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História Back to Earth - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


olá príncesas de supercorp, tudo bom com vcs? Espero que sim.

Se repararem na capa, poderam perceber que será um capítulo com nossas meninas em harmonia tá?

quero lembrar que hj tera live com participação da Katie no insta e no Twitch pela homecon então estejam preparadas. Twitch é a partir das 14h e no insta com a Azie e perfil oficial de supergirl as 16h. Não percam!

obrigado pelos comentários e apoio pela história, vcs são incríveis e me motivam a continuar a cada dia mais.

agora vamos de mais um capítulo. Boa leitura, ignorem os erros e não desistam de mim!

Capítulo 6 - Mergulho Raso


Fanfic / Fanfiction Back to Earth - Capítulo 6 - Mergulho Raso

         Seus olhos ainda sob o efeito do sono, lutavam para permanecerem fechados. O João Pestana dessa vez havia caprichado. Em suas pálpebras parecia ter bigornas segurando-as, e decidiram travar uma batalha contra a loira que desejava despertar. Após longos minutos tentando se livrar desse controle sobre ela, seus límpidos azuis puderam observar quem havia do lado. A CEO estava do seu lado esquerdo, e esse era o motivo pelo qual a loira se sentia com menos espaço, para se esticar. Ela não se lembrava de quando a morena havia aparecido em sua cama, mas não estava preparada para vê-la se levantar dali. Preferiu fechar os olhos novamente e fingir que ainda estava dormindo, a fim de prolongar aquele momento. Seu corpo vagarosamente se aproximou mais da mulher ao seu lado que estava encolhida. Para sua surpresa quando estava à uma distância consideravelmente curta, e a respiração da outra era sentida em seu rosto. A morena se aproximou mais, afundando o rosto em sua clavícula, ela parecia com frio ou extremamente confortável com a proximidade.

         Ao perceber o contato, a loira preferiu se manter de olhos abertos, para que fingir estar dormindo se poderia admirar a beleza daquela que nesse momento estava aninhada a si. Os pés se tocavam, e o corpo da morena se arrepiou ao sentir o calor em seus pés ligeiramente frios. Seus olhos piscaram algumas vezes antes de abri-los, mas seus resmungos a denunciaram antes. Ambas permaneceram em silêncio, como se qualquer palavra pudesse estragar o início de um dia perfeito. A jovem Zor-El podia ouvir o coração da morena e claro que ela sabia disso, e tentava desesperadamente mantê-lo controlado e com os batimentos normais. Porém era uma tarefa complicada, já que a melhor amiga lhe causava um turbilhão de sensações e emoções que ela não saberia explicar. Nunca foi tão íntima de alguém, a ponto de sentir seu estômago contorcer só de estar perto, nunca dormiu com amigos. Nem sabia como reagir a isso. Mas com a loira ela sempre teve intimidade para isso, certo? Então porque tanto nervosismo? O que a amiga tinha, que lhe causava tamanha ansiedade. Kara também podia dizer que sentia o mesmo, que o peito poderia explodir com a velocidade e força que seu coração batia, sempre que via a mulher ao seu lado sorrir, ou falar sobre algo que para ela era extremamente inteligente. 

       Lena Luthor. Se existia alguém mais incrível que ela, Kara desconhecia. E estava disposta a entrar em um debate com qualquer pessoa a fim de provar o seu ponto. Não se lembrava de muito, nada pra falar a verdade. Mas gostava de pensar que a amiga era perfeitamente imperfeita e não tinha nenhum problema nisso, sabia de parte do erro que ela cometeu e que isso lhe rendeu mais sofrimento na Zona Fantasma. Porém esse fato já nem era importante, a Luthor caçula estava cuidando dela desde que voltou, se arriscando com ela, e principalmente com seu irmão. Definitivamente, sua melhor amiga era a personificação de lealdade, mesmo após ela também errar com a mesma.

       Os minutos se prolongaram enquanto as mãos frias da CEO permaneciam segurando firme na parte de cima do pijama de dinossauro que a kryptoniana vestia. Ela havia comprado ele dias atrás, após a loira ter queimado o outro no incidente com a visão de calor. Ficou sabendo que ela gostava de dinossauros e quis mimar a amiga de alguma forma. Sem contar que vê-la sorrindo era de longe a coisa que mais alegrava a morena nos últimos meses. Estava ajudando-a com seus pesadelos, e na maioria das noites trocava de cama, para fazer carinho no cabelo da kryptoniana que gritava em pavor, como das outras vezes. Acidentes noturnos com a visão de calor, ficaram cada vez menos frequentes e a morena nem se lembrava mais da última vez que aconteceu. Kara passou a conversar mais sobre seus pesadelos e aquilo a estava ajudando, assim como ajudar na cidade às escondidas, era a nova super heroína nas sombras de National City. Fora a solução que ambas encontraram, pois a Luthor não poderia impedi-la de ajudar, assim como Kara não poderia fazê-la deixar de se preocupar. A amizade das duas se fortalecia a cada dia mais, e por mais que a morena ainda tivesse mágoas em relação ao segredo, procurava guardar aquilo o mais profundo que podia, para não afetar sua nova relação com a sua super heroína. Sua, pois ela havia a salvado pessoalmente a alguns dias atrás. Lex havia enviado seus capangas para pegá-la na L-corp. Claro que ambas sabiam que ele apareceria em algum momento, porém o receio era impossível de evitar.

       Myriad ainda permanecia sob os cuidados de Hope, que se mantinha no laboratório, estudando e analisando os dados meticulosamente. Lena havia colocado prioridade em resolver, e a inteligência artificial colocou total empenho nisso, procurando uma brecha ou qualquer ponto cego nos planos do Lex. Alex parou de perseguir a Luthor após não ter provas sobre ela estar envolvida com o sumiço da kryptoniana. Não que ela tenha deixado de desconfiar, mas preferiu não entrar em guerra com a mulher mais famosa e inteligente da cidade.

— Bom dia! — resmungou quebrando o longo silêncio —

— Bom dia senhorita Luthor. — abriu um sorriso de canto ao tirar os fios negros do rosto da amiga — Como passou a noite?

— Muito bem, e você? — abriu finalmente os olhos e encarou os azuis brilhantes —

— Eu dormi bem… er… mas se você está aqui, é pq eu tive outro pesadelo. Você está bem? Digo, você se machucou? — bufou nervosa por falar rápido — Desculpa. — ruborizou —

— Bom… – sorriu tímida e sentiu as bochechas queimarem — Na verdade, essa é a primeira noite nesse mês que você não teve um pesadelo. — comentou sem quebrar o contato visual —

— Mas se você está aqui… oh… — piscou algumas vezes e gargalhou envergonhada — Você veio dormir comigo? – assentiu — Eu… er… — pigarreou — Eu gosto de acordar com você, digo eu não me sinto sozinha. Quer dizer… droga, eu não sei. — bufou chateada —

— gargalhou baixo ao se ajeitar melhor e deitar sob o braço da loira – Por mais que você não saiba o que dizer… é recíproco. — disse serena ao encontrar os dedos da amiga — Não sei porque, mas acordar ao seu lado é sem dúvidas meu começo de dia perfeito.

— Ah, é porque eu sou a sua melhor amiga, e a heroína da cidade. — disse inflando o peito e ao fazer sua pose de Supergirl ainda deitada —

— Kara Zor-El. — sua sobrancelha arqueou e a loira ruborizou — A Luthor aqui sou eu, só eu posso ser convencida. — sorriu — Geralmente as heroínas são humildes, sabe? — Provocou recebendo um bico — Não faz essa cara, é golpe baixo.

        O corpo da loira se virou vagarosamente ficando sob o corpo da CEO, que a observava atenta e perdida no que fosse que a loira estava fazendo. Ela se ajoelhou com as pernas ao redor da Luthor caçula e sorriu provocativa ao pegar um travesseiro.

— Kara, o que você pensa que vai fazer com esse travesseiro? — perguntou assustada com a posição das duas. Oh céus porque a loira tinha que ser tão inocente e não perceber o que estava fazendo. —

— Nós somos inimigos declarados, lembra? — disse intimidadora — Supers e Luthors não são amiguinhos e dormem abraçados. — ruborizou — Então, eu declaro guerra. — comentou o óbvio ao segurar o travesseiro entre as mãos —

— Você não se atreva! — disse alto ao cobrir o rosto com os braços para se defender — Lembre-se eu sou uma Luthor. — sentiu o primeiro golpe macio das penas de ganso — Isso não ficará assim, eu me vingarei de você. — outro golpe —

— Você não pode me vencer. — gargalhou — Eu sou mais for… — recebeu um golpe de travesseiro do lado esquerdo de seu rosto, antes de terminar —

— É mais forte, porém eu sou mais mais inteligente. — sorriu ao se esgueirar por debaixo das pernas da amiga e aparecer atrás dela — Meus passos são friamente calculados. — sussurrou ao lóbulo da loira que enfraqueceu no mesmo instante — Não tente competir comigo. — bateu o travesseiro na cabeça da loira e pulou da cama apressada — Ganhei! 

— Ei. Você jogou sujo. — cruzou os braço e se virou — Não valeu.

— Querida, eu sou uma Luthor. Jogar limpo é para os Super's. — provocou ao dar de ombros — Quem perdeu, arruma a cama. — piscou — Ah e não vale usar super velocidade, senhorita espertinha.

— Mas Lena… — bufou — Isso não é justo. Eu oficialmente desisto da guerra. — ergueu a fronha branca do travesseiro e balançou de um lado para o outro —

— Não seja tão dramática. — sorriu — Arrume a cama, e se troque para o café, tudo bem? — assentiu —

         Assim que a Luthor se retirou do quarto a loira arrumou a cama. Seguindo as ordens da morena em relação aos poderes. Ao terminar foi direto para o banheiro, a fim de tomar um bom banho e se aprontar para o trabalho. Sim, ela estava trabalhando na Catco. Lena havia mexido os pauzinhos após ver que a jovem Zor-El demonstrou interesse sobre as informações jornalísticas da cidade. A Luthor caçula queria que a mesma se sentisse normal, mesmo com toda a dificuldade e problemas com Myriad. Claro que Kara adorou a ajuda da amiga, e agradeceu a Rao por ela a conhecer tão bem.

        O banho quente a ajudou a despertar, mas estava tão relaxante que acabou ficando lá por mais tempo. A água quase fervente que saía do chuveiro, caía sob suas costas e embaçava o blindex do box. Seu indicador brincando pelo vidro, escreveu sob o suor, um L&K. A porta do banheiro se abriu vagarosamente e uma morena tímida entrava. Não pôde ver com detalhes o corpo alvo que estava do outro lado do vidro. Mas as iniciais eram bem vistas por ela, mesmo que ao contrário. Sentiu seu coração tropeçar nas batidas e seu sorriso gigantesco se abrir.

       O som não passou despercebido aos ouvidos da loira que limpou o vidro na altura do seu campo de visão. 

— Lena. — tossiu nervosa — Está tudo bem? — seu rosto ruborizou ao imaginar que a morena poderia lhe ver —

— Está tudo bem, eu só queria pegar o meu óleo corporal. — comentou ao desviar o olhar para as iniciais – L&K… — pronunciou pausadamente — K é minha letra favorita. — piscou —

— Ah, mas eu ainda prefiro o L. — disse sem perceber e sentiu seu rosto queimar — Você ainda não tomou banho? Quer dizer, vai se atrasar. Não que eu queira estipular seu horário, digo… você sabe. — bufou —

— Meu banheiro está sem água quente. — deu de ombros revirando a gaveta do pequeno armário da pia —

— Oras, tome banho aqui. — deu de ombros ao lavar o rosto, antes de perceber o que havia dito — Eu já estou saindo. – sorriu sem graça —

— Quase pensei que estava me convidando para um banho, Kara. — gargalhou —

— Porque? Você aceitaria? Digo... amigos aqui tomam banho juntos, não é? — comentou curiosa —

— Não. Esquece isso. — sorriu de lado — Vou aprontar minha roupa. Ah, e você também não pode se atrasar. Andrea é muito rígida com horários. — assentiu —

        Após ambas se aprontarem, se dirigiram a cozinha, para tomarem o café. Lena vestia uma blusa azul marinho, e as mangas estavam dobradas até próximo ao cotovelo e a calça preta dava o contraste. Kara por outro lado havia decidido usar suas antigas roupas de repórter. A famigerada calça cáqui e o uma camisa preta por baixo do sobretudo. A Luthor caçula achava interessante as roupas que a loira usava, a fim de esconder sua identidade e como nunca havia percebido os músculos por debaixo de toda aquela roupa. E que músculos. Rao sabia bem o que fazia, e como sabia. Pensou consigo.

— Tenha um ótimo dia querida. — disse ao se aproximar no assento — Nosso almoço no horário de sempre? — assentiu — 

— Depois você me manda mensagem, sobre qual salada você gostaria de comer hoje. — ajeitou os óculos —

       Ficaram ali durante alguns minutos, sem que houvesse qualquer quebra do silêncio. Suas mãos estavam juntas e a Luthor já nem se lembrava quando é que esses momentos haviam ficado tão frequentes. Não que fosse algo ruim, claro que não. Ela gostava do contraste das suas mãos em temperatura humana, que era mais baixa se comparando com as mãos da amiga. Sem contar que dormir ao lado dela, era como passar uma manhã tranquila aos raios do sol. Mesmo que ás vezes se encontrassem em situações embaraçosas, por estarem de certa forma tão a vontades que uma invadia demais o espaço pessoal da outra. Isso estava atiçando pensamentos impuros, na mente geniosa da Luthor caçula. Onde ela constantemente se pegava imaginando tocar a melhor amiga, beijá-la tão apressada e desesperadamente, como se sua vida dependesse disso. Ela tentava não se deixar levar por esses pensamentos constantes. Era uma Luthor, se dar bem com um super estava muito além do seu querer, sem contar que a jovem Zor-El nunca disse nada a respeito disso. Não que Lena também tenha perguntado, tinha receio de não ser recíproco e isso assustar a amiga. Estava entre a cruz ea espada.

        Kara por outro lado, se sentia estranhamente atraída pela mulher ao seu lado. Ela não saberia explicar o que de fato lhe atraía tanto naquela mulher. Seus olhos, sua cicatriz abaixo da sobrancelha direita, talvez seu pescoço e clavícula que sem dúvidas eram lindos aos olhos azuis da kryptoniana. Por outro lado existia seus lábios, os mesmos que tremiam quando ela estava emocionalmente abalada com algo, ou que ela insistia em morder quando estava nervosa. Poderia também ser o sorriso, que com toda certeza era o que acendia uma chama no peito da loira, que era tão quente quanto o sol. Diversas vezes se perguntou se na outra vida como Kara Danvers, e melhor amiga da CEO, ela se sentia assim. Se seus lábios eram curiosos para saborear os pintados de vermelho que a Luthor tinha. Talvez fosse loucura tudo aquilo, mas não conseguia evitar. Queria sentir, queria beijá-la e o som do seu próprio coração acelerado, abafava qualquer outro som existente em todo o planeta.

           Os minutos se passaram enquanto ambas mantinham o contato visual, as pupilas dilatadas carregavam o reflexo de duas, sorrindo timidamente. Mas a bolha foi desfeita quando o celular da loira tocou. Andrea. Ela provavelmente estaria encrencada pelo atraso, droga. Por mais que gostasse do seu emprego, gostava mais ainda de estar com a sua amiga, não gostava de ter que escolher entre os dois. Mas a despedida era inevitável, então enquanto o celular ainda tocava, a loira se apressou em deixar um beijo no rosto pálido da CEO e sussurrar um "até daqui a pouco", antes de abrir a porta do carro e atender ao celular apressadamente, enquanto caminhava para dentro do prédio. E lá estava a sua Kara Danvers, a repórter atrapalhada de sempre, pensou consigo.

xxxx

— Jonn. — comentou ao abrir a porta do loft — Aconteceu algo? DEO precisa de ajuda com algo? — negou com a cabeça — Okay. Entre por favor.

— O DEO está bem, eu que preciso de sua ajuda. — assentiu —

— Oh. — pigarreou — No que posso te ajudar? — indicou o sofá —

— Tenho tido alguns flashes estranhos com uma pessoa, porém eu não me lembro de conhecê-la. Você me ajudou uma vez com as lembranças do Malefic. — assentiu — Esperava que seu poder de sonhar, poderia me levar mais ao fundo disso.

— Entendo. Mexer com memórias, não é perigoso? — suspirou — Digo, podem haver efeitos colaterais, e quando eu fiz isso da primeira vez, nada aconteceu. Porém dessa vez possa ser diferente. 

— Acredito que, resgatar memórias através de sonhos deva ser mais seguro, porque irei achá-las de maneira natural. Sem tecnologia. Com a sua ajuda, claro. 

— Jonn, tem certeza que quer se lembrar? — assentiu —

— Eu sinto que essa pessoa é uma parte importante, e acessar essas memórias é a chave para descobrir o que há de errado.

       Após algum tempo de relutância e receio, Dreamer aceitou ajudar o amigo marciano, afinal, já havia feito isso antes. Como da primeira vez, Jonzz deu a ela T'fek'lya. Uma erva marciana, que ajuda aqueles que a tomam a conectar telepaticamente suas mentes. 

— Espero que funcione. — fez uma breve careta — Urgh e isso sem sombra de dúvidas é horrível. Aliás me lembre de nunca mais concordar com isso. — se referiu a erva que foi servida líquida em uma caneca — Está pronto? — encarou o amigo que parecia determinado mas receoso —

— Vamos nessa.

        O ambiente do loft se transformou minutos seguintes a jovem Nal fechar os olhos. Ela já havia aprendido a controlar melhor os seus poderes. Quando o sono enfim se abateu na heroína, Jonn foi levado para uma dimensão diferente. Estava no DEO, o que no início não fez nenhum sentido pois trabalhava naquela organização a anos, como aquela lembrança poderia estar relacionada com a loira de olhos azuis intensos.

        Jonn via sua própria imagem parada ao lado de uma maca hospitalar, seus braços firmes cruzados ao peito e um olhar presunçoso para uma jovem de traje azul deitada. Ela estava presa pelos pulsos, as algemas brilhavam em tom esverdeado,e a loira parecia ligeiramente exausta.

— São feitas de kryptonita de baixa intensidade. Um mineral radioativo do seu planeta de origem. Isso irá te enfraquecer.

— Onde… onde estou? — a mulher perguntou enquanto se contorcia sobre a maca, tentando olhar ao redor — Quem é você? — sua voz estremeceu —

— Meu nome é Hank Henshaw. E acho que já conhece a agente Danvers. — pontuou e em seguida a jovem de cabelos castanhos apareceu ao lado da maca —

        Jonn continuava sem entender o que o sonho queria lhe mostrar. Quem era a jovem loira e porque nada ali fazia qualquer tipo de sentido. Seus olhos se fecharam e se encontrou novamente em outro ponto de suas memórias. Sua projeção astral mostrava-o se revelando uma nova memória, onde com a ajuda da kryptoniana conseguiu capturar seu irmão. As lembranças não paravam de surgir como lampejos do tempo. Pequenos detalhes que despertaram suas memórias em diversos cliques. O sentimento de familiaridade o abateu e aqueceu o seu coração que outrora se encontrava indiferente. Kara Danvers. Esse nome rodeou sua mente enquanto tudo passou a fazer sentido, e como lembrar de tudo aquilo era extremamente cansativo.

       A consciência retornou e novamente estava no loft de Nia. Haviam retornado da projeção e ambos sabiam da verdade, sobre Kara, Supergirl, Myriad e Lena. Tudo passou a fazer sentido, ao se lembrarem que a morena havia roubado Myriad da Fortaleza. Mas porque Kara estaria com ela, após tudo o que aconteceu, porque não procurar seus amigos, sua irmã. Era a única coisa que circulava os pensamentos de ambos que permaneceram em silêncio.

xxxx

           Era apenas mais um dia cansativo, como qualquer outro na vida da CEO. Estava ansiosa para o horário de almoço, mas o relógio parecia correr em sentido anti horário, apenas para deixá-la aflita, o que estava a chateando severamente. Não aguentava mais olhar todos aqueles emails, e a pilha de documentos que pareciam se multiplicar a cada vez que seus olhos passavam por ela. E assim seguiu toda sua manhã, atarefada e rodeada de reuniões e mais papéis para ler e sucessivamente assinar.

          Seus olhos se fecharam brevemente ao se recostar na cadeira. Seu peito inflou ao puxar o ar, estava cansada e já esperava que a enxaqueca se apoderasse dela em algum momento. Seus pés fora do stiletto, se alongavam e seus dedos livres enfim do sapato, se estalavam em seguida. Só queria descansar, por mais que amasse o trabalho. Às vezes tentava se imaginar em uma ilha remota, cercada de palmeiras verdes e águas cristalinas. Ela não era a maior fã do sol, afinal ela era sensível em relação aos raios ultravioleta. Mas imaginar não é algo que maleficia a saúde não é mesmo. Voltando ao pensamento das férias perfeitas, a areia branca brincando entre seus dedos de pés descalços, a roupa leve e frouxa, o contrário de seus vestidos usuais, saias apertadas e sapatos com saltos exageradamente finos. Amava aquilo, mas as vezes, só às vezes, queria poder ter um breve descanso, um momento para ela, sem trabalho, sem papéis, e principalmente sem homens arrogantes dizendo o que ela devia ou não fazer com sua corporação. Sua. Faria o que ela o que bem entendesse, não devia nada para ninguém.

      O barulho suave das batidas na porta chamaram sua atenção. Seus olhos se abriram tentando se acostumar novamente com a claridade do ambiente, e ao olhar no relógio sabia quem era. Kara. Sempre pontual. Foi inevitável o coração errar algumas batidas e seu sorriso se abrir imediatamente.

— Pode entrar! 

— Oi. — ajeitou os óculos ao entrar e fechar novamente a porta atrás de si — Está tudo bem? É digo, eu ouvi seu coração. — pontuou timidamente ao deixar o que havia nas mãos sob a mesa de centro —

— Oh… er… aquilo não foi nada. — sorriu — Querida, será que poder… — fora interrompida com a supervelocidade da loira ao lhe entregar um par de chinelos — Como sabia?

— É que eu possa ler mentes. Descobri isso a alguns dias atrás, e outro dia você nem imagina o que o carinha daquela barraca lá embaixo estava pensando. — gargalhou ao ver a feição surpresa da morena — É brincadeira baby. — corou fortemente —

— Ufa. — suspirou aliviada com a hipótese falsa da amiga ler seus pensamentos — Mas obrigado. — calçou os chinelos e se levantou da cadeira, notando a diferença de tamanho dela com a melhor amiga —

— Hum, você tem segredos? — franziu o cenho curiosa — Agora estou curiosa.

— E vai continuar. — deu de ombros — Luthors não revelam seus segredos. — piscou ao se dirigir ao sofá do escritório —

— Isso é um pouco injusto. — encolheu os ombros — Porque você sabe tudo sobre mim. — fez um bico, e logo a morena arqueou a sobrancelha direita —

— Não tente me enrolar, eu já conheço seus truques. — sorriu de lado — Agora sente-se, vamos comer antes que Hope me traga outra pilha gigante de papéis. — bufou —

— Como você me pediu pra te surpreender… — pigarreou — Eu decidi trazer uma salada caesar. Que é feita com alface e temperada com molho caesar. Sendo um molho feito com azeite, limão, anchovas, queijo parmesão, mostarda, molho inglês, sal, açúcar e pimenta. — puxou o ar após falar muito rápido, fazendo a morena rir do seu esforço —

— Querida, você memorizou os condimentos de uma salada por mim? — assentiu envergonhada — Estou impressionada por ter se esforçado para isso. Apesar de já conhecer bem a salada, ela me parece ainda melhor com você  explicando sobre. — piscou e o rosto da amiga corou ainda mais —

— Er… e pra acompanhar eu também trouxe croutons. — abriu a embalagem sorrindo — Que são pequenas torradas e lascas de parmesão fresco. — disse orgulhosa — Eu nem sei se você gosta, mas espero que sim.

— Eu adoro querida, obrigado. — beijou rapidamente o rosto bronzeado da amiga e pegou um prato para servir a salada —

      Enquanto se serviam, conversavam sobre a manhã. Assuntos como reuniões que a CEO participou e artigos que a repórter precisou escrever enquanto aguentava seu colega de trabalho. Que absolutamente achava insuportável, com todo seu ar de superioridade e complexo de deus. Lena ficou levemente irritada ao ouvir a amiga contar sobre como William Dey havia roubado seu artigo, e a insultado descaradamente, a chamando de irresponsável. Aquilo sim fazia o sangue da Luthor caçula ferver.

— Eu sou uma Luthor querida, quer que eu mande sumirem com ele? — sorriu — E ele foi um imbecil por te tratar assim, quero que volte lá e o coloque no lugar dele. — assentiu — Agora prove isso aqui. — estendeu o garfo com a salada enquanto mantinha a palma abaixo do talher para não sujar o estofado. Enquanto a loira fazia uma careta — Ah querida, só prova um pouquinho, tudo bem? 

— Eu não gosto dessas coisas verdes e sem vida, baby. — cruzou os braços ao fazer um breve bico — Mas só dessa vez. — abriu a boca recebendo o garfo antes de mastigar relutante — 

— E então? — encarava a loira que ainda saboreava — Não é tão mal, é? — negou com a cabeça —

— Isso é bom. — cobriu a boca — Mas ainda prefiro meu hambúrguer, afinal essas saladas não iriam me sustentar. — gargalhou com o rosto corado —

— Você não tem jeito mesmo. — comentou ao revirar os olhos — Come feito uma criança mesmo.

— Ei. — protestou emburrada — Eu sou saudável se quer saber. — sorriu ao dar a primeira mordida em seu hambúrguer —

— Muito saudável senhorita Zor-El, aliás quando formos para casa, você irá comer os legumes. — deu de ombros ao finalizar sua salada e tomar o vinho que já estava em sua taça —

— Por falar em casa… — ajeitou o óculos nervosamente — O que você acha sobre eu voltar ao meu apartamento?

        Aquela pergunta pegou a CEO desprevenida, pois não esperava que a amiga quisesse voltar para seu antigo loft, elas estavam bem morando juntas não é. Então porque a loira queria ir embora. A dona dos olhos azuis parecia à vontade morando com ela, ou será que isso ela apenas imaginou. Agora que estava mais familiarizada, devesse ser a hora de voltarem às suas vidas antigas, mas e para ela? Como seria não ter a melhor amiga para assistir filmes clichês e tomarem sorvete. Quem buscaria seu café todas as manhãs e a ajudaria entre usar azul ou verde. Não seria um adeus, mas o aperto no peito era algo que lhe fugia do controle.

— Lena, você me ouviu? — pigarreou ao tocar a mão da outra sob o estofado — Está tudo bem?

— Eu não estava esperando por isso Kara. — respirou fundo e riu sem graça alguma — Mas porque quer ir embora? Foi algo que eu fiz? Digo, você pode ficar o quanto quiser. — olhou para suas mãos juntas — Eu não gostaria de me sentir sozinha. — confessou —

— Oh, Lena. — ergueu a mão da morena e beijou os nós de seus dedos — Você nunca esteve sozinha, não seja boba. — sorriu envergonhada — Não liga mesmo que eu more com você? — negou com a cabeça e a loira a encarou por cima dos óculos — Mesmo que eu coma todos os biscoitos, tome incontáveis potes de sorvete, quebre metade dos seus móveis e tenha um péssimo gosto para te ajudar a escolher o que vestir? — a última parte fez a CEO gargalhar alto. Kara realmente tinha um ponto —

— Você não mentiu. — pontuou entre risos — Mas eu não trocaria isso por nada nesse mundo. Eu amo o fato de ter uma esfomeada em casa, que quebra tudo por tropeçar nos próprios pés. E amo mais ainda você escolher minhas roupas pelo tom que vai destacar mais meus olhos ou a cor dos meus cabelos. Mesmo que você tenha acidentalmente queimado aquela minha camisa favorita com o ferro de passar. — corou fortemente — Eu amo nossa vida juntas, nossa bagunça. Eu amo tudo isso, Kara. — sorriu de lado ao entrelaçar seus dedos aos da outra — Se tivesse a mínima noção do quanto, nem ousaria pensar em ir embora.

— Eu te amo. — tossiu — Digo, amo buscar seu café todas as manhãs e às vezes acordar com você do meu lado encolhida por estar com frio. — encolheu os ombros — Eu amo fazer parte de você, e amo mais ainda o fato de você fazer parte de mim. 

— Você… er, disse que me ama. — engoliu seco ao ver que a loira assentiu — Uma super amando uma Luthor, o quão catastrófico isso pode ser? — sorriu ao olhar para o relógio — Droga! Está na hora da minha próxima reunião. — bufou chateada —

— Ah, a hora passou tão depressa. — pontuou decepcionada — A gente se vê mais tarde. — se aproximou e abraçou forte — E não esquece, hoje é dia de filmes, eu te busco aqui às seis, okay? — assentiu — Tente não se estressar muito.

— Tudo bem, tentarei. — entrelaçou seus dedos aos da amiga e encarou as íris azuis — Tente também não perder a cabeça com a Andrea, e lembre-se do que falei, coloque aquele inconveniente do William no lugar dele. 

       A despedida logo foi inevitável quando Hope adentrou o escritório, avisando que a reunião da Luthor caçula começaria em dez minutos. A repórter se retirou da sala enquanto o olhar da CEO a acompanhava até a porta. As despedidas ainda que breves a deixava triste. 

Eu também te amo, Kara.

        A frase saiu sem que a morena ao menos percebesse, e quando o fez tentou ignorar o fato de que a loira não ouviria de todo modo. Mas era aí que ela se enganava, porque Kara sempre se concentrava nos batimentos, respiração e qualquer mísero detalhe da melhor amiga, para que ela tivesse a plena certeza de que a mulher estava segura. E a confissão não passou despercebido, o que deixou a jovem Zor-El completamente desnorteada e sem reação, afinal a amiga acabara de dizer que a amava. Bom não foi pessoalmente e provavelmente nem tenha sido algo intencional, mas de fato aconteceu não é mesmo? Seu estômago se contorcia e revirava em nervosismo. Não se lembrava de já ter sentido nada parecido. Bom voar a primeira vez foi uma de suas coisas favoritas, assim como experimentar as diversas comidas da terra. Todos momentos bons, para ela que não conhecia mais nada dali. Porém ouvir um eu te amo da Luthor, de longe era a melhor sensação de toda sua existência. Por mais que não soubesse qual o sentido da palavra ela quis dizer, afinal eram amigas. E se era nesse sentido que ela quis dizer.

xxxx

— O que faremos com essa informação? — perguntou curiosa ao encarar o marciano aéreo em pensamentos —

— Eu não sei ainda, mas não podemos revelar isso para ninguém. — alertou — Kara está com Lena. E não sabemos o que de fato está acontecendo. Ela não sabe de nós… ela não se lembra. 

— Acha que Alex poderia ajudar? Digo, elas são irmãs. — negou com a cabeça —

— É melhor deixarmos como está por enquanto. Só precisamos manter a calma — assentiu —

— Eu posso tentar me aproximar dela. Talvez tentar descobrir se ela se lembra de algo — deu de ombros — Mas não podemos acusar a Lena sem saber ao certo se ela está fazendo algo errado. 

— Faça isso, mas lembre-se, ela não pode saber que nos lembramos. E se descobrir que desconfiamos de Lena, provavelmente irá nos odiar por isso. — assentiu —


Notas Finais


então é isso meus amores, espero que tenham gostado do capítulo, e que tenha aquecido o coraçãozinho de vcs antes do episódio de mais tarde.

Lena e Kara vão conversar ainda sobre seus sentimentos confusos, e sobre as mágoas da Luthor. A morena não perdoou a Kara ainda, assim como não esqueceu da traíção, porém ainda não podem entrar no assunto enquanto Hope não conserta Myriad para que a loira tenha noção realmente da situação. Então é isso, só queria explicar mesmo, pq existe um processo para o perdão.

obrigado novamente pelo apoio e acompanhamento, vcs são tudinho para mim.

caso queiram amigar, eu super topo. Chama lá no tt @emmaginaswens 💕

até a próxima, neste mesmo canal e neste mesmo horário (ou não né rs)


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