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História AXÉ DAMOR - Capítulo 21


Escrita por: shampystories

Capítulo 21 - XXI


O vento soprava meus cabelos pra trás e eu tentava absorver toda aquela leveza com meus olhos fechados. 

Não pude negar que lacrimejei por alguns segundos enquanto pensava na situação, eu me sentia meio usada, mesmo sabendo que a história não era bem assim, mas, infelizmente, as sequelas que Felipe deixou em mim ainda me atormentavam. 

Quando virei de costas, Rodrigo estava parado em minha frente, fitei ele por alguns minutos. 

-Você tá bem? 

-Tô. - assenti com a cabeça 

Encostei na parede, fitando o céu e ele fez o mesmo do meu lado. 

Suspirei. 

-Quer que eu te deixe em casa? 

-Não... tá tudo bem, eu só... - fechei os olhos - Eu tô legal, Rô. 

Ele ficou de frente pra mim, com um dos braços apoiados na parede, bloqueando a passagem do meu lado direito.

-A gente precisa muito conversar, e eu sei disso. Não quis ser abusivo com o que fiz hoje e nem apagar tudo que aconteceu ontem, eu só precisava de você pra me recuperar. 

-Aconteceu alguma coisa que eu preciso saber? Tipo... agora? - perguntei 

-Não. Eu jamais, Mel, jamais, faria alguma coisa pra te magoar.

-Tudo bem, a gente pode conversar depois, agora não é o momento. 

Ele me olhou, levou uma das mãos a minha bochecha e depositou um beijo em minha testa. 

Voltamos pra dentro e eu estava muito cansada por tudo, não via a hora de ir pra casa e colocar todos esses problemas num travesseiro. 

-Giu, eu tô muito cansada, ainda demora muito aqui? 

-Quer ir? A gente pode pegar um uber. 

-Posso levar vocês. - Rodrigo se ofereceu 

-A gente até tava querendo ir também, amanha temos voo e tal. - Kayo falou

-Não gente, imagina, fiquem ai, se divirtam, a festa tá maravilhosa, eu que tô muito cansada. 

-Vamos sair pra almoçar amanhã ainda, dá super tempo! - Renata falou e eu assenti 

Fui andando em direção a saída, percebi que Giulia não acompanhava a gente e olhei pra trás, procurando-a. 

-Ih, ela nem vem por agora, tá com um dos meninos. - Rodrigo riu e eu ri junto 

-Não perde tempo! 

-É da Giulia que estamos falando. - ele balançou a cabeça 

Entramos no carro em silêncio, apenas o barulho de uma chuva inesperada quebrava o silêncio absoluto. Eu fitava o vidro enquanto observava as gotas escoarem por ele, Rodrigo ajustou o som e colocou nossas músicas favoritas de Matheus e Kauan, eu era extremamente apaixonada pela dupla e as músicas contavam um pouco de nossa história.  

Foi quando “Abajur” começou a tocar. 

“Entra no quarto

Liga o abajur e deita aqui do meu lado”

 

Encostei minha cabeça no vidro. 

 

“Tudo bem se você não quer conversar, eu entendo

Descansa, enquanto eu preparo um chá” 

 

Matheus e Kauan tinha o poder de mexer com todo o meu psicológico e sentimento, principalmente na circunstância que eu e Rodrigo estávamos. 

 

“Não custa lembrar, já estamos a sós

Nada é por mim, tudo é por nós”

 

Rodrigo levou a mão até minha perna e eu o olhei, ainda calada. 

 

“E basta uma briga pra gente ficar mal

Esse clima tenso não faz bem, não é legal” 

 

Suspirei e coloquei minha mão sob a dele, foi quando ele parou no semáforo e me fitou. 

 

“Apago o abajur, é hora de sonhar

A tempestade vai passar

Logo mais quando a gente acordar”

 

-É mágico quando a música fala pela gente, né? - ele sorriu de canto

-E quando é que Matheus e Kauan não fala pela gente, Rô? - sorri de leve 

Ele parou o carro em uma rua próxima a minha, ainda chovia muito, estacionou com o motor ainda ligado e as portas travadas. 

-Rodrigo! É perigoso ficar aqui uma hora dessas. 

-Olha, Mel, eu realmente não sei por onde começar essa conversa, provavelmente a mais difícil que eu já tive até hoje e eu quero ser o mais claro possível. 

-Não tenho dúvida disso. 

-Eu errei contigo, pisei na bola feio, isso eu sei, não queria te causar essa sensação de insegurança e coisas do tipo, fui bobo, se eu tivesse aberto o jogo desde o início, nada disso teria acontecido. 

-Ela mexe contigo? Mexeu? O que você sentiu quando a viu? 

-Senti algo estranho, não como se eu gostasse dela, mas um fantasma do meu passado, por uma coisa mal resolvida.

Fiquei calada. 

-Desculpa por não ter sido sincero no início em relação a minha história com a Alícia...

-Você sabe que - interrompi ele - eu não banco a ciumenta, mas vou te falar que há muito tempo eu não me sentia insegura da forma que Felipe me deixou como me senti ontem com tudo que eu ouvi. 

-Mas Mel, eu não amo a Alícia. 

-Agora eu sei... - soltei o ar pela boca - naquela hora que eu vi vocês dois juntos eu só precisava de um abraço seu me dizendo que tava tudo bem, que você deixasse ela lá e viesse até mim, mas não aconteceu... droga, não aconteceu, você sabe o tanto de coisa que passou pela minha cabeça? 

Ele soltou o ar pela boca. 

-Conheci ela no colégio, a gente namorou e ela foi minha primeira... bom... você sabe... enfim, a gente namorou por um bom tempo e então eu tive que vim embora, falei com ela que voltaria pra gente ficar junto, mas meus planos mudaram, meus caminhos mudaram, a gente nem se falava mais, eu superei aquilo, fui conhecendo você e descobri o significado real de amor, Mel... e eu amo você. 

Fitei ele por alguns segundos. 

-Você sabe como o Felipe me deixou devastada... - uma lágrima escorreu - ele sugou até minha última força com tudo que me fez, mas eu segui, sabe? Tentei seguir. Há muito tempo eu não me relacionava com ninguém e você me passou uma confiança inigualável, não quero perder isso, é o bem mais preciso que temos juntos. 

-E não vai, meu amor, não vai. - ele segurou meu rosto e chegou mais perto 

-Desejo com todas as minhas forças que não.  

Rodrigo me encarou, colou nossos narizes, fechou os olhos, assim como eu, roçou nossos lábios e me beijou, dessa vez sem um peso nas costas, dessa vez só com o desejo de sempre, sem nada pra falar, pelo menos por enquanto. 

-Posso te mostrar um lugar? 

-Uma hora dessas?

-Juro que depois que o sol nascer, te deixo em casa. 

-Tá maluco? Meus pais me matariam! 

-Confia em mim. 

Assenti com a cabeça.



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