História Away - Capítulo 14


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Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony, Machine Gun Kelly
Personagens Camila Cabello, Personagens Originais
Tags Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane, Fifth Harmony, Futurista, Futuro, Lauren Jauregui, Machine Gun Kelly, Normani Kordei, Tecnologia
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Palavras 2.553
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Sci-Fi, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olars, espero que esse capitulo também incomode vocês....

Boa leitura!

Capítulo 14 - Solar Superstorm


“A tecnologia só é tecnologia para quem nasceu antes dela ter sido inventada.” -

Alan Kay

A visita aos meus pais foi um tanto quanto estranha. Eu queria contar sobre Lauren, mas achei que era cedo e.... Ah, quem eu tô querendo enganar? Na verdade, eu tive medo de que eles reagissem como da última vez em que a mencionei.

Sua tecnologia era excelente para assuntos que lhes foram comuns em vida e até mencionar Lauren eu não havia adicionado nada novo às nossas conversas, então não sabia que essa limitação levaria à uma conversa esquisita.

Fui e voltei da visita pensando sobre o quão estranho estava sendo pra mim ultimamente. Visitá-los era como falar com quadros de museus, como reviver um momento. Não era mais como antes. Não era um momento com a minha família, mas sim com robôs que fingiam ser eles e que, quando se tratava de conversas sobre a minha versão atual, se saíam ainda piores que Ally.

O jantar todo foi um martelar constante na minha cabeça, sobre como eles não sabiam nada do que estava acontecendo na minha vida. Sobre como sua visão dos cybers os faria rejeitar minha amizade com Machine e o pior.... De acordo com o que li nos manuais era possível programá-los para mudar e aceitar até mesmo conhecer o Machine sem problemas, mas na minha perspectiva isso era como fazer meus pais de brinquedo. Vivos, eles nunca aprovariam algo assim, quem era eu pra “editá-los” pós morte e fazer de suas memórias algo que não foram em vida? E pior, se eu alterasse isso, quem eles seriam? Ainda seriam eles?

Por outro lado, por quanto tempo eu conseguiria conviver com versões cada vez mais atrasadas e desatualizadas dos meus pais sobre a minha vida? No manual havia um exemplo que me deixou chocada, eu não imaginava que pudesse ser tão conflituoso conviver com Dopplers.

Quer dizer, eu vivera com eles três anos e não tivera problemas, mas talvez isso se devesse ao fato de que nada acontecera na minha vida durante esse tempo. O exemplo dizia que se eu tivesse uma filha pouco antes deles morrerem, por exemplo, eu poderia encontra-los dali trinta anos com essa filha já adulta e eles me perguntariam “Como está o bebê? Já está andando? ”.  

Eu nunca me dera ao trabalho de ler aquele manual. Nunca fora necessário e apesar de me interessar por leitura, manuais não são muito meu tipo. Qual é? Ninguém fica lendo manuais e dicionários hoje em dia, ainda mais quando se tem um Personal que possa ler pra você e responder suas dúvidas. Na real, acho que as pessoas nunca foram muito de ler manuais e dicionários, por isso colocaram essas funções nos Dopplers.

Mas hoje eu tirara o dia pra isso. Logo após enviar o texto para o meu chefe eu resolvi que decidiria o que meus pais saberiam sobre a minha vida atual, mas ao ver todas essas questões éticas eu comecei a cogitar não vê-los com tanta frequência. Era difícil não falar pra eles sobre coisas tão importantes pra mim, mas ao mesmo tempo era muito pior pensar que eu precisaria fazer modificações artificiais no HD deles pra que eles reagissem à isso de uma maneira menos esquisita.

Minha cabeça estava a ponto de explodir quando eu terminei de ler aquele arquivo gigante, mas eu ainda não chegara a uma conclusão do que seria melhor a fazer. Machine poderia me aconselhar com aquilo, mas eu não achava que esse era o tipo de decisão que eu deveria terceirizar. Não, eu decidiria sozinha dessa vez, era algo delicado e pessoal demais. Só aceitei que eu não decidiria hoje, meu cérebro ainda precisava processar todas aquelas informações, eu pensaria nisso o quanto antes possível, mas gradualmente.

Ainda era cedo e apesar de cansada eu estava sem sono. Chequei se Lauren ou Machine estavam disponíveis, mas ainda era o horário de trabalho deles. Pedi a Ally algumas notícias do dia, depois fiquei procurando salas no Knoü, até que finalmente decidi escrever.

Me sentei e acho que consegui fazer isso durante umas boas horas, sem nem ver o tempo passar. Uma das melhores sensações! Mas assim que a inspiração acabou o tédio pareceu recair sobre mim com a força de um exército!

Fui para o quarto apagando todas as luzes, eu ia tentar dormir mesmo sem sono. Mas pro meu alívio foi nesse mar de tédio que o Personal vibrou. Me joguei na cama de bruços e abri a mensagem.

MGK: Tenho uma proposta!

Olhei pra tela com o cenho franzido. Li uma. Duas vezes.

ForgetMeNot: Mandou pro Personal certo?

MGK: Claro que mandei!

ForgetMeNot: Porque soa muito como se você fosse me oferecer aquela droga.... Como é mesmo o nome? Aquela feita de resíduos industriais? A que o pessoal usa lá fora.

MGK: Kronol?

ForgetMeNot: Isso.

MGK: Porque você tá me vendo como um cyber.

Quase pude sentir a impaciência na voz dele. Mas seria real ou só brincadeira? Conhecendo ele eu imaginei que devia ser uma brincadeira.

ForgetMeNot: O cyber mais coração mole que eu já vi. 

Eu ri na minha captura e ele também.

MGK: Minha proposta tem a ver exatamente com isso!

ForgetMeNot: Não entendi.

MGK: Você nunca vê ninguém.

ForgetMeNot: Fato. Mas qual é a proposta?

MGK: A gente se ver! Tipo, pessoalmente.

Olhei pra mensagem. O Machine era legal, eu estava confiando nele e contando sobre meus sentimentos e minha vida, mas... será que eu queria vê-lo pessoalmente? A iminência de ter contato com ele, cara a cara, me deixou aflita. O coração bateu rápido, a garganta pareceu fechar! Calma Camila, é só o Machine, não é um estranho qualquer!

MGK: Vai ter o feriado da 5º Guerra em homenagem aos mortos, lembra? Aqueles 5 dias em que rolam os desfiles contando a história e tal?

ForgetMeNot: Sei, conheço o feriado.

MGK: Então...independentemente de onde você morar nos EUA eu consigo chegar dentro dos cinco dias.

ForgetMeNot: Sim... Eu preciso pensar sobre isso Machine.

MGK: Pensar? Poxa... achei que fossemos amigos.

ForgetMeNot: Somos!

MGK: Então...

ForgetMeNot: Mas eu não vejo ninguém, lembra?

Ele não me respondeu. Não falou nada e eu esperei durante meia hora.

ForgetMeNot: Machine?

Ainda sem resposta. Olhei para as janelas e... Epa, o que aconteceu com as janelas? Olhei lá fora e todos as outras janelas também estavam transparentes, apenas com o reflexo normal de um vidro comum. E se eu podia ver os apartamentos dos vizinhos, isso significava que eles podiam ver o meu, igualmente.

Eu sabia o que isso significava. Fiquei mais tranquila porque não significava que Machine estava me ignorando, somente não tinha como me contatar. Mas Ally nem sequer me avisara...será que os radares não detectaram essa tempestade solar?

Vasculhei minhas memórias tentando me lembrar se ela me dissera algo. Mas não havia nada. Será possível que eu estivesse tão imersa assim na leitura a ponto de ignorar o aviso dela? Ou ela avisou quando eu ainda estava com sono? Droga de memória.

Tempestade solar é a pior coisa que pode acontece atualmente, considerando que nós somos o único país que ainda tem armas nucleares. Mas uma tempestade com capacidade de desativar os aplicativos das janelas, tinha força suficiente pra afetar todos os nossos meios de comunicação, de informação e os de transporte que utilizavam GPS e internet, o que quer dizer quase todos eles. Era o caos.

Olhei para o pátio e vi dois cavalos com um homem montado em cada um deles, cena raríssima. Apesar da altura da qual eu observava consegui distinguir que no peito do homem, assim como na armadura do cavalo havia um símbolo que eu reconheceria em qualquer lugar, era o símbolo do meu complexo. Fazia anos que eu não via a cavalaria nas ruas, anos que não éramos atingidos por uma tempestade tão forte.

Quanto tempo será que levaria pra passar? Em minha ingenuidade tentei contatar Ally para que ela me dissesse, mas só então em dei conta de que ela não funcionaria. Pensei nos Dopplers de meus pais que no momento deviam estar em stand by, de acordo com o manual, presos no apartamento, desligados como bonecos sem bateria.

Ainda bem que hoje não era dia de visita e que eu não estava com eles quando a tempestade nos atingiu. Só a ideia de ficar presa no apartamento minúsculo com eles desativados fez meu estomago se revirar e meus pelos se arrepiarem, mas segundos depois a culpa me atingiu, afinal eram meus pais, ou não? Uma lágrima brotou no canto dos meus olhos e eu rapidamente a enxuguei.

Por fim pensei em Lauren e no quão frágil era nossa relação, se é que dava pra chamar assim. Uma tempestade solar e eu já não podia falar com ela, aliás, com ninguém. Mas de qualquer modo eram ela e Machine que fariam falta.

— Quanto tempo essa droga vai durar? – Perguntei pra mim mesma em um murmúrio insatisfeito e me cobri com o cobertor, virando de lado e abraçando meu travesseiro enorme.

[...]
Quatro dias. Foram quatro dias praticamente enlouquecendo dentro daquele apartamento. Uma coisa é viver sozinha, sem interação com outros seres humanos. Outra é viver sozinha e sem absolutamente nada! As únicas coisas que eu tinha como companhia no apartamento eram os móveis e as comidas. Por falar nelas eu precisei improvisar refeições pra lá de esquisitas pra evitar que as coisas da geladeira estragassem.

Na manhã do quinto dia eu acordei com o Personal vibrando feito doido no meu pulso e só faltei beijar a pequena pulseira, tamanha minha empolgação.

— Finalmente!!!! – eu gritei com a cara ainda no travesseiro e então me virei para levantar da cama. - Olá Ally! - falei sentando no colchão.

O estranho silêncio permaneceu. Ela não respondeu e eu olhei para a pulseira que acendia uma luz vermelha. Projetei a tela do Personal em meu campo de visão e vi os grandes dizeres "Em manutenção: Isso pode demorar alguns minutos, não desligue seu Personal".
Eu já vira o Personal atualizar, mas manutenção era novidade pra mim. Bom, pra quem esperou quatro dias o que são mais alguns minutos né?

Torcendo pra que a tempestade não tivesse danificado Ally ou minha família, eu me levantei e fui tomar banho, senti falta da água quente nos últimos dias, assim como da luz, do ar condicionado e todo o resto. Saí do banho, me troquei e fiquei olhando pro Personal que ainda emitia uma luz vermelha.

Fui até a janela e lá havia o mesmo aviso. O globo de Lauren, a geladeira e as luzes funcionavam normalmente e o ar acabara de voltar. Quando completei meu tour pela casa verificando tudo, Ally voltou.

— Boa tarde, Camila. – ela disse como se nada tivesse acontecido. – Previsão do dia?

— Ah! Que bom! – falei agitada. – Você não foi danificada! O que aconteceu? Não lembro de ter me dito que teríamos uma tempestade dessas.

— Não foi uma tempestade. – ela falou neutra. – Nosso sistema foi atacado.

— O meu apartamento? – questionei quase em pânico.

— Não, o sistema inteiro do nosso complexo. – ela falou ainda neutra. – Quer detalhes?

— Obvio! – falei exasperada erguendo as mãos pro céu.

— Um grupo muito bem articulado de ativistas do M.O.V.I.R destruiu nossa torre de energia, o gerador geral e espalhou bloqueadores de sinal ao redor do complexo. – ela disse. – Isso fez com que sofrêssemos efeitos semelhantes aos de uma tempestade solar, porém piores.

— Maravilha, fogem de tecnologia a vida toda, mas pra bloquear o sinal dos outros eles usam. – falei bufando, eu só pensava em Lauren o quanto ela deveria estar preocupada com meu sumiço repentino. Se menos de um dia fora necessário pra ela procurar Machine, imagina o que ela não teria feito nesses quatro. – Lauren está sabendo? Já consigo contato com ela?

— Ela deve estar informada, foi noticiado para o mundo todo. – ela mostrou enquanto abria várias telas que mostravam a notícia em inglês, português e espanhol. Uma delas mostrava a torre de energia pegando fogo e na outra o gerador geral sendo destruído por tiros. Uma terceira mostrava manifestantes sendo presos.

— Caramba, foi grande.  – comentei ao ver tantas pessoas comentando. – Outros complexos também foram atingidos? – questionei ao ver que todas as notícias mostravam apenas as mesmas imagens e eram sempre do meu.

— Não, apenas o nosso.

— Estranho, se eles são tão anti tecnologia deviam atacar o Vale do Silício, não Nova York. – comentei franzindo o cenho, mas ao mesmo tempo extremamente tensa pela minha conclusão.

Se eles atacassem o Vale do Silício, estariam atacando o complexo de Lauren. O M.O.V.I.R tinha fama de não ser agressivo, mas e se eles atacassem em um momento em que ela estivesse precisando... não sei... ir ao minidoc, por exemplo? Ela podia morrer pela falta de atendimento. Para de viajar, Camila.

— Especulam que eles estão testando em outros polos antes de irem direto ao Vale. – informou tranquila como se dissesse que o céu é azul.

— Alguém morreu? – perguntei aflita ao pensar naquilo.

— Tivemos 3 mortes, todas de manifestantes. – Ally disse com um tom de pesar. – O Movimento alega que houve abuso policial.

— Droga. – murmurei baixo colocando as mãos na testa.

— Seu sinal voltou. – comentou Ally. –  Já pode entrar em contato com ela caso desejar.

Ao fim de sua frase meu Personal voltou a vibrar desenfreado. Eram mensagens de Machine e Lauren, obviamente. Por sorte tudo estava funcionando normalmente no aparelho.

Jauregui47: Oi pequena, você está bem?

Jauregui47: Hahahah sumiu de novo né? Deve estar dormindo...Tá bem, não vou me preocupar, como prometido.

Jauregui47: Nossa, acabei de ver a notícia sobre o seu complexo.

Jauregui47: Não consigo te ligar, as mensagens nem chegam pra você.

Jauregui47: Ah...acabei de ver que vocês estão incomunicáveis, mas “aparentemente” seguros.

Jauregui47: Esse “aparentemente” tá me deixando bem nervosa, por sinal.

Jauregui47: Nem sei porque tô mandando mensagens aqui se você só vai ver depois que tudo acabar.

Jauregui47: Acho que falar com você aqui me acalma. Tô mesmo preocupada.

Jauregui47: Ok...mais um dia sem noticias suas e sem nada novo nos jornais.

Jauregui47: Eles disseram que estão tentando puxar cabos de energia para os complexos mais próximos. Espero que façam isso rápido.

Jauregui47: Ah, legal... Agora tão falando que só vão religar a energia quando acharem e destruírem todos os bloqueadores pra não danificar os aparelhos. Quem liga? Eles deviam ligar logo e deixar as pessoas se comunicarem!!!

Jauregui47: Ok, talvez seja difícil elas se comunicarem se os aparelhos estiverem danificados né? Me exaltei ali, desculpa ahushsuah.

Jauregui47: Quatro dias sem falar com você. Não se assusta, mas tô com saudade.

Jauregui47: Achem logo esses malditos bloqueadores!!!! AAAAH!

Eu li suas mensagens, no inicio preocupada, depois rindo do seu desespero. Era engraçado e ao mesmo tempo fofo o modo como ela se preocupava comigo.

ForgetMeNot: Cá estou! Sã, salva e... com saudade também.

Ditei e esperei para enviar, lendo e relendo. Fechei os olhos apertados e comprimi os lábios... Diz ou não, Camila? “Enviar”, falei finalmente abrindo os olhos. Sorri feito uma otária e abri a janela do Machine, sentindo meu sorriso sumir na mesma hora.

MGK: Caaaaaaaara, você viu o que aconteceu com o New York nos jornais? Eu tava lá! Sou desse complexo!

MGK: E a julgar pelo seu sumiço... ou você não dá a mínima pro que acontece comigo ou você mora no mesmo complexo que eu!

MGK: Prefiro apostar na segunda opção.


Notas Finais


E agora, José? Teorias sobre como a Camz vai reagir?

Twitter:alletsha


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