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  3. 21 Dezembro de 2015

História Azura: O Despertar - Capítulo 1


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Capítulo 1 - 21 Dezembro de 2015


Fanfic / Fanfiction Azura: O Despertar - Capítulo 1 - 21 Dezembro de 2015

São exatamente 3h37 da manhã, não faço ideia como vim parar aqui e nem onde estou, mas de certa forma me sinto aliviada de estar longe de todo o caos. Eu sei, vocês não devem estar entendendo nada, melhor eu começar do início.

Meu nome é Azurita Oliveira, - mas pode me chamar de Azura - tenho 16 anos, a idade aonde se vai em busca de novidades, desafios e se revelar rebelde, mas se querem saber eu sou bem normal, ao menos me considerava normal e sonsa, mas depois de hoje, já não sei se me classifico no quesito normal.

***

6h15 e eu sou obrigada a acordar ao som de One Republic – I Lived, maldita música onde me faz perceber que minha vida é um saco. Digo a mim mesmo "Hora de levantar Azura, para mais um dia no paraíso".

Levanto-me cambaleando e vou em direção ao banheiro, começo a tirar a minha blusa e percebo que meu irmão de 10 anos se encontra no banheiro. Cubro-me e vou em direção as escadas.

- MÃE!!! - chego na cozinho encontro meus pais e disparo - Não aguento mais dividir o banheiro com o Kevin! Quantas vezes eu vou ter que pedir um banheiro, eu tenho 16 anos preciso de privacidade!

- Azurita, já conversamos sobre isso. Não vamos discutir novamente logo pela manhã. Vá se arrumar antes que se atrase para o Colégio. - argumenta minha mãe.

Olho para meu pai com a esperança de que ele me de algum apoio nessa causa, mas ele nem desvia o olhar de seu jornal. Saio a passos firmes e no meio da escada grito:

- AINDA BEM QUE VOU PARA O INTERCÂMBIO DE FÉRIAS!

Chegando ao banheiro puxo Kevin ainda com a escova de dente na boca para fora, entro e bato a porta. Abro o chuveiro e começo a tirar a minha roupa, quando me deparo com meu reflexo no espelho. Deus, como pôde me castigar assim? Enquanto as meninas da minha idade têm o cabelo e corpo perfeito, eu fico bem longe da perfeição. Pergunto-me às vezes se sofro de algum erro genético, Kevin possui traços nítidos e perfeitos da mamãe e eu não.

Kevin é o menino mais alto da sala dele, sem dúvida puxou isso do papai, seus traços são finos como os da mamãe, olhos grandes com cílios avantajados, apesar da cor mel, claramente tem um olhar marcante, que eu não tenho. Os cabelos acompanham a cor dos olhos, um castanho dourado, levemente ondulado, moldura perfeitamente seu rosto.

Olhando-me agora no espelho, percebo que não possuo nenhum traço de meus pais, apesar de todos falarem que lembro muito meu pai quando mais novo. Não puxei a altura do meu pai, acredito que Kevin irá ficar maior que eu futuramente, agora ele já bate nos meus ombros. Tenho 1,65 de altura, estatura de uma mulher brasileira, mas só a altura, pois a beleza não possuo. Minha pele é inteira de sardas. Quando pequena minha mãe costumava dizer que era uma capa protetora que só as Princesas do Planeta Netuno tinham, na época achava um máximo, hoje percebo que não passava de uma história. Voltando do meu devaneio vejo no espelho meus olhos azuis esverdeados que sofrem constantemente com a exposição ao sol, a quem os ache bonitos, eu os acho sofridos. Meu cabelo cobreado chegou ao ápice de sua rebeldia, caído aos ombros nu, totalmente arrepiado pela humidade do vapor do chuveiro.

Entro no box e tomo aquela chuveirada, para ver se acordo de vez. Saio do banheiro me sentindo revigorada, algo nada duradouro, pois tenho que ir pra aula. Vou para o meu quarto, abro o armário e pego minha camiseta com a seguinte frase estampada: "CONECTO-ME, LOGO EXISTO", coloco minha calça jeans surrada e rasgada, um All Star e saio em direção as escadas, quando ia descendo percebo que esqueci meu medalhão, volto para meu quarto e o pego de cima da escrivaninha – ganhei meu medalhão no dia em que nasci, minha mãe diz que é herança de família, dada a todos os primogênitos, apesar de Kevin ser o caçula, também possuí um, só que mais singelo – a pedra azul ao centro unindo as extremidades do que parece ser quatro tridentes, as vezes tenho a impressão de que sua cor altera de acordo com meu humor, mas mamãe diz que é impossível.

Vou caminhando para o colégio com Kevin, é Primavera o que faz a caminhada agradável pelas ruas, à temperatura hoje chega em 24ºC, o que é praticamente considerado fresco em São Paulo, já que vivo em uma selva de pedra, onde mudanças climáticas são constantes. - Uma coisa que todo paulistano aprende desde pequeno é que sempre se deve ter um casaco e um guarda-chuva dentro da bolsa. - Continuo a caminhada através dos arranha céus, passo pelo Edifício Martinelli[1] com sua arquitetura clássica, é considerado um dos principais símbolos arquitetônico do Brasil, dobrando a esquina deixo Kevin no seu colégio e sigo mais algumas quadras para chegar a Biblioteca Mário de Andrade[2] de longe pode-se observar seu estilo decorativo de artes aplicadas, seu desenho industrial e sua arquitetura caracterizada pelo uso de materiais novos, apesar de seus 90 anos, encontra-se preservada, devido ao fato de ser um patrimônio cultural – Aprendi isso no 1º ano, quando fizemos um tour histórico pela cidade.

Em meio a vários alunos do 2º ano avisto Thomas e Rebeca, são meus melhores amigos, - estamos juntos desde os 6 anos de idade. Apesar de sermos totalmente diferentes, acho que por isso que nos torna inseparáveis. - Becky está acenando para mim, essa semana incorporou o estilo hippie, veste uma saia longa plissada e uma camiseta com a estampa de uma árvore escrita: "#PRESERVE", a cara dela, se tem alguém que entraria em uma ONG contra o desmatamento, esse alguém seria Becky. Apesar de sua aparência ambientalista, Becky é extremamente dócil, esbanja graça por onde passa com sua 1,70 altura, seu cabelo preto realça sua pele branca, seus olhos amendoados levemente puxados nos cantos, não mudou nada de quando éramos criança.

Thomas está ao lado dela, falando para ela parar de acenar, pois já os avistei. Ao contrário de Becky, Thomas mudou muito, quando criança era magricelo, usava óculos e todos pegavam em seu pé por ser nerd. Hoje continua nerd, já não usa óculos e tem um corpo definido, chama atenção de muitas garotas por onde passa, sua boa postura faz com que pareça mais alto do que de fato é, veste jeans surrados, uma camiseta verde que realça seus olhos castanhos, seus cílios bem pretos e avantajados, seu rosto tem traços finos, recebe as pessoas com um sorriso no rosto, seu cabelo curto castanho escuro sempre impecável.

Becky dispara:

- Onde você estava?! A Maria Eugênia já começou a separar os grupos para o roteiro.

- Tive que deixar o Kevin no colégio.

- Azura, nem esquenta, Becky adora fazer drama. Vamos ver qual o nosso roteiro, quanto mais rápido fizermos, mais rápido estamos livres – diz Thomas.

Maria Eugênia, nossa professora de história estava na frente da Biblioteca explicando como funcionará o exercício de campo. Apesar de sua estrutura baixa, seus óculos fundos de garrafas e seu cabelo desgrenhado, Maria Eugênia é uma das minhas professoras favoritas, traz sempre algo inovador, gosto de ouvir suas histórias, já deu a volta ao mundo duas vezes – as vezes sinto uma pontada de inveja, pois nunca me mudei e nem saí do país, acho que o lugar mais longe que cheguei foi no lado norte de São Paulo, mas em breve a minha vida vai mudar, irei para o intercâmbio, finalmente terei uma história pra contar. - enfim sorteia nosso tema.

- Vocês ficaram com o tema Cidade Criativa – diz Maria Eugênia com um olhar intrigante e ao mesmo tempo ameaçador, como o de alguém dizendo me surpreendam. Meu estomago começa embrulhar, não sou nada criativa, e muito menos gosto de surpreender as pessoas.

Ela saiu e nos deixou a sós com nossos pensamentos. Thomas quebra o silêncio:

- De acordo com o Roteiro que Maria Eugênia nos deu, devemos escolher cinco lugares entre os trinta da lista. Sugestões?!

- Tem que ter Parque Ibirapuera. – Dispara Becky.

- Eu quero Museu do Futebol. – Rebate Thomas.

- Museu da Língua Portuguesa é importante.

- Mercado Municipal, assim podemos fazer uma boquinha com o Lanche de Mortadela. – Rimos ao ouvir o argumento de Thomas do Mercado Municipal.

- O Catavento...

- Backy, já escolhemos quatro, deixa a Azura escolher ao menos um. Qual você escolhe?

Penso um pouco e escolho MASP, minha mãe sempre me levava quando pequena ao Museu de Arte de São Paulo, é um dos meus lugares favoritos, sempre devaneio em frente às obras. Assim fechamos nosso roteiro da cidade criativa. Olho para o céu e o tempo parece estar virando – ótimo era tudo o que precisávamos.

- Gente, acho melhor marcamos para visitar os lugares amanhã, parece que vai chover – sugiro.

- Azura, é a mãe terra nos abençoando com sua água purificadora. – diz Becky.

- É fácil pra você falar, não é o seu cabelo que fica um caos com toda essa humidade. – rebato.

- Meninas, não vamos discutir por besteiras femininas – diz Thomas.

Becky e eu nos olhamos e damos um soquinho de leve em seu braço, besteiras femininas, faça me o favor... Por fim, decidimos ir para casa de Becky.

Chegamos a sua casa, sua mãe está preparando o almoço vegano, por conta da loucura de Becky essa semana ser hippie. – definitivamente não foi uma boa ideia ter vindo para a casa dela, deveríamos ter ido para casa de Thomas ou almoçar fora.

Estamos sentados na mesa, e me deparo com um prato totalmente vegano e estranho. Provavelmente vou passar fome hoje. A mãe de Becky começa falar o que fez para o almoço, um kibe de abobora e para acompanhar tem arroz integral e salada, além do suco verde. – Céus onde fui me meter!

Olho pela janela e começa a chover, será uma tarde preguiçosa. Após o almoço resolvemos subir ao quarto de Becky para ver um filme ou serie. – Às vezes sinto uma pontada de inveja dela, por ser filha única, ela possui seu próprio banheiro e TV em seu quarto.

Resolvemos ver um filme de terror, Thomas sentou no meio de nós duas, para que nas cenas de terror as duas pudesse ter um ombro amigo pra agarrar – acho que o filme estava muito chato ou eu muito cansada, porque acabei dormindo e babando no ombro de Thomas, penso comigo Azura como você consegue fazer isso? Ainda bem que Thomas é só seu amigo.

Me recomponho do jeito que dá, olho para meu celular e já são 16h15. Merda, estou atrasada! Saio da cama em um pulo.

- Onde você está indo? – Diz Becky.

- Preciso pegar o Kevin na escola.

- Pensei que fosse dormir aqui hoje?

- Desculpa Becky, mas hoje não vai rolar, marcamos outro dia, ok? – e nisso vou caminhando para a porta.

- Eu também vou nessa Becky, nos falamos mais tarde – diz Thomas – Azura, me espera vou com você. Ah! Diga a sua mãe que o almoço estava ótimo.

Estamos na rua, caminhando para o metrô. Olho para o Thomas e pergunto:

- Serio mesmo que você gostou daquela comida vegana?!

- Não é a pior, e fazer o que, eu sou um rapaz educado.

Reviro os olhos e acabo rindo. Thomas é tão gentil que seria impossível da parte dele machucar alguém. Olho novamente para ele e vejo uma leve mancha de baba em sua camiseta.

- Thom, desculpa por ter babado em você. Devia ter me acordado, ou me empurrado.

- Que isso Azura, não foi nada, o filme não era lá essas coisas.

Estamos na estação esperando pelo metrô, meio de canto de olho vejo que Thomas está me encarando.

- O que foi? Estou com baba seca no rosto pra você ficar me encarando?

- Quem é Aaron?

Como ele sabe sobre o Aaron, começo a ficar ruborizada e ele percebe.

- Desculpa Azura, não é da minha conta.

- Não, tudo bem. Ninguém sabe sobre o Aaron...

- Ele é seu namorado?

- Oh, não. – Sussurro para mim a última parte - Poderia ser... – Azura se controla, estranho Thomas me perguntar isso, mas ele é meu melhor amigo, então resolvo me abrir para ele. – Aaron não existe, e como você sabe dele? Ninguém sabe sobre ele.

 - Como assim não existe? Você falava enquanto dormia.

Ótimo! Agora eu falo enquanto durmo, você não podia ser mais estranha Azura.

- Quer dizer eu acho que não existe, ao menos nuca vi ele na vida real, só em meus sonhos.

- Você sonha com um cara que nunca viu?

Não parecia tão estranho, até Thomas falar isso.

- É... eu sei, parece estranho. Eu venho sonhando com ele há algum tempo. Eu não sei quem é, deve ser minha imaginação em ação – e eu achando que não era criativa.

O vagão chega, ainda bem, o momento não poderia ser mais constrangedor. Entramos em silêncio. Então resolvo quebra-lo.

- A Becky ouviu?

- Não, só estava eu no quarto, Becky tinha descido para tomar um copo de água.

- Thomas – suspiro – Ninguém sabe sobre esses sonhos, se importa de ficar só entre nós?

- Está tudo bem Azura, seu segredo está a salvo comigo – ele termina e da aquele sorriso amarelo que adoro.

Chego na minha estação e corro para pegar Kevin.

Kevin veio o caminho todo reclamando por me atrasar ao ir busca-lo, chego em casa exausta, querendo um banho quente. Subo as escadas direto para o banheiro. Nem atrevo a me olhar no espelho antes do banho, ainda mais depois de um dia de garoa em São Paulo.

Após o banho vou para meu quarto, posso não ter um banheiro só meu, mas ao menos tenho meu próprio quarto, ou como gosto de nomear meu SANTUÁRIO. Meu quarto, minhas regras, sem nenhuma intervenção.

Ligo o rádio e está tocando SOAK - Sea Creatures, Becky que me apresentou essa música, é tão relaxante. Deixo me levar por um instante, ali no vazio do meu quarto, eu e meus devaneios. Ouço então baterem na porta, é minha mãe me chamando para o jantar.

Desço as escadas com o cheiro maravilhoso de bacon, agradeço aos céus por minha família não ser vegana. Sento-me a mesa. Vejo meus pais e irmão conversando, interagindo uns com os outros, e não sei o porquê, mas às vezes os observo e não me encontro, como se eu fosse uma intrusa, não pertencesse a este lugar, ou a esta família. E então escuto minha mãe chamar.

- Azura, planeta terra chamando! – olho para ela – O que aconteceu hoje para você estar no mundo da Lua?

- Aí me deixa, não aconteceu nada.

- Tem certeza?

- Tenho mãe, só estava pensando no trabalho que tenho que fazer de história – minto, na verdade omito, como poderia falar para minha mãe sobre meus devaneios familiares, e de fato o trabalho criativo de história me deixa apreensiva.

Após o jantar volto ao meu quarto, e pego meu notebook para escrever meu diário online. Descobri recentemente um portal onde posso escrever meu dia e devaneios online, antes eu tinha um diário convencional, mas a peste do meu irmão começou a invadir meu quarto e rouba-lo, então descobri esse online, onde há senha e ele fica longe do meu quarto. Além disso, nomeei meu diário de Niamh, achei melhor ter um nome menos convencional que “diário”.

16  de outubro de 2015

Querida Niamh, mais um dia chuvoso em São Paulo, - que novidade – como sempre meu cabelo sofreu as consequências... Ok, não vamos discutir hoje sobre meu cabelo.

Hoje à tarde sonhei novamente com Aaron, e o pior de tudo falei durante o sonho e agora Thom sabe. Será que Thom me acha uma louca por sonhar com alguém que não existe? Espero que não, afinal ele é meu melhor amigo, e amigos ficam do lado um do outro.

O lado positivo é que em breve estarei indo para Toronto para meu intercambio, mal posso esperar, estou contando os dias!

Já pensou Niamh, eu finalmente vou ter uma aventura, uma aventura de leve, mas ainda sim uma aventura. Finalmente vou sair de São Paulo!

***

Acordo assustada, pego meu celular e vejo as horas, são 3h37. Acabei de sonhar novamente com Aaron, como sempre o vejo mais ele não diz nada. De uma forma estranha eu sei que seu nome é Aaron. Estamos sempre na mesma paisagem, no centro de algo que parece ter sido queimado, a cinzas voando ao nosso redor, as paredes que sobraram estão pretas pelo fogo, há destroços por todo lado. Tento chegar até ele, mas quanto mais perto chego, mais distantes ficamos. Grito seu nome, por um momento ele olha para mim e logo em seguida desaparece. Então eu acordo.

Isso vem se repetindo a uma semana, começo achar que estou com algum problema, que adolescente de 16 anos sonha com alguém que não existe e durante uma semana? Demoro a pegar novamente no sono, mas antes que ele viesse resolvo que amanhã estarei conversando com minha mãe sobre o assunto, ela saberá me dizer se estou ficando louca ou não.

 

[1] Edifício Martinelli: É um prédio localizado no Centro da cidade de São Paulo, Brasil. Devido sua altura, o local é um mirante, onde em suas redondezas é possível observar pontos turísticos da cidade.

[2] Biblioteca Mário de Andrade: Foi a primeira e é a principal biblioteca pública da cidade de São Paulo. Fundada em 1925, consolidou-se ao longo de sua história como uma das mais importantes instituições culturais brasileiras. Seu edifício sede é considerado um dos marcos arquitetônicos do estilo art déco na cidade.


Notas Finais


Aguardem pelos próximos Capítulos....


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