1. Spirit Fanfics >
  2. Através do Espelho >
  3. 04 - A fuga

História Através do Espelho - Capítulo 5


Escrita por:


Capítulo 5 - 04 - A fuga


Após nossa caminhada pelo extenso castelo de Hogwarts Ana ja havia me explicado tudo, então seguimos de volta ao dormitório, ela disse para eu buscar meu material no quarto pois teríamos aula logo em seguida.

Pra ser bem sincera eu estava animada para conhecer as aulas e os outros alunos de outras "casas", mas.... nervosa. Muito nervosa.

Entrei no quarto e me aproximei da cômoda que havia ao lado de minha cama. Havia alguns livros empilhados e uma varinha no topo deles.

Sim, uma varinha. Sim, mágica.

Eu ainda não havia me acostumado com aquilo tudo ainda então a ideia de fazer magia era bizarra pra mim.

Apenas peguei tudo e sai seguindo Ana até a sala de aula.

— Melina, ham... eu vou precisar voltar, esqueci uma coisa... vai indo que eu ja chego lá — Ana disse dando meia volta e apressando os passos antes que eu pudesse dar uma resposta.

Então segui pelo corredor a fim de chegar a sala de aula.

Haviam vários alunos transitando pelos corredores, alguns em grupos outros sozinhos...

Um vozeiro de pessoas fluia pelo caminho.

Enquanto estava prestes a virar o corredor colidi contra alguém fazendo meus livros caírem no chão.

Levantei a cabeça para olhá-lo, era um menino ruivo e alto, muito alto e bonito.

— Opa... — o menino disse enquanto me olhava — Desculpa... — ele disse se abaixando para pegar os livros.

Abaixei ao meu tempo pegando minha varinha.

Ele continuou me olhando como se esperasse que eu falasse alguma coisa.

— Você é?... — ele perguntou se levantando com os livros nos braços.

— Ah desculpe... Melina... Melina Clarke.

— George Weasley — ele respondeu sorrindo — Seus livros... — ele estendeu os braços com os livros para eu pegar.

— Obrigada — eu disse.

Ele apenas deu sorriso de canto meio sedutor e continou andando.

Ótimo, o primeiro menino bonito que eu tinha visto e a primeira gafe que eu ja tinha cometido. Começamos bem.

Dei mais uns passos e parei em frente a sala, ja havia um burburio de pessoas falando.

Quando coloquei meu pé pra dentro da sala cruzei novamente com o menino ruivo do corredor.

— Ei, você não estava lá? Como chegou tão rápido? — perguntei surpresa.

— Lá aonde? — ele respondeu confuso.

— Lá... no corredor, a gente se bateu e você pegou meus livros — repliquei.

Ele ainda me olhava com um olhar de confusão quando outro menino ruivo entrou na sala me encarando.

— Wow...— falei rindo boquiaberta sentindo minhas bochechas corarem com a gafe que eu tinha comentido.

Eles riram.

— Esse é meu irmão Fred — George disse apontando para Fred e cruzando os braços.

— Fred Weasley — o outro garoto disse sorrindo.

— Essa é Melina Clarke, Fred.

— É nova aqui? — Fred perguntou

— Ah, sim... fui transferida de Beauxbatons — respondi

— Beauxbatons nunca decepciona... — Fred disse me olhando de baixo a cima.

Senti meu rosto corar mais ainda com o comentário e então sorri envergonhada.

— Ok.. acho que preciso me aprontar pra aula — disse rindo apontando para uma das carteiras no fundo.

Os gêmeos riram. E eu caminhei até o fundo da sala. Me sentando na última fileira.

Um minutos depois de eu me sentar Ana entrou na sala seguindo em minha direção e se sentando ao meu lado.

— Ainda bem que você voltou logo, não me deixe mais sozinha porque eu só passo vergonha — falei sussurrando rindo.

— O que aconteceu? — Ana riu.

— Sabe aqueles dois...

Minha fala foi interrompida por uma mulher que entrou na sala.

Assim que ela pisou na porta as vozes e risadas se silenciaram.

Era a mesma mulher que havia me capturado no corredor.

— Abram o livro de Transfiguração na página 198.

Eu e Ana nos olhamos e eu fiz um sinal que depois contaria para ela o que tinha acontecido. Ela riu e abriu seu livro.

(...)

Após um dia longo e cansativo de aulas eu, Ana e umas amigas dela estávamos sentadas na mesa da Lufa Lufa conversando enquanto esperávamos o jantar.

Emily, Scarlett e Melanie eram legais assim como Ana, eram elas que dividiam o dormitório com nós.

Ana ja havia me apresentado para todos os lufanos e alguns amigos dela de outras casas, ela estava animada. Parecia feliz pela minha companhia, eu me senti acolhida. Por muito tempo não me sentia assim.

— Eai meninas — um garoto com o uniforme da lufa lufa se aproximou da mesa se sentando ao lado de Melanie.

— Oi Diggory — Ana e as meninas responderam como um coro.

— Tudo certo pra festa amanhã? — ele perguntou.

— Mais que certo — Scarlett respondeu animadamente.

— Que festa é essa? — perguntei baixinho próximo ao ouvido de Ana.

— Ahhh, meu deus como que eu esqueci de te avisar?!!! — Ana disse com um ar de decepção consigo mesma.

— Amanhã terá uma festa lá na comunal, a escola inteira vai... na verdade só os alunos do sétimo ano... todo ano a Lufa Lufa faz uma festa no início do ano letivo — Ana explicou.

— É quase um ritual, todo ano essa festa acontece... e a cada ano que passa fica melhor — Emilly disse rindo.

— Não me diga que você não gosta de festas Clarke — Diggory disse.

— É claro que eu gosto... só não estava sabendo dessa — falei rindo.

— Você como "caloura" de Hogwarts não pode faltar a primeira festa do ano.

— Pelo visto vocês gostam de festas.

— E você não sabe como... — Ana replicou rindo.

Pra falar a verdade amanhã a noite eu já nem estaria mais naquele lugar, pois planejava minha fuga naquela mesma noite.

Por um minuto pensei no espelho... e na minha família. Sera que eles estavam preocupados por eu ter sumido assim? Minha mãe deveria estar com os cabelos em pé.

Todos os alunos ja estavam em suas respectivas mesas de suas casas prestes a serem servidos quando um grupo de alunos entrou no Grande Salão.

Atrasados.

Dois meninos altos e robustos, um menino tão loiro que seu cabelo reluzia e uma menina com cabelos pretos até os ombros. Todos de gravata verde, eram sonserinos.

Os quatro caminhavam pelo salão enquanto os olhares dos alunos que estavam sentados os seguiam. Eles encaravam os alunos seriamente.

O loiro me chamou atenção, era um menino alto, cheio de marra, e extremamente elegante.

O segui com os olhos até que nossos olhares se encontraram e por uns segundos nos encaramos e eu então eu desviei de vergonha. Senti o olhar da menina que o acompanhava arder sobre mim.

Talvez ela fosse a namorada dele.

— Quem é? O loiro... – sussurrei para Ana.

— Draco Malfoy.

— Hmm...

— Mas pra ser bem sincera acho melhor ficar longe dele — Ana continou.

– Por que? O que tem de errado com ele? — perguntei.

— Ano passado ele se envolveu com a arte das trevas... se tornou um comensal da morte igual seu pai e quase matou Dumbledore.

— Sério? — arregalei os olhos com a informação.

— Sério! Deu maior bafafá!

— Mas se ele faz tudo isso porque ainda esta aqui?

— Longa história... mas Dumbledore perdoou ele. Depois da guerra o pai dele foi preso, e os únicos que foram poupados foram ele e mãe.

Fiquei imaginando o que teria acontecido para Dumbledore ter perdoado Draco Malfoy, tentativa de morte não era algo a ser esquecido tão facilmente assim...

— De qualquer forma ele é só problema, quanto mais longe ficar, melhor — Ana completou.

Apenas assenti.

Então o jantar surgiu na mesa e um reboliço se espalhou pelo Grande Salão.

(...)

Eu estava quase pegando no sono enquando esperava as meninas adormecerem, mas elas pareciam não estar com sono.

Falavam animadas sobre a festa do dia seguinte, das roupas que elas usariam e dos meninos que estariam lá.

— Você já sabe com que roupa vai Mel? — Scarlett perguntou.

— Hum... ainda não... preciso ver o que eu trouxe — falei me inclinando em direção a ela apoiando o cotovelo na cama e a cabeça em cima da mão.

— Se você quiser podemos dar um pulinho em Hogsmead, conheço uma loja ótima la — Ana disse.

Não fazia ideia de que lugar seria Hogsmead mas pensei ser um shopping talvez ou uma 25 de março do mundo bruxo.

— Pensei que não podíamos sair do castelo nos dias de semana — repliquei.

— E não podemos... — Ana respondeu rindo.

— Achei que lufanos não quebravam as regras... — respondi.

— As vezes sim... mas você esqueceu que a maior qualidade de uma lufana é ajudar o próximo e eu só vou estar ajudando uma amiga... — ela disse sorrindo.

Todas riram.

— Meninas a conversa esta muito bom massss eu vou dormir, amanhã será um dia cheio — Emilly disse enquanto se ajeitava na cama.

— Eu também, já esta tarde — Ana disse — Boa noite meninas.

— Boa noite! — respondemos em uníssono.

Então todas se acomodaram na cama e as luzes se apagaram.

Demorou um pouco até eu me certificar que todas estivessem mesmo dormindo. Só logo após ouvir um ronco de um lado e um som nasalado vindo de outro que criei coragem para levantar.

Coloquei os pés para fora da cama e pisei levemente no piso amadeirado.

Calcei minhas pantufas e peguei minha varinha em cima da cômoda caminhando lentamente em direção a porta.

Abri a porta com todo o cuidado do mundo e sai para o corredor.

Lumos! — falei baixinho e a ponta da varinha acendeu.

Pra quem não sabia exatamente nada de magia até que eu havia aprendido algo. Passar o dia com Ana me proporcionou aprender muitas coisas.

Tanto o corredor quando a sala comunal estavam vazias, ambas escuras e em completo silêncio.

Segui meu caminho até os longos corredores do castelo com todo o cuidado do mundo.

Ana tinha me dito que a noite haviam monitores que vigiavam o castelo para que nenhum aluno ficasse fora de suas camas após o horário permitido. E tinha também um zelador, que não era muito amigável com os alunos...

Então todo cuidado ainda era pouco.

Eu caminhava atenta a todos os detalhes do castelo buscando aquele quadro dos dois homens no cavalo.

Me esgueirava para enxergar os enormes quadros espalhados nas paredes até que avistei do outro lado o quadro que eu tanto buscava e ao lado dele a porta. A bendita porta que me levaria para casa.

Atravessei uma daquelas escadas que se moviam sozinhas e percorri o corredor em direção a porta.

Meu coração parecia querer saltar para fora do peito, minhas mãos tremiam. Eu estava indo para casa.

Sera que aquilo tudo tinha sido um sonho mesmo? Eu acordaria na minha cama e riria da loucura de tudo aquilo?

De qualquer forma foi um sonho bom.

Minha mão tocou a maçaneta gelada e então abri a porta.

Lá estava ele, com sua moldura dourada, impecável. Continuava lindo.

A medida que eu me aproximava mais meu coração acelerava e minha respiração ficava ofegante.

Observei meu reflexo, eu estava com um pijama amarelo de shorts quadriculado com preto e amarelo. Cor da Lufa Lufa. Dei um sorriso.

Eu ainda segurava a varinha na mão quando fiquei mais perto e estendi a mão desocupada em direção ao espelho.

E então o toquei, assim como fizera da outra vez. Meu corpo estremeceu com o toque, minha palma encostou completamente sobre a superfície plana. Mas nada aconteceu.

Minha mão continou ali estável, não afundou para dentro como da outra vez e sequer pareceu fazer o espelho se mover.

Retirei a mão incrédula e a encostei novamente. Nada de novo.

Não, não podia ser.

Tateei a superfície inteira de cima a baixo mas nada acontecia. Tentei procurar algo na moldura que me desse alguma esperança mas nada.

Um desespero me cobriu e eu comecei a chorar. Eu não podia ter ficado presa ali. Não mesmo. Eu precisava arrumar um jeito de sair daquele lugar.

Meu choro cessou quando escutei um barulho vindo de fora da sala. Passos se aproximando.

A porta estava aberta, eu tinha certeza que a pessoa entraria ali para conferir se não havia alguém. Eu estava encrencada.

Merda.

Corri tentando fazer o mínimo possível de barulho e me escondi atrás da porta que estava aberta. Era o único lugar disponível ja que não havia nada naquela sala.

Então os passos foram se aproximando até que pararam em frente a sala. E houve um silêncio. Minha respiração estava tão pesada que tive medo de quem estivesse la fora pudesse ouvir.

Pude ver os dedos da pessoa segurarem uma das portas e logo após a puxarem para frente a fechando. Respirei em alívio. E então ouvi passos se afastando.

Esperei uns segundos até abrir a porta novamente, eu precisava voltar para meu dormitório o mais rápido possível.

Sai da sala cuidadosamente sem olhar pra trás e dei passos apressados em direção a uma pequena escada que havia no corretor.

— PARADA — uma voz grave gritou atrás de mim.

Porra. Fechei os olhos contraindo o lábio com o susto.

Parei imediatamente em frente aos degraus e me virei.

Me surpreendi com quando olhei. Draco Malfoy vinha em minha direção de braços cruzados.

Ana não havia me dito que ele era o monitor da Sonserina. Droga.

— Onde pensa que está indo? — ele disse se aproximando.

— Pro meu dormitório? — falei dando um sorriso sem graça.

Malfoy continou sério me encarando.

— O que estava fazendo naquela sala? — ele perguntou.

Revirei os olhos respirando fundo.

— É melhor me responder antes que eu te entregue para Filch, e pode ter a certeza que ele não será nada agradável.

— Olha... é uma longa história... — falei dando um passo para trás pronta para sair correndo o mais rápido possível.

— Não perguntei se era uma longa hist...

A fala de Draco Malfoy foi interrompida quando eu pisei em falso no degrau e cai para trás rolando sobre a escada. Só senti minha cabeça colidir com o chão e tudo escureceu.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...