1. Spirit Fanfics >
  2. Avalanna >
  3. Por trás da Máscara

História Avalanna - Capítulo 32


Escrita por:


Notas do Autor


Opa!
Parece que finalmente alguém decidiu postar de novo, peço que me desculpem pela demora e, bom.. Aproveitem o capítulo!

Boa leitura <3

Capítulo 32 - Por trás da Máscara


-...Por favor – Ele pediu com a voz rouca. – Me fala a verdade, eu preciso saber... – Suspirou, segurando meus ombros e me olhando nos olhos profundamente.

-..Quem é você, Avalanna?

Quem sou eu? 

Essa era a pergunta que já não sabia mais responder. Para os policiais eu era Avalanna Carter, uma pessoa perigosa que jamais se poderia confiar.

Para os garotos?.. Já não fazia ideia. Até ontem costumava ser vista como Ava Robert, a garota companheira, divertida e um tanto quanto complicada.. Que colocava sua lealdade pelos amigos acima de qualquer coisa.

Agora já era tarde, estava tudo misturado.. Talvez todos já estivessem desconfiados e me vendo como o monstro que eu era.

..Mas e quanto a mim, a minha realidade?

Hoje eu era apenas Ava Robert. Mas como explicar isso a eles?

Respirei fundo mais uma vez, ainda travada na frente do loiro em meio a toda aquela neve. O mundo parecia ter sido congelado e tudo estava lento, menos meu coração que batia descontroladamente e minha pressão, que a essa hora já devia ter caído umas dez mil vezes. 

- Eu preciso da sua resposta, Ava. Quero saber com quem eu tô lidando esse tempo todo! – Falava com a voz falha e chorosa, sua expressão era de quem estava prestes a implorar por uma palavra minha.. Não podia deixar ele assim, ele e nem ninguém! Mas como? Eu já estraguei tudo antes mesmo de pisar nessa cidade, como poderia concertar toda essa merda agora?!

- Kenny, eu quero muito te contar tudo agora, mas.. Ah cara!.. – Levei as mãos pro rosto. -  Quantas pessoas já sabem que a polícia tá atrás de mim? – Ele ficou pensativo mas logo voltou a falar, parecia um pouco aliviado por eu finalmente ter saído daquele transe fodido e dito algo.

- Aaah eu sei lá.. – Levou a mão pro pescoço, torcendo a boca. – Eles não devem ter passado em todas as casas ainda. – E naquele momento uma luz de esperança se acendeu em mim.. É isso! 

Aquela podia ser minha chance de tentar concertar meu erro e dizer a verdade a todos,

a verdade sobre quem eu sou.

- Eu tive uma ideia! – Falei com empolgação na voz e dei um passo para frente,  o loiro estranhou e recuou, dando um para trás. 

Respirei fundo, sentindo um leve aperto no coração mas tentando ignorar essa sensação.. Agora precisava ser forte e agir.

- ...Kenny, você não precisa confiar em mim agora, só por favor.. Tente me ajudar com o que eu pedir agora.. Eu só quero concertar tudo. – Ele ainda parecia desconfiado, mas suspirou profundamente, e relutante assentiu.

Dei um meio sorriso de gratidão, me sentia esperançosa de ver que mesmo com todas as dúvidas que devem estar passando em sua cabeça, ele ainda queria acreditar em mim. 

- Me empresta seu celular.. Prometo que vai ser rápido. – Sem mais delongas, ele o tirou do bolso de seu habitual casaco laranja e me emprestou, sem tirar os olhos da tela.

Ok, vamos lá.. 

Cliquei para escrever um novo Sms e logo comecei a digitar, era um pouco difícil nesse celular, por ser aqueles antigos de teclado, mas já era o suficiente pra minha salvação.

 

“ Olá a todos

Aqui quem fala é Ava Robert, ou como vocês já devem estar sabendo.. Avalanna. Sei que vocês que já tiveram uma visita da polícia hoje devem estar surtando, e os que ainda não, com certeza estão confusos. Em qualquer um dos casos, quero conversar e esclarecer tudo, vocês merecem saber.

Me encontrem o mais rápido possível no ginásio da escola, estarei lá.”

Encaminhar para.. Bebé, Tweek, Clyde, Craig, Butters, Nichole, Heidi, Rebecca, Wendy, Cartman, Stan, Kyle, Token e.. Damien? 

Levantei uma das sobrancelhas, pelo fato do loiro ter o contato dele ali, mas por algum motivo o selecionei junto com os outros.

Agora era só Enviar.

Assim fiz, devolvendo o celular pro garoto do capuz laranja, que parecia ter gostado um pouco da ideia de reunir todo mundo. Mas claro.. Assim como eu, ainda estava nervoso com a situação.

Eu não faço nem ideia de como contar tudo pra eles, mas na hora vou ter que me virar e criar coragem.

 

- Então.. Que que a gente tá esperando? Bora pra lá! – Me surpreendi com a atitude do loiro e dei um sorriso de canto, sendo puxada no pulso pela sua mão calorosa e macia. 

 

Ainda queria sentir aquele toque tantas e tantas vezes.. Meu coração latejava só de imaginar que aquela poderia ser a última vez.

Não poderia perder a pessoa mais importante pra mim agora! Eu vou provar para ele e para todos que hoje, não sou mais a Avalanna de antes.

E assim, fomos correndo juntos pela neve, em direção à South Park Elementary.

[...]

A imagem do vento batendo com tudo em seus cabelos dourados, enquanto corria ao meu lado, não saía da minha cabeça. Definitivamente, era impossível não se encantar por Kenny McCormick.

Depois dessa linda cena, em alguns minutos chegamos na escola e pelos fundos entramos, já que hoje a porta principal ficava trancada. Andamos apressados pelo corredor verde à caminho da porta do ginásio, que parecia perto e ao mesmo tempo tão longe.

Torcia para o tempo não passar, mas à cada minuto era mais uma casa que os policiais passavam, eu precisava agir rápido..

Querendo ou não, meu tempo em South Park era curto agora.

Logo finalmente chegamos na tão esperada porta de madeira, mas antes de entrar desacelerei o passo e parei em sua frente.

 É.. Eu não sei o que me espera do outro lado ou ao menos se tem alguém ali, só espero que se tiver, eles ainda me queiram por perto.

Realmente, isso já era pedir demais..

Suspirei, sentindo um fodido nó se formando em minha garganta e me virei de costas pra porta, colocando as mãos no rosto.

- E-Eu... Não vou conseguir. – Meus olhos instantaneamente se encheram d’água, o sentimento de derrota que eu sentia dentro de mim chegava a queimar.

Na mesma hora o loiro ficou com um olhar confuso e preocupado, sem hesitar segurando minhas mãos e ficando bem perto de mim.

- Avalan.. -suspirou, se interrompendo - Ava, Ava Robert. Eu.. – Engoliu seco, comprimindo o lábio. – Eu quero acreditar em você, na garota que conheci aquela manhã no ponto de ônibus. Quero acreditar que aqueles policias são doidões da cachola e você tem uma explicação.. E mesmo se tiver 1% de esperança, eu vou me esforçar pra acreditar em ti. – Falou num tom choroso e sereno, enquanto tirava os cabelos do meu rosto, podendo penetrar aqueles olhos azuis e brilhantes nos meus.

Um sorriso sincero em meio a única lágrima que deixei escorrer surgiu. Rapidamente o loiro a secou com o dedo e aproximou ainda mais seu rosto do meu, fechando seus olhos e colando nossas testas, com um longo suspiro.

Respirei fundo, sentindo sua respiração quente em contato com meu rosto. Tentei aproveitar e absorver o máximo daquele momento para mim, afinal.. Não sabia quando isso poderia acontecer de novo.

Sem mais demora, nos separamos e recebi por fim um beijo na testa.

Sorri sentindo que a qualquer momento não aguentaria e deixaria todas aquelas lágrimas escaparem.. Um sentimento bom e forte preencheu meu peito com aquele gesto, e aquilo era tudo o que eu precisava para me dar forças e passar por aquela porta.

- ..Valeu por tudo, Kenny. Agora vamos lá resolver essa merda. – Respirei fundo e engoli aquele nó na garganta, virando novamente pra porta e a empurrando, tendo visão de..

Wooow!

 Arregalei os olhos ao dar de cara com toda a galera sentada junta na arquibancada. 

- Cacete, vocês todos vieram mesmo!! – Sorri vendo o rosto de cada um ali, enquanto entrava junto com o loiro que parecia surpreso também.

- Óbvio, a gente quer saber que porra tá acontecendo! – Clyde falou com aquele seu jeito de sempre.

- Que porra você fez pra polícia estar atrás de você? – Agora foi a vez do judeu perguntar, que parecia indignado e preocupado.

-Não me diga que invadiu a BlockBuster outra vez! – Revirei os olhos e ri com o comentário do Stan.

- Amiga, assim.. Por acaso você matou alguém?? – Bebé perguntou num tom sério mas ao mesmo tempo zoeiro, eu quase dei risada.. Até de fato me dar conta da sua pergunta. 

Desviei o olhar e fiquei num silencio absoluto, com os braços para trás sem saber o que fazer.

- HAHAH eu sempre falei que essa dai era doida!! – E pra fechar com chave de ouro, Cartman foi o dono do último comentário, mas dessa vez ninguém riu ou ao menos prestou atenção no que o gordo tinha falado. Todos se entreolharam, arregalaram os olhos, arquearam as sobrancelhas.. Todas as expressões que você poderia imaginar teve ali.

E então o silêncio e a tensão dominaram o ginásio, Kenny me olhava incrédulo, parecia não querer acreditar nos fatos que ficavam cada vez mais evidentes.

Bem.. Não tinha mais o que fazer agora, eu precisava dizer a verdade.

- Bom.. Agora vocês devem ter entendido a gravidade da situação que tá rolando. – Suspirei, olhando com seriedade para todos eles sentados na arquibancada, que me olhavam de pé na quadra. – Ok.. Pra vocês entenderem o contexto de tudo, eu vou começar do começo.. A muito tempo atrás. - Suspirei, pensando em todos os detalhes que teria que falar, e puta merda.. Isso vai ser difícil.

Respirei fundo e ajeitei a postura, levantando o olhar para todos ali sentados na arquibancada.

- Meu nome completo é Avalanna Carter Robert Still, meio grande.. Eu sei. O Robert vem da minha mãe, e Cartel/Still são do meu pai.. Acho que nunca falei dele pra vocês. – Consegui ver Kenny ficando ainda mais atento, ele chegou a me perguntar sobre meu pai uma vez, mas acabei fugindo do assunto. 

Bem.. Hoje isso não vai acontecer.

- Quero deixar bem claro que aquele homem que mora na minha casa, definitivamente não é ele.. Seu nome é Steve, o novo marido da minha mãe.

Continuando.. Eu nasci e cresci em Los Angeles, numa casa de madeira que ficava numa área um pouco menos movimentada da cidade, lá éramos só eu, minha mãe e meu pai. 

Ele era tão... Como posso descrever? – Um sentimento nostálgico tomou conta de mim, com  certeza meus olhos brilhavam naquele momento. – Incrível, cuidadoso, companheiro.. Daria o mundo para me fazer feliz, e por muitos anos conseguiu. – Suspirei, voltando a me lembrar da parte ruim de tudo.. É claro. 

- Até um dia alguém tirar ele de mim. – Engoli seco, mas me mantive firme. – Quando fiz 10 anos, meu pai foi assassinado por outro homem.. E esse homem se chamava Steve. – Automaticamente todos arregalaram os olhos incrédulos, principalmente Kyle, que já teve o desprazer de ver aquela criatura na sua frente, em carne e osso.

- Steve o assassinou na minha frente, e ninguém fez nada para impedir.

Depois dessa desgraça eu já não tinha mais nada. Minha mãe nunca agiu realmente como uma, ela não ligava muito pra mim.. E então decidiu que devíamos mudar de casa e recomeçar nossa “família” do 0 junto com Steve, aquilo era ridículo.. Mas o que eu podia fazer? Era só uma criança, minha palavra não tinha valor ali, ou de fato ninguém ligava.

Bem.. – Cruzei os braços, andando de um lado pro outro.. Agora precisava ter estômago pra continuar.

– E foi aí que começaram os abusos... – Não sei o que me deu, mas na hora tive o impulso e coragem de tirar o moletom amarelo, assim ficando apenas com uma regata preta, que deixava aparente todos os cortes, hematomas e cicatrizes dessa parte do corpo.. Pois acredite, ainda tinha muito mais.

Bebé arregalou os olhos e tapou a boca, e bem.. Essa tinha sido a reação de quase todo mundo ali, só espero que não estejam me achando uma aberração.. Porque de qualquer jeito, essa sou eu de verdade.

- Os estupros começaram cedo e duraram até.. – Suspirei, colocando as mãos pra trás e ficando em silêncio, eles com certeza entenderam o que eu quis dizer. Consegui ver os olhos do garoto de casaco laranja de encherem d’água, nunca vi uma expressão tão triste naquele rosto antes.

- Anos de tortura se passaram e atingi meus 16 anos. Como eu era?.. Uma garota quebrada, sem voz e com a mente num eterno furacão.

Não tinha mais esperanças ou sequer alguma visão sobre futuro, eu só queria um fim pra todo aquele inferno.

Na escola tinha apenas uma amiga, o nome dela era Rachel.. Sempre fazíamos tudo juntas, ela era meu único ponto de paz, mas nossa amizade não era das mais fortes. 

Naquela época, digamos que eu não era uma pessoa muito boa.. Gostava de iludir os caras por distração e quando me cansava simplesmente sumia. Eu não me importava com os sentimentos das pessoas, afinal ninguém nunca tinha se importado com os meus. – Todos pareciam pensativos enquanto ouviam essa parte da história, que óbvio.. Como saber se alguém que já foi assim é confiável? Eu também teria minhas dúvidas.

- E agora chegamos no ponto chave, a explicação do porque a polícia está atrás de mim.. Espero que entendam meus motivos. – Fechei os olhos, suspirando e criando coragem para dizer a verdade, que já precisava ter dito a muito tempo.

- Dia 24 de setembro, foi o dia em que eu decidi que tudo iria acabar.. Do meu jeito. – Engoli seco, sentindo o mesmo gosto amargo na boca que senti aquele dia. – Eu já tinha tentando tirar minha vida algumas vezes, mas nenhuma delas havia dado certo.. Só que tinha um jeito que eu ainda não havia feito.

Uma arma apontada na minha cabeça e todo o pesadelo acabava.

..Era assim que eu pensava, mas também não queria deixar barato! Queria deixar todas as pessoas que contribuíram para eu escolher essa saída marcadas também.. Não era justo todos saírem impunes das próprias merdas que fazem com a vida de alguém.

Todos os olhares tortos, comentários desnecessários, xingamentos cruéis.. Fazem a diferença, e o maior problema é que a gente nunca esquece! – Minha voz ecoava sozinha no grande ginásio, enquanto todos continuavam calados e atentos em tudo que dizia.

Alguns com olhares tristes, outros de pena... Eram muitas emoções juntas naquele ginásio.

- E então.. Por dias anotei todo o meu plano num bloco de notas, passo por passo, até que 24 de Setembro finalmente chegou.

Ou como eu mesma nomeei.. O dia da tragédia. – Respirei fundo. Agora era a hora, esta seria a primeira vez em que eu falava sobre isso desde que me mudei pra cá.

...Coragem, Ava, você consegue

 

(Continua).


Notas Finais


Espero que tenham gostado, essa é só uma parte de toda e verdade e muito mais... Ansiosos pelo resto?

E o que falar sobre essa quarentena hein gente? Tá foda.. Mas se cuidem e evitem sair de casa, negócio é ler fanfic

Beijão e até o proximo <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...