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História .back to december - Eremin - Capítulo 1


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Notas do Autor


oi gente, tudo bem? aaaaaaaa meu deus, eu to muito feliz por escrever sobre o meu OTP e eu quero dedicar essa twoshot (simmm, vai ter continuação e se tudo der certo, o final sai amanhã, viu?) para a minha querida melhor amiga @cammye corre aqui, que ficou louquíssima por essa história e me incentivou à beça para postar e vir trazer à vocês <3
ela é inspirada na música back to december da taylor swift, taylor sempre presente nas minhas fics, fazer o quê? e é isso aí gente! espero que vocês gostem, cammye meu amor da vidaaaaa espero que você goste dessa fic, e amanhã vai estar saindo a parte final.
beijos e boa leitura <3
edit importante: tem partes que são flashbacks e acho que não é difícil identifica-los, todos eles o armin está e eles estão no colégio ainda. e os que o armin não está, é baseado no presente do eren.
créditos à artista lunarelles do insta, pela fotinho de capa que esqueci de por aiai

Capítulo 1 - .engolindo o orgulho


Fanfic / Fanfiction .back to december - Eremin - Capítulo 1 - .engolindo o orgulho

 

Eren, o que significa liberdade para você?

 

Podiam se passar anos, mas aquela singela pergunta continuava assombrando a mente de Eren Yeager. Questionamento esse que foi levantado em um clima totalmente desestabilizado, em uma noite de setembro, que deveria ser como outra qualquer. Ele ainda conseguia enxergar muito bem a visão daquele dia, mas forçava a mente a se ocupar em outra coisa, para que os mesmos sentimentos negativos não espalhassem pelo seu coração. 

“O que significa liberdade?”, questionou-se mentalmente, olhando ao redor do cômodo em que estava, como se estivesse à procura de alguma resposta. 

A maior parte do tempo, pensou que poderia significar o que todas as pessoas costumam achar; estabilidade emocional, uma casa bonita em um local afastado de Hamburgo e matérias da faculdade em dia. 

Eren estava cursando filosofia em uma boa universidade da região germânica que morava, e dividia apartamento com a sua melhor amiga, que já ocupava um espaço fraternal em seu coração; Mikasa Ackerman. 

Os dois conviviam bem sob o mesmo teto, ainda que às vezes, Mikasa costumasse levar seu namorado - Jean Kirsten - para dentro de casa. Não odiava o rapaz, mas possuía aquele famigerado sentimento de ciúme por ver a amiga com o cara de cavalo. Forma caridosa na qual costumava chamá-lo, quando estava a sós com a Ackerman. 

- Eren, pare com isso. Jean é um bom rapaz e me faz feliz. - Era o que Mikasa sempre retrucava, quando assistia o amigo implicando gratuitamente com o seu namorado. 

- É bom mesmo ele te fazer feliz, Mikasa. - Eren respondia de braços cruzados, como se fosse uma criança birrenta que estava tomando esporro do pai. 

Mikasa achava aquilo adorável, mas ao mesmo tempo se preocupava com o amigo. Desde que terminaram o colegial juntos, Eren nunca se permitiu viver outras coisas. Sempre ficava preso em casa, ouvindo as suas músicas preferidas. Estas que se mesclaram em diversos estilos, mas havia uma que se destacava entre as demais. 

A faixa “Vênus” de sua banda preferida, Sleeping At Last, ressaltava diretamente as sensações que obteve quando enxergou um certo alguém, em seu primeiro dia de aula no ginásio. 

De início, pensou que o rapaz de cabelos dourados fosse apenas uma constelação em meio toda a realidade fugaz que o retaliou. Mas, ele era muito mais extenso. Talvez, uma galáxia inteira que fazia seu interior comichar ansioso.

Armin Arlert era muito bonito, e sua beleza não se destacava apenas em seu exterior. 

O interior daquele rapaz que conhecera há tanto tempo, era como se fosse um universo no qual Eren se encontrava indefeso. Toda a magnitude de Yeager era desarmada, como se nada fosse, quando estava diante daquele azul intenso que predominava nas orbes de Armin. 

E, ainda que se passassem três anos que não trocava uma palavra com o Arlert, continuava perdido em sua pergunta. A sua liberdade significava estar confortável com a vida que possuía atualmente?

Então, por que seu coração não conseguia concordar com isso?

“Talvez, seja uma questão que eu deva pensar mais sobre.”, pensou, crispando os lábios em seguida. 

Procurou se atentar à algum afazer, para não se render aquelas memórias do passado que possuiu com o Armin. Eram pessoas diferentes agora, e não havia o porquê de continuar se angustiando com as decisões que tomou para chegar aonde estava hoje. 

Sempre foi prático em certas questões de sua vida, e sabia que chorar pelo leite derramado, de nada adiantaria. Pelo o que assistia em suas redes sociais, Armin Arlert era uma outra pessoa. Estava conhecendo o mundo à fora, da mesma forma que sempre quis quando eram mais novos. 

Apertou o olhar, para um canto específico do quarto, ao recordar-se veemente daqueles sonhos escritos como promessas que confidenciaram, apenas um ao outro. 
 

• • •

 

- Eren! - Aquela voz bastante conhecida, ressoou pela sala de aula, trazendo à tona atenção do Yeager. 

Observou o rapaz correndo até a sua direção, segurando um livro contra o peito, como se fosse a coisa mais valiosa para ele. Abriu um sorriso pequeno, por desconfiar do que poderia se tratar tal assunto. 

Assim, que Armin se aproximou o suficiente da carteira do amigo, depositou o livro sobre a mesa e o abriu, deslizando os dedos pelas páginas que vezes ou outras, se agarravam uma nas outras. 

- Tem mais um lugar que devemos colocar na nossa lista. - Disse empolgado, apontando o dedo na direção do nome escrito no livro. 

Eren percorreu o olhar até onde o loiro indicava, e constatou que o nome tratava-se de uma região localizada no sudeste asiático. Arqueou uma das sobrancelhas, prestes a questionar a decisão do amigo, mas Armin se adiantou com o seu discurso sonhador: 

- Eu sei que é um pouco longe, mas é um lugar bastante interessante de se conhecer. - Sanou a dúvida interna do amigo, com os olhos brilhando em expectativa. 

- Não vai ficar longe da nossa casa de férias? - Questionou, recebendo um aceno negativo de cabeça do loiro, como resposta. 

Fazia um tempo que, os dois amigos decidiram morar em uma casa situada perto do mar. Eren não apreciava a ideia antigamente, mas depois das boas influências que Armin lhe concedeu, ele passou a visualiza-la com os mesmos olhos. 

Eles possuíam uma relação tão forte, que quem os visse de longe, pensariam que eram namorados. Armin vivia grudado com o Eren, da mesma forma que o Eren vivia grudado com o Armin. Se um estivesse andando sozinho pelos corredores da escola, os outros estudantes já estranhavam, porque eram como se fossem almas gêmeas. 

No início, algumas brincadeiras mau gosto foram direcionadas aos dois. Mas, Eren tratou de repreender elas da maneira mais violenta. Mikasa sempre os defendia, com os mesmos métodos do Yeager, pois não tinha paciência para lidar com pessoas de tão baixa auto estima, que precisavam agarrar-se em diminuir os outros para se satisfazerem com o seu próprio ego. 

E devido à isso, aqueles comentários e sussurros maldosos, foram se cessando automaticamente. 

Mikasa apenas observasse de longe a conversa entretida entre os dois amigos, com um sorriso contente no rosto. Por mais que, Armin e Eren não imaginassem, ela estava torcendo para que os olhos se abrissem e eles pudessem ser sinceros um com o outro.

“Será que eles vão ter a coragem para isso?” se perguntava. 

Sentimentos eram um ponto que assustava o Eren, e aquilo a deixava minimamente preocupada. Mas, torcia para que no final de tudo, desse certo e eles pudessem abraçar a ligação que possuíam de outra forma. 

Depois de um certo tempo, a professora Hange chegou na sala e pediu para todos os alunos se sentarem nas suas respectivas carteiras. Normalmente, Armin se situava ao lado do Eren, para que continuassem com as conversas paralelas a respeito dos sonhos que possuíam. 

Mikasa ficava logo atrás, sendo testemunha de toda a situação. Rindo contidamente, vez ou outra, dos bilhetinhos entre os dois amigos sendo passados, discretamente. Entretanto, Hange enxergava aquela troca, porém nem procurava repreender o comportamento, pois achava bonitinho também. 

Você vai me ligar depois da escola?” 

 

Eren leu a pergunta contida no bilhetinho, e desviou rapidamente o olhar para o loiro ao seu lado que, o encarava de soslaio um tanto ansioso pela resposta. Pousou o olhar sobre os dedos do amigo, afim de tentar visualizar o que ele escreveria, entretanto a mão permaneceu parada, segurando a caneta com afinco. 

Ergueu o olhar para o rosto bronzeado, e percebeu um doce sorriso desenhado nos lábios, o que fez seu coração começar a bater rapidamente. Eren fez que sim com a cabeça lentamente, entregando a resposta que Armin tanto queria. 
 

• • •

 

Aquelas memórias vivas concederam uma brecha de coragem para que Eren pegasse o seu celular, e procurasse pelo loiro nas redes sociais. Ainda se seguiam em certos aplicativos, mas não conversavam há meses. O aniversário do antigo amigo já havia passado, e sequer o ligou. Sentiu bastante vergonha de fazê-lo, e se sentiu um completo idiota por isso. 

Mikasa ainda possuía contato com Armin, e algumas vezes, contava à respeito do amigo. Além das novidades que sabia, por conta das fotos que o Arlert postava, Mikasa sempre ressaltava uma informação que o enchia de dúvidas. 

- Armin foi visto em uma ocasião recentemente… Estava andando sobre as rochas de uma praia, e olhando para o mar da meia noite. 

Era como se ela quisesse lhe conceder uma mensagem subliminar, mas ele não conseguia compreender. E por isso, sempre ignorava o comentário e continuava fingindo interesse em qualquer outra coisa que estivesse ao seu alcance. 

Mas, naquele momento, decidiu agir diferente. 

Quando finalmente, estava diante de uma conversa privada com o Arlert na rede social, ele suspirou intensamente e passou a teclar algumas palavras. Mas, quando considerava que não estava bom o suficiente, apagava tudo novamente e procurava reformular a frase. 

Como vai a vida? Eu estive pensando em você ultimamente, e senti saudades. Como está a sua família?

Crispou os lábios e moveu o dedo sobre a opção que indicava “enviar a mensagem”. Porém, uma relutância o predominou e, ficou minutos lutando contra os instintos. Deveria mandar ou desistir? 

- Droga, Eren… Você não é assim… - Murmurou irritado para si mesmo, com a própria inutilidade de não conseguir enviar uma simples mensagem. 

Se Carla Yeager - sua mãe -, soubesse que estava com problemas para reatar a amizade com um grande amigo, como Armin, com certeza faria questão de ajudá-lo pessoalmente com uma colher de pau em uma mão. 

Riu internamente com a visão daquele possível acontecimento que, não estava longe da realidade. 

- Na verdade, ela me bateria por eu ter sido um covarde naquele dia… - Mordeu os lábios levemente, com as memórias nada saudosas em seu peito. As lembranças fizeram com que, as coragens de Eren se desarmassem e a mensagem fosse totalmente apagada. 

Fechou os olhos, por alguns segundos apenas para dar um certo descanso mental para si, e logo após, arremessou o celular para longe. Puxou um dos travesseiros da cama, escondendo o rosto no estofado fofo e soltou gritos esganiçados. 

Era uma mistura de sentimentos que estavam escapando de sua garganta, mas o que mais predominava entre eles, era a frustração. 

Mikasa abriu a porta do quarto do amigo, sem que ele percebesse e se deparou com a cena um pouco assustada. 

- Eren, o que houve? - Perguntou, fazendo com que o rapaz se livrasse do travesseiro rapidamente e procurasse agir normal, como se nada tivesse acontecido. 

- Nada, Mikasa. - Respondeu com um sorriso falso nos lábios. - E aí, vai sair amanhã com o Jean? - Procurou mudar de assunto, antes que a Ackerman insistisse em saber da verdade. 

- Bom, eu ainda não combinei nada com ele… - Murmurou, crispando os lábios em uma tentativa de controlar a curiosidade que comichava em seu âmago. - E você? Vai ficar em casa mesmo? 

- Sim, não tem nada para fazer nesse sábado mesmo. - Deu de ombros. 

Mikasa ficou um tempo calada, na porta, estudando o amigo com o olhar. Certas nuances de raiva eram perceptíveis pelas extremidades do rosto bronzeado, deixando claro que aquele surto de minutos atrás, não foi mera invenção de seu imaginário. 

Estaria Eren com problemas novamente para se comunicar com o Armin? 

Por mais que o rapaz tentasse esconder, Mikasa já havia percebido a situação por inteira. E não era de hoje que Eren agia daquela forma. Deparou-se várias vezes, com o moreno procurando conversar com alguém pelo celular, mas logo em seguida apagando a mensagem e jogando o aparelho para algum canto da casa. 

Quando ela recolhia, percebia que a conversa em aberto era com o Armin. 

Tinha vezes, inclusive, que já pegou Eren conversando sozinho no quarto. Algumas palavras eram desconexas, mas outras eram perceptíveis demais. Todas envolviam as memórias que ele possuía com o Armin. Tempos do ginásio, do colegial, a casinha na praia na qual tanto conversavam…

E por isso, Mikasa arrumou meios de fazer os dois se encontrarem, marcando uma reunião de amigos com outras pessoas, como Jean, Sasha e Connie para comparecerem. Não queria deixar muito claro que, era por conta deles especificamente. 

Porém, como previsto, Eren sempre desmarcava, inventando alguma desculpa esfarrapada. E quando chegava no dia, finalmente, Mikasa e os outros amigos se deparavam com o Armin que contemplava um semblante meio sem graça. 

O loiro começava a pensar que Eren realmente não queria mais saber dele, depois de todo o acontecido na festa de formatura que tiveram. E por isso, não o procurou também e, apenas manteve contato com as pessoas que sempre estavam ali por ele. 

Mikasa se sentia mal pelo amigo, mas não podia fazer nada. Se Eren não estava disposto a quebrar aquela barreira que havia erguido entre eles, então nada adiantaria. Enquanto, ele soubesse que Armin estaria em todos os encontros, continuaria furando com eles. 

Com isso em mente, arregalou o olhar e de imediato, se deparou com uma ideia que aplicaria naquele sábado mesmo. 

- Estive pensando aqui comigo… - Mikasa disse, após um tempo em silêncio no quarto do amigo. - Acho que vou marcar de sair com a Sasha, Connie e Jean novamente, por que você não vai? Todos estão com saudade de você.

Eren apertou o olhar para a amiga, estudando a expressão facial que a mesma possuía. Queria ler, se por um acaso, ela estaria escondendo alguma coisa relacionada ao Armin. Mas, a sua invejável postura, mantinha convicto de que seriam apenas eles os convidados. 

- Não vai mais ninguém? - Inquiriu um tanto desconfiado. 

- Não. Pensei em chamar a Historia e Ymir, mas duvido que elas vão querer ir. - Respondeu, dando de ombros. - Você sabe que elas são bastante grudadas, e raramente vão nesses encontros. 

- Hm, eu vou pensar a respeito… - Murmurou em um tom baixo, para que Mikasa não o ouvisse. Porém, ela conseguiu entender o que ele havia dito e por isso, ficou contente. 

- Não pense, apenas vá e deixe de ser caseiro desta forma. Sua mãe vai ter um treco se souber que, durante todo esse tempo, você apenas ficou em casa estudando. 

Eren crispou os lábios, formando uma careta no rosto ao ver a amiga com os braços cruzados, o repreendendo com o olhar. Parecia até a sua mãe, ali dentro do quarto. 

- Certo, Mikasa. Talvez, eu vá. - Deu de ombros, desviando o olhar para um outro cômodo do quarto, com uma expressão emburrada. 

Mikasa abriu um sorriso de canto a canto, e tratou de correr para o seu próprio quarto para enviar os convites às pessoas destinadas a irem para aquela social. Só esperava que, a que mais precisava comparecer, de fato fosse. 
 

• • •

 

Após a saída do professor carrancudo Levi, onde Eren tinha um certo pressentimento que ele não gostava muito de si, a turma que antes estava silenciosa, voltou a ser tomada pelo falatório dos grupinhos. 

Sasha pegou um sanduíche embalado no plástico que havia dentro de sua mochila, e passou a devorá-lo sem se importar de morder a embalagem junto. Por isso, Connie e Jean começaram a repreendê-la, porém ela nem se importou. 

Mikasa assistia a cena, assim como Historia e Ymir que riam da maneira que a Braus era totalmente descuidada. Annie e Reiner estavam situados no fundão da sala, ouvindo música sem se importar de serem pegos pelo professor há qualquer momento, e Bertholdt conversava com Marcel e Porco, a respeito de uma série que havia acabado de lançar. 

E em meio à toda aquela multidão, estavam Eren e Armin, sentados nas cadeiras da frente. O Yeager estava dividindo a sua atenção entre rabiscar na folha branca do caderno e, ouvir os conselhos que Connie e Jean davam para Sasha, que agora estava com medo de sofrer uma indigestão por ter ingerido plástico. 

- Foi sem querer, eu realmente estava com tanta fome que nem percebi que o plástico estava junto! - Sasha lamuriou, com lágrimas formando no canto dos olhos. 

- Sasha, relaxa! É só você ir para o banheiro e tentar vomitar o que comeu. - Connie sugeriu, mas a amiga detestou a ideia. 

- Eu não quero deixar o meu estômago vazio, depois de ter comido o delicioso sanduíche que meu pai fez! - Praguejou, assustando os dois rapazes com aquela alteração na voz da mesma. 

- Relaxa, Sasha! O que entrou, vai ter que sair de alguma forma. - Eren comentou de maneira jocosa, arrancando risadas do grupo. 

A Braus proferiu alguns xingamentos direcionados ao amigo, que apenas riu, enquanto continuava desenhando em seu caderno. Estava tão entretido nas linhas que traçava, que nem reparou o olhar perdido de Armin, pousado em si. 

- Eren, o que significa liberdade para você? - A pergunta soou baixa e repentina, fazendo com que o Yeager parasse abruptamente tudo que estava fazendo, para dar atenção ao amigo. 

- Como assim, Armin? - Questionou confuso. 

Armin abriu um sorriso pequeno, e desviou o olhar para outros pontos da sala que não fossem a imensidão verde que Eren possuía nas orbes. Tão forte e tão penetrante, que o desnorteava às vezes. 

- Às vezes, eu penso no que significa liberdade para mim. E raramente consigo chegar à uma conclusão para essa pergunta. - Respondeu, enroscando o dedo em uma das madeixas loiras que contornavam a sua face, em um gesto que deixava clara a sua ansiedade. 

- E o que você acha? - Eren perguntou, olhando atento para o loiro. Armin dirigiu o olhar novamente para o amigo ao seu lado, e abriu um sorriso doce nos lábios. Sorriso aquele que, causava inúmeras sensações no interior do Yeager e, tais entravam em contraste nas duas maçãs de seu rosto. 

- Eu acho que liberdade para mim, significa estar feliz com as pessoas ao meu redor. As pessoas que verdadeiramente me trazem uma sensação pacífica em meu coração. - Respondeu, com certo brilho no olhar que não passou despercebido pelo Eren. - É como chá doce no verão, ouvir as discussões mais malucas entre Jean, Sasha e Connie, conversar sobre a vida com a Mikasa e… - Deu uma pausa, alargando o sorriso em sua face. Suas bochechas não estavam tão diferentes como a do Eren. - Te ter ao meu lado, na nossa casa de praia. 

Mikasa abriu um sorriso discreto com o pequeno monólogo do amigo loiro, e principalmente por ver o clima entre os dois. Eren estava com as grandes orbes esverdeadas arregaladas, em uma careta perplexa por ter ouvido palavras tão doces do amigo. 

Queria poder dizer algo à respeito, mas não conseguia formular uma resposta à altura. Diante daquela declaração, lembrou-se de todos esses anos que passara ao lado de Armin, confidenciando segredos, conversas, momentos e aventuras pelas ruas da Alemanha, como dois adolescentes bobos. 

As vezes que decidiram pegar um metrô, e embarcar numa viagem sem rumo, apenas porque Armin adorava a ideia de conhecer novos lugares, estando sentado em banco do passageiro perto da janela. 

Ou quando, sempre passeavam pelo centro da cidade, conhecendo certos pontos turísticos do local. O que havia se tornado o seu preferido, fora um aquário que conheceu com Eren. Neste dia, se renderam a mais uma das loucuras de Armin de pegar um metrô sem rumo e, quando decidiram saltar da estação, se depararam com um lugar muito bonito. 

As risadas gostosas que escapavam, por estar se sentindo verdadeiramente livre naquele momento, mesclado com a felicidade por ter Eren ao seu lado, vivendo aquela loucura com ele tornava tudo mais intenso para si. 

E foi naquele outono que, os dois se deram conta do quanto se amavam. 
 

• • •

 

O sábado finalmente chegou, e para a infelicidade de Eren Yeager, o dia passou rápido. Quando percebeu, já era de noite e em breve, sairia com a Mikasa para ir ao encontro com seus amigos. 

- Eren, já está pronto? - Ouviu a amiga berrar, em um outro cômodo da casa. Provavelmente, vindo de seu quarto. 

Eren revirou os olhos, formando uma careta no rosto em total arrependimento por ter aceitado aquela ideia. A preguiça já estava se espalhando pelo seu corpo, e não possuía forças para se levantar da cama, tomar um banho e lavar os longos cabelos que, insistiu em deixar crescer. 

- Já! - Mentiu, rindo internamente. 

Mikasa sabia que era um blefe do amigo, e por isso caminhou até o quarto do mesmo, jogando as mãos na cintura com um olhar repreensivo. Realmente, a cada dia que se passava, a Ackerman se lembrava cada vez mais, a sua mãe. 

- Eren, vamos sair em quinze minutos, dá para tomar um banho, por favor? - Questionou em um leve tom ameaçador na voz, que fez o moreno formar um bico emburrado. 

- Tá bem, tá bem. - Murmurou, revirando os olhos mais uma vez. 

Levantou-se e caminhou com passos preguiçosos até o banheiro, para tomar um banho enfim. Assim que Mikasa constatou que o mesmo já estava se arrumando, voltou ao seu quarto para dar uns toques finais na maquiagem que fazia. Nada muito exagerado, apenas uma base para cobrir certas linhas de expressão que insistia em enxergar, sendo que não existia. 

Eren molhou os cabelos, os lavando com um shampoo cheiroso que havia perdido no banheiro. Assim, que terminou de se banhar, pegou uma toalha que estava pendurada no box e enxugou cada parte do corpo. E com outra toalha diferente, secou um pouco dos fios molhados que pingavam o chão. 

Se Mikasa visse o banheiro daquela forma, iria reclamar até a sua quinta geração, por isso secou o chão. 

Em seguida, foi para o seu quarto e procurou por alguma roupa de sair. Pegou uma blusa branca, calça justa preta e um casaco da mesma cor. Vestiu-se rapidamente, antes que Mikasa retornasse para o seu quarto, afim de constatar se ele já estava pronto. 

Assim, que estava devidamente vestido, calçou os sapatos pretos que estavam no quarto e penteou o cabelo de qualquer jeito. As madeixas já ultrapassavam os ombros, o que o fazia cogitar em cortá-los, em breve. Lembrou-se que Armin, apreciava os cabelos curtos e abriu um sorriso discreto com esse pensamento. 

- Imagina se ele me visse agora… - Disse em voz alta, pensando estar sozinho no cômodo. Porém, Mikasa repentinamente apareceu e, conseguiu ouvir o que ele havia acabado de dizer. 

- Ele quem? - Questionou, fazendo o amigo se assustar, por conta de sua aparição abrupta. 

- Mikasa, para de aparecer assim do nada! - Eren retrucou, em um tom censurador que fez a Ackerman rir baixo. 

- Não tenho culpa se não me escuta chegando. 

- Tampouco eu tenho, se você anda sem fazer barulho nenhum. - Murmurou com uma careta emburrada. Eren odiava levar susto, porque sentia vergonha logo após. Principalmente, de ser ouvido, enquanto falava sozinho. 

E Mikasa era perita em tirá-lo do sério nas duas situações. 

- Tudo bem. - Ergueu as duas mãos, em sinal de rendição, por não ter como retrucar o amigo. - Você já está pronto? Precisamos sair. 

Eren bufou irritado, fazendo que sim com a cabeça. 

- Vamos logo. - Disse de maneira ríspida, porém Mikasa não se incomodou. Seu peito comichava de ansiedade e felicidade pelo o que aguardava o amigo naquele encontro. 

• • •

 

A festa era de bom gosto, se um pouco barulhenta. O que era comum para uma comemoração de formatura, um tanto prematura. Normalmente, tal ocasião ocorreria no último mês do ano. Entretanto, foi adiada para setembro, por conta das aulas do ano letivo terem se iniciado cedo demais. 

O que não foi um problema para os estudantes, que estavam muito animados para aquele dia. Exceto Eren, que já estava com pretensão de não comparecer à sua formatura, por não gostar de multidões. 

Mas, Carla e Grisha não compraram a ideia do filho. 

- Você vai sim! Até parece que vai perder o dia mais importante de seu colegial. - Repreendeu o filho, segurando uma de suas orelhas com certa força, fazendo o moreno resmungar de dor. 

- Tá, mãe. Eu vou, eu vou! - Retrucou, quase suplicando para que aquele perto se cessasse e assim aconteceu, quando Carla se convenceu das palavras do filho. 

- Então, trate de se arrumar. A festa começará logo, e seu pai vai te levar. 

Eren bufou irritado, formando um bico emburrado na face logo após. Assim que a mãe saiu do quarto, cruzou os braços um tanto contrariado com aquela obrigação feita, e voltou a se jogar na cama. 

Entretanto, como se Carla possuísse clarividência, ela berrou do andar de baixo, assustando consideravelmente o filho: 

- VÁ SE ARRUMAR, EREN! 

Em um pulo, o rapaz se levantou e marchou em direção ao armário, para trocar de roupa. Assim que trocou as suas vestes, por uma terno social obrigatório para a festa de formatura, Eren desceu as escadas e foi de encontro até os pais. 

Carla largou todos os afazeres, ao ver o seu filho vestido tão formalmente daquele jeito. Ainda que, já fosse um rapaz de 18 anos, ela não conseguia deixar de vê-lo como uma criança. Talvez, fosse um hábito materno no qual ela não conseguia se desprender. 

- Você está lindo demais! - Disse, aproximando-se de Eren e o puxando para um abraço apertado. 

O rapaz fez uma careta e, tratou de censurar aquele comportamento da mãe, empurrando-a levemente. 

- Chega, mãe. Vai amassar a minha roupa! 

Grisha riu baixo com a cena, aproximando-se com um sorriso no rosto ao ver seu filho tão crescido. Podiam se passar anos, mas sempre se surpreenderia pelo tempo ter passado tão rápido, quanto ao crescimento de Eren. Ontem mesmo, era uma criança encrenqueira, que arrumava briga com todos os meninos do bairro. 

Hoje, já era um mocinho, que estava finalizando mais uma etapa importante da vida. Em breve, estaria na faculdade e com a sua casa própria. 

- Vamos, Eren? - Chamou o filho, que ainda estava sendo castigado pelo carinho exarcebado da mãe. 

- Sim, me larga, mãe! - Eren se desprendeu dos braços de Carla, com certas dificuldades por conta da força que a mesma o apertava. 

- Se divirta e tire bastante fotos! - Carla disse, abanando a mão para o marido e o filho em uma despedida muda. 

Quando saíram de casa, entraram no veículo estacionado logo à frente e não tardou para que, Grisha dirigisse até o colégio do filho. Levou apenas alguns minutos para chegar até o local, que ao longe, já era possível de se ver luzes festivas e alguns balões no pátio. 

Eren engoliu seco, sentindo aquela ansiedade por ter que interagir em público se fazer presente, passando a encolher dentro do carro como se buscasse um refúgio para aquela noite. 

Assim que Grisha parou o carro, olhou para o filho que estava visivelmente nervoso e, descansou uma mão no ombro exposto, acariciando-o em um gesto acolhedor. 

- Fique tranquilo, Eren. É apenas uma noite como outra qualquer. Se divirta com os seus amigos e viva intensamente, não precisa se preocupar com o horário que for chegar. - Disse em um tom calmo. - Quando quiser que eu te busque, é só me ligar. 

Eren olhou para o pai, e fez que sim com a cabeça lentamente. Aquela confirmação muda, era mais para si do que para as palavras do acolhedoras de Grisha. Era como se, a partir daquele momento, estivesse disposto a espantar o seu medo, para verdadeiramente curtir aquela noite. 

Despediu-se do pai e, saltou do carro logo em seguida, fechando a porta com mais força do que o necessário. Em passos relutantes, começou a adentrar o local que estava tomando por decorações e uma faixada grande, enfeitando a entrada. 

“Bem-vindo, formandos!” 

Crispou os lábios, caminhando pelo local e dando uma boa olhada ao seu redor. Haviam pessoas de vários anos ali na festa, com roupas extravagantes e bebidas na mão. Inclusive, os professores participavam daquela baderna. Hanji, Levi e Erwin estavam sentados em uma mesa, conversando sobre algum assunto que era totalmente desconexo para Eren. 

Continuou perambulando pelo ginásio, onde estava ocorrendo a festa, procurando por algum rosto conhecido de seu grupo. Como se Deus tivesse ouvido as suas preces, deparou-se logo à frente, com Sasha devorando a mesa de salgadinhos. Connie tentava repreender a amiga, mas não obtinha nenhum sucesso. 

Correu de encontro aos amigos, com um sorriso aliviado no rosto por tê-los encontrado. 

- E aí, gente? Como você estão? - Indagou, assim que se aproximou dos dois. 

- Oh, nem pensei que você viria, Eren. Você odeia festas. - Connie comentou estarrecido, fazendo o Yeager revirar os olhos. 

- De fato, eu não queria vir. Mas, minha mãe me obrigou… - Murmurou, formando uma careta contrariada no rosto. - Enfim, a Mikasa e o Armin já chegaram?

- Er, bem… - O loiro coçou a nuca um tanto sem jeito, procurando as palavras certas para dizer o que estava acontecendo, até então. Tendo em vista, os ciúmes fraternais que Eren possuía pela Ackerman. - O Jean e a Mikasa já chegaram e estão dançando na pista. Mas, nenhuma sombra do Armin até agora. 

Eren cerrou os dois punhos fortemente, achando um absurdo o atrevimento de Kirstein por ter se aproveitado do momento em que estava ausente, para chegar na sua amiga. Girou os calcanhares e caminhou até a pista do ginásio, ignorando todos os chamados de Connie. 

Quando aproximou-se da multidão, esbarrou-se com algumas pessoas que resmungaram com a indelicadeza do Yeager, porém ele não poderia se importar menos com isso. Procurou atentamente as duas figuras conhecidas e, logo encontrou o casal, dançando bem no centro da pista. 

Andou em direção ao casal, com passos pesados e quando aproximou-se do cara de cavalo, cutucou fortemente o ombro deste que o ignorou nas primeiras vezes. Aquilo irritou Eren consideravelmente, que acabou tomando uma atitude mais agressiva do que a anterior. 

Pôs a mão sobre o ombro de Jean e o puxou bruscamente para o lado, fazendo-o se soltar de Mikasa no processo. 

- Argh, o que foi? - Jean praguejou, olhando para o moreno com uma expressão sisuda no rosto. - O que tá pegando, Eren? 

- Eu quem te pergunto o que tá pegando! - Eren retrucou com a voz alterada e elevada, para que Jean o ouvisse. O salão estava tomado pela música alta, o que fazia com que fosse difícil escutar o que os outros diziam. 

- Você interrompeu a minha dança com a Mikasa, e quer saber o que tá pegando? - Indagou no mesmo tom, cerrando os punhos para o Eren. 

Mikasa assistiu os dois prestes a iniciar uma briga ali mesmo, e antes que algum professor intervisse, ela decidiu fazer isso. Se colocou no meio dos dois, os separando bruscamente um do outro. 

- Já chega! - Esbravejou, alternando o olhar feroz para o namorado e em seguida, para o amigo. - Se continuarem com essa rivalidade chata, eu vou embora da festa. 

- Não, Mikasa. Não faça isso! - Jean suplicou, unindo as duas mãos como se estivesse orando. Mas, na verdade, era apenas um gesto devoto à clamor para que, a Ackerman não deixasse a festa. 

Eren assistiu a cena, um tanto entediado com a atitude do cara de cavalo e, quando estava prestes a repreendê-lo, uma voz fez-se presente entre eles, o tirando totalmente de seus eixos. 

- Está implicando novamente com o Jean, Eren? 

Já havia escutado inúmeras vezes aquela voz, porém naquele momento, pareceu que fora a primeira vez que se deparava com uma melodia tão bonita como aquela. Virou-se e quando olhou para Armin, avistou uma das mais belas figuras do salão. 

O Arlert trajava uma roupa social azul escura, o que dava um contraste maior com a cor dos seus olhos. Seus cabelos, grandes como sempre, com o mesmo penteado rotineiro que usava. O brilho em seu olhar, indicando que estava tão surpreso quanto ele, por estarem ali. 

- Armin, v-você… - Mordeu os lábios, se repreendendo por ter gaguejado. Mas, era impossível manter-se impassível diante de Armin Arlert naquele momento. 

- Estou bonito? - Inquiriu constrangido. 

Eren formou um sorriso nos lábios, fazendo que sim lentamente com a cabeça. 

- Você está lindo. - Respondeu, com as bochechas torneadas pela cor vermelha e com seu coração batendo forte contra o peito. 

Armin se encontrava da mesma maneira, porém com mais ímpeto de coragem do que o Yeager. Aproximou-se sorrateiramente do amigo, com um sorriso doce nos lábios, e estendeu uma mão na direção de Eren em um convite mudo, no qual ele sabia bem o que significava. 

- Dança comigo? 

Um tanto relutante, Eren ergueu a mão e depositou a palma sobre a calorosa mão erguida de Armin. Os dedos se fecharam e, como um telescópio, puxou o moreno para perto, chocando levemente os dois corpos. 

Estava um tanto envergonhado, mas não como Eren, que não sabia bem o que fazer. Então, Armin guiou o amigo, entrelaçando uma das mãos com a sua, enquanto a outra ficava depositada em seu ombro. 

Com a outra mão livre, Armin descansou sobre a cintura de Eren e permaneceu ali, impondo uma certa força para continuar mantendo ele por perto. O Yeager engoliu seco com aquela proximidade, mas não quis se esquivar. 

Os movimentos se iniciaram lentamente, com o balançar dos corpos. Os dois não sabiam dançar muito bem, mas estavam improvisando. Às vezes, os passos davam errado e acabavam, pisando no pé do outro. Mas, aqueles erros não estragavam o clima, apenas o enriqueciam. 

As risadas gostosas escaparam, fazendo algumas pessoas olharem para o casal atípico dentro do salão. Alguns olhares eram recheados de provocação, como se zombassem dos dois por estarem errando passos tão fáceis e outros, estavam surpresos por ver dois meninos dançando. 

Mas, eles não se importavam com nenhum deles. Naquele instante, só quem existia naquele ginásio eram os dois. Era como se o tempo tivesse parado naquela esquisita dança que perfomavam, contudo nenhum espaço era visível. Os corpos estavam abraçados, fazendo uma corrente elétrica percorrer, junto de fugazes ideias. 

- Quer fugir daqui? - A proposta de Armin surgiu como uma canção estarrecedora aos ouvidos de Eren, que mesmo assim, fez que sim com a cabeça. 

Sentiu sua mão ser puxada e, guiada para fora ginásio, junto de olhares curiosos que direcionaram os dois rapazes, até que eles sumissem completamente do local. Foram passeando pelo pátio, que haviam alguns casais trocando carícias comprometedoras demais à olho nu. 

Eren contorceu o rosto em uma careta e, Armin riu da reação do amigo, o levando para um lugar mais escondido do pátio. Mais precisamente, embaixo de uma grande árvore que estava localizada um pouco distante das outras pessoas. 

- Realmente, esse foi o melhor lugar que poderia encontrar? - Eren indagou em um tom relativamente baixo para o amigo, que estava muito próximo de si. 

- Tem outros, mas vai ter que lidar com aquelas cenas constrangedoras. - Armin disse em um tom de escárnio, arrancando risadas de Eren. Observou atento cada expressão no rosto do amigo, com o coração palpitando em seu peito. Temia que fosse escutado, e que sua ansiedade estragasse o momento que planejou naqueles dias. - Eren… Eu queria conversar um assunto sério com você. 

O Yeager cessou as risadas rapidamente, concedendo um ar mais íntegro para o amigo que parecia meio receoso. Por um momento, encontrou-se da mesma forma que ele, como se tivesse um segredo muito valioso guardado, porém não tivesse coragem para revelar. 

Por isso, depositou uma mão no ombro do amigo, concedendo a coragem que ele precisava. 

- Pode se abrir, Armin. - Falou em um tom calmo, que não combinava com ele. 

O loiro ficou em silêncio por bons minutos, encarando as orbes esverdeadas um tanto estarrecido. Não sabia como colocar em palavras tudo que estava sentindo. Fazia tanto tempo que aquele pequeno sentimento estava nascendo em seu peito, e agora estava espalhado de uma forma que não conseguia mais ignorar. 

Eren possuía um poder sobre si tão grande, que mal imaginava. Quando se sentia triste, bastava tê-lo do seu lado que seu dia já melhorava. Quando se considerava um inútil, por não obter grandes notas nas matérias de exatas, Eren ressaltava a sua importância para outras coisas. Quando se sentiu sozinho, no primeiro dia de aula e fora algo de garotos que implicaram consigo, pelo seus longos cabelos se assemelharem à de uma menina, Eren peitou todos eles sem medo algum de se tornar um alvo futuramente. 

Aprendeu tanto Eren Yeager que, tinha total certeza que se hoje em dia, ele possuía uma confiança inabalável, era por conta do moreno. 

Armin nunca teve nada para com que se preocupar. Sua vida sempre foi tranquila, porém quando conheceu Eren, tudo foi de cabeça para baixo. Sentimentos novos nasceram em seu coração, conjuntamente de dores de cabeça por, não entender o que tudo aquilo significava. 

Eles eram amigos, certo? Nada mais e nada menos. Apenas, duas almas que foram destinadas a se encontrarem e, perpetuarem conhecimentos mútuos e momentos inesquecíveis. 

Então, por que não conseguia se prender apenas à isso? 

Toda as vezes que ele se lembrava dos momentos que passaram juntos, ele encontrava a verdadeira resposta. Ainda que, a considerasse apenas uma “emoção” vinda de seu subconsciente. Entretanto, não podia mais ignorar. 

Repetidamente, se virava para trás e enxergava até onde, os sentimentos adormecidos o levaram. Seus sonhos, sua felicidade, aquele calor… Todos eles existiam, porque Eren Yeager existia. E, não queria passar um amanhã sem ele. Queria acordar todos os dias, e ter certeza de que ele estava ali. 

Porque estava perdidamente apaixonado pelo próprio melhor amigo. E não conseguia mais enxergar um futuro, sem que Eren não estivesse nele. 

Com toda aquela análise interna feita, dentro dos minutos que se encontraram parados frente a frente, Armin conseguiu ímpeto para que externalizasse o que estava dentro do seu coração de outra forma. 

Aproximou-se ainda mais de Eren, constatando se poderia prosseguir com os seus planos, pela reação que o mesmo obtinha em sua face. E, pelo amigo não se refrear em nenhum momento, ele continuou avançando até que suas respirações estavam misturadas e sincronizadas. 

Uma das mãos foram seguradas firmemente, enquanto a outra se direcionou até a bochecha, a acariciando delicadamente. Eren não conseguia desviar seu olhar para outro lugar. Ele apenas se manteve preso aquelas orbes azuis à sua frente, ansioso para que o contato acontecesse, ao mesmo tempo que, estava assustado. Contudo, a emoção falava mais alto. 

Os lábios se aproximaram e selaram um beijo doce e calmo. Aquele toque foi como os céus para os dois, que se encontraram totalmente à deriva daquele acontecimento que era tão aguardado por eles. 

Mais uma vez, naquele pátio, era como se ninguém existisse, só eles. O sentimento se aflorou quando, Armin pediu passagem com a língua e Eren concedeu. As duas se buscaram afoitas dentro da boca, e se acariciaram causando arrepio no corpo dos dois. 

Os corações batiam acelerados contra o peito e, as mãos tremiam levemente, mas ao mesmo tempo, esse nervosismo se acalmava consideravelmente. Aquele beijo era como se fosse um sonho passageiro, no qual nenhum dos dois queriam acordar. 

Quando o ar se fez necessário, os dois romperam o contato com as bochechas coradas pelo gesto. A vergonha tomou conta do clima, e os amigos sequer conseguiam olhar um para o outro. 

Ao mesmo tempo que Eren estava feliz com o acontecimento, estava bastante confuso. Era notório que, sentia algo a mais pelo Armin, mas… Como ficariam juntos? Em breve, entrariam para a faculdade e, cada um seguiria um caminho diferente. Então, por que isso repentinamente?

Depois de um tempo em silêncio, Eren o quebrou, questionando uma de suas dúvidas que mais lhe atormentavam: 

- Armin, por que fizemos isso?

- Eu fiz, porque… - Armin suspirou profundamente, olhando em seguida para Eren, com um brilho determinado nos olhos. - Porque eu não sinto apenas um sentimento de amizade por você, Eren. E, depois desse beijo, sei que também sou correspondido. 

- Mas, Armin… Como ficaremos juntos? - Indagou, arrancado um semblante de dúvida no loiro. - Hoje foi nosso último dia nesse colégio, em breve iremos para a faculdade e não seguiremos o mesmo rumo. 

- Não vejo problema nisso, e é muito cedo para tirar conclusões precipitadas. Arrumaremos um jeito de nos encontrarmos sempre, afinal eu realmente desejo morar na casa de praia com você. - Armin respondeu com um sorriso pequeno nos lábios. - Pensou que fosse apenas uma emoção minha?

Eren ficou em silêncio por uns segundos, com uma expressão indiferente no rosto. Armin por um momento, preocupou-se e, quando estava prestes a questioná-lo, Eren o retrucou:

- O que fizemos?

- Eren… - Armin murmurou com certa angústia no olhar. - Você se arrepende?

A pergunta soou baixa, como se Armin realmente não quisesse acreditar nas próprias palavras. Havia sido correspondido à altura e, durante todo esse tempo, pensou que o sentimento que possuía no coração era recíproco. Então, o que aconteceu?

Eren por outro lado, pareceu assustado com aquela situação. Era como se um choque de realidade pairasse sobre ele e, finalmente, tivesse percebido o que fez. Ele realmente havia se deixado levar? Mas, o que seriam deles agora? A amizade gostosa que possuíram durante esses anos, havia ido embora em um instante de tempo para dar lugar a outra coisa maior?

Quando Armin estava prestes a questionar novamente, Eren o retrucou:

- Me desculpe por isso, mas acho que me deixei levar demais… - Mordeu os lábios, olhando para o amigo um tanto receoso. Os olhos azuis estavam arregalados em total choque e, ele podia jurar que, estavam marejados. O que fazia aquele sentimento de culpa alastrar-se em seu peito. Por isso, decidiu ser honesto. - Eu… Não sei se estou pronto para isso, Armin. É um passo muito grande que envolve algo que eu não tenho como oferecer, no momento. 

Um silêncio formou-se diante dos dois. Armin não sabia o que responder, se encontrou totalmente desarmado em um espaço curto de tempo. Seria isso? Agora, deveriam dar as costas para o que aconteceu e ir embora?

Ele não conseguiria. 

- Eren, eu sei que pode tudo parecer confuso nesse momento e, agi um tanto desesperado… - Soltou um riso baixo, desprovido de qualquer emoção. - E peço desculpas por isso. - Antes que Eren o repreendesse, Armin prosseguiu com o que queria dizer. - Você pode examinar o seu coração em seu próprio ritmo e, cuidar de si mesmo. Basta ter esse sentimento que você possuí para que seja o suficiente para encher o seu coração. É bom para que as coisas permaneçam como estão por enquanto, temos tempo de sobra. 

Foi a vez de Eren arregalar os olhos para o loiro, que estava com um sorriso triste no rosto. Um sentimento forte expandiu-se em seu interior, querendo sair pelos olhos, mas foi por conta do calor dos dedos entrelaçados que ele conteve as suas lágrimas. 

- Eu estarei esperando por você, pois tenho certeza que nossos corações estão amarrados. E mesmo que não seja para ser agora, eu nunca me esquecerei dos momentos que tivemos juntos. 

As palavras doces soaram baixas, como se fosse uma promessa naquela noite que só os dois poderiam cumprir. Eren aproximou-se do loiro e o abraçou com extrema força, sentindo desabar o que estava guardado dentro de si. Armin apenas afagou os cabelos da pessoa que tanto amava, em um gesto acolhedor. E se segurou muito, para que não se rendesse junto de Eren, pois duas pessoas chorosas não chegavam a lugar nenhum. 

Ele compreendia o que estava acontecendo com o amigo e, por mais que estivesse chateado por não ter o desfecho que esperava, iria aguardá-lo. Mesmo que se passassem anos, iria aguardar por Eren, pois sabia que no momento em que ele retornasse, voltaria com a resposta que ele precisava saber. 

Eren, o que significa liberdade para você?

• • •

 

Eren e Mikasa não demoraram para chegar no local combinado pelos amigos. Era em um bar do centro, que estava bastante movimentado por ser um sábado. Tiveram algumas dificuldades para encontrarem os rostos conhecidos, mas logo em uma mesa afastada, conseguiram avistá-los. 

Foram se aproximando da mesa que estava tomada pelo falatório e, quando os olhares se chocaram, todos se encontraram pasmos por constatarem que Eren estava ali. 

- E aí, Eren? Quando tempo, não? - Jean provocou. 

Eren estava prestes a retrucar o cara de cavalo, quando seu olhar deslizou sobre uma certa pessoa e se manteve preso ali. O cabelo loiro, que agora estava curto, os olhos azuis que estavam arregalados em uma expressão surpresa e a boca que estava aberta, formando um “o” perfeito. 

- A-armin? - Indagou descrente. 

- Eren? - Armin rebateu, franzindo o cenho para o moreno à sua frente. 

Tudo ao redor parou, novamente, como sempre acontecia quando estavam diante um do outro. Aquele sentimento de nostalgia gostoso perdurou no âmago dos dois, concedendo uma relevância a mais para aquela situação. Quanto tempo não se viam? Quanto tempo não escutavam a voz um do outro? 

Estavam tão diferentes fisicamente, mas as mesmas sensações estavam presentes, jogando-os um contra o outro. Eren acreditava que, depois de muito tempo, nunca o encontraria. Passou a convencer-se disso, mas agora, ele estava ali diante dele. Repentinamente e como um sonho passageiro, no qual Eren não queria acordar.


Notas Finais


ai ai, como será que vai ser esse encontro, hein?
até \o


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