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História Azul Oceano - Barbarena - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Lara Ketherine


Bárbara López

 

Já havia se passado uma semana que o Rafael estava aqui em casa, me contou sobre as suas viagens para o exterior e pediu inúmeras desculpas pela demora para voltar, visitamos o túmulo da Mariana e deixamos as suas flores favoritas, rosas brancas e gira-sois.Na minha casa tem um quarto que é do Rafa, na última reforma que eu fiz na casa ele pediu um quarto e eu fiz, e como sempre, ele pediu tudo o que queria, privacidade e o conforto de um esnobe. Agora nós estamos indo comer em alguma lanchonete ou restaurante, eu estou aproveitando ao máximo a sua companhia para superar o luto da minha irmã, a mídia por pedido meu parou de falar sobre isso e esse fator me ajuda muito, não ser esmagada por milhares de perguntas sobre a morte precoce da minha irmã mais nova é uma coisa que me ajuda.

- Então... Aquela loira de 1,70 de altura ? - Rafael pergunta assim que nos sentamos na lanchonete, o local era todo decorado com o tema de super-heróis, e obviamente foi isso que atraiu a atenção do meu melhor amigo. - Já se pegaram ? - Com a pergunta eu sem querer rasgo o papel em que estava tentando fazer um aviãozinho.

- Que isso Rafael ?! - Ele ri. 

- Okay, isso foi um não. Mas você quer. - Rafa diz me lançando um sorriso sacana.

- Minha irmã acabou de morrer, acho que não tive tempo para pensar em me apaixonar ou em pegar a única pessoa que estava ao meu lado. - Digo como se fosse óbvio que eu não tinha pensado em ficar com ela, eu nunca que pensaria a sensação de como é beijar os lábios rosados e aparentemente macios da Macarena, claro que não. 

- Que bom, porque eu achei ela mó gata. - Olho para ele. - Viu! Eu sabia que você ta afim dela. - Reviro meus olhos virando o rosto para o lado, mas então a imagem do rosto da Macarena invade meus pensamentos e um sorriso aparece em meu rosto. - Esse é o sorrizinho que eu estava esperando. Você está se apaixonando por ela Bárbara.

- Eu sei. 

- E ela está se apaixonando por você também. - Volto o meu olhar para o rosto do meu melhor amigo, seu sorriso era radiante. Rafael sempre me disse para eu me apaixonar, que viver a vida sozinha era chato.

- Será ? 

- Você já percebeu o jeito que ela te olha ? O sorriso que ela da quando você está falando, e você viu a cara que ela fez para mim ? Me olhou como se eu fosse suspeito de alguma coisa. - Sorrio.

- Não sei não Rafa, tenho medo de me machucar novamente. E não sei se agora eu consigo lidar com o sofrimento de um relacionamento. 

- Olha...- A sua mão alcança a minha por cima da mesa. - Eu sei que a Lucy fudeu teu psicológico, mas eu preciso que você se recomponha e vá atrás da sua menina. Porque ela já é sua, só não sabe disso. - A Lucy era minha noiva, eu a peguei com o seu melhor amigo na minha cama e aquilo fez uma barreira dentro de mim, e desde então, faz um tempo que não penso em me relacionar com alguém. - A Mariana deveria ter batido mais nela.

- Deveria mesmo. - Dou risada. 

Flashback on

- Amor, eu posso explicar! - Lucy dizia enquanto eu descia as escadas da minha casa, eu precisava sair dali se não iria fazer algo de errado e com certeza me arrependeria depois. - Amor espera! - Ela segura meu braço não me deixando passar pela sala.

- Não toque em mim! - Grito puxando meu braço. - Eu vou sair, quando eu voltar não quero nada teu na minha casa, e trate de levar aquele seu amante junto.

- Você não pode fazer isso com ela. - O babaca aparece. - Se tem que culpar alguém, me culpe, mas não ela. 

- Que fofo da sua parte defendê-la. Mas eu não vi nenhuma arma apontada para ela, enquanto ela cavalgava em cima de você. - Lucy tenta alcançar meu braço mas eu o puxo novamente. - Não... - Falo com o fio de voz que ainda me restava, me afasto dos dois e saio de casa. Sento no chão ao lado da porta me escorando na parede. Respirava fundo e soltava devagar para acalmar meu coração e a adrenalina que corria pelas minhas veias.

Vejo um carro entrando na nossa residência, era o carro da Mariana, tudo o que eu mais precisava.

- Hey, por que está aqui fora ? - Ela pergunta enquanto ajeitava a sua bolsa no ombro. Ergo meu olhar para ela e na mesma hora a sua feição muda. - O que aconteceu ?

[...]

- Eu vou matar ela! - Mariana fala alto enquanto se levanta do meu lado, eu podia jurar que conseguia ver fogo nos olhos dela.

- Mariana... - Ela some da minha vista.- Não vale apena. - Continuo baixo, sabendo que mesmo se falasse alto ela não iria me ouvir. - Droga. - Digo me levantando e indo atrás dela. 

Quando passo pela porta vejo a Mariana trotando na direção da Lucy, tento correr mas paro ao ver o indivíduo indesejado colocando uma bolsa no sofá. Ele estava trão concentrado que nem viu minha irmã se aproximar da minha ex-noiva. Mariana para atrás da Lucy e bate com o indicador duas vezes no ombro dela. Ao virar a Lucy nem teve tempo para reagir, a única coisa que pôde perceber foi o punho fechado da minha irmã em seu rosto.

Lucy cambaleia para trás enquanto Mariana ainda avançava para ela. 

- Lucy! - O amante grita, indo na direção da minha irmã. Olho para a mesa de centro que 

separava as duas dele e vejo que ali tinha um vaso de flor, saio correndo e antes de chegar no melhor amigo da Lucy eu pego o vaso e bato na cabeça dele, o fazendo cair.

- Cara, eu sempre quis fazer isso. - Falo divertida e dando três passos para trás. - Adisin, chame os seguranças agora! - A expressão era de raiva no rosto do rapaz moreno, ele vem na minha direção. Cruzo meus braços e sorrio divertida para ele, quando ele vai tentar pegar no meu braço o meu segurança que entrou pela porta dos fundos, pega o seu braço e torce para trás, o fazendo gemer de dor. 

Olho para o outro lado da sala e vejo que minha irmã estava sendo carregada para longe da Lucy, que por sinal estava com o cabelo totalmente bagunçado e o batom vermelho borrado.

Sorrio vendo minha irmã se distanciar dela e vir na minha direção. 

- Você é louca. - Digo a abraçando, ao soltar ela passo o polegar nas suas sobrencelhas e depois arrumando o seu cabelo que estava um pouco bagunçado.

- Ninguém machuca a minha irmã. - Mariana diz sorrindo. 

 

Flashback off

 

Meu celular começa a vibrar, olho para o visor e vejo que é a Macarena. Automaticamente eu sorrio e olho para o Rafa, que sorrindo, faz sinal para eu sair. Me levanto e atendo a chamada. 

Ligação on

- Oi Maca! - Digo animada, saio do restaurante e me encostro na parede. 

- Oi Barbie, tá tudo bem ? - Sua voz era tão doce e amorosa, tudo o que eu queria era um abraço dele nesse momento.

- Sinto a sua falta. - Falo suspirando.

- Eu também. - Foi a vez dela de suspirar.

- O que está fazendo ? - Ela pergunta, ao sons de fundo parecia que ela estava andando.

- Eu estou em uma lanchonete com o Rafa, a decoração é totalmente de super-heróis. Por isso estamos aqui. - Macarena ri do outro lado da chamada. - E você ?

- Estou fazendo algumas coisas do trabalho aqui no notebook e vendo a Kate lutar contra o sono. 

- Você ainda não me disse quem ela é. - Faço bico e coloco a minha mão livre no bolso do meu casaco, estava frio no México, por mais que seja verão.

- E não vou dizer. Você irá descobrir só semana que vem. 

- Irá trazer ela ?

- Sim, da última vez que eu fiquei aí, digamos que ela não gostou muito. Disse que alguém poderia querer roubar o lugar dela. 

- Talvez ela esteja certa.

- Como ? - Sinto a sua voz divertida.

- Vai saber, tem tantas mulheres e homens aqui na cidade que poderiam se interessar por você. - Falo a primeira coisa que me apareceu na cabeça, para não dar tão na cara assim a indireta. Por mais que eu saiba que isso é provavelmente muito errado, pois claramente ela é comprometida. 

- Por isso ela vai comigo semana que vem. - Sorrio fraco, o jeito é eu esquecer mesmo a Macarena.

- Espero que passe logo, quero vê-la e conhecer a misteriosa Kate. - Macarena gargalha ao fundo.

- Eu também espero, mas eu tenho que ir agora Barbie. Tem um caso aqui que está me prendendo e eu preciso encontrar alguma coisa que me ajude nesses documentos digitalizados. 

- Tudo bem Maca, boa sorte.

- Obrigada, tchau Bárbara, e se cuida. 

- Você também, tchau.

 

Ligação off

 

Volto para a mesa e vejo que o meu melhor amigo estava fazendo o pedido dele.

- Chegou bem na hora, vai querer o que ? - Ele fala olhando para o menu.

- O especial da casa, sem cebola, por favor. - O garçom anota o meu pedido e sai.

- E então ? - Rafa pergunta animado.

- Ela disse que está com saudade e que semana que vem está aqui... - Falo pegando o copo de água e o levando até a boca.

- Isso é ótimo.

- Com a Kate. - Completo a minha frase ao terminar de beber a água.

- Isso é péssimo. - Concordo com a cabeça. - Mas você vai deixar isso atrapalhar?

- Rafa, ela claramente é comprometida com essa menina, a Kate liga, manda mensagem toda hora e em todas as nossas chamadas essa Kate é citada. Toda vez que eu pergunto quem é ela se esquiva do assunto, pelo menos dessa vez disse que eu irei conhecer ela semana que vem. Eu não vou tentar nada com ela, não quero destruir algo que está a fazendo feliz. - Arrumo o meu cabelo e me ajeito na cadeira.

- Tudo bem, vamos adiar esse assunto até a semana que vem. Mas você não vai escapar de mim depois disso. 

- Eu sei. - Falo sorrindo.

 

Uma semana depois.

 

Estava andando pelas ruas da Cidade do México à procura de algum lugar para eu me sentar e descansar a minha cabeça. Hoje o Jhon foi na minha casa me atualizar de tudo o que estava acontecendo na empresa, a minha empresa é conhecida como a maior empresa jornalística. E pela morte inesperada da minha irmã, está tudo bombando. Mesmo sendo motivos para eu comemorar, o lucro da empresa dobrou das últimas semanas para cá. Mas o motivo não é um que eu me orgulhe, é sobre a morte da minha irmã, que a minha empresa está lucrando. E isso é muito para a minha cabeça.

Meu telefone começa a tocar, sem ver quem é eu atendo. 

- Barbie? - Era Macarena.

- Oi, Maca. - Falo respirando fundo.

-Está tudo bem ?

- Sim, estou só caminhando um pouco. 

- Entendi, é iluminado por aí, não é ? - Sorrio diante da sua preocupação. Estava de noite, a rua era bem iluminada e isso a deixava ainda mais bonita.

- É Maca. 

- Que bom, então eu poderei ver. - Ergo a sobrancelha, avisto um banco após uma enorme sombre feita por uma árvore, a sombra cobria a calçada inteira por uns três metros à frente.

- Ver o que ? - Pergunto quase entrando na enorme sombra.

- O quanto você está linda. - Me assusto por ela aparecer repentinamente na minha frente.

- Ai cacete! - Falo fazendo malabarismo com o meu celular na tentativa de não o deixar cair. - O que faz aqui?! - Exclamo a abraçando fortemente.

- Não é óbvio ? Vim te ver. - Ela diz me erguendo uns centímetros do chão e nos rodando. - Eu estava com saudades. - Maca diz ao quebrar o nosso contato.

- Eu também, não me disse que já tinha chego. 

- E estragar a surpresa ? - Ela diz sorrindo. Nós começamos a caminhar pela calçada na direção do banco. - Como estão as coisas?

- Bom, o Rafa ainda está lá em casa, o Christian não foi encontrado e minha cabeça está girando. - Maca suspira e se senta no banco, me sento ao seu lado. - E como estão as suas coisas ?

- Resolvi aquele caso com o meu parceiro, a Kate está ansiosa para conhecê-la e meu pai está me sobrecarregando com a transferência para o México.

- Como assim ? - Pergunto olhando para ela, seu olhar estava travado nas mãos que brincavam uma com a outra.

- Ele quer ficar mais perto de mim, disse que está ficando velho e que a qualquer momento pode partir sem se despedir. Falei que a transferência para cá poderia ser uma opção e desde então ele não para de me cobrar.

- Faça no seu tempo, mas eu também acho que deveria voltar. - Falo sorrindo e virando o rosto para ela não ver. 

- Eu sei que me quer por perto. - Maca fala divertida enquanto me empurra para o lado com o ombro. - Eu já pedi a transferência, e ela já foi cedida. Mas como o aniversário do meu pai é daqui um mês. Quero fazer uma surpresa de aniversário na minha futura nova casa. Mas como ele não sabe de nada, fica me enchendo a cabeça. - Sorrio tentando imaginar. - Mas por que está aqui ?

- A empresa, é uma longa história. Mas enfim, não quer sair ? - Um sorriso se abre no seu rosto. - Podemos ir ao Shopping. Comemos, assistimos um filme e depois eu te levo em casa. 

- Vou ficar te devendo a última parte. - Maca balança a chave do seu carro no dedo. - Estou com o meu possante estacionado na rua da sua casa. - Sorrio.

- Que pena. - Falo fingindo um bico.

- Não faz isso meu bebê. - Olho para ela, era a primeira vez que me chamava assim. - D-desculpa. - Suas bochechas ficaram vermelhas e de repente, tudo o que eu mais queria era aperta-las.

- Faz de novo ? - Peço baixinho me aproximando dela.

Maca pega meu rosto com as mãos, seus olhos azuis foram certeiros aos meus.

 

- Você é o meu bebê, Bárbara López. - Seu sorriso ilumina toda a escuridão que volteava a nós, sorrio com uma imensa vontade de pular em seus braços e me deliciar no doce que eu imagino que seus lábios tenham. Desço meu olhar para a sua boca, e mordo meu lábio ao ver a sua língua os umedecer. Vou me aproximando aos poucos, dando todas as chances dela fugir, me rejeitar ou até me dar um tapa. Mas nada ela faz, só fecha os olhos. Umedeço meus lábios e avanço meu rosto para o seu, estamos quase roçando nossos lábios...

- Mãe, eu achei o... - Macarena suspira baixinho se afastando de mim. - Achei o fio. - A fala da menina continua, olho para ela e vejo a semelhança com Macarena. Puxo o ar pela boca fazendo um som como se tivesse descoberto algo incrível. E tinha mesmo.

 

 

- Obrigada, filha. - Maca diz arrumando o cabelo. - Bárbara, essa é a Lara Katherine. A Kate... Ela é a minha filha. - Ela diz sorrindo, mas ainda sim da para ver a vergonha em seu rosto.

- Por favor me chame só de Kate ou de Lara. - A menina diz sorrindo

- Oi Lara. Sou a Bárbara. - Falo me aproximando para cumprimentá-la, mas sou surpreendida por um abraço. Seu pequeno corpo abraçou toda a minha cintura me fazendo quase perder o equilíbrio. Olho para Macarena que sorria.

- Você é a Bárbara que a mamãe sempre está falando ? - O sorriso do rosto da Macarena se desfaz. 

- Eu não sei, eu sou ? - Pergunto olhando para a mulher que estava ao meu lado, seu rosto estava quase chegando ao vermelho escarlate.

- É filha, ela é sim a Bárbara. - Macarena fala passando as mãos no rosto. 

- Sinto muito. - A menina diz me soltando.

- Pelo o que ? - Me agacho a sua frente para ficar na mesma altura que ela.

- Pela a sua irmã, mamãe disse que ela faleceu e que você estava triste. - Mexo meus lábios para o lado e depois sorrio.

- Obrigada, eu tenho certeza que ela adoraria você. - A menina pequena sorri, seu sorriso estava banguela por falta de um dos dentes da frente. Me levanto e viro para a Macarena. - Se quiser eu posso ir...

- Não não, por favor. Fica. - Sorrio enquanto me viro para a pequena menina.

- Quantos anos você tem Lara?

- Tenho 10. - Arregalo os olhos e viro para a Macarena que abaixa a cabeça tentando evitar meu olhar. - Ela não gosta de falar sobre isso... - A Lara diz baixinho perto de mim.

- Não vou forçar ela. - Falo no mesmo tom que ela a fazendo sorrir. 

- Vamos, antes que vocês me deixem mais sem graça. - Macarena fala passando no meio de nós duas e pegando em uma mão de cada. Lara sorria a todo o momento, involuntariamente meus dedos se entrelaçam nos de Macarena, ao perceber que fiz isso vou desfazê-lo, mas os dedos de Maca apertam os meus não deixando eu quebrar o contato de nossas mãos.

Fomos andando até o Shopping perto da minha casa, já que não estávamos muito longe dele. O contato das nossas mãos não se quebraram em momento algum. Entramos no Shopping e fomos até a praça de alimentação, iriamos comer e depois ir embora. 

- Filha, você vai querer comer qual desta vez ? - Vejo a Lara dar um 360 vendo todas as franquias de fastfood do shopping.

- Quero o mesmo de sempre. - Macarena sorri negando e segue para a fila do BK.

- Lara... - A menina que até então via a mãe se distanciar, olha para mim. - Você quer que eu vá embora? Se quiser tudo bem, eu vou. - Ela não diria na frente da Macarena, e eu não quera que ela se sentisse magoada ou qualquer outra coisa por minha causa.

- Eu gostei de você, é legal e faz a minha mãe sorrir muito. - Um sorriso bobo aparece em meu rosto. - É igualzinho a esse. - Ela fala apontando para o meu sorriso. - A mamãe nunca foi de deixar alguém entrar. Sempre foi muito fechada para as pessoas, e quando ela voltou da casa do vovô da última vez, ela estava alegre e sorridente. Eu perguntava o por quê e ela sempre dizia que ela havia encontrado uma pessoa que procurava a muito tempo. - Meu sorriso que até então estava pequeno, se abriu mais a cada palavra dita da pequena. Rafael tinha razão, eu estou apaixonada. E provavelmente ela também. - Posso pedir uma coisa só? - Lara me tira dos devaneios da minha cabeça. 

- Claro.

- Não magoa ela, eu sempre quis ver ela assim. Apai... Aparentemente feliz... - A menina tenta se corrigir. 

- Você ia dizer apaixonada, não ia ? - Lara se encolhe na cadeira como se tivesse sido descoberta. 

- Não conta para ela, ela pediu para eu não falar. - A menina falava baixinho encolhida na cadeira da praça de alimentação. 

- Tudo bem, você não sabe o quanto feliz eu fico de ouvir isso.

- Kate, eu não sabia qual refri você queria. Qual quer que eu pegue para você ? - Macarena fala com o copo na mão.

- Eu pego lá mãe. - Lara fala pegando o copo da mão da Macarena e indo em direção às diversas variações de refrigerante. Maca se senta no " sofá " da mesa redonda e respira fundo.

- Tá tudo b...

- Eu fui estuprada. - Arregalo meus olhos e fechando os punhos em cima da mesa. - Em um dos dias que eu fui visitar o meu pai no hospital, um homem disse que ele estava em uma sala. Quando eu entrei lá dentro o mesmo homem me empurrou e trancou a porta... - Seus olhos se fecham e vejo que ela balança a cabeça. Como se tentasse afastar as memórias. - O resto deve imaginar o que aconteceu.

- Maca... - Falo me levantando e me sentando ao seu lado. 

- Eu entrei em depressão e não conseguia sair de casa. - Passo meus braços ao redor da sua cintura, a apertando em um abraço. - Pedi e implorei diversas vezes para abortar a criança que foi me dada à força. Mas meu pai dizia que a pequena criança não tinha culpa. Eu não queria aquela criança, ela veio de um estupro. - Vejo que seus olhos enchem de água.

- Tudo bem, não precisa mais falar. - Digo baixo colocando a sua cabeça no meu peito e afagando os seus cabelos. 

- Eu ia abortá-la, até o momento que eu fui obrigada a fazer uma ultrassom e ouvi o coraçãozinho bater. Tão rápido, parecia assustada. Foi naquela hora que eu comecei a amar aquele ser dentro de mim. E oito meses depois ela nasceu. Seus olhos eram mais azuis no dia em que nasceu, mas depois foi escurecendo e ficaram assim.

- Ela é uma bela menina.

- Ela é a minha bela menina, eu fico muito feliz por ter ela. E fico devastada quando na delegacia aparece casos iguais aos meus. Eu não tento convencer as meninas para terem essas crianças. Porque eu queria abortar e sabia a sensação que era, a dor de carregar algo que você não queria, algo que não devia estar ali. Era assustador. Se não fosse meu pai, ela não existiria hoje. - Macarena tira a cabeça do meu peito e me olha. - Me desculpa não ter falado da minha filha, eu não sabia como dizer. 

- Tudo bem. - Dou um beijo na sua bochecha. Continuamos conversando até o lanche da Lara chegar e eu descobrir que ela é a pessoa que come mais rápido nessa vida, acho que ela devorou o lanche dela em um minuto e meio.

Ficamos passeando pelo shopping até passarmos na frente de uma lojinha que vendiam roupas, a loja que eu sempre compro alguma coisa para vestir em um evento.

- Mãe, mamãezinha. - Lara dizia e Macarena fingia que não estava ouvindo. - Por favor mamãe.

- Lara, toda vez que vamos em algum shopping você compra um moletom e um tênis, nem o seu guarda roupa e muito menos o meu bolso aguenta isso. - Dou risada e paro de caminhar. Me direciono para a loja. - Bárbara não...

- Você não vem ? - Pergunto sorrindente para a Lara que sorri mais que eu, e começa a correr em direção a loja. - Preciso de mais pontos com ela. - Falo erguendo os ombros em sinal de desculpa e saindo correndo atrás da menina. Macarena tapa o rosto com uma mão e vem atrás de nós duas. Entro na loja e vejo a Lara olhando um moletom.

- Já que a sua mãe disse que você sempre pega um moletom, por que não pega outra coisa e um tênis ? - Lara me olha e sorri. A menina vai para a sessão de vestidos, vejo que ela pega um vestido vermelho e o trás para mim.

 - Deveria provar esse. - Lara diz me entregando o vestido. 

- Você acha ? - Ela concorda. - Então, já que escolheu o meu. Posso escolher o seu ?

- Fique a vontade. - Sorrio e vou vendo as roupas que a loja tinha,escolho um vestido preto, um moletom cinza e um tênis da marca Vans. 

- Todo seu. - Falo entregando o conjunto para ela. Lara sorri e vai para o provador, eu faço o mesmo para a cabine ao lado. Ao tirar a minha blusa meu cabelo se embola todo. Por conta disso eu faço um coque e coloco o vestido vermelho. Saio do provador e vejo Macarena sentada em uma das poltronas que tinha na loja, ela estava de costas bebendo uma garrafinha de água. 

- Como eu estou ? - Falo tirando a sua atenção do celular. Ela se vira, ao me olhar o gole da água que eu deduzo que era para ter engolido a faz engasgar, começando a tossir e fazendo uma cena um tanto quanto engraçada. 

- Está... - Mais um tosse. - Está ótima Barbie. - Sinto minha cor de pele adquerir a tonalidade do vermelho do vestido que uso.

- Devo levar ? - Eu acho que sim, você está maravilhosa. - Sorrio voltando para o provador tirar o vestido. Saio com a peça e me sento ao lado da Macarena.

- Ela sempre demora assim ?

- Sempre. 

- Eu estou ouvindo. - Lara fala abrindo a cortina do provador. - E ai ?

- Você está linda Lara! - Falo empolgada. 

- Está deslumbrante meu amor. - A menina toda feliz volta para o provador, por mais que a Macarena insistisse em pagar as coisas da Lara eu neguei, e neguei bastante porque Macarena é muito teimosa. 

Finalizamos nosso dia com sacolas de roupas novas, e um belo de um sorriso no rosto. Ao chegar na calçada nós paramos. 

- É aqui que eu me despeço. - Falo fazendo bico.

- Queria que hoje não acabasse. - Lara fala vindo na minha direção e me abraçando com toda a sua força. 

- Eu também pequena. Mas quem sabe a sua mãe é boazinha e te trás aqui amanhã. - Macarena sorri acenando com a cabeça.

- Claro, eu a trago sim. - Eu quero as duas, não se joga detetive sem três pessoas. - Eu falo sorrindo. Lara me solta e vai para o lado da Macarena.

- Nos vemos amanhã então. - Maca diz vindo na minha direção para me abraçar. Sinto seus braços envolverem minha cintura, sinto os seus dedos fazerem carinho na minha lombar. Dou um beijo na sua bochecha e a solto.

- Nos vemos amanhã.

 



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