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História Azul é a cor mais quente - Kim Taehyung - Capítulo 33


Escrita por:


Notas do Autor


🇨 🇭 🇪 🇬 🇺 🇪 🇮

🇼 🇴 🇱 🇫 🇿 🇮 🇳 🇭 🇴 🇸 !


Eai, gente! Como estão? Espero que dentro de casa, hm?
Infelizmente é algo prolongado, mas não é impossível.
Quero ver vocês bem e longe de uma UTI, hm?
Eu amo muito vocês, seus delícias!

Eu estou bem agora... até emocionalmente. Demorei por uma série de coisas que deixei claro lá em Caught in a Lie, mas agora estou bem!! Por isso,escrevi esse capítulo para vocês!!

(*˘︶˘*).。

BOA LEITURA!
CAPÍTULO NÃO REVISADO!!

Capítulo 33 - Capítulo Trinta e Três


Fanfic / Fanfiction Azul é a cor mais quente - Kim Taehyung - Capítulo 33 - Capítulo Trinta e Três

Congelo. Na verdade, acho que eu e Taehyung congelamos.

– Como assim os seus pais, Taehyung? – saltando os olhos, pergunto. Ele comprime os lábios, coça a cabeça.

– _________, por favor, posso te explicar depois que eles forem embora. Mas agora, por favor, se esconda. – firme, pede. Bufo, assinto. Levanto-me da cama com pressa, caminho até o quarto em que costumo ficar. Antes que eu possa fechar a porta, Taehyung cola sua mão à madeira. Corro os olhos até os seus, decifro a preocupação que tinge seu rosto.

– Isso não é para esconder você por vergonha ou pelo medo de uma bronca. Eu estou te protegendo deles. Então... fique aqui e não saia independente do que ouvir, tudo bem? – tenso, pergunta. Suas íris tremem escuras, seus lábios se tornam pálidos demais. Inspiro fundo, meu peito arde.

– Tudo bem. – respondo, soltando o ar junto à fala. Sua mão se desliza pela madeira da porta, seu corpo se afasta. Fecho a porta, a tranco logo depois.

Meu coração está batendo forte agora, tão forte que a sensação que me invade é abrupta. Inspiro fundo, me escoro contra a porta, colando minhas costas à madeira. O quarto está escuro, coberto pela penumbra acinzentada da noite, mas fios pálidos de luz cortam as lacunas da cortina e projetam-se contra o carpete macio no chão. Repouso meus olhos sobre a lacuna brilhosa e pálida enquanto me atento a tudo que há atrás dessa porta.

Ouço a movimentação, os passos, as vozes. Não consigo ouvi-las muito bem, mas, a partir do momento em que elas crescem, consigo decifrar.

“– Se mora sozinho, porque demorou tanto para nos atender?” – ouço a primeira voz. É catarreada, grossa e masculina. Deve ser de seu pai. Ainda me lembro de seu rosto há oito anos, mas essa voz... parece um pouco distante da que conheci há oito anos.

“– Eu estava no banheiro, pai. Desculpe-me por isso.” – ouço a voz de Taehyung séria, mas depois, não ouço nada. Espero.

Ouço passos se aproximarem e então, eles param bem rente à porta. Seguro a respiração, me desencosto da porta levemente. A maçaneta gira por três vezes, o zunido me faz estremecer. E então, os passos se gradam para longe da porta. Solto o ar por entre os lábios, fecho os olhos. Meu peito murcha, se crava num buraco doloroso.

“– Por que vieram aqui?” – ouço a voz de Taehyung novamente.

Espero.

“–  Jeon Jungkook é o motivo, Taehyung. Nossas ações caíram muito desde que todo o assunto veio à tona.” – catarreada, a voz do pai de Taehyung surge outra vez, mas amarga.

Escuto Taehyung rir.

– Certo, tudo aconteceu e agora as consequências vieram. Mas eu não tive culpa, pai.”

“– A questão não é você ter culpa ou não, Taehyung. A questão é que Jeon Jungkook te sequestrou, mas foi preso porque uma garota caiu do telhado da escola. A pergunta é: por que aquela garota estava lá?” – ácida, a voz do pai de Taehyung soa novamente.

Engulo a seco, toda memória vem junto a um medo que ilha minha espinha com calafrios.

“– O assunto é a garota? Pensei que fosse o fato de que Jungkook me sequestrou e então matou seu irmão. Não é isso? É a garota?” – Taehyung exalta, pergunta cuspindo as palavras.

– Taehyung,  eu sou seu pai. Conheço-te tão bem quanto qualquer outra pessoa. Essa não é a primeira vez que acontece. Você sabe bem do que eu estou falando. Quando aquela garota estava lá, quem é que estava dentro de você?”

Paraliso.

Meu corpo estremece, cada um de meus músculos estria. Ele sabe de V?

Não escuto nada. Nenhuma voz, nenhum passo, nenhum movimento.

– Eu. Kim Taehyung. V não estava lá.” – após algum tempo, ouço a voz de Taehyung. É seca, objetiva.

– E quem a garota conheceu? Você ou V? Ou melhor, ela sabe sobre você e V?”

Meu coração dispara. O que acontece se ele souber sobre mim? O que acontece se ele disser mais que o necessário?

– A mim, pai. Ela conheceu a mim e não sabe sobre V. Por que tanta pergunta sobre ela, pai?”

“– Você é o CEO da empresa, Taehyung. O plano de Jungkook era te tirar do caminho junto ao seu tio. Ele não conseguiu fazer isso, mas o seu segredo pode fazer. Ninguém confia em alguém com um transtorno assim. Se quiser se manter naquela empresa, não deixe ninguém descobrir sobre o que você é, Taehyung.”

Taehyung ri.

“– Eu sei disso muito bem, pai, e acho que você tem ciência disso. Mas você não veio aqui só para me dizer que é melhor que eu esconda V, certo?” – a pergunta de Taehyung sai ardilosa, seu tom é carregado por uma acidez que me corta.

– Não. Se lembra de Yoon Mi-rae?”

O nome me acerta como uma flecha. Fecho as mãos, as coloco em punhos fechados.

“– O que tem ela?”

“– Yoon Mi-rae está morta, ou melhor, foi assassinada. O enterro é amanhã. Você vai.” – explicativa, a voz do pai de Taehyung soa. É como um eco prolongado, de certa forma. E é por isso que me perco nele.

– Tudo bem...” – fraca, ouço a voz de Taehyung. É como se estivesse desestabilizado. Inspiro fundo, me atento ao lado de fora.

“– Nós estávamos voltando de uma peça de ópera quando soubemos. Por isso viemos aqui. Não se esqueça de ir ao enterro. Estaremos lá.” – pela primeira vez, ouço a voz da mãe de Taehyung.

Depois que a ouço, não ouço mais nenhuma voz, apenas passos. E então, assim como os passos se distanciam, as vozes surgem distantes outra vez até que tudo se finca num silêncio. Ouço a porta bater, ouço a trancar apitar. Mesmo que eles tenham ido embora, não abro a porta. Ainda fico em pé, um pouco longe da porta.

Taehyung conhecia Yoon Mi-rae? Por quê?

– _________, pode abrir a porta, eles  já foram embora. – do outro lado da porta, sua voz soa. Solto o ar pela boca, me viro de frente para a porta. Levo minha mão até a chave, a giro para baixo; então, enroscando minha mão na maçaneta, puxo a porta em minha direção.

Saio devagar, pé-pós-pé. A primeira coisa que faço é correr os olhos até os de Taehyung. Estão calmos, pousados sobre uma métrica castanha e lumiada. Abro os lábios, enchendo meu peito de ar.

– Quem é ela? – calma, pergunto. Na verdade, Caro Ouvinte, não estou nada calma. Meu coração bate forte, meu corpo se eletriza numa asfixia muscular. Respiro como posso, tento esconder qualquer traço do que estou sentindo nesse exato momento.

– Uma amiga de longa data da família. Desculpe por te fazer passar por isso...  Eu não queria que fosse dessa forma, __________.– diz calmo, se aproxima num passo felinamente perceptível. Não me afasto, apenas continuo a ligar nossos olhos, o olhando um pouco por baixo, pela diferença que há entre nossas alturas. Sua mão se alça no ar, envolve meu rosto como algo quente e macio.

Inclino o rosto para o lado, sinto uma onda formigante lamber minha nuca. O toque me acalma, dissipa a ilha dentro de mim.

– Está tudo bem, Taehyung. Está tudo bem.

 

 

⊱✧⊰

Respiro fundo.

O ar quente bate contra meu rosto através da fresta do vidro do carro. Olho para o lado, crispo o cenho enquanto entrecerro os olhos pela claridade que vem de fora. As pessoas caminham pelas ruas, algumas crianças correm. O asfalto se recobre de uma onda de calor que o transfigura, remonta todo o mormaço contido nele. O carro volta a andar, as sombras entrecortadas dos prédios faz minha pele resfriar. Abro mais o vidro, espero que a quantidade de ar melhore a quentura. Meus lábios secam.

– Cuidado para não sair voando pela janela, Garota. – numa farpa, a voz de Yoongi me trás a tona. Reviro os olhos, lufo. Viro meu rosto em sua direção, encontro seu sorriso sádico. Está rindo.

– Não sou nada leve, Yoongi. E isso não vai me fazer lutar melhor, se quer saber. – digo amarga, volto a olhar a rua.

– É claro que não, você é horrível quando se trata de lutas, _______. Por que está tão brava hoje? – curioso, pergunta. Continuo a olhar o movimento da rua, os carros se tornando um vulto esfumado assim como cada pessoa.

Não sei se quero responder a essa pergunta.

– Yoon Mi-rae era próxima de Taehyung. – respondo seca. Pelo canto das órbitas, o vejo virar seu rosto rapidamente em direção ao meu. – Quando eu perguntei quem ela era, ele disse que era uma amiga de longa data da família.

– Você não acreditou nisso, não é? – soltando um riso sôfrego, ele pergunta. Salto as sobrancelhas, estalo os lábios.

– Não. Nem um pouco. Os pais dele foram ao apartamento dele ontem à noite, para contar que ela tinha morrido. A melhor parte? O pai dele impôs para que ele fosse ao enterro hoje. Ela não é apenas uma “amiga de longa data”.

O silêncio paira. Mas se perde no estouro da risada de Yoongi. Viro-me para encará-lo, crispo o cenho. Está rindo, rindo como se o que disse fosse uma piada suculenta.

– ________, você é ridícula com ciúmes! – rindo, solta de forma tão ácida. O olho com desprezo, o fuzilo com toda força que tenho. Inspiro fundo, solto o ar devagar. Preciso me acalmar, Caro ouvinte.

– Não estou com ciúmes de alguém que morreu, Yoongi. Eu só estou preocupada com o envolvimento do Taehyung com essa garota. Você disse que o assassino está perto demais, e agora, de repente, ele mata uma garota próxima a Taehyung. Consegue ver? – o olhando, pergunto firme. Ele para rir, seus lábios decrescem o sorriso até ficarem sobre uma linha fria.

E então, o vento soprando da janela e a guitarra soando do rádio são tudo o que nos preenche. Continuo a olhá-lo; as mechas macias  e negras sendo jogadas para trás, conforme o vento as toca, os olhos repousados calmos sob as lentes escuras dos óculos de sol, os lábios se lumiando entre o pitanga e o pêssego. Inexpressivamente calmo.

– Não acho que o assassino esteja te cercando, _________. Não é essa a intenção dele... Apenas acho que, miseravelmente, ele é alguém próximo e, como já cogitamos, é alguém não suspeito. Talvez ela possa não saber quem ela é, talvez ele apenas tenha olhado para o que ela é.

Franzo o cenho.

– Como assim “o que”?

– Veja bem, ela foi morta na casa de férias da família, ou seja, um lugar calmo, sem movimento. Ela com certeza gostava de coisas peculiares, então, podia não ter certo cuidado com os parceiros, que seja. Se seguirmos por essa métrica, talvez ele selecione as vítimas olhando para o que elas são, e, basicamente, onde elas estão. – explicativo, responde.

Finco-me em Yoongi, o mapa de detalhes se expande em minha mente num quadro branco.

Faz sentido.

Puxo ar pelas narinas, abro os lábios.

– Então, além do padrão, ele pesquisa bem além... O lugar, a calmaria, as testemunhas... Ele não mata por matar.

– Sim, e é por isso que precisamos descobrir logo quem é esse filho da puta. – sério, diz. Desvio o olhar, foco-me fora do carro, através da o vidro baixo. Inspiro fundo, sinto o ar nutrir meus pulmões. – Está tudo bem irmos até lá?

Solto o ar, paraliso nos espelhos dos prédios. Estamos indo até o bairro de Hye-mi. É apenas um bairro, certo? Espero que sim, Ouvinte.

– Sim, está.

 

 

Desço do carro, colo minhas solas ao concreto da calçada, deixo minha canhota sobre a lataria. Olho ao redor, o vento me corta num abraço fresco. Congelo. A casa de Hye-mi está do outro lado da rua, está do mesmo jeito que há meses atrás. A diferença é que parece tão morta quanto aquele dia. Ainda me lembro do que vi, ainda me lembro dos detalhes, ainda me lembro dos policiais e das viaturas. Tudo ainda vive dentro de mim como um parasita caótico.

– ________, tudo bem? – ao meu lado, a voz de Yoongi soa súbita. Tusso, fecho a porta do carro. O encaro.

– Sim. – respondo, refreando um sorriso. Seus olhos se entrecerram, brilham um espectro cortante. – Ok, não é a melhor coisa do mundo estar aqui pela primeira vez depois que tudo aconteceu, mas não é algo que eu possa deixar me limitar. – solto num sopro. Enfio as mãos no bolso de minha calça, inclino a ponta de meus pés um pouco para cima, colocando o peso de meu corpo sobre meus calcanhares.

Yoongi assente, abre os lábios, perpassa a língua sobre eles.

– Sei que deve ser horrível, e é por isso que não é obrigada a ficar aqui se não quiser, ________. Eu não gosto de forçar as coisas. – com um passo a mais, diz tão calmo, mas tão direto. Finco-me em seus olhos, toda a veracidade e seriedade contida neles.

Molhos os lábios, retraio os ombros numa tensão dolorida.

– Eu consigo, Yoongi, se você estiver ao meu lado. – pauso, solto uma lufada pesada. Deixo meus ombros caírem, alongo minha coluna numa extensão prolongada. –  Então... por onde começamos?

Espero que me responda, mas ele não diz nada, Caro Ouvinte. Seus olhos continuam presos nos meus, todo o espelho que há sobre suas íris castanhas reflete minha figura de forma distorcida. Isso me asfixia, me tonteia. Separo os lábios, minha pulsação aumenta num degrau perigoso.

– Olhe pelas casas, tente ver se há câmeras voltadas para a rua. A polícia com certeza já deve ter feito esse serviço, então não vamos ter as filmagens, então esse não é nosso foco. Se nosso assassino é meticuloso, então ele  com certeza deve ter dado um jeito nas câmeras e em outras coisas. – direto, firma. Assinto com a cabeça, mordo a parte interior de minha bochecha.

– Certo... – digo fraca, girando meus calcanhares pela calçada. Corro os olhos para cima, para a casa à minha frente. Corro os olhos pelo portão, acho a câmera. Está voltada para a rua, talvez a óptica seja capaz de capturar um pouco além da calçada. – Yoongi, essa casa possui câmeras. – virando meu rosto para o lado, digo.

Yoongi está a alguns passos, mas caminha tão depressa até mim. Estaca ao meu lado, corre os olhos até a câmera, cerrando os olhos abaixo do sol.

– Vamos falar com a moradora. Vamos dizer que somos parentes da vítima, e estamos revoltados com a demora da resolução do caso. Então, vamos perguntar o que ela viu e ouviu naquele dia. – me olhando, Yoongi diz objetivo. Há firmeza em seus olhos, uma leve tensão bem ao canto de seus lábios que os faz tremer levemente.

Estalo a língua no céu da boca, abro os lábios novamente. Ando à frente, paro rente à parede externa, na métrica do interfone. Levo meu dedo até o botão negro e o pressiono. O toque soa num eco leve pela rua, o vento fresco tomba contra meu corpo diretamente da esquerda para a direita. Meus fios voam na mesma direção, minha pele sente o toque numa onda súbita de arrepios.

Pois não. – chiada, uma voz feminina soa do interfone. Atenho-me a ela, endireito a postura.

– Olá, gostaria de falar com a senhora um instante. Está disponível? – clara, pergunto. O interfone chia, a linha de som trepida.

Sim. Espere um pouco.

– Obrigada. – controlo a voz, me viro para olhar Yoongi. Está ao meu lado, penumbrado levemente pela sombra fresca que se projeta à calçada. Ele assente, solta uma piscadela rápida. Engulo saliva de forma seca, meus lábios ressecam. Dou um passo para trás, me aproximo de Yoongi. – Espero que tudo dê certo.

– Vai dar, _________. Apenas se lembre do seu objetivo com tudo isso. De qualquer modo, sorria e acene.

“Sorria e acene”. Tsc! Solto um riso. Lembro-me desse dito, mas especificamente do dia em que tudo isso aconteceu. Estávamos lá pelo mesmo motivo de agora: caçar a porra de um assassino. Espero que isso funcione como antes,  porque ainda quero matar esse filho da puta. E é apenas por isso que estou aqui. A ideia de olhar mais para Hye-mi é torturante, mas é mais eficaz. Não vamos conseguir tudo com isso, claro, mas espero que consigamos estar um passo mais perto. Inspiro fundo, volto a me focar no que há fora de minha mente. A trava do portão trepida, o metal zune, o meio fio de espaço se grada.

Colo meus olhos na silhueta rente ao portão, nos olhos pretos retraídos e preocupados, se ocupando em oscilar entre mim e Yoongi. Talvez tenha cinquenta ou mais, um metro e sessenta de altura, os cabelos oscilando entre o branco e o castanho puramente claro e doce. Tusso guturalmente, me curvo como posso. Sorrio.

– Olá, Senhora. Sou Park Shin-Hye, prima da ex-moradora da casa atrás de nós. – digo sorridente e calma, aponto sobre meus ombros. – Esse é Park  Min-hyuk, meu irmão. Nós gostaríamos de fazer algumas perguntas à Senhora. – concluo calmo, alargo o sorriso.

Ouço a respiração de Yoongi ficar irregular, posso ver como seu peito se infla com  precisão pelo canto das órbitas. O plano nunca foi mentir sobre nossos nomes. Volto a me concentrar na mulher à nossa frente, seus olhos ainda preocupados, seus lábios semiabertos, remontando uma dúvida.

– Oh... tudo bem. Que perguntas querem fazer? – atenta, oscilando entre Yoongi e eu, pergunta. Molho os lábios, os abro.

– Gostaríamos de perguntar sobre nossa prima, Senhora. – doce e objetiva, a voz de Yoongi cresce. Levo meu rosto até o seu, noto cada detalhe milimétrico. Ele parece doce demais, sorrindo de forma doce, as mãos deixadas ao lado do corpo, os olhos bem abertos, mirando com atenção. É uma boa atuação. – Na noite do assassinato dela... consegue se lembrar de algo?

Corro os olhos para a mulher, finco-me nela. Seus olhos se baixam ao chão, se congelam. Sua testa de crispa levemente o centro, suas sobrancelhas se unem. Ela grunhe levemente, solta o ar pelas narinas de forma ruidosa. E então, volta a nos olhar.

– A polícia me perguntou sobre coisas assim... Naquela noite, um rapaz tocou o interfone, dizendo que um carro havia batido no seu, mesmo estando estacionado. Ele me pediu se poderia olhar as filmagens e vir quem havia sido, olhar a placa, coisas do tipo.

Paraliso. Meu sangue esfria, sinto cada parte minha se tencionar.

– A senhora o deixou ver as filmagens? – atenta, pergunto. Seus lábios formam um bico, seus olhos murcham em direção aos meus.

– Sim... ele apenas as olhou, e depois disse que não havia nada...

– Você se lembra de como ele era? – ao meu lado, de forma seca, Yoongi pergunta. Os olhos da mulher correm até Yoongi, mas vão para o baixo logo após. Sua mão sobe até a altura do peito, os dedos separados um do outro. Seus lábios formam outro bico lumiado, seus olhos se cerram.

– Ele era alto. Os olhos dele eram quase pretos, mas tinham algo diferente, como se fossem olhos de águia. O cabelo dele estava preso num boné, então não consegui ver de que cor era... o nariz era pequeno, os lábios eram bem definidos e pálidos... o rosto era claro, mas o queixo era quadrado assim como o maxilar... – imersa, detalha.

Tento assimilar os traços, mas sãos escassos. Não é como um quebra-cabeça de possua peças suficientes para fazer sentido ou se tornar algo. Há uma grande e abstrata lacuna. Salto as sobrancelhas num tique, molho os lábios logo em seguida.

– Se lembra de algo mais? Como o que ele fez depois ou algum detalhe que a marcou? – imerso, Yoongi pergunta.

– Sim, aquele homem era jovem, devia estar na casa dos vinte ou do início dos trinta. A voz dele era macia e ele era educado. Mas também me lembro do nome dele. – atenta, responde. A última frase me fisga, me faz ilhar uma onda de atenção sobre ela.

– E qual era o nome? – pergunto rápida, a miro com precisão. Seus olhos me entornam, o movimento de seus lábios me asfixia numa espera ácida.

Kim Tae-Soo.

Congelo.

Corro meus olhos até Yoongi, os seus encontram os meus na mesma métrica preocupante e relativa. É o assassino. Kim Tae-Soo, o garoto de oito anos que está morto. O assassino está usando o nome verdadeiro para tratar das vítimas. Perco o ar meu estômago se revira, a bile entorna minha garganta.

– Oh, obrigada por nos atender, Senhora. Isso nos ajudou muito. – digo, refreando um sorriso. Curvo-me de leve, Yoongi faz o mesmo.

– Ah, tudo bem. Mas... por que precisam saber? A polícia não os disse sobre isso? – retraída, pergunta. Abro os lábios, tento procurar a melhor frase que se encaixe na desculpa que Yoongi formulou há minutos atrás.

– A investigação tem durado muito e o assassino ainda está impune, então... – numa pausa, Yoongi solta o ar por entre os lábios, o sopro é pesado o suficiente para murchar seu peito e descer seus ombros. – Nós decidimos que tentaríamos saber um pouco mais. – carregado de uma melancolia nova, ele conclui.

Fico presa em sua expressão, em como seus olhos estão úmidos, em como suas íris castanhas tremem num pré-choro. Ele atua bem.

– Ah... sim... Espero que isso ajude...  – desajeitada, a mulher solta. Posso ver o rubor sobre sua face, o retraimento de seus ombros e a timidez em seus olhos.  

Assinto com a cabeça, sorrio mais uma vez. E então, me curvo. Giro meus calcanhares pela calçada assim como Yoongi. Caminhamos paralelamente até o carro, entramos nele. Ficamos em silêncio, olhando para frente. A rua é calma, não há movimento. O vento que nos corta é fresco, puro e leve. O silêncio é longo.

– É ele. – solto rapidamente, me remexo no banco, me virando na direção de Yoongi. Ele se vira para me encarar, os olhos um pouco saltados, os lábios entortados, a expressão presa numa atenção.

– É claro que é, ________. Mas a questão é: quem é Kim Tae-Soo? Aquela senhora não soube explicar bem sobre como ele é, mas pelo menos disse algo importante. – numa pausa, ele lufa. Leva as mãos até o volante, aponta o indicador para o horizonte. – Essa rua é calma, não tem movimentação. O assassino devia saber disso, e a única preocupação dele foi cuidar das câmeras. Mas pense bem: ele não tentaria a mesma abordagem para ver as filmagens se não soubesse com que tipo de pessoa lidaria.

– Ele estudou o lugar. – imersa digo. Olho para a rua, analiso cada casa.

– Sim, essa senhora é tímida, retraída e quieta. Não tem preocupação com quem entra na casa dela, isso quer dizer que deve estar acostumada a morar aqui e a confiar. Com toda certeza, poderia ter uma boa amizade com Hye-mi ou um senso de vizinhança intrínseco. Ela fala fluidamente, mesmo sendo tímida, ela não mede o que fala. Seria fácil convencê-la de entrar em sua casa. – ouço sua voz, continuo a olhar para a rua.

– Certo, você disse para olharmos mais para Hye-mi, mas agora, não consigo relacionar isso. Se ele conhecia Hye-mi, então não a conheceu por simplesmente conhecer. Hye-mi saía com muitos homens, mas passou a namorar Jimin uma semana antes de morrer. E se o assassino a conheceu antes de ela estar com Jimin? E se ela tenha o levado até a casa dela e então por isso ele conheça o bairro? – voltando-me para Yoongi, pergunto.

Seus olhos paralisam nos meus, sua testa se enruga levemente. Ele morde o centro dos lábios, a pressão dos incisivos superiores os torna avermelhados.

– Então foi por isso que ele escolheu mata-la, _________. Imagine: ele a conhece, entra na casa dela, conhece a vida dela. E então, mais tarde, ela passa a namorar alguém. No meio desse namoro, ele a mata. Não haveria suspeitas que apontem contra ele. É tentador.

Faz sentido. Completo sentido.

– Ele é esperto demais... Quando as investigações começaram, Jimin e eu tivemos uma conversa; a polícia o colocou como suspeito e não o real assassino. Ele não apenas se disfarçou, Yoongi, ele ganhou tempo. Enquanto a polícia estava olhando para Jimin, ele estava planejando o próximo passo. Ele é um filho da puta.

– Agora que percebeu isso? – num riso amargo, Yoongi solta numa ironia ácida demais. Salto as sobrancelhas, jogo os ombros.

– Tsc! Acho que devemos olhar bem além de Hye-mi... Bem mais que Hye-mi, devemos olhar para o que Hoseok descobriu. – falo manso, Yoongi me olha. – Kim Tae-Soo é uma criança de oito anos que morreu num acidente de carro... Essa é a falha. Como é possível alterar um registro de tal maneira?

– Isso não tem cara de alteração, ________. Isso foi um mero registro corrompido. Seja lá o que o assassino fez, ele não fez sozinho. Nós não sabemos o que aconteceu nesse acidente, apenas que aquele casal que o adotou tinha mais um filho. Se o assassino sobreviveu, o que aconteceu depois? E a autópsia do outro corpo? Como foram capazes de não averiguar corretamente a identidade da outra criança?

– Está dizendo que...

– Isso é bem mais que um relaxo por parte dos investigadores e da perícia daquele caso. – lépido, me corta. – Isso foi proposital e por alguém que tenha poder o suficiente para fazer isso.

– Poder vulgo dinheiro? – solto amarga, cruzando os braços. Ele cospe um riso, nega com a cabeça.

– Poder vulgo a lei, _________. Registros assim são manipulados por pessoas que deveriam ser a lei ou a proteção. Por policiais, _________. Seja lá o que aconteceu nesse acidente, o resultado não foi nada bom. E isso só piora as coisas.

– Por quê?

Seu peito infla, seu maxilar inferior se trava numa deslocação para o lado. Seus olhos fincam-se em mim, estão letais, banhados pela luz que começa os banhar através da janela traseira do carro.

– Devemos nos perguntar quem é esse assassino para que policiais queiram fazer esse tipo de coisa.  O que ele é, quem ele é para que policiais façam uma troca de identidade, para que queriam esconder algo.

Congelo.

Kim Tae-Soo. Garoto de oito anos. Um completo mistério.

Fecho os olhos, colido minha cabeça contra o apoio do banco. Bufo.

– Isso não é tão simples quanto pensamos, Yoongi. Isso é perigoso. O que acontece se descobrirmos demais? E se chamarmos atenção demais? – voltando a olhá-lo, pergunto. Seus lábios se repuxam num sorriso amargo, seus olhos brilham.

– Vamos ser calados assim como uma palavra pode ser apagada e pensar que nunca existiu. Mas é por isso que devemos fazer tudo direito, ________. Quanto mais força é aplicada sobre o lápis, mais irreversível se torna a marca sobre o papel. Eu não estou disposto a parar, ______, nem um pouco. E você?

Congelo.

Jurei tantas vezes que caçaria esse assino, jurei tantas vezes que jogaria esse jogo. Jurei que me vingaria por Hye-mi. Por um segundo, Caro Ouvinte, confesso-te que tive medo e receio, por um segundo pensei em desistir de uma vez por todas. Por um segundo.

Inspiro fundo, molho os lábios.

– Não. Eu vou continuar, Yoongi, até o fim.


Notas Finais


AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIN PaI pArAn!
huhihihihihihih
Ain gente, deixei algumas coisas suspeitas nesse capítulo hehehehehehehe
espero que continuem fazendo suas teorias e, claro, compartilhando-as comigo, porque eu adoooro vê-las!


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Caught in a Lie:

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Perfil no wattpad:
https://www.wattpad.com/user/Shewolf_XIX

Espero que vocês tenham gostado e comentem se desejarem!
Vejo vocês no próximo capítulo ou nos comentários!

Beijão 💋💋💋
I💜U
- @Shewolf_XIX


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