História Azul - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 647
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Magia, Slash
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Uma história que eu tinha escrita há um tempinho. Não é muito clara nem para mim.

Capítulo 1 - Capítulo Único


“Eu queria olhar pra cima e ver o céu azul uma última vez”

Seu poder ainda era fraco, mas a dor por ela gerada que acumulavam era visível em seus olhos. As gotas de chuva desciam do céu tornado inferno com delicadeza, mas feriam a pele e tudo mais que tocavam em revolta ao seu abandono pelas nuvens. O infinito, acostumado com o vermelho, queria vê-lo no sangue dos que se mantinham em pé.

Ele não podia devolver-lhe o céu. Tivera parte em tomá-lo afinal. Sentia-se culpado.

Olhou ao redor. Não havia mais azul. As legiões do vermelho o cobriram na terra antes do céu. O fogo que se alastrara para refletir no firmamento deixou, no entanto, espólios. Árvores caídas. Parcialmente queimadas, outras intactas - não era um trabalho meticuloso. A chuva também não era. Aumentava sempre, mas sua força ainda não ultrapassava a de uma esparsa garoa.

Recolheu os galhos. Foi rápido. Um grande e sólido. Os outros, menores. Finos. Mais finos ainda eram os fios dourados com que amarrou a estrutura.

Branco. Lhe sobrava branco. O suficiente para cobrir o frágil guarda-chuva que nascia. A maestria com qual o fazia não diminuía o esmero; não permitiria mais uma falha, por menor que fosse.    

Notou, incapaz, que continuava a fracassar a cada instante. Branco. Presentearia o centro de seu Universo com o vazio. Cor alguma lhe sobrara além do vermelho que impregnava cada canto do mundo, o próprio sangue inutilizado. Voltou-se ao céu.

Ele achou que jamais veria o azul novamente. Esqueceu-se de que o outro ainda o via.

Mas não era assim que o desejava, era? Não. Restara apenas o mais repulsivo dos azuis. Era um sacrifício mínimo. Ele o chamaria de dádiva. A troca de um problema por uma solução - não o exato casal, ainda melhor.

Preparou o tecido em avanço, redirecionando o curso dos fios a cada golpe para onde sabia que seriam necessários. Estava quase pronto.

Entregou-se ao desejo e olhou timidamente para o outro (talvez fosse a última vez que o faria; não tinha certeza do que estava prestes a sacrificar). Merecia apenas o ódio, mas não o encontrou no rapaz. Pouco encontrou. Ele não o esperava com pressa ou impaciência; hipnotizado, encarava as mãos. As palmas, nuas para a chuva cruel, cediam e entregavam as primeiras partículas do vermelho fresco.

Tudo lá era velho. Usado. Gasto.

Só não ele. Seu corpo era um jardim onde flores novas desabrochavam a todo momento. Ele nascia novamente a cada instante. Talvez um único toque fosse o suficiente para reviver o próprio mundo, mas o que lá poderia ser digno de tocá-lo?

Abaixou os olhos. Não havia esperança de  qualquer forma. Era esse seu pecado. Não podia salvá-lo. Nem a si mesmo, mas não havia importância nisso. Aceitar era sua pior sentença.

Seria bonito. O azul se espalharia pelo ar uma última vez. Chamou seu nome.

Os olhos tão doces, arrancados de seu transe, não carregavam o justo ódio que deveriam. Sempre gentil. Sempre gentil.

Outro par de olhos se fez importante. Sussurrou baixo e o próprio ar pareceu notá-los. Foi gentil em transportar o azul amaldiçoado para sua ressurreição no guarda-chuva.

(Ainda em sua miséria era abençoado com a gentileza que não merecia. Mas tornava-se justo. Saber que não era digno intensificava seu desespero. Sua última punição seria sentir a destruição que causou a tudo que mais quis proteger.)

Mirou a própria obra apenas o suficiente para ter certeza de que estaria pronta. A partir disso, tudo que importava era o outro. Olhou para ele e, por um momento, o mundo parou de existir.

Exibia a antiga expressão de curiosidade e admiração, um sorriso tímido começando a se formar.

Olhos verdes se fixaram nele. E no azul. E de volta nele.

(Deveria haver azul nele, mas nenhum deles se importava)

E, de uma só vez, todos os seus pecados foram absolvidos.

“Obrigado”

 


Notas Finais


Agradeço imensamente qualquer um que tenha lido.


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