História BACK TO BACK: About A Girl - Capítulo 21


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Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oii gente! Só mais dois pro final de BTB! 💜

Capítulo 21 - "Snow"


Fanfic / Fanfiction BACK TO BACK: About A Girl - Capítulo 21 - "Snow"


"In between the cover of another perfect wonder, where so white as snow...
Running through the field where all my tracks will be concealed and there's nowhere to go..."




A volta pra casa foi definitivamente um dos momentos mais perturbadores da minha vida. Tudo o que eu conseguia pensar é que ele foi embora. Mike foi embora de verdade.

Minha boca tinha um gosto amargo, a garganta estava seca... Dentro do carro, eu apertava minhas mãos, a ansiedade quase me corroendo por completo.

 

- Eu realmente achei que ele não tivesse ido... – Max tentou começar uma conversa enquanto dirigia de volta pra casa. Fiquei muda.

 

- Hm. – Respondi alguns minutos depois, enquanto o sol ia caindo, e o dia finalmente escurecendo.

 

- Fala comigo... – Suplicou.

 

- Desculpa, Max. Também achei. Achei que ele estivesse lá. – Uma lágrima despontou na minha bochecha esquerda. Com qual direito eu queria que ele ainda estivesse ali, se eu o expulsara?

 

- Ele vai te ligar... Vocês vão ficar bem. Sabe que vão.

 

- Acho que sim. – Devolvi, fechando os olhos. – Espero que sim.

 

 

Eu esperava que sim. Esperava de verdade. Mas passou um dia. Dois dias. Três. Quatro. Cinco... Seis dias. Nada de Michael.

 

- Jane? Jane, você vai atrasar!

 

Coloquei a cabeça pra fora das cobertas, o único lugar em que eu podia desabafar durante esses dias. Nenhum telefonema de Michael. Nenhum fax, nenhuma carta, nenhum sinal. Os dias estavam cada vez mais difíceis. Alguém já te falou como é difícil trabalhar num caixa e ter que sorrir para todas aquelas pessoas, quando seu coração está partido? Pior, quando a culpa é sua?

 

- Jane!

 

- Estou indo! – Falei, desanimada.

 

Me soquei dentro de calças jeans, calçei um par de vans e comecei a pedalar.

Naqueles dias eu não tinha fome, sono ou qualquer outra necessidade. Fantasiava ligações de Mike o dia todo. Ligações em que ele dizia que estava bem e que não podíamos terminar. Eu ligava para ele, mas ele nunca estava lá, segundo um tal de Erick. Mandei uma carta, e dois fax da biblioteca da cidade para a faculdade dele na segunda feira, mas ele não me respondia.

 

Engraçado como nunca se cresce de verdade. Melhor, crescer é um processo demorado, e na maior parte do tempo, chato. Quem diria que minha mãe ainda me acordaria pro trabalho? Se bem que eu ainda só tenho dezoito anos. Esconder como eu me sentia de Max, era um grande desafio, mas ela não me forçava a falar não tocava no assunto. Mas ela percebia e estava sendo generosa comigo, mais do que o normal. No fim das contas, minha ficha ainda não havia caído. Mike e eu não somos mais namorados.

 

Já ia fazer quase uma semana. Quase uma semana quando decidi que iria atrás dele. No fim do expediente, tirei meu uniforme listrado e fiquei esperando Max na saída, ao lado da minha purple schwinn não tão mais nova assim. Quando ela subiu em sua bicicleta e eu na minha, comecei:

 

- Vou atrás dele.

 

- Hein? – Ela freou bruscamente, colocando os pés no chão e me olhando incrédula – Dele, quer dizer do Mike?

 

- Não, do papaléguas. – Parei ao seu lado – Isso. Vou atrás do Mike.

 

- No Canadá?

 

- Eu não sei se ele foi pro Canadá mesmo... – Recomeçamos a pedalar. A noite chegava lenta e fria, o sol ia apagando e morrendo. Eu estava cada vez mais decidida e isso de certa forma assustava Max. E me assustava também.

 

- E se ele tiver ido? Como vai fazer?

 

- Eu não pensei nisso ainda... acho que ele ainda não foi.

 

- Mas ele te respondeu?

 

- Não...

 

Ok. Eu estava sendo idiota. E a culpa é claro, era minha. Estava indo atrás de um cara que eu mesma chutei, indo até uma cidade há seis horas de distância sem saber se ele ainda estaria lá. E eu nem ao menos merecia que estivesse. Acho que Max teve dó de comentar que eu estava sendo um pouco estúpida, até porque não importaria se ela me dissesse isso. Eu iria de qualquer forma, eu iria.

 

Quando cheguei em casa, larguei a bicicleta, tomei um banho rápido e fui até o banco sacar minhas economias. Cada segundo que eu passava naquela fila era mais angustiante. Eu sabia o que estava fazendo, mas queria saber se seria o certo. Viajar para outra cidade escondida da minha mãe, com trezentas pratas no bolso. Havia uma senhora na minha frente, que aparentava ter mais de sessenta anos. Ela demorava tanto que comecei a pensar que podia ser Deus tentando me impedir de cometer uma loucura.

 

- Eu já vou terminar. – Ela disse, virando-se para mim.

 

- Sem problemas. – Respondi olhando para os lados, como se estivesse sendo perseguida pela policia.

 

Finalmente saquei o dinheiro e escondi dentro do casaco. Quando passei pela porta de vidro giratória, apareceu alguém ao meu lado, de capuz verde limitar e me pegou pelo braço. Soltei um gritinho, mas caí na gargalhada ao perceber que era Max.

- O que é isso? – Questionei.

 

- Acho que vai fazer uma grande, enorme burrada. Mas minha obrigação como sua amiga, é te ajudar e te apoiar, afinal, pode ser que dê certo... Está de bicicleta?

 

- Não... – Respondi, um pouco atordoada.

 

- Ótimo. Estou com o carro de Lucas. Vamos no Walmart e depois vamos a sua casa fazer a sua mala. – Ela disse, pegando a chaves no bolso.

 

- Como posso te agradecer?

 

- Sendo rápida! Anda!

 

Depois de entrar no carro, me senti aliviada. Agora eu não precisava pensar o tempo todo sobre tudo, apenas deixar o rio correr. Max falava sem parar sobre o que eu deveria levar, mas eu apenas a ouvia e assentia sem nem ao menos entender o que ela estava dizendo. A brisa fria rompia em meu rosto, o vidro parcialmente abaixado. Eu via todas aquelas calçadas e ruas, e tive a certeza de que não existia um ponto de Hawkins no qual eu e Mike não tivéssemos andado juntos. Aquilo bateu fundo, e doeu, como doeu... Será que existia uma vida sem ele? Eu não queria descobrir...


 .:: Flashback::.


Era nosso primeiro natal juntos, depois de toda a confusão do laboratório. Ainda estávamos nos recuperando tanto fisicamente, quanto nas provas que havíamos perdidos. Minha mãe chamou Mike para passar o natal conosco. Lembro de montarmos a árvore e comprarmos frutas frescas numa feira na cidade vizinha. Também trocamos presentes, eu dei a Mike um suéter muito bonito e ele me deu um vestido cor de rosa, que tinha uma saia muito bonita, e que ele jamais teria sido capaz de escolher sozinho, com certeza Nancy havia o ajudado. Quando minha mãe dormiu, ficamos encolhidos debaixo das cobertas no sofá da sala, vendo a lareira estralar furiosa.

 

- Mike? Você dormiu? – Como estava abraçada a ele, não conseguia ver seu rosto, pois meu rosto estava no seu tórax. Ele afagou minha cabeça, mas parecia estar identificando o território, como senão soubesse onde estava.

 

- Estou acordado, magrela. – Balbuciou sonolento.

 

- Pode dormir se quiser.

 

- Se eu dormir, você vai pro seu quarto e eu não quero ficar sozinho.

 

- Porque não? – Dei uma risada – Do que você tem medo?

 

- De Dustin com um carro, de Lucas com uma arma e de Will com dinheiro. – Soltou uma gargalhada – Não tenho medo, mas quero ficar com você.

 

- Então vamos dormir sentados?

 

- Parece que sim... Parece aquela história, daquele casal...

 

- Que casal? – Perguntei, me acomodando mais naquele abraço quentinho.

 

- Não lembro direito. Um casal que foi para a cidade e dormia sentado num banco de praça, todas as noites... Algo assim.

 

- Que horror, Mike...

 

- Vamos ser assim um dia, né?

 

- Assim como? Sem tetos? Mendigos?

 

Mike deu uma risada e beijou o topo da minha cabeça.


- Não, magrela, unidos. Se nós vamos estar juntos.

 

- Já estamos juntos.

 

- Digo, juntos todos os dias. Em tudo, entende?

 

- Sim, Mike... Eu acho que sim...


 .:: Flashback::.

 

 

Fui chamada de volta a realidade por Max, que buzinava impaciente ao meu lado. Um policial desceu de uma viatura logo atrás e veio até nós, em passos lentos e preguiçosos.

 

- Olá? – Consegui ler seus lábios. Ele fez sinal para que Max abaixasse o vidro e ela o fez.

 

- Sim? – Max tinha um truque de encantar as pessoas com o olhar. Ela colocava o cabelo atrás da orelha, e piscava os olhos umas três vezes. Aquilo sempre funcionou – Posso ajudar, de alguma forma?

 

- Posso ver sua habilitação? – Ele sorriu, de orelha a orelha.

 

- Claro.

 

Espere aí. Max não tinha habilitação. Max não tinha habilitação. Antes que eu pudesse sussurrar: “Max, não faça isso!”, ela arrancou com o carro de uma forma tão brusca e rude, que o policial se jogou para trás e quando eu o vi pelo retrovisor, ele ainda estava caído ao chão.

 

- Que merda, Max!

 

- O que queria que eu fizesse? Ele não caiu no truque!

 

- Podia ter agido como alguém normal e ter dito: Não tenho habilitação!

 

- Você tem cinco minutos para pegar tudo o que precisa – Ela gritou em meu ouvido, enquanto parava na frente do Walmart – Começando agora! Vai, vai, vai!

 

Saltei do carro como uma louca e entrei dentro do supermercado, o mais rápido que pude. Dentro de uma cestinha joguei pasta de amendoim, geleia, biscoitos, suco de laranja e um pacote de salgadinhos. Dei uma nota de cinquenta dólares e enfiei o troco nos bolsos. Antes de sair, já ouvia as buzinada frenéticas de Max. Quando pulei para dentro do carro, ela disse:

 

- Eles vão para a casa do Lucas, afinal o carro é dele. Escute bem meu plano. Vamos até minha casa, fazer uma mala de roupas, já que não podemos ir a sua, e você vai dizer a sua mãe que vai passar o final de semana comigo. E esteja aqui, domingo a noite. Entendeu? – Ela deu uma ré, antes de seguir nossa rota.

 

- Certo, capitã!

 

Quando chegamos na casa de Max, demos sorte por seu irmão Billy estar entretido com um jogo de baseball. Estávamos tão afobadas e nervosas, era quase como se tivéssemos cometido um crime, não que não tenhamos cometido, mas era como se tivéssemos matado alguém. Max me apontou o telefone e começou a jogar roupas numa mochila preta.

 

Disquei o número rapidamente, e comecei, com uma voz trêmula:

 

- Alô, mãe?

 

- Jane?

 

- Eu vou dormir na casa de Max, nesse fim de semana, tudo bem?

 

- O que estão aprontando?

- Hã? Nada... Só vamos... vamos ver alguns filmes...

 

- Quando volta?

 

- Domingo a noite... Agora tenho que desligar.

 

- Jane, está acontecendo alguma coisa?

 

- Não, não está acontecendo nada.

 

- Tem viaturas aqui na frente da casa de Lucas...

 

- Será que descobriram a cocaína que ele esconde no sofá? – Dei uma gargalhada. Aquilo era exatamente o tipo de coisa que Mike diria...

 

- Quê? Ele usa drogas, Jane?

 

- Não, mãe! Ele é militar, esqueceu? Foi uma piada.

 

- Você tem certeza?

 

- Meu Deus, mãe! Até domingo!

 

- Jane...?

 

- Oi?

 

- Eu amo você. Tome cuidado.

 

- Eu amo você também. – Respondi, antes de desligar.


Max me jogou a mochila, e eu a segurei, prontamente. A coloquei nas costas e descemos as escadas trotando.

 

- Que merda é essa?! – Billy gritou do sofá.

 

- Nada, Billy! É que... está tendo uma promoção de blusas na Levi’s! Estamos indo lá! – Max gritou, ao sair pela porta. Billy balbuciou algo, mas não ouvimos direito.

 

Max pegou um atalho até a rodoviária, e em dez minutos já havíamos comprado minha passagem. Setenta e cinco dólares, que quase não soltei para a mocinha das passagens. Tentei lembrar que era por uma boa causa. Me senti como uma nômade, com uma mochila tão pesada me arrebentando as costas. Eu e Max aguardávamos o ônibus, com um velhinho e uma senhora de aproximadamente uns quarenta anos.

 

- O que tem na mochila? – Perguntei.

 

- Comida... Desodorante, meu perfume rosa... Coloquei duas calcinhas novas também...

 

- Ainda bem que são novas, eu não iria usar as suas... – Debochei.

 

- Você é tão nojenta! – Max riu – Coloquei minha calça jeans rasgada, uma saia de botões e um vestidinho listrado... e uma três camisetas.

 

- Obrigada, Max. Obrigada de verdade.

 

- Eu sou sua melhor amiga. Isso não é meio que minha obrigação?

 

- Talvez... Mas mesmo assim...

 

- Só me ligue quando o ônibus parar... e esteja aqui no domingo, certo? Eu dou um jeito no resto.

 

O ônibus finalmente chegou. Era velho, sujo, empoeirado. Vinha sacolejando em sua linha, quase pedindo socorro. Tive uma crise de riso, quando o vi, mas tentei me controlar. Dei o abraço mais apertado que pude em Max, que correspondeu da mesma forma.

 

- Eu amo você. – Ela disse, abafado.

 

- Também amo você, Maxine.

 

- Não me chame assim...

 

- Você vai ser uma ótima mãe. – Respondi, a soltando.

 

- Nunca mais diga isso de novo. – Ela sorriu, apertando minha mão.

 

Eu não sabia muito bem o que eu estava deixando para trás ou se estava realmente deixando algo para trás, mas senti como se fosse. Meu coração apertou, e as lágrimas rolaram automaticamente. Tudo aquilo aconteceu tão rápida e desordenadamente, eu só queria saber onde eu estava. Como eu estava...?

Subi logo após o idoso, e me sentei num fundo do ônibus. A cadeira não era nada confortável e estava tão frio que achei que provavelmente congelaria durante a viagem. Quando o ônibus deu partida, pude ver Max acenando sorridente, do lado de fora e acenei de volta. Meu coração estava apertado. Eu sabia por que... Mike e eu fizemos o mesmo, há meses atrás, quando ele partiu...

 

Mike. Eu espero que você ainda esteja me esperando... Espero que você não tenha desistido. Porque eu até quis.

Mas não consigo desistir.


Notas Finais


Espero que gostem do capítulo, nos vemos de novo em breve, eu prometo ❤


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