História Attraction or Love - Capítulo 79


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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camilacabello, Camren, Fifthharmony, Laurenjauregui, Romance
Visualizações 499
Palavras 4.128
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa noite pessoal, sei que falhei com vcs por demorar tanto para atualizar.
Peço desculpas por isso e vou tentar não cometer o mesmo ato futuramente.

Boa leitura a todos.

Capítulo 79 - Entre irmãs


Fanfic / Fanfiction Attraction or Love - Capítulo 79 - Entre irmãs

POV Camila

- KAKI? - Sofia me gritou e pelo ecoar de sua voz, ela já deveria estar na sala me aguardando. - Já estou pronta, vamos logo!

- Estou indo. - Informei ainda estando em meu antigo quarto enquanto terminava de pegar minha bolsa com meus pertences, e assim que tive certeza de não estar esquecendo de nada, andei apressadamente de encontro à minha irmã.

Já era quarta-feira daquela semana e a mais nova me fez prometer que a levaria para sair naquela tarde depois que a mesma terminasse seu trabalho do colégio. Sofia dizia que queria poder respirar um pouco de ar puro, pois se sentia sufocada em meio a tantos livros e cadernos.

- Já fechou tudo? - Perguntei para a mais nova enquanto guardava meu celular na bolsa e a colocava em meu ombro, mas só então encarei minha irmã.

Sofia Cabello estava com uma calça jeans escura rasgada em seus joelhos, tênis nos pés, uma blusinha preta um tanto quanto solta em seu corpo e a jaqueta de couro que a menor segurava em suas mãos a acompanhava juntamente de seu celular. Não me contive em abrir um sorriso ao vê-la vestida daquela forma, pois me lembrava um certo alguém que nesse momento estava longe de mim.

- O que foi? - Minha irmã me encarava com as sobrancelhas franzidas, formando um vinco entre elas. Sua breve carranca era adorável e fofa.

- Você está parecendo uma mini Lauren. - A mais nova soltou o ar pesadamente pela boca e revirou seus olhos dando-me as costas para andar em direção à porta.

- Só... vamos logo, ok? - Gargalhei com seu modo marrento e segui a menor saindo pela porta da frente a trancando logo em seguida.

Meus pais ainda estavam trabalhando e todas aquelas tardes agora eram acompanhadas de minha pequena irmã. O que eu não estava reclamando nenhum pouco de passar esses dias ali, apesar da mais nova estar agindo um tanto quanto diferente da última vez em que me lembro de passar tanto tempo em sua companhia.

Sofia parecia estar um pouco revoltada com sua vida pessoal, mas principalmente com os estudos. O que já era de se esperar, pois pelo que percebi nesses três dias ao lado dela, era que esse colégio exigia muito de cada aluno fazendo com que cada um deles desse o máximo de si a todo o momento, mas ao mesmo tempo em que obter conhecimentos tinha a sua importância, aquilo parecia estar impactando na vida da Cabello mais jovem e me preocupava.

Tentei arrancar informações para quem sabe tentar entender o que estava acontecendo, mas Sofia era esperta e sabia se esquivar perfeitamente de minhas perguntas invertendo a situação para outro assunto, porém eu pretendia ser persistente enquanto aproveitava aquela saída para persuadi-la.

- Pra onde quer ir? - Questionei a menor depois de um tempo dirigindo o veículo sem direção certa.

Lauren havia insistido para que eu ficasse com um carro deixando claro que para sua família ele não faria falta, então eu poderia me locomover para onde eu quisesse sem que eu precisasse ficar com o automóvel de meus pais, dando-me mais liberdade de ir e vir para onde eu precisasse. A morena tinha pensado em cada detalhe antes de sua partida e eu a agradecia muito por ela ser tão prestativa dessa maneira.

- À praia. - Sua resposta foi direta e simples enquanto a mesma continuava mudando as estações de rádio que soavam pelos alto-falantes espalhados no veículo.

- Deveria ter dito antes, assim poderíamos ter nos vestido adequadamente. - Encarei a mais nova a tempo de vê-la fazendo uma leve careta graciosa e logo voltei a prestar atenção no trânsito com um sorriso nos lábios.

- Só quero ver o mar de longe, sentada em algum quiosque. Não preciso mais do que isso. - Sofia finalmente se decidiu por uma rádio e ficou calada ouvindo a música que tocava.

- Tudo bem. - Respondi depois de longos segundos de silêncio.

Seguimos caminho apenas ao som da música que ecoava, Sofia ainda estava calada e quando minha irmã ficava dessa forma eu sabia que sua cabeça estava fervilhando em pensamentos. Exatamente como acontecia comigo.

Algo a incomodava e só me restava descobrir o que era.

Escolhemos uma praia tranquila, apesar de que em pouco tempo aquele lugar provavelmente estaria com uma multidão considerável grande devido ao calor daquele dia. Apesar de estarmos nos aproximando do fim do ano, Miami ainda reservava a maioria dos dias quentes para que os turistas aproveitassem sua estadia naquela cidade encantadora e acolhedora.

- Podemos pedir uma porção de batata, com bacon e cheddar? - Os olhos de Sofia sobre o cardápio mostravam o quanto a menor queria aquele alimento calórico e é claro que eu não iria negar nada à minha irmã.

- É claro que sim. - Deixei a critério da mais nova escolher o quiosque e a mesa disponível no local para nós acomodarmos. Queria deixá-la a vontade para que pudéssemos ter uma tarde agradável entre irmãs.

- Posso pedir uma bebida alcoólica para acompanhar? - Meus olhos que estavam sobre cardápio que eu segurava se arregalaram ao ouvir aquela pergunta.

- O QUE? - Perguntei espantada ainda a encarando por alguns segundos somente para ter certeza de que eu havia a ouvido certo. Sofia apenas me encarava de volta.

- Uma bebida alcoólica sabe? Aquelas que tem um líquido forte misturado com uma fruta que eu goste, gelo... - A cortei antes que terminasse seu raciocínio um tanto quanto sarcástico.

- Eu sei muito bem como é feito um drink Sofia, não precisa explicar nos mínimos detalhes. - Dobrei o cardápio o deixando sobre a mesa e apoiei meus cotovelos a encarando firmemente.

- Então porque fez essa cara de espanto como se não soubesse sobre o que eu estava falando? - Apenas uma sobrancelha estava arqueada, mostrando o quanto a garota estava confiante em suas palavras e debochada ao mesmo tempo.

- Apenas me surpreendi com seu pedido. Você é menor de idade e não deve ingerir nada alcoólico. - Sua risada soou baixa e em tom puramente irônico.

- Deixe de ser tão quadrada Kaki. - Sofia se recostou na cadeira deixando seu corpo relaxado. - É você quem tem que voltar dirigindo e não eu. - Minha irmã deu de ombros como se estivéssemos tendo uma conversa "normal".

- Sofia! - Chamei sua atenção por ela estar agindo de uma maneira totalmente estranha. Não era aquela a educação que nossos pais nos deram e confesso nunca tê-la visto agir daquela forma.

- O que? Acha mesmo que eu nunca bebi escondido de nossos pais? - Agora foi minha vez de arquear uma sobrancelha ao ouvir aquela informação. - Acha que nunca fui a nenhuma festa escondida na casa daqueles riquinhos? - Passei a mão por meu cabelo desacreditada por suas palavras. - Se nem você era tão certinha, não sou eu quem tem que ser a filha perfeita Kaki.

O clima pesou.

Sofia desviou seu olhar cruzando seus braços, ficando totalmente emburrada e chateada dessa vez e eu me sentia uma péssima irmã naquele momento.

Como fui capaz de deixar chegar àquele ponto?

Fechei meus olhos sentindo meu coração se apertar dentro de meu peito me sufocando de uma forma terrivelmente esmagadora. Talvez se todo o ocorrido com minha mãe não tivesse acontecido, eu teria sido um pouco mais participante na vida de minha irmã, mesmo que de longe, assim como éramos. Talvez nossa briga tenha afetado a mais nova de tal maneira que a mesma não deixava transparecer antes, mas que agora havia extrapolado seu próprio limite e ela mesma não conseguia mais guardar para si.

Mas do que adiantava eu ficar imaginando suposições cheias de "talvez", me lamentando e culpando pelo tempo perdido se agora eu estava ali e poderia quem sabe tentar reverter aquele quadro voltando a nossa convivência normal? Eu teria que mudar meu jeito de tratá-la para tentar entender o que estava acontecendo com minha irmã ou ela não se abriria comigo.

Voltei a encarar Sofia que ainda olhava para qualquer ponto que não fossem meus olhos e apenas para se certificar de que ela não os encontraria, a menor virou seu rosto para o lado. Peguei mais uma vez o cardápio em minhas mãos rezando internamente para que o clima se amenizasse e logo em seguida chamei pelo garçom que não demorou a se aproximar.

- Já decidiram o que vão pedir? - O rapaz parou a nossa frente tirando o bloco e a caneta de dentro do bolso de seu avental.

- Vamos querer uma porção grande de batata com bacon e cheddar e também dois mojitos. - O garçom que anotava os pedidos parou os movimentos no mesmo instante para me encarar com os olhos surpresos e quando percebi que ele iria dizer algo na intenção de me recriminar, eu mesma me adiantei. - Ela é minha irmã e eu sou a responsável por ela.

- Só não quero problemas senhorita. - O rapaz pareceu ponderar suas palavras antes de pronunciá-las.

- E você não terá. Eu posso lhe garantir. - Sorri em total convencimento, o que aparentemente havia dado certo.

- Mais algum pedido? - O rapaz voltou a terminar sua anotação no bloco.

- Por enquanto é só. - O mesmo maneou a cabeça concordando e se retirou nos deixando sozinhas.

- Porque fez isso? - A pergunta de minha irmã levou apenas alguns segundos para ser formulada, mas seu olhar era inquisitivo para cima de mim.

- Porque você não é mais uma criança Sofia. - Voltei a apoiar meus cotovelos na mesa. - Então não devo lhe tratar como tal. - Dei de ombros.

 -    Mas estava me tratando como uma há dois segundos atrás. - Sofia continuava com seus braços cruzados e com olhar de desconfiança.

- Apenas me referi que você não tem idade perante a lei para ingerir bebida alcoólica. - A Cabello mais nova também apoiou seus cotovelos na mesa. - E se quer beber, melhor que seja em minha companhia. - Minha irmã curvou seu corpo para ficar mais próximo ao meu. A pequena estava achando estranha minha atitude.

- Devo me preocupar em você querer algo em troca? - A mais nova semicerrou o olhar em minha direção.

- Não. - Neguei com a cabeça.

- Que bom. - Um pequeno sorriso fez parte de se rosto. - Eu nunca tomei um mojito. - Sua postura voltou a ser a mesma de antes enquanto concluía seu pensamento mudando totalmente de assunto.

- Essa bebida foi originada em Cuba e você deveria saber disso. - Abri minha bolsa retirando meu celular de dentro o colocando sobre a mesa.

Sofia e eu demos início a um assunto amigável e pacífico, o clima tenso de antes pareceu não existir dando lugar a um ambiente agradável e assim que a porção foi colocada à mesa junto da bebida, a mais nova apreciou do líquido e sua primeira sensação era de refrescância. Minha irmã não deixou de ressaltar o quanto havia gostado e queria repetir.

Passamos por alguns assuntos desde como estava o andamento da reforma e tudo o que pretendíamos implementar na galeria/escola, que até então estava apenas no papel, até o assunto de como estava meu convívio com nossa mãe depois de todo nosso "assunto" resolvido. Só então, depois de algum tempo eu finalmente havia conseguido entrar no tema que eu tanto desejava tratar com a menor.

- Eu estou conseguindo uma média muito boa em todas das matérias. Eu me esforço pra isso, os professores exigem muito de nós e apesar de eu entender o lado de sempre querer manter o padrão alto de ensino, eu odeio aquelas aulas de laboratório Kaki. - Sofia confessou em meio ao assunto que havíamos iniciado sobre seu colégio novo. Eu queria começar aos poucos para entender o ponto exato em que ela não estava se sentindo confortável. - Não me leve a mal, mas ficar misturando aqueles líquidos de cores diferentes não vão me levar a nada. - A menor agora parecia um pouco irritada, tanto que o guardanapo de papel que até então estava tomando formato de um origami, foi amassado repentinamente.

- Mas você precisa conhecer todos os componentes e suas reações. - Respondi como se fosse óbvio o aprendizado de tal matéria.

- Pra que? O que isso vai acrescentar na minha vida? - Revirei meus olhos perante sua total falta de interesse. - E o meu parceiro de bancada ao invés de me deixar quieta para prestar a atenção na aula, só sabe me lançar uma cantada pior que a outra a cada dia que passa. - Arqueei uma sobrancelha em surpresa e abri um sorriso involuntário. Minha irmã realmente estava crescendo rápido e eu estava perdendo toda a parte de sua adolescência.

- Está de namoradinho Sofi? - Peguei meu copo que continha a bebida para solver um generoso gole da mesma enquanto a menor me olhava desacreditada por minha pergunta. - O que foi?

- Jimmy é um babaca. - Sua pronúncia soou firme. - É apenas mais um riquinho chato dentro daquele colégio. - Ela parecia irritada.

- Você não pode julgar as pessoas pelo que elas têm Sofia, primeiro você tem que estar disposta a conhecê-las. Conclusões precipitadas não costumam dar muito certo. - Agora foi a vez da menor revirar seus olhos perante ao meu conselho.

Ficamos em silêncio por alguns instantes e o celular de minha irmã começou a vibrar sobre a mesa, aparentemente ela estava recebendo mensagens de alguém que queria insistentemente falar com ela.

- Alguém deve estar muito querendo falar com você. - O aparelho não parava de vibrar e só então a mesma o pegou na mão e soltou o ar pesadamente pela boca quando abriu as mensagens.

- É o grupo da sala falando sobre a festa nesse final de semana na casa do Jimmy. - Minha irmã sequer pareceu dar bola para aquele assunto travando o aparelho e o deixando em cima da mesa novamente.

- Parece que você na está tão entusiasmada assim. - Sua careta em resposta a minha pergunta foi graciosa, porém quando seu celular vibrou novamente, ela o pegou fazendo o mesmo processo de abrir as mensagens, porém dessa vez um pequeno sorriso brotou em seus lábios.

Achei aquele ato um tanto quanto estranho, pois ao contrário de segundos atrás ela estava respondendo aquela mensagem e minha curiosidade agora falava alto para querer saber quem era. Esperei pacientemente por alguns minutos incansáveis Sofia terminar de falar com quem quer que fosse, mas o que eu não pude deixar de notar era que o sorriso em seu rosto era contido e momento ou outro a menor mordia seu lábio inferior parecendo estar nervosa e ansiosa com a pessoa que estava do outro lado.

Quando minha irmã resolveu encerrar o assunto e me encarar de volta, suas bochechas ruborizaram no mesmo instante, como se ela tivesse se esquecido completamente de minha presença ali.

- A conversa parecia estar interessante. - Resolvi cutucar a onça com vara curta para ver se a mesma me dizia algo. - Se quiser continuar... - Deixei o assunto ficar subentendido.

- Hã... - Minha irmã estava pensando em sua resposta e ela nunca fazia isso. Sofia era o tipo de pessoa que tinha uma resposta para tudo em qualquer momento bem na ponta de sua língua e que não perdoava a outra pessoa com suas palavras diretas. - Era a irmã do Jimmy. - Suas bochechas conseguiram ficar ainda mais rosadas e eu achei uma graça, mas ao mesmo tempo estranho.

- E o que ela queria? - Apoiei meus braços na mesa esperando que minha irmã me respondesse, porém ela parecia acanhada demais para tal ato.

- Ela quer saber se eu vou à festa. - A pequena Cabello agora não encarava meus olhos, ela estava me escondendo algo e agora eu tinha certeza disso e mais do que nunca queria saber.

- E o que você respondeu? Ficaram por minutos conversando. - A vi engolir em seco.

- Eu disse que talvez a mama não deixaria, mas que eu iria tentar. - Sofia começou a brincar com outro pedaço de papel para disfarçar seu nervosismo.

- Você não parecia querer ir à há cinco minutos atrás, mas agora quer? - Ergui meu copo na direção do garçom fazendo sinal para que ele trouxesse mais dois mojitos.

- Chloe soube ser bem convincente. - Seu sorriso foi contido e totalmente tímido.

- Ela é do mesmo colégio que vocês? - Eu estava curiosa para saber quem era aquela garota que estava arrancando sorrisos de minha irmã.

- Ela e Jimmy são irmãos gêmeos. - Abri levemente minha boca em total surpresa com aquela informação.

- Eu posso falar com a mamãe se quiser. - Percebi o quanto Sofia havia ficado entusiasmada com as mensagens da garota e eu iria ajudá-la com aquilo.

- Sério? - Seu sorriso foi grandioso, como há muito tempo eu não o presenciava.

- Lauren vai vir no fim de semana, então nós podemos te levar e buscar nessa festa sem problema algum. - Novas bebidas foram colocadas a nossa frente.

- Eu ficaria feliz se fizesse isso por mim. - Será que minha irmã estava gostando dessa garota? Pois não teria outra explicação para toda aquela animação.

- E você e a Beth, como estão? - Minha pergunta foi feita bem no instante em que Sofia estava tomando sua bebida. A mesma engasgou com o líquido pela forma como meu questionamento soou em tom de um relacionamento entre as duas.

- Que tipo de pergunta foi essa? - Minha irmã me questionou assim que se recuperou de suas tosses incessantes.

- Só quero saber como está a amizade vocês, afinal estão em colégios diferentes agora e sempre foram tão ligadas. - Dei de ombros com aquela pergunta um tanto quanto inofensiva a princípio.

- Estamos bem. - Sofia não parecia estar dizendo a verdade, mas quando a menor respirou fundo e me encarou, eu sabia que ela iria soltar alguma informação. - Na verdade não estamos nos vendo muito por causa das minhas horas de estudo, mas as poucas vezes que saímos juntas sempre acontecia da Chloe estar no mesmo lugar que nós, então ela sempre vinha falar comigo e acabava "estragando" o nosso passeio. - A menor usou aspas com as mãos. - A Beth não gosta dela.

- E como você sabe disso? - O assunto estava começando a ficar interessante com minha irmã se abrindo daquela forma e principalmente me contando sobre o envolvimento duas garotas em sua vida.

- É óbvio que a Beth tem ciúmes de quando a Chloe está comigo. Consigo enxergar isso nos olhos dela e no jeito como ela age. - Eu estava tomando coragem para fazer uma pergunta e não poderia demorar muito ou ela iria embora.

- Sofi, eu quero te fazer uma pergunta e gostaria que fosse totalmente sincera comigo, ok? - A menor encarou meus olhos e percebi um leve tremor interno através dos seus castanhos. A mais nova pareceu engolir a saliva com certa dificuldade enquanto me aguardava. - Você me contou no fim do ano passado que você e a Beth se beijaram. Se lembra? - Sofia maneou a cabeça afirmando, porém visivelmente com medo do que estava por vir. - E isso veio a acontecer novamente?

Silêncio.

Por alguns instantes foi tudo o que eu obtive de minha irmã. O mais absoluto silêncio de uma pessoa que normalmente não parava de falar um minuto sequer, mas que naquele momento estava pensando e ponderando a resposta que me daria.

- Aconteceu mais algumas vezes. - Sua voz soou tão baixa que tive que curvar meu corpo para frente na intenção de ouvir melhor suas palavras.

- Uou! - Respondi ainda estando na mesma posição depois de alguns segundos que fiquei processando sua resposta. - Algumas vezes, quantas? - Voltei a minha posição normal na cadeira e tomei novamente um gole da bebida, eu precisava dela naquele momento.

- Eu não contei quantas vezes, mas sei que foram várias. - Abri um sorriso ao ver como minha irmã estava nervosa e até envergonhada por me contar aquilo.

- E porque nunca me disse nada? Você sabe que poderia ter me contado, não sabe? - Vi medo em seu olhar.

- É complicado Kaki. - Sofia fez uma expressão de serenidade. - Tinha toda a sua história com a mama e eu não queria ser mais uma "decepção" pra vida dela. Não que eu já não saiba o que eu quero e irei lutar por isso, mas eu não queria que tudo se complicasse ainda mais naquele momento. - A menor se expressou com os dedos em parte da explicação. - E também é sempre a Beth quem tem a iniciativa de me beijar, eu apenas a tenho como amiga. Não consigo sentir nada mais que isso, me entende?

- Entendo perfeitamente. - Meneei a cabeça afirmando, porém triste de minha irmã não corresponder os sentimentos de sua amiga. - Mas e essa outra garota, a Chloe? O que você sente por ela?

- Minhas mãos suam e sinto um frio na barriga quando ela chega perto de mim ou até mesmo quando recebo uma mensagem. - Voltei a abrir um sorriso ao ouvir aquelas palavras.

- Esqueceu de acrescentar o sorriso bobo. - Apontei para o rosto de minha irmã, cujo externava um curvar de lábios acanhado.

- É... Tem isso também. - Sofia apontou para si mesma e soltou uma pequena gargalhada em nervosismo.

- E ela também gosta de garotas? - Seu sorriso sumiu.

- Isso eu não posso dizer, mas com certeza ela me trata de uma forma diferente das demais meninas da nossa sala. - Franzi meu cenho sem compreender muito bem o que ela queria dizer com aquilo.

- E que formas diferentes são essas? - Apoiei minha mão no queixo encarando fixamente Sofia.

- Ela é um tanto quanto protetora demais comigo. - A menor me encarou e eu fiz um gesto com a mão para que prosseguisse. - Chloe sempre implica com as outras garotas que começam a fazer piadinhas comigo e quando isso acontece dentro da sala, ela sempre acaba passando o intervalo comigo somente para ter certeza de que ninguém irá me importunar. - Franzi meu cenho agora preocupada com aquela informação, mas não tive tempo de lhe questionar sobre, pois minha irmã continuou seu pensamento. - Até mesmo quando o irmão dela está dando em cima de mim, Chloe o afasta. Somente no laboratório que ela não consegue estar por perto de nós que é onde Jimmy se aproveita, mas eu já me acostumei com ele e posso lidar com isso. - Sofia revirou seus olhos provavelmente se lembrando de alguns acontecimentos. - Também tem a parte de quando ela falta à aula. - Seu sorriso voltou a ser sincero e seus dedos começaram a se entrelaçar em nervosismo. - Ela poderia pegar a matéria com qualquer outra pessoa ou até mesmo com seu irmão, mas ela sempre vem até mim e pede para que eu a ajude com a explicação.

- Você gosta dela. - Soltei em meio a minha conclusão.

- Eu ainda não sei... - A cortei.

- Isso não foi uma pergunta Sofi e sim uma afirmação. - Vi a menor engolir em seco. - Todo esse seu comportamento mostra claramente o que você sente por essa garota.

- Eu vou magoar a Beth. - Suas palavras soaram com um sentimento de tristeza e dor.

- Nem sempre podemos corresponder aos sentimentos na mesma intensidade e você precisa aprender isso. - Segurei sua mão por cima da mesa. - Mas saiba que se a Beth gosta mesmo de você, ela irá querer a sua felicidade, mesmo que para ela seja doloroso demais deixar você seguir seu caminho com outra pessoa que não seja ela.

- Mas eu tenho medo de acabar destruindo a nossa amizade. - Seus olhos lacrimejaram e senti pena por minha irmã estar passando por aquele conflito interno.

- Pode ser que no começo o convívio fique estranho entre vocês e pareça que tudo vai desmoronar, mas a verdade é que você vai precisar dar espaço para que Beth entenda o que está acontecendo com ela mesma, para que depois ela consigo se recompor emocionalmente podendo lidar com toda essa situação. - Sofia limpou o canto de seus olhos e respirou profundamente. - Esses sentimentos não correspondidos são mais comuns de acontecer do que você pensa.

E novamente o silêncio havia tomado conta de pequeno espaço que ocupávamos naquele quiosque. Sofia parecia perdida em seus pensamentos, mas aparentemente um pouco mais aliviada por ter conseguido se abrir comigo conseguindo expor um pouco do que estava sentindo.

- Agora me conta. - A menor voltou a me encarar e dessa vez eu provavelmente carregava uma carranca. - Que tipo de piadinhas estão fazendo com você no colégio?

Sofia abriu um sorriso pela minha abordagem como irmã super protetora naquele momento. Agora eu queria saber de tudo o que estava acontecendo na vida da menor e não me cansaria de questioná-la até que me contasse o último detalhe.

Aquela conversa ainda iria ser longa.





Notas Finais


Para quem quiser me seguir no tt.
@5hLovelgirls


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