouvido:

- Que bom que você veio! Tava só de olho no relógio, se demorasse mais um pouco eu ia te buscar. Falando nisso, porque não deixou eu te dar carona?

- Porque eu não queria madrugar na festa, seu palhaço!

O Park sorriu e abraçou Tae de lado, puxando-o para outra parte da festa, onde acabou encontrando com a galera de amigos. Foi recepcionado com carinho pelos meninos. Passou boa parte da festa bebendo e interagindo com eles. Jeongguk não estava próximo, só foi vê-lo um bom tempo depois, porém mais distante, com aquele loirinho do seu lado e acompanhado de outras pessoas também. Ele bebia, sorria e conversava.

Em um certo momento os olhos dos dois se encontraram. Um arrepio se alastrou pelos dois corpos. O olhar de ambos ocultava tantas palavras, tantas mensagens não ditas. Trazia à tona tantos sentimentos.

Tae foi retirado desse transe quando um outro colega de um curso aleatório o puxou para um abraço e para conversarem um pouco, pois não se viam há muito tempo. Quando voltou o olhar para o mesmo local, Jeongguk já havia sumido.

Depois disso, Tae foi para a cozinha onde ficava parte das bebidas. Ele queria apenas uma água e já se preparava para cair fora. Não tinha exagerado no destilado até o momento e não pretendia fazê-lo.

Por um milagre não havia ninguém por lá. Bebeu sua água tranquilamente e quando foi sair deu de cara com Jimin. O baixinho o questionou:

- Tá indo embora já? Nem te vi direito. - Os dois já haviam se visto e falado em algum outro momento durante o evento.

- Tô sim. Tô cansado. Só vim dar um "oi" pra galera.

- Quer carona? Eu posso pedir pro...

- Bolinho, fica em paz. Vai curtir a noite de boa com seu homem, tá bom? Obrigado mesmo, mas não precisa se preocupar, amigo. - Tae sorriu singelo.

Jimin prestou atenção no semblante abatido do Kim e falou:

- Tá bom! Você sabe que eu te amo muito, né? - O baixinho o abraçou com muito carinho. Sentia que era o que Tae precisava no momento e ele estava certo.

- Eu também te amo muito, Chim. - Tae correspondeu ao abraço caloroso com o mesmo afeto.

Depois saiu de lá. Resolveu encerrar sua noite. Deixou a festa, andou devagar, afastando-se da algazarra. Nem se despediu, pois muitos dos amigos já não estavam em condições de saberem seus próprios nomes.

Quando ia puxar o celular para fazer o pedido pelo aplicativo, ouviu:

- Aquele carro quebrou de novo? Acho que tá na hora de você dar um fim nele, não é não? - O tom de voz era calmo.

Girou seu corpo e seus olhos se depararam com aquele homem bonito que fez seu corpo inteiro estremecer.

- Gu! - Falou bem baixinho.

- Oi! - O Jeon respondeu. - Posso te levar pra casa?

O tempo em volta parecia ter congelado. O som alto, os jovens gritando, o barulho dos carros na rua. Nada mais parecia ter espaço para atenção e para a audição dos dois rapazes.

- Pode ser. Tudo bem por você? - Tae questionou.

- Tudo ótimo por mim.

A sensação de déjà vu era imensa. Como se até os diálogos fossem uma réplica fidedigna... e realmente eram.

- Vem. Meu carro tá ali.

Os dois seguiram silenciosos até o veículo. Assim que entraram e colocaram o cinto, Tae perguntou:

- Como sabia que eu tava indo embora e que precisava de carona?

- O Jimin me falou.

Tae abriu os olhos em surpresa e Jeongguk continuou:

- Ele me viu perguntando pro Bogum de você. - Guk fez uma pausa, depois perguntou: - O Jimin sabe de nós dois?

O Kim acenou positivamente e respondeu:

- Sim, ele sabe. - Depois, vagarosamente, virou o rosto para a janela.

Jeongguk meneou a cabeça para si mesmo, em seguida ligou o carro.

O caminho todo foi em silêncio. Apenas o som do rádio ecoava dentro do automóvel. O Jeon se sentia meio entorpecido com o delicioso perfume de Tae. O Kim não estava diferente. As duas mentes ferviam de pensamentos e os dois corações gritavam todos os sentimentos recíprocos em cada pulsar.

Quando Jeongguk estacionou em frente ao prédio, eles sabiam que o momento havia chegado. Não dava mais para adiar. Olharam-se. Os orbes sustentavam-se um no outro.

- Sobe comigo? - Tae perguntou.- Eu ainda tenho algumas coisas suas no apartamento, que você acabou esquecendo.

- O Jimin não vai achar ruim, Tae? - Seu semblante era de preocupação.

- Ele não mora mais comigo, Gu!

Os olhos de Jeongguk se abriram em perplexidade. Sabia o quanto os dois amigos sempre desejaram morar juntos.

- Foi por minha causa? - O Jeon inquiriu.

- Vamos ter essa conversa lá dentro, pode ser?

- Ok.

Os dois subiram e assim que entraram no apartamento as lembranças invadiram a mente de Jeongguk. Fazia tanto tempo!

Algumas coisas tinham mudado no local, mas outras não. Aquela poltrona ainda estava ali. Exatamente no mesmo lugar. Uma nostalgia um tanto melancólica dominava o âmago do Jeon.

- Você tá morando sozinho? - Jeongguk perguntou.

- Não. Tô morando com uma amiga. Não dava pra manter esse apê sem ajuda. - Tae deu de ombros. - Mas ela tá fora. Só volta na terça. Senta. - Tae disse isso, mas manteve-se em pé. - Bom, eu vou buscar suas coisas lá no meu quarto.

- Ok.

Jeongguk se sentou no sofá grande. A lembrança da última conversa entre eles naquela sala fora puxada do fundo de sua mente. Seu coração apertou. Suas mãos tremiam e sentia sua pulsação aumentar o ritmo.

Pouco depois Tae retornou com uma sacola em mãos, é claro que ocultou o fato de que havia mantido apenas uma camiseta dele para que pudesse dormir com ela. Isso havia se tornado um ritual na sua rotina. Ajudava a amenizar a saudade e a falta que Guk fazia em sua vida.

- Aqui!

- Obrigado! - Jeongguk respondeu e colocou a sacolinha ao seu lado no sofá.

No mesmo instante a sacola tombou e caíram alguns dados eróticos que Jeongguk havia comprado para os dois usarem nos momentos mais íntimos, durante o tempo em que estiveram juntos. Um turbilhão de lembranças invadiu as mentes dos dois rapazes que se olharam com muita intensidade. Então Guk, lentamente, colocou os itens dentro da sacola novamente e os dois fingiram que nada havia acontecido, para romper aquela tensão sexual que pairava no ar. O magnetismo entre eles agindo sem suas devidas autorizações.

Tae se acomodou ao lado de Guk no sofá, começou a esfregar as mãos sobre as suas coxas, deslizando sobre o jeans. O clima era muito estranho e ambos estavam igualmente desconfortáveis.

Eles queriam iniciar o assunto, colocar sobre a mesa todas as cartas e esclarecer tudo sobre a relação dos dois, mas a coragem parecia ter evaporado.

Então Jeongguk puxou conversa e perguntou:

- Você me disse que Jimin sabe sobre nós dois. Como isso aconteceu? Você contou pra ele?

Taehyung sentiu um certo alívio por não necessariamente iniciar o assunto na parte mais difícil. De repente, o pensamento de falar sobre a relação entre eles não fazia mais tanto sentido. Será que valia a pena remexer no passado?

Ele suspirou profundamente e depois falou:

- Bom, eu fiquei um mês no Japão meio que tentando evitá-lo. Sentia muita culpa por não ser sincero a cada vez que ele me mandava mensagens carinhosas dizendo que sentia a minha falta e que me amava. Então durante esse tempo eu aproveitei para pensar sobre tudo e começar a me preparar para revelar pra ele toda a verdade. Pensei sobre o que você me disse, que era justo que ele soubesse a verdade, você tinha razão, então resolvi encarar os meus medos e dizer tudo, independente das consequências.

Tae suspirou profundamente. As lembranças retornando à sua mente, a memória do frio na barriga que sentiu quando teve que enfrentar aquela situação.

- Você foi muito corajoso, saranah! - Jeongguk disse e segurou uma das mãos de Tae, como demonstração de que estava orgulhoso dele.

Jeongguk provavelmente nem havia notado que o apelido carinhoso escapuliu de seus lábios, mas Tae sim e sentiu as batidas de seu coração acelerarem. Os dois se olharam e Tae sorriu pequeno.

- Depois desse mês, eu mandei uma mensagem pra ele e combinamos de fazer uma vídeo chamada. Eu não tive coragem de conversar com ele antes de viajar, mas achava que ele merecia uma conversa olho no olho. - Jeongguk acenou positivamente. - Acabei contando tudo. Na época, ele já sabia que você esteve com outra pessoa e eu assumi pra ele que essa outra pessoa era eu.

- E como ele reagiu?

- Ele ficou profundamente magoado. Foi difícil porque sempre confiamos um no outro. Ele era meu suporte e eu era o dele. - Nesse momento, uma lágrima solitária deslizou pelo rosto de Tae. - Doeu demais ver aquela decepção no olhar do Chim. Eu me senti tão envergonhado. Nunca imaginei que doeria tanto ver o semblante de devastação no rosto dele. Dava pra notar que ele não esperava isso de jeito nenhum. Eu me senti sujo, imundo. Um traidor sem caráter. Me odiei por isso.

- Mas ele também te contou tudo? - Jeongguk questionou, arqueando uma das sobrancelhas.

- Não naquele dia. Ele me pediu espaço, pediu pra eu não procurá-lo, que ele precisava pensar sobre tudo aquilo. Mesmo assim, uma coisa não anula a outra. Ainda fomos dois filhos da puta com ele, Gu.

- Ele não fez muito diferente comigo! - Guk falou e deu de ombros. - Não que eu não tenha merecido. No fim, a vida encontrou um curso pra me fazer pagar pela minha sacanagem. Um meio de fazer justiça.

- Eu sei. Mas nós dois merecemos o que recebemos. Eu, a frieza e indiferença dele...

- E eu.... Bem, você sabe. - Tae confirmou. - Mas sim, nós merecemos, Tae.

No dia do rompimento com Jimin, após ouvir tudo calmamente, o Park revelou que naquele dia tinha pretensão de romper com Jeongguk. O baixinho também colocou todas as cartas na mesa. Confessou que na primeira viagem que fez para Busan reencontrou Jung Hoseok, um casinho de adolescência. O ruivo sempre foi o amor da sua vida e ter reencontrado com Jung mexeu muito com Jimin. Naquele mesmo final de semana, os dois não conseguiram ficar longe um do outro e o Park se deitou com Hoseok.

Depois disso passaram a conversar por mensagens, quase diariamente. Jimin temia que Hoseok fosse embora de sua vida repentinamente, como na primeira vez, por isso ficou incerto de terminar com Jeongguk, estava confuso e inseguro. O Jung teve que partir do país com a família, na época em que eram mais jovens. Na verdade Jimin era bem jovem, tinha seus dezessete anos, mas Hoseok tinha vinte e dois.

Após esse reencontro em Busan, ficaram conversando por mensagens, Hoseok tentava mostrar para Jimin que ele também ainda o amava e queria ficar consigo. Que nunca teve o desejo de se separarem no passado e que só foi embora porque havia sido necessário. Foram muitas conversas, muita coisa pra esclarecer e acertar, mas ambos tinham a certeza de que queriam ficar juntos. Os 30 dias de férias só vieram confirmar essa intenção.

Ficaram as férias todas juntinhos, colocando anos de conversa em dia, resgatando os beijos perdidos e se enroscando entre os lençóis. No final das férias Jimin já tinha sua decisão tomada. Iria romper com Jeongguk e ficar com Hoseok.

- Mas vocês voltaram a se falar? Ele ainda guarda rancor de você? - Jeongguk questionou curioso.

- Depois de mais ou menos dois meses e meio ele me procurou e pediu mais uma vídeo chamada. E dessa vez, eu fui pego de surpresa. Foi quando ele me contou de Jung Hoseok, o seu namorado atual. - Tae explicou. - O Jung foi meu namorado na adolescência e enquanto estávamos juntos, ele e Jimin tiveram um caso. Eu nunca soube até então. - Jeongguk arregalou os olhos. Mas Jimin não era o tímido certinho? Pelo jeito, não mesmo.

Taehyung prosseguiu:

- Eu nunca desconfiei de nada, até porque eles quase não interagiam quando estávamos os três juntos. Hoseok e eu rompemos antes dele ir embora do país. Confesso que não senti muito pelo rompimento na época, pois eu gostava dele, mas não estava completamente apaixonado.

- Porra! Quantas revelações! - Guk disse embasbacado. - E eu pensei que só eu fosse um traidor filho da puta.

Tae riu e deu de ombros.

- Todos nós temos nossos podres, Gu. Por fim, eu e Jimin tivemos a conversa mais séria de nossa vida e que foi determinante pra não rompermos nossa amizade. Todos nossos segredos revelados mexeram com nossa confiança um no outro, é verdade, mas mesmo assim decidimos nos perdoar e tentar, porque entendemos que nosso amor e o desejo de continuarmos sendo amigos ia além dos nossos erros e pecados. Nós ainda vamos dar muita mancada um com o outro. Sei que nem todo mundo consegue dar uma segunda chance e um novo voto de confiança em uma amizade ou relação amorosa, mas nós somos assim. Eu amo o Chim e não consigo imaginar minha vida sem ele. Me parece muito mais doloroso viver uma vida toda longe dele do que tentar reconstruir a nossa relação. - Tae deu de ombros.

- Mas por que ele saiu do apê?

- Porque o Hobi, o namorado dele, já tinha se planejado para vir pra Seul. Então eles resolveram morar juntos e resgatar o tempo perdido.

- Uau! Tô chocado! Na verdade, no dia em que ele me disse que me chifrou eu já fiquei surpreso, mas essas revelações.... Meu pai!

Tae soltou uma risada e disse:

- Enfim, somos todos chifrudos.

Jeongguk gargalhou e disse:

- É, parece que sim! Chifre é uma coisa que botam na cabeça da gente.

Os dois riram por alguns instantes, até que aos poucos os risos foram morrendo e os olhos dos dois foram para as duas mãos que continuavam unidas.

- Bem, pelo menos eles tiveram o amor correspondido. - Guk disse meio triste e seu olhar voltou a se fixar no rosto bonito de Tae. Os olhos do Jeon outrora marejados pelas risadas, agora se molhavam pela tristeza de pensar que ele mesmo talvez nunca fosse correspondido pelo Kim.

- E o que te faz pensar que você não foi? - Tae perguntou.

Jeongguk deu de ombros. Tae proferiu:

- Meu maior arrependimento foi não ter dito pra você naquele dia que eu também te amava. Eu deixei o meu medo de me magoar em uma relação ser maior que o regozijo que um sentimento recíproco poderia me proporcionar. Esqueci que você não era Doyun, que vocês são pessoas diferentes. Talvez minha insegurança fosse a coisa mais hipócrita possível, quando eu mesmo estava traindo meu amigo, mas o medo de que você fizesse comigo o mesmo que fazia com Jimin talvez fosse uma trava, uma barreira que me ajudou a sufocar o meu amor e negar pra mim mesmo que eu te amava.

Jeongguk separou as mãos delicadamente e passou as suas pelos cabelos. Tae não estava errado. Como era possível confiar em um cara que não tinha a fidelidade como premissa em sua relação atual? Os dois erraram sim. Os dois não eram confiáveis, é fato, mas Tae estava solteiro, Jeongguk não.

O Jeon não se mostrou confiável em uma relação amorosa. Ele poderia jogar na cara do Kim que ele estava errado também, mas não faria isso. Eram infidelidades distintas. Uma era de amizade e a outra de relacionamento amoroso. E no caso em questão, Guk estava em desvantagem. Então manteve a análise daquele momento sobre si mesmo, não sobre o outro. A síntese de tudo foi que Jeongguk não se mostrou confiável para que Tae resolvesse dar um passo no escuro e se entregasse numa relação a dois.

- Que pena! - Guk disse pesaroso.

- Sim. É uma pena. - Tae falou e seus olhos marejaram. - Nem todas as histórias de amor possuem um final feliz. - Tae relembrou. Uma lágrima deslizou de seu rosto bonito e Jeongguk não impediu que uma caísse de seu rosto também. - Espero que você e aquele loirinho tenham uma sorte melhor que a nossa e que a relação de vocês dê certo. Eu realmente desejo que você seja muito feliz, Gu. - Tae disse sincero e limpou mais uma lágrima que desejava rolar.

Jeongguk franziu o cenho e perguntou:

- Loirinho? Você tá falando do John?

- Esse é o nome dele? Aquele estrangeiro? Seu namorado? - Tae perguntou com os olhinhos brilhantes presos aos negros de Jeongguk.

- Ele não é meu namorado, Tae. - Os olhinhos de amêndoas se arregalaram.

- Não? - O Kim questionou.

- Não. Somos apenas amigos.

Tae ponderou e proferiu:

- Nossa! Eu vi vocês dois juntos e ele com a cabeça no seu colo, podia jurar que vocês estavam juntos. O jeito que ele te olhava.

- Eu sei, ele gosta de mim, mas eu já disse que somos apenas amigos. Depois de você não fiquei com mais ninguém, Tae. - Quando notou, Guk já havia revelado mais do que devia.

A informação aqueceu o coraçãozinho de Tae.

- Eu também não fiquei com mais ninguém depois de você, Gu. - Tae confessou sem reservas.

Eles não paravam de se encarar. As respirações voltavam a pesar e a atmosfera em volta parecia estar mudando aos poucos.

- Mas e o Seungho? - Guk perguntou.

- Ele é um excelente amigo que já foi apaixonado por mim, mas cansou de me esperar. Só fomos juntos pro Japão porque ele trabalha nesse ramo de eventos e descolou esse projeto de dança pra mim. Mas não tivemos nada enquanto eu fiquei lá. - Sorriu.

- Jura? Ele parecia tão irritantemente insistente. - Jeongguk disse meio irônico e Tae revirou os olhos.

- Já era hora dele se permitir viver um grande amor, Gu.

Quando Tae havia ido embora do Japão, Seungho decidiu ficar, fazia três meses que o Yoon estava namorando uma morena brasileira muito bonita e simpática que morava por lá há alguns anos. Ela havia ganhado o seu coração. Alanna era o nome da namorada. Ela ficou muito amiga de Tae e foi uma simpatia com ele durante o tempo em que o Kim permaneceu naquele país, ajudando-o em muitas de suas demandas.

Naquele momento, movido pela emoção, Tae, refletindo consigo mesmo, pensou que não tinha nada a perder quando resolveu se confessar para Guk e não reincidir o mesmo erro do passado. Não estava em busca de reciprocidade, queria apenas aliviar o seu coração e ser sincero consigo mesmo e com Jeongguk ao menos uma vez na vida. Então proferiu:

- Eu amo você, Gu!

Jeongguk foi realmente surpreendido pela confissão repentina. Seu coração sofreu um solavanco pela intensidade com que cada palavra foi dita e pela sinceridade que envolvia cada uma delas.

- Eu sei que você deve ter me odiado... - Tae continuou falando. - ... e eu realmente não te culpo por isso, afinal eu fugi desse sentimento como um covarde. Não te culpo se ainda nutrir resquícios desse ódio e não espero que você ainda sustente algum sentimento de amor por mim. Só quero ficar em paz comigo mesmo, ser sincero com nós dois uma vez na vida. Me perdoa por ter feito você sofrer e por ter feito você pensar que nunca foi recíproco, mas foi. Sempre foi. Eu te amei e te amo! E sinceramente, não sei se um dia vou amar alguém como amo você, porque nem Doyun recebeu esse tipo de amor. Aliás, nem consigo mensurar esse sentimento. Parece tão intenso que chega a doer.

Jeongguk via os olhos marejados do Kim, sabia que era verdade cada palavra proferida. Sentia no fundo do seu coração. Desejou ouvi-las por tantas vezes. Fantasiou ouvindo Tae as proferindo para si, agora ali ele as escutava sendo ditas sem nenhuma censura, sem nenhum pesar, sem nada que o impedisse de recebê-las. O único empecilho seria o seu orgulho ferido pela falta de reciprocidade na confissão realizada no dia em que brigaram naquele mesmo apartamento. No último adeus antes do Japão.

Mas Jeongguk estava cansado de lutar e cansado de esconder o seu amor, de ocultá-lo de si mesmo e dos outros. De usar máscaras e sufocar sentimentos.

O que valia mais a pena? A frustração de nunca ter tentando ou quebrar a cara por dar mais uma chance?

E como diria Vitaly, no filme Madagascar 3: "e se eu tiver que me queimar, que seja!"

Porque o se permitir vinha imbuído de riscos. Como tudo na vida. Viver é se arriscar sem a certeza de que vai dar certo.

Então Jeongguk arriscou:

- Eu também amo você, saranah! Amo com todo o meu coração e não consegui que minha raiva momentânea suprimisse o meu amor que era muito maior do que eu imaginava.

Guk se aproximou de Tae e segurou seu rostinho entre as mãos. Os dois rapazes já sentiam as lágrimas descendo livremente. Uma mistura de alegria, medo, insegurança, coragem, alívio. Tudo junto e misturado, dentro do cerne de ambos os corações.

Jeongguk começou a deixar selinhos carinhosos nos lábios de Tae que chorava baixinho e agora segurava no rosto de Guk, imitando sua ação.

- É sério, honi? - O Kim questionou num sussurro. Tudo parecia tão surreal. Tão utópico. O medo de que a realidade o despertasse do sono e descobrisse que aquele era mais um de seus devaneios o corroía.

- Sério, yaegiva! Eu amo... - Um selinho carinhoso. - ...amo... - Outro. - .... amo você demais.

E um ósculo recheado de saudade e perdão se deu início. As línguas se encontrando depois de tanto tempo, sedentas uma pela outra. As mãos acariciando a face alheia. As lágrimas temperando o paladar, um gosto salino realçado.

- Me perdoa, honi! Me perdoa! - Tae dizia com os lábios resvalando nos de Guk.

- Sh! Eu já te perdoei há muito tempo, saranah. Já me perdoei também. Não se culpe mais, já cumprimos nossa sentença. - Tae acenou positivamente e continuava roçando os dois lábios. - Você quer tentar do jeito certo, agora? Hum? Vamos nos dar esse voto de confiança? Um nova chance?

- Aham... Eu quero, Gu! Quero muito!

- Ok. Vamos com calma, então. A gente não precisa de pressa. - Jeongguk falou. Tae meneou a cabeça. - Eu não vou à lugar algum sem você. - Guk secava as lágrimas de Tae e selava os dois lábios.

As bocas voltaram a se encontrar e as mãos se apressaram em se tocar. Dedos deslizando por todas as partes que as mãos alcançavam no corpo alheio.

Contrastando com o discurso de Guk, ambos tinham pressa em sentir o outro. A saudade e o desejo dominando todas suas ações. Foram nove meses de espera para que pudessem se possuir novamente. Nove meses sufocando o amor, a paixão e o desejo.

As roupas foram retiradas dos corpos, espalhadas pelo chão da sala. Em poucos minutos os dois estavam nus, deitados naquele sofá. A nudez era confortável. Os corpos, velhos conhecidos. A fome era tanta que não queriam se separar nem mesmo para buscar o lubrificante no quarto, mas foi preciso. Afinal, Tae deveria estar muito apertado e Guk não queria machucá-lo.

Levaram para o quarto a continuidade daquele ato. Guk preparou Tae com calma. Seus dedos se afundando no rapaz, alargando-o para que ele pudesse receber toda a sua grossura.

Era lindo ver novamente o Kim com os cabelos espalhados pelo travesseiro. Os olhos fechados, mas mesmo assim revirando-se nas próprias órbitas. O coração de Guk carregado de expectativas, prestes a amar o corpo do seu rapaz lindo, do seu Taehyung.

Foi delicioso se colocar entre as pernas de Tae e sentir seu membro entrando sofrido. Lento, bem lentinho. Devagar. Penoso. Ofegante. Espremido. O canalzinho num aperto torturante. Resistindo àquela invasão gostosa. Fazendo Jeongguk delirar e suar com tanta pressão em seu membro e se fascinar com as feições de prazer e dor que se mesclavam na face do Kim. Sentir em suas costas os arranhões de delírio, de alívio. Uma noite de amor que ficaria marcada em sua pele e em seu coração.

A sensação de liberdade por saber que o ato agora permitido era tão ou mais prazerosa do que a adrenalina que sentiam quando o envolvimento era algo proibido.

O alívio de saber que não carregavam mais um segredo dava espaço para que o amor fluísse livremente.

Assim como os movimentos de vaivém começaram a fluir quando Jeongguk percebeu que já era possível se movimentar com um pouco mais de facilidade.

- Eu te amo. - Tae falou enquanto Guk entrava e saía de si. Olhos conectados. Cumplicidade nas ações e sentimentos. O ato comprovando que eram um do outro, finalmente.

Os corpos balançando. Indo e vindo. Dentro e fora. Guk avançando e recuando de dentro de Tae. Sentindo o atrito delicioso entre as duas intimidades. Ligados no cerne de seus corações. Fazendo amor naquela cama que foi muitas vezes testemunha daquela mesma junção entre os corpos.

- Eu te amo, saranah! - Jeongguk sussurrou.

Beijou o pescoço do Kim, enquanto sentia o buraquinho de Tae o engolindo, o pressionando, o sufocando.

Quadril com quadril. O pênis entrando no ânus. Estocadas gostosas. Socos constantes. Tapas audíveis entre as peles. O barulhinho molhado da penetração.

Suor melando os corpos. A ereção de Tae roçando entre os dois abdomens, sendo estimulada a cada vez que Guk o penetrava. Vazando pré sêmen num gotejar constante.

A cada invasão a próstata de Tae era pressionada com intensidade. A grossura do caralho de Guk fazendo pressão, desferindo estímulos de prazer e escalando-o para níveis cada vez mais elevados.

A onda de frenesi que se alastrava no corpo de Guk fazia-o morder o ombro moreno de Tae, descontando aquele aperto delicioso que ele recebia e ouvindo seu amante gemer em seu ouvido.

- Ah...Hm... Gu

Ah! Quanta saudade sentiu de cada gemidinho manhoso do seu amado. Saudades do calor que emanava das entranhas daquele corpo gostoso. Daquela esfregação deliciosa entre os corpos. A troca de fluídos, sensações e sentimentos, que outrora estavam ocultos, mas agora claramente declarados.

Tae chegou ao clímax gemendo o nome de Jeongguk e proferindo um "eu amo você, honi" bem arrastadinho, numa sonoridade celestial. Guk apreciou o momento com os olhos fixos no rosto de Tae. Testemunhou as sobrancelhas franzidinhas e o biquinho lindo que ele fez nos momentos finais do orgasmo.

Ser espectador de uma cena tão linda e excitante elevou o prazer de Jeongguk a um outro patamar, onde foi inevitável se derramar e encher o buraquinho de Tae com todo o leitinho que o rapaz produziu, fruto de cada movimentar de sua pélvis.

Guk e Tae selaram o momento com mais um beijo. O enroscar das duas bocas declaravam todos os sentimentos compartilhados, toda a alegria por estarem juntos novamente e dizia mais do que as próprias palavras conseguiam expressar.

Os corações estavam tão repletos de alegria que mal cabiam em si. Aquela sensação parecia que a qualquer momento ultrapassaria os limites do órgão pulsante e se manifestaria em cada molécula de ar.

- Eu te amo tanto, tanto, yaegiva. - Disse Jeongguk sorrindo. Ainda com Tae abaixo de si. Os dois intimamente conectados. Testas unidas. Bocas seladas. Os narizes intercalados e olhos fechados, porque como diz uma frase de um certo artista: "As melhores coisas da vida são invisíveis. É por isso que nós fechamos nossos olhos quando nos beijamos, dormimos e sonhamos."*

- Eu te amo mais. - Tae sussurrou.

Um clima de cumplicidade e amor genuíno pairando no ar. Um ambiente repleto de sentimentos, alegria, leveza e alívio. Não haviam mais segredos entre eles. Nem uma atração oculta e imprópria que pudesse ferir outros.

Apenas dois amantes entrelaçados em uma cama, após um momento do prazer mais íntimo. Uma das maiores conexões que pode haver entre dois indivíduos, especialmente quando o momento é envolto de amor. Quando o outro não é só mais um, mas sim aquele alguém especial que entra em nossas vidas para deixar sua marca eterna.

- Eu te amo 10 vezes o infinito. - Guk respondeu.

Mais beijinhos entre os dois.

- Bobo! - Tae falou.

- Eu sou mesmo, totalmente bobo por você.

Os beijinhos doces alternados com risadinhas fofas. Amor em pequenas doses, compartilhado nos detalhes, em atitudes pequeninas, mas que aqueciam os dois corações um tantão assim.

Lógico que não eram ingênuos. Sabiam que muito diálogo ainda seria necessário. Tinham muitas arestas para serem aparadas. Mas eram seres em construção diária. Errariam mais vezes, acertariam outras tantas, mas persistiriam em tentar.

Sabiam que o amor por si só não sustentava uma relação, mas confiavam que poderiam juntar esforços para fazer dar certo.

Passaram a madrugada coladinhos. Tomaram banho juntos. Arrumaram as bagunças na sala. Comeram algo. Depois de muitos meses, Guk dormia novamente com Tae, acordava com o rapaz lindo em seus braços. Uma conchinha quentinha e cheinha de ternura. Calor e amor recheando-a.

Tae foi despertado com muitos beijos na nuca, cheiros em seus cabelos, sussurros de "eu te amo" em seus ouvidos.

Depois de tanta tempestade, enfim a bonança havia chegado.

Chegaram na cozinha com Tae agarrado nas costas de Jeongguk, coladinho como um coalinha.

Assim que puseram o pé no cômodo, Guk que usava apenas uma calça de moletom cinza (a qual havia sido emprestada por Tae) foi esquadrinhado de cima a baixo por Mina, a outra moradora que como não possuía papas na línguas foi logo soltando:

- Papai, onde arranjo um bofe desses pra mim também, hein?

Guk constrangido pelo seu peitoral e abdômen definidos expostos colocou Tae no chão e cruzou os braços em frente ao corpo, tentando inutilmente se esconder.

Tae achou engraçadinho o desconcerto do rapaz e sorrindo para a amiga perguntou:

- Você não ia voltar só na terça, mulher?

- Eu ia, mas deu ruim lá e tive que voltar antes. Pelo jeito perdi a festinha que rolou por aqui. - Ela falou divertida e debochada. - Poxa, eu me contentaria em ser uma simples espectadora.

- Cala a boca, garota. - Tae falou risonho e depois disse: - Guk, essa é Mina, minha companheira de apê. Mina esse é o Jeongguk, o meu...

Nesse momento foi a vez de Tae ficar desconcertado, por não saber como apresentá-lo, afinal Guk não era um de seus antigos amigos coloridos.

- Eu sou o namorado dele. - Guk respondeu atrevido e se curvou para a moça. - Muito prazer. - Tae arregalou os olhos e viu uma feição divertida na face do Jeon que piscou para si.

- Porra! Me passa a fórmula secreta agora, Tae. Eu saio daqui com você solteiro, volto e te encontro namorando um deus grego. Preciso de consultoria urgente.

Os três riram. Depois disso tomaram café e conversaram. Tae contou resumidamente a história dos dois para a amiga. Guk e Mina se simpatizaram bastante um com o outro.

Naquele mesmo dia, Guk formalizou o pedido de namoro e depois disso os dois passaram a desfilar pelo campus oficialmente como um casal.

Com o passar do tempo a harmonia dominou o grupo de amigos. Jimin voltou a interagir com os meninos que, posteriormente, ficaram sabendo sobre o que aconteceu entre os três.

O Park estava feliz demais com Hobi para guardar rancor de Guk, portanto os dois voltaram a se falar também. Jimin amava Tae e sabia o quanto o amigo estava apaixonado pelo Jeon. Além disso, reconhecia que ele também não foi nenhum anjo de candura em toda a história. O perdão liberado permitiu que as relações ficassem mais leves e verdadeiras.

Cada indivíduo deve conhecer bem seus limites para saber qual a melhor decisão a ser tomada. O rompimento de uma relação pela quebra de confiança ou insistir mais uma vez, dando uma nova chance. Não existe certo ou errado, apenas qual é a melhor decisão para o indivíduo naquele momento. E isso, só ele mesmo pode julgar.

Portanto, os três estavam em paz com suas decisões. Jimin pela nova chance entre ele e Tae, pelo voto de confiança numa amizade com Guk e pela tentativa em investir numa relação com Hobi.

Tae também decidiu reconstruir sua relação de amizade com o Park e construir uma amorosa com o Jeon forjada em fundamentos sólidos. Ele acreditava que a imaturidade da juventude levou Hobi e Jimin a traí-lo no passado, mas via o quanto ambos se amavam e faziam bem um para o outro atualmente.

E Guk também aprendeu bastante com seus atos. Não pretendia mais reincidir nos erros outrora cometidos. Por isso procurava manter sua relação com Tae tendo a verdade, o respeito, a confiança, o amor e o diálogo como bases fundamentais. Estava orgulhoso de si mesmo e do namorado, pois via o quanto vinham crescendo enquanto casal e indivíduos.

Sentia-se satisfeito consigo mesmo, pois se foi um péssimo namorado para Jimin, agora se via um amigo muito melhor e a relação dos dois seguia numa leveza confortável para ambos.

Uma grata surpresa em meio à tudo isso foi a amizade genuína que Guk e Hobi desenvolveram. Desde o primeiro encontro se deram super bem e à partir de então interagiam bastante quando os amigos passaram a realizar alguns momentos de socialização fora dos limites da uni.

Cada um deles aprendeu que atitudes impensadas podem machucar as pessoas que amamos, mas que um erro não precisa nos definir para sempre. Somos indivíduos em construção, com a incrível capacidade de nos reinventar, aprender e crescer.

Nossa capacidade de mudar é o que nos diferencia dos animais. Podemos aprender com erros do passado para fazermos diferente no futuro e isso é uma dádiva incrível!

- Ah, eu tô morto com farofa! - Falou Guk, após trazer a última caixa. Lançou-se sobre a cama, ofegante e exausto.

Tae deitou ao seu lado e disse:

- Nem me fale. Acho que não sinto mais meus braços e minhas pernas estão doendo. Ainda bem que hoje não trabalho e que amanhã é sábado.

Os dois estavam exaustos.

- Se quiser, te faço uma massagem, saranah!

Deitados lado a lado, os dois se olharam. Tae fez um biquinho, uma carinha manhosa e respondeu:

- Eu quero, wangjanim*! (príncipe)

Guk sorriu e devagar se colocou sobre o corpo do namorado. Beijou os lábios bonitos. Selinhos castos e carinhosos.

- Depois você bem podia massagear meu pau. - Guk disse cheio de safadeza.

Tae riu em meio aos beijinhos e respondeu:

- Quando a esmola é muita o santo desconfia. Sabia que essa massagem não ia sair de graça. Deixa pra lá.

- O que eu posso fazer se meu namorado é uma delícia e sempre me deixa com gostinho de quero mais, yaegiva?

Tae já sentia Guk deslizar a mão espertinha pelo seu corpo, apalpando-o e começando a querer abrir a sua calça jeans.

- Não era você que tava cansado? - Tae perguntou debochado.

- Eu tô cansado de carregar caixa, mas de você eu não vou me cansar nunca.

Guk devorou os lábios de Tae. As mãos mais apressadas em abrir aquela calça. Ô botão difícil!

Tae o empurrou de cima de si com delicadeza, colocou-se em pé ao lado da cama e ouviu o choramingo de protesto do Jeon.

- Quem teve a brilhante ideia de fazer o open house no dia da nossa mudança, hein? Dizendo que a vibe dos meninos traria boas energias pra nossa casa nova e que seriam de grande ajuda na arrumação?

Após 10 meses de namoro, muito diálogo, ajustes inúmeros e um amor que só fazia crescer dentro dos dois corações, o casal resolveu morar junto e enfrentar uma vida a dois.

Todos os amigos: Namjoon, Minjae, Yoongi, Bakho, Jimin, Jin, Hoseok, John, Bogum e Mina eram categóricos em dizer que Jeongguk foi feito para Taehyung, assim como Taehyung foi feito para Jeongguk.

Eles vinham construindo uma relação sólida. Realmente aprenderam com os erros do passado e não desejavam mais repetir as desonestidades outrora vividas.

Tornaram-se indivíduos melhores e um casal unido, apaixonado, sincero e cúmplice.

- Se você for rápido, pode ganhar um prêmio. - Tae disse todo provocante. Pegou duas toalhas em uma das caixas que estavam no quarto e se despiu totalmente em frente ao namorado. Exibindo aquele corpo gostoso que sempre deixava o Jeon no chão.

Virou-se de costas e foi entrando no banheiro da sua suíte, levando as toalhas consigo. Os fios roxos e hidratados balançavam e deslizavam sobre aquele bumbum protuberante.

Guk se colocou em pé num pulo e começou a se despir com pressa. Não iria perder a oportunidade de estrear o banheiro e foder o namorado contra o azulejo frio. Ele já sentia sua ereção inchando quando ainda estava de cueca. Seu corpo sempre reagia ao Kim nu.

Caçou em uma das caixas um frasco de lubrificante. Entrou no banheiro com ele em uma das mãos e a outra bombeando seu pau.

Seus olhos logo contemplaram o corpo nu do namorado e a água escorrendo por toda sua extensão.

- Quanto tempo a gente ainda tem antes deles chegarem, saranah?

Tae sorriu de olhos fechados, embaixo do chuveiro e respondeu:

- Uns 20 minutos, honi.

- Porra! Adoro uma rapidinha debaixo do chuveiro. - Guk falou e sorriu vulgar.

Tae mordeu um sorriso safado. Ele também amava uma rapidinha com o namorado.

Tinham que ser rápidos realmente. Em breve todos os amigos estariam ali ajudando a esvaziar as caixas e organizar a mudança. Aproveitariam para socializar, beber e usufruir a companhia uns dos outros.

Tinham ótimos amigos! Viviam uma maturidade na relação com todos eles. Aceitando que cada um era o conjunto de virtudes e defeitos, o que os faziam únicos e especiais.

Como casal continuariam seu processo de aprendizagem. Afinal, a vida é um grande laboratório e estamos em constantes experiências.

Mudaram sim em muitas coisas, mas uma premissa permanecia intacta: a de quão eram atraídos um pelo outro.

Um magnetismo que o tempo e os erros não conseguiram desfazer, pois eram como dois polos opostos onde seu encontro resultaria sempre em uma inevitável junção entre os corpos, sentimentos e corações.

🔥Fim🔥


Notas Finais


*Segundo diversas fontes da internet, essa frase seria do cantor e compositor brasileiro Cazuza, entretanto não sei se de fato isso condiz com a verdade. Por isso, peço perdão caso esteja endereçando a autoria à pessoa errada. Mas a mensagem é linda!

E assim chegamos ao fim dessa fic. Uma mistura de sensações e reações desencadeadas em todos os leitores. Amaram, odiaram, quiseram agredir, pôr no colo, xingar e beijar. Passaram o pano e rasgaram o pano.

Espero que a mensagem final possa ser assimilada por cada um. A de que somos humanos e falhos, mas que podemos aprender se tivermos uma nova chance. E cada dia temos uma nova oportunidade de fazer diferente. Amar e aceitar as pessoas à nossa volta, que são esse conjunto de defeitos e virtudes e independente de nossa idade, sejamos adolescentes, jovens, adultos ou idosos, nossa capacidade de aprendizado sempre existirá e nunca é tarde para mudar.

Obrigada a cada um que dispôs de seu tempo para ler, votar e comentar. Que aceitou seguir nessa jornada comigo e suportou a gama de emoções, a montanha russa que essa fic desencadeou dentro de si.

Agradeço mais uma vez à minha amiga Alanna. A primeira pessoa a ler Atraídos na íntegra e sofrer com todas as emoções desta fic. Minha incentivadora e parceira de surtos e expectativas.

Meus agradecimentos vão tb para os meus leitores fiéis, àqueles que têm estado comigo nas fantasias que minha mente fértil cria e divulga nessa plataforma. Cada um de vcs que pouco a pouco foi seguindo meu perfil e trilhando comigo um caminho de aventuras através de cada plot. Obrigada por fazer parte do meu Universo ButterflyTK. ❤

Nós nos vemos em outros projetinhos. Fui! 😘❤


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