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História Avalance e Dinahsiren one-shots - Capítulo 10


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Notas do Autor


Então, eu sei que eu sumi. Vou explicar: tenho me sentido tão triste, desanimada para escrever, que não sinto mais vontade de me sentar e escrever. E eu sei que é um exercício diário, que preciso começar para voltar ao ritmo, então decidi terminar as oneshots que abandonei pela metade e assim fechar esse ciclo.
Depressão e ansiedade tem dessas coisas.

Por favor, comentem e dêem ideias, digam o que acharam, porque isso ajuda muito.

Obrigada

Capítulo 10 - Time Travelers


Fanfic / Fanfiction Avalance e Dinahsiren one-shots - Capítulo 10 - Time Travelers

Parecia um dia comum, o céu estava azul e os pássaros cantavam, agentes entravam e saíam do prédio pelas portas de vidro e nada parecia perturbar a paz que se instalou. Os três amigos se ajoelharam atrás de um dos arbustos do canteiro bem cuidado da Agência do Tempo, eles teriam uma única oportunidade de entrar e conseguir encontrar uma saída de 2019.

- Está na gaveta superior direita da mesa da Diretora – Ivy acenou para eles – Dylan, fica atrás da gente, e Katie é melhor abrir a porta rápido.

- Deixa comigo!

- Tem certeza que não podemos chamar as lendas? – Dylan perguntou – Eles podem nos levar pra casa.

- E depois a gente morre – Ivy reclamou – Eu nunca mais vou conseguir por meus pés na agência.

- E eles podem demorar, não quero passar mais tempo em 2019 e Ivy é uma cabeça dura que não quer pedir ajuda – Katie reclamou – Ainda não acredito que elegeram o Trump!

Os outros dois concordaram. À primeira vista as duas adolescentes podiam ser confundidas como irmãs, tinham os mesmos cabelos loiros presos em rabos de cavalo no alto da cabeça, os mesmos traços e até compartilhavam as covinhas, mas a mais velha, Ivy, era dona de olhos que mais pareciam safiras enquanto a outra, ligeiramente mais alta, tinha olhos verdes brilhantes; o garoto, por sua vez, parecia mais novo do que suas companheiras e destoava com seus cabelos negros rebeldes e olhos cinza.

- Vamos lá – a mais velha chamou – É agora ou nunca, mas lembrem-se de chamar o mínimo de atenção possível.

Dentro da agência do tempo, Sara caminhava pelos corredores com Laurel e Dinah em seu encalço, as três mulheres usando seus trajes de canário, após deixar um lobisomem em sua cela temporária.

- Nem sei como agradecer a ajuda, as lendas estão caçando um vampiro na Transilvânia e ficamos sem opção agora que a Nora trabalha para a agência.

- Não foi um problema – Dinah sorriu – Foi uma boa mudança de cenário e eu não imaginava que ainda pudesse me surpreender, mas nunca pensei que caçaria um lobisomem.

- Quem diria que eles são tão sensíveis a ruídos? – Laurel riu.

O alarme soou e luzes de emergência começaram a piscar, agentes correram por toda parte, alguns informando que a ameaça estava nos pisos superiores e outros que se encontrava nos primeiros andares; desde que Ava se tornou diretora da agência, Sara nunca tinha visto os agentes tão perdidos e correndo como formigas desorientadas.

As mulheres assumiram uma posição defensiva enquanto Sara tentava se comunicar com a namorada e descobrir o que estava acontecendo, mas parecia que as comunicações estavam falhando.

Ava virou o corredor parecendo ofegante eu um tanto desalinhada, mas em meio ao caos ela parecia quase tranquila demais; Sara se adiantou em sua direção, sendo seguida pelas outras mulheres.

- Acho que alguém invadiu o sistema de segurança, os sensores estão acusando presenças em vários andares diferentes, mas não tem ninguém! – Ava se exasperou e só então pareceu se dar conta da presença das outras mulheres – Ah, olá! Me desculpem a minha falta de jeito...

- Nós entendemos – Dinah a tranquilizou – Não seria melhor inspecionar o prédio?

- Estão tentando chamar a atenção, ou melhor, desviar a atenção – Laurel deu um passo em frente e olhou ao redor – Já estão aqui em algum lugar.

- Diretora!

Gary apareceu correndo, ofegante e parecendo ter atravessado um furacão para chegar a até elas, o pobre homem tremia como uma vara verde.

- Invasão... Sua sala... – Gary gaguejou – Estão invadindo sua sala!

As quatro mulheres trocaram um olhar significativo.

- Vamos lá – Sara chamou.

Há alguns metros dali, apenas um andar acima, Ivy vigiava o corredor enquanto Katie lutava contra a tranca digital da sala e Dylan usava um dispositivo eletrônico para continuar seu trabalho de enganar o sistema de segurança da Agência.

- Anda logo com isso, Katie!

- Gritar comigo não faz o trabalho ir mais rápido!

- Uh, gente... – Dylan chamou - Temos problemas.

As duas levantaram a cabeça no exato momento em que Sara Lance virou o corredor e ficou estática ao ver três adolescentes.

- Merda – Katie murmurou – Já lutou com ela, né?

Ava Sharpe apareceu atrás da namorada e pareceu tão surpresa quanto à capitã.

- Nunca com as duas ao mesmo tempo.

Dinah e Laurel chegaram em seguida, paradas lado a lado a mulheres pareciam ameaçadoras e intransponíveis.

- E você?

- Nunca com as duas ao mesmo tempo – Katie murmurou como se estivesse diante da morte certa – Elas vão matar a gente.

- Dylan, assume a posição – Ivy tirou a faca do bolso – Katie, é com a gente.

Dylan correu para a tranca digital enquanto Ivy e Katie avançavam em direção às mulheres. Ivy alcançou Sara primeiro e desviou do primeiro golpe, acertando um soco em seu estômago só para que Ava tentasse lhe acertar um chute, do qual ela desviou habilmente. Conhecer o estilo de luta das mulheres ajudava a premeditar seus golpes, mas Ivy nunca teve a chance de lutar com as duas ao mesmo tempo e nem com elas realmente querendo machucá-la de alguma forma.

Ao seu lado, de alguma forma Katie estava conseguindo se manter contra Dinah e Laurel ao mesmo tempo, mas a garota caiu sem fôlego após levar um chute da altura das costelas. Ivy tentou alcançá-la, mas Ava lhe acertou um gancho de direita bem no queixo; ela estava cansada, seu corpo doía e era isso, o fim, era melhor se entregar de vez e torcer pra situação não piorar ainda mais.

As luzes piscavam e uma leve eletricidade pairou no ar entre elas, Dylan abriu a porta e correu para dentro, e Ivy calculou que se conseguisse derrubar Ava sobre Sara, só por um momento, conseguiria puxar Katie para longe e eles poderiam atravessar um portal, não podia ser tão difícil assim.

As mulheres avançaram e Ivy recuou um passo, puxando Katie para ajuda-la a se levantar. As duas garotas analisaram juntas as oportunidades.

- Agora, o que temos aqui... – Laurel se aproximou como um predador – O que fazem com invasores na agência do tempo?

- Temos uma cela especial pra eles.

Katie balançou a cabeça e murmurou um “hora do improviso” para Ivy que concordou, as luzes voltaram a piscar, dessa vez com mais força, e com um único gesto ela enviou as quatro mulheres contra a parede.

- Vem!

Ivy puxou Katie pelo braço e elas entraram na sala da diretora e deixaram as mulheres caídas umas sobre as outras no chão, ela pode jurar que ouviu Laurel praguejar e dizer que mataria aquelas crianças, então era hora de dar o fora dali imediatamente; Dylan as olhou como um cachorrinho que caiu da mudança e apontou para a gaveta.

- Está trancada e não consegui o código.

- Merda – Ivy grunhiu – Katie, consegue empurrar todo mundo pra fora do caminho pra gente sair?

- Acho que sim.

- Tarde demais meninas.

Laurel gritou e enviou as duas adolescentes pela sala, jogando-as contra a parede dos fundos derrubando alguns livros no processo; elas caíram desacordadas e Dylan, que parecia assustado além do limite, levantou as mãos em rendição.

- Meu nome é Dylan Raymond Palmer e eu conto tudo se não prenderem a gente.

- Palmer? Como algum parente do Ray? – Sara perguntou.

- Isso! Sou filho do Ray e da Nora.

Dinah se aproximou das garotas caídas, ainda inconscientes, e lançou um olhar reprovador para Laurel.

- Não precisava disso tudo, elas não passam de crianças.

- Precisava sim, uma delas quase quebrou nosso pescoço – Laurel se defendeu – E elas vão ficar bem.

- Se o garoto está dizendo a verdade...

- Eu estou! – Dylan garantiu.

- Então vamos levá-los para a Waverider – Sara continuou – E podemos ouvir o que eles tem a dizer.

[...]

Sara e Laurel se encarregaram de puxar as garotas até o laboratório para prendê-las em um campo de força, depois de deixar Gideon curar seus ferimentos porque é claro que Dinah e Ava insistiram nisso, e, enquanto Dylan comia com Zari na cozinha, elas só aguardaram que as duas acordassem.

Não demorou muito tempo para que uma delas, a mais baixa, começasse a despertar.

- Cara... – ela gemeu – Acho que acertaram minha cabeça!

- Alguém anotou a placa do trem que me acertou? – a outra reclamou.

- Sejam bem-vindas de volta – Sara cumprimentou – Agora é a hora em que vocês começam a falar.

- Espera... Cadê o Dylan? – a mais baixa se desesperou procurando o garoto em volta - Sequestraram o Dylan?!

- Elas não sequestraram o Dylan – a outra garota bufou – Elas são as mocinhas, fazem o que é certo e tal...

- Eu não teria tanta certeza disso – Laurel interrompeu.

- ... por outro lado estou presa aqui com você! Grande plano, Ivy.

- Não estamos presas.

A garota mais alta, Sara precisava mesmo descobrir seus nomes, deu um chute no campo de força, tornando-o brevemente visível.

- Presas – afirmou como se fosse óbvio – E tudo porque o Dylan tinha que brincar com magia e você achou que seu plano daria certo.

- Parem de brigar! – Ava ordenou sem dar espaço para contestações – Dylan disse que é filho do Ray e entregou vocês como viajantes do tempo, mas não disse muito mais do que isso.

- E você é notoriamente uma meta humana – Dinah olhou diretamente para a garota mais alta – Telecinese?

- Dentre outras coisas.

Foram interrompidas por Zari entrando no laboratório com Dylan a reboque, o garoto falando pelos cotovelos.

- Vocês estão bem! Eu tive que contar pra elas quem eu era, pra evitar que nos jogassem em uma das celas da agência do tempo, mas juro que não disse uma palavra sobre vocês, nem mesmo seus nomes – Dylan sorriu orgulhoso – E me deram pizza, disseram que podem comer se confessarem o que viemos fazer.

- Ele sempre fala tanto assim? – Zari perguntou com uma careta.

- Sempre – as garotas responderam juntas.

- Nós podemos fazer isso do jeito fácil, comendo pizza na cozinha, ou podemos ficar aqui pelo tempo que for necessário – Sara ofertou – Podem escolher.

- Eu realmente quero ir embora desse ano, tenho um baile pra ir – a mais alta bufou – Prefiro o jeito da pizza.

- Concordamos com o primeiro modo, se prometerem nos ajudar depois.

- Isso nós vamos ver.

Sara desativou o campo de força e guiou as garotas pela nave até a cozinha, mas curiosamente elas pareciam saber bem o caminho assim como conheciam a agência do tempo; e se o garoto estava dizendo a verdade, e elas não duvidavam que estivesse, ele era filho do Ray, o que significava que as garotas podiam estar ligadas às lendas de alguma forma.

Depois que todos estavam com suas pizzas e cervejas, refrigerantes para os adolescentes e Zari, eles se acomodaram na mesa da cozinha e Sara fez um gesto para que começassem a falar, o garoto abriu a boca para começar um novo monólogo e certamente teriam que interrompê-lo logo, mas felizmente foi interrompido pela chegada de Ray e Nora.

- O que está acontecendo aqui e quem são eles? – Ray perguntou.

- Eles invadiram a agência e agora estamos tentando descobrir quem eles são – Sara explicou.

- Eles – Nora apontou – Fizeram aquela bagunça na agência?!

- E eles são viajantes do tempo – Ava completou – E tem alguma ligação com as lendas.

- Eu voto pra jogar eles em uma cela – Laurel levantou a garrafa de cerveja.

- Laurel! – Dinah ralhou – Temos que ouvir o que eles tem a dizer.

O garoto não perdeu tempo.

- Eu sou Dylan Raymond Palmer, seu filho – comentou alegre – E também herdei a magia da minha mãe, por isso estamos aqui. Não aqui, na Waverider, mas em 2019 e foi totalmente um acidente!

- Você é meu filho com a Nora? – Ray gaguejou – Quantos anos você tem?

- Eu tenho treze anos e estudo da Barthon, uma escola para crianças prodígio, e nós trabalhamos em vários projetos juntos – o menino explicou parecendo muito feliz consigo mesmo – Quero dizer, eu não sou um gênio completo, mas amo a física.

Ray sorriu de volta para o garoto e Sara notou que ambos tinham o mesmo sorriso gentil, e embora se parecesse com o pai Dylan tinha os olhos da mãe copiados quase à exatidão. Nora parecia emocionada, olhando para Dylan como se quisesse absorver cada detalhe de sua figura, e Ava passou a mão pelas costas da amiga, tentando mostrar algum apoio.

- E vocês?

Sara perguntou às outras duas. Pela primeira vez, seria possível ouvir um alfinete caindo no chão, todos queriam saber quem eram as garotas e com quem estavam ligadas, foi a mais baixa a se adiantar e falar primeiro.

- Eu sou Ivy Laurel Lance e tenho dezessete anos.

A resposta fez Laurel engasgar com a pizza que estava comendo e foi preciso que Dinah desse batidinhas em suas costas, arrancando risadinhas de todos.

- Ivy Laurel Lance como minha filha?

Laurel perguntou parecendo aterrorizada, Sara nunca tinha visto Laurel com os olhos arregalados como um cervo encarando os faróis do carro de um caçador.

- Mais como filha da Sara e da Ava.

Laurel suspirou aliviada ao mesmo tempo em que Ava ofegou, é claro que as semelhanças entre elas estavam lá para todos verem, mas não era todo dia que encontravam uma filha vinda do futuro.

- Você é minha filha? Nossa, minha e da Sara, filha?

- Isso mesmo.

Ivy parecia ser uma cópia mais jovem de Sara, mesmos olhos azuis e covinhas, além de uma aura de criadora nata de problemas com os quais Ava teria que lidar no futuro.

- Não pode ser – Ava gemeu – Minha filha nunca teria invadido a agência ou feito uma bagunça dessas, eu não acredito nisso.

- Ava, amor, calma – Sara pediu e se voltou para os adolescentes – Relevem, descobrir que sua filha é uma espécie de delinquente juvenil e puxou pra mim não é bem o que ela chamaria de dia especial.

Se Sara fosse ser sincera em voz alta, e ela não seria de jeito nenhum ali, ela estava meio que orgulhosa da filha. Um tanto quanto em choque por descobrir que seria mãe em algum momento, mas ainda assim orgulhosa.

- Ei, eu não sou uma delinquente juvenil – a garota reclamou – Trabalho na agência como assistente da minha mãe desde os quinze anos e vou pra faculdade de medicina no próximo ano.

- Ivy tem o costume de nos liderar nessas empreitadas fantásticas, algumas desventuras pelo caminho, mas nada como isso até agora – a garota mais alta explicou – Ela é uma boa líder quando tem tempo de planejar tudo, nós sempre conseguimos roubar os biscoitos que a tia Ava escondia no armário.

- Tia Ava? – perguntou Dinah – Achei que vocês eram irmãs.

Sara notou a semelhança entre as duas, com exceção dos olhos e dos cabelos um pouco mais escuros, o que tornava possível que aquela garota fosse sua filha mais nova, e ela estava esperando tal revelação desde que Ivy admitiu ser sua filha com Ava; as duas com certeza agiam como irmãs, pelo menos discutiam e se protegiam como Sara e Laurel durante a adolescência e isso deveria dizer algo. No entanto, Ivy lançou um olhar cheio de provocação para a garota mais nova e sorriu como se aguardasse algo delicioso demais.

- Quero ver a cara delas quando disser seu nome.

- Eu sou Katherine Drake Lance, mas todo mundo me chama de Katie – respondeu orgulhosa – Eu tenho quase dezesseis anos, sou metahumana e acho que é só.

Laurel deixou cair o pedaço de pizza que segurava e Dinah ofegou audivelmente. Sara sabia que havia alguma tensão sexual reprimida entre elas, mas definitivamente não imaginava que o sentimento poderia ir além disso, mas ali estava uma garota cuja existência dizia o contrário.

- Eu não acredito nisso, não posso ter uma filha – Laurel decretou – Quero um exame de DNA!

Sara olhou bem para a garota, dos cabelos em tom de loiro mel aos olhos verdes brilhantes, passando pelos lábios e traços familiares. Com um bufo exasperado, a capitã acenou em direção à garota como se quisesse chamar a atenção de todos para o óbvio.

- Ela é tipo, exatamente como você!

- Mamãe diz que herdei sua aparência e personalidade.

- Se fodeu, Laurel – Sara riu – Se bem que com duas de você em casa, Dinah está em pior situação.

- Sara – disse Ava em tom de aviso – Pare de implicar sua irmã.

- Exatamente como em casa – Dylan observou com um sorriso – Acho que velhos hábitos não mudam afinal de contas.

- Ainda somos assim no futuro? – Ava perguntou – Sara ainda me deixa louca?

- Sim – os três responderam juntos, mas Ivy forneceu a próxima informação – E são nauseantemente apaixonadas uma pela outra, era de se esperar que diminuíssem com o tempo.

Katie não ofereceu nenhuma informação em relação a suas mães, mas dado a sua expressão tranquila, Sara achava que era por pura sensibilidade à situação emocional em que suas mães se encontravam. Laurel e Dinah ainda evitavam se olhar, mas enquanto a loira sequer conseguia encarar a filha, a canário negro simplesmente não parecia capaz de tirar os olhos da garota.

Enquanto Ray e Dylan trocavam algumas informações sobre física e projetos, Nora parecia tentar absorver cada detalhe do rosto do filho, como se pudesse aprender suas expressões e maneirismos.

- Então – Sara pigarreou – Como pararam aqui?

Os três trocaram um olhar culpado.

- Estávamos na casa do...

- Alerta de spoiler – Katie deu uma cotovelada nas costelas da prima – Ainda não.

- Ah, é verdade. Eu me esqueci, linha do tempo e tal – Ivy balançou a cabeça – Ainda bem que temos o nosso geniozinho pra lembrar dessas coisas.

- Se me chamar assim de novo, juro que vou quebrar seu nariz – Katie ameaçou e Sara meio que se surpreendeu com o quanto ela se parecia com Laurel ao fazer isso - Ou um dos seus braços.

- Katie é o orgulho da família ao pular duas séries e já estudar no último ano, mas ela não gosta de lembrar disso – Ivy deu de ombros – De todo jeito, estávamos nesse lugar e tudo era tão monótono!

- Nem as árvores fazem fotossíntese lá.

O comentário de Katie arrancou risadinhas dos adultos, mesmo Laurel pareceu relaxar um pouco mais.

- Eu disse que conseguia abrir um pequeno vórtice temporal, vim treinando magia só de brincadeira no último verão – Dylan contou – Era pra ser pequeno, nada demais e em nenhum dia significativo da história, mas saiu do controle e acabamos em Washington, 2019.

- E aí acharam que a melhor opção era invadir a agência do tempo? – Dinah perguntou – Onde estavam com a cabeça?

Katie e Dylan apontaram, ao mesmo tempo, para Ivy.

- Meu plano era entrar e sair sem sermos notados por ninguém.

- O que claramente falhou – Laurel comentou em tom sarcástico.

- Você é igualzinha a sua mãe – Ivy falou para Katie – Até a forma como rolam os olhos pra trás.

- Cala a boca! Se tivesse me escutado desde o começo, nada disso teria acontecido – Katie resmungou entredentes – Agora preciso ir pra casa implorar pras minhas mães deixarem meu castigo pra amanhã, pra eu ter a chance de levar a Robin ao baile. E tudo é culpa sua!

- Não foi culpa minha! Quer brigar?!

Sara e Laurel se meteram entre as duas antes que uma pudesse avançar sobre a outra, mas além dos comentários mordazes e das ameaças as garotas não pareciam dispostas a lutar.

- Elas são assim o tempo todo – Dylan sorriu – Mas não se largam.

- Claro, quem mais vai aguentar ela? – Katie apontou para a prima – Só eu.

- Por favor, você queria ser tão legal quanto eu!

- Chega! – Ava deu um basta – Acho que podemos levar vocês de volta agora, antes que a linha do tempo vire uma bagunça. Amor, meu portal do tempo quebrou quando fomos arremessadas contra uma parede – ela lançou um olhar agudo para Katie, que o ignorou completa e lindamente – Tem um no seu quarto?

- Vou buscar e volto em um minuto.

Sara saiu em direção ao quarto que ainda ocupava na Waverider e em seguida Laurel saiu da cozinha indo em direção contrária, ao que Dinah tocou o ombro da filha e murmurou um “eu vou falar com ela” antes de seguir seus passos para fora do aposento. Nora não perdeu a oportunidade de abraçar o filho, de sentir em seus braços como ele era real, perfeito, e tão parecido com Ray que era mais como um conto de fadas.

- Você é um bom garoto – Ray bagunçou os cabelos dos filhos – Já estou orgulhoso de você, mesmo tendo invadido a agência e causado alguns problemas.

- Eu mal posso esperar pra ser sua mãe – Nora admitiu – Embora, eu saiba que preciso esperar e seguir a linha do tempo, mas eu meio que não quero te deixar ir.

- No momento certo – Dylan garantiu – Sem spoilers, mas vai ser uma surpresa!

Ainda junto a bancada, Ava e Ivy se olharam sem saber bem o que dizer uma para a outra. Com os ânimos mais calmos, Katie apertou a mão da prima em um aperto reconfortante e murmurou um pedido de desculpas, avisando que precisava ir ao banheiro antes de sair.

- Então... – Ivy começou – Decepcionada?

Ava pensou sobre aquilo, pesando seus sentimentos e primeiras impressões sobre aquela que viria a ser sua filha do futuro.

- Não – Ava admitiu – Um pouco surpresa, só isso. Eu sempre achei que se tivesse uma filha, ela teria um pouco de mim, mas você é completamente como a Sara. E eu amo isso.

- Eu também me pareço com você, mas em outras coisas – Ivy sorriu brevemente – Não posso contar tudo porque tem a linha do tempo e tal, mas adoramos passar horas assistindo documentários sobre serial killers juntas. Até temos um quadro de anotações!

- Isso é tão legal! – Ava guinchou perdendo totalmente a postura de diretora da agência do tempo – E ouvimos podcasts?

- Tá brincando? Eu participo do seu podcast!

Ava sorriu mais uma vez, um milhão de perguntas fervilhando em sua cabeça, e ela optou pela única que acreditava ser segura o bastante.

- Você se sente incluída nas nossas vidas?

- Sim – Ivy disse com sinceridade – Totalmente.

Sara escolheu esse momento para voltar com o portal do tempo em mãos, mas sem que Ava soubesse havia esperado um minuto para observar sua interação com a filha do futuro.

- Então, Ava, o que acha de ter duas de mim em casa?

- Acho que posso me acostumar com a ideia...

Enquanto Ivy conversava com a mãe, Katie andou pela nave até encontrar suas mães no laboratório; ao observá-las, notou que elas pareciam próximas, trocavam olhares apaixonados da mesma forma como se lembrava do futuro, mas ainda havia certa distância entre elas que pesava como um bloco de gelo.

- Laurel...

Dinah começou a falar, mas foi interrompida por Laurel com um aceno.

- Não. Eu não posso ter uma filha, não posso ter esperanças de um futuro doméstico com você porque isso nunca vai dar certo pra mim – Laurel murmurou – Como ela vai me olhar quando descobrir o que eu fiz?

- Como minha mãe – Katie respondeu chamando a atenção das mulheres e continuou a se aproximar delas – Quando me contaram o que aconteceu, porque decidiram que eu saberia de uma forma ou de outra, achei que ficaria com raiva. Achei que devia ficar com raiva. Mas quando te olho eu vejo a mulher que me colocava na cama e procurava monstros no armário, que lia histórias com vozes bobas e me deixava dormir com ela quando tinha um pesadelo. Você é minha mãe e não aquela pessoa, e eu te amo por ser minha mãe.

Laurel limpou algumas lágrimas que escorreram por seu rosto e sorriu, parecendo seu jeito.

- Eu fazia todas essas coisas?

- E mais algumas. Eu sempre fui a menininha da mamãe, acho que ainda sou – ela admitiu e se virou para Dinah – Você é uma mãe incrível também, tipo, os melhores abraços para melhorar tudo. E, por favor, vocês vão ter tipo dezenove anos para ponderar se eu posso ou não ir ao baile, deixem meu castigo para o dia seguinte.

- Vamos pensar nisso – Dinah prometeu – Vamos ver como vai se comportar até lá.

Sem aviso prévio, Katie puxou as duas mães para um abraço apertado tal qual fazia no futuro, que era o seu presente. Viagem no tempo era algo complicado.

Sara e os outros entraram no laboratório e um portal foi aberto para uma sala simples e bem decorada que parecia vazia, os jovens trocaram mais um adeus e atravessaram para o tempo certo e desapareceram. Por enquanto.

- Acho que é isso – Nora suspirou e segurou a mão de Ray – Noite do encontro?

- Noite do encontro – ele concordou ao saírem.

Ava sorriu e bateu palmas ao se virar para Sara, novamente animada demais para a diretora de uma agência governamental.

- Nossa filha adora serial killers e disse que temos muito em comum – ela se animou – Precisamos começar a nos planejar!

- O mobile dela vai ter de bonequinhos de assassinos, não é? – Sara suspirou – Ava, eu te proíbo de colocar um quadro sobre assassinatos no quarto dela!

- Eu não ia fazer isso – Ava encolheu os ombros – Só quando ela fosse mais velha.

- Sei... – Sara estreitou os olhos e se virou para a irmã – E vocês duas?

Laurel sorriu e bateu o ombro levemente no de Dinah.

- Jantar hoje. O que me diz?

- É um encontro, Lance.

- Tudo está bem, quando acaba bem. Mas vou dizer uma coisa que todas estamos pensando – Sara levantou as mãos como se estivesse se desculpando – Ainda bem que elas são só duas, se fossem mais estaríamos loucas!

Todas concordaram. Elas tiveram um breve vislumbre do futuro e ele era bom, mais do que qualquer uma esperava conseguir com a vida que levavam.

A vida é uma caixinha de surpresas.


Notas Finais


Foi só uma ideia que tive em dezembro e abandonei. Espero que gostem.

Por favor, deixem comentários


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