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História Auschwitz - Capítulo 3


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Notas do Autor


Boa leitura ❤️

Capítulo 3 - Capítulo 3


Por Shouto

"Você nasceu com um único propósito: se tornar melhor que eu" 

Os dias após meu aniversário de 4 anos se tornaram cada vez mais dificieis. Meu pai, Enji Todoroki, tomou minha vida para si e tratou de fazer ela se tornar um inferno. Eu devo ser o filho perfeito, lider perfeito, aluno perfeito, político perfeito.

Minha vida foi descida antes de se quer vir ao mundo e me resta apenas interpretar o papel na qual me foi dado. Eu quero ser um bom político, mas não como meu pai, quero ser um político que faça a minha mãe feliz e se sentir orgulhosa. 

Minha mãe quase nunca fala comigo, meu pai faz questão de me isolar dela e dos meus irmãos. Ele faz questão de fazer com que eu seja perfeito e isso faz eu repulsa-lo ainda mais. Vou me tornar o melhor homem apenas com aquilo que a minha mãe me deu, a curta gentileza que ela demonstra para mim quando meu pai não está por perto, serei um homem gentil como a minha mãe.

Assumindo meu papel eu virei o garoto prodígio, aquele que meu pai queria que eu fosse, isso me afastou ainda mais da minha mãe. Ela agora está no médico, outro dia ela jogou um canecão de água quente no meu rosto, não a culpo, mas queria ela perto de mim, mas agora apenas sou o garoto perfeito; até meus 15 anos quando fui para a escola U.A, a melhor escola de Berlim.  Lá eu conheci um aluno de intercâmbio Izuku Midoriya, ele me fez ver uma visão diferente da que eu tinha. Eu sempre desprezava qualquer conselho do meu velho e desejava com todas as forças ser melhor por conta própria do que ser um cara que bate na esposa e trata mal seus filhos.

Midoriya me fez ver isso de forma diferente, eu ainda acho que meu velho é um verdadeiro filho da puta, mas não quer dizer que eu devo desprezar um conselho de alguém profissional e deixar ele ser meu mentor, minhas capacidades podem aflorar cada vez mais se eu apenas parar para ouvir, ao menos um pouco.

Cada vez mais eu me aproximei dele, viramos melhores amigos, mas como a vida é um pouco complicada, ele voltou para a Inglaterra e eu voltei a ficar só, estou no 3°ano, após me formar terei que ir para a melhor faculdade e depois me perder em uma grande pilha de burocracia para o resto de minha vida...tudo para deixar Berlim mais pacífica e um bom lugar para se viver. Farei de tudo para trazer a paz e felicidade para as pessoas. 

- Todoroki...- Nagisa me chama, ela é uma garota muito engraçada e sempre opta por ficar ao meu lado, considero ela como um refúgio aos vezes.

- Sim?

-  Então...eu...preciso...falar... Algo sério com você... - ela tem a voz trêmula e em cada frase solta ar de seus pulmões como se estivesse se esforçando para falar, o que ela tem?

- Pode dizer, o que foi?

- Nós nós conhecemos a algum tempo e....eu...queria dizer...que...que ...- Ela não estaria fazendo ? Bom acho que não é nosso último ano, ela só deve está emocionada porque provavelmente nunca mais nos veremos. - Você...foi...a melhor coisa que...me aconteceu...e...eu..quero te dizer...que ...eu ...te...

- não faz isso. - interrompo e ela me olha.

- Olha o que você está prestes a fazer é errado e você sabe disso, ambos somos comprometidos e devemos honrar nossos compromissos.

- ...- vejo seus olhos lacrimejarem e isso me machuca, eu não gosto dela, não desse jeito. 

- Nagisa...

- Tudo bem!  Eu estava prestes a cometer um erro...meu lugar é ser uma boa esposa, tenho sorte de poder estudar...desculpe incomodar.

- Não, mas.... desculpa, eu não devia ter feito isso...coloquei a pressão matrimonial sobre você; Não temos escolha sobre isso e eu sei que não escolhemos nossos sentimentos, então...sinto muito, mas é mais pelo fato de não ser recíproco do que outra coisa.

- Acho que isso doeu mais do que a outra resposta - Ela sorri, mas ainda está com os olhos cheios de água, me sinto mal com isso, mas não a nada que possa fazer.

Ela sai da sala com certa velocidade. Eu apenas suspiro e fecho meus olhos me lembrando que daqui a algumas semanas farei 18 e então conhecerei a minha noiva. E... não precisa dizer que estou sem ânimo para isso...

As semana se divagam, Nagisa se mantém distante...eu não queria isso, mas se ela precisa de tempo é o mínimo que posso fazer por ela. Ela é a minha amiga querida, mas só isso. 

- Shouto! - saio da escola e observo meu pai a me chamar.

- O que você quer? 

- Vamos a um restaurante tenho que falar com você.

- Ok. - entro no carro e assim seguimos para o restaurante, entramos no prédio e sentamos na cadeira de couro e vejo um garçom se aproximar com um semblante nervoso. 

- O que vão querer?

- O de sempre. - meu pai é direto e o garçom se retira.

- Agora fala o que quer - digo encostando minhas costas na cadeira e bufo sentindo o tédio.

- Leia - ele coloca uma pasta amarela na mesa. Pego com cuidado e vejo que é um relatório sobre um novo plano político que surgiu, um grupo de políticos planeja se erguer com pensamentos ao meu ver antiquados, mas pelo pensamento conversador de meu pai acho que é próprio. 

- Adolf Hitler...- leio o nome do mandante do novo grupo que surgiu.- Quem é ele? 

- Filho de Alois Hitler, um artista nato com ideias socialista e alguns conceitos comcervadores, ainda mais com a classe média ou descendência Judaica, mas acredito que ele tem potencial para mudar o mundo para sempre.

- Conservador? - estreito minha sombrancelha observando a reação de meu pai.

- Quem ele é não importa agora.

- Ok, mas o que quer me mostrando isso?

- Vai se juntar a ele.

- Quê? 

- Você estará junto a Hitler sendo seu braço direito. 

- Primeiro, quero ouvir suas propostas e ter um reunião direta com ele e seus subordinados.

- Ok. - o garçom chega com os nosso pedidos. Ele está apreensivo, noto que é mais pela presença de meu pai do que por mim; ele me olha e sinto seu olhar marejado sobre mim. Eu estreitei os meus olhos, quem é ele? E porque ele parecia querer chora, mas...os olhos dele estavam manchados por ódio, puro ódio. 

Agora reparo a aparência dele, ele é loiro e possui o cabelo espetado, seus olhos são vermelhos e transparecem raiva, quem é ele?

- Shouto! - meu pai me chama 

- Sim? 

- O que há com você? Está longe em seus pensamentos?

- Ah, desculpe, mas eu estava pensando na escola - embora seja mentira, não queria ter que ser sincero agora. - podemos ir embora?

- Não vai comer? 

- Perdi a fome.

- Okay, então vamos. - Saímos do restaurante e uma menina de aparentemente 6 anos apareceu e tentou falar com o meu pai. 

- Moço? - ela chamava por ele e ele a ignorava, eu estava tão inerte pelo olhar daquele garçom que quando eu olhei para a garota novamente, ela estava no chão. 

- PAI O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? - Eu grito correndo até ela. - Aqui, deixe me ajudar - estendo minha mão para ela pode se apoiar. Ela faz uma expressão de dor e isso me deixa mal por dentro.

- Obigada - sua voz fina e seu jeito de falar me faz pensar que ele é muito fofa, ela está com os pés machucados, tem cicatrizes pelo corpo e suas roupas estão velhas e rasgadas, sinto vontade de ajudar. 

- Não tem de quê! - digo sorrindo -  Qual o seu nome? 

- meu nome é Anne moço bonzinho - O comentário dela me faz rir.

- Sou Shouto- me aprensento e então reparo melhor no quão pequena ela é - Quantos anos você tem?

- Tenho 5 anos e 5 meses - ela fala orgulhosa e isso me faz sorrir.

- E onde estão seus pais? 

- Eles foram embora... - os olhos dela enchem de lágrimas e fico triste por ela, mesmo meu subconsciente sabendo que ela foi abandonada tinha que perguntar, afinal tem um fio de esperança.

- está perdida?

- Não....o papai e a mamãe não podem cuidar mais de mim, então me deixaram aqui, sabe? - Sabia, mas queria estar enganado...por que isso acontece? Por que existem péssimos pais? Por quê? 

- Anne ...

- SHOUTO ANDA LOGO! - antes que eu pudesse dizer qualquer coisa meu velho me interrompe, ela se assustou com o grito, coitada, eu realmente desejo cuidar dela. Me levanto e vou até meu pai. 

- Coroa precisamos ajudá-la.

- Não temos tempo para isso.

- Ela foi abandonada!

- E? 

- Como assim " E?", você não quer cuidar desse país? Então como pode abandonar uma criança? - Digo de maneira franca, então ele começa um discurso dizendo que exitem várias pessoas como ela e não podemos ajudar todas, estou farto desses tipos de discurso, não serei como meu pai, não serei um idiota assim.

- Se quer ir pode ir , eu vou ajudar - me viro e vejo que ela não está mais lá. Ela fugiu por medo? Ou porque ficou mal com as coisas horríveis que meu pai disse? Aí céus tenho que achar ela. - Anne!

- Pelo menos alguém aqui sabe seu lugar, vamos Shouto, temos que ir para a casa antes de ir para a reunião das famílias Todoroki e Hirotsu.

- Faça o que quiser, eu procurarei Anne. - Não posso deixar uma criança sozinha nessas ruas tão perigosas. 

- Shouto - Ele chama meu nome, mas como um flashback de meu passado me lembro do dia em que ganhei a minha cicatriz no olho esquerdo: " eu tinha 5 anos na época, eu acabei de acordar no meio da noite e precisava beber algo, minha garganta estava seca. Desci a escadaria apenas notando o quão vazia e sem vida é a minha casa, tem tantas pessoas morando aqui, mas não tem vida alguma nas paredes. Vou até a cozinha a porta está entre aberta, com delicadeza eu tento abrir mais a voz de minha mãe me impede. Elas está chorando conversando com alguém no telefone, um objeto que apenas poucas famílias tinham, não me resta opções se não ouvir: 

- Mãe, eu não aguento mais...ele...ele está se tornando cada vez mais igual ao Enji....ele está cada vez mais agressivo e seus pensamentos....ele está igual a ele mãe. - Isso não é verdade mãe, isso nunca foi verdade. Abri a porta para conversar com ela, mas:

- Mãe?- eu digo em voz alta a assustando, ela se vira bruscamente para mim e a última coisa que eu lembro é algo quente cair sobre a minha pele me deixando atordoado. Cai batendo minha cabeça no chão e meus últimos momentos de lucidez ouço minha mãe chorando. 

- O que....o que foi que eu fiz ? - suas palavras ficam cada vez mais distantes de mim, isso é culpa minha? Isso foi porque eu nasci? Não...isso é culpa do meu pai. Acordo no hospital não enchergando nada com o meu lado esquerdo, depois daquele dia nunca mais vi a minha mãe." O flachback foi tão intenso que uma lágrima saiu pelo meu olho esquerdo, ela cruzou toda a minha cicatriz e me fez lembrar do toque carinho de minha mãe, antes de eu me tornar um monstro, não vou abandonar a Anne, em memória da minha mãe, não vou abandonar a Anne.

- Não vou deixar uma criança sozinha na rua! Ela tá machucada, provavelmente com fome e com medo. Mesmo se não puder ajudar todas as crianças do mundo ajudarei pelo menos ela - Porque ela está ao meu alcance neste momento, sigo o caminho oposto de meu pai, o mais provável que ela possa ter ido e então corro o mais rápido que eu posso, tenho que achar ela. 

Corro o mais rápido possível, cruzo toda aquela área da cidade, entro em todos os becos, peguntos para todos que cruzam meu caminho, nada, não acho nada. Me sinto tão inútil que não fico atordoado, meus devaneios de culpa cercam a minha mente: E se ela morrer de fome? E se algum louco abusar dela? E se ela for atropelada? E se... Cada pensamento é pior do que o outro.

Eu preciso de um consolo. 

Eu preciso do meu refúgio.

Vou até a escola, pois sei que ela fica até mais tarde lá,  corro direto para a biblioteca e assim entro de forma brusca a vejo. Ela está organizando os livros em suas devidas prateleiras, ela faz isso antes de voltar para casa. Ando até ela, ela está distraída demais para notar a minha presença, mas quando nota vejo surpresa e tristeza em seu olhar. Como sou idiota!

- Todoroki...- antes dela falar qualquer coisa eu a abraço como força. A tomo para mim como se alguém fosse rouba-la. Seu calor é reconfortante, transmite segurança, seu cheiro me acalma, me vicia. Tudo nela é perfeito demais, mas não para mim... não desse jeito...meu coração pertence a ela, mas não quero que o dela me pertença, vou fazer ela sofrer...como meu pai faz com a minha mãe. Antes que pudesse perceber estava chorando feito criança nos ombros dela; suas delicadas mãos fazem carinho sobre as minhas costas, até sentir ela se aperta mais contra mim. Ela quer que eu pare de chorar, mas já guardei por tempo demais. 

A solto e então caio de joelhos no chão, assim ela se ajoelha também e voltamos a nos abraçar. Ela não fala nada, parece me entender. Ela sabe que palavras de conforto pode piorar a situação as vezes e é isso que mais amo nela. Sinto o cheiro de seu pescoço e me lembra a morango. Sinto o cheiro de seu cabelo e me lembra a chocolate....isso me acalma...cada vez...mais.

Paro de chorar e paro nosso abraço, olho para ela e seu olhar é de preocupação, ela toca o meu rosto com delicadeza, isso me deixa triste, pois sei o meu lugar.

- Todoroki?

- Hm?

- Quer falar sobre? - Nego com a cabeça. São tantas coisas que não saberia por onde começar. Ela tira a mão do meu rosto e delicadamente tira o cabelo de perto da minha cicatriz e então a acaricia.

Mesmo que tenha cicatrizado, mesmo que tenha passado anos, mesmo que seja ela que esteja fazendo isso, ainda dói. Seguro sua mão com força, ela me olha com intensidade. Conheço esse olhar...ela quer me decifrar. A encaro com a sinceridade dentro de mim, assim ela senta em cima de seus pés e então me encara, Entendo a endireita e deito em seu colo.

Ela faz carinho no meu cabelo e isso me acalma.

- Sabe que um dia terá que enfrentar o seu medo, não é? 

- Sim, mas agora quero apenas te sentir. 

- Shouto, eu queria ficar aqui para sempre porque você precisa de mim, mas está quase escurecendo e tenho que ir para casa, você também.

Percebo então a situação em que estamos obrigar ela a ficar é presunção demais da minha parte, minha alma grita por isso. Eu nem se quer sei o que sinto, mas não vou prender ela a mim, não posso. 

- Ok, pode ir. Vou ficar um pouco mais.

- Shouto....

- Sério, estou bem! Você tem o dom de me deixar bem apenas com o seu abraço. - sorrio e ela cora. Ela se aproxima de mim e me beija no rosto.

- Amanhã temos que conversar. 

- Ok. - Ela se levanta e pega as suas coisas eu a observo até ela cruzar a porta, assim que o faz eu caio no chão. - eu estou no meu limite. - sussurro para mim mesmo e fecho os olhos imaginando a discussão que terei quando for para casa.


Notas Finais


Ei o que acharam?
Sla eu tentei me aprofundar, mas ficou meio vago kkk
Mas final achei mais profundo kksks
Até a próxima ❤️♥️❤️♥️
Quem tá shippando casal????


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