História Azure Rainbow - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Azure, Azure Rainbow, Drama, Ficção Cientifica, Rainbow, Romance, Sci-fi
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Luta, Mistério, Romance e Novela, Sci-Fi, Shounen, Survival, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Mutilação, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Predadores


Fanfic / Fanfiction Azure Rainbow - Capítulo 2 - Predadores

Khajart Av Zahlen — Eskar respondeu, em seu barítono tom de voz.

Não entendi o significado, e tampouco me interessei em saber, pois tive que abaixar dois segundos mais tarde para evitar uma lança de pedra vítrea que ruminava em minha direção.

Vruuum

Senti o meu couro cabeludo coçando e alguns fios sendo arremessados ao ar.

Sendo otimista... pelo menos a minha cabeça continuava no mesmo lugar.

Não podia dizer o mesmo dos Yrerklins que acompanhavam Eskar... três deles foram atingidos.

Um foi empalado no peito, outro teve seu pescoço perfurado e o azarado anterior foi destripado sem nem ao menos avistar o agressor.

Originalmente éramos cinco, agora só restaram nós dois.

Pensando melhor... acho melhor deixar o otimismo de lado e correr por nossas vidas!

Então fizemos.

Eskar e eu fugimos em toda velocidade até os destroços da AIR – FL205, sendo constantemente alvejados por lanças voadoras e cutelos de pedra.

Mantive minha mandíbula fortemente fechada para não perder nenhum dos dentes durante a correria, afinal o terreno era bastante acidentado e vira e mexe tínhamos que pular entre os obstáculos.

Desejei ter conhecimento melhor do terreno, pois ao contrário de mim, Eskar parecia estar lidando bem com a adversidade, tanto quanto com a perda de seus entes.

Tropecei incontáveis vezes, mas não perdi o ritmo nem por um segundo.

Ainda bem que a sorte parecia nos favorecer, já que nossos perseguidores estavam a pé e não montados em alguma anomalia quadrúpede.

....

Er... pelo menos era o que eu pensava.

...

Investindo pela nossa esquerda, dez metros em nosso encalço, havia sete felinos gigantes; Karsais do deserto.

Suas presas de marfim cobriam seus rostos como se fossem presas de javali, sendo seus corpos ínfimos em comparação. Mas pela velocidade que se aproximavam, parecia ser uma conjuntura muito boa para perseguir suas vítimas.

...

Finalmente senti que estávamos chegando ao fim da linha... Eskar olhou para trás e apontou na direção dos tribais que nos perseguiam. Dei atenção ao aviso do colega, me entregando á minha curiosidade para ver o que acontecia.

Os felinos que anteriormente nos seguiam avançaram contra nossos agressores com tanta ferocidade que eu me senti tentado a sentir dó deles.

Ossos foram bipartidos pelas longínquas garras, fêmures foram arrancados pelas suas atrozes mandíbulas, e sangue, uma torrente de sangue, pavimentou o labirinto de dunas.

Senti uma náusea abrasadora me consumir.

Se Eskar não tivesse chamado minha atenção para continuar correndo, eu teria vomitado ali mesmo, naquele maldito lugar.

Nunca havia passado pela minha cabeça sobre quão horrendo um planeta primitivo poderia se tornar...

Até agora.

....

Fugindo, seguimos em direção á um amontoado de destroços, que jazia embaixo da aeronave.

Pude então notar um ponto de inserção na praxe placa metálica, de longe.

Talvez interligasse ao interior da espaçonave... não custava nada dar uma chance, pelo menos nessas circunstâncias.

Enquanto a carnificina continuava, eu guiei Eskar até aquele ponto em especial.

 Ignoramos os gritos de dor e fizemos o melhor possível para não imaginar as cenas horrendas que se seguiam atrás.

Ao chegarmos próximos o bastante notei um rombo de proporções épicas no planalto abaixo.

Posicionada logo á nossa frente estava uma cratera em declive, que levava diretamente para um ossuário á céu aberto.

De jeito nenhum conseguiríamos contornar esse declive e chegar á espaçonave antes que os Karsais nos alcançassem.

Além disso, nessa altura os sons de resistência já tinham repentinamente parado.

— Ah zum madah... Ah zum madah... — Não precisei entender sua língua para perceber que Eskar estava fazendo suas últimas preces.

Talvez eu também devesse?

Não!

De jeito nenhum vou morrer aqui!

Os sons de perseguição e grunhidos ressurgiram em nossa retaguarda, mas ao invés de temê-los, eu corri determinadamente em direção ao declive.

Acontece que eu havia avistado uns painéis solares em pedaços, que provavelmente fizeram parte da composição original da nave.

Talvez um satélite integrado. Uma ideia mirabolante surgiu em minha cabeça assim que meus olhos se esbarraram nos cristais fotovoltaicos.

Descemos a ladeira em saltos intervalados, e logo alcançamos as células solares, pouco antes dos Kharsais aparecerem.

Estes, vindos do mesmo caminho que viemos, pareciam mais ferozes do que nunca.

Seus caninos agora estavam manchados de sangue e seus pelos eriçados enalteciam uma selvageria sem precedentes.

Mas agora não era hora o momento certo para admirá-los; cerrei meu punho com toda força e esperei.

Eskar e eu, escondidos atrás de um nicho metálico, seguramos a respiração para ocultar a nossa presença ao máximo.

Não muito tempo depois sentimos o odor pútrido vindo dos caçadores que nos seguiam.

Lascas de sangue azul umedeciam as pegadas que os Kharsais faziam na areia, tornando a bravata desses predadores ainda mais aterradora.

A matilha, curiosamente esperta, se separou em dois grupos, rodeando os destroços do satélite.

Apesar de nossos esforços para nos mantermos escondidos, os olfatos apurados desses seres os guiaram diretamente até nós.

Senti o Yrerklin ao meu lado tremer, mas não podia culpá-lo. O mesmo mal se aplicava a mim.

Rodeados, senti a morte se aproximando a cada segundo.

No momento que a divisa metálica entre nós desaparecer e os predadores obtiverem visão de suas presas, será nosso fim.

Mas, infelizmente, para eles, isso nunca acontecerá.

Enfim chegou o momento que eu tanto  esperava.

Caídos do nosso lado, os painéis solares tombados apontavam diretamente para as carcaças ambulantes.

Tais como receptores, os derivados de silício cristalino, compostos no painel, possuíam uma característica capaz de convergir a luz recebida em um único ponto.

Devido á inoperância do satélite a possibilidade de converter essa luz e transformar em energia para o interior da nave há muito se tornou nula.

Mas ainda atuava como um potente refletor.

Às pressas movi minhas mãos para dentro do bolso interno da calça, pois se eu me lembro bem... sim, eu trouxe uma lanterna laser comigo!

Com um dedilhar suave eu liguei o dispositivo monocromático, emitindo a radiação eletromagnética em forma de feixe.

Infelizmente ela por si mesma não tinha capacidade de causar dano algum. Além de estar dessincronizada.

Mesmo assim, Eskar quase morreu de susto com a luz intermitente que saia da minha lanterna em forma de caneta.

...

Aconchegando-a em minhas mãos, me preparei para tornar o seu feixe centralizado.

Os alvos se aproximavam cada vez mais perto e meu tempo restante estava quase chegando a zero.

Rapidamente removi a carapuça de plástico com a boca e realizei a manufatura por mim mesmo, nivelando as engrenagens minuciosamente.

O  interior da caneta de arsenieto estava repleto de filamentos flexíveis extremamente frágeis, tive que milagrosamente a calibrar sem danificar os componentes internos.

Após os ajustes improvisados, e a correria desesperada, a emissão das ondas subitamente se tornou estática.

Para a minha alegria, então pude prosseguir com o plano.

...

Já podia avistar uma pata das patas dos Kharsais que nos perseguiam, mas antes que o mesmo nos avistasse, apontei a luz sincronizada para a célula solar que o ladeava.

Em questão de segundos a luz altamente concentrada entrou em atrito com o painel, produzindo uma corrente reacionária em forma de ricochete que se voltou contra o mamífero.

O cheiro de carne queimada se alastrou de imediato.

Tanto eu, quanto Eskar, nos surpreendemos com a potência incrível que este refletor parabólico possuía.

Uivos de lamentos se seguiram após o choque, e então vi uma das bestas saltando por entre a divisa que nos protegia, diretamente sobre mim.

Fui jogado no chão e a minha caneta despencou ao solo.

O seu bafo quase me levou á óbito antes mesmo de suas presas me alcançarem... que por sinal não alcançaram, graças á reação ágil de Eskar.

Empurrando a temível besta no chão, ele sacrificou um dos seus braços para impedi-la de me afugentar.

Senti necessidade imediata de ajudá-lo, mas não tive tempo.

Pelo som de correria, mais dessas criaturas se aproximavam.

Rolei para o lado e recolhi a caneta, não tive tempo suficiente para analisar se alguma parte havia se quebrado, apontei instantaneamente para um dos painéis e acionei o botão de emissão.

Outra coluna de luz prismática surgiu; dessa vez outros dois Kharsais sortudos sofreram as conseqüências.

O meu sangue estava bombardeando como um fluxo vulcânico e eu senti adrenalina fluindo sob minha pele.

Corri na direção de Eskar, e apunhalei o seu agressor com uma pedra encontrada no chão.

O felino foi atingido, mas não tombou, perseverante continuou a morder o ossículo do alienígena, como se não fosse largar seu prêmio por nada neste mundo.

Neste momento eu já conseguia avistar os músculos do braço de Eskar sendo despojados para fora, mas invés de me enojar, essa cena me tornou mais frenético.

Na necessidade de auxiliar meu companheiro eu soquei com as mãos nuas a parte de baixo da mandíbula da fera.

Por incrível que pareça o movimento foi efetivo, já que o monstro largou o braço de Eskar.

Tomei novamente a vanguarda da situação e iniciei uma sequência de golpes contra seu rosto.

De costas para meu aliado, deixei o animal coberto de hematomas.

Não sei se foi por causa do meu estado hercúleo, ou se ele estava sendo afligido por feridas passadas, mas de toda forma, o deixei amuado e inconsciente no solo barrento.

— Eskar! Pare de admirar meu traseiro e venha ajudar! — Berrei, assim que avistei outras duas sombras vagando em nossa direção.

Não houve reação da parte do Yrerklin. Olhei para trás só para perceber que o mesmo já estava morto.

A ligação dos nervos que foram arrancados de seu braço incluía uma artéria, o sangue já havia formado uma piscina envolta dos meus pés. Eu não havia percebido nada durante meu estado estoico.

Engolindo em seco, me preparei mentalmente para a batalha até a morte.

....

— Talvez eu devesse começar aquelas preces agora...


Notas Finais


Obrigado por ler até o final.


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