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História Aura - Capítulo 1


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Notas do Autor


Fic para a #TagDaEscrita, dedicada a @mafyunx (´▽`ʃ♡ƪ) Será uma short-fic, a qual eu espero ter somente dois capítulos (eu já escrevi o roteiro dos dois, então fé no Pai)

Espero que gostem!

Capítulo 1 - Schwarz


Me chame de maluco, mas eu enxergo a aura das pessoas.

Ok, talvez essa não tenha sido a melhor maneira de  se começar essa história. Permita-me tentar novamente...

Desde que me entendo por gente eu consigo... Ver, a aura das pessoas, se deseja saber, elas são coloridas, cada uma tem sua cor especial. Algumas uma única cor, outras inúmeras cores, suas palhetas particulares. Toda vez que me encontro com alguém eu vejo essas cores em minha mente, cada uma carrega uma sensação.

Isso é outra coisa que não sei explicar ao certo como funciona, mas seria mais ou menos assim... Quando conheço uma pessoa nova, e me concentro bem, eu vejo as cores que ela possui e como estão distribuídas, umas mais que as outras, algumas apenas pontinhos minúsculos perdidos em meio a cor padrão. E quando percebo, essas mesmas cores me dão sensações, elas têm significados, que remetem a personalidade da pessoa.

Quando aprendi como tudo isso funcionava foi um alívio dos grandes, me ajudou muito durante toda a minha vida. Eu sempre estive um passo a frente, sabia o que a pessoa estava sentindo, o que ela esperava ouvir baseada em suas expectativas. Era fácil demais. E assim eu fui me moldando ao redor dos meus conhecidos, me adaptando a cada situação.

Vou utilizar meus amigos como  exemplo, para que entenda melhor.

Urata. Eu o conheci ainda na escola, assim que o rapaz de estatura média, cabelos castanhos claro e olhos verdes deu o primeiro passo dentro daquela sala foi como se ela tivesse sido inundada por uma floresta densa e verde. Sua aura era sufocante de um tom verde escuro, imagine que está no meio de uma floresta, sem caminho para seguir, sem saber onde ir, com as folhas úmidas balançando à brisa ao seu redor.

Isso tudo, meus caros, eram os gritantes sensos de responsabilidade e justiça. Se dependesse de mim, eu jamais teria feito amizade com ele, mas Sakata era um amigo em comum e acabei me aproximando. Quanto mais tempo eu passava com ele, melhor eu conhecia sua aura. Ele era do tipo que uma cor majoritária escondia as outras ali no meio. Sua aura, além de verde escuro, continha dois tons de amarelos. Um queimado, meio escuro, que lembrava o miolo de girassóis, e um amarelo mais claro e presente, como as pétalas da mesma planta.

Essas cores, logo descobri, demonstravam o quanto ele se importava com os que amava e sua alegria única. O amarelo queimado era bastante presente quando ele se preocupava conosco e buscava entender se tinha algo de errado, o amarelo claro aparecia quando ele estava tranquilo e apenas brincava conosco - devo admitir que era um tanto mais raro. O verde responsável fazia uma ótima combinação com o amarelo queimado, me dando a impressão às vezes de que ele era um segundo pai na minha vida.

E claro, não podemos esquecer de quem fez isso acontecer, Sakata. Ele foi o primeiro amigo que conheci, ainda no ensino fundamental, e devo dizer, sua aura é um completo caos de vermelho. Eu carinhosamente gosto de o chamar de "50 Tons de Vermelho". Tem desde aquele vermelho clarinho, beirando o rosa, àquele vermelho intenso, saturado, que dói os olhos.

Como sua aura é bastante complicada, eu me fixo nos três vermelhos mais presentes.

Vermelho coral, este é reconfortante, aparece quando tenho a certeza de que Sakata não me deixará para trás, é a lealdade desse meu amigo e do quanto ele se importa com suas amizades, sendo capaz de ir para a guerra se for necessário. Mas não se deixe enganar pelo conforto, não é algo tranquilizador, é algo que te faz querer fazer algo. Um conforto enérgico, onde você quer mesmo ir pra guerra e parece não pensar no que está fazendo.

Vermelho carmesim, o normal de seu dia a dia. É a energia, o ativismo, a inquietude. Quem precisa de café quando se tem um amigo desses? Toda vez que me sinto meio para baixo, busco a companhia de Sakata, rapidamente me sinto revigorado e pronto para fazer o que for.

E por último, o vermelho saturado. Sabe, aquele que você vê nos sinais de trânsito, nas placas de perigo, nas luzes neon. Essa é a forma da aura de Sakata me avisar que talvez não seja o melhor momento para acreditar em tudo o que ele diz. Não, não estou falando de raiva, raiva tem outra cor, estou falando de paixão, de intensidade, de perigo. Sakata tem horas que fica intenso demais e quando se apaixona por algo, seja pessoa ou não, ele não tira a cabeça daquilo por semanas e cai com tudo pra dentro. Chega a ser, literalmente, perigoso.

Por mais que eu ame Sakata e seja meu amigo de longa data, tem horas que ele me desgasta, fico cansado por ele. Então, é a hora em que busco o colo de meu querido Senra.

Conheci Senra um ano antes de conhecer Urata, e sua aura amarela misturada com verde foi um alívio na minha vida intensa ao lado de Sakata. Sua palheta de cores, como deve ter percebido, era parecida com a de Urata, mas estava longe de ser a mesma coisa.

O amarelo de Senra era prioritário. Era um amarelo claro, pastel, quase transparente, lembrava raios de sol em um campo à tarde. Era reconfortante e me trazia paz. Por sua vez, o verde também era claro, claríssimo, e era em pouca quantidade, lembrava a grama onde me deitaria para dormir tranquilamente aquele dia. Ah... Chega respirava melhor quando Senra estava por perto.

Porém, tudo que é bom dura pouco.

Quando entramos no ensino médio, Senra conheceu Shima e ambos começaram a namorar, logo, perdi meu campo ensolarado particular. Tinha de me contentar com o vede preocupado de Urata - o que não me alegrava tanto.

Shima, como devem estar querendo saber, tinha uma aura fria. Era composta por tons de roxo e azul que se mesclavam, formando um dragadê interessante. À princípio, o roxo me barrou um pouco, foi como um aviso, me dava a sensação de alguém tímido e observador, com alguns tons de paciência. Com o passar das semanas, o resto das cores foi se mostrando, abaixando a barreira da timidez, liberando o azul melancólico e caridoso. Um azul forte e escuro que me trazia a sensação de estar dormindo. Gostei de Shima.

E agora você tem uma ideia melhor de como eu funciono, de como minha vida funciona. Eu noto a aura da pessoa, me certifico do que aquilo significa, e a utilizo ao meu favor, ou apenas crio uma rota para não estragar as coisas. Por exemplo, se eu não soubesse da aura vermelha e estranha de Sakata, seria bem capaz de termos iniciado várias brigas e discussões sem necessidade, mas eu estava sempre preparado para suas bombas.

Meu poder foi meu ponto de apoio durante toda minha vida.

Até que ele apareceu.

- Soraru, este é Mafuryu de quem eu tinha falado para vocês. - Sakata me apresentou um garoto alto e magro, de cabelos louros e olhos vermelhos. -  Mafu, este é meu melhor amigo, Soraru.

- Prazer em te conhecer, Soraru. - ele fez uma pequena reverência.

Mafuryu era um nome conhecido dentro da nossa roda de conversa. 

Sakata era jogador profissional, começou essa jornada no terceiro ano do ensino médio - o ano em que Urata quase perdeu a cabeça e Sakata mal deu atenção, eu disse que ele era apaixonado - e ela perdurou até os dias de hoje. Na internet, ele conheceu Mafuryu, outro jogador profissional. Ele não parou de falar no mesmo durante semanas.

No domingo, haveria um campeonato regional do tal jogo que eles amam tanto, ambos resolveram formar uma dupla e irão competir. Mafuryu reuniu alguma grana e conseguiu pagar a viagem para nossa província, sabíamos que ele estava vindo e estávamos bastante ansiosos com tudo que poderia acontecer.

Para uma boas-vindas de qualidade, resolvemos que iríamos sair para jantar na pizzaria famosa da cidade aquela noite, tínhamos apenas uma semana com Mafuryu e estávamos conscientes do quanto Sakata gostaria de aproveitar o máximo.

E estava tudo bem, até que o vi pessoalmente.

Eu não conseguia enxergar cor alguma.

Não tinha notado o quão perdido tinha ficado em meus pensamentos, somente fui voltar à realidade quando Sakata pigarreou alto, percebi que Mafuryu ainda estava abaixado, esperando por uma resposta.

- Ah, sim, claro, o prazer é todo meu. - devolvi a reverência ainda um pouco tonto.

- Ótimo, vamos entrar, então? Os meninos devem estar esperando. - os dois passaram direto por mim e pela porta, indo se encontrar com o resto do pessoal.

Quando senti Mafuryu tão perto, arrepiei, eu estava realmente confuso e me sentia mal.

O que tinha de errado com ele? Ou comigo?

Sem poder fazer muita coisa, os segui até a mesa.

Queria me perder nos campos ensolarados, mas Shima estava sentado ao lado de Senra que estava entre seu namorado e Urata. Tive de me sentar ao lado de Urata, pois a energia de Sakata não era o ideal agora e Mafuryu... Não tinha nada a me oferecer.

A conversa seguiu normalmente, com todos falando sobre a novidade que era a chegada do novo rapaz, do que eles esperavam do campeonato, o que Mafuryu estava achando da cidade, toda aquela velha história.

Estranhamente, eu não conseguia falar nada. Eu não era extrovertido, pelo contrário, mas conversava muito bem, especialmente devido as habilidades que já comentei com vocês. No entanto, quando pensava que teria de responder Mafuryu em algum momento, isso me dava calafrios, o que ele esperava de mim? Eu não conseguia saber.

- Soraru, está tudo bem? - Urata perguntou baixinho para mim, enquanto os outros estavam ocupados demais rindo. - Parece que está se sentindo mal, quer que eu te peça uma água? - Ah, Urata e sua floresta.

- Está tudo bem, Urata, só estou me sentindo um pouco tonto, obrigado. - fui firme em minha voz o máximo que pude, procurando que ele acreditasse na minha óbvia mentira.

O novato, diferente de mim, parecia estar totalmente confortável com a situação, demonstrando ser uma pessoa realmente extrovertida e de fácil amizade. Seria isso uma característica laranja? Eu já tinha presenciado em pessoas com essa aura. Mas então, por que eu não conseguia ver? Nem ao menos sentir...

- Soraru, perdeu alguma coisa? - era Sakata quem perguntava.

Eu devia estar encarando o rapaz há muito tempo e isso alertou os outros integrantes da mesa, balancei a cabeça e murmurei qualquer coisa. Droga, resposta errada.

Sakata me olhou confuso, como se não me conhecesse, realmente, eu teria dito uma resposta alta, convicta, era força que ele esperava de mim. Devo ter sido atingido pela aura roxa de Shima e não percebi.

Ou pode ter sido Mafuryu, ele pareceu um pouco acanhado no início, talvez tenha ocorrido o mesmo agora. Ah, mas isso é uma resposta comum de qualquer pessoa quando alguém lhe falta com respeito assim, certo Soraru?

Minha cabeça estava me deixando tonto e enjoado. Queria poder deitar e dormir.

- Soraru... - Urata notou isso. Sua aura começou a mesclar com o marrom preocupado e se eu não saísse dali, era capaz de começar a chorar do nada.

Me levantei abruptamente, pegando minhas coisas.

- Com licença, mas... Receio que tenho de ir, sinto muito, mas não me sinto muito bem, por favor não se preocupem comigo, irei para casa descansar um pouco. Novamente, perdão pelo incômodo.

Com sorte, teria respondido a todos ali. 

Quando estava quase indo embora, Mafuryu se apressou e disse que esperava que eu ficasse melhor logo e que eu não me preocupasse.

Travei um pouco com aquelas palavras, sem poder me demorar muito, fui para fora do estabelecimento e chamei um uber.

O que estava acontecendo comigo?

[§]

Acordei no dia seguinte com a campainha do apartamento soando repetidamente. Vesti meu roupão azul e me arrastei até a porta.

Antes mesmo de abri-la eu já sabia quem era.

- Mano, tu 'tá bem?

- Bom dia, Sakata, entra. - dei espaço para que ele passasse e o mesmo entrou, com passos duros.

- Me responde, eu ia te mandar mensagem ontem à noite, mas Urata me avisou que você poderia estar dormindo e tals. Eu sei que você já é adulto e eu não deveria ficar em cima de você como se fosse seu pai, mas...

- Sakata, eu estou bem, sério. Olha, eu já estou de pé, pronto para a ativa. - o que não era completamente mentira, tendo em vista que o 50 Tons de Vermelho já começava a fazer efeito.

- Ah, me desculpa por não ter percebido que você 'tava mal.

- Relaxa, Sakata. Está tudo bem, foi só um mal estar passageiro. Quer café? - perguntei, já indo em direção a cozinha.

- Ah, se você insiste. - esse era meu amigo.

Enquanto pegava os utensílios necessários, ele se sentou ao balcão pronto para iniciar um novo tópico de conversa.

- Quando você saiu continuamos conversando, né. Aí a gente resolveu que ia marcar uns rolê e tudo, sabe, pra aproveitar o tempo que temos com o Mafuryu aqui na cidade, eu não queria que ele ficasse bitolado com o campeonato e tals, então pensei em algo que não lembrasse muito nosso jogo, mas não sabia ao certo o que fazer, então a gente resolveu...

- Ir ao shopping bater perna e ver no que que dá. - dizia de costas para ele, fazendo meu serviço.

- Caramba, leu minha mente. - eu sempre li. - Bem, é isso mesmo, você vem, né?

- Claro, amanhã eu estarei livre certeza.

- Ah... Na verdade... - sua voz vacilou. - É hoje à tarde.

Me virei rapidamente para ele, perplexo.

- É que a gente marcou isso sem você presente, então, desculpa! Mas se não puder ir não tem problema, a gente...

- Não. - eu o interrompi. - Eu vou, sabe que não tenho nada para fazer. - ele respirou aliviado.

Voltei a minha tarefa enquanto Sakata tagarelava alguma outra coisa.

Não que eu realmente ficasse incomodado com eventos marcados em cima da hora, mas não me sentia fielmente pronto para encarar Mafuryu novamente. Não sabia o que tinha acontecido ontem e muito menos o que aconteceria hoje à tarde.

Servi o café de Sakata e o meu. Minha caneca favorita esperava todos os dias em cima da bancada.

Ao som de meu amigo falando sobre as novidades no mundo dos jogos, minha mente se concentrava em como eu ia passar uma tarde toda ao lado de Senra.

 



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