História Aurora: a Long Jouney - Capítulo 4


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Categorias ATEEZ, EXO
Personagens Hongjoong, Jongho, Mingi, San, Seonghwa, Wooyoung, Yeosang, Yunho
Tags Ateez, Aventura, Fantasia, Ficção Cientifica, Hongjoong, Jongho, Jongsang, Mingi, San, Seonghwa, Seongjoong, Seongsang, Space!au, Woosan, Wooyoung, Yeosang, Yungi, Yunho
Visualizações 100
Palavras 4.604
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Ficção Científica, Romance e Novela, Sci-Fi, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá minhas estrelinhas ★

Como prometido, cheguei com um capítulo fresquinho.
Vou logo avisando que alguns leitores estão super espertos e com teorias incríveis, chegando a acertar algumas coisinhas.
Lembrando que o capítulo não foi betado, então ignorem possíveis errinhos.
Ah, eu simplesmente AMEI todos os comentários que recebi nos capítulos anteriores. É um grande incentivo! Muito obrigada pelo carinho!

Espero que gostem do capítulo e boa leitura! ❤

Capítulo 4 - III. Your Highness


Fanfic / Fanfiction Aurora: a Long Jouney - Capítulo 4 - III. Your Highness

Choi San despertou antes dos seus sentidos. Não conseguia ouvir nada além de um forte zumbido vindo diretamente dos seus ouvidos e da sua cabeça zonza. Ao abrir os olhos, nada conseguia enxergar devido a completa escuridão do lugar onde estava. Sua garganta estava seca, como se não sentisse o sabor da água há dias. Tentou se mexer em vão, sendo impedido por correntes grossas que prendiam seus pulsos e tornozelos. Desesperou-se, mas encontrava-se sem forças para lutar, deixando uma lágrima quente e solitária descer pelo seu rosto. Sentia dor em cada centímetro do seu corpo. Ao mesmo tempo, não conseguia se lembrar de nada que poderia ter acontecido para leva-lo a viver aquela situação. Mil possibilidades passavam por sua cabeça, mas todas eram cruéis demais para que ele considerasse aceitar alguma como verdade.

Acordou dos seus devaneios quando ouviu o ranger da porta sendo aberta. Uma lâmpada acendeu uma luz tremulante sobre si e passos firmes podiam ser escutados caminhando em sua direção.

— Acordou, Vossa Alteza? — Ouviu uma voz perguntar em tom irônico. Não conseguiu enxergar quem emitiu a pergunta, pois ainda lutava para se acostumar com a luz forte que invadira subitamente o ambiente escuro.

Ele já conseguia enxergar quando os passos cessaram. Assustou-se ao ver os 4 homens desconhecidos parados há alguns metros de distância. Eram todos jovens e o encaravam com frieza no olhar.

Um frio percorreu sua espinha quando percebeu que eles seguravam firmemente suas armas tecnológicas e assustadoras, enquanto um rapaz em particular apontava em sua direção o armamento que segurava.

Observou o local atentamente, pensando em traçar uma rota de fuga. Logo percebeu que se encontrava no porão de algum lugar que não conhecia. As paredes de concreto não ostentavam nenhuma pintura ou decoração e parecia não possuir nenhum móvel além da cadeira em que estava sentado. Também não possuía janelas, concluindo rapidamente que a única saída seria a porta grossa de metal por qual os rapazes entraram.

— Não sabe o quanto estávamos ansiosos para te conhecer. — Uma outra voz podia ser ouvida. Era um rapaz de estatura mediana, pele amorenada e cabelos acinzentados penteados para trás. Um piercing de pressão chamava atenção para seus lábios bem desenhados, enquanto um brinco solitário balançada em uma de suas orelhas. Ele sorriu sapecamente enquanto emitia tais palavras, o que contrastava com a arma que apontava em direção do prisioneiro. — É um prazer conhece-lo, Vossa Alteza. — Parecia fazer questão de destacar o título. — Devo me apresentar para figura tão ilustre? — Perguntou, retórico. — Ó, mas é claro, que falta de educação a minha. Me chamo Wooyoung, o homem que será conhecido por tirar sua vida.

Ele voltou a sorrir e se curvou numa falsa reverência, fazendo todos os outros rapazes rirem em escárnio.

— O q-que está acontecendo? — San perguntou, com sua voz trêmula e fraca. Além do nervosismo e do medo aparente em sua voz, parecia ter dormido por longas horas e sua garganta não estava pronta para falar. — Do que você está falando? Por que estão rindo?

Ele estava confuso. Realmente não tinha nenhuma pista do que estava acontecendo. Todas as lembranças que tinham o levavam para sua pacata vida como Príncipe de Dahrià, com suas caminhadas pelos jardins do Palácio de Drab’na e suas aulas para, futuramente, tornar-se um grande diplomata. Parecia lembranças distantes, todavia.

— Você acha mesmo que está no lugar de fazer alguma pergunta aqui? — Outro rapaz perguntou, sério, enquanto caminhava em sua direção. Este parou um passo em sua frente, abaixando-se em seguida para poder ficar na mesma altura do rosto do prisioneiro. O Príncipe pode observar não só suas sobrancelhas franzidas, seu olhar severo que parecia encarar sua alma, como também reparou em seus cabelos azulados, seus olhos azuis da mesma cor de suas madeixas e sua sobrancelha direita marcada num X que o conferia um ar exótico, dos que o Príncipe não costumava ver em Dahrià. — Aliás, você acha mesmo que não sabe o que está se passando aqui?

— Claro que não sei o que está acontecendo, eu não perguntaria se não soubesse. — Respondeu, tão severo quanto o rapaz de cabelos a sua frente, apesar do medo que crescia dentro de si.

O outro sorriu sarcástico, respondendo prontamente:

— Se eu fosse você, não falaria desse jeito comigo. Não vê que está em desvantagem aqui?

Ele desviou o olhar daquele que estava a sua frente e voltou a observar os rapazes parados logo atrás. Engoliu em seco ao constatar, mais uma vez, a posição de fragilidade em que se encontrava. O pirata sorriu satisfeito ao perceber que o garoto entendeu o que estava acontecendo.

— Então... vai começar a falar ou vou precisar apoiar o cano da minha arma em sua testa? — Indagou, com um leve sorriso nos lábios, enquanto levantava a arma de coloração tecnológica e azulada. — Você deve saber bem do que essa belezinha é capaz.

— Eu... me desculpa... eu... realmente não lembro de nada. — Fez força para lembrar-se, mas nada vinha a sua mente.

— Capitão... para que tantas cerimônias, hm? Por que temos que interroga-lo? Teria sido muito mais fácil ter matado enquanto ainda estava dormindo. — Wooyoung voltou a se manifestar, chamando a atenção dos dois a frente. Dessa vez, ele não estava mais sendo sarcástico, já que parecia impaciente e seu tom de voz que exalava tédio.

— Wooyoung, por favor, deixa o capitão continuar. — O mais alto entre eles, com seus cabelos claros e olhar que transbordava expectativa, o cutucou, pedindo para que o mesmo ficasse calado.

— Está vendo, Vossa Alteza? — Hongjoong voltou a direcionar sua atenção para o rapaz a sua frente. — Enquanto você dormia tivemos uma longa discussão sobre o que deveríamos fazer contigo. Alguns deles queriam te matar ali mesmo... teria sido bem mais fácil, aliás. Outros pensaram em pedir uma recompensa muito, muito, muito generosa ao seu pai, para caso ele pagasse, te entregarmos ileso de volta a Dahrià. Mas você não quer voltar pra lá, não é mesmo?

O líder dos piratas perguntou provocativo, arqueando uma de suas sobrancelhas e esbanjando um leve sorriso maníaco nos lábios. O prisioneiro arregalou os olhos prontamente e pela milésima vez, engoliu em seco. Seus olhos se encheram de lágrimas, enquanto algumas memórias voltavam a preencher seu cérebro. Lembrou-se que seu pai o prendeu em um dos palácios por desafiá-lo publicamente. Será que ele havia contratado aqueles capangas para mata-lo? “Que pai finge um sequestro para que a morte do próprio filho não recaia sobre ele?”, pensou incrédulo, desesperando-se. “Não, não pode ser. Permitir um sequestro no palácio seria dizer que a segurança é frágil. Ou eu realmente fui sequestrado, mas sem interferência do Rei?”, tentava raciocinar, mas nada do que pensava fazia sentido.

— Eu, muito misericordioso, não queria fazer nada disso. — Continuou. — Pelo menos não antes de obter o máximo de informação que você pode me dar. E você vai me contar tudo o que sabe... — Apontou, por fim, a arma para o rapaz. — ...tintim por tintim.

Choi San olhou novamente para todos os rapazes que o observava. Embora fosse um príncipe, ele tinha um temperamento forte, não se dava por vencido tão facilmente e mesmo estando com medo das figuras a sua frente, precisava mostrar que era forte e destemido, que não se deixava abalar facilmente, afinal, ele era o Príncipe de Dahrià, não era qualquer um. As opções que tinha eram limitadas e nenhuma agradava. Ele sabia que podia morrer ou que poderia voltar para seu pai, as duas opções eram igualmente ruins, mas nunca fora acostumado a receber ordens de terceiros e isso o irritava. Como num suspiro alto e tomando coragem, encarou o azulado a poucos centímetros de si e perguntou simplesmente:

— Ou?

Hongjoong não podia acreditar no que ouvira. “Ou?”, pensou consigo mesmo, a raiva começando a esquentar sua cabeça. “Esse Príncipe não tem modos?” perguntou-se.

Ferozmente, grudou uma de suas mãos nos cabelos negros e compridos de San, que batia na altura do ombro, puxando-o para baixo. Aproximou-se ainda mais do seu rosto, sorrindo sadicamente com a expressão de dor do prisioneiro e sussurrou em seu ouvido, enquanto, com a outra mão, grudava a arma em seu queixo: — Não é nenhum mistério, Príncipe. Ou você conta por livre e espontânea vontade ou eu mesmo farei você se arrepender de um dia ter nascido.

— Você não sabe o quanto estamos com vontade de usar nossos brinquedinhos. — O acinzentado voltou a falou, dessa vez sorrindo, enquanto passava a mão sobre sua arma, deixando-a ainda mais evidente. — POW!

Brincou ao fazer um barulho que simulava um tiro. San estremeceu na cadeira, levando um susto e fechando seus olhos fortemente, atraindo a risada de todos os quatro piratas. Nesse momento, Hongjoong o soltou e agora apenas apontava a arma para o prisioneiro.

— Sem falar que esperávamos uma nave com uma mercadoria muito valiosa... você não tem ideia do tempo que esperamos e de quanto nos planejamos para isso. Foi decepcionante quando entramos na nave e só encontramos... você. — Um rapaz ruivo, de olhos pequenos e lábios carnudos, muito mais alto que o capitão, falou com desdém, revirando os olhos enquanto apontava para o garoto, sem muita paciência.

— Como assim, nave? Por que eu estava numa nave? Isso não faz sentido nenhum. Vocês não me sequestraram do palácio? — San estava ainda mais confuso, as perguntas saiam rapidamente de sua boca. — E espera aí... “Você”? Vocês têm ideia de quem eu sou? Vocês têm ideia do que eu posso fazer? — Ele sempre fora um garoto impulsivo e já não sabia mais o que estava fazendo. O desespero, o medo e a raiva tomavam conta do seu corpo, mas ele não costumava se dar por vencido tão facilmente.

Passara a vida sendo tratado com enorme cordialidade por todos aqueles que a cercava. Em toda sua breve existência, apenas uma pessoa a havia tratado com desdém e desrespeito. Entretanto, prova-lo pela segunda vez, mesmo que em situação tão perigosa, o havia tirado do sério. Era um príncipe mimado? Talvez.

— Sabemos bem quem você é... — Hongjoong virou os olhos. — Príncipe Choi San, o segundo na linha de sucessão ao trono de Dahrià. Esteve distante dos olhos públicos pelos últimos dois anos, provavelmente trancafiado em alguns dos palácios pelo próprio pai, imagino que por conta de sua enorme rebeldia, o que eu bem posso ver aqui... Porém, caso não tenha percebido, Sua Alteza está em Khôra, seu título e sua nobreza não dizem merda nada aqui. Se eu o soltar em praça pública, é capaz que a própria população pendure sua carcaça morta em um poste qualquer.

— E apesar de não sabermos o que pode fazer, sabemos que certamente é bastante poderoso. Essas correntes em seus pulsos e tornozelos impedem seus poderes de chegaram até suas extremidades, logo, você não pode usá-los. Não há nada que você possa fazer, além de aceitar a chance que o misericordioso Hongjoong te deu... — Mingi explicou, rindo ao final de sua sentença quando frisou o “misericordioso Hongjoong”, balançando a cabeça em discordância.

— Eu não estou entendendo nada...— Olhou confuso para todos os piratas, as memórias ainda embaralhadas em sua mente. — O que eu estou fazendo em Khôra? Nada faz sentido... Eu não me lembro de nada! Eu não sei do que estão falando! — O tom de voz começava a ficar alterado.

Na verdade, as coisas começaram a fazer um pouco mais de sentido na cabeça do Príncipe. Ele não lembrava como conseguiu sair do planeta e qual o contexto, mas provavelmente teve sua nave interceptada pelos piratas e então foi sequestrado. Porém, não fazia ideia das informações que os piratas estavam querendo. Naquele momento, San não tinha nada de útil para dizer. Ao mesmo tempo, ele não tinha outra saída. Ele sabia que não aguentaria ser torturado. Só as dores que seu corpo sentia já era o suficiente para ter se arrependido de ter nascido. Sentia-se fraco, destruído. Sua cabeça latejava de dor, podia sentir que havia levado uma pancada ali. O cheiro de sangue chegava em suas narinas, provavelmente porque seu rosto estava coberto dele, tal como podia ver manchas vermelhas na roupa que vestia. Pescoço, costelas, articulações. Tudo doía. Parecia estraçalhado. Cada pequeno pedaço do seu corpo implorava por descanso. Além disso, não poderia usar seus poderes e nada poderia fazer. Ele teria que pensar numa solução para escapar da tortura e consequentemente, da morte.

— Eu conto... — Blefou. Todos o encaravam, surpresos. Não sabiam que seria tão fácil. — Mas com duas condições: me livrem dessas correntes e tragam um médico para cuidar das minhas feri...

O Príncipe não pode terminar de falar e colocar suas exigências, quando fora interrompido bruscamente pelo mais novo entre eles:

— Você não tem limites, garoto? — Explodiu, caminhando até o Príncipe, encostando violentamente sua arma na cabeça do mesmo. — Você não impõe nenhuma condição aqui. Eu só não explodi sua cabeça quando te vi naquela nave porque não me deixaram. Se você continuar achando que pode fazer tudo do seu jeito aqui, eles não vão conseguir me impedir de novo.

Wooyoung podia ser tão impulsivo quanto o Príncipe e ele já estava perdendo a paciência, o que não era uma boa combinação. Era o mais cabeça-quente dentre os piratas e também o mais violento, vê-lo atingir seu limite seria brincar com a morte.

O sorriso vitorioso que demonstrou quando encontrou San desacordado na nave Dahrià se deu porque ele viu a oportunidade de verdadeiramente vingar-se de toda a miséria imposta pelo governo inimigo, que era comandado pelo pai do futuro prisioneiro. “Se não temos a cabeça do Rei, será a do Príncipe, então”, tentou convencer. “Será uma mensagem clara de que estamos no controle, de que somos donos de tudo além dos limites de Dahrià”. Mas o capitão, calculista, precisava entender por quê o Príncipe viajava em direção a Khôra numa nave do exército. Sentia que havia mais nessa história do que o que era visto pela superfície. Wooyoung, porém, só se importava em gerar temor nos corações de cada cidadão Dak que ousasse sair de seu planeta. Não era um simples ladrão, um pirata qualquer, era antes de tudo um terrorista e queria passar uma mensagem de medo.

San ouviu as palavras explosivas com atenção, assustando-se com a frieza e com o brilho mórbido no olhar do mesmo. Seu coração pareceu falhar uma batida. O medo voltou a ficar mais forte que qualquer coragem que podia existir dentro de si. De todos aqueles homens, o de cabelos acinzentados e olhar maníaco era o que mais lhe passava medo.

— Claro que ele não tem limites, Wooyoung. — Agora ouvia-se a voz de Mingi, que se encontrava mais afastado da cena central. — Nasceu em berço de ouro, viveu num palácio feito de ouro... esbanjando sua riqueza enquanto, há gerações, nos deixam comendo lixo, vivendo entre as baratas, rastejando a procura de qualquer oportunidade pra sairmos dessa vida de merda a qual fomos submetidos.

— Céus! Como eu adoraria poder me vingar do seu povo sujo. — Wooyoung voltou a falar. Seu tom de voz transbordava ódio, que, a essa altura, corria ferozmente em suas veias. — Eu adoraria poder pendurar seu corpo desfalecido em frente ao seu palácio, para todos os Daks verem o quão grande é o ódio que sentimos por vocês. — Apertou ainda mais a arma contra a face do Príncipe, cuspindo em seu rosto.

— Nós merecíamos ter a vida que você teve, não acha? Eu tenho sangue Dak. Infelizmente em minhas veias corre o mesmo sangue que o seu. — Yunho, que se encontrava calado durante todo o momento, aproveitou a oportunidade para também externar seus sentimentos de ódio. — Sabe qual foi o destino dos meus pais por terem se apaixonado e gerado uma criança? Pena de morte. Antes tivessem me matado também. Mas não é necessário morrer para ir ao inferno, basta mandar para Khôra, é o que dizem. Para morrer de forma lenta, com fome e com sede, num orfanato infestado de ratos e pessoas tão nojentas quanto. Eu gostaria que você sofresse o quanto sofri, Vossa Alteza. Lentamente... dia após dia... — Seu olhar vazio encarava os olhos amedrontados do Príncipe. — Nem sempre concordo com os métodos do Wooyoung, mas hoje, só hoje, eu gostaria de vê-lo em ação.

San engoliu em seco, perdendo a capacidade de reagir e dizer qualquer coisa. Ele estava mais do que ciente de tudo o que a população do satélite vivia e por isso, deixou uma lágrima escapar dos seus olhos. Agora, além de medo sentia um grande pesar, mesmo que pudesse sentir a ameaça e o amargor em cada palavra que saíra da boca de todos aqueles rapazes. Ainda sentia a saliva de Wooyoung descendo pelo rosto e pela primeira vez na vida, achou que merecia ser vítima de ato tão baixo.

Hongjoong, por sua vez, observava tudo com um sorriso nos lábios e os braços cruzados. Estava adorando ver a feição de medo e pavor em seu prisioneiro, e também suas lágrimas, que ele julgava serem de puro temor. Se ele soubesse que esse seria o resultado, teria deixado Wooyoung e tomar conta do “interrogatório” desde o início, mesmo sabendo que impulsos e grandes emoções costumavam atrapalhar, conselho que sempre passava aos seus companheiros.

— Agora que você já sabe porque odiamos tanto você, seu povo e bla bla bla, pode começar a falar... minha paciência está esgotando. — O capitão falou, gesticulando e virando os olhos, mas ficando sério ao terminar sua sentença.

Um silêncio se fez presente na pequena sala. Podia-se ouvir apenas a respiração ofegante do moreno tentando apreender todo ar que lhe faltava para preencher os seus pulmões que ansiavam por ar. Lágrimas compulsivas começaram a cair dos seus olhos negros, agora vermelhos e inchados. Ele nunca havia passado por isso. Achava que já havia passado por sofrimentos na vida. Achava que sabia o que era sofrer. Ouvir aquilo da boca dos garotos a sua frente e não apenas isso, como também por quase perder a vida – novamente –, fez com que todo o medo, a raiva e angústia que sentia fosse liberada através daquelas lágrimas.

Enquanto isso, os segundos se passavam lentamente e a paciência de Hongjoong e dos demais parecia se esvair na velocidade contrária.

— QUANDO VOCÊ VAI DEIXAR DE FRESCURA E COMEÇAR A FALAR, PORRA? — Novamente pode-se ouvir o descontrole de Wooyoung, que ainda ameaçava atirar.

O capitão, cansado, tanto do show que o Príncipe dava, quanto do descontrole do seu companheiro, decidiu ser drástico em seus métodos e, apontando a arma de plasma para o príncipe, apertou o gatilho, disparando-a em direção ao mesmo. Todos se assustaram, fechando seus olhos num impulso, o que fez o mais novo deles se afastar do prisioneiro. Quando todos voltaram a si, viram que o Príncipe ainda estava vivo, tendo o plasma apenas o atingido de raspão a sua perna esquerda. Mesmo assim a dor era alucinante e o moreno não pode fazer outra coisa além de gritar e se contorcer em agonia.  

— Agora ele fala. — O capitão finalizou, com um sorriso em seus lábios e um olhar com brilho maníaco.   

[★][★][★]

A dor física e degradante do tiro de plasma que por pouco não rasgara sua perna ao meio não foi o único motivo dos gritos desesperados de San, uma vez que as lembranças começaram dolorosamente a adentrar seu cérebro, como se cada uma das sinapses que guardavam as memórias em seu córtex estivessem sendo dolorosamente refeitas, reconstruídas. Para San era doído lembrar do que o levara até ali.

Pedia ao Céus para que aquilo tudo não passasse de um delírio ou de um pesadelo. Mas, para sua infelicidade, era tudo tão real e palpável quanto a dor que ainda latejava por todo seu corpo.

Quando finalmente parou de chorar e gritar e por fim, abriu seus olhos, pode enxergar a mesma luz tremulante de antes e os quatro piratas com seus olhares sádicos a frente. As correntes ainda apertavam fortemente seus pulsos e tornozelos. A perna atingida pelo tiro ainda sangrava e pulsava como nunca havia sentido antes. Tentou convencer os garotos a libertarem-no para que pudesse explicar o que aconteceu. Contudo, não queria contar a eles que mesmo sem as correntes que enfraqueciam seus poderes, nada poderia fazer, pois encontrava-se completamente fraco e com seus poderes bloqueados. 

— Céus, eu desisto... Vou contar tudo de uma vez. — Disse como num suspiro.

— É realmente engraçado saber que você acha que pode simplesmente “desistir”, como se não fôssemos arrancar o que queríamos depois de você terminar de chorar feito um bebezão. — Wooyoung sorriu, cínico.

— Fomos realmente benevolentes até o momento. O que é um tiro na perna perto do que esse rapaz costuma fazer? — Hongjoong apontou para o acinzentado. — Digamos que ele faz o trabalho sujo muito bem.

Como resposta o mais novo apenas arqueou a sobrancelha enquanto esbanjava um sorriso provocativo para o Príncipe trêmulo. Caminhou até o mesmo e após dar dois tapinhas em sua bochecha, disse:

— Vai, Principezinho, desembucha. Prometo cuidar bem de você.

San engoliu em seco ao encarar tão de perto o sorriso cínico do mesmo, o que lhe arrancava arrepios.

— Bom... — Respirou fundo, tomando coragem, ignorando completamente o ato do mais novo. — Primeiramente, eu não conseguiria feri-los nem se eu quisesse. — Olhou para baixo, estava envergonhado e seu coração batia forte ao dizer tais palavras. Se os Daks eram conhecidos por sua força, era realmente vergonhoso declarar sua fragilidade, especialmente por estar vivenciando situação tão perigosa.

— E por que deveríamos acreditar nisso? — Yunho perguntou, cruzando os braços, totalmente desconfiado.

— Eu tive graves desentendimentos com meu pai. Vocês sabem... ele é um tirano sem qualquer escrúpulo. Não aceitaria que eu continuasse a desobedecer a qualquer de suas ordens ou discordar de qualquer de suas palavras, então me prendeu em um dos nossos palácios mais distantes e mais bem vigiados. Uma verdadeira fortaleza. Ele sabia que os guardas que colocou para me vigiar não sobreviveriam caso eu tentasse fugir e lutasse contra eles, então foi implantado um chip na minha nuca que libera constantemente um vírus que atacam todas as células koromáticas em seu sangue... como vocês devem saber, essa célula é responsável por renovar a energia e fornecer nossos poderes. Ela é deficiente em vocês, Éos, mas abundante em nós, Daks. — Soltou tudo de uma vez, num único suspiro. Pausou sua fala e inspirou um pouco de ar. — Em outras palavras: estou inútil e não posso fazer mal a uma mosca. Sem falar que devo ter quebrado algumas costelas na queda e tantos outros ossos que não posso nem contar, certamente também bati minha cabeça, o que deve ter causado essa amnésia temporária e ainda levei um tiro na perna. Ah, e claro, tive minha honra ferida quando você... — apontou com o rosto para Wooyoung, que riu em seguida — cuspiu em meu rosto. Então, eu imploro, me soltem dessas correntes e conto absolutamente tudo o que vocês querem saber.

Os piratas ouviram o discurso do jovem com atenção. Hongjoong suspirou, cansado, fazendo um sinal negativo com a cabeça.

— Eu vou repetir a pergunta do Yunho: por que deveríamos acreditar nessa sua historinha sem pé nem cabeça? — Perguntou. Como sempre muito ríspido e precavido.

— Venha aqui. — Ele pediu para o capitão se aproximar, fazendo um sinal com a cabeça. — Levante meu cabelo e veja a pequena cicatriz na minha nuca. Pode passar o dedo também. O chip é relativamente grande, dá pra sentir sob a pele.

O azulado, então, apontou para Mingi e o mesmo entendeu que deveria verificar a veracidade do que o Príncipe acabara de falar, afinal, ele entendia tão bem sobre a tecnologia de Dahrià quanto os próprios cidadãos do planeta.

O ruivo prontamente atendeu ao pedido do seu líder. Posicionou-se atrás do prisioneiro e levantou seus cabelos longos, ondulados e negros como ônix. Tocou a nuca do garoto e logo viu uma pequena e quase inexistente cicatriz. Passou os dedos por cima e pode sentir a peça eletrônica sobressalente abaixo da pele do garoto. San, por sua vez, sentiu um leve arrepio ao sentir os dedos quentes do rapaz tocar sua pele fria e suada.

— O chip está aqui, posso sentir. — Acenou positivamente. — Eu conheço esse modelo, é usado pelo exército de Dahrià para invalidar os poderes de presos políticos. É uma peça muito tecnológica, sempre quis ter alguns desses, mas é difícil conseguir porque é uma tecnologia que eles não exportam... — Terminou de analisar, soltando os fios negros do Príncipe. Passou uma das mãos no queixo. Estava admirado. — Esse é um modelo bem grande. Acho que posso entender a precaução do seu pai, você deve ser bem poderoso. Aposto que supera o Wooyoung. — Encarou o colega com a expectativa em ver sua reação com tal provocação, sendo que o mesmo apenas revirou os olhos e mostrou o dedo do meio.

— O que você acha? Podemos confiar na palavra dele? — O líder perguntou, pensativo.

— Não vejo problemas. — Deu de ombros. — Da forma como esse chip atua, o Príncipe aqui perderia guerra de braço até para as criaturas mais insignificantes do universo.

San respirou aliviado com a constatação do ruivo, mas observava atenciosamente o líder, que parecia reticente. Os segundos passavam lentamente enquanto esperava o mesmo tomar uma decisão. Ele andou de um lado a outro da sala, enquanto pensava nas possibilidades. Ele confiava em Mingi e sabia que o mesmo conhecia como ninguém a tecnologia do planeta inimigo. Ao mesmo tempo, eles poderiam estar sendo enganados pelo Príncipe e este poderia ser tão forte quanto qualquer um ali, mesmo ele não tendo ideia de qual poder ele possuía e o quão grande era sua força e habilidade.

— Pode soltá-lo, Mingi... vou confiar no seu julgamento. — Desistiu. Não tardou e ouviu protesto dos outros piratas:

— Se você tentar qualquer coisa, não penso duas vezes antes de derreter essa sua cara nojenta. — Wooyoung ameaçou, voltando a apontar sua arma para a mesma, enquanto Mingi soltava as correntes de seus pulsos e tornozelos.

— Por que você não se esforça para ser tão legal quanto seu colega aqui? — San perguntou provocativo, enquanto massageava seus pulsos, agora livres e encarava o ruivo, que voltava relaxado ao lugar que ocupava antes.

— Não tenho nenhuma obrigação em ser legal com você. Pelo contrário. — O rapaz de cabelos cinzas apertou os olhos, ainda apontando a arma para o Príncipe, que o encarava sem nenhuma expressão no rosto. — Tá vendo, capitão, a gente fez o ele que quer e já está se a sentir o don...

Wooyoung não conseguiu terminar de falar, pois foi prontamente interrompido por Hongjoong, que parecia não se interessar na discussão que estava se iniciando. Na verdade, ele estava fortemente irritado por ter cedido a um pedido para que conseguisse algumas informações. Este era um episódio extremamente inédito na história dos piratas, que sempre conseguiam fazer as coisas do seu jeito e nunca sucumbiam as ordens, decisões e manipulações de ninguém, pelo contrário. O capitão sentia que o Príncipe ainda daria muito trabalho.

— Fizemos o que você nos pediu, Vossa Alteza. Você deve imaginar que estou extremamente irritado por ter cedido a um pedido seu. Meu plano era te torturar até ouvir exatamente o que queria escutar, mas pelo visto sabes persuadir como ninguém. Agora, nenhuma palavra minha será em vão... tortura será pouco para o que farei com você caso eu não obtenha as respostas para todas as minhas perguntas.

O rosto sem expressões de San foi substituído por uma feição séria e aflita, enquanto encarava o líder raivoso a sua frente, que, assim como Wooyoung, voltou a apontar uma arma em sua direção. Podia sentir a impaciência e irritação do líder ao observar seus traços austeros, duros, pressionando o maxilar e franzindo as sobrancelhas. Ao mesmo tempo, um brilho assassino saltava de seus olhos azulados. Não tinha como ele continuar se esquivando. Seria melhor começar a falar depressa.


Notas Finais


Por que diabos San, um Príncipe lindo perfeito e maravilhoso, viajou sozinho numa nave do exército e foi parar em Khôra e o que de tão bombástico ele tem pra revelar? E no geral, o que acharam?
Eu sei, o capítulo ficou enoooooorme, mas creio que a partir de agora os capítulos terão em torno de 3k a 5k de palavras, pois tenho muita coisa para abordar e me considero bastante detalhista.
Você gostam de capítulos grandes?
Não esqueçam de deixar comentários com suas teorias, elogios, críticas e sugestões.

Obrigada por ler até aqui ❣

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