História Baby Steps - Capítulo 3


Escrita por: e Joestrelo

Postado
Categorias Pokémon
Tags Artes Marciais, Gelo, Macaquinho, Mar, Pokémon
Visualizações 16
Palavras 4.709
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu devia ter postado esse capítulo semana passada, mas aconteceram algumas coisas e não foi possível.
Esse é mais um capítulo do Ryuga, o que significa que vocês vão ver novamente o Urso Branco mais querido da Fanbase.
Espero que gostem, aqui está o capítulo:

Capítulo 3 - Caminhada


O dia nem bem tinha começado e uma sucessão de eventos surpreendentes ocorreu. Sua quase vitória contra o avô, a ameaça da Associação, a caverna dos Beartic e a decisão tomada por impulso, da qual ele não se arrependia, por sinal. Mas ainda não era tudo. Ryuga terminava a descida da montanha que levava à Rota 1, contando os degraus escavados nas pedras e na terra até o chão. O caminho não era nada novo para Ryuga, que já estava acostumado a descer e subir aqueles degraus e caminhar por um bom trecho daquela estrada em busca do Sneasel de seu avô, que vez ou outra escapava do ginásio para "treinar" por si mesmo. Ao longe, o rapaz já podia ver a grande árvore da qual seu avô sempre falava. A frase completa era "Não passe daquela árvore, ou fica difícil voltar". Mas ele já não ligava mais para a volta, seu caminho no momento era apenas ida. Como em um impulso, ele decidiu quebrar o silêncio.

— Está vendo aquela árvore lá longe? — ele apontou, fazendo com que Shiro, em seu ombro, olhasse naquela direção — Ela está lá desde que meu avô era só um garoto. Não é interessante?

— Choo... — o pequeno urso colocou a mão na cabeça, confuso.

Ele visivelmente não tinha nenhum interesse na geografia ou nas plantas do lugar. Mas por outro lado, não tirava os olhos de um pequeno Starly que parecia estar seguindo a dupla. Com os pés finalmente na estrada, Ryuga respirou fundo. A Rota 1 era um ótimo lugar para começar. Uma longa estrada de terra com árvores e mato alto até onde a vista podia alcançar e ainda além. No inverno, ficava coberta de neve e era impossível caminhar por ela sem afundar os pés. Tremeu por um instante, agradecendo por ainda estarem no verão. O caminho até a próxima cidade não era tão extenso, não havia nenhum ninho de alguma criatura ameaçadora pelos arredores e ele podia parar a qualquer momento embaixo de uma árvore e partir assim que o Sol nascesse. Mas já tinha decidido até onde ir naquele dia e ainda faltava um bom pedaço para chegar lá. Em seu ombro, Shiro prestava atenção em tudo que passava ao redor, mudando o foco de tempos em tempos. E por falar no Cubchoo, o rapaz sentia que eles deviam começar a treinar logo, antes de chegar ao primeiro ginásio, ou passariam vergonha. Ryuga também não via a hora de fazer sua primeira captura, mas não poderia fazer isso até chegar à cidade seguinte. Estava sem pokébolas, não estava registrado e ainda não tinha certeza do que Shiro era capaz de fazer. De qualquer forma, estava muito mais empolgado do que esperava.

— Choo — Shiro tocou a cabeça de Ryuga, em seguida apontando para uma árvore. Em seus galhos, vários Starly estavam empoleirados, observando o chão e mais precisamente um pequeno grupo de Wurmple que subia por um tronco. No chão, vários Zigzagoon corriam pela vegetação. Shiro desceu das costas de seu parceiro em um salto, caindo deitado e soltando uma risada.

— Tudo bem com você? — Ryuga perguntou.

— Choo — o Cubchoo assentiu sorrindo.

— Tudo bem. — disse Ryuga aliviado. O pequeno urso começou a caminhar junto de seu companheiro, apontando animado para cada criatura que passava por ele..

— Choo — ele apontou para um Starly que passava voando por cima deles — CHOO! — gritou desviando, quando um Zigzagoon quase acertou sua barriga enquanto corria.

— A Rota 1 é realmente cheia de surpresas, não é? — Ryuga perguntou ao ursinho branco — Eu aposto que é muito melhor do que aquela caverna onde você morava e... — ele fez uma pausa, sendo surpreendido quando Shiro agarrou a barra de sua calça, apontando para um Zigzagoon que corria na direção deles.

— Você quer... uma batalha? — Ryuga perguntou olhando para o parceiro, que assentiu — Oh... ok... nós precisamos mesmo treinar, para ficarmos mais fortes.

— Achoo — o ursinho fechou a cara, fechando o punho na frente do rosto e olhando animado para o guaxinim que passou direto, sem dar atenção à dupla.

— Bom, parece que ele não queria batalhar. — Ryuga riu baixinho — E nós temos que respeitar isso. — ele se abaixou por um instante, ficando de joelhos na frente de Shiro — Vamos fazer assim... para as criaturinhas daqui, nós somos os invasores. Essa é a casa deles, não nossa. Então nós vamos ignorar aqueles que não forem hostis. Atacaremos apenas quem nos ata...

Nem bem terminou de falar, um Patrat se colocou diante deles, lançando uma furiosa Investida. Shiro não hesitou vendo a criatura. Fungou, puxando o muco que escorria de seu nariz. Então abriu a boca, expelindo uma rajada de vento azul e brilhante de sua boca. Alguns flocos de neve eram carregados pelo vento, grudando-se ao corpo do Patrat, que insistiu em um ataque.

— Então você sabe usar o Pó de Neve! — Ryuga exclamou — Isso é ótimo, Shiro. — ele se pôs de pé, dando um passo para trás. Então notou que mais alguns daqueles roedores chegavam, de direções diferentes. Mas quando ele disse "atacaremos apenas quem nos atacar", ele esqueceu de um detalhe muito importante. Os Patrat tendem a proteger seu território com dedicação e são muito unidos entre si, como uma comunidade deve ser.

— Céus, de todas as espécies possíveis, por que logo um Patrat veio nos atacar?

- x -

Rota 1 – Dez anos atrás

Partindo pela estrada de terra na saída de Flutport, um grupo de pessoinhas caminhava. Eram dezenas de crianças, animadas pelo contato com a natureza. Uma Vivillon seguia o grupo por cima, voando baixo e fazendo manobras enquanto uma mulher jovem em um terninho cinza guiava o grupo, mostrando todo tipo de coisa, desde uma pedrinha oval no chão até uma árvore de Oran Berries que começava a florescer. As crianças se dividiam em grupos pequenos, que seguiam em filas e andavam no mesmo ritmo. Todas, exceto por três delas. Seguindo mais ao fundo, um garotinho de seis anos vestido como um Beartic caminhava distante de outras duas crianças, chutando a poeira. Os outros dois eram uma menina de marias-chiquinhas e um vestido laranja e um outro garoto, o menor dos três, com um bonezinho com a estampa de um Chimchar. Estes, tentavam chamar o Menino-Beartic para perto.

— Ei. — a menina sussurrou — Aqui.

— Hã... o... quê? — o menino vestido de Beartic parecia perdido em seus pensamentos.

— Fica perto da gente. Não quer se perder aqui. A Rota 1 é beeeeem graaaaande — a menina abriu os braços, como se mostrasse algo realmente gigantesco.

— Não é tão grande assim — o menino respondeu, chegando mais perto da dupla — mas eu vou ficar com vocês. Não porque você mandou, mas porque eu quero — ele fechou a cara.

— Claro, claro. — a menina respondeu — Seu nome.

— Ryuga — ele disparou, se aproximando da dupla e continuando a caminhar. O trio seguia em silêncio, olhando para o chão.

— O meu é Asami, obrigada por perguntar. — a menina continuou.

— Por que vocês não 'tão com os outros? — Ryuga perguntou.

— Eu não quero. São todos tãããão chatos... — ela fez bico — E você pensa a mesma coisa. Eu sei que sim. Você nunca fala com ninguém.

— E o baixinho aí? — o garoto perguntou, coçando o braço do menor.

— Bai... xinho não — o garotinho respondeu, batendo na mão de Ryuga.

— Ele não fala muito — Asami forçou um sorriso — mas é legal. O nome dele é Satoru.

— Mamoru — corrigiu o menino.

— Mamoru e Asami então? — Ryuga coçou q cabeça, bem entre as orelhas do gorro de Beartic — o que acham da Rota 1?

— Legal — Asami respondeu sorrindo. Faltava um dente em sua boca, provavelmente tinha sido arrancado alguns dias antes — Minha mãe sempre me traz aqui, ela é uma artista. Pinta quadros, sabe... sabia que depois daquela pedra grandona tem um mar gigantesco e uma outra região? Minha mãe que me contou. — ela acenava empolgada, como se estivesse dando a informação mais importante naquele momento. — Não é legal?

— Aquela "pedra grandona" se chama Montanha. — o garoto corrigiu, apontando com a mão enluvada — Tem uma cidade lá em cima eu moro lá.

— Lá em cima? — a menina apontou maravilhada — Lá em cima? E como é?

— Frio. — Ryuga esfregou as mãos nos braços — Já ouviu falar na Liga Pokémon?

— Se eu já ouvi? — a menina exclamou — Minha mãe já participou. Ela foi uma das finalistas. Eu não tava lá, mas ela me contou. Eu acredito porque ela tem o Pangoro mais forte do mundo. — a menina mexeu os braços como se estivesse levantando uma pedra gigantesca acima da cabeça.

— Mais forte que o Beartic do meu pai ele não é — o garoto apontou para a cabeça, na qual tinha um capuz que parecia a cabeça de um Beartic. — Ele é um Líder de Ginásio.

— Seu... pai. É o Rai... ga? — Mamoru perguntou, surpreso. Ele parecia estar finalmente interessado na conversa.

— É sim. — Ryuga assentiu — Você 'tá com algum problema? Se sente bem?

— Ele tem um problema de dizeção. Não consegue formar frases muito bem. — a menina respondeu — Não é nada que atrapalhe a gente, mas as outras crianças riem dele por causa disso.

— Eu acho que "dizeção" não é uma palavra. — Ryuga coçou a cabeça.

— Bem, se eu estou dizendo é porque é sim. — Asami mostrou a língua — Mas o que importa é que são todos idiotas.

— Isso. — Ryuga riu baixinho — Idiotas. Diferente de vocês.

— Você também não é tão ruim. — Asami provocou, chutando uma pedrinha na direção de Ryuga — Eu também não gosto das outras crianças. Elas puxam meu cabelo, riem da minha cara e me chamam de Akane. — ela fechou a cara — Não gosto disso.

— Ninguém... — Mamoru começou — ri de você. Mas você sempre... 'tá sozinho.

— Eu também não tinha entendido antes — a menina continuou — mas agora eu sei por que te deixam em paz. Você é filho de um Líder de Ginásio. — Asami então olhou para o céu — Que inveja.

— Você... pode andar... com a geeeeeente se... quiser. — Mamoru sorriu.

— Claro que quero. — Ryuga confirmou com a cabeça — É legal saber que nem todo mundo é idiota como...

— O Daigo. — as três crianças falaram ao mesmo tempo, se surpreendendo. Finalmente tinham encontrado algo em comum. Nenhuma delas gostava de Daigo. Em seguida, caíram na risada. O garoto com roupa de Beartic, a menina de vestidinho laranja e o menino com um boné de Chimchar. De repente, tinham se tornado amigos.

— A conversa 'tá muito legal — Asami riu — mas a gente precisa ficar perto da ProfessoRYUGA!

— ProfessoRYUGA? — Ryuga indagou, imitando o tom de voz da menina e tomando um chute na canela — Ai!

— Ryuga, cadê todo mundo?

— Ora, mas que pergunta boba, A... A... Amane?

— Asami — ela corrigiu.

— Que seja. — o garoto encolheu os ombros — Estão logo ali adiante, estamos apenas alguns metros atrás deles.

— Olha lá então — ela respondeu, apontando para a direção onde supostamente as crianças e a professora deveriam estar.

Havia apenas mato e árvores. Sem crianças, sem cordinha, sem Vivillon... e sem professora. Só mato e árvores.

— Mas o quêêêê? — Mamoru colocou as mãos na cabeça, desesperado — A gente se... per... deu.

— Não estamos perdidos. — Ryuga se adiantou — Asami. Você. — ele acenou para a menina.

— Agora a culpa é minha? — ela deu um pulinho para trás, assustada.

— Não, não é isso. — o garoto tirou o capuz de Beartic — Você disse que sua mãe sempre te traz até aqui. Se sabe vir, sabe voltar.

— Bem, então nós temos um problema. — ela riu nervosa — Mamãe nunca me leva além das árvores de Oran Berry. Papai sempre diz que é muito perigoso. Mamãe diz que ele se preocupa à toa, mas às vezes ela volta pra casa machucada, quando vai sozinha.

— Espera — Ryuga acenou com a mão, olhando desconfiado para a garotinha — Você tem um papai e uma mamãe?

— Você não? — Asami perguntou confusa.

— Somos eu, papai e vovô. — Ryuga respondeu — Só nós três. — Ryuga continuava a olhar desconfiado — Você é mentirosa. Ninguém tem um papai e uma mamãe. Meu avô disse que os Hoothoot mágicos não dão os dois para as criancinhas. É um só.

— A gente pode... deixar essa... dicursão para... despois? — Mamoru tocou o ombro dos dois novos amigos, que estavam quase batendo um no outro, se pondo no meio dos dois.

— E mais essa agora. — Ryuga olhou preocupado — É normal ele errar as palavras assim?

— Só quando ele tá muito nervoso, mas... — ela disse enquanto Mamoru empurrava sua cabeça para outra direção e fazia o mesmo com Ryuga, até que os dois estivessem de olho no que estava à frente deles.

— O que é isso? — Asami olhava assustada para os roedores marrons de olhos vermelhos que mais pareciam parte de uma máscara em seu rosto.

— Prartat — Mamoru tremia.

— Vários deles. — Ryuga deu um passo para trás, sentindo a mão de Asami se afundar em seu braço esquerdo.

— COOOORREEEEE! — ela gritou, disparando a correr enquanto agarrava os amigos, um com cada braço.

- x -

Fitou o relógio. Sete da noite. Ryuga e Shiro estavam exaustos de tanto caminhar, mas bem perto da árvore da qual Ryuga passou grande parte do tempo falando e usaria como parada. O rapaz estava arranhado, coberto de poeira e tinha certeza que já tinha gasto uma lata de Repelente inteira. O Cubchoo ao seu lado andava cansado, fungando e com os olhos caídos. A quantidade de batalhas que tiveram no caminho com toda certeza atrasou os dois, mas não tinham do que reclamar. Apesar do cansaço, foi uma ótima experiência para ambos. Ryuga perguntou-se por um instante o que o avô estaria fazendo naquele momento.

"Provavelmente assistindo algum documentário sobre a vida dos Ursaring, ou um daqueles filmes quase fossilizados daquele lutador, Hit Man Lee."

O Cubchoo ao seu lado chamou sua atenção com um resmungo, apontando para cima. O Sol já sumia e a Lua dava seus primeiros passos no céu noturno.

— Obrigado, parceiro. — Ryuga fez um sinal de positivo com a mão — Temos que nos apressar.

Enquanto Ryuga limpava o chão e tirava de seu caminho os galhos, folhas e frutas podres, Shiro andava em círculos, como se estivesse à espera de uma ordem. O garoto enfiou a mão na mochila, escavando em busca de algo, quando puxou violentamente um caderno de capa azul que caiu ao chão, aberto. Não era o que ele esperava, mas foi uma surpresa boa. As duas páginas abertas mostravam um desenho, sobre o qual estava escrito "Ryuga e o Time Perfeito" e era um desenho tão mal feito e fraco em detalhes que o rapaz não pode deixar de rir. Tinha feito aquilo durante os tempos de escola, aos dez anos. Uma versão mais velha de Ryuga, que muito mais parecia seu pai, tinha ao seu lado um Beartic, um Staraptor, um Poliwrath e um Whimsicott. Ao lado do que deveria ser Ryuga, uma garota de longos cabelos negros com um Pancham à sua direita e um garoto menor montado em um Dodrio. Tinha desenhado a si mesmo e aos amigos, que há muito tempo não via.

— Bons tempos... — ele murmurou — Ah, a inocência...

Desenrolou o saco de dormir, colocando-o no chão. Enquanto fazia isso, notou que Shiro tentava chutar o ar como ele devia ter visto os Beartic de seu avô fazerem muitas vezes. Mas entre cair deitado, de bunda e de cabeça no chão, nenhuma tentativa tinha dado certo para o pequeno urso polar.

— Não, Shiro — o rapaz ria, sem jeito —Primeiro você tem que pular e só depois chutar. Assim, olhe — Ryuga flexionou os joelhos e deu um pulo, chutando o ar. — Mas eu não sei se você vai conseguir, já que não tem joe...

— Achoo — o ursinho branco começou a pular sem sair do lugar, como se quisesse mostrar que era capaz, quase como se estivesse pulando corda. — Choo. Choo. Choo. Choo. — ele continuava a pular.

— Muito bem, Shiro! — Ryuga parabenizou Cubchoo. — Mas vamos falar um pouco mais baixo, para não chamar muita aten... — ele não concluiu sua frase. Dentre os arbustos, viu um par de olhos vermelhos e brilhantes e levantou-se furioso.

— Achoooo — Shiro apontou para o vulto que estava alguns metros distante.

— Ah não! Se for mais um Patrat, eu juro que...

Mas não era. A cor, de início assustou o rapaz. Mas ele logo notou que o que estava atrás daquele arbusto não tinha uma pata preta. Ao invés disso, tinha dois pés de ave, de cor rosa e terminados em garras. Notou também logo acima dos olhos da criatura algo parecido com ponteiros de um relógio. E ele sabia exatamente que criatura era aquela. Lembrando-se de uma velha história infantil contada por seu avô, ele resolveu fazer uma piada, apenas para si mesmo.

— Hoothoot, Hoothootzinha... — ele disparou, segurando uma risada — Me dê uma mamãezinha.

E logo a criatura disparou para fora dos arbustos. Era uma ave de corpo arredondadl, com olhos vermelhos e um bico pequeno. As asas ajudaram a criatura a passar rapidamente entre Ryuga e Shiro, dando um rasante sobre suas cabeças e pousando em um galho. O urso se encolheu no chão, deitado.

— Calma, Shiro. — Ryuga disse em um tom risonho — É só um Hoothoot. — apontou para a corujinha, que acenou com as asas. — Eles são bonitinhos, não fazem mal a ninguém. — Ryuga sorriu para a ave — Olá! — ele acenou com a mão que segurava o caderno. Ao fazer isso, balançando o objeto no ar, atraiu a atenção da criatura para ele.

— HOOOOT! — a coruja gritou, abrindo as asas e disparando na direção de Ryuga e Shiro. O rapaz fez menção de desviar, mas a criatura alada pegou seu caderno com as garras.

— EI! — Ryuga gritou — Devolva meu caderno! — ele tateou à procura de algo que pudesse jogar no Hoothoot, sem sucesso. Foi quando Shiro saltou para frente, sua boca aberta e uma luz azul intensa que se desfez em uma rajada de vento e flocos de neve misturados, lançada na direção do Hoothoot.

— Pelo visto, nem sempre dá para fugir de uma batalha... — Ryuga murmurou.

A pequena coruja fez uma finta no ar, de modo que o ataque pegasse apenas em um pedaço da asa esquerda, mas ainda assim empurrando-a para trás. Shiro também foi lançado para trás com o ataque, mas conseguiu se equilibrar e cair de pé. Em seguida o Pokémon voador se moveu em um arco para cima, mergulhando em uma Investida que atingiu Shiro no tronco. Aproveitando a pequena distância entre os dois, Ryuga decidiu levar a batalha tão a sério quanto seu parceiro parecia estar.

— Shiro, use o Pó de Neve agora! — ele ordenou. Era o único movimento ofensivo conhecido por seu Cubchoo, então teria que encontrar um jeito de usá-lo de forma criativa nas batalhas seguintes. Ao menos até ele aprender algo novo.

Shiro mais uma vez puxou o muco que escorria de seu nariz, inspirando fundo e lançando outra rajada. O Hoothoot foi jogado para trás, girando no ar.

— Choooo! — o pequeno urso comemorou, mas era cedo demais. Apesar de um pouco tonta, a coruja foi capaz de se manter no ar e recuperar sua estabilidade.

— Parceiro, olho no oponente. — ele disse, e o Cubchoo olhou para ele de um jeito engraçado, como se perguntasse “qual dos dois?”. Ryuga riu, correndo na direção do adversário e, em um rápido movimento, tirou o caderno de suas garras. A criatura alada então tentou atingir o rapaz com uma Bicada, mas o Cubchoo saltou e atingiu o oponente pelas costas com mais um Pó de Neve. No entanto, a proximidade entre os três e o impulso do vento fizeram Shiro cair para trás, deitado no chão.

— HOOOOOOT — a coruja tomou um impulso para cima e se projetou na direção do ursinho branco, tentando mais uma Investida. Shiro se levantou no último instante, saltando contra Hoothoot. O movimento prejudicou ambos, pois Shiro foi jogado de volta para trás e a corujinha caiu no chão com um baque.

Ryuga pensou por um instante que tinha acabado ali, mas o Pokémon alado estava pronto para mais um ataque.

"Então que seja o último", pensou Ryuga.

Aqueles poucos segundos foram suficientes apenas para que Shiro se preparasse para um rasante do Hoothoot, que tinha seu bico envolto por uma luz branca. Ele estava a poucos centímetros do ursinho quando o treinador deu a ordem.

— Shiro, Pó de Neve. — ele disse triunfante, apontando para a coruja de uma forma ameaçadora. Tanto o Cubchoo quanto o Hoothoot pareceram entender o que aquilo significava, pois enquanto o parceiro de Ryuga firmava os pés no chão, o outro Pokémon tentou se distanciar. Uma falha. Shiro abriu a boca, desferindo o movimento final. Um golpe de Gelo que, mesmo vindo de uma criatura pequena e inexperiente, foi suficiente para cobrir a corujinha com flocos de neve.

— Hoot... hooooot — a coruja levantou voo assustada enquanto Ryuga e Shiro enxotavam-na com os braços balançando para cima.

— Isso! — Ryuga exclamou animado — Corra! — ele olhou para baixo — Bom trabalho, Shiro. — o garoto sorriu, se abaixando para cumprimentar o parceiro.

Alguma coisa nos olhos do Cubchoo era atrativa e estranha ao mesmo tempo. Claro, não era a coisa mais estranha que ele já tinha visto. Mas ainda era interessante. O pequeno urso pulou, jogando a barriga contra a mão aberta de Ryuga. Provavelmente os Cubchoo na caverna se cumprimentavam assim.

— Sua mão. — Ryuga estendeu a dele — Vamos tentar de outro jeito.

— Choo — o Pokémon de Ryuga bateu com sua mãozinha contra a mão aberta do treinador — Choo — ele sorriu como se comemorasse.

— Muito bem — o rapaz se levantou — agora... tem algo que eu preciso fazer. Aquele Hoothoot pode voltar com reforços e por mais que eu queira treinar você, não acho que nós sejamos fortes o suficiente para enfrentar duas hordas no mesmo dia. Além do mais, Hoothoot são perigosos à noite e eu não quero repetir a história do garoto que entrou em coma depois de enfrentar dezenas de Spearow... — ele disse enquanto Shiro olhava para o céu, com suas pernas tremendo. — É... está com fome, Shiro?

— Chooo — O Cubchoo mexeu a cabeça negativamente, mas sua barriga roncou.

— Bela tentativa — Ryuga riu — vai comer sim, ou não conseguirá aguentar a viagem e alguma possível batalha no caminho. Por hoje esses Pokéblocks devem servir — Ryuga tirou da mochila um pote cilíndrico, cheio de petiscos em formato de cubos. Apanhou alguns, de diferentes cores. Um vermelho, um azul, um verde, um amarelo e um rosa. O Cubchoo comeu um a um, enquanto Ryuga fazia anotações. No topo de uma folha escreveu "Shiro" e logo abaixo, em linhas separadas, "parece não gostar muito de sabores azedos, secos e picantes.", "parece odiar sabores amargos" e "parece gostar de coisas doces."

Enquanto escrevia a última linha, notou que todos os Pokéblocks rosados tinham sumido. Então adicionou mais algumas palavras à última linha.

"Até demais."

~ X ~

Tinha sido um dia cheio. Entre uma tarefa e outra, além de cuidar dos Pokémon de sua mãe, ainda teve que ajudar a limpar toda a sujeira feita por eles. Ela tinha se tornado mestre na arte de identificar quais marcas pertenciam a quem. Aquelas na porta da frente eram do Alakazam. As da cozinha, da Nidoqueen. Na parede, as pegadas da Ariados e no teto alguns riscos feitos pelo Smeargle. Mas além de pegadas, havia tinta. Muita tinta. Largando a vassoura e o balde, a garota parou para descansar por alguns minutos, ligando a televisão. Assim que o fez, uma figura branca e preta veio desajeitada, escalando o sofá para se juntar a ela.

— Não tem nada legal passando a essa hora — ela disse irritada, se jogando contra as almofadas.

Mas quando mudou de canal mais uma vez, se deparou com alguém familiar. Era um garoto de cabelos brancos e um sorriso carismático, além de uma tatuagem no braço. A silhueta de um Watchog. Era incrível como ele parecia prever que ela estaria assistindo.

— E estamos aqui com Daigo, o mais novo Campeão da Liga de Sinnoh! Temos orgulho deste jovem, nascido em Noblis, que alçou voo de forma tão majestosa! — a repórter parecia animada — Como é vencer uma Liga em sua segunda tentativa?

— Não posso mentir, é emocionante. — ele dizia, mexendo no cabelo — Sabe, a minha região natal é um lugar cheio de treinadores talentosos e eu fiquei em quarto lá. Sinnoh também é repleta de pessoas extraordinárias, mas a primeira experiência ajudou muito nisso.

— E mais essa — a garota bufou — dá pra acreditar nesse filho da...

— Olha a língua. — uma mulher irrompeu da porta de entrada — E ele não era seu amigo?

—Nunca foi, mãe. — ela respondeu — Era mais um daqueles metidos a esperto que mexiam comigo. Eu só tive dois amigos de verdade e...

— É, pois é. — a mãe interrompeu ao ouvir o telefone tocar — Obrigada pela ajuda com a casa. Eu tenho que atender, mas já volto.

— E qual será seu próximo passo? — a repórter perguntava ao rapaz.

— Eu não sei. Cuidar dos negócios do meu pai, talvez.

— Imbecil sortudo — a menina desligou a televisão irritada.

— É... — a mãe dizia — Espera. Vou colocar você no viva-voz. — ela apertou um botão no telefone sobre a mesinha — E... pode falar.

— Boa noite e desculpe pelo incômodo a esta hora da noite. — a voz de um velho ecoou pela salinha.

— Quem é? — a garota perguntou.

— Kouga, de Joycicle. Você é uma das amigas do meu neto, não é? Provavelmente a mais antiga. Ele vai passar pela cidade amanhã ou depois, achei que gostaria de saber.

— Então ele finalmente vai vir nos visitar? — ela provocou — Já era hora.

Ele está passando por um momento não muito bom, entende? Ele finalmente se sente pronto e eu dei minha aprovação, então ele saiu de casa para tentar participar da Liga. Dei a ele um Cubchoo e ele disse que pretende desafiar os ginásios e a coisa toda. Eu não sei se vocês ainda se falam, mas eu só queria avisar. Quando pequeno ele nunca calava a boca, sempre falando sobre você e o menino Mamoru e sobre como vocês três viajariam juntos em busca das insígnias...

— Isso é ótimo, Senhor Kouga — a mulher disse — mas ele vai se registrar aqui em Flutport?

— Exato.

— Ótimo — a garota sorriu — Obrigado por avisar. Já fazem três anos... — ela fez uma pausa — Pelos céus, como o tempo voa.

— Tem mais uma coisa... mas...

— Certo, conversa de adultos — a mãe sorriu disfarçadamente, desligando o viva-voz. — Mas então filha, já sabe o que vai fazer, certo?

— É claro. Aquele idiota me fez esperar por muito tempo, mas antes tarde do que nunca, não é Kotaro? — ela se virou na direção do Pokémon.

— Paaaaaancham.


Notas Finais


Bom vê-los aqui novamente, espero que tenham gostado do que leram :3

Como sempre, a tradução dos ataques:

Powder Snow – Pó de Neve
Tackle – Investida
Peck – Bicada

É isto, vejo vocês em breve ;p


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