História Autumn - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Original, Outono, Romance
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Palavras 3.685
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá! Esse capítulo é sobre "A primeira vez que cozinhamos juntos", espero que gostem

Capítulo 3 - Nossas coisas.


Fanfic / Fanfiction Autumn - Capítulo 3 - Nossas coisas.

Um mês com o seu OTP

A Primeira Vez

“Autumn”

Chapter Three: “Our things.”

Capítulo Três: "Nossas coisas.”

By: H.K. Chase

 

 Apesar de ter tido um início relativamente rápido, meu relacionamento com Noah não aconteceu assim do dia para a noite. Pelo contrário, demoraram alguns meses até eu poder dizer, com certeza absoluta, que nós dois estávamos um com o outro.

 Como uma de minhas primeiras paixões platônicas, eu sempre imaginei Noah como um homem perfeito, e, nos nossos primeiros encontros, ele atendeu a absolutamente todas as minhas expectativas. Mas, conforme o tempo foi passando, fomos nos conhecendo melhor e percebi que ele estava longe de ser como eu pensei. Apesar do senso de humor inegável, do bom coração e da beleza, Noah era humano, tinha defeitos e cometia erros.

  Nos primeiros dias de novembro ele foi me buscar na escola pela primeira vez e, antes que o último período acabasse, saímos para uma caminhada no Boston Public Garden, que mais tarde seria o lugar que considerávamos nosso. Durante o percurso tivemos uma conversa sobre coisas banais, como de costume, já que a intimidade para conversas profundas ainda não existia e naquele momento uma dessas seria muito desagradável, quase como a conversa que tivemos minutos depois, quando chegamos ao parque. Fomos até o lago e na beira dele nos sentamos, num tipo aconchegante de silêncio.

 Naquela tarde, Noah me contou que eu era uma garota legal, mas que ela não estava à procura de um relacionamento sério, e eu dei risada, já que não queria um relacionamento com ele. Apesar dele ser meu crush na época, eu não poderia dizer que o amava e muito menos que estava pronta para um relacionamento sério com alguém que conhecia há poucas semanas, até hoje não sei se sua cara foi de alívio ou decepção. Eu disse também que eu não achava que era alguém que tinha casos passageiros, então se fosse para ter algo, eu queria algo sério, exclusivo.

 Conforme o tempo foi passando, aos poucos a intimidade que tínhamos foi aumentando, e passamos a nos conhecer maravilhosamente bem. É incrível como nem sempre as coisas são questão de tempo, às vezes uma pessoa que você conhece há um mês faz você sentir mais do que sentiu quando passou um ano inteiro ao lado de alguém. Em certos casos, as pessoas “se encaixam”, conseguem conversar sobre tudo e se sentir confortável ao lado da outra sem esforço, tudo flui de um jeito natural e gostoso, e acaba se transformando numa amizade poderosa. Foi assim que aconteceu comigo e com Elizabeth, imagino que também tenha sido assim que a amizade de Noah e Peter, seu melhor amigo, começou, e tenho quase certeza de que foi como a nossa teve início.

 Entretanto, ele continuava extremamente bonito e sua beleza apenas aumentou quando ele começou a conversar comigo sobre o violino, instrumento que eu não tocava desde a morte de meu avô, um ano antes. Ele havia me apresentado o instrumento e a música em geral quando eu tinha apenas cinco anos e me ensinou boa parte do que sei, então a Savannah de dezesseis anos sentia que era errado tocar algo que ela achava não ser seu. Com muita insistência e palavras de carinho e incentivo – contando com a ajuda dos meus pais – tirei meu violino do fundo do closet e pouco a pouco, voltei a tocar, sempre na companhia de Noah. De algum jeito aquele ato fez com a atração que eu sentia por ele aumentasse, e eu desconfiava que ele também começava a nutrir algum tipo de sentimento por mim, apesar de ambos negarmos.

 No final de novembro eu descobri quem realmente era Noah Concordia Marsden, o meu garoto dos sonhos, que não vinha dormindo direito já há alguns dias.

 

– Qual é, Vanni! Por favor. – Juntou suas mãos, em forma de súplica, o que me fez rir. – Nunca te pedi nada!

 – Já pediu para que eu saísse com você. E para que eu buscasse Thomas na escola, e também teve aquela vez em que...

 – ‘Tá, eu já entendi! – Ele riu, deixando que a cabeça pendesse levemente para o lado direito, uma mania sua. – Mas isso é realmente muito importante.

 – Eu não vou conhecer seus pais, Noah! Nós nem namoramos. – Argumentei, guardando meu violino. – Nós nunca sequer nos beijamos, para ser sincera.

 – Essa é sua desculpa? – Se levantou, caminhando até mim e segurando minhas mãos, fazendo com que eu também ficasse em pé. – Você sabe que nós podemos resolver isso num piscar de olhos, Savannah. – Seu tom de voz abaixou e ele aproximou o rosto do meu, de forma que nossos narizes se tocassem. Tive que me controlar para não “Resolver o problema”, como ele havia sugerido. – É só você querer.

 – Você quem me disse que não quer nada sério, Noah. – Toquei seu rosto, me afastando um pouco. – E eu deixei bem claro que eu não quero nada passageiro.

 – Sabe o que é passageiro? – Ele sorriu e se afastou, ainda segurando minhas mãos. – Meus pais. Eles estão ficando velhos, Vanni. Tenho que mostrar alguém decente para eles antes que batam as botas!

 Uma das coisas que eu admirava e, ao mesmo tempo não gostava tanto assim em Noah era sua capacidade de mudar completamente o rumo de uma conversa em apenas uma frase. Num momento estávamos quase nos beijando e no outro ele fazia piadas, como se nada tivesse acontecido.

 – Seus pais têm quarenta anos! Eles não estão nem perto de “bater as botas” e você sabe. Além de que, acha mesmo que o Sargento Griego vai me deixar jantar com vocês?

 – Eu tenho quatro coisas para te falar, Savannah Adelaine Santiago. – Revirei os olhos e cruzei os braços, pronta para o ouvir. – Em primeiro: Quem chama seu pai de “Sargento Griego” sou eu, não roube meus apelidos, por favor. E me escute antes de voltar a tagarelar sobre como o pai é seu e você o chama como quiser, porque eu já sei disso. Segundo: Thommy vai adorar ter você lá em casa de novo, a criança te ama; Terceiro: Você definitivamente deveria ser advogada caso todo o plano de ser violinista não dê certo.

 – Meu Deus, como você é insistente... – Soltei um riso leve, me virando para que pudesse terminar de guardar minhas coisas. – Qual a quarta coisa?

 – A quarta coisa é a mais importante. Eu sou um amorzinho de pessoa, minha família é maravilhosa e você é demais. – Pude sentir sua aproximação, mas não olhei para trás e apenas continuei a escutar. – Isso tudo são fatos apresentados antes do meu argumento número quatro: A única combinação melhor que eu + você é: eu + você + meus pais + jantar + noite de filmes depois. – Ele envolveu seus braços em minha cintura e encostou o queixo no meu ombro. – Não concorda?

 Tirei alguns segundos para pensar antes de o responder. – Noah Concordia Marsden... eu não consigo dizer não para uma combinação dessas. Você venceu.

 

O tempo entre o convite e o jantar foi de uma semana, e a cada dia que passava pude perceber que o comportamento de Noah começava a ficar estranho, ele parecia extremamente cansado e, sem querer, me admitiu sentir culpa por algo, que eu nunca descobri o que foi. Apesar daqueles sete dias terem parecido demorar uma eternidade, fiquei feliz pois Lizzie voltara de viagem na quarta-feira, e ter minha melhor amiga de volta foi a melhor sensação do mundo. Ela conheceu Noah no mesmo dia, já que ele tinha começado a ir me buscar todos os dias e até ofereceu uma carona para ela, que aceitou e não economizou nas perguntas durante o caminho, finalizando-as com um “Aquele seu amigo, Peter, ele ‘tá solteiro?” e nos fazendo gargalhar.

 Naquela semana tive que fazer todos os afazeres de casa, e até construir uma caminha para os gatos, que aproveitaram muito meu presente e a usaram duas vezes – em três anos – e até hoje fazem minha chorar de rir ao se lembrar da minha raiva com os felinos, que insistiam em dormir na minha cama. Atualmente eu não tenho mais esse problema, já que onde morava não eram permitidos animais, mas agora que tenho minha casa própria com certeza irei adotar um bichinho para me fazer companhia. Depois de muito implorar e fazer coisas, que na época eu achava um absurdo, consegui a permissão de meus pais para dormir na casa da família Marsden de sexta-feira para sábado, e me lembro até hoje de ter comemorado com Lizzie ao som de Never Say Never, do Justin Bieber.

 Quando sexta-feira finalmente chegou, meu pai me levou até a Marlborough Street, que tinha pequenos prédios residenciais quase idênticos, o que me confundiria se eu não soubesse que o dos Marsden se destacava por ser branco entre os avermelhados. Geralmente mais de uma família mora nesses locais, mas como Katheryn e Francesco eram donos do imóvel, eles ocupavam cada um dos três andares. Minha memória me impede de a descrever com mais detalhes, visto que os únicos lugares dos quais realmente me lembro são a cozinha e o quarto de Noah, que me esperava na janela do primeiro andar.

 – Olá. Desculpa por não ter ido te buscar ontem, as coisas ficaram corridas com Thommy e...

 – Noah. – O interrompi, entrando em sua casa assim que ele abriu espaço para que eu o fizesse. – Deixa de ser ridículo, não precisa pedir desculpa. Você ‘tá aqui, e eu ‘tô aqui, e seus pais vão fazer um jantar maravilhoso. É isso que importa.

 – Você só veio pela comida, né? Eu sempre soube, Savannah. Sempre soube. – Ele balançou a cabeça negativamente, me fazendo rir. – Sobre o jantar... tem um problema. – Colocou a mão na nuca, entortando os lábios. – O voo dos meus pais atrasou um pouco, eles só chegam por volta das sete e meia. Vamos ter que fazer a comida.

 – Que horas pretendemos jantar? – Perguntei, suspirando. Apesar de gostar de cozinhar eu nunca fui a melhor das cozinheiras. – E que horas são?

 – No máximo até as oito. – Tirou o celular do bolso e viu as horas, fazendo uma cara de decepção. – Seis e trinta e oito.

 – Você cozinha bem? – Ele negou. – Então eu acho melhor começarmos agora.

  Deixei minha mochila no sofá da sala de estar e esperei enquanto Noah ia atrás do livro de receitas de sua mãe, que parecia estar perdido em algum lugar do ateliê da mulher, que era deslumbrante. Katheryn era uma mulher de negócios, C.O.O da empresa que ela e o marido fundaram juntos, era raro ela ter algum tempo para si, e quando não passava este com os filhos, se ocupava pintando. Tinha retratos de Noah e Thomas, de jardins e abstratos, todos muito coloridos e pouco objetivos, coisa que me surpreendeu um pouco, devo admitir. Uma vez que achado o livro, fomos para a cozinha e o colocamos na bancada de mármore ônix, folheando-o atrás de algo fácil o suficiente para nós dois. Como amantes da culinária italiana acabamos por escolher uma lasanha, ou talvez tenha sido macarrão, mas meu instinto diz que foi lasanha.

 O processo não era assim tão complicado, todos os ingredientes já estavam comprados e devidamente guardados na geladeira da família; o primogênito pegou tudo o que precisávamos enquanto eu pegava meu celular e ia até o Spotify, caçando uma boa música para ouvirmos enquanto tentávamos cozinhar.

 

“This time, this place
Misused, mistakes
Too long, too late
Who was I to make you wait?”

 

 – Just one chance, just one breath... – Cantei, olhando-o, ao meu lado. – Just in case there’s just one left. ‘Cause you know… You know, you know…. That I love you, I have loved you all along.

 Lembro perfeitamente de ter me aproximado e segurado suas mãos, o chamando para uma dança que não aconteceu. Não naquele momento, pelo menos, já que Noah parecia relutante em curtir o momento, mas depois de alguma insistência de minha parte ele pôs as mãos no meu quadril e moveu o corpo lentamente, sincronizando seu ritmo com o meu. Acontece que ele era um péssimo dançarino e pisou no meu pé pelo menos três vezes, me fazendo rir alto e perder completamente o clima gostoso da música, que mais tarde viria a ser a nossa música – uma triste ironia, se você ver a letra dela.

 – Essa música é horrível! – Sussurrou no meu ouvido, e apesar de não o ver, eu imagino que ele tenha fechado os olhos. – Keep breathing, cause I’m not leaving you anymore... Believe it.

  Pensei em brincar sobre ele detestar a música e mesmo assim canta-la para mim, mas não falei nada, apenas o puxei mais para mim e apertei um pouco o abraço em que o estava envolvendo, enquanto continuamos a dançar, no silêncio entre uma música e outra. Depois disso, voltamos a nossa tentativa frustrada de fazer lasanha.

  Enquanto Noah fazia a carne, eu fazia o molho de tomate e tentava, ao mesmo tempo, lavar a louça que estávamos sujando. Descobri que eu não consigo fazer essas duas coisas ao mesmo tempo e deixei o molho queimar, enquanto meu chef deixava a carne mais salgada que a água do mar e o forno não estava nem ao menos ligado, quando já deveria estar pré-aquecendo. Ao tentarmos montar a lasanha chegamos à conclusão de que a massa comprada não era o suficiente para o tamanho do recipiente, e que o queijo era muito. Quando faltavam poucos minutos para eu desistir, a porta da casa se abriu e três pessoas entraram, rindo e tomando sorvete em casquinhas, Thommy estava nos ombros do pai e Katheryn estava ao seu lado, se esquivando das mãozinhas sujas do filho mais novo.

  – Francesco! Savannah está aqui! – A morena exclamou com animação, e olhei para Noah confusa, já que ainda não nos conhecíamos e ela de algum jeito sabia meu nome. – É um prazer finalmente te conhecer!

 – É um prazer te conhecer também, Sra. Marsden. – A cumprimentei com um sorriso e logo fui cortada por Francesco, que vinha em minha direção com seu sorriso torto.

 – É Katy para você, querida! – O homem exclamou, me dando um beijo em cada bochecha e então me dando Thommy para que eu o segurasse. – E nem ouse me chamar de senhor, não tenho nem 50 anos. É bom finalmente conhecer a única coisa da qual meus dois filhos falam nos últimos dias.

 – Pai!

 – Ah, meu amor. – Katy interviu, se aproximando de Noah e o abraçando. Ela era pouca coisa mais alta que eu, e extremamente parecida com o filho. – Você só sabe falar da garota que conheceu no parque desde o Halloween, não adianta mentir. Você nunca falou assim de ninguém, seu pai e eu temos que comemorar. E, é claro, ver se ela é certa para você.

 – Não, não! Noah e eu somos só amigos. Sério. – Me pronunciei, sentindo Thomas puxar alguns fios de meu cabelo para brincar. – Quer dizer...

 – Nem adianta discutir, Vanni. Eles só vão parar quando nós dois casarmos.

  Francesco e Katheryn continuaram a falar sobre o quanto nós dois formávamos um casal bonito e também comentaram sobre sua viagem, e tudo estava ótimo até eles sentirem o cheiro horrível de tomate queimado que impregnava a cozinha. Os pais de meu amigo perguntaram o que tinha acontecido lá e explicamos a situação, que os fez rir; sugeri que pedíssemos uma pizza, mas o casal negou na hora e tomou as rédeas da situação. Katy me mandou lavar a louça enquanto Noah ia ao mercado comprar algumas coisas e Thommy ia tomar um banho, assim fizemos e em menos de vinte minutos ela e o marido começaram a preparar o jantar.

  Enquanto eu e o filho mais velho cortamos alguns legumes, o casal parecia tomar conta da situação, com uma sincronia de dar inveja. Antes mesmo que ela pedisse alguma coisa Francesco já havia lhe entregue e tudo parecia fluir naturalmente entre os dois, que pediram para que Noah e eu “aprendêssemos com os mestres”, e foi o fizemos; ele se apoiou na bancada escura e abraçou minha cintura por trás, de modo que eu ficasse no meio de suas pernas. Com o queixo encostado em meu ombro, observamos enquanto seus pais brincavam com o molho branco, que estava na bochecha da mulher. Desde pequena admirei a união de meus pais e os achava o casal mais bonito do mundo, mas conhecer Francesco e Katheryn Marsden fez com que meus velhos tivessem que disputar o primeiro lugar. Eles eram um casal jovial e que tinha certo contraste, tanto pela aparência física quanto em personalidade, mas que pareciam se encaixar perfeitamente bem numa convivência em família.

  – Seus pais são muito bonitos juntos. – Segredei para Noah, que apenas riu como quem ouvia aquilo com frequência.

 – Eu sei.

  Naquela noite comemos frango à parmegiana, com alguns legumes e uma salada, para quem quisesse. O jantar foi extremamente agradável, e me lembro de ter rido muito durante ele, tanto pelas piadas que Thommy soltava constantemente quanto pelos comentários de Francesco e Katheryn no intuito de envergonhar Noah na minha frente, que foram em vão, já que ele parecia não se importar e até os ajudava a contar suas histórias embaraçosas. Me lembro também de ter subido para o quarto cinza por volta das onze da noite, me enrolar nas cobertas ao lado do garoto dos sonhos e passar a madrugada assistindo filmes de ação.

 

 

  Duas semanas mais tarde, Noah Concordia Marsden me ligou desesperado às quatro e meia da manhã de uma segunda-feira, dizendo que era para eu ir até o “nosso” banco no Boston Public Garden. É claro que eu não entendi nada do que ele estava falando, mas coloquei meu moletom do New England Patriots¹, minhas botas fofinhas e fui ao seu encontro. Por sorte o parque não era muito longe de casa, então a chuva forte não foi um grande empecilho, apesar dela ser a menor de minhas preocupações no momento. Não fazia ideia de onde ficava o tal banco, já que nunca tínhamos denominado nada de nosso até então, e tive que supor que era o banco no qual ele estava sentado no dia em que nos conhecemos. Quando cheguei lá, Noah soluçava, mas não parecia chorar.

  – Ei... o que aconteceu? – Perguntei, me aproximando e sendo repelida. – Noah, você está tremendo.

 Esfregando as mãos em frente ao rosto e então as passando pelo cabelo encharcado, ele tremia e tinha uma feição assustada. Quando tentei me aproximar, Noah se virou de costas para mim e tentou respirar fundo, mas não conseguiu já que estava com problemas para fazer tal coisa, o que fez com que eu entrasse em pânico por alguns segundos. Me obriguei a controlar a respiração e ter um pouco de autocontrole, já que o foco ali tinha que ser ele.

 Depois de minutos de silêncio, ele pareceu se acalmar um pouco, apenas o suficiente para conseguir falar. – Há algum tempo, eu mandei minha carta para tentar entrar em Harvard, e hoje eu descobri que, bem, eu não entrei. – Ele soluçou, a voz tão trêmula quanto suas mãos. – E eu fiquei tão puto quando soube, Vanni. Quer dizer, meus pais vão me matar.

  Era difícil entender o que ele estava falando, já que o barulho da chuva estava alto, ele respirava rápido demais e tinha voz trêmula, tentando não chorar. Com muito esforço, Noah me contou que tinha que entrar em Harvard, já que aquele foi o lugar onde seus pais se conheceram e também onde todos os Marsden de negócios se formaram. Contou que quando soube que não tinha conseguido cumprir com a única coisa que seus pais sempre pediram, subiu para o quarto e se trancou lá, não dando devida atenção ao irmão mais novo, de quem deveria ter cuidado. De algum jeito que nunca me foi bem explicado, Thomas acabou se machucando ao tentar fazer uma bebida quente para o irmão, afim de o animar de algum jeito. Noah acordou com os gritos do irmão e imediatamente o levou para o hospital, onde ligou para os pais que o mandaram ir para casa assim que chegaram lá.

 Desde que consigo me lembrar as notas de Noah foram perfeitas, ele era o presidente do grêmio estudantil e ainda arranjava tempo para atividades extracurriculares de todo tipo. Eu só demorei para descobrir que ele só fazia a maioria dessas coisas pela pressão que lhe era feita para que ele fosse perfeito; seu sonho sempre foi ser escritor, mas ele o abandonou no segundo em que o pai disse que precisava de alguém para assumir a empresa quando se aposentasse. E no momento em que concordou em ser o sucessor de Francesco Marsden, ele se tornou o Noah das notas perfeitas, do sorriso perfeito, da vida perfeita. Não acho que Katheryn ou até mesmo o próprio Francesco saibam o quanto isso torturou seu filho, o quanto o “você deve ser alguém na vida” o machucou, acho que eles só queriam o melhor, mas quando ele não atendia aquelas expectativas tão altas, o casal acabava extrapolando nas broncas e fazendo com que Noah, de alguma forma, se quebrasse um pouquinho.

 – Eu não faço ideia do que você está passando, Noah... não mesmo. E eu não posso prometer que tudo vai ficar bem, mas eu posso prometer que vou estar aqui quando tudo desmoronar. Vou estar com você, não importa o que aconteça. Você pode contar comigo. – Falei, mais alto que a chuva. – Eu estou aqui.

 – Você é maravilhosa, Savannah Adelaine Griego. – Ele soluçou meu nome, e pude perceber suas lágrimas escorrerem junto com a chuva. – Simplesmente maravilhosa.

 Nisso, o puxei para mim e o abracei o mais forte que consegui, encostando minha cabeça em seu peito e ouvindo seu choro em meu ouvido. Tentei juntar seus caquinhos naquele abraço, e por mais que não tenha conseguido, sei que tentei, e tentaria mais mil e uma vezes por ele.

 – Keep breathing... cause I’m not leaving you anymore... Believe it. – Cantei em seu ouvido, e proferi cada uma daquelas da forma mais verdadeira possível.

 

Hold on to me and, never let me go
(Keep breathing) Hold on to me and, never let me go
(Keep breathing) Hold on to me and, never let me go



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