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História Através do vidro - Capítulo 8


Escrita por: Yuuko_g

Notas do Autor


Boa leitura C:

Capítulo 8 - Severus Snape - Parte III


Fanfic / Fanfiction Através do vidro - Capítulo 8 - Severus Snape - Parte III

‘Fico feliz que tenha aceitado, Ranhoso. Me siga, eu conheço um lugar perfeito.’

 

Foi a última coisa que Potter lhe disse antes de saírem do bar.

Sabe-se lá porque os Marotos vieram mexer com ele ali.

Essa questão não saiu da cabeça de Severus enquanto James guiava ele e seu grupinho de grifinórios delinquentes até uma área mais longínqua de Hogsmeade.

Talvez eles estivessem com saudades de lhe maltratar e pensaram que por estarem fora do castelo tudo seria mais fácil.

Black e Pettigrew já eram maiores de idade. Imaginou que sendo uma criança endinheirada e mimada, Potter havia conseguido alguma mutreta para não rastrearem sua varinha e fizera o mesmo com a de Lupin.

Ou seja, na hora em que aceitara esse desafio, já estava aceitando as consequências de usar magia fora da escola. 

Talvez eles tivessem imaginando que se renderia no meio do caminho, depois de pensar melhor no que estava fazendo e abrindo espaço para que pudessem assustá-lo e humilhá-lo verbalmente.

Acontece que Snape não estava lá nas melhores épocas da sua vida e tomar decisões equilibradas pensando no seu futuro não estava sendo exatamente o seu ponto forte no momento.

Severus viu o resto do grupo desacelerar os passos quando entraram em um campo aberto, conseguiu reconhecer onde estava apesar da noite estar bem escura. 

‘Claro, não poderiam contar com a luz da lua cheia e provavelmente nem próximo disso…’

Era uma clareira que ficava depois da maldita Casa dos Gritos, dava para ver o contorno dela ao longe entre as árvores.

James de repente parou e se virou para Severus. Falou enquanto dava mais uns passos para trás até o meio do gramado.

— Gostou do lugar, Ranhoso? Lily adora dar uns amassos por aqui… — O grifinório não poupou em abrir um sorriso debochado, Snape se manteve com a expressão fechada e com a varinha em mãos, tão atento quanto podia. — Vir aqui me deixou até mais sentimental… Então, resolvi te dar um pouco de inspiração, caso você precise. Se você me derrotar, eu vou ficar longe da Lilian… Mas se eu te derrotar, você vai ficar longe dela pelo resto de sua vida, nem olhar para ela será uma opção.

Sua amizade com a ruiva basicamente já tinha acabado e eles já estavam longe há meses, mas alguma coisa no rosto daquele cara fazia Severus odiar e se irritar com tudo que ele falava.

— Ela não é um prêmio para ser ganho.

— Own, ficou chateado ou só está com medo de perder? — Sorriu irônico, virou de costas e continuou a falar, dando mais uns passos para se afastar do sonserino. — Bom, está tudo bem por mim! Eu sei que você irá perder e, mesmo que não cumpra o meu pedido, eu sei que sou completamente capaz de te manter longe dela…! 

James mal terminou a frase, girou o corpo com rapidez disparando um feitiço em Severus, que riscou a varinha no ar e fez o raio vermelho se dissipar.

Sorriu de canto, óbvio que Potter começaria com um joguinho sujo.

O outro o atacou de novo, de novo e de novo sem sucesso, todos foram bem defendidos. Quando viu a mínima abertura, partiu para o ataque também.

No segundo seguinte o local já estava dominado por raios coloridos, pedras e flechas voadoras. O som da floresta foi suprimido pelo som dos feitiços cortando o vento, batendo nos escudos de proteção ou atingindo algum canto da vegetação quando desviados. 

Apesar de saber que James frequentava o Clube de Duelos, Severus nunca havia lutado assim com ele.

O que era mesmo que o grifinório tinha dito na aula de Transfiguração quando McGonagall os questionou sobre o que queriam do futuro?

Ah, sim.

Ser um auror.

Perfeito, é claro, alguém correto e bom como James Potter daria um perfeito auror.

Snape era capaz de admitir que seu oponente era até bom, o que acabou lhe rendendo uns dois arranhões em seu braço, mas ele era muito melhor e ainda não estava nem próximo do seu cem por cento.

Começou a ser mais feroz em seus ataques, sequências maiores e mais fortes.

Foi visível como os olhos de James começaram a se arregalar não só pela surpresa, mas pelo medo também. O de óculos não foi o único, os outros três que até agora só estavam assistindo reagiram da mesma forma.

‘Uma pena.’

Severus pensou que, se o plano original dos grifinórios era apenas assustá-lo, eles já haviam falhado miseravelmente. 

Mandou um Estupefaça perfeito em cima do seu oponente, que foi jogado metros para trás e acabou soltando a varinha quando seu corpo sentiu o impacto do chão.

Uma visão incrível na mente do sonserino.

Sem nenhuma piedade, logo jogou outro e mais outro feitiço em cima dele. 

James rolava na terra tentando se desviar como podia, até que finalmente encontrou sua varinha e conseguiu conjurar um escudo antes de ser atingido em cheio. Snape continuava a lhe jogar feitiços um atrás do outro, o obrigando a se proteger com a mesma agilidade, não lhe dando a menor chance para se levantar dali.

Ao fundo, o sonserino ouviu Black gritar.

— James precisa de mim!

— Ele disse que queria cuidar disso sozinho! — Respondeu Pettigrew, botando uma mão na frente do amigo, impedindo que ele avançasse.

— Isso está longe de ser o que tínhamos combinado… — Comentou Lupin preocupado.

A situação de Potter ia de mal a pior, não conseguia se levantar sem se desequilibrar na sequência por causa da força dos ataques que o atingiam. Sua roupa já estava completamente suja, cheia de rasgos e com o corpo certamente cheio de arranhões.

Independente do que seu melhor amigo disse antes, Sirius não conseguiu mais aguentar quieto. Empurrou Peter para o lado e atacou Severus, conseguindo o distrair por um momento para que pudesse dar um tempo para James se recuperar.

Logo uma batalha de um para um, virou de dois para um.

A situação não melhorou muito, os grifinórios sentiam cada vez mais a fúria e a força dos ataques impiedosos de Severus, parecia até que a ideia de lutar nessa — suposta — desvantagem lhe excitava.

Remus havia praticamente jurado para si mesmo que não iria intervir, mas naquele momento foi necessário mudar de ideia, estava genuinamente preocupado com os dois amigos.

— Arh! Mas que infernos vocês dois… — Lupin resmungou para si mesmo antes de disparar o primeiro ataque contra Snape e se juntar aos amigos.

Logo uma batalha de dois para um, virou de três para um.

Não importava se os três o atacavam ao mesmo tempo, Severus se defendia, desviava e atacava com maestria. Era como se seu escudo tivesse dimensão e força suficiente para segurar três maldições de uma vez só.

Nenhum dos Marotos jamais poderia ter imaginado que aquela noite acabaria em uma situação assim.

James gritou pela ajuda de Peter, que mesmo com medo e bastante hesitante, se juntou também.

Pronto, quatro contra um.

No fundo, Severus nunca imaginou que se encontraria em uma situação diferente dessa.

— Prontos? Agora! — Potter ordenou de repente.

Os Marotos recitaram um feitiço de forma uníssona, aproximaram suas varinhas e da ponta delas surgiram labaredas selvagens, que se juntaram formando uma grande onda de fogo com a imagem dos seus quatro animagos. 

A parede de chamas em instantes cobriria Severus. Não tinha ideia de como usar um feitiço de proteção contra algo assim, por isso, sua melhor opção era fugir. Se concentrou profundamente e desaparatou.

Não conseguiu ir muito longe dali, as aulas de Aparatação só começavam no próximo trimestre, então o pouco que sabia era o pouco que tinha treinado sozinho.

Olhou em volta e não viu ninguém, mas como ao longe ainda conseguia ver a Casa dos Gritos, era bem provável que os Marotos estivessem por perto.

Momentos depois, ouviu o barulho de passos pisando nas folhas secas e algumas risadinhas inconfundíveis, Potter e Black realmente deviam estar achando que tinham assustado ele de vez.

Escondido atrás de uma árvore, avistou James e os demais olhando em volta como se estivessem procurando por algo.

Apontou a varinha na direção do de óculos e se concentrou, nunca tinha tentado usar esse feitiço a longa distância, mas valia a pena tentar. Seria apenas superficial, algo imperceptível para alguém que certamente não era um oclumente treinado.

Fechou os olhos e sussurrou.  

— Legilimens… 

No segundo seguinte, se encontrava dentro da mente de Potter. Viu perfeitamente como ele e Black sussurraram um para o outro, eles viam sua silhueta e estavam armando para pegá-lo de surpresa.

Sorriu orgulhoso consigo mesmo.

Ouviu um último passo à sua direita, sabia que era James. 

Antes que o grifinório pudesse verbalizar qualquer feitiço, Severus o atacou com rapidez e por pouco o outro não conseguiu desviar. 

Agora, pela frente.

Black estava pronto para atacar também, mas não foi tão rápido e teve o mesmo destino que o melhor amigo.

James se recuperou e os feitiços entre os três voltaram a cortar o ar.

— Cerquem ele! — Exclamou Potter.

Logo Peter e Remus já estavam lá, fechando um círculo perfeito em volta do sonserino.

Por mais que Snape tentasse, desviar de todos nesse molde era impossível, o grifinório havia finalmente sido mais espertinho. Só via com perfeição os três da frente e acabava levando o ataque que vinha de trás, tentar se proteger de todos ao mesmo tempo o impedia que pudesse fazer qualquer grande contra-ataque.

Eventualmente, e pela primeira vez naquela noite, começou a se sentir em desvantagem.

Invocou sabe-se lá qual conhecimento profundo em sua mente e deu um jeito de expandir seu escudo até estar cercado por completo.

Com a varinha apontada para um lado e com a outra mão espalmada no ar para o outro, Severus tentava sustentar toda a pressão mágica que era ter quatro raios contínuos atingindo sua barreira de proteção.

Potter e Black já sorriam com ar de vitoriosos, começaram a fazer graça dele e jorrar as mais variadas humilhações.

Severus estava sob muito estresse, tanto mágico quanto emocional. 

Sentimentos tão confusos, lembranças tão odiosas da sua infância e adolescência, pessoas que iam e vinham, se sentia ali completamente só e muito perdido. De um lado queria deixar tudo para trás, mas parecia que havia algo que o segurava. Havia alguma parte dentro de si que parecia nunca querer desaparecer.

Ele odiava isso.

Odiava ser fraco, odiava qualquer coisa que pudesse o deixar fraco e vulnerável.

Era hora de pegar aquilo e afogar de vez e por completo dentro de um poço tão profundo e tão tortuoso, que nem ele mesmo saberia como encontrar aquilo novamente.

Severus deu um grito para extravasar e deixou toda a sua energia explodir.

Uma onda mágica azulada atingiu os quatro ao mesmo tempo com uma força descomunal.

Quando o sonserino se deu conta, viu que os garotos tinham voado metros e metros para longe dele. Parecia que estavam todos desacordados.

Encontrou James escorado em uma árvore, parecia um pouco consciente porém muito tonto, devia ter batido a cabeça com força.

Severus nem ligou se seu oponente estaria desacordado ou não, e por mais cansado que estivesse, começou a dar passos decididos na direção dele. Precisa pôr o ponto final naquela história, faria isso agora e que se fodam as consequências depois.

O sonserino nem deu tempo para que Potter processasse sua aproximação. 

Conjurou um chicote de lava que saía da ponta da sua varinha e o atacou furiosamente repetidas vezes.

Foram cortes atrás de cortes pelo corpo e pelo rosto, cada um acompanhado de um grito de dor da sua vítima e tentativas inúteis de tentar se proteger ao colocar os braços na frente.

Os óculos caíram no chão com as lentes quebradas, sangue escorria de todos seus ferimentos e manchava sua roupa, alguns deles já tinham o contorno arroxeado por causa do impacto.

Severus parou por um momento para apreciar a cena. Por mais que sua expressão ainda fosse de puro ódio, não havia dúvidas que ver James Potter sofrendo e sangrando lhe dava prazer.

O grifinório aproveitou a pausa e reuniu todas as forças que lhe restavam para conseguir falar alguma coisa.

— Okay… Severus… Espere… 

Snape deu uma risadinha irônica.

— É “Severus” agora, não é?

— Apenas…  Por favor… 

— Por favor? Severus, por favor?! POR FAVOR, O QUE?! — Deu outra chicotada no rosto de James, ouvindo-o soltar um grunhido de dor. — É um pedido para que eu te poupe?! Você veio fazendo da minha vida um inferno, me azarando, me perturbando, me humilhando, me machucando todos esses anos e agora você quer que eu te poupe?!

Potter engoliu a seco, não precisava estar vendo direito para perceber que Snape estava em fúria, dava para ouvir a respiração pesada que saía de suas narinas. 

— Você não tem ideia de quem eu sou! — O sonserino continuou. — Você não tem ideia de como é ser quem eu sou! Viver o que eu vivi!

— Certo… Okay… Me desculpa… — Respondeu com a voz sôfrega, com tantos ferimentos assim era muito difícil falar.

— Te desculpar? — Soltou um riso incrédulo. — Agora que eu te faço sangrar você quer pedir desculpas?! Entenda uma coisa, Potter, eu sempre fui melhor do que vocês quatro juntos, sempre! Eu nunca cruzei os limites por respeito a Lilian e pela ideia dela de que todas as vidas são igualmente importantes, mas eu nunca pensei assim! Sempre olhei para vocês como porcos nojentos que não merecem o chão onde pisam e muito menos a magia que possuem!

James não sabia mais o que falar, mal conseguia se mexer sem sentir seu corpo todo desabar, sendo impossível conter os gemidos de desconforto.

— Ah, você está com dor? É ruim, não é? — Provocou Severus. — Mas não se preocupe, vai acabar logo. Agora que as minhas decisões dependem só de mim, eu posso lhe afirmar que não há nada que irá me dar mais prazer do que ver você sofrer até a morte!

Snape viu o rosto do outro se contorcer em desespero, uma visão perfeita do que tanto almejou presenciar nesses últimos anos.

Respirou fundo e ergueu sua varinha de forma decidida.

— Avada Ke… !

— SEVERUS PARE!

Uma figura ruiva surgiu do nada e se pôs entre os dois, fazendo com que no último instante Snape parasse o último momento da sua varinha.

Um segundo a mais, um instante mal calculado a mais e sua maldição teria acertado em cheio o peito de Lilian.

— O que você pensa que está fazendo?! — Gritou ele indignado. — SAIA DA MINHA FRENTE!

— NÃO! — A ruiva não moveu um músculo e o encarou abismada. — Eu não vou deixar você fazer isso!

— Você diz isso porque ele agora é oficialmente seu namoradinho, não é, Evans?!

— Não, Severus! Eu digo isso porque ele é uma pessoa! Um ser humano! Você estava prestes a se tornar um ASSASSINO! 

Lilian basicamente berrou com toda a sua força, como se acreditasse que assim conseguiria enfiar algum juízo na cabeça do ex-amigo.

De alguma forma achou que funcionou, pois ele pareceu hesitar. Não respondeu nada, mas também não abaixou a varinha. Ainda tinha ela apontada para o seu corpo na altura onde deveria ter um caminho livre para James.

— E eu não estou namorando o Potter, Severus!

Não que isso fosse da conta dele, já que não eram mais amigos. Mas o fato era que aquilo era mentira e Lilian não gostava de mentiras.

— Você está mentindo para mim! — Retrucou o sonserino.

— Eu não estou mentindo! Eu nunca menti para você!

— Eu menti! — James gritou de repente, logo sendo acompanhado de outro grunhido.

Os outros dois viraram os rostos na sua direção, olhou primeiro para ela e então para Severus.

— Eu menti… Eu só falei aquilo pra te provocar e pra te dar motivos para aceitar meu desafio idiota… Ela me rejeitou a algumas semanas atrás pra ser exato… 

Snape teve que rir, incrédulo do modo simples como o grifinório falava.

— Agora virou um desafio idiota, não é Potter?! Agora que é você quem está jogado no chão e sangrando! Assim como eu fiquei por todos esses anos!

— Me desculpa, Snape… — Mesmo com a visão turva, James olhava diretamente nos olhos de Severus da forma mais sincera que conseguia. — Nós queríamos apenas te assustar uma última vez, não medimos as consequências… Nem as de hoje, nem desses tantos anos, hoje eu finalmente percebi isso… Foi errado… Eu… Eu não sabia que você ficaria tão afetado assim… — Suspirou pesado e se virou para a ruiva. — Me desculpa envolver você de novo nisso, Lilian…  

A garota, mesmo com uma expressão bastante contrariada, assentiu. 

Como se estivesse aceitando com toda a facilidade do mundo as desculpas de James Potter.

Se já não bastasse aquele teatro barato que o grifinório fazia, ver esse gesto da ruiva fez o sangue se Severus fervilhar de raiva.

— DELE VOCÊ ACEITA AS DESCULPAS, NÃO É?! 

— Severus, já deu! Ele já entendeu que errou e você já se provou o suficiente! Vamos acabar de vez com essa história!

— É fácil para você falar, não é? É mais fácil para você dar uma segunda chance para o inimigo do que para um amigo, não é?! É claro! É fácil quando nada disso te atinge diretamente!

Não, não era nem um pouco fácil para Lilian.

Snape estava tão cego pelos seus maus sentimentos, que não via que ela também havia perdido algo que amava.

A diferença entre eles, é que ela tinha ideais fortes e não os abandonaria por mais que eles a guiassem para decisões que no fundo ela sabia que não queria tomar, mas sabia que precisava tomar. 

— Eu sou uma pessoa que dá segundas chances, Severus. Eu te dei várias ano passado, cada alerta era um voto de confiança que eu dava a você, mas…  Vendo tudo que aconteceu hoje, eu percebi que não importa quantos deles eu te desse, eles nunca seriam correspondidos… Eu estava dando chance para aquele menino que um dia foi meu melhor amigo… Já você, esse homem que eu vejo, essa pessoa na qual está se tornando, eu não sei mais quem é… 

Era visível para Snape como ela parecia triste, preocupada e muito machucada.

O rancor que tinha adquirido por Lilian nesses meses fora tanto, que a única coisa que ele imaginou que ainda podia sentir por ela era raiva e ódio. 

Por isso, não soube nem como nem porque, mas alguma parte do seu coração que ainda era fraca e inútil o fez abaixar a varinha e desviar os olhos para o chão. 

E, por uns instantes, ele se sentiu profundamente triste.

A ruiva finalmente se moveu até James e se ajoelhou do lado dele.

— Você está bem? — Ela perguntou, tocando em seu rosto e avaliando os ferimentos.

— Estou vivo… Graças a você… — Respondeu com um sorriso minúsculo tentando disfarçar a dor.

Ela suspirou pesado e foi ajudá-lo a se levantar.

Em um puro ato masoquista, Severus assistiu toda a cena calado. Talvez precisasse ficar bem atento para que pudesse digerir a informação final.

Ela tinha escolhido eles.

Com Potter em pé e apoiado em seus ombros, os olhos de Lilian foram finalmente ao encontro dos dele. O rosto da ruiva estava bem sério, mas ainda existia ali aquele toque gentil tão característico dela.

— Se em algum dia nos reencontramos e eu ver através dos seus olhos que meu melhor amigo ainda vive dentro de você, eu irei te dar uma segunda chance. Até lá, eu não posso e não vou te perdoar… Mas saiba que eu sempre estarei torcendo para que esse dia chegue, Severus.

Snape simplesmente não respondeu nada, nem se mexeu.

Ela também não falou mais nada, olhou ao longe e deu um breve assentir. Severus imaginou que ela estivesse olhando para algum dos outros Marotos que devia ter acordado nesse meio tempo.

No instante seguinte, ouviu o som de desaparatação mais atrás de si.

Viu um último vislumbre daqueles olhos esmeraldinos antes que ela desaparatasse também e sumisse da sua vida para sempre.

Agora sozinho, o corpo de Severus virou uma tempestade de sentimentos, um completo caos que parecia ser impossível de se acabar. Queria pegar tudo aquilo e queimar, rasgar, destruir, expulsar todas essas emoções inúteis da sua vida. 

Era tudo culpa deles, se eles não existissem, nada de problemático teria acontecido.

‘Mas ela… Ela é culpada também!’

Porque, afinal, se Lilian não tivesse interrompido, pelo menos ele teria acabado com a vida de James.

Pelo menos poderia ter enterrado de vez todas as memórias terríveis que tinha da sua adolescência. 

Pelo menos isso ia lhe dar um pouco de satisfação em sua vida, mas não, ela tinha que aparecer. Ela tinha que aparecer e o deixar fraco o suficiente para escolher recuar.

Se sentou em um tronco de árvore que estava caído por ali e ficou encarando o nada, provavelmente tentando se lembrar como respirava.

De repente, uma elegante carta voadora apareceu na sua frente. O objeto se transformou em um rosto de papel, com rasgos formando os olhos e a boca. Uma voz extremamente pedante e irritante soou dela.

 

Prezado sr. Snape, 

Nós recebemos a informação de que você realizou uma série de feitiços avançados e perigosos de ataque e defesa nos arredores do vilarejo de Hogsmeade há oito minutos atrás. 

De acordo com o Decreto de Restrição à Prática de Magia por Menores, 1875, parágrafo C, a pena para sua infração é a expulsão imediata da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Você tem vinte e quatro horas para se dirigir ao Ministério para prestar depoimento para o caso de legítima defesa.

O que não significa que você será necessariamente dispensado da sua punição caso o motivo seja esse.   

 

Dolores Umbridge,

Estagiária sênior da Seção de Controle do Uso Indevido de Magia.

 

Revirou os olhos com força e queimou a carta.

Sinceramente não sabia mais o que pensar da sua vida. 

Talvez mandasse uma carta para Lucius pedindo que resolvesse isso, mas faria isso só amanhã pois naquele momento não tinha cabeça para refletir sobre nada.

Fez seus costumeiros feitiços para remendar as roupas e cuidar de seus ferimentos simples, havia se tornado um expert ao longo desses anos.

Voltou para Hogsmeade como se nada tivesse acontecido, não era como se os Marotos fossem aparecer por lá, já que estavam precisando de cuidados médicos mais severos.

Entrou em um bar mais vazio e sinistro que ficava em uma das pontas do vilarejo, estava certo de que não veria nenhum aluno de Hogwarts ali. Sentou-se em um canto do balcão e pediu um firewhisky. 

Deu o primeiro gole e depois ficou apenas encarando o líquido âmbar de forma avoada.

— Eu vi tudo, Severus Snape. — Disse uma voz masculina que acabara de sentar ao seu lado.

O sonserino tomou mais um pouco da sua bebida e respondeu rude enquanto girava o copo em sua mão.

— Independente de quem você seja, deixe-me em paz se quiser continuar inteiro.

— Eu acho que você deveria ser mais cuidadoso antes de ameaçar alguém sem nem olhar em seu rosto… — O outro respondeu de forma presunçosa. 

Snape bufou impaciente e se virou para o homem.

A primeira coisa que reparou foi a longa e pesada capa preta que cobria todo o corpo dele junto do capuz que cobria sua cabeça. 

No instante seguinte, travou por completo e arregalou os olhos.

As orbes vermelhas como sangue vivo, a pele albina e as feições ofídicas. 

Por causa do choque, deixou a voz escapar sem querer na altura de um sussurro.

— Lorde Vol… 

Voldemort imediatamente colocou o dedo fino e gelado sobre seus lábios, interrompendo sua fala.

— Shhh… Teremos muito tempo para fazermos as devidas apresentações… — Severus engoliu a seco e assentiu.

Vejam bem, o sonserino não era alguém que se impressionava ou se assustava fácil, mas aquela era a primeira vez que estava diante dele. 

Era uma combinação muito estranha. 

Ele tinha um sorriso suave e doce, porém era obviamente cínico. A voz era estranhamente calma e reconfortante, completamente distante do que poderia-se esperar de alguém com aquele rosto e aqueles olhos.

Obviamente, uma das partes mais chocantes era que a última coisa que Severus poderia imaginar, era que alguém importante e temível como Lorde Voldemort fosse se dirigir a ele pessoalmente de modo informal, escondido sobre um manto mágico, logo em um bar em Hogsmeade.

Aquilo parecia irreal.

O mais velho abaixou a mão e continuou.

— Eu ouvi muito ao seu respeito e devo dizer que a ótima demonstração de hoje exemplificou muito bem, apesar de que eu consertaria algumas coisas.

‘Provavelmente a parte em que eu deixei meus oponentes saírem vivos…’

Snape não agradeceu, apenas assentiu e o olhou como se dissesse, eu sei. Afinal, aquilo não era um elogio na sua visão, era só a constatação de um fato.

Já o Lorde, achou a frieza do seu olhar extremamente interessante. 

— Eu vejo um grande potencial em você… Existe um lugar para você entre os meus, suas habilidades me interessam bastante e tenho certeza que serão muito úteis. Eu quero que venha na nossa próxima reunião para nos conhecer melhor, conhecer minha filosofia e métodos.

— Eu já sei bastante sobre vocês. — Respondeu direto. — Bastante o suficiente, quero dizer.

Um sorriso macabro se abriu no rosto ofídico. Voldemort imaginou então que o jovem Malfoy já estivesse o cativando como seguidor há algum tempo, mas precisava saber se o loiro havia feito o trabalho por completo.

— E o que isso significa, Severus? Que posso contar com sua lealdade?

O Lorde das Trevas estendeu a mão em sua direção enquanto o encarava de forma penetrante.

E naquele instante, Severus não sentiu dúvidas, como se as trevas pudessem iluminar seu caminho melhor do que qualquer luz.

Correspondeu o olhar e ofereceu a sua mão.

Sua mão, seu corpo, sua alma e sua magia.

— Minha lealdade será sua até o fim.


Notas Finais


EU SIMPLESMENTE AMEI ESCREVER ESSE CAP!
Foi um momento muito marcante para Severus, o que a Lilian fala pra ele está intimamente ligado com um dos motivos dele ainda estar vivo em 7ER, a coisa "curiosa" como ele realmente acredita que sua lealdade seria para com Voldemort até o fim, porém, sabemos que não rola em assim...

LEMBRANDO que esse cap foi bastante inspirado no curta 'Severus Snape e os Marotos' que vcs encontram facilmente no youtube

O próximo capítulo vai ocorrer depois do evento retratado na fanfic 'Longe dos olhares'!!!!!
Por isso, segue aqui o link (mas já deixou claro que não é obrigatório): https://www.spiritfanfiction.com/historia/longe-dos-olhares-19972685

Vcs podem destilar ódio contra o James a vontade tbm okay,
Mas a história meio que segue o canon na sequencia, james realmente se arrepende e entende seus erros e só por isso Lilian concorda em sair com ele, e enfim, ela se apaixona e nosso Harry lindinho nasce, para a felicidade de Severus
Muito doido o mundo, né


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