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História Babá Real (Em revisão) - Capítulo 35


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Capítulo 35 - Hurt


Ana definitivamente precisava de férias. As últimas semanas haviam sido extremamente estressantes, principalmente depois da conversa que teve com Mariano dias antes antes dele morrer e consequentemente descobrir toda a verdade sobre seu passado.

Ela pensou bem quando soube pelo médico que era a princesa que todos acreditavam estar morta, e diante de tal circunstâncias, resolveu não revelar a ninguém sobre sua verdadeira identidade. Até o momento em que Antônio surgiu no hospital entre a vida e a morte. Agora ela precisava deixar de lado toda a razão e suas decisões para salvar a vida do pai.

— Desculpe entrar assim no seu escritório, Ana, mas nós precisamos conversar com você. — Manuel surgiu determinadamente abrindo a porta da sala com velocidade, acompanhado de Bia.

— Aconteceu mais alguma coisa? — ela perguntou assustada, deixando rapidamente de arrumar suas coisas na mesa para dar total atenção aos dois.

— Aconteceu, há vinte e oito anos atrás. — ele respondeu misterioso.

Ana continuou imóvel, apenas respirou profundamente tendo a absoluta certeza de suas idéias diante do semblante sério e preocupado dos dois e isso fez com que a médica deduzisse o que eles queriam dizer. Era chegada a hora. Ela jamais pensou que seria daquela forma, mas as coisas simplesmente fugiram do controle. Eles realmente precisavam correr contra o tempo.

— Eu acho melhor você sentar porque o que temos pra te falar é uma bomba. — Bia continuou, tensa, mas decidida, apontando para a cadeira atrás da mesa.

— E vai mudar sua vida. — a voz do príncipe saiu trêmula dessa vez, ele não conseguia olhar nos olhos de Ana sem sentir um aperto agudo no peito.

A ruiva respirou fundo novamente, procurando por oxigênio, encarou Manuel por alguns segundos antes de revelar:

— Acredito que não será preciso se vocês vieram aqui pra contar que eu sou a princesa dada como morta por tantos anos e que só agora foi descoberto que está viva. Que eu sou a filha mais velha do rei Antônio, a verdadeira herdeira do trono e... sua irmã, Manuel.

A perplexidade no rosto de Bia e de Manuel foi dada graças a surpresa e o baque que ambos sentiram dentro de si naquele momento. O príncipe arregalou os olhos e o seu queixo caiu, formando um perfeito "o" entre seus lábios.

— O que... Você... Como... Isso... Eu... — Manuel gaguejava com a voz sobressaltada, procurando respostas no olhar determinado da médica na sua frente.

Ele estava pasmo.

— Eu já sei de tudo. — ela disse, calma e decidida — E eu irei doar a medula para o rei.

O corpo de Beatriz estava paralisado, estático como se seus pés não pudessem dar um passo. Sem tirar os olhos da ruiva, ela procurou em sua mente algo que explicasse o fato de Ana já ter conhecimento de tudo: nada.

— Mas... Ana, como você soube? Isso é impossível.

— Alguns dias antes de morrer, o seu pai veio me procurar. — Ana começou a explicar, encarando Bia sem se deixar abater pelo espanto no rosto da brasileira. — Até então eu não sabia de nada além de que eu havia sido deixada na porta do orfanato na mesma noite em que a princesa foi dada como morta, coincidentemente. Bom, pelo menos era o que parecia. Ele me contou toda a verdade do que aconteceu naquela noite.

— E por que você não nos procurou? — Manuel questionou, tentando recuperar vestígios de fôlego, se é que lhe havia sobrado algum.

— Eu não acreditei de primeira. Mas Mariano me disse que a rainha Lúcia havia um sinal... uma marca diferente na barriga, ele sabia porque foi médico da família real há anos.

— E você... tem esse mesmo sinal? — a dedução do príncipe escapou como um sussurro falho e seu coração acelerou, recordando da marca inigualável que sua mãe tinha na barriga.

Sem responder, Ana apenas abriu o seu jaleco, segurou a barra da blusa que usava e a levantou poucos centímetros revelando em sua pele uma marca pequena herdada por Lúcia. A mesma marca inigualável da rainha. A visão do espanhol ficou completamente embaçada e turva devido ao conjunto de lágrimas que se formou em seus olhos naquele momento e ao mesmo tempo seu peito lotou de emoção.

Era ela. Não restava dúvidas.

Ana era princesa.

Tudo que Manuel conseguiu expressar foi a sua felicidade e comoção quando caminhou rapidamente na direção da irmã e a tomou em um abraço longo e apertado. Como se uma parte dele que estava desaparecida, tivesse voltado ao lugar de origem. De alguma forma, Manuel sentiu como se estivesse abraçando a mãe novamente. Seu coração estava alegre e ele sabia, de alguma maneira, que tudo ia ficar bem. Mesmo com todos os perigos que aquela revelação causaria.

— Minha irmã! — ele suspirou, sentindo lágrimas quentes descerem e consequentemente sentindo Ana também fungar devido ao choro.

— Meu irmão! — ela reivindicou, ainda desconcertada, mas totalmente grata, sentindo que finalmente havia encontrado o seu lugar. — Eu vou salvar o nosso pai. Ele vai ficar bem, eu juro.

Indescritível era o sentimento que habitava no peito de ambos naquele momento, no meio daquele abraço saudoso e amoroso. Mais alguns segundos se passaram e eles finalmente se separaram, com rostos molhados, rosados e plenamente felizes... Bom, quase. A situação de Antônio não era das melhores.

— Como meu pai sabia que você também tinha a marca? — Bia questionou, depois de enxugar uma lágrima teimosa consequentemente ao ver o abraço dos irmãos e a emoção não sossegar em seu peito.

— Foi o Mariano quem fez parto em que eu nasci e ele viu. — Ana respondeu. A morena deu um leve sorriso e seus olhos desceram para o chão, com uma tristeza e uma angústia crescendo dentro de si. — Ele estava arrependido, Bia. Me pediu perdão pelo que fez e eu o perdoei. Ele era um homem bom, só havia feito escolhas erradas no passado e depois não soube administrá-las, mas estava realmente arrependido e fez o que achou certo antes de morrer, ele me contou a verdade, contou também ao rei.

Ouvir Ana falar tão docemente sobre seu pai fez uma dor sucessiva rondar o peito de Bia, como se a culpa e negligência que ela sentia em relação a Mariano pesasse três vezes mais do que já pesava. Ana passou a vida sem saber sua origem por culpa dele, no entanto ela soube entendê-lo sem julgamentos, coisa que Bia não fez e isso ia destruindo-a aos poucos.

— Você irá doar para meu pai? A medula. — Manuel perguntou, esperançoso, já percebendo o quão Bia havia ficado ao descobrir que seu pai havia feito o que era certo antes de morrer.

— Sim. Eu já fiz o exame de HLA, sou compatível. — a decisão tomava conta da voz da médica. — O procedimento dura em média 60 minutos, temos que ir logo.

— Não acha que devemos contar a ele antes? Que você é filha dele. — Manuel sugeriu, simpatizando muito com tal frase.

— Não temos tempo agora, Manuel. O quadro do rei... Do nosso pai, é grave, se eu não fizer isso logo ele pode...

— Tudo bem! — ele interrompeu, sentindo a angústia começar de novo em seu peito e sem nem querer ouvir ou pensar naquela possibilidade.

— É perigoso? — Bia perguntou, tentando estancar a breve lembrança e os sentimentos que rondavam seu coração.

— As células-tronco são retiradas por uma agulha, por meio de punção no osso da bacia. Não é um procedimento difícil, é feito sob anestesia geral. — Ana explicou breve, caminhando na direção da porta rapidamente, sendo seguida pelos dois.


As próximas duas horas foram as mais tensas para Bia e Manuel. O fim da tarde estava perto de chegar e eles estavam desgastados, preocupados e completamente fartos de esperar por notícias quando o médico responsável pelo procedimento apareceu na sala de espera.

Não foi como se os dois pudessem se conter, eles correram na direção do homem em busca de notícias.

— Doutor, como está meu pai e a minha irm...

— E a Ana. — Bia interviu, segurando a mão de Manuel com força.

— Eles estão bem, alteza. — o homem respondeu, tranquilizando-os e se curvou levemente em reverência. — O rei Antônio está fora de perigo e a doutora Ana está apenas se recuperando. Foi muita coincidência e muita sorte ela fazer o exame HLA por acaso e a medula ser compatível.

Os dois se olharam, percebendo que Ana ainda não havia dito nada a ninguém e talvez fosse melhor assim, pelo menos por enquanto.

— Podemos ver o meu pai?

— Claro. Ele já está no quarto. Me acompanhem!

Seguindo por um imenso corredor no terceiro andar, eles logo chagaram à ala mais requintada e luxuosa do hospital. Ao abrirem a porta, de longe se viu Antônio repousando sobre a única cama no ambiente. De olhos fechados, o rei não percebeu quando Manuel se aproximou da cama. Bia permaneceu na porta, um pouco distante e insegura.

— Pai? — o chamado de Manuel ecoou pelas paredes silenciosas do quarto e fez o rei abrir os olhos instantaneamente.

— Manuel... — ele soprou, sentindo seus músculos faciais se contraírem sob o perfil de seu filho. — Filho, você está aqui.

— Sim, pai. Eu estou e... A Bia também.

Os olhos de Antônio desviaram na direção que Manuel apontou e foram diretamente à porta onde Beatriz estava paralisada, encarando os dois de forma totalmente e extremamente tensa. O rei respirou fundo, sentindo uma leve dor na região da bacia.

— Como se sente, majestade? — ela perguntou educadamente e com seriedade.

— Já estive melhor. — ele respondeu retribuindo a educação e depois olhou para Manuel, notando a preocupação no olhar do filho.

— Pai, por que não contou que estava doente?

— Eu não queria preocupar você e nem a Nora, e também não estamos nos nossos melhores dias. Temos nos desentendido cada vez mais...

— Isso não importa! — a voz firme de Manuel sobressaltou a de Antônio. — Eu sou seu filho, você é o meu pai. Somos uma família. Sei que temos nossas diferenças, você não aceita a minha escolha de profissão e nem a minha namorada, e eu não concordo com as suas decisões, mas todas essas divergências caem por terra quando se trata de nós dois. Eu te amo e sempre estarei com você, pai. — o príncipe procurou a mão do rei e a segurou, com firmeza, olhando nos olhos dele. — Sempre.

Antônio sorriu. Apesar de tudo, o distanciamento, as palavras cheias de mágoas, as discussões, ele o amava profundamente e daria a vida pelo filho se fosse preciso. Mas naquele momento, o rei percebeu o quão suas atitudes haviam afastado Manuel de si, só que ele ainda não havia o perdido. Talvez ainda tivesse tempo.

— Obrigado, filho. É importante ouvir isso e saber disso... Me desculpe por tê-lo tratado daquela forma, eu só estava preocupado com o futuro do país...

— Não vamos discutir isso agora, você precisa descansar e repousar. — sugeriu o príncipe, erguendo-se para ficar totalmente ereto.

O desconforto ainda era presente dentro de Bia, ela se sentia intrusa e pior, como se fosse parte do motivo pelo qual os dois estavam brigando tanto ultimamente. E ela sabia que era, e mesmo não deixando de lutar por aquilo que acredita, não era hora e nem lugar para colocar na mesa seus pensamentos revolucionários.

Vagarosamente a porta atrás de si foi aberta, chamando a atenção dos três para a madeira branca.

— Com licença! Desculpe se estiver incomodando. Eu posso entrar? — Ana perguntou, com um sorriso apreensivo no rosto. Ela já se sentia melhor depois de algumas horas em repouso, o efeito do transplante era de maior risco para o receptor do que para o doador.

— Claro, doutora! — Antônio assentiu, inocentemente com um sorriso no rosto. — Voltou para cuidar do meu caso?

Sua testa franziu:

— Como assim?

— Quando eu cheguei no hospital hoje mais cedo, foi você quem me atendeu, então de repente outro médico começou a cuidar de mim.

Os três que estavam em pé se olharam estranhamente. Ana não vestia seu jaleco, ela se sentia um pouco enjoada e grogue por causa da anestesia, mas fora isso, estava tudo bem consigo. A ruiva se aproximou com certo receio e encarou Manuel, que entendeu perfeitamente a expressão no rosto dela.

— Pai, foi a Ana quem doou a medula pra você. — ele revelou, fazendo o sorriso no rosto do rei se alargar. Ele sentiu seu peito acelerar, os olhos brilhar e simplesmente não entendeu o porquê, mas gratidão estava no meio de tantos sentimentos avulsos dentro de si.

— Que bom que a sua medula é compatível com a minha. É uma coincidência maravilhosa. — comentou ele, alegremente seguido de um suspiro profundo dos dois ali.

Bia que observava tudo de longe, se sentiu ainda mais intrusa e resolveu que não fazia parte daquela conversa, aliás ela estava dispersa demais para presenciar algo tão importante na vida dos três.

— Eu espero lá fora. — a brasileira avisou e recebeu dois sorrisos gentis na sua direção antes de sair porta a fora.

O soberano espanhol alternou o olhar entre Ana e Manuel, percebendo que havia algo que eles lhe queria contar e pela expressão em suas faces era algo de suma importância.

— O que aconteceu? Eu estou bem, não estou? — indagou ele, já tomando a preocupação nos olhos.

— Sim, o senhor está bem sim. Mais alguns dias de repouso e estará novo em folha. — Ana respondeu e depois sentiu seu peito acelerar mais do que nunca.

— Então porque estão com essas caras?

"Respire."

"Mantenha a calma."

"Chegou a hora."

Foram pensamentos que fizeram Manuel prosseguir. Ele deu um passo na direção do pai e um sorriso escapou de seus lábios.

— Não foi coincidência, pai.

— O quê? — a confusão se instalou na mente do rei.

— Não foi coincidência a Ana ter a medula compatível com a sua.

A ruiva se aproximou também da cama e olhou nos olhos de Antônio, sentindo como se seu peito fosse estourar de emoção. Ela deu um sorriso e Antônio separou os lábios ao perceber que já havia visto aquele sorriso antes.

O mesmo sorriso de Lúcia.

— Não é possível... — seu comentário saiu em um sopro devido a falta de fôlego em seus pulmões. O sorriso doce. O olhar cintilante. Só podia ser ela. O rei nem teve tempo pra respirar fundo, seus olhos se encheram lágrimas e de alegria. — Filha?

As lágrimas presas por tanto tempo deslizaram pelo rosto de Ana. A médica abriu totalmente o sorriso, imediatamente jogou seu corpo contra o do homem parcialmente sentado na cama em em abraço intenso, emocionada e amoroso. Seus lábios se separaram e ela soltou alto, contra o peito do rei, muito feliz:

— Pai!


Bia respirou fundo pela enésima vez, fechando os olhos por alguns segundos. Apesar da brisa leve que batia em seu rosto conforme ela se aproximava da saída do hospital, ela ainda se sentia sufocada e precisava de oxigênio urgentemente. Disfarçando um turbilhão de pensamentos que colidiam dentro de sua cabeça, ela passou por algumas pessoas e tentou ir para o lugar mais afastado, buscando isolamento e encontrou um banquinho solitário entre duas árvores grandes e sombreiras. Aquele hospital nem parecia um hospital de tão chique e confortável.

Sentada, com os cotovelos apoiados nas pernas e a cabeça baixa, ela fitava suas mãos, não evitando quando certas lembranças de seu pai, resolveram pairar sobre sua cabeça. E por um momento foi como se Bia tivesse sido arrancada dali. Ela fechou os olhos, prendeu a respiração e conseguiu ouvir sua própria voz a culpando energeticamente:


"Não me chame de filha porque eu tinha um pai até os meus sete anos de idade, depois disso ele morreu pra mim."


"Eu sabia que você não prestava, mas não a esse ponto. Eu tenho vergonha de ter seu sangue."


"Não chega perto de mim!"


Seus pensamentos estavam tão pesados e escuros que se embaralhavam na cabeça sem a garantir refúgio algum. Seu cérebro estava paralisado e uma pasta branca o dominava por completo. O queixo estava posicionado para dentro, na tentativa de se desvencilhar do frio daquele fim de tarde acinzentado. Os galhos das árvores dançavam conforme o frescor que o vento proporcionava, era uma dança triste. Era uma tarde triste.

Involuntariamente, os lábios trêmulos de Bia se moveram conforme as lágrimas grossas e quentes desciam. Ela não pôde controlar quando sua voz escapou da garganta, fraca e chorosa:


Seems like it was yesterday

When I saw your face

You told me how proud you were

But I walked away

(Parece que foi ontem

Que eu vi o seu rosto

Você me disse o quão orgulhoso estava

Mas eu dei as costas)


If only I knew

What I know today

(Se eu apenas soubesse

O que eu sei hoje)


Ela estava passando, provavelmente, pela pior fase da sua vida, mesmo com Manuel cuidando e a amando, com seus amigos a apoiando, com sua mãe e Alex ao seu lado, de uns dias pra cá tem sido tenebroso pensar que Mariano não estaria mais com ela e ela nem sequer teve tempo de aproveitar o tempo com ele.

Novamente seus olhos se fecharam, sendo tomando por flashs e a voz de Mariano surgiu em sua mente, como se sua memória enviasse momentos involuntários:


"Eu não sei como é o seu jeito, a última vez que te vi, você tinha apenas sete anos e agora virou essa mulher linda."


"Eu fui diagnosticado com um tumor no cérebro há alguns meses. Quando isso aconteceu, você e o Alex foram as primeiras pessoas que eu pensei."


O que mais doía era o fato dela não ter sido a filha que ele merecia por causa daquela maldita mágoa. Pouco tempo que lhes foi dado para recuperar o tempo perdido e ao invés de aproveitar, tudo que ela fez foi desprezá-lo, culpá-lo e dizer que não era sua filha.


I would hold you in my arms

O would take the pain away

Thank you for all you've done

Forgive all your mistakes

(Eu te seguraria em meus braços

Eu afastaria toda a dor

Agradeceria por tudo que fez

Perdoaria todos os seus erros)


There's nothing wouldn't do

To hear you voice again

Sometimes I wanna call you

But I know you wont't be there

(Não há nada que eu não faria

Para ouvir sua voz de novo

Às vezes eu quero te chamar)

Mas eu sei que você não estará lá)


A dor da perda é a pior de todas. Aceitar uma partida tão definitiva é difícil e muito doloroso, e no coração de quem fica a saudade passa a ocupar um vazio imenso, um vazio cheio de memórias. Louco, não? Mas era exatamente isso que acontecia dentro de Bia, ela se sentia oca, mas as memórias iam e vinham com uma maré de culpa e angústia.

As pálpebras ardiam levemente pelas lágrimas as quais Bia não se dava o trabalho de enxugar. Um suspiro fraco saiu de seus lábios e ela fungou, na tentativa de conter o choro. Apesar do cansaço mental, sua cabeça parecia pesar o triplo do normal. Ela se sentia estranha, uma bagunça na verdade. E uma dor horripilante se alastrou em seu peito tomando o lugar da tristeza. Os últimos momentos de seu pai invadiu seu campo de visão:


"Eu também te amo, filha. Gostaria de fazer um pedido a você. Lembra quando você era pequena, você me chamava de paizinho? Então... eu... queria que você me chamasse de paizinho... de novo."


A dor se ampliava a cada segundo. Não era o céu, não era as luzes fortes da metrópole, era a sua vida diante dos seus olho. A mente que antes parecia organizada, havia se transformado em milhares de pequenos fios, todos da mesma cor, enrolados de jeito que não havia como organizá-los, eletrocutava aos poucos.

Seus olhos se abriram quando um brisa pesada passou, esfriando ainda mais seu corpo e se ergueram ao céu novamente, a procura de algo ou alguém no enorme nublado que pudesse ouvi-la, mas não havia ninguém. Ela sabia que não haveria ninguém porque quem ela procurava não estaria ali mais. Nunca mais.


I'm sorry for

Blaming you

For everything

O Just couldn't do

(Me desculpe

Por te culpar

Por tudo

Que eu não pude fazer)


And I've hurt myself

By hurting you

(E eu machuquei a mim mesma

Machucando você)


Notas Finais


Esse com certeza é um dos meus capítulos preferidos e um dos mais tristes também. 💔

Estou plenamente feliz e agradecida a CADA pessoinha aqui. Chegamos aos 200 fav e gratidão é a palavra que caracteriza totalmente o que eu estou sentindo agora.

OBRIGADA, REALEZA! ❤️


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