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História Através do tempo - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Era possível?


Pouco antes de chegarem a Inverness, Hinata e Toneri passaram em um castelo enorme, com robustos desenhos em pedras, era majestoso de todas as formas, mas solitário. Um lugar daqueles devia ser preenchido por música e danças, não por teias de aranha e poeira. Eles desceram até o porão, onde tinha um enorme livro comido pelas traças e equipamentos medicinais 

“Um pouco macabro, não acha?” O homem soltou ao passar o dedo pela mesa suja 

“É magnífico, consegue imaginar ter um consultório desses só para você?” Hinata teimava em tentar ler as letras comidas pela metade 

“Tem um gosto meio estranho querida” disse  

Ela riu e se sentou em frente ao marido, levantando a saia de cetim “Podemos aproveitar um pouco do que esse lugar nos traz, não acha?” 

“Tem sido uma mulher muito malvada, senhorita Hyuga” ele se abaixou um pouco mais “E oh, está sem a roupa de baixo? Acho que não poderei perdoar um crime desses” 

“Não esperava que o fizesse” deu ombros com o divertimento nos olhos  

Toneri se escondeu sobre o pano azul, e a sentiu, a morena gemeu ao contato da língua quente e úmida  

Úmido era uma boa palavra para descrever o que sentia, os olhos despertaram aos poucos, irritados. A chuva teimava em continuar a cair, a Hyuga acreditava seriamente que uma hora teria hipotermia, até seus ossos estavam encharcados  

“Bom dia milady” Naruto estava pálido, e só naquele momento ela percebeu que estava escorada no corpo do homem, fazendo sua postura voltar a ser rígida imediatamente 

“Quanto tempo até chegarmos?” 

“Um humor cativante” Kiba ralhou perto deles em seu cavalo  

“Dois dias, talvez um e meio se apertarmos o passo” quem respondeu foi Shikamaru, com a sua usual voz calma 

“Ótimo” murmurou arrancando um sorriso de lado de seu companheiro de viagem, que parecia muito entretido quando a via brava  

Eles fizeram poucas pausas durante o dia, algumas para se aliviar, outras para comer, mas nada que passasse de quinze minutos. Aquela chuva irritava-a mais do que qualquer coisa, ia reclamar que seu traseiro estava em carne viva quando ouviu um baque. Naruto caiu do cavalo muito mais pálido que estava antes, por sorte não caíra por cima do braço ruim. Hinata pulou do cavalo tocando na testa do rapaz 

“Está queimando em febre, temos que esperar a maldita chuva passar” ela quase gritava para sua voz sair mais alta que aquela água 

“Isso é realmente necessário?” Kakashi perguntou com a mesma feição de sempre  

“Se o quiserem vivo, então sim” e de novo a morena quis se estapear por ter falado demais, que morresse, acampar ali significava mais tempo, um tempo que não podia dispor  

Kiba disse meia dúzia de palavrões enquanto o Hatake dava ordens para erguerem as cabanas, quando a primeira estava pronta a Hyuga aconchegou Naruto em um cobertor felpudo sentindo sua temperatura 

“Durma, se a febre não for embora de manhã peça para lhe darem um chá de gengibre com hortelã” 

Ele concordou com os olhos pesados, dando um sorriso fraco e murmurando um obrigado. O peito de Hinata apertou  

“Tenho de lhe falar algo, mas tem que me prometer não perguntar o porquê, está bem?” ele concordou num movimento rápido de cabeça“Não case com Shion” 

“Desculpe-me? O que...?” 

“Prometeu não perguntar” ótimo, agora me achará louca, ela engatinhou até a entrada da barraca “Adeus Naruto” 

“Fará o chá se minha febre insistir, não é?” 

“Estou a suas ordens, agora descanse” ela deu um pequeno sorriso e foi até o lado de fora, suas roupas secaram e o céu não parecia mais tão intencionado a derramar água 

“Procurarei algumas ervas para diminuir a dor” a morena disse a Kakashi sem vacilar  

“Nessa escuridão? Como saberá identifica-las?”  

“Posso me orgulhar em ter um dos melhores olhos do mundo” Hinata deu um sorriso divertido “Não demorarei” 

“É perigoso uma dama andar sozinha pela floresta, Kiba, acompanhe-a” 

Ele aceitou, fazendo a Hyuga se contorcer de raiva “Obrigada” 

“É bonita demais para essas terras moça” o Inuzuka falava enquanto mascava algo “Se não estiver, bem, tão satisfeita com seu marido aquecerei sua cama com prazer” 

Ela mordeu a língua “Agradecida, é um homem bom”  

“Em todos os sentidos, minha dama” ele a olhava com malícia 

“Será que um dia me mostrará esses seus lados?”  

“Posso lhe revelar um agora, se a agradar” disse 

“Oh! Esperei por esse momento desde que encaixei meus olhos nos seus” Hinata havia parado de andar, e agora olhava diretamente para Kiba que soltou o cavalo, deixando-o pastar  

“Não a culpo senhora, há canções de como meus castanhos olhos podem hipnotizar uma dama” ele sorriu, algo que devia ser sexy se tornou macabro pela falta de luz. O Inuzuka abaixou as calças ainda com o membro mole como uma gelatina “Venha, agrade-o um pouco e verá minha potência”  

Hinata queria rir, por Deus, como queria, mas se manteve séria, sorriu de lado e escorregou a mão pelo peitoral guardado na camisa de linho até chegar no pau mole, ignorando-o apertando com vontade as bolas penduradas. O homem gemeu de dor, caindo sobre os joelhos  

“Desculpe-me, seus castanhos olhos me hipnotizaram a ponto de fazer-me esquecer como se faz” ela riu pulando no cavalo marrom e trotando para a estrada rápida, a última coisa que pode ouvir fora o moreno lançando maldições em cinco línguas diferentes  

Ela cavalgou, seu traseiro ainda doía pelas horas sentada naquela cela dura, mas agora sentia o beijo da liberdade e ele era lascivo, o vento bagunçava seu cabelo enquanto ela cavalgava por onde se lembrava ter vindo. Uma hora se passou até o ar ficar rarefeito e pesado, só aí que a Hyuga desacelerou aceitando respirar um pouco  

Seu corpo doía, estava com fome e a noite parecia só se afundar mais, devia ter planejado melhor essa fuga do que apenas roubar um cavalo. Eram três dias de viagem, até voltar as pedras e estava sem comida, abrigo ou algo mais quente que as mangas de seu vestido. Os olhos prateados iam se fechando e abrindo à medida que o cavalo trotava, chegou ao nível do animal começar a rodar em círculos procurando mato para comer e Hinata nem sequer reparou, estava tão exausta  

Acordou assustada, não se lembrava de ter dormido, pulou de onde quer que estivesse deitada tentando se acostumar com a luz até ver Naruto dormindo tranquilamente ao seu lado, ao abrir a pequena ‘porta’ viu Kakashi e Sai assando um peixe na fogueira. Sentiu a bile subindo a garganta, talvez fosse o gosto de ter sua liberdade indo embora 

“Deu-nos trabalho demais senhora” o homem bocejou esfregando os olhos azuis “Peço desculpas por ter dividido a barraca comigo, mas era eu ou Kiba, e acredito que vocês não têm tanta afinidade”  

“O que houve?” seu rosto estava corado por vergonha do que havia feito, ou pelo fato de ter sido achada e trazida de volta 

“Kiba voltou mancando dizendo que a lady tentou castra-lo" ele riu bebendo o rum da garrafa “E que havia roubado seu cavalo, se não fosse por esse pequeno fato acho que o Inuzuka lhe abandonaria as traças, mas eu e Shikamaru o convencemos a não ser tão... Rígido” o sorriso ainda persistia 

“O que ele que... Digo, o que desejava?”  

“Ofereceu que todos nós a estuprássemos ou cortassem um de seus mamilos, o que eu acharia muita crueldade se levarmos em conta esse belo par de seios” Hinata sentia todo seu sangue sendo direcionado ao seu rosto “Eu e Nara seguimos a estrada que havíamos vindo, era previsível demais e Shikamaru é um dos melhores rastreadores que temos. Ao acha-la dormindo e dando voltas com o cavalo lhe coloquei no braço enquanto ele levava o cavalo” 

“Está machucado, ficou louco?” a Hyuga levantou as sobrancelhas 

“Já passei por coisa pior” Naruto gemeu de dor “Ao menos minha febre baixou” 

“Deixe-me ver isso” ela analisou e viu o quão inchado estava o braço que há menos de quatro dias tinha sido deslocado “Tire a camisa”  

“Achei que teríamos um jantar primeiro” ele sorriu de lado sentindo a pequena mão fazer mais pressão no ombro “Ai, ai, está bem” deu mais um gole na bebida e arrancou a camisa, vendo Hinata corta-la em pedaços “Está louca? Eu amava essa camisa” 

“Ama-a mais do que ama seu braço?” não esperou que respondesse, só enfaixou com força, o que o impossibilitava de mover o braço, bom, pelo menos teoricamente  

“Kakashi não nos deixará ter outra parada até chegarmos, espero que tenha descansado o suficiente milady”  

“Sim, me desculpe pelo incômodo” murmurou  

 

Completava quase uma semana que sua mulher desaparecera e seu mundo foi junto, Toneri lembrava claramente do delegado perguntando se havia possibilidade de sua esposa estar se encontrando com outro homem e se enfureceu, saíra da delegacia sem deixa-lo terminar. Qualquer um podia ver a felicidade estampada nos olhos de ambos, como ousavam imaginar uma coisa dessas? 

Era nítido, não era? 

Queria chorar, mas temia já ter gastado todo seu estoque, como explicaria para o pai de Hinata o que acontecera se nem ele conseguia imaginar o que havia acontecido? A cabeça doía, latejava como o inferno  

Na verdade, tudo doía, cada minúscula célula fazia seu corpo vomitar dor e sofrimento. Um toc na porta o acordou de seu pesadelo vivo 

“Senhor Otstsuki? Os policiais estão chamando-o" o homem levantou rápido, descendo sem ao menos ver quem deu o recado 

“Toneri?” ele confirmou e ambos apertaram as mãos “Sou Suzen Uchiha, chefe da área de desaparecimentos e sequestros. Hoje de manhã fui designada ao caso de sua esposa, precisamos conversar” 

“Acharam-na?” 

“Não, precisamos que seja compreensivo, mas sua esposa não deixou rastros, não tem corpo então isso implica que não está morta, disse que foram ambos para a guerra, estavam no mesmo batalhão?” 

“N-não, ela atuava como médica em Boston enquanto eu era, bom de uma área secreta na França, creio que não posso falar sobre isso tão abertamente” 

“Entendo, mas não acha possível que durante esses longos dois anos em que serviram ela tenha se envolvido com outra pessoa? Existem centenas de casos em que as mulheres procuram segurança nos braços de outro homem...”  

Toneri trancou o maxilar “Se veio chamar minha esposa de infiel igual o delegado, por favor, volte ao seu trabalho e me procure apenas quando tiver algo concreto”  

“Desculpe-me senhor, estou apenas cogitando uma possibi...”  

“Por favor, vá” eles se despediram com um aceno breve de cabeça e o loiro subiu com os olhos vazios, sentindo as lágrimas voltarem como um tsunami 

 

Era possível se lembrar de algo que não havia acontecido? Havia estado lá, uma semana atrás, ou duzentos anos no futuro, o tempo se tornou algo relativo 

“Meu amado príncipe? Esperei tanto por seu retorno” mal tinham passado pelo portão e uma garota com pouco mais de um metro e meio de altura pulou no pescoço do rapaz até ver a Hyuga em sua frente “Quem é essa?”  

“Shion, essa é a senhorita Hyuga” Hinata levantou as sobrancelhas em sinal de puro espanto, a mulher tinha curiosos olhos parecidos com os seus, um pouco mais puxados para o violeta e mais redondos “Se me der licença, estou exausto” ele se desvencilhou dos braços da garota e andou com o cavalo até um pequeno chafariz  

“Oh! Meus queridos bebês voltaram, deixe-me ver como está Nara, anda se alimentando? Está magro como um grão” uma senhora de olhos vermelhos correu até eles  

“Estou bem tia Kurenai” resmungou enquanto ela tocava seu rosto  

“E você Naruto? Não consegue ir em uma missão e voltar inteiro?” ele riu sentindo a pequena mulher arrumar seus cabelos “E quem é a senhorita?”  

“Sou Hinata Hyuga” ela deu uma reverência desajeitada 

“Certo” estreitou seus olhos “Venha trocar esses trapos, não deve se vestir assim”  

“Tenho que falar com Jiraya” 

“De jeito nenhum, tem de se limpar primeiro” disse 

Hinata tocou no braço do Uzumaki “Não molhe o pano, quando puder o examinarei melhor, está bem?” ele concordou com um fino sorriso 

“O que é isso?” Kurenai perguntou após tirar o vestido sujo e ver o sutiã branco “Nunca vi um espartilho tão pequeno” 

A Hyuga sorriu “É francês”  

A mulher abriu a boca soltando um ‘oh’ a deitando na banheira de madeira, passando a água quente por todo seu corpo, sentia como se um peso saísse de seus ombros com aquela sensação “Nunca vi uma mulher com pele tão macia, não existe uma mancha sequer” Hinata corou deixando-a esfregar seus longos cabelos, o sono a atingia como um soco “Está pronta” Bocejou e se levantou sentindo seus seios se eriçarem por conta do frio, a senhora a vestiu com uma fina camisola enquanto penteava seus cabelos “Está tarde para ver o senhor, creio que poderá esperar até amanhã, não é?” seu sono agradecia por isso, estava quase dormindo em pé “descanse, criança” 

O sono a abraçou quase de imediato, em um deleite mudo 

“Levante-se, já passam das três. Dormiu o dia inteiro milady” Kurenai abriu as cortinas enquanto a morena despertava  

“Sinto mui...” 

“Não temos tempo para isso, levante” ela saiu da cama com as pernas ainda bambas pelo sono, sentiu a camisola deslizar pelos seus pés e pela primeira vez sentiu vergonha em estar completamente nua, no dia anterior sua cabeça não focava em nada que não fosse se deitar. Hinata sentia o espartilho a apertar cada vez mais, seus seios se esmagavam e a cintura diminuía a cada nó  

“Por que tão apertado?” disse tentando respirar fundo e falhando  

“Terá que valorizar essas belas curvas, Kakashi me disse que é uma viúva sem filhos” o último nó foi feito “Deverá se casar, creio que a fila para desposa-la será enorme senhorita Hyuga” os olhos vermelhos deram uma piscadela singela  

“Isso não está em meus planos, mas agradeço o elogio” o vestido bege escorregou no corpo e a mulher agora se ocupava em cuidar dos cabelos negros. Kurenai fez uma trança apertada, deixando o rosto da Hyuga completamente a mostra 

“Chamarei alguém para acompanha-la até o senhor” disse saindo do quarto levando o vestido sujo  

Um homem com pele morena apareceu alguns minutos depois, sem dizer nada, somente a guiava por dentre paredes que a morena não tinha visitado quando esteve lá. A porta era enorme, de madeira com desenhos de raposas entalhados nela “Está entregue” murmurou  

“Obrigada” disse e abriu a porta, não tinha ninguém ali, Hinata andou pela sala que estava quente por culpa da lareira, tinha uma carta aberta na mesa preta no canto do cômodo 

Vossa alteza ordena oficialmente que Naruto Uzumaki abdique de seu falso direito como herdeiro do trono da Espanha. Enquanto não jurar fidelidade a coroa qualquer um que ousar apoiar ou esconder esse rebelde será executado formalmente 

Qualquer um que fornecer pistas sobre o desertor será devidamente compensado 

Assinado: Madara Uchiha, primeiro de seu nome  

Inglaterra 

“Sabe ler milady?” Jiraya entrou com seus longos cabelos grisalhos pela idade  

Hinata se assustou, saindo de perto da mesa “Desculpe, minha curiosidade ainda será minha ruína” 

“Com toda certeza será” disse pegando um cachimbo e acendendo-o “Conte-me senhorita Hyuga, o que trouxe uma mulher inglesa para as terras altas? Não me poupe dos detalhes” ele se sentou na poltrona, convidando-a a se sentar no sofá 

A morena engoliu em seco “B-bom” respirou fundo, teria que ser convincente ou jamais sairia dali “Moro em Londres, mas estava viajando para Paris, encontrar parentes distantes. No caminho eu e minha criada fomos saqueadas por bandidos” pense Hinata, pense “Foi quando procurei ajuda na floresta e o oficial Nagato tentou me... Bem, violar-me. Mas por sorte Naruto estava perto e me salvou" 

“Muita sorte, não é mesmo?” Jiraya estreitou os olhos “Diz-me que o capitão das forças inglesas tentou estuprar uma mulher de seu próprio país sem um motivo?”  

“Desculpe-me, senhor, mas desde quando existe um bom motivo para tal ato?”  

“Sinto muito se a ofendi” ele deu mais um trago no cachimbo  

“Preciso voltar para Inverness, o quanto antes, não quero preocupar meus familiares ” 

“Claro, um vendedor de tomate passa aqui e em Inverness a cada lua, se tiver sorte ele virá daqui a seis dias, enquanto isso espero que se agrade com nossa hospitalidade” disse 

“Agradeço a bondade, mas com toda confusão acabei a me perder nos dias” 

“Sem problemas milady. Ele estará aqui no sábado”

"Obrigada" Hinata deu um sorriso singelo e saiu dali com as mãos tremendo e o coração prestes a pular de seu peito, lembrou-se que tinha que ver Naruto e se sentiu aliviada por ter algo para se ocupar nessa semana 

“Senhora Kurenai?” disse entrando na cozinha “Poderia me dizer onde Naruto está, por favor?” 

“Me chame de tia menina. Para que quer ver o Uzumaki? Não é muito respeitável se encontrar com um homem sozinha” ela falava enquanto mexia a panela cheia de mingau 

“Prometi cuidar de seu ombro” 

“E por que você faria uma coisa dessas? Não deveria chamar um curandeiro?” disse  

“Sou tão boa quanto um” ela sorriu  

“Está bem” levantou as mãos em sinal de rendição “Ele está na biblioteca” 

O espaço era composto de duas janelas enormes que iluminavam a sala, Naruto lia um livro de capa cinza com uma mão nos cabelos, no braço ainda jazia os trapos da camisa, mas agora seu peitoral não estava mais nu 

“Não imaginava ser do tipo que lê” disse com sarcasmo 

“Não sou” ele deu um pequeno sorriso fitando-a “Mas é o dever de um rei saber certas coisas”  

 Hinata se sentou “Não me perguntou ainda sobre o que lhe disse na barraca”  

“Prometi que não perguntaria, apesar de já ter achado a senhorita louca em alguns momentos da nossa viagem juntos” riu 

“Talvez eu seja” ela se sentou na cadeira ao lado, tentando ver o que ele lia 

“É mais bonita com os cabelos soltou, milady” o Uzumaki falou baixinho, olhando-a sem nem piscar, colocando uma mecha negra que havia se soltado atrás da orelha. O prateado reluzia no azul vivo de Naruto, os olhos travavam uma guerra muda naqueles milésimos de segundos, estavam paralisados, até o ar tinha se esvaído para dar mais emoção ao momento 

“Devemos olhar seu ombro” Hinata falou quebrando o contato visual e Naruto recolheu a mão  

“Oh, claro. Está doendo cada dia menos” disse enquanto a morena desenrolava o braço que parecia visivelmente melhor 

“Terá que ficar sem movê-lo por no mínimo mais dois dias, está bem? Prepararei algumas ervas, para caso a dor retorne”  

“Seu marido é um homem de sorte” 

As lembranças de Toneri a atingiram como um soco, como pode se esquecer? Só Deus sabe o que ele estava passando naquele momento. Sentia falta dos abraços e dos beijos que a aqueciam por dentro, sentia falta de seu cheiro e da textura dos claros cabelos escorrendo por seus dedos como neve. Sem perceber começou a derrubar lágrimas, soluçando baixinho 

“O que houve? Disse algo errado?” ele perguntou com uma expressão confusa 

“Meu marido não” Hinata simplesmente não conseguia completar a frase, as lágrimas desciam com muita força “Ele não...” o gosto salgado dançava em sua boca 

 “Não está vivo?” ela concordou “Oh meu Deus, me perdoe” Naruto a abraçou esperando que se acalmasse, o que demorou um bom tempo até ter certeza que não derrubaria mais nenhuma gota de água sequer  

 



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