História Áureo - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Doyoung, Jaehyun
Tags Dojae, Era Vitoriana, Fluffy, Jaedo, Jaeyoung
Visualizações 14
Palavras 4.981
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, eu podia estar matando, roubando, mas em vez disso estou humildemente postando mais uma história.
Dojae é inspiração, irmãos.

Olha, posso explicar um pouco só pra vocês capitarem melhor.
Eu imaginei como seria jaedo numa fanfic de época. E como a era vitoriana é linda e maravilhosa eu pensei, porque não?
Então estamos aqui, eu devo dizer que não vou me aprofundar em alguns pontos, como por exemplo, como eles que são coreanos foram parar na Inglaterra. Mas não tem muita importância, de qualquer forma.
E outra é que as ruas são imaginárias ok, eu criei. Então se vocês forem para Londres um dia NÃO SE BASEEM NISSO AQUI obrigado uhmm
Gente, esse modo de falar da época é muito wonderful nossa.
É uma história curta e soft viu

Boa leitura e me desculpa se virem algum erro vergonhoso de ortografia~
Sempre deixo passar.

Capítulo 1 - I


Quando o mistério é muito impressionante, não ousamos desobedecer.
— O Pequeno Príncipe

 

Bridge Street, Londres - Inglaterra
1838

 

6 meses antes

Do lado de fora do lugar, os poucos pedestres que por ali passavam conseguiam ouvir o barulho que vinha de dentro. Vozes altas denunciavam que a jogatina animava os clientes, a bebida também. E muitas risadas, sorrisos alegres típicos de gente que não tem um problema sequer na vida e pode achar graça em tudo.

Sorrisos que apenas os ricos davam, pensava Doyoung, que do lado de fora num canto mal iluminado, espreitava. Atento à saída de alguns, esperando o momento certo. E claro, a pessoa certa.

Não poderia abordar qualquer um, ainda que a maioria saísse tão bêbada que tinham capacidade de tropeçar nos próprios pés, e que a St. Bridge estivesse praticamente vazia. Não tinha uma estrutura corporal firme para abordar qualquer pessoa, se quisesse tentar a sorte com alguém de estatura forte, acabaria dando-se mal. E por ser uma rua pequena, escondida e um tanto perigosa, haviam guardas em alguns pontos, com seus cassetetes e, se fosse muito azarado, suas armas. Precisava somente ter paciência e um raciocínio rápido.

Suas pernas já estavam cansadas e o olhar menos desatento, quando quase uma hora depois de ter chegado, finalmente avistou o alvo perfeito. Um garoto que parecia estar em sua mesma faixa de idade. Magro, andava meio desengonçado pelo meio fio, a roupa social e a cartola pequena sobre cabeça combinando, sozinho e provavelmente bêbado. Seus lábios se repuxaram para cima, num sorriso que estava longe de significar alegria ou prazer no que fazia.

Saiu de onde estava, do outro lado da rua, e atravessou-a apressado, olhando para todos os lados.

O outro rapaz caminhava devagar, meio tonto, murmurando coisas para si mesmo enquanto chutava pedras invisíveis na calçada. Não levava nada de valor nas mãos, nem em outro lugar que fosse visível.

Era quando Doyoung mais odiava.

Quando suas vítimas deixavam à mostra seus pertences, a única coisa que precisava fazer era correr apressado e arrancar de suas mãos, sumindo de vista tão rápido quanto apareceu. Mas em casos como esse, precisava abordar-los. E ele tinha medo, bem no fundo ele sentia muito medo do que poderia acontecer.

Tocou o pequeno canivete em sua cintura, apenas para certificar o que já sabia. Ele estava lá, mas odiava usá-lo.

Respirou fundo e continuou seguindo o homem distraído. Mais à frente havia um beco entre uma alfaiataria e a loja de perfumes, percebeu. Era o lugar perfeito.

Assim que a vítima se aproximou do beco, Doyoung correu e com força, empurrou-o para dentro. O rapaz não caiu, mas tropeçou totalmente tonto.

Doyoung encurralou-o e apontou-lhe o canivete.

— Esvazie os bolsos. — pediu apressado.

— O que é isso? — o outro garoto estava confuso, porém seu corpo alarmado demonstrava que ele poderia tentar se defender. Percebeu pelo modo como olhava do canivete em sua mão para seu rosto em pouco espaço de tempo.

— Eu mandei esvaziar os bolsos! Acha que tenho medo de machucar você? — tentou não deixar a voz tremer e continuou — Faça o que eu pedi e nada acontece.

O outro continuou parado com as mãos para frente do corpo, Doyoung exalou impaciente e aproximou-se mais, empurrou o rapaz contra a parede com o antebraço em seu peito e pressionou o objeto de ponta contra a garanta do estranho.

— Calma... — lentamente, o outro colocou a mão no bolso e retirou um saco pequeno de pano cheio de moedas e colocou em frente seu rosto. Lento demais. Doyoung estava ficando cada vez mais nervoso — É tudo que tenho.

Doyoung agarrou o saco rapidamente e com uma última olhada para o rapaz, saiu em disparada.

Ainda zonzo e assustado, o rapaz que teve suas moedas levadas correu na mesma direção. Não pensou nem um pouco, apenas fez.

A saída da rua ficava em outra direção, e sem saber para onde estava indo, seguia o indivíduo, este que em momento algum olhava para trás.

Teve sorte, muita sorte. Nem ao menos notou outra movimentação, quando um guarda seguiu os dois na corrida e chegou em seu encalço, claramente percebendo que havia algo errado.

— Eu fui assaltado! — gritou o menino e no mesmo instante o guarda pôs-se a correr atrás de Doyoung.

— Parado aí! — Doyoung ouviu atrás de si, arregalou os olhos e ao invés de obedecer, correu mais rápido ainda.

Sentia seus pulmões arderem com a falta de ar e as pernas tremerem. Não pararia, não podia parar.

Mas então ouviu o disparo , seus ouvidos chiaram e quase caiu quando freou com força. O guarda havia dado um único tiro para o alto, apenas para assustá-lo. E funcionou.

Virou-se a tempo de ver o guarda apontar a arma em sua direção e o homem que tinha assaltado aparecer correndo logo atrás do policial, colocando as mãos nos joelhos cansado pela corrida.

Mesmo que tentasse olhar para todos os cantos procurando uma saída, não tinha como fugir. Não com um revólver apontado para si.

— Muito bem, espertinho. — o policial se aproximou — Não é assim que as coisas funcionam. Erga as mãos e vire-se.

Com o coração acelerado, Doyoung levantou as mãos lentamente e virou-se de costas. A respiração descompassada e as pernas ainda trêmulas, com medo do que ele faria em seguida. Sabia o que acontecia com transgressores da lei, que toda a classe alta chamava de vagabundos. Eles sumiam sem motivos aparentes por aí, mas ele sabia que davam fim em suas vidas em nome da paz, era da rua também. Seu maior medo era ser silenciado neste instante.

— Você está preso por roubo, moleque. — o policial segurou suas mãos e tratou de algema-lo sem cuidado algum, puxando seus braços para trás com força.

— Ele tem um canivete. — ouviu-se o homem assaltado dizer.

Com um suspiro cansado, o oficial tateou seu corpo em busca da arma, puxando-a do cós da calça com um sorriso debochado.

— Se acha esperto, não? Vejamos como se sai na delegacia.

Doyoung não disse uma palavra sequer em todo o caminho. Uma carruagem da guarda noturna apareceu enquanto os três caminhavam até a delegacia. Sorte, disse o policial. Ambos subiram na mesma e os cavalos saíram em disparada pelas ruas de Londres.

O jovem assaltado relanceava seus olhos para Doyoung, ainda assustado, com medo de que ele pudesse fazer alguma coisa. Até mesmo sentou no assento contrário de si e do policial. Doyoung teria achado graça se não estivesse tão preocupado. Ele nem era tão assustador assim, mas gostou de passar isso ao outro.

Chegando ao pequeno prédio da delegacia, Doyoung foi empurrado sem gentileza para fora da carruagem, depois para dentro do prédio e logo em seguida, para uma cela pequena.

Havia outro homem lá, possivelmente o delegado da cidade. Corpulento e assustador. Doyoung não conseguia olha-lo nos olhos.

— Roubo, delegado John. — anunciou o Guarda, colocando o canivete sobre a mesa.

O delegado olhou do assaltante para a vítima, e reconheceu-o no mesmo instante.

Caminhou até a cela.

— Devolva o que roubou ao senhor Jung.

O rapaz citado não se surpreendeu ao ouvir seu sobrenome, mas ficou incomodado.

O garoto na cela fechou a expressão, e com desgosto, retirou o saco de moedas do bolso. Com mais desgosto ainda, entregou-o ao delegado por entre as grades da cela.

Droga. Ele sabia que havia um bom valor ali, tinha certeza que as moedas daquele estranho podiam lhe deixar fora das ruas atrás de outras vítimas por um tempo.

O delegado entregou as moedas para o dono, que pegou e rapidamente guardou-as de novo. Ele claramente não queria estar ali.

— Obrigado. — murmurou.

— Esse é o nosso trabalho. — o homem disse e caminhou até um outro policial, que vigiava a porta, e sussurrou algo em seu ouvido. O guarda assentiu com a cabeça e deixou o local. — Não se preocupe jovem Jung, não ficará impune o que esse bastardo fez. Agora, se você puder esperar um instante... quero garantir que saia em segurança. Está tarde.

O rapaz, Jung, encarou o homem com desgosto. Tudo isso era por seu sobrenome, por causa do pai que tinha um dedo em tudo que acontecia naquela cidade. Claro que este homem faria questão de mostrar ao pai que tinha feito um bom trabalho em relação ao seu filho.

Olhou para o garoto na cela e viu apenas a cabeleira negra apontada para todos os lados, enquanto sua cabeça estava recostada na grade, as mãos apertando as barras de ferro. Parecia desolado.

E quando ele levantou a cabeça e lhe encarou de volta, pôde perceber o quão miserável ele parecia. O rosto sujo e as roupas largas no corpo magro. Por um instante quase pediu para tirarem-no dali, mas ele era a vítima, não era?

Sem tempo para mais pensamentos, ouviu a parada de outra carruagem na frente, e logo em seguida a entrada de alguém. Seu pai entrou como um furação, agitando a sala pequena.

— Onde está meu filho?

— Está tudo bem, senhor Jung. Foi só um pequeno problema que já foi resolvido.

— Problema? Jaehyun foi atacado!

— Está tudo bem, pai — o filho se meteu na conversa — Foi só um susto.

O velho senhor suspirou.

— Eu resolvi tudo, e não se preocupe, nada do que esse bastardo fez ficará impune.

— Assim espero.

O filho do senhor Jung lançou um olhar de desinteresse para o delegado. Como se ele estivesse mesmo preocupado com seu estado. Tudo não passava de encenação já que seu pai tinha influência na economia de Londres, e dinheiro suficiente para que todos se aproximasse de sua família por interesse.

Senhor Jung se aproximou do, agora, prisioneiro, sua bengala batendo forte contra o piso enquanto ele se apoiava nela e o rosto retorcido por puro desagrado de ter sido tirado de seu conforto para se encaminhar àquele lugar. Doyoung sustentava o olhar do homem, lutando contra a vontade de abaixar a cabeça, envergonhado. Já estava ali, então seria preso - e Deus sabe o que mais - com seu orgulho intacto.

O senhor observou com uma sobrancelha erguida que ele também possuía traços asiáticos. Ironia, pensou.

— Fedelho. Podia estar trabalhando por aí, mas prefere roubar o que pertence ao próximo.

— Não me arrependo. — sua voz não vacilou e ele agradeceu aos céus por isso.

O homem riu e se afastou. Jaehyun, seu filho, engolia em seco o nervosismo. Não queria seu pai metido nisso.

— Quero que se certifique de que ele vai ter o que merece. — seu pai disse ao delegado — Faça-o se arrepender de ter se metido com alguém de minha família. — murmurou o final, mas foi possível para todos ouvir o que ele disse.

Quando o pai se aproximou do delegado, ambos engataram uma conversa cochichada, o restante no lugar apenas via meneares de cabeça e gestos escondidos com as mãos. Jaehyun não gostava nem um pouco quando as coisas chegavam a esse ponto, nada de bom poderia acontecer em seguida.

— Farei o que o senhor achar melhor.

— Papai, não é necessário... já disse.

— Ora, Jaehyun. Você é um frouxo, disso todos sabem. — o rapaz desviou o olhar do pai, mas encontrou o do outro jovem na cela e vacilou por um instante. — Além do mais, não é apenas por você. Isso vai evitar que ele faça outras vítimas.

— Mas-

— Agora chega. Me aguarde na carruagem, já estou indo.

Pensou por um instante se deveria mesmo ir, mas apesar de tudo, respeitava o pai. Então com um último olhar de raiva para o delegado, se retirou do local. Lhe foi mandado esperar, ele o faria.

Era o que sua mãe tinha orgulho; sua obediência e a vontade de sempre ajudar o próximo.

E mesmo que todos achassem que ele trazia desgosto ao pai por sair algumas noites e voltar bêbado, era o contrário. Isso mostrava para o matriarca da família Jung que seu filho não era delicado coisa alguma. Mas foi o que ouviu por muito tempo durante a infância de Jaehyun.

Já o mais novo queria mostrar ao pai que podia ser o que ele desejava.

Mesmo que tenha dormido de coração apertado quando, depois de virar para todos os cantos na cama, avistou o saco de moedas em seu criado mudo e teve a imagem do garoto de cabelos negros desolado naquela cela.

 

 

Jaehyun acordou antes de todos na casa, mal havia fechado os olhos. Levantou-se e procurou roupas simples e quentes, já que pela manhã fazia demasiado frio. Tinha uma rota certa em mente, quer dizer, sabia exatamente o que faria nas primeiras horas do dia. Procurou as moedas de ouro na caixa em que as guardava e contou, confirmando que havia o suficiente, em seguida coloucou as libras em uma bolsa pequena de couro.

O relógio apontava cinco de quinze da manhã. Desceu a escada sem fazer barulho e seguiu para a cozinha, sabia que Rose era a única acordada a essa hora.

— Bom dia. — murmurou e a senhora baixinha pulou de susto, com as mãos no peito.

— Que susto, menino... o que faz já de pé?

— Não consegui dormir bem essa noite.

— Isso é grave, devo preocupar-me? — Jaehyun não sabia se ela falava sobre ele dormir mal ou sobre já estar de pé. Sabendo do bom humor que ela exalava pela manhã, só podia desconfiar da segunda opção. Soltou uma risada.

— Não se preocupe comigo.

— Esse é o tipo de coisa que alguém como você nunca deve dizer — ela colocou o café sobre a mesa, depois pegou uma bandeja com bolinhos e tornou a voltar para a mesa — Sempre se deve estar preocupado com o que se passa nessa sua cabeçinha mirabolante.

Os bolinhos soltavam fumaça, e Jaehyun amou provar eles quentinhos. Era bem melhor do que comê-los horas depois. Isso o fez sentir vontade de sempre acordar cedo e fazer companhia à Rose toda manhã, mas era algo realmente difícil de se cumprir.

— Vai sair? — Rose perguntou.

— Sim.

— Tome cuidado, seu pai saiu furioso ontem, e voltou pior. Andando alcoolizado por aí... de novo. — ela o repreendeu.

— Foi só um susto, quantas vezes eu tenho que repetir?

— A senhora Youra não vai gostar nem um pouco de saber que você voltou a sair depois de ontem.

— Bem, não posso ficar trancado aqui para sempre. — levantou-se terminando de comer mais um bolinho e se adiantou para fora da casa, deixando Rose com um olhar de reprovação, mas um leve sorriso ao observar o quanto seu menino havia crescido.

Jaehyun pediu que Taylor preparasse a carruagem para saírem. O rapaz achou estranho, mas não contestou.

As ruas ainda estavam vazias, pela janela com a cortina aberta pela metade, Jaehyun podia ver os trabalhadores começando a abrirem suas lojas, o sol ao fundo estava quase totalmente dando as caras e a brisa que vinha do Tâmisa batia gelada contra seu rosto o deixando com as bochechas ruborizadas.

Em poucos minutos ambos estavam em frente a delegacia de polícia. Jaehyun respirando fundo, pedindo para que Taylor o esperasse do lado de fora.

Se não havia conseguido dormir bem, significava que esse era um assunto inacabado.

Assim que adentrou o lugar pequeno, avistou o delegado John, como se lembrava ser o nome. O homem o encarou surpreso e levantou-se.

— Outro problema logo pela manhã?

— Não há problema algum.

— Então...?

Jaehyun retirou o saco com moedas, dessa vez mais pesado que o da noite anterior. Olhou para dentro da cela e viu o mesmo rapaz que o havia ameaçado com um canivete sentado no chão. Sua cabeça estava baixa, apoiada nos joelhos dobrados e ele não parecia ter notado que alguém chegara, ou apenas não dava importância.

Voltou-se para o delegado, esperava estar fazendo a coisa certa.

— Quero retirar a queixa. Liberte-o.

Rapidamente o menino preso ergueu a cabeça e levantou do chão, dessa vez prestando atenção na conversa.

— Não posso. Seu pai foi devidamente claro quanto ao que fazer com ele.

— Quanto ele pagou? — foi direto, surpreendendo o homem — Diga quanto e eu pago o dobro.

— É uma proposta realmente tentadora, mas devo dizer que seria um grande prazer ensinar bons modo à ele — apontou com a cabeça para o detento.

Doyoung desviou o olhar do delegado, havia escutado o que pretendiam fazer consigo. Não eram coisas boas.

— Ora vamos. Eu tenho bastante dinheiro aqui — colocou o saco de couro sobre a mesa — Meu pai não vai saber nada sobre isso.

O delegado encarou seu rosto tenso, depois as libras, então o prisioneiro. Cruzou os braços e suspirou.

— Prezo os dotes da família em suborno — levantou-se e caminhando lentamente, destrancou as grades da cela — Principalmente quando me convém.

O menino não saiu de imediato, estava assustado. Jaehyun nem acreditou quando lembrou que no dia anterior teve medo dele. Parecia tão indefeso. Seus olhos migraram do delegado para os seus, e por fim, saiu da cela passando rapidamente pelo primeiro.

Antes que passasse por Jaehyun e sumisse porta à fora, ele segurou em seu braço assim que chegou próximo o suficiente para isso. Jaehyun não deixaria que ele fugisse.

Era como se os papéis estivessem invertidos, mas bem, o Jaehyun sóbrio era bem diferente do bêbado.

O delegado achou graça.

— Pode dar o fora com ele daqui, mas que seu pai não saiba de nada disso... entendido?

Jaehyun não respondeu. Deixou o local sem dizer mais nada, ainda segurando o braço do outro rapaz, puxando-o junto consigo.

— Solte-me. — murmurou ele, assim que chegaram à rua.

A quanto tempo não comia? Qual foi a última vez que tomou um banho ou mudou de roupa? Os dedos de Jaehyun quase conseguiam dar a volta em seu braço.

— Não vou deixá-lo escapar. — disse, parando na calçada, próximo à sua carruagem e atraindo o olhar de Taylor, que logo tratou de voltar a limpar as unhas. O que seus patrões faziam nunca eram de sua conta, gostava de lembrar.

— O que vai fazer comigo?

— Com toda certeza não vou ameaçá-lo com um canivete.

— Solte-me.

— Eu não vou te fazer mal algum. — Jaehyun disse capturando seu olhar para que ele entendesse que suas intenções não eram ruins — Qual seu nome?

O rapaz tinha medo no fundo dos olhos, mas era do tipo que não gostava que outras pessoas percebessem. Olhou para seu braço sendo apertado, pedindo com esse gesto que ele o soltasse primeiro, então responderia.

Com cautela, Jaehyun largou seu braço. Esperava agora que ele corresse e fugisse, mas então uma voz feminina gritou atraindo a atenção dos dois.

— Doyoung!

O rapaz, Doyoung, deduziu Jaehyun, correu até a moça que atravessava a rua e Jaehyun o seguiu. Abraçaram-se com força, Doyoung segurando entre si a menina alguns centímetros mais baixa.

— Você está bem? — perguntou o garoto segurando o rosto da moça.

— Eu é que pergunto, seu imbecil! Ouvi alguém comentar sobre o que aconteceu. Imaginei que fosse você.

— Me desculpe.

A garota o abraçou mais uma vez, parecia preocupada e aliviada na mesma proporção. Quando abriu os olhos, percebeu Jaehyun parado, encarando-os.

— Quem é você? — quis saber.

Doyoung saiu do abraço e virou-se.

— Não é ninguém, Yeonjoo...

— Jung Jaehyun — interrompeu — Fui assaltado pelo seu companheiro, mas está tudo bem agora. — a moça arregalou os olhos, envergonhada, Jaehyun achou encantador suas bochechas ficando rosadas e segurou a vontade de sorrir. Em vez disso estendeu a mão — Encantado.

Nervosa, menina estendeu sua mão também sem entender direito e Jaehyun beijou-a.

— Kim Yeonjoo. Sinto muito mesmo por meu irmão... ele-

— Não precisa de explicar, ele quem fez tudo afinal de contas.

Irmão, não companheiro amoroso como havia imaginado. Jaehyun nunca conseguia fazer as coisas direito, nem mesmo em uma bobagem como essa.

Yeonjoo de virou para o irmão, irritada.

— Eu te disse! Doyoung, você insiste em se arriscar dessa forma...

Jaehyun observou com gosto o garoto ficar envergonhado. Era o mínimo. O melhor de tudo é que a irmã era claramente mais nova.

Ela também era magra demais, seus cabelos lisos eram longos e pretos, como do irmão e estavam soltos sobre o rosto. Diferente das moças de Londres, que sempre tinham um belo penteado à mostra. Usava um vestido azul simples, cobrindo os pés e marcando a cintura fina. Era linda.

Mas em seus planos não havia uma segunda pessoa. E Jaehyun já tinha em mente tudo que pretendia fazer.

Contudo não precisou pensar muito sobre isso para saber o que fazer em seguida. Esperou os dois cessarem a pequena discussão e tornou a falar.

— O cavaleiro poderia deixar a vida de trangressor da Lei para conseguir um emprego.

— Acha que é fácil. — disse Doyoung, baixo, pois ainda sentia vergonha pelo que havia feito estando na frente de Jaehyun e sua irmã.

— Meu pai — continuou Jaehyun — Meu pai precisa de um ajudante para o colcheiro, quiçá para cuidar do jardim também.

Era cabível que Doyoung desconfiasse em uma oferta como essa. Sua demora em dar a resposta foi um sinal disso, e Yeonjoo segurava-se para não falar no lugar do irmão. Mas seus olhos diziam muito. E Doyoung sempre faria de tudo para manter Yeonjoo bem e segura.

Analisou o rosto de Jaehyun. Seu pai havia pagado em libras para que o fizessem mal, por quais motivos deveria confiar em suas palavras?

— Por que está fazendo isso? — foi a única coisa que saiu de sua boca. Yeonjoo suspirou ao seu lado, imaginando que nada seria fácil com o irmão.

— Quero somente ajudar.

— Por que?

— Não seja tão mal educado, Doyoung. Ele está sendo gentil.

Mas Doyoung continuava a encarar o rapaz a sua frente. Seu cabelo penteado sem um único fio fora do lugar e a roupa cara. Burgueses de Londres nem ao menos frequentavam ruas como aquela, onde as lojas vendiam coisas de segunda mão e roupas com pano barato, e a noite mulheres vendiam o próprio corpo para sustentar a família ou os vícios na calçada.

Duvidar sempre foi um aspecto valioso do ser humano, na opinião de Doyoung.

— Não quero que você faça outras vítimas. Tenho a oportunidade de oferecer ajuda, e é isso que estou fazendo. — continuou Jaehyun — Agora que conheci sua irmã, posso listar mais mil motivos para você aceitar.

Doyoung retorceu o rosto. Por acaso ele estava cortejando sua irmã caçula? Era apenas por isso?

— Não.

— Doyoung! — Yeonjoo exclamou.

— Se está fazendo isso para se aproximar de Yeonjoo na-

— Como? — Jaehyun interrompeu — Jamais faria isso! Respeito qualquer dama pois foi o que minha mãe ensinou-me. Além do mais, nem sabia que tinha uma irmã quando pensei em lhe oferecer emprego.

Ele estava certo, Doyoung pensou.

Por um momento para restituir em sua mente tudo que havia acontecido desde a noite anterior, imaginou que nem ao menos deveria estar fazendo tanto alarde. O jovem que assaltou voltou à delegacia, retirou a queixa, libertou-o das mãos do delegado e de ir para a prisão e ainda ofereceu-lhe emprego.

Suspirou.

— Eu aceito.

Yeonjoo sorriu e abraçou mais uma vez o irmão. Murmurando algo sobre ele ter feito a escolha certa.

Jaehyun também esboçou um pequeno sorriso, mas logo tratou de guardá-lo.

— Ótimo. Vocês só precisam pegar seus pertences e partiremos.

Os irmãos o encararam com a mesma expressão, mas Jaehyun não soube interpretá-los.

— Não precisamos — disse Yeonjoo, e não foi preciso continuar para o menino entender que não haviam muitos pertences a serem pegos.

— Bem... isso não é relevante agora.

— Não temos onde ficar — falou Doyoung.

Jaehyun sorriu.

— Quanto a isso, não precisam se preocupar. Sei exatamente onde vocês podem se hospedar.

 

 

Taylor, que terminava de deixar o cavalo na cholchia, observava pelo canto do olho os quatro de pé em frente à casa de Rose, perguntava-se se o filho do patrão poderia ser mais esquisito. Mesmo que não se importasse com o que a família fazia, Jaehyun tinha o poder de conseguir arrumar confusão sempre que podia, algumas vezes o colocando em encrenca junto. E haviam crescido praticamente juntos, sendo poucos anos mais velho, para saber que as ideias do menino sempre foram as mais loucas e insanas em alguns casos. Gostava dele. Às vezes Jaehyun apenas esquecia sua consciência por completo e fazia loucuras, como levar um prisioneiro para casa.

— Jaehyun, você fez tudo isso sem me consultar? — a senhora perguntou, mas seu rosto permanecia suave, pois ela sempre pegaria leve com Jaehyun.

— Imaginei que não fosse concordar... — sorriu sem jeito.

— Ora, mas se traria hóspedes para minha casa, que ao menos eu ficasse sabendo.

Os irmãos, ou provavelmente apenas a irmã estava envergonhada. Doyoung fazia parecer que não se importava e estava pronto para deixar o local, depois de sentir que a mulher não os permitiria ficar.

— Eu sei que tem um quarto vago, eles não podem ficar em casa, ainda vou falar com papai. Ele não vai negar, a tempos está querendo contratar alguém para ajudar Taylor. — Jaehyun sorriu mais uma vez, na tentativa de convencê-la — Posso pedir que aumentem seu salário.

— Por Deus, Jaehyun. Chega. Claro que as crianças podem ficar... Aliás — a mulher pequena virou-se para os irmãos e sorriu com gentileza — Perdoem meus maus modos. Sou Rose Smith, tomo conta da casa e será um prazer tê-los como companhia.

— Prazer em conhecê-la, senhora Smith — Yeonjoo curvou-se, trazendo seus cabelos à frente do rosto — Perdoe-nos por esse incômodo. Este senhor— apontou para Jaehyun — Ofereceu um emprego ao meu irmão sem nos conhecer bem, não sabem quanto estou grata por isso.

— Que moçinha educada. Qual seu nome?

— Kim Yeonjoo. Este é meu irmão , Kim Doyoung... ele não fala muito.

Jaehyun achava curioso o rapaz. Podia jurar que em seus olhos havia um brilho fraco, como se estivesse contente com a situação. Mas sua feição, ela mostrava quão forte ele poderia ser em guardar seus sentimentos para si.

Já Rose mantinha o sorriso. Entendia de jovens como ninguém, tendo cuidado de Taylor quando seu pai o trouxe para a casa dos patrões assim que a esposa faleceu, era um garoto silencioso e por muito tempo foi preciso paciência para entender como a perda de sua mãe mexia em sua personalidade; depois veio Jaehyun com toda sua teimosia e curiosidade sem fim , e então, seu próprio filho. Podia se virar como ninguém na presença de adolescentes.

— Entrem! — exclamou Rose percebendo o silêncio que se instalou.

Os quatro adentraram a casa pequena, que ficava aos fundos da casa grande. Tudo devidamente organizado, como deveria ser a casa de uma mulher como ela.

Yeonjoo não lembrava-se qual a havia sido a última vez que esteve em lugar parecido com um lar. Desde criança vivia com o irmão pelas ruas de Londres, sem muitas lembranças do passado, do pai, da mãe. A única coisa que conseguia visualizar nitidamente em sua memória, era ela e Doyoung correndo pela estrada, eles num barco com água inundando-o e outros pequenos resquícios de suas migrações para a Inglaterra.

Sentiram cheiro de comida. Ambos percebendo que nem ao menos sabiam estarem com tanta fome assim.

— A senhoria Yeonjoo pode ficar no quarto de hóspedes, você ... Doyoung, certo? — o rapaz apenas assentiu com a cabeça — Você pode ficar no quarto de Nathan, quando ele voltar poderão dividi-lo. Assim todos se acomodam bem e a senhorita tem sua privacidade.

— Nem sei como agradecer, senhora Smith...

— Pode começar me chamando de Rose.

— Certo. Rose. — Yeonjoo menenou a cabeça.

Doyoung finalmente encontrou com os olhos bondosos da mulher, percebendo que não havia problema em, pelo menos uma vez na vida, aceitar o favor que fizeram-lhe. Talvez nem todos sejam iguais, algumas pessoas fazem favores a troco de nada.

Deu seu primeiro sorriso sincero depois de muito tempo e se curvou.

— Obrigado, Rose... — voltou-se para Jaehyun — A você também, e... eu...

— Sente muito? — interrompeu — Você deve.

— Sinto muito, mas se quer saber minha opinião... Não me arrependo.

Yeonjoo lançou-lhe uma expressão irritada, mas Doyoung continuou encarando Jaehyun como se o desafiasse a tentar fazer prová-lo que não se arrependida de fato.

Foi por Yeonjoo, tudo que fazia era por ela. Se precisasse roubar os pertences dos outros, ele o faria. Mataria por ela. Então nunca se arrependeria de algo que fez pensando no seu bem.

Talvez Jaehyun compreendesse, pois por mais absurdo que pudesse parecer, ele conseguia ler o moreno muito bem. A máscara que ele usava para todos, de alguma forma não escondia de Jaehyun seus verdadeiros sentimentos.

Jaehyun sempre foi bom em desvendar mistérios, pessoas misteriosas eram ainda mais interessantes. E reconhecer nos olhos de Doyoung que ele se sentia grato lhe bastava, por enquanto, já que faria ele pedir desculpas devidamente algum dia.

— Estão com fome? — Rose indagou percebendo o quanto as crianças pareciam magras.

Doyoung encarou-a exatamente do jeito que ela imaginou. Suas orbes até mesmo ganharam um leve brilho.

— Eu estou. — Jaehyun falou.

Foi com todos sentados na pequena mesa de Rose, que Jaehyun conversou um pouco mais com Yeonjoo, viu o sorriso bonito que ela tinha brotar várias vezes em seus lábios. Também pensava em como falar com o pai, mesmo sabendo que seria fácil convencê-lo. Ele não se importava tanto com empregados, sua mãe quem preocupava-se.

Rose empurrava fatias cada vez maiores aos meninos, exclamando que estavam muito magrinhos. Oferecia-lhes chá e conversas divertidas.

Doyoung sorria vez ou outra, sentindo-se estranho cada vez que seus lábios se repuxavam. Eram risadas alegres de verdade? Pareciam ser.

Observando ao redor da mesa, sempre tomando cuidado com as atitudes libertinas de Jaehyun com Yeonjoo, se permitiu relaxar o corpo tenso. Pensava no banho que Rose havia os prometido, com sabonete talvez. Pensava em trocar de roupa, e dormir a noite sem abrir os olhos assustado o tempo todo.

Pensava que esse garoto comendo bolo e tomando chá à sua frente, era idiota. Idiota por ter feito tudo isso por si e pela irmã depois do que aconteceu.

Idiota por pagar uma quantia maior do que a que teria levado dele na noite anterior para que fosse liberto. Por confiar em si o levando para sua casa.

E mais idiota ainda, quando percebeu estar o encarando e ver ele sorrindo de lado, com a feição de uma criança bagunçeira e os olhos divertidos, o encarando de volta.


Notas Finais


Eai
Esse capítulo é paradão, não é mesmo.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...