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História Através do vidro - Capítulo 9


Escrita por: Yuuko_g

Notas do Autor


Boa leitura...

Capítulo 9 - Em tempos de movimentação


Fanfic / Fanfiction Através do vidro - Capítulo 9 - Em tempos de movimentação

 

Severus se tornou um seguidor do Lorde das Trevas naquele feriado de Natal. 

Ele não contou para Lucius sobre sua luta com os Marotos em muitos detalhes, apenas o mínimo para que ele conseguisse mexer os pauzinhos no Ministério e apagar a queixa sobre o uso indevido de magia.

O moreno estava totalmente determinado a entrar em outra fase da sua vida. 

Admitir para o amigo que havia recuado na decisão de matar James Potter por causa de Lilian, faria parecer que ainda não havia deixado seu passado para trás.

Agora, no presente, Severus Snape estava se preparando para o futuro.

Seria um verdadeiro e leal Comensal da Morte. 

Porém, Voldemort não marcava ninguém que não fosse capaz de aguentar os primeiros meses de treinamento. Normalmente, o tempo mínimo de observação do Lorde ficava por volta de seis meses, mas era início da primavera e Severus já tinha o dia marcado para a cerimônia da Marca Negra.

Em menos de três meses ele havia ganhado a total atenção do Lorde e enchido os olhos dele com expectativas de ter um aprendiz tão talentoso. 

Até Yaxley, que menosprezava basicamente todos, teve que dar o braço a torcer e reconhecer que o mais novo tinha muito foco e jeito para a coisa.

Lucius não poderia estar mais satisfeito, o lugar de Severus era ao seu lado e seu sucesso apenas provava que ele estava no lugar certo.

— Mandou me chamar, meu pai? — O loiro falou assim que entrou no escritório de Abraxas na Mansão Malfoy. 

O mais velho estava sentado em sua mesa que ficava no fundo do comprido cômodo. Estava atento ao que escrevia e não mudou seu foco para responder.

— Infelizmente sim. Feche a porta.

Seu pai estava longe de ser uma pessoa doce, mas o tom que usara agora pareceu amargo até demais.

Lucius obedeceu ele, fechou a porta e foi dando mais alguns passos até o centro do escritório.

— Algo de errado com os negócios…?

Abraxas deixou a pena de lado, cruzou os dedos sobre os papéis e subiu os olhos frios e profundamente cinzas na direção do filho.

— Algo de errado com você.

O mais novo congelou por inteiro, teve que fazer muito esforço para se manter impassível e não denunciar o arrepio tenebroso que sentiu.

A primeira coisa que pensou foi que ele tinha descoberto sobre aquele beijo com Severus no primeiro evento social do Lorde que o moreno havia ido.

Um ato completamente impulsivo e certamente sem sentido que só aconteceu porque eles estavam bêbados, óbvio. Até porque, ele tinha Narcisa e montar sua família com ela era realmente algo que desejava muito. 

Sua relação com Severus não poderia, nem deveria, incluir beijos ou outras coisas. Além dele ser um homem, ele era como seu irmão. Pronto, simples, não precisava pensar muito mais sobre isso.

Enfim, mas se esse fosse o caso, provavelmente seu pai estaria gritando com ele — ou coisa pior — desde o momento em que havia entrado no escritório.  

Abraxas cortou o silêncio, interrompendo seus devaneios.

— Eu confiei essa tarefa de recrutamento a você… E o que você me faz?! UM MESTIÇO! IMUNDO! FILHO DE UM TROUXA!  — Berrou furioso, batendo com as duas mãos na mesa e se levantando da poltrona, fazendo o filho tremer levemente pelo susto.

De fato, Lucius não errara por completo, tinha algo a ver com Severus.

Seu pai respirou profundamente, como se precisasse de muito esforço para conseguir reduzir o volume da voz, e voltou a falar.

— Quando você me disse que era um calouro sonserino, eu nunca poderia imaginar que, se alguma surpresa desagradável surgisse, seria algo estapafúrdio como isso! Sou incapaz de entender como alguém assim foi aceito para a casa de Salazar Slytherin…  Onde você estava com a cabeça antes de recrutar alguém sem verificar algo importante como isso?!

Lucius conseguiu voltar a respirar, seu pai achava que tinha sido um engano seu. Menos pior.

— Eu me foquei nas habilidades dele. — Tentou responder sem vacilar. — Há tempos que o Lorde pensava em ter outro pocionista. Além disso, ele é bom com duelos e as demais Artes das Tre…

Abraxas nem esperou o filho terminar de falar e gritou.

— Seu garoto burro e inconsequente! — Com um movimento rápido, o mais velho riscou a varinha no ar e Lucius sentiu um tapa forte bater em seu rosto. — Não há justificativas que caibam aqui, Lucius! Um erro desses poderia ter custado toda a reputação da nossa família! 

O filho já tinha se acostumado com os tapas, mesmo que eles não fossem tão frequentes assim, já que fazia literalmente de tudo para agradar e obedecer o pai.

Então, se recompôs da surpresa e voltou o rosto indiferente para mirar Abraxas. 

— Me desculpe, senhor. Esse erro nunca mais se repetirá. 

O outro soltou um suspiro irritado e torceu os lábios.

Sorte de nós dois que ele parece ter feito algo que agradasse o Lorde… Hunf, ele já tem até uma cerimônia… Não consigo entender…  

— Não foi sorte. — Lucius acabou deixando escapar sem querer.

Não era sorte, era merecido.

Severus Snape era incrível e sobre isso não havia discussões.

Seu pai não gostou nem um pouco da intromissão, franziu os olhos na direção dele, o desafiando a repetir o que falara. 

— Como é que você disse…? 

O mais novo engoliu a seco, mas manteve um tom firme.

 — Quero dizer… Você sempre exigiu e me incentivou a ter as melhores habilidades mágicas possíveis. Por causa disso, eu sou capaz de reconhecer quando alguém é bom também. Eu o observei por muito tempo, ele é um bruxo capaz de oferecer o que o Lorde quer no momento.

Tentou inflar um pouco o ego dele, pois sabia que isso às vezes resolvia, mas Abraxas o encarou meio desconfiado por uns segundos. 

De fato, ensinou tudo que sabia ao filho. Como se portar, como agir com indiferença ou com superioridade, e também, como mentir.

— Você observou ele por muito tempo… Foi o que você disse, não foi? — O mais novo sentiu um arrepio dos pés à cabeça, teve um péssimo pressentimento. —  Você já sabia sobre ele, Lucius?

— Como eu falei antes… Me foquei nas habilidades dele e na sua utilidade para o Lorde e… 

— ME RESPONDA PROPRIAMENTE, GAROTO!

Novamente, Abraxas deslizou a varinha e sua fala foi interrompida com um tapa.

Foi mais forte dessa vez, tanto que sentiu um leve gostinho metálico por causa da bochecha que devia ter se cortado em um dos dentes.

Seu pai parecia ter atingido um limite, a respiração estava forte e o rosto contorcido de raiva. Lucius não sabia qual seria a melhor decisão, mas sabia que se sua mentira não colou antes, ela não colaria de novo.

— Sim, meu pai. Eu já sabia.

No instante seguinte, seu pai apontou a varinha em sua direção e exclamou furioso.

— CRUCIO!

De imediato, Lucius perdeu as forças nas pernas e caiu no chão se contorcendo de dor. O mais velho saiu de trás da mesa e foi andando até ele, mantendo firme a maldição.

— Como ousa em mentir para mim?! Me convencer a apoiar um bruxo que vem da escória da nossa sociedade?! Qualquer erro dele poderá manchar o meu nome! E o que eu irei dizer aos outros?! Meu próprio filho andando com alguém imundo e baixo-nível como ele!

Conforme ele falava, a dor parecia crescer e crescer. Era como se seu corpo fosse repuxado e estrangulado, como se os ossos quebrados furassem sua pele e suas entranhas.

Dentre os gritos, acabou tossindo sangue algumas vezes. 

As pontadas afiadas lhe provocavam uma dor de cabeça imensa, que junto com o embaralhamento do seu estômago, acabou o fazendo vomitar. 

Sorte sua que havia comido pouco aquela manhã. 

Abraxas finalmente parou a maldição.

— Você sujou o meu chão… 

Lucius ainda tossia e tremia sob seus pés, seu rosto estava molhado pelo suor e pelas lágrimas. Uma cena que não amolecia nem um pouco o coração do pai, pelo contrário. 

O mais velho apontou a varinha para a mistura de líquidos no chão, girou ela algumas vezes, recolhendo e misturando todos eles.

— Abra sua boca.

Lucius piscou algumas vezes ainda tentando recuperar a consciência, olhou para cima vendo seu pai flutuar aquela coisa a centímetros do seu rosto. 

Encarou Abraxas aterrorizado. 

— P-Pai…? 

A voz baixinha e falha soou cheia de súplica, não que isso pudesse fazer alguma diferença também.

— Eu já ordenei, Lucius! — Rosnou impaciente e se abaixou, puxando o filho pelos cabelos de forma bruta e o forçando a ficar ajoelhado na sua frente. — Abra. Sua. Boca.

Seu pai era assustador.

Ele apertava seus fios com tal força que sentia que a qualquer momento eles seriam arrancados do seu couro cabeludo.

Pela dor, pelo medo e pela humilhação, duas lágrimas escorreram uma de cada olho e ele foi abrindo a boca devagar, mal conseguia a mover direito por causa dos tremores. 

Utilizando a varinha, Abraxas guiou aquele líquido direto para dentro da sua goela, o fazendo engolir tudo que havia posto para fora.

Sangue, bile e até a poeira do chão junto com as gotas de suor e lágrimas que haviam escorrido.

Lucius engoliu tudo sem reclamar,  mas não conseguiu conter uma ou duas tossidas que vieram depois. 

Seu pai pareceu satisfeito, finalmente soltou seu cabelo e sorriu. 

— Melhor assim… — Falou enquanto fazia um carinho na bochecha do filho e deslizava os dedos pelos fios loiros em uma tentativa de pentea-los.

O mais novo precisou fazer um esforço enorme para não vomitar novamente.

Sentia nojo. Não só do que engolira, mas daquele toque possessivo, como se ele acariciasse um bichinho da sua coleção.

— Eu espero que eu tenha te ensinado algo com essa lição. — Seu pai deslizou os dedos até seu queixo e ergueu seu rosto, o forçando a olhar em seus olhos. — Não quero que situações do tipo não venham a se repetir. Você é meu filho precioso, não pode decepcionar seu pai dessa forma… — Abriu a mão, pegando em seu maxilar e pressionando os dedos ali de forma nada gentil. — Estamos entendidos, Lucius?

Com uma expressão apática, sua resposta veio automática.

— Sim, meu pai… 

— Excelente. — Sorriu cínico e soltou seu rosto.

Abraxas se virou e foi caminhando tranquilamente de volta para sua mesa, enquanto Lucius tentava se levantar do chão como podia. 

O mais velho se sentou, voltando a escrever em seus documentos e falou sem olhar para o filho.

— Vá se trocar e dê um jeito de ficar apresentável, temos um encontro na casa dos Goyle em quarenta e dois minutos. Você sabe que eu não tolero atrasos.

— Sim, meu pai.


 

-~-


 

— Ele fez alguma coisa com você?

Apesar de estarem em um lugar escuro e de Severus estar pressionando os dedos com certa força em seus ombros, Lucius podia sentir que tanto o seu rosto, como seu tom de voz, tinham um toque de gentileza e de preocupação.

— Eu sei que essa situação está longe do que havíamos planejado para nós dois quando você entrasse, Severus, mas… 

— Não fuja do assunto. — Ele o interrompeu e apertou mais um pouco seu corpo. — Eu estou perguntando se ele fez alguma coisa com você. Me responda, Lucius.

O loiro quase soltou um risinho. Não porque a situação era engraçada, mas porque se sentiu com uma estranha nostalgia.

Foi como se estivesse voltando no tempo e invertendo os papéis, naquela época em que era ele a agarrar os ombros de um Severus de doze anos e pedir para que o menino fosse sincero com ele.

— Digamos que ele expressou sua insatisfação com bastante ênfase. 

— Ele cruciou você…?

Lucius não tinha olhado no seu rosto nem respondido suas cartas há quase duas semanas. 

Então, o moreno supôs que algo intenso deveria ter acontecido com seu amigo.

Havia acabado de ganhar a Marca Negra e, como todos os Comensais eram obrigados a presenciar a cerimônia, usou o momento para dar um jeito de puxar o loiro sorrateiramente para um canto abandonado do castelinho onde estavam.

Precisava entender o que estava acontecendo, mas Lucius não conseguiu responder sua pergunta. 

Porém, com suas pupilas se adaptando à falta de luz, Snape viu a resposta explícita na expressão que os olhos azuis faziam.

— Eu odeio Abraxas com toda a minha alma… — Rosnou para si mesmo e finalmente soltou o loiro, que deu risinho fraco e cruzou os braços.

— Você não é o único. Mas é melhor que nunca mais fale isso em voz alta, é capaz dele até te ouvir… Posso lhe afirmar que todos que sentem o mesmo, mas que agora descansam a sete palmos embaixo da terra, diriam que dá azar.

— Eu não tenho medo de Abraxas Malfoy, Lucius.

— Pois deveria.

O tom de voz de seu amigo foi imperioso, mas isso não mudaria o modo como se sentia, pois Severus não deixaria essa maldição atingi-lo mais uma vez.

O mundo estava fazendo de novo, estava querendo lhe afastar de novo das últimas únicas pessoas que ele ainda tinha consideração. Estava colocando na conta, claro, Narcisa também. Porque tinha certeza que se Abraxas proibiu Lucius de falar com ele, com certeza isso se estendia a sua noiva.

Mas não importava se o loiro tinha esse receio, Severus Snape não tinha medo de Abraxas Malfoy.

— No final dessa história, independente da participação do seu pai, foi o próprio Lorde quem me trouxe aqui. Desde que eu siga essa nova regrinha de me distanciar de você por enquanto, Abraxas não irá fazer nada comigo mesmo que queira. Está tudo bem, essa distância vai ser por pouco tempo.

O mais velho franziu o cenho, não entendeu o porquê, seu pai nunca daria para trás do nada.

— O que você está tramando, Severus?

— Me diga, Lucius… O que aconteceria se eu e Abraxas fôssemos convidados a nos sentar na mesma mesa pelo Lorde das Trevas?

— Meu pai seria obrigado a se comportar e falar com você, já que estaria na frente do Lorde… — Pausou por uns segundos e finalmente teve uma ideia do que o moreno podia estar pensando. Torceu ainda mais o rosto e piscou um pouco confuso. — Você não está falando do… 

— Do círculo interno? É óbvio que sim.

Seu amigo disse com tal segurança e naturalidade que ele teve que soltar uma risadinha meio incrédula. 

— Nenhum mestiço faz parte do círculo, Severus. Não funciona assim, é uma regra implícita. Você pode ficar para sempre bajulan… 

Eu vou chegar lá, Lucius, apenas espere uns meses. — Interrompeu e deu um passo para frente, se aproximando dele. — Eu sei que eu sou melhor do que muitos que se sentam lá. Eu vou fazer de tudo para chegar ao topo e você vai ver o momento em que eu vou me sentar ao seu lado e olhar bem nos olhos do seu pai. Eu vou ser tão importante para o Lorde, que Abraxas será fisicamente incapaz de negar nosso convívio. Diria até, que será incapaz de negar os meus comandos.

Aquilo que Severus falava parecia o mais puro delírio. 

Mas ele falou com tal confiança, que fez o sangue de Lucius ferver.

O modo como as palavras soavam, a certeza, a confiança, o poder.

Tudo.

Era louco como há alguns meses, ele era apenas um adolescente, mas agora o bruxo que via era com toda a certeza um homem completo, mesmo que ainda jovem. 

Era como um botão de flor, daquelas bem raras que só aparecem de tempos em tempos, que finalmente estava desabrochando. 

Pensou que talvez primavera fosse agora sua nova estação favorita.

Lucius acabou rindo de si mesmo, porque seus pensamentos estavam indo para caminhos que simplesmente não faziam nenhum sentido.

‘Que merda você está pensando, Lucius, Severus é um homem e não uma flor delicada.’

Respirou fundo, pousou a sua mão no ombro do outro e a apertou com segurança.

— Eu gosto da sua ambição e determinação, Severus. Sempre admirei isso em você. — Snape assentiu com um sorrisinho de canto.

— Nós estamos nisso juntos e vamos seguir juntos. Não é você mesmo quem sempre diz isso? Como poderia querer afirmar algo assim, sem contar que eu em algum momento também estaria no círculo interno?

Lucius deu um risinho, concordando com a cabeça.

Algo se aqueceu no bolso de Severus, ele tirou dali um pequeno relógio de mão, olhou as horas e o guardou de novo. 

— Eu tenho que ir agora, preciso encontrar umas pessoas. 

— Hm… — Levantou a sobrancelha e comentou provocativo. —  Como ele é ocupado agora, nem tem tempo direito para os amigos… 

Severus sorriu pela brincadeira, mas logo o rosto suave desapareceu e falou com um tom mais sério.

— É melhor que não nos encontremos por esse tempo, mesmo que seja assim às escondidas. É mais seguro para você se não arriscarmos. Em breve, voltaremos a nos ver melhor. — Tirou a outra mão do ombro de Lucius e se afastou.

O loiro precisou se conter um pouquinho para não impedi-lo, a falta que sentiu do calor daquela mão foi instantânea.

— Até logo, Malfoy. — Ironizou ao se despedir usando o sobrenome, o outro sorriu e fez o mesmo.

— Até logo, Snape.

Lucius viu Severus se virar e desaparecer apressado pelo corredor de pedra.

De novo, a falta que sentiu daquela presença foi instantânea.

Pensou que talvez devesse ter o abraçado ali. 

 


Notas Finais


se vcs odiavam james, por favor, utilizem todo esse odio pra odiar o abraxas agora


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